Os integrantes do movimento Cais Mauá de Todos foram impedidos pelos segurança de acessar a área do porto, no centro de Porto Alegre.
O movimento realizou na tarde desta sexta-feira o debate “A cidade que queremos”, no Santander Cultural.
Mais de cem pessoas lotaram a Sala Leste do Santander Cultural. Outros tanto ficaram do lado de fora.
Ao final, os participantes fizeram uma caminhada que deveria ser encerrada na beira do Guaíba. Esbarraram no guarda no portão principal que já foi porta de entrada e saída de Porto Alegre.
O segurança alegou que o espaço está aberto a visitação durante o período da Feira do Livro, mas somente das 8h às 18h. Segundo Rafael Ferretti, integrante do movimento, o horário de visitação era até as 19h nos demais dias da Feira.
A atitude do guarda confirmou o relato feito pouco antes pelo jornalista Rafael Guimaraens, autor do livro Águas do Guaíba. Rafael contou no debate no Santander que, em companhia de um fotógrafo, tentou entrar no cais para fotografar, mas foi barrado pelos seguranças. “Aqui não pode entrar, é área privada”, disse o guarda.

Debate foi ampliado para além do Cais
O evento começou às cinco da tarde com a manifestação de integrantes do movimento Cais Mauá de Todos.
A arquiteta Lena Cavalheiro destacou a importância de ver a cidade com um espaço de reflexão e debate. Para ela, o que o movimento está buscando é a construção de um espaço público para discutir a cidade.
“Ainda estamos engatinhando, mas foi engatinhando que o ser humano aprendeu a correr. Então estamos no caminho certo.”
A arquiteta levantou ainda a necessidade de se desmistificar o termo ‘iniciativa privada’, que geralmente é compreendido no sentido de projetos de grandes empresas.
Para ela, qualquer iniciativa de cidadão pode ser considerada uma iniciativa privada.
A educadora Nazareth Hassen criticou o “esquadrinhamento” das cidades, gerado pelo processo de urbanização. “Existe um lugar para as crianças, outro para os velhos, outro para os doentes mentais. Tem um tipo de galho para cada tipo de macaco.”
Narazeth encerrou sua fala brincando com as críticas dirigidas aos apoiadores do movimento, chamados de caranguejos pelos opositores. “Caranguejo, em uma ferrovia, é uma plataforma que desloca um vagão de uma linha para outra. Nós queremos colocar o trem de volta na linha certa. Neste caso, somos duplamente caranguejos.”
O historiador e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Francisco Marshall, anunciou a recente criação de um comitê na Universidade para reunir profissionais de diversas áreas em torno do assunto.
Rafael Passos, vice-presidente do IAB-RS (Instituto de Arquitetos do Brasil), trouxe para o debate outros temas que estão em questão em Porto Alegre, como o uso das Áreas Urbanas de Ocupação Prioritária e o chamado Conselho do Plano Diretor (Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental), que, segundo ele, vive um dos seus piores momentos. “Até na ditadura o Conselho tinha mais poderes do que hoje,” afirmou.

Passos defendeu a importância do amplo diálogo e afirmou que “em uma boa gestão democrática, ninguém fica completamente satisfeito, justamente para que ninguém fique completamente insatisfeito.”
O sociólogo Milton Cruz questionou a permanência do muro. “Separou a cidade do rio durante gerações. Recentemente ele foi necessário e não funcionou completamente, pois vazou água. O muro da Mauá vale mesmo a pena?” Cruz criticou a postura da classe política que, segundo ele, usa o planejamento como argumento de campanha, mas esquece do discurso quando se elege.
Uma proposta: serrar o muro ao meio
Após as falas dos integrantes da mesa, foi aberto espaço para perguntas e colocações do público.
O arquiteto Paulo Leônidas criticou a forma como foi realizado o evento. Para ele, não se tratava de um debate, pois não havia a presença de ideias divergentes, todos estavam “do mesmo lado”.
Leônidas sugeriu que o muro da avenida Mauá fosse cortado pela metade, mantendo a barreira contra enchentes sem bloquear a vista e o acesso ao Guaíba.
Antes que ele concluísse sua fala, foi interrompido pela mediadora do debate, a radialista e integrante do movimento Cais Mauá de Todos, Kátia Suman.
Fernando Barth, delegado pela região 1 do Conselho do Plano Diretor, também fez críticas ao movimento. “Eles reclamam que o outro lado está escondendo o projeto, mas eles também não estão apresentando nenhuma alternativa”.
Lena Cavalheiro rebateu dizendo que a ideia não é apresentar um projeto fechado e sim possibilitar um debate com a sociedade para se chegar a um projeto democrático. Barth levantou ainda um questionamento sobre o que será feito com a linha férrea do Cais.

Barrados no cais
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Comentários
Uma resposta para “Barrados no cais”
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SOCIALISTA TEM MAIS QUE SE LASCAR!!!
TODO SOCIALISMO É GOLPE!!!

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