Agressão

Gostaria de manifestar meu repúdio e minha indignação no que diz respeito à ação da Brigada Militar em Rosário do Sul, na tarde da terça-feira, 4 de março, por ocasião da ocupação da Fazenda Tarumã por mulheres da Via Campesina. Cerca de 900 mulheres e 250 crianças foram atacadas, feridas e mantidas por horas sem que houvesse sequer prestação de socorro médico à beira de uma estrada nas vizinhanças da área ocupada. A truculência de alguns homens da corporação (cerca de 50) segundo dados da própria Brigada Militar chegou à irracional atitude de apontar armas para mulheres, disparar tiros de balas de borracha e utilizar bombas de efeito moral.
Os relatos que ouvi de mulheres detidas na noite do episódio davam e as informações da manhã desta terça-feira dão conta da existência de, ao menos, 70 feridas e duas mulheres grávidas que estiveram em risco de aborto. As crianças choravam de fome, pois não comiam desde as seis da manhã, e só foram comer novamente por volta da meia noite, já no dia de hoje.
Independente do mérito da ocupação, se somos contrários ou não aos métodos dos movimentos sociais ligados à reivindicação por reforma agrária, o fato é que a sociedade gaúcha deve repudiar esta ação que rompe com qualquer princípio elementar dos direitos humanos. A empresa Stora Enso, proprietária indireta da fazenda, plantou parte de sua base florestal de eucalipto em área de fronteira com o Uruguai cuja distância é menor que os 150 quilômetros permitidos por lei para estrangeiros serem proprietários de terras em nosso País. Trata-se de uma questão de soberania nacional.
Há, inclusive, denúncia na Polícia Federal que aponta necessidade de investigação a respeito das irregularidades desta multinacional do setor de papel e celulose.
Antes de finalizar, reitero que entrei em contato com o ministro da Reforma Agrária, Guilherme Cassel, com o ministro interino dos Direitos Humanos, Rogério Sotilli, e com o secretário estadual da Casa Civil, Cezar Busatto. Coloquei-me à disposição para intermediar uma solução diferente para a reforma agrária em nosso Estado. A utilização de violência não pode tornar-se comum.
É com indignação que registro mais um ato de insensibilidade do atual governo, uma vez que estamos na Semana do Dia Internacional da Mulher.
Data, aliás, que passou a ser considerada como tal sob inspiração de massacre de operárias de fábrica nos Estados Unidos durante manifestação por melhores condições de trabalho no século passado. Não podemos deixar que o atual governo atue como um ente que ajude a produzir o conflito ao invés de intermediá-lo.

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