Batucada de Segunda é atração cultural no verão de Porto Alegre

MATHEUS CHAPARINI
Da outra ponta do eixo central da Redenção já se ouvia a marcação dos tambores em ritmo de ciranda. Chegando próximo ao arco o que se via era uma grande roda com cerca de 30 percussionistas. Bumbos, pandeiros, tamborins e mineiros se misturavam em uma bagunça até que bem organizada musicalmente. É a Batucada de Segunda, evento criado há um ano, quase por acaso, que está crescendo e dá indícios de que vai se tornar uma tradição na monótona época de virada de ano em Porto Alegre.
A ideia surgiu no final de 2014, por integrantes do Coletivo Das Flor, que reúne moradores da Lomba do Pinheiro e diversos artistas da cidade e apresenta o espetáculo Lombay, uma fábula urbana. “Estava chegando o final do ano e não tinha nada para fazer na cidade”, explica o baiano Tiago Expinho, um dos quatro fundadores da brincadeira, ao lado de Marcos Rangel, Vini Silva e Ismael Oliveira. “O Expinho é o culpado, o mentor intelectual”, brinca Vini, mas Expinho rejeita o rótulo: “É só olhar o evento pra ver que não tem isso, a maioria do pessoal que está aqui eu não faço ideia de onde seja.”
O primeiro encontro, na última segunda-feira de 2014, reuniu oito participantes. A vontade permaneceu e foi marcado mais um, para a semana seguinte e apareceram mais de cem pessoas. Na edição desta segunda-feira, 28, eram pelo menos 150 presentes, entre jovens, adultos e famílias. E assim ficou estabelecido: na primeira e na última segundas-feiras do ano, tem batucada na Redenção.
Os quatro criadores do evento são artistas envolvidos em projetos culturais – Rangel já trabalhou com os grupos teatrais Falos e Stercus e Bacantes e hoje vive em São Paulo, Vini é da Turucutá, Ismael é do Maracatu Truvão, entre outros, e Expinho é cineasta – mas deixam claro que o objetivo do evento é juntar gente para tocar e se divertir, sem compromisso com o profissionalismo.

Qualquer pessoa pode chegar com seu instrumento e se somar à roda / Jornal Já
Qualquer pessoa pode chegar com seu instrumento e se somar à roda / Jornal Já

“Você pode dizer tranquilamente que aqui tem gente da Turucutá, do Bloco da Laje, do Maracatu Truvão, das Batucas, diversos artistas de rua e moradores do entorno. É um monte de gente que tá na cidade sozinha e resolveu ficar sozinha junto”, explica Expinho.
A reunião funciona de forma aberta e sem repertório definido. Qualquer pessoa pode chegar com seu instrumento e entrar na roda e cantar uma música e “ai que vida boa olelê” e “ai que vida boa olalá”. Daqui a pouco o que era ciranda vira coco, o coco vira samba, que vira axé e a brincadeira vai até a noite.
A próxima Batucada de Segunda acontece no dia 4 de janeiro, a partir das 18h, no Monumento ao Expedicionário, o Arco da Redenção.

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