Depois do jantar e dos brinde pela virada do ano, a familia tomou o carro para voltar à casa de parentes onde estavam hospedados. Eram cinco – o casal, os pais dele e um sobrinho de sete anos.
Eram gaúchos passando o reveillon em Florianópolis.Teriam que ir da Vargem Grande, bairro no norte da Ilha, até o Estreito, no continente, uns 30 quilômetros.
Para escapar dos congestionamentos na via principal, tentaram um atalho com auxilio de um aplicativo de celular.
Entraram numa rua que leva à favela do Papaquara, dominada por traficantes em guerra com facções rivais. A mulher viu surgir homens armados na rua. Mal teve tempo de falar ao marido. Uma bala atingiu-a na cabeça.
Daniela Scotto de Oliveira Soares, professora de Yoga, de 32 anos, chegou sem vida à Unidade de Pronto Atendimento, minutos depois.
O fato brutal trouxe à tona uma realidade que os jornais tratam com discrição nessa época, quando o turismo faz a festa em Floripa. Estima-se que 800 mil pessoas estejam na ilha nesta virada de ano. Não convém espantar a clientela.
Mas os números divulgados ao longo de 2016 são alarmantes. Em agosto, uma pesquisa divulgou o Mapa da Violência nas capitais brasileiras, com base em números de 2014. Florianópolis ficou em segundo lugar no número de homicídios, com crescimmento de 40% num ano. Foram 52 mortes a tiro naquele ano, número maior do que Porto Alegre, que tem o triplo da população.
Nos primeiros cinco meses de 2016, conforme uma pesquisa do Diário Catarinense, registraram-se 32 homicídios. A principal causa é a disputa entre facções pelo controle do tráfico de drogas. A capital catarinense tem pelo menos seis áreas conflagradas, sendo a do Papacuara uma das mais violentas.
O crescimento da população e o desempregos são também apontados pela polícia como causa do aumento da violência. Em dez anos, segundo o último Censo, a cidade passou de 340 mil para 404 mil habitantes, crescimento de 23,4%.
Com sérios problemas de infraestrutura e de mobilidade, decorrencias do crescimento desordenado, Florianópolis vê suas dificuldades se multiplicarem com a invasão dos turistas no verão, superlotando as praias e transformando o trânsito num tormento nas áreas mais procuradas.
Assassinato de turista chama atenção para a violência em Florianópolis
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