Está em andamento o inquérito interno determinado pelo comando do 9o Batalhão da Brigada Militar para investigar o ocorrido na Feira Feminista na noite de domingo.
“Ainda não recebi nenhuma denúncia formal, mas houve denúncia informal e considerei suficiente para abrir o inquérito. Só a abertura já tem mais de 50 páginas, com o material que colhemos nas redes sociais”, disse ao JÁ o tenente-coronel Marcus Vinícius, que assumiu o comando na quinta-feira, três dias antes do fato.
As chamadas dos vizinhos ao 190, reclamando do barulho, também constam do inquérito. “Ali é uma área residencial e já passava das 23 horas.”

O comandante observava, em frente ao Palácio Piratini, a manifestação em solidariedade às mulheres que denunciaram ter sofrido a agressão. “O vídeo que eu vi só mostra correria”.
Ele não considerou necessário afastar do serviço os policiais já identificados. “Os relatos são contraditórios. O que consegui averiguar até agora foi que foram deslocadas para lá duas guarnições (viaturas)”.
Uma das peças do inquérito é o testemunho de uma moradora no Facebook, logo após o ocorrido. Ela viu os últimos 20 segundos da confusão: “Da sacada de casa vi as gurias que confraternizavam na Feira do Livro Feminista serem brutalmente agredidas, a feira foi totalmente “dissolvida”. Quando gritei “muito bonito, batendo em mulher” um deles me respondeu “vai à merda, vadia maconheira”. É assim que eles reagem ao questionamento, quando quem questiona é uma mulher. Eu estou em casa, vejo da janela três homens agredindo um monte de gurias, grito com eles e ainda tenho que ouvir um sonoro “vadia maconheira”, e vem me dizer que os agressores são os mesmos responsáveis pela minha segurança?”, escreveu.

A ausência de boletim de ocorrência ou outra denúncia formal deve-se ao fato de as vítimas serem do movimento anarquista, que não dialoga com o Estado, seja Polícia Civil ou Ministério Público. São todas muito jovens, estão com medo, não querem dar entrevista e muito menos se identificar.
Pelo menos quinze organizações pelos direitos das mulheres, além de políticos da oposição ao governo Sartori (que extinguiu a Secretaria das Mulheres criada no governo anterior), participaram do manifesto. Pediam desde uma polícia estadual não militarizada até a cassação de Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara dos Deputados, agora na mira da comissão de ética do Parlamento. Cunha é o autor do PL 5069/13, que dificulta o aborto legal e a venda da “pílula do dia seguinte” mesmo a vítimas de estupro. O PL foi aprovado por unanimidade na Comissão de Constituição e Justiça dia 21 de outubro. Milhares de mulheres protestaram país afora.

No ato de ontem, em Porto Alegre, algumas manifestantes usavam lenços para cobrir o rosto, alegando terem sido agredidas e estarem temerosas de retaliações. No final do ato, já quase nove horas da noite, o palácio estava iluminado de cor-de-rosa, em alusão ao “outubro rosa”.
O prazo para concluir o inquérito é de 40 dias, prorrogáveis por mais 20 dias, o que coincidirá com as festas de Ano Novo.
Agressão a feministas: comando da BM abre inquérito
Escrito por
em
Adquira nossas publicações
texto asjjsa akskalsa

Deixe um comentário