Na próxima semana, Porto Alegre abre o circuito da edição 2017 do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários. De 3 a 7 de maio, a Cinemateca Capitólio Petrobras apresenta os destaques da 22ª edição do festival em 13 sessões, incluindo os vencedores das competições de longas e médias brasileiros, internacionais e latino-americanos.
A entrada é franca e os ingressos estarão disponíveis na bilheteria uma hora antes das sessões. A mostra começa com a pré-estreia gaúcha de Quem É Primavera das Neves, de Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, em sessão aberta ao público.
Amir Labaki, fundador e diretor do festival, ressalta que retornar a Porto Alegre é um privilégio e uma alegria. “A volta é ainda mais especial tendo por sede a Cinemateca Capitólio Petrobras”, comemora Amir Labaki.
Na programação, destaca-se a pré-estreia no Rio Grande do Sul de No Intenso Agora, de João Moreira Salles, marcando seu retorno ao cinema dez anos depois do lançamento de Santiago. Da retrospectiva internacional do ano, 100: De Volta à URSS será apresentado O Poder de Solovkí, de Marina Goldovskaya. Criado em 1923 e ativo até 1939, Solovkí foi um dos primeiros campos de trabalhos forçados na URSS.
Fundado e dirigido pelo crítico Amir Labaki, a 22ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários conta com patrocínio do BNDES, OI, Itaú e Petrobras, além do copatrocínio da Sabesp e SPcine. Conta também com o apoio do Ministério da Cultura – Secretaria do Audiovisual, através da Lei 8.313/91 (Lei Rouanet) e da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo – Programa de Ação Cultural/Proac ICMS.
Programação
Quarta-feira
20h – Quem é Primavera das Neves, de Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado
Quinta-feira, 4
16h30 – Eu, Um Negro, de Jean Rouch
18h00 – Sal para a Svanécia, de Mikhail Kalatôzov
20h00 – No Intenso Agora, de João Moreira Salles
Sexta-feira, 5
16h30 – Perón, Mi Padre y Yo, de Eloy Martínez
18h00 – Permanecer Vivo: Um Método, de Erik Lieshout
20h00 – Cidades Fantasmas, de Tyrell Spencer
Sábado, 6
16h30 – Vencedor da Competição Latino-Americana
18h – Vencedor da Competição Internacional
20h – Vencedor da Competição Brasileira
Domingo, 7
16h30 – Abacus: Pequeno o Bastante para Condenar, de Steve James
18h – Permanecer Vivo: Um Método, de Erik Lieshout
20h – O Poder de Solovkí, de Marina Goldovskaya
Confira os filmes que serão apresentados:
Abacus: Pequeno o Bastante para Condenar (Dir.: Steve James, EUA, 2016, 88 min.)
Competição Internacional: Longas ou Médias-Metragens
Diretor do premiado “Basquete Blues” (1994), Steve James mergulha no singular processo da família Sung de imigrantes chineses, donos do banco Abacus Federal Savings, acusados de fraude hipotecária em 2012 pelo procurador-geral de Nova York, Cyrus Vance Jr., na esteira da grave crise financeira de 2008.
Cidades Fantasmas (Dir.: Tyrell Spencer, Brasil, 2017, 70 min.)
Competição Brasileira: Longas ou Médias-Metragens
Em Humberstone (Chile), pouco restou da prosperidade do salitre. Perto da antiga Fordlândia (PA), casas de posseiros são os últimos sinais da cidade construída por Henry Ford. Armero (Colômbia), teve a população dizimada pela erupção do vulcão Nevado del Ruiz, em 1985. Vinte e cinco anos depois de uma inundação, ruínas da Villa Epecuén (Argentina) expõem os restos da velha estação de águas.
Eu, Um Negro (Dir.: Jean Rouch, França, 1958, 80 min.)
Programas Especiais
Atendendo a uma proposta do cineasta Jean Rouch, jovens imigrantes que vivem de biscates no bairro de Treichville, em Abidjan, Costa do Marfim, representam diante das câmeras personagens de uma vida ideal. Contrapondo a pobreza de suas condições reais de sobrevivência, assumem nomes tirados do cinema, como Edward G. Robinson, Dorothy Lamour e Tarzan. Homenagem ao centenário de nascimento de Jean Rouch (1917-2004).
No Intenso Agora (Dir.: João Moreira Salles, Brasil, 2017, 127 min.)
Programas Especiais
Imagens recolhidas por sua mãe numa viagem à China em 1966 dão ao cineasta João Moreira Salles o fio inicial para este documentário. Colocando em paralelo estas imagens e outras de diversas origens e arquivos, ele capta não só aspectos de sua vida familiar como os movimentos que atravessaram alguns dos momentos políticos mais transformadores do século XX.
O Poder de Solovkí (Dir.: Marina Goldovskaya, Rússia, 1988, 93 min.)
Retrospectiva Internacional – 100: De Volta à URSS
Criado em 1923 e funcionando até 1939, Solovkí foi um dos primeiros campos soviéticos de trabalhos forçados. Mais de sessenta anos depois de suas detenções, antigos prisioneiros políticos relembram suas experiências e o cotidiano do campo onde imperava, como diziam os guardas do local, não o poder soviético, mas o “poder soloviético”.
Permanecer Vivo – Um Método (Dir.: Erik Lieshout, Países Baixos/ Bélgica, 2016, 70 min.)
O Estado das Coisas
Em 1991, inspirado pelas histórias de vida de algumas pessoas com distúrbios psiquiátricos, o escritor francês Michel Houellebecq escreveu seu provocativo ensaio “Rester Vivant” (Permanecer vivo). Vinte e cinco anos depois, o roqueiro norte-americano Iggy Pop extrai do ensaio trechos que correspondem a alguns de seus próprios desafios pessoais.
Perón, Meu Pai e Eu (Dir.: Blas Eloy Martínez, Argentina, 2017, 80 min.)
Competição Internacional: Longas ou Médias-Metragens e Competição Latino-Americana
Autor de livros como “Santa Evita” (1996), o escritor e jornalista argentino Tomás Eloy Martinez realizou, há 45 anos, uma mítica entrevista com o ex-presidente Juan Domingo Perón. Depois da morte do autor, em 2010, seu filho Blas Martinez recupera as gravações. Inicia, então, um mergulho não só na história de seu país como em sua própria vivência pessoal.
Quem é Primavera das Neves (Dir.: Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, Brasil, 2017, 75 min.)
Competição Brasileira: Longas ou Médias-Metragens
Em março de 2010, o cineasta Jorge Furtado escreve uma postagem em seu blog, indagando quem pode ter notícias sobre a tradutora Primavera das Neves, cujo nome o fascina. A busca o leva ao encontro deste documentário, em que é guiado por amigas de infância da tradutora, Eulalie Ligneul, e a artista plástica Anna Bella Geiger.
Sal para a Svanécia (Dir.: Mikhail Kalatôzov, Geórgia, 1930, 62 min.)
Retrospectiva Internacional – 100: De Volta à URSS
Neste retrato etnográfico nada convencional da vida de uma isolada comunidade camponesa no Cáucaso, o cineasta georgiano Mikhail Kalatôzov incorporou materiais filmados originalmente para uma ficção que realizou no local, mas que não foi acabada. O resultado é um filme híbrido, com roteiro do escritor Serguei Tretiakóv.
Capitólio abre circuito do festival É Tudo Verdade
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