O jornalista Paulo Henrique Amorim disse que os grupos de comunicação foram os verdadeiros protagonistas do golpe contra a presidente Dilma Rousseff. Os políticos foram meros coadjuvantes.
Com mais de quatro décadas de experiência nos maiores veículos de comunicação do país, Amorim é hoje um dos mais temidos críticos da mídia brasileira, cujas entranhas ele bem conhece.
Umas 300 pessoas encheram o auditório do Hotel Embaixador, na manhã desta terça-feira (20), onde ele fez uma palestra sobre Os Meios de Comunicação e o Estado Democrático de Direito.
Na abertura, o diretor do Sinpro, um dos promotores do evento, junto com a Federação dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Fetee/Sul) e CUT/RS, Amarildo Pedro Cenci, lembrou o jornalista Daniel Hertz, que em sua História Secreta da Rede Globo documentou os atalhos que a Globo usou para construir seu império, nas entranhas do estado ditatorial.
Amorim começou lendo uma nota que escreveu para seu blog, o Conversa Afiada: Dilma deve aproveitar uma prerrogativa que ainda lhe compete e convocar eleições gerais. Ele reconhece que Dilma e os aliados que lhe restam tem que travar a batalha no Senado até o fim, mas é batalha perdida.
“Seria uma nova “Diretas Já, ou uma Diretas já já”.
Foi o senador Roberto Requião, segundo ele, o primeiro a defender essa saída, de um resgate do espírito das Diretas Já, para retomar o caminho da democracia brasileira, ameaçada com o golpe que culmina no impeachment de Dilma.
“Golpe já houve, agora é questão de formalidades. Para detê-lo só uma nova eleição. Vai ser uma batalha, a Globo não vai querer. Mas a saída é essa? Às urnas, cidadãos”.
Na expectativa do “ansioso blogueiro”, como Amorim se auto-qualifica, nos dias 12 ou 13 de maio o Senado terá selado o destino de Dilma Rousseff, afastando-a do cargo. “O maior derrotado será o cidadão brasileiro”.
O jornalista destacou que Dilma e seu ministro da Justiça José Eduardo Cardozo não souberam enfrentar o golpe, acreditando que “a corrupção não subiria a rampa do Planalto”. Dilma porque subestimou os adversários. Cardozo, por deficiências: “Era advogado do Daniel Dantas na Itália, perdeu as causas do Dantas…”
Sobrou também para o PT: “O PT achou que ia ser republicano numa república que não existe”.
Não vamos nos iludir: “Quem anistiou Brilhante Ustra foi o Supremo!”
Segundo Amorim, o impeachment foi tecido por vários agentes, orquestrados por um noticiário que dava sentido a ações dispersas. “Todas as noites o Jornal Nacional dava coerência e rumo àquele conjunto. Uma orquestração, como a Filarmônica de Berlim”
Foram quase duas horas de exposição, interrompida várias vezes por palmas, e ao final o jornalista autografou exemplares do seu livro O quarto poder – Uma outra história, em que revela a certa altura que no Brasil dos militares e mesmo depois deles, a Globo foi o primeiro poder.
Amorim fala aos sindicatos: "Às urnas, cidadãos!"
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