Consórcio Cais Mauá impede reunião com leitores na área concedida

Matheus Chaparini
“Aqui não é uma área turística.” Sob essa alegação, um dos seguranças do Cais Mauá impediu que jornalistas e leitores do JÁ se deslocassem entre a área do Catamarã e o pórtico central caminhando, na última quarta-feira (6).
Era a segunda abordagem que a equipe de vigias fazia no grupo, que se reunia para debater a pauta do Dossiê Cais Mauá, iniciativa que levantou mais de R$ 10 mil através de doações para realizar uma série de grandes reportagens sobre a polêmica obra de revitalização – que inclui a restauração dos armazéns e a construção de três torres de até 100 metros de altura e de um shopping center ao lado da Usina do Gasômetro.
Segundo o funcionário da empresa Diélo, responsável pela segurança, o acesso é permitido somente para funcionários. De acordo com o vigia, se tratam de ordens de cima. Quem? “O Cais Mauá do Brasil”, segundo o guarda.
O encontro havia sido marcado para a Praça Edgar Schneider, no limite norte do Cais Mauá, próximo à rodoviária. A participação na reunião era uma das contrapartidas oferecidas aos leitores que contribuíram com o financiamento do dossiê.
A escolha do local levou em conta o desconhecimento de parte da população porto-alegrense sobre a praça dentro da área do cais.
Logo que a reunião iniciou, um carro da segurança se aproximou com dois guardas, anunciando que se tratava de área alfandegada – restrita para fiscalização de mercadorias – e que não era possível permanecer no local.
Entretanto, a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) informou que a área alfandegada começa no prédio da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), que fica imediatamente após a praça Edgar Schneider para quem entra no cais pelo pórtico ou pelo acesso do Catamarã.
Faz sentido porque oficialmente a área do Cais Mauá é considerada não operacional e cargas e descargas de mercadorias só são realizadas no Cais Navegantes, mais ao norte.
Área turística em obras
Impedido de permanecer no Cais Mauá, o grupo optou por seguir até a avenida Sepúlveda para monitorar a eventual chegada de novos participantes antes de dirigir-se ao Mercado Público, onde finalmente a reunião aconteceria conforme combinação prévia com os leitores, em caso de algum imprevisto.
Porém, o trajeto não pode ser feito por dentro da antiga área portuária porque não se tratava de “área turística”.
“O ponto turístico da orla é o Gasômetro, lá vocês podem acessar tranquilamente”, justificou o segurança, que depois de repetir algumas vezes a sugestão, lembrou-se de um detalhe: “mas ali está fechado para obras”.
Era uma referência aos tapumes colocados entre o Guaíba e a avenida João Goulart para a mudança paisagística que a prefeitura leva a cabo no local.
O diálogo terminou com uma frase reticente do guarda. “É, quase toda a orla está fechada…”
A reunião de pauta ocorreu na área de bares do Mercado Público, terminou por volta das 20h30min e levantou diversos assuntos e abordagens do interesse da população sobre as obras no Cais Mauá.
moradores já haviam sido barrados

Antiga área do Cais Mauá está inacessível para a população, mas obras não começam | Tânia Meinerz
Antiga área do Cais Mauá está inacessível para a população, mas obras não começaram | Tânia Meinerz

Em novembro de 2015, o JÁ publicou uma matéria com o título Barrados no cais, relatando a tentativa – sem sucesso – dos participantes do movimento Cais Mauá de Todos acessarem a área pelo pórtico central.
Eles estavam em um debate na Feira do Livro, sediado no Santander Cultural, e a caminhada até a beira do Guaíba era o encerramento previsto. A entrada do grupo foi impedida por um segurança.

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