Apatia marca semana decisiva em Brasilia

PC de Lester
A situação política está tão confusa que os analistas já abandonaram as formulações dos grandes teóricos e adotaram um verso de Caetano Veloso para definir a situação em Brasília: “Tudo parece construção e já é ruína”, diz o bardo baiano.
Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, deserta numa terça feira, dia de agito na capital, a sensação é de feriado. As multidões de manifestantes e lobistas parecem ter se esquecido de seus pleitos, tamanha a inutilidade de reivindicar e negociar. Os poderes entraram em letargia. É o que parece. Nem mesmo os furgões que oferecem lanches para as hordas de grevistas e militantes que habitualmente lotam o gramado diante do Congresso tomaram seus lugares, por inutilidade comercial. Não adianta pedir qualquer coisa, pois não há ouvidos e, muito menos, poderes para atendê-los.
O Executivo está paralisado. A área política vive um impasse porque menos de uma semana depois de montar um ministério politicamente articulado, sofreu uma derrota acachapante por não conseguir o quórum mínimo para votar a rejeição dos vetos presidenciais à pauta bomba. Entretanto, teve seu lado negativo, pois se não teve quórum para votar a favor, também não teve para rejeitar, com queria a oposição. Zero a zero.
O novo ministério também tem seus problemas, pois encontrou um governo inoperante, paralisado pela ameaça de deposição, de um lado pelas investigações do Tribunal Superior Eleitoral que tem poderes para anular a eleição, de outro, forças políticas na Câmara que manobram para abrir um processo político de “impeachment”. Esses dois movimentos são a principal causa da paralisação da administração. O governo não tem ânimo para tomar medidas ou iniciar projetos nesse clima.
Ao lado do entorpecimento do Executivo, também o Legislativo vive seu drama, com o cerco ao presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, do PMDB. Esse político carioca tem apresentando uma desenvoltura sem precedentes, deixando o Executivo em xeque.
O modelo de análise para Cunha é de seu predecessor Severino Cavalcanti, na primeira legislatura do governo Lula, pois ambos ultrapassaram os comandos políticos tradicionais para chegar ao comando do Legislativo. O chamado “Baixo Clero” elegeu Severino, mas o abandonou quando ele se enredou numa gestão caricata. Já Cunha, ao contrário, demonstra um vigor surpreendente, enfrentando todas as forças antagônicas, quais sejam: o alto comando de seu partido foi ignorado na reforma ministerial e o Executivo vem gastando artilharia pesada tentando impedir que ele mantenha a iniciativa esgrimindo com seu poder de admitir um processo de “impeachment” na Câmara. Neste caso, mesmo que um tribunal ou o próprio plenário rejeitem o pedido, já é uma espada que por si só é um fator adicional de enfraquecimento da presidente Dilma Rousseff.
Segundo os analistas, esta será a semana crucial. Todos os caminhos estão abertos, mas também podem convergir para uma crise maior ainda, porque a economia não se move a não ser no sentido de seus efeitos nefastos, tendo à frente o dragão da inflação insuflado pelo desemprego galopante no setor privado.
A possibilidade do afastamento da presidente ainda parece remoto. A legislação lhe dá garantias e, no lado pessoal, a renúncia é uma hipótese descartada. Por fim, seu “emparedamento” não seria factível, pois Dilma não toleraria a posição de presidente cerimonial, entregando o poder a um ministério ou grupo político, como se fala e se escreve. ​

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