Categoria: HOTSITE JÁ Cultura

  • Exposição fotográfica “Cada Mulher é Única” mostra o universo feminino na ALRS

    A Assembleia Legislativa recebe de 12 a 28 de março a exposição fotográfica “Cada Mulher é Única”, de Beatriz Donelli. As 12 fotografias estarão em exposição no hall de ingresso do Palácio Farroupilha de 12 a 16 de março, e na Sala JB Scalco, de 17 a 28 de março, de segunda às sextas-feiras, das 8:30 às 18:30.
    Beatriz destaca que a ideia da exposição é mostrar que o universo feminino é pessoal e único, nos apropriando desse tema atual que é a diversidade feminina e o direito de poder ser o que quiser. Com curadoria do professor Claiton Martins Ferreira, a exposição retrata imagens de mulheres de diversos países, que ilustram a beleza da mulher fora dos padrões estabelecidos.
    Serviço
    Exposição fotográfica “Cada Mulher é Única”, de Beatriz Donelli;
    Hall de ingresso do Palácio Farroupilha (Assembleia Legislativa RS) e Sala JB Scalco do Solar dos Câmara;
    De 12 a 28 de março;
    Das 8h30 às 18h30;
    Entrada franca.
     

  • Cartuns cercados por reclames fazem o sucesso do mensário Hienas

    Com dois terços de suas 16 páginas ocupados por anúncios, o jornal mensal Hienas completa no final deste ano seu 29º aniversário, configurando um raro “case” de sucesso no segmento de periódicos impressos distribuídos gratuitamente.
    O nome em homenagem ao animal selvagem africano supostamente dado ao riso não é o único detalhe exótico da publicação criada em Porto Alegre no final de 1989.
    Com tiragem de 20 mil exemplares e um público estimado em pelo menos 60 mil leitores, o mensário de 16 páginas preto-e-branco e tamanho A4 não apresenta textos nem fotos, somente piadas desenhadas e anúncios nas dimensões 6 cm x 6 cm.
    Por uma inserção, o Hienas pede atualmente R$ 174. Na edição de nº 305 (fev/março), manteve-se a média recente de 100 anunciantes, alguns novos, outros permanentes.
    Nunca época de crise da mídia impressa, não faltam motivos para o dono do Hienas dar risada. “Não sei de nenhum outro jornal no mundo que tenha a mesma fórmula editorial que adotei desde o início”, diz Claudio Spritzer, fundador do jornal.

    Spritzer nunca trabalhou em outro veículo/Reprodução

    Sem concorrente direto ou um similar, Spritzer tem na mão um negócio estável sustentado por alguns poucos parceiros (não há funcionários empregados): os montadores dos anúncios, a gráfica, os distribuidores e os cobradores.
    Permuta, uma tradição da mídia em geral, há apenas uma – com um restaurante frequentado habitualmente pelo próprio jornalista-editor-cartunista com a esposa Rosana e o filho Ian, estudante de publicidade de 20 anos.
    Além de ganha-pão, o Hienas é o eixo de grande parte da existência de Spritzer, nascido em 1961.
    O início foi difícil, como contou em O Domador de Hienas, livro de 400 páginas publicado em 2014 para comemorar os 25 anos do jornal.
    Nessa obra bem-humorada, cujos textos leves e diretos só pecam pelo uso aleatório das crases, ele revela que no começo precisou apelar até para a ajuda de duas tias que moravam sozinhas e lhe cederam o número de seu telefone fixo, pois ele não dispunha desse luxo da época.
    Felizes com a oportunidade de anotar recados e ajudar o sobrinho, as duas se tornaram personagens de cartuns.
    Num anúncio do jornal para promover seu “departamento comercial”, Spritzer grifou um lembrete alusivo às falhas auditivas das tias: FALE BEM ALTO.
    Livro traz os cartuns do autor e sua trajetória / Reprodução

    Além de mostrar dezenas de cartuns feitos pelo próprio Spritzer, o livro contou a trajetória profissional de Spritzer. Filho de médico, estudou medicina por dois anos até se convencer de que sua vocação era ser um microempresário focado na exploração do seu pendor para ser “o palhaço da turma”.
    Formado em comunicação social na UFRGS, trabalhou como músico de banda de rock, publicitário, editor de vídeos, comerciante de doces e promotor de festas antes de fazer o casamento do humor com a propaganda no Hienas.
    Enquanto tentava emplacar seu jornal comunitário, Spritzer lutou para mostrar seu trabalho como cartunista durante o boom do programa de Jô Soares, o que, de alguma forma, conseguiu; em seguida, trabalhou como redator do programa humorístico “Ô…Coitado!”, da TV Bandeirantes, com Moacyr Franco, mas sua principal experiência em TV foi a produção do programa do trapalhão Renato Aragão, na TV Globo, onde operou por vários anos.
    Com tantas vivências, ele pode ser definido como um cara multimídia. Ou um “self made man” individualista que nunca fez parte de uma redação de jornal ou rádio e não frequenta a confraria dos cartunistas de Porto Alegre (sua maior referência na área era o cartunista Canini, falecido em 2013; no campo internacional, sua maior inspiração veio de da revista Mad).
    Ele tampouco participa da associação dos jornais de bairro de Porto Alegre. Explica: “Não sou um jornal de bairro, o Hienas circula em vários bairros de Porto Alegre, em algumas cidades do litoral norte e pretende circular nas cidades turísticas da Serra Gaúcha”.
    Penetrar em Gramado e Canela é o próximo objetivo, mas sem pressa: se tudo der certo, talvez seja  atingido quando o Hienas estiver completando 30 anos, em 2019.

