Bom Fim é atração na hora do almoço

Bairro conta com mais de 80 restaurantes que servem cerca de dez mil refeições por dia. (Naira Hofmeister/JÁ)

Naira Hofmeister

A hora do almoço está enchendo a barriga dos clientes e os bolsos dos comerciantes do Bom Fim e arredores. Basta percorrer o trajeto que liga o Túnel da Conceição a Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, para constatar o incremento de restaurantes nas redondezas. São cerca de 40 estabelecimentos apenas no trecho Osvaldo Aranha – Venâncio Aires.

Os números contabilizados pelo Sindicato da Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre dão conta de 80 estabelecimentos credenciados em 20 ruas ou avenidas na região. Fazendo uma estimativa baseada no porte dos restaurantes da região, o total chega facilmente a 10 mil refeições por dia.

Público, sem dúvida há. Mesmo com a abertura de um novo empreendimento na José Bonifácio, os proprietários mais antigos não detectaram queda no movimento.

É o que constata Sureya Borges Paludo, que recentemente ampliou em 90 lugares o espaço do Casarão do Bom Fim, há nove anos na Osvaldo Aranha. “Todos os dias vêm gente da Independência ou lá da Ipiranga para comer aqui”, exemplifica, completando que o fenômeno é recente. Parquímetro para carros na Osvaldo Aranha e a abertura de estacionamentos próximos são as razões evocadas pela empresária.

Na opinião de Jaqueline Schindler Steffani, que inaugurou o Sabor do Brick em março, além da grande quantidade de prédios comerciais e empresas como a Vivo e a Unimed, o morador do bairro desenvolveu o hábito de almoçar fora. “Principalmente os idosos do Bom Fim, que são muito diferentes dos nossos avós”, compara. Já Ivo José Salton acredita que o sucesso da sua Lancheria do Parque – que completa 25 anos no bairro – se deve ao entorno: “Temos dois grandes hospitais, campi universitários e o Brique, que rende muito movimento aos domingos”.

Maria Isabel Nehme, diretora executiva do Sindicato, aposta que o incremento no bairro se alastra para regiões próximas. Uma medição recente na Independência também constatou aumento no número de estabelecimentos. “É um sinal de convergência da região como pólo gastronômico”.

Concorrência positiva

“Nada melhor do que um estabelecimento novo na tua porta para o teu serviço ficar ainda melhor”, alega Teresinha Harb, que comanda o Maomé, vizinho do recém lançado Sabor do Brick. A senhora comemorou a abertura do negócio ao lado, pois acredita que quanto mais opções, mais clientes virão ao bairro para comer.

Cativar o público nem sempre é fácil. Ivanice Agnes Holmer, por exemplo, chegou ao bairro há apenas 8 meses e, até agora, não teve lucro com o Chalé Du Porto, apesar da ocupação das mesas ser excelente. O motivo é o valor cobrado: R$ 5,50, que segundo ela “é mais para fazer propaganda do que para dar lucro”.

A política de manter preços abaixo do mercado não é recomendada pelo sindicato. Para quem não quer ficar atrás da concorrência, a sugestão é investir na qualificação do restaurante.

Por isso, uma parceria com o Sebrae e Senai deu origem ao Projeto de Alimentação Segura, que presta consultoria a empreendedores. No PAS, técnicos da instituição atuam no cotidiano da empresa, promovendo adequação a lei. “Com uma gestão eficiente, a concorrência só é positiva, para o cliente – que tem muitas opções – e para o empresário – que vai agregar valor ao seu produto”, resume Maria Isabel.

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