BM aperta o cerco contra moradores de rua

Sem-teto improvisa varal na ponte da Azenha (Foto: Helen Lopes/JÁ)

Helen Lopes

No início da tarde desta sexta-feira, 8 de setembro, uma operação da Brigada Militar chamou a atenção de quem passava pela esquina da avenida Ipiranga com Azenha. Duas viaturas e um camburão do Batalhão de Operações Especiais (BOE) foram usados para abordar cerca de 10 sem-teto que habitam a ponte da Azenha.

De acordo com a assessoria da BM, a operação é padrão e visa inibir assaltos e uso de drogas. Na terça-feira, 5 de setembro, a Brigada acompanhou a Secretaria Municipal do Meio Ambiente  na abordagem de moradores de rua em 10 pontos da Capital – praças Otávio Rocha, Daltro Filho, Osvaldo Cruz, Padre Gregório de Nadal, Açorianos, Pinheiro Machado, Dante Santoro, Bartolomeu de Gusmão, Raul Pilla e jardins do Viaduto Loureiro da Silva.

Na ação, que tem como objetivo evacuar as áreas públicas da cidade, as equipes encaminharam os sem-teto para albergues municipais e recolheram madeiras, esponjas, cadeiras quebradas e papelão.

“Ação foi motivada por vazamento”

Os sem-teto que moram nos alicerces da ponte da Azenha, à beira do Arroio Dilúvio, confirmam que revistas no local são corriqueiras, mas denunciam que essa pode estar relacionada com um vazamento de água, que deve ser fechado neste sábado, 9 de setembro, pelo Departamento Municipal da Água e Esgoto (DMAE).

“É pra botar medo e procurar drogas”, afirma Cris, de 28 anos, que está na ponte há mais de um ano. A sem-teto diz que eles usam a água para fazer a higiene pessoal, cozinhar e para lavar os pára-brisas dos carros, por isso não querem que feche.

O vazamento ocorre no meio da avenida Ipiranga e desemboca próximo a uma das margens do Arroio. Um cano foi enjambrado para capturar melhor a água. Na madrugada do feriado de 7 de setembro, o DMAE realizou uma vistoria na área para identificar a vazão e foi recebido com hostilidade. Conforme o superintendente de Operações do órgão, Valdir Flores, a BM irá acompanhar a ação para evitar confrontos.

“Mais de 20 habitam a ponte”

Às 15h da tarde desta sexta-feira, 8 de setembro, 10 pessoas circulavam nas marquises embaixo da ponte da Azenha. Nos arredores, outros cinco se revezavam nos dois semáforos da Ipiranga. Em direção ao Shopping Praia de Belas, dois adolescentes pediam algum trocado para comer. No outro sentido, três jovens ofereciam limpeza de pára-brisa.

Nos cálculos de Cris, mais de 20 habitam a ponte. A maioria jovens e crianças. Ela, que está ali há um ano, não pretende ir embora. Nem nos dias mais frios vai para o abrigo Dias da Cruz, que fica do outro lado da rua. “Tem que acordar às 5h da manhã”, balança a cabeça. ‘Tenho muitos cobertores para me proteger. As pessoas dão”, aponta para o varal improvisado entre duas árvores.

Aos 28 anos, Cris tem o rosto gravado por rugas, mas não deve ser por falta de vaidade. Com o cabelo bem penteado para trás, preso com uma tiara, a moça  tirava as cutículas, cortava e lixava as unhas, enquanto conversava com a reportagem.

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