Entrou em discussão nesta segunda-feira no plenário da Câmara de Vereadores de Porto Alegre um projeto de lei que cria áreas para proteger ciclistas que estejam realizando exercícios de treinamento esportivo.
O projeto é do vereador Marcelo Sgarbossa (PT) e alteraria o Plano Diretor Cicloviário da Capital, determinando ruas e horários pré-definidos em que serão criadas pistas exclusivas para ciclistas em treinamento.
Esta foi a primeira sessão de discussão do projeto, que deve voltar ao plenário na próxima quarta-feira, 20. Depois da discussão, a proposta segue ainda para as comissões.
O projeto sugere a implantação das Áreas de Proteção aos Ciclistas Competitivo (APCCs) na avenida Edvaldo Pereira Paiva e nas ruas ao redor do Parque Germânia, além de outros locais que possam vir a ser definidos pelo executivo municipal.
O horário sugerido é das 4h30 às 7h da manhã. Na proposta não está definido como seria feita a sinalização.
A necessidade de criação destas áreas especiais é defendida pelo vereador em função do crescimento do número de ciclistas em Porto Alegre. “Há um crescimento exponencial no número de pessoas que utilizam a bicicleta no dia a dia e para treinamento. Quando eu competia, nos anos 80 e 90, dava para contar nos dedos os competidores da cidade, agora ficou incontável”, garante o vereador, que já foi campeão brasileiro de ciclismo na categoria Júnior, para menores de 18 anos.
Sgarbossa afirma que o projeto sugere locais que já são utilizados pelos ciclistas em treinamento, porém, sem a segurança necessária. “Na Beira Rio de manhã sempre tem um pessoal do triathlon treinando.”
Outra região utilizada para a prática é o entorno da própria Câmara de Vereadores. Segundo ele, começa a se formar uma nova rota de treinamento entre a Câmara, a rótula das cuias e o Gasômetro.
“Ciclista não é obrigado a andar na ciclovia”
O Plano Diretor Cicloviário de Porto Alegre permite que o ciclista treine fora da ciclovia. “O texto fala em ‘ciclista amador’, o mais adequado seria ‘ciclista em treinamento’, mas está situação está prevista: o ciclista não é obrigado a andar na ciclovia. Profissional ou não, a pessoa está treinando, não está em lazer”, explica.
O vereador explica o ciclismo de competição é incompatível com as ciclovias. “Estamos falando de uma bicicleta com um pneu fino que recebe 110 libras e que anda a uma velocidade de até 40km/h. É um ritmo muito mais rápido, colocaria em risco quem está trafegando pela ciclovia.”
Além disso, para ser considerada uma APCC a área precisa ter pelo menos mil metros em linha reta em cada sentido.
rio de janeiro é pioneira
O projeto de lei apresentado pelo vereador Marcelo Sgarbossa é inspirado em uma iniciativa posta em prática no Rio de Janeiro. A cidade já conta com três áreas especiais para ciclistas em treinamento.
A primeira foi criada em maio de 2013, 20 dias após a morte do ciclista Pedro Nikolay, atropelado por um ônibus quando treinava na avenida Vieira Souto, em Ipanema. A área determinada foi o aterro do Flamengo, com funcionamento das 4h às 5h30, de segunda a quinta-feira. No ano seguinte veio a segunda, na Cidade das Artes, Barra da Tijuca.
Na manhã de 25 de janeiro, Claudio Clarindo, um dos maiores ciclistas de longa distância do Brasil, morreu atropelado enquanto treinava na rodovia Rio-Santos. O ciclista Jacob Amorim, que o acompanhava, sofreu múltiplas fraturas em uma das pernas e teve de passar por cirurgia. De acordo com informações da Polícia Rodoviária, o motorista dormiu ao volante, atravessou a pista contrária e atingiu os ciclistas.
A morte de Clarindo trouxe novamente à tona o perigo a que estão expostos o atletas que não tem as condições adequadas para treinar. Em fevereiro, foi inaugurada a terceira pista exclusiva para ciclistas em treinamento no Rio, na Reserva, na Barra da Tijuca.
Câmara Municipal discute criação de áreas para treino de ciclistas
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