
Manifestantes caminham pelas ruas do centro (Fotos: Carla Ruas/JÁ)
Carla Ruas
Nesta sexta-feira, 6 de outubro, os bancários realizaram passeata no centro de Porto Alegre. A caminhada, que reuniu aproximadamente mil manifestantes, tinha como objetivo mostrar os motivos da greve e pressionar a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) a retomar as negociações. A paralisação nacional dura sete dias e abrange bancos públicos e privados.
A concentração começou às 16h30 na praça da Alfândega, entre as agências centrais da Caixa Econômica e Banrisul. Em seguida, os manifestantes acompanharam um caminhão de som pelas ruas centrais gritando palavras de ordem, como ”Bancários, unidos, jamais serão vencidos”. No final da caminhada, os funcionários cercaram a Esquina Democrática com faixas de protesto.
O diretor do Sindicato dos Bancários, Ademir Wiederkehr, afirma que o ato é importante para mostrar à população a força e os motivos da paralisação. “Lutamos por salário, saúde e segurança, mas também enfrentamos o setor econômico, que explora a população”, justifica.

Grevistas cercam a esquina democrática em protesto
Entre os participantes, um grupo de três jovens se destacava com apitos e bandeiras. Eles são escriturários de uma agência do Banco do Brasil, em Gravataí, e vieram especialmente para o manifesto. “Somos a base da pirâmide”, brinca Letícia Dias Fantinela, 23 anos.
Ela diz que está participando da greve porque o salário dos funcionários é muito baixo perto do lucro dos bancos. “Nosso ambiente de trabalho é muito estressante”, justifica.
Na multidão também estavam bancários de longa data, como Renato Mendes, 52 anos. Após 30 anos trabalhando como caixa de banco, ele continua participando das greves, e acha que é o único jeito conquistar reivindicações. “Em 1991, nós conseguimos cesta básica e cheque rancho”, lembra.
A caminhada também reuniu políticos vencedores e derrotados nas últimas eleições. A deputada federal reeleita pelo partido P-Sol, Luciana Genro, estava acompanhada de Roberto Robaina e Israel Dutra, que não se elegeram para governador e deputado estadual, respectivamente.
Luciana afirma que, até as próximas eleições, o papel do P-Sol será ajudar os trabalhadores a se organizarem nos movimentos sociais. Para a deputada, a luta dos bancários é muito importante porque questiona o setor econômico de Fernando Henrique e Lula. “Os bancos tiveram lucro recorde, mas os funcionários perderam salário e postos de trabalho”, lamenta.
“Pelego”
Ao contornar o prédio central do Banrisul, os manifestantes olharam para cima e chamaram de “pelego” os colegas que não aderiram à greve, e que observavam a passeata das janelas. “Pelego é o que vai em cima dos cavalos para o patrão sentar em cima”, explica uma das grevistas.
Ela, que trabalha numa agência do Banco do Brasil, diz que muitos querem aderir ao movimento, mas ficam com medo de perseguição. “Muita gente sofre pressão para sair da greve”, conta. A grevista, que não quis se identificar, denuncia que alguns gerentes têm feito ameaças por telefone. “Eles ligam para casa do funcionário e dizem que se ele não voltar ao trabalho, perde comissão”.
A greve

Os bancos privados do centro da cidade também estão fechados
Segundo o Sindicato dos Bancários, em todo o Brasil já são mais de 190 mil grevistas. O número de trabalhadores que aderiram ao movimento seria quase metade do total de bancários no Brasil. A paralisação não tem data para acabar e já inclui os bancos privados.
Em Porto Alegre, a novidade foi a greve de 24 horas dos funcionários do Banrisul na quinta-feira (5/10) e sexta-feira (6/10). O Comando Nacional dos Empregados do Banrisul entregou um documento à direção do banco, solicitando a abertura imediata de negociações da pauta específica. Entre outras reivindicações, eles pedem política de Saúde, auxílio à educação e cumprimento da lei dos estagiários.
Mas a assessoria de imprensa do Banrisul enviou uma nota informando que das 381 agências do estado, apenas seis de Porto Alegre estiveram fechadas durante parte da manhã de sexta-feira, mas que voltaram a operar à tarde.
No final do dia, os funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica se reuniram no Clube do Comércio, às 18h, para avaliar a paralisação. A categoria pressiona os banqueiros para apresentem uma proposta com aumento real de 7,05%, além de melhores condições de saúde, segurança e trabalho.

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