Brasil será pioneiro em sistema de previsão de raios

Denise Coelho
O Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Elat/Inpe) se prepara para oferecer um serviço inédito no mundo de previsão de raios. A ideia é que as informações possam ser utilizadas pelos veículos de comunicação, a exemplo da previsão do tempo hoje já apresentada principalmente em telejornais.
A unidade de pesquisa, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), trabalha com o desenvolvimento de sistemas de alertas e de previsão de raios há dez anos e busca o aperfeiçoamento do serviço com foco na redução dos impactos desses fenômenos na sociedade.
O coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior, diferencia os tipos de serviços existentes, sendo o sistema de alertas aquele capaz de sinalizar para a ocorrência de raios com uma ou duas horas de antecedência. Já o serviço de previsão atua com a informação mais precisa e com antecedência de 24 a 48 horas. “São coisas novas e que podem nos auxiliar muito tanto no que se refere aos prejuízos quanto às mortes”, ressalta.
A ideia é que o sistema de previsão esteja disponível a partir do próximo verão, período de maior ocorrência de raios, entre os meses de dezembro e março. Com ele, a expectativa é que um indivíduo, uma empresa ou instituição possa cancelar uma atividade de lazer ou de trabalho a céu aberto, por exemplo, baseado em informações sobre a possibilidade de ocorrência de raios e, assim, evitar acidentes e prejuízos com a exposição.
O coordenador do Elat explica que esse serviço já vem sendo feito, mas ainda não está operacional para os órgãos de comunicação. O sistema passa por aperfeiçoamento, testes e validação para que as empresas de comunicação possam utilizá-los. “Logo essa previsão será oferecida pelo Inpe e, se houver instituições de comunicação interessadas – como televisões, rádios, televisões e jornais – vamos oferecer os mapas”, adianta.
Liderança mundial
Osmar Pinto Júnior lembra, ainda, que o Brasil já ocupa uma liderança mundial nesse tipo de previsão. O Elat é um dos quatros centros mundiais capacitados a oferecer esse tipo previsão com 24 ou 48 horas de antecedência. Um instrumento de grande relevância para o País, que ocupa a sexta posição em relação ao número de mortes na comparação com outros países. A cada 50 óbitos por raio no mundo, uma ocorre no Brasil.
O coordenador do Elat, Osmar Pinto Júnior, lembra que o Brasil ocupa a sexta posição em relação ao número de mortes na comparação com outros países. A cada 50 óbitos por raio no mundo, um ocorre no Brasil. A China, país com população superior a um bilhão de pessoas, é o país com maior número de mortes, onde ocorrem 700 óbitos por ano causados por acidentes envolvendo raios.
A falta de informação ou o descaso em relação aos possíveis riscos estão entre os motivos que colocam o Brasil entre as nações com alto índice de mortalidade. Para Osmar Pinto Júnior há motivos de sobra para as pessoas tomarem mais cuidado com as descargas atmosféricas. O país é campeão de raios. Aproximadamente 50 milhões de descargas atmosféricas atingem o território brasileiro todos os anos. O fato de o Brasil ser o maior país da região tropical do planeta explica a sua posição de destaque no ranking de incidência.
“A região tropical é a mais quente do planeta e favorece a formação de tempestades e, com isso, a formação de raios. E o Brasil, por ser o maior país dessa região, acaba ostentando o primeiro lugar na incidência de raios”, explica o especialista que sustenta a tendência de aumento na incidência de raios devido às alterações climáticas, fenômeno que já ocorre nas grandes cidades.
“Nas grandes cidades, o aquecimento global do planeta se soma a um aquecimento local devido à urbanização. Então esses grandes fenômenos somados acabam intensificando os efeitos. Então a gente tem visto o aumento de raios nas grandes cidades, principalmente cidades com mais de 500 mil habitantes e que não estejam muito próximas à orla do mar porque o mar tende a minimizar esse efeito”.
Estatística
No período de 2000 a 2014, foram registradas 1.792 mortes no Brasil. Desse total, destaca-se o estado de São Paulo com 288 mortes. Em seguida estão Minas Gerais (132), Rio Grande do Sul (130), Pará (126), Mato Grosso do Sul (111), Mato Grosso (102), Goiás (101), Paraná (92), Amazonas (89), Tocantins (83). Maior parte das vítimas são homens (82%) e quase a metade (43%) tinham idade entre 14 e 24 anos.
Estatísticas do Elat revelam que grande parte dos acidentes ocorre a céu aberto. As atividades rurais são responsáveis por 24% dos acidentes, seguidas das ocorrências dentro de casa (17%), dos casos registrados próximo a veículos (11%), embaixo de árvores (9%), em campos de futebol (8%), sob coberturas e em praias (5%) e outras circunstâncias (21%). A orientação do especialista em raios é buscar abrigo dentro de carros.
Embora dentro de casa seja considerado um local seguro, ainda assim é preciso tomar alguns cuidados para não ser surpreendido. “O raio que cai próximo a uma residência induz correntes nos fios da rede telefônica e da rede elétrica e essas correntes chegam às tomadas da casa e podem levar o indivíduo a levar um choque, especialmente se a pessoas tiver tomando um banho no chuveiro elétrico ou encostar numa geladeira”, alerta. “Dentro de casa é preciso evitar ficar próximo ou evitar contato com qualquer coisa ligada à rede elétrica ou telefônica”, reforça.
Prevenção
Estudos do Elat revelam ainda que 80% dos acidentes com vítimas que morrem como as que sobrevivem ocorrem em situações em que poderiam ter sido evitadas. A constatação indica que a grande falta de informação muitas vezes é a responsável pelas mortes. “Para combater isso, então, é necessário informação. Então essa é uma das ações que atuamos intensamente ao buscar divulgar diferentes formas de informações de como as pessoas devem se proteger”, afirma.
“Então se você for fazer um piquenique, andar a cavalo, se for escalar uma montanha, nadar no mar e em quaisquer outras atividades em céu aberto, procure consultar informações no site do Elat para saber a região onde está ocorrendo raios e para evitar aquela localidade”, aconselha.
Os serviços também auxiliam na proteção de equipamentos e bens materiais. “Isso porque os prejuízos ocasionados pelos raios alcançam cerca de um bilhão de reais ao atingir equipamentos nas redes elétricas, nas casas das pessoas, nas redes de telecomunicações, nos equipamentos eletroeletrônicos das indústrias”, exemplifica.
Para orientar a população, minimizar as mortes e os prejuízos, o Elat trabalha com a divulgação de uma cartilha com orientações em diversas instituições pelo País. O material também pode ser baixado pela internet no site. www.inpe.gov.br/Elat. O trabalho também inclui pesquisas e parcerias com empresas e diversas instituições. O instituto ainda atua por meio dos órgãos de imprensa e, recentemente, lançou um filme sobre a história dos raios no país: o documentário intitulado “Fragmentos de Paixão.

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