PINHEIRO DO VALE.
Nem tudo que reluz é ouro; nem tudo que balança cai.
Nada como uma máxima acaciana para ser o lead de uma descrição do que acontecendo hoje no Planalto Central do Brasil.
O que aparece como “fatos dominantes” são manobras secundárias, muitas delas para tapar sol com a peneira, o que é possível porque a mídia não mostra e a credulidade de nossos formadores de opinião é sequipedal, como dizia o Marechal Mourão Filho.
Nem tudo o que balança cai: a começar pelo governo da presidente Dilma Rousseff, que irá assim cambaleante, errático, agônico, parecendo um magrelo do cinema mudo no ringue enfrentando ao mesmo tempo um grupo de brutamontes ferozes, dando a impressão que a cada momento, a cada pirueta depois de levar um sopapo no nariz vai cair em nocaute.
Nada disso, rodopia, levanta-se, volta pateticamente para a luta, apanhando cada vez mais.
Fraco, sangrando e desnorteado com tanta bordoada acaba por se esquivar ao cair e assim os agressores muitas vezes acertam nos companheiros de massacre (ou sangramento, como hoje se diz). Sua fragilidade é sua força.
Chega de metáforas, vamos aos fatos:
Impeachment: Eduardo Cunha pela segunda vez melou o emparedamento de Dilma.
Na primeira, em agosto, quando perdeu as estribeiras com seu nome na lista do Janot, anunciou o rompimento do PMDB com o governo, provocando um racha no partido muito antes da hora.
O PMDB vinha articulando com as demais lideranças políticas a desidratação do governo Dilma com a nomeação de um superministério da economia, Henrique Meirelles, com apoio de Lula e a concordância velada de Aécio Neves.
O xeque ao rei se daria numa convenção do PMDB marcada para novembro.
Cunha adiantou as peças e abriu o jogo, deixando o PT numa saia justa e o PSDB sem alternativa a não ser entrar na corrente do impeachment.
Falhou o golpe, pois Meirelles não foi para o governo e Dilma, que nem o magrela do ringue, deu mais uma pirueta fortalecendo Joaquim Levy. Ganhou tempo.
A segunda bola fora chutada por Eduardo Cunha foi no final de novembro, quando usando seus poderes de presidente da Câmara abriu a contenda do impeachment, meses antes do momento adequado para os brutamontes do ringue.
Esta nova etapa deveria se dar depois das eleições municipais, depois que os partidos como um todo, mas principalmente PMDB, PSDB e PT, passassem por um teste de urnas para reconhecimento das forças efetivas de cada um.
Secundariamente, em alguns estados, os demais partidos também reavaliariam seus cacifes para o segundo round.
Mais uma vez Cunha antecipou o jogo, deixando todos com a guarda aberta e a cara exposta.
Nos três principais estados em que os três grandes disputam hegemonias – São Paulo, Minas e Paraná – os partidos disputam palmo a palmo, eleitor por eleitor. (Veja-se a belicosidade da entrevista de Aécio Neves à Folha de S. Paulo nesta segunda, dia 21).
É verdade que o problema não é eleitoral, mas político. Entretanto os resultados das eleições municipais vão influir diretamente nas composições das convenções partidárias, aí sim terreno da política, com influência nas correlações de forças no Congresso.
Nestes três colégios, o PT é adversário nos grandes municípios. PMDB e PSDB disputam a massa interiorana. Isto é importante: se nas regiões metropolitanas as siglas partidárias pouco influem, nas cidades médias e pequenas os partidos são verdadeiros divisores de águas entre as forças políticas locais.
E são as pequenas e médias cidades que formam a massa de convencionais que votam nos correligionários que formarão as chapas para 2018.
Neste caso, por enquanto não conta a posição do PMDB carioca, que nos últimos tempos vem tentando tirar de São Paulo a hegemonia do partido (vide o posicionamento em campo de seus líderes: Cunha, Picciani e outros menores).
O governador Pezão e Eduardo Paes, prefeito do Rio, ainda não precisam se posicionar abertamente com as desculpas de que têm de apoiar-se no governo.
Com as olimpíadas a pouco mais de 100 dias seria uma sandice romper com o governo federal num momento de penúria econômica, principalmente das finanças públicas.
Por outro lado a Olimpíada pode ser uma grande vitrine, tanto para eles quanto para Dilma.
Se houver briga, ela está adiada, pois o biombo serve aos dois lados. Como diria o carioca Cazuza, o Rio só vai mostrar sua cara depois dos jogos.
Nos demais estados essa luta entre os três grandes se fragmenta, aqui com nanicos da esquerda (por exemplo, PSOL no Amapá), ou da direita (DEM na Bahia e outros pequenos estados nordestinos) ou outras forças mais consistentes, como PDT e PP no Rio Grande do Sul, PSB em Pernambuco e assim por diante.
Por fim o maquiavelismo geral: ninguém quer aparecer apoiando Dilma Rousseff, dizendo que ela é o maior espanta votos nunca antes visto na História deste país.
Isso quer dizer que toda essa briga pelo rito do impeachment é balela para inglês ver.
De um lado, ninguém está pensando em impeachment antes das eleições, pois isto mudaria o quadro eleitoral francamente favorável às oposições.
De outro, e por isto mesmo, o voto secreto na Câmara pode ter encoberto mais votos favoráveis ao governo do que seria numa eleição aberta de viva voz.
O importante, neste caso, tanto para os partidos governistas quanto para os opositores, é manter o quadro até depois do pleito do primeiro domingo de outubro.
E a situação econômica? Bem, aí também todos os lados (fora do governo, claro) estão jogando no quanto pior melhor, menos os desempregados, que são as verdadeiras vítimas da crise.
Trocar Levy por Barbosa foi o bom movimento tático. Levy era o algoz. Barbosa, com seu guarda chuva de simpatizante petista poderá se apresentar como mentor de uma nova política e com isto justificar as mudanças de posições no parlamento e aprovar as três medidas fracassadas: ajuste fiscal (incluindo CPMF), reforma da previdência (e de outros segmentos do estado) e manter a rigidez monetária para segurar a inflação.
Barbosa fala em desenvolvimentismo. O que isto quer dizer? Seria só uma expressão de propaganda, pois para retomar os investimentos e crescer a economia para combater o desemprego e garantir a solvibilidade do governo é preciso dinheiro.
O governo está quebrado. Não só o federal, mas pior ainda os estados e desesperadoramente os municípios. Quanto menor pior.
O setor privado está segurando o bolso, pois suas reservas de caixa estão ali para assegurar as despesas trabalhistas com as demissões inevitáveis neste quadro. Ou seja, os empresários não vão arriscar a sobrevivência de suas empresas ameaçadas de liquidação por débitos trabalhistas impagáveis.
Com isto, ainda este ano estarão jogando mais de 100 mil trabalhadores por mês no olho da rua.
Com essa situação, muita gente do PT está dizendo que o melhor seria transformar Dilma em vítima e assim conseguir um discurso palatável para 2018.
Para a oposição o melhor quadro é o contrário disso, deixando o governo sem ar, respirando por uma só narina, mas não afundando completamente.
Portanto, a opção Michel Temer é temerária, com o perdão do trocadilho.
Seja como for, aos trancos e barrancos Dilma vai até o fim. O que para ela não é uma opção ruim, pois não é candidata e poderá passar para a História como a presidente que varreu a corrupção, um projeto iniciado com as vassouras do passado e concluído com o lava jato, aumentando o poder do rodo, lavando a sujeira que estava debaixo do tapete.
"Aos trancos e barrancos, Dilma vai até o fim"
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