Segurança: falta uma política de verdade

Jeferson Fernandes*
O Secretário Estadual da Segurança, Wantuir Jacini divulgou na imprensa resposta às críticas que sua gestão vem sofrendo, devido ao fato de a criminalidade estar cada vez mais em alta no Rio Grande do Sul.
Ele ponderou que “trabalha diuturnamente” para resolver os problemas. Alega que a impunidade é culpa de várias instituições e afirma que a BM executou 100 mil prisões em 2015, com destaque para “600 traficantes”.
Anunciou como medidas salvadoras o investimento de R$ 29,2 milhões em um “laudo eletrônico” e a construção de 1246 vagas no sistema prisional. Encerrou dizendo que sua gestão é eminentemente técnica, a começar com a sua figura.
Não cabe questionar a dedicação integral ou não da equipe do governo Sartori na busca de saídas para a segurança, bem como o trabalho cotidiano dos membros da Brigada Militar, Polícia Civil, IGP e SUSEPE. Todavia, passo a criticar a política equivocada, sob pena de mais vítimas estarem sofrendo a cada dia.
A principal causa não abordada é a briga inconsequente criada pelo governo com o conjunto dos servidores, atrasando salários, cortando verbas de custeio e ameaçando tirar direitos conquistados. Isso desativou várias frentes de policiamento ostensivo e investigativo, inclusive levando um número recorde de profissionais a pedirem aposentadoria, por desestímulo. Ao contrario: as organizações criminosas se estimulam a agir ousadamente em todos os espaços.
Quando ele apresenta um universo de 100 mil prisões e destaca 600 como sendo de traficantes, já evidencia que ao invés de impunidade, temos uma seletividade equivocada nos aprisionamentos. Haja vista que 50% de toda população prisional é formada por presos acusados por tráfico e que mais de 90% dessas prisões são em flagrante, capturando jovens que atuam como “aviõezinhos”.
Prender massivamente sem levar em consideração a superlotação das unidades prisionais e até Delegacias de Polícia é omitir-se no processo de fornecimento de recrutas para as facções criminosas. Essas ocupam o vácuo deixado pelo Estado. Fornecem bens materiais e proteção aos jovens presos, em troca de execução de tarefas dentro e fora do cárcere.
Alguém tem de convencer o principal agente político da segurança estadual de que estamos vivenciando uma das mais graves crises nessa área. Os homicídios crescem, os roubos qualificados, os assaltos, os feminicídios, a violência contra as crianças, etc. Decepciona ver que as saídas apontadas pelo gestor são apenas “laudo eletrônico” e 1246 novas vagas nas penitenciárias.
A continuar assim, infelizmente, seguiremos a sofrer com a insegurança, especialmente as pessoas pobres, que não tem como contratar serviço particular. Apresentei um relatório da situação prisional no RS, pela Subcomissão do Subcomissão do Sistema Prisional do RS, com propostas específicas para a área.
Cabe saber se o atual governo vai querer escutar o parlamento, os profissionais da segurança e a sociedade, que clama por medidas efetivas, ou vai continuar com uma gestão que se considera tecnicamente perfeita.
* deputado estadual do Partido dos Trabalhadores

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