Assassinato de estudante: medo virou rotina no bairro Cavalhada

Felipe Uhr
“Não se esqueça do seu BO!” é o que está escrito no folheto distribuído pelas ruas do Bairro Cavalhada, convocando os moradores para uma reunião sobre segurança, que ocorrerá nesta quarta-feira, às 19h, na sede da Cecopam.
A poucos metros dali, a estudante Sara Tótaro , de 22 anos, foi assassinada diante da família,  quando chegavam em casa, por volta das 21h45,na noite da última quinta-feira, 23. Segundo a polícia, Sara ficou em estado de choque, demorou para sair do automóvel e foi baleada no peito pelos assaltantes.

 | Ramiro Furquim/Jornal Já
Panfleto distribuído pelo bairro alerta: “Não esqueça do seu B.O”| Ramiro Furquim/Jornal Já

Na rua Gaurama, local do latrocínio, o clima é de insegurança entre os moradores e transeuntes. “A gente tem medo até de falar”, comenta um dos vizinhos da vítima, Edson Lima. Morando na rua a penas um ano, ele já sabe de vários assaltos na redondeza.
Sua antiga casa era perto de uma boca de fumo, mas ele alega que o lugar era tranquilo e livre de assaltos. “Lá o chefão garantia a segurança, tu vê”, lamenta o morador que protegeu sua casa com arames do tipo utilizado em presídios de segurança máxima. Edson também paga uma empresa de segurança privada para que, de vez em quando, deem uma olhada em sua casa. Outros vizinhos fizeram o mesmo.
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Na rua onde ocorreu o crime, medo se espalha entre os moradores| Ramiro Furquim/Jornal Já

Mas não é somente nesta rua que o clima de tensão prevalece.
Todo o bairro está com medo. Um mercado do bairro já virou alvo rotineiro dos bandidos. “Coloca aí quinze assaltos”, chutou a proprietária do estabelecimento, Karine Santin, já que afirma ter perdido a conta dos assaltos que já sofreu nos cinco anos em que é dona do comércio.  “Somos conhecidos na Delegacia por dois motivos: porque são nossos clientes e porque volta e meia temos que ir lá”, conta Karine, referindo-se à 13ª Delegacia de Polícia, encarregada de receber as ocorrência da Cavalhada e de outros quatro bairros: Hípica, Belém Velho, Vila Nova e Nonoai.
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Delegado Luciano Coelho: não há suspeitos, mas há pistas | Ramiro Furquim/Jornal Já

Lá, é o delegado Luciano Coelho quem cuida do caso de Sara. O caso foi uma das 6.387 ocorrências registradas desde o início do ano até o momento em que a reportagem do Jornal Já esteve no local. Em média, são mais de 35 ocorrências por dia: “70% são relacionados a violencia”, afirma o delegado. Em três anos trabalhando na décima terceira, havia registrado apenas dois latrocínios. Nos últimos seis meses, já aconteceram três.
Em relação ao assassinato de Sara, ainda não há suspeitos, mas a Polícia diz ter pistas.
Gol branco foi identificado na Ação
Um gol branco de duas portas. Essa é uma das pistas que a Polícia tem sobre o crime.  As imagens das câmeras de segurança de uma empresa localizada perto do local do assalto, flagraram este veículo seguindo o das vítimas. Segundo Coelho, outras evidências e informações chegam a todo o momento e devem ajudar na resolução do caso.
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Agentes de segurança são vistos com frequência pelas ruas do bairro| Ramiro Furquim/Jornal Já

Família ainda consternada
Testemunhas oculares do crime, a família da jovem ainda se encontra consternada. A irmã depôs na sexta-feira e retornou à Delegacia nesta segunda para ajudar nas investigações. Os pais de Sara também estavam presentes, mas não falaram. “Estão em choque ainda”, contou o delegado, que afirmou que eles devem depôr na tarde desta terça-feira.
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No boteco, qualquer desconhecido gera suspeitas| Ramiro Furquim/Jornal Já

Enquanto não se descobrem os culpados, tão pouco é resolvido o problema da segurança, moradores vão acompanhando o crescimento da violência. Na rua Gaurama, os olhares de desconfiança são disparados a qualquer desconhecido. No boteco da rua, a conversa animada, regada a pequenas dose de aguardente, é encerrada com a entrada de um anônimo que entra pedindo fogo. Quando o estranho sai, o dono do bar, seu Dalto, dispara: “Nunca vi”, balançando a cabeça, buscando através da janela o sujeito com os olhos.
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Moradores antigos acompanharam o crescimento da violência | Ramiro Furquim/Jornal Já

É isso a todo momento. Residente há mais de 40 anos, dona Iolanda Santos acompanhou o crescimento da violência na região. Segundo ela, até pouco tempo o bairro era tranquilo e sem muitos incidentes, diferente de hoje que pelo menos um assalto a cada dois dias é relatado entre os conhecidos. “A gente tem medo a qualquer hora”, conta a moradora. Um outro morador, sem se identificar, desabafa em relação ao governo: “Não querem resolver”. Em pequenos grupos, moradores vão se organizando. Uns planejam instalar câmeras por contra própria. Outros planejam reforçar a ronda da guarda privada.
Jovem havia obtido primeiro lugar na prova do estágio 
Sara tinha 22 anos e era estagiária da Biblioteca da Câmara Municipal de Vereadores em Porto Alegre. Havia passado em primeiro lugar na seleção geral realizada no ano passado. Estava no estágio há pouco mais de três meses. Fazia o cadastro e catalogação dos livros e periódicos. “Era inteligente, tranquila e delicada”, conta o colega de trabalho, o bibliotecário Jerri Heim. A coordenadora, Rose, visivelmente comovida, como os demais colegas, preferiu não falar. Sara foi homenageada no plenário da Câmara, com um minuto de silêncio.
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Jovem assassinada era estagiária da biblioteca da Câmara Municipal| Ramiro Furquim/Jornal Já

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