  • Ajuris expõe quadros de Graça Craidy como denúncia da violência contra a mulher

    O estupro coletivo de uma adolescente num morro do Rio de Janeiro, foi retratado em sete cenas pela artista plástica gaúcha Graça Craidy. A partir dessa terça-feira, 6, os quadros serão expostos pela Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris).

    Faz parte da programação “Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser – Inclusão e Empreendedorismo”, que inclui a realização de dois painéis.

    Usando basicamente as cores preta e vermelha, as obras artísticas são em acrílica sobre papel, com 99 x 69 cm. Entre as cenas, está a selfie em que um dos estupradores se mostrou nas redes sociais, com a vítima, uma adolescente de 16 anos à época, ao fundo.

    A exposição, denominada Estupro, será tem abertura, no mês dedicado às mulheres, às 18h30, na Pinacoteca da Ajuris (Rua Celeste Gobbato, 229, bairro Praia de Belas), em Porto Alegre. A mostra permanece até o dia 31 de março.

    Seminário com painel

    Após a abertura, ocorrerá o primeiro painel do seminário Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser – Inclusão e Empreendedorismo, coordenado pela vice-presidente Cultural da Ajuris, Madgéli Frantz Machado.

    “Por meio de debates e atividades culturais, queremos fomentar a reflexão sobre o papel de cada um de nós na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, com respeito às diferenças, e onde a mulher tenha assegurado o seu espaço”, diz a magistrada.

    Falando sobre suas obras, a artista Graça Craidy afirma que como mulher se sente “indignada e movida pelo desejo de justiça. Me sinto na obrigação de não deixar que esses fatos passem em branco ou fiquem restritos aos noticiários policiais. É preciso que a arte denuncie o horror e abra uma janela ao debate e à mudança de mentalidades

    Trajetória artística

    Graça possui em sua trajetória artística mais de 50 quadros que tratam da violência contra a mulher, incluindo o feminicídio, temática com a qual se tornou conhecida no meio artístico e na sociedade.

    No dia 28, será a vez do segundo painel, “Empreendedorismo Feminino”. O objetivo do encontro é mostrar o potencial criativo e de superação de mulheres que decidiram empreender e tornaram-se protagonistas de suas vidas.

    A programação é aberta ao público. Mais informações no blog Lugar de mulher é onde ela quiser ou pelo email cultural@ajuris.org.br

  • Sucesso em Nova York, Tarsila pode ser vista na galeria Duque

    Quem não pode ir ao MoMa de Nova York para ver a grande exposição dedicada a Tarsila do Amaral tem a possibilidade de apreciar pelo menos uma obra da consagrada artista modernista em Porto Alegre.

    Desde sexta-feira (2/3), a Galeria Duque abre a exposição Arte e História, com trabalhos de mestres brasileiros de seu acervo, e um deles é Paisagem (óleo s/tela, 40 x 70 cm, 1924), da famosa autora de Abaporu.

    A curadoria é de Daisy Viola, e a mostra permanece até 28 de abril.

    Os visitantes também poderão deleitar-se com obras de outros importantes artistas nacionais como, por exemplo, Di Cavalcanti, Siron Franco, Vicente do Rego Monteiro, Carlos Bracher, Orlando Teruz, Aldo Bonadei, Milton Dacosta e Gonçalo Ivo.

    “O acervo da Galeria Duque é composto por obras de artistas fundamentais na arte brasileira do século XX. Para iniciar nosso calendário de 2018, optamos por mostrar uma parte importante desta coleção, com pinturas, desenhos, gravuras e esculturas, contaremos um pouco da história do nosso país”, diz a curadora.

    SERVIÇO:

    Exposição Arte e História

    Vernissage: 2/3, das 17h30 às 19h30;

    Duração: até 28/4;

    Obras do acervo de artistas nacionais;

    Galeria Duque, Rua Duque de Caxias, 649, Centro Histórico. F: 51 3228-6900.

  • No Mês da Mulher, Chapéu Acústico está de volta, só com vozes femininas

    Higino Barros
    No Mês Internacional da Mulher, março, o projeto Chapéu Acústico, realizado às terças-feiras, às 19 horas, no Salão Mourisco da Biblioteca Pública Estadual, marca seu retorno, com uma programação especial, só com cantoras. Paralelo ao evento musical, no mesmo local, haverá também a exposição” Diversas e Controversas” da artista plástica Graça Craidy.
    O Chapéu Acústico foi o projeto musical mais bem sucedido em 2017, num cenário que está aquecido em Porto Alegre: a cena da música instrumental ou com voz. A capital gaúcha tem na atualidade cerca de dez casas noturnas com música ao vivo de qualidade, feita por artistas locais, que se não têm a visibilidade merecida na grande mídia, compensa isso com a existência de um público fiel, antenado e diversificado. O Chapéu se diferencia por ser realizado em local público, num horário acessível e conta com um público médio de 60 pessoas, considerado bom pelos seus produtores já que a sala comporta cerca de 66 pessoas.
    Segundo seu idealizador e curador, Marcos Monteiro, o Chapéu foi pensado debaixo do chuveiro. Tomando banho ele se deu conta da enormidade de músicos talentosos que vivem na cidade e que se provocados topariam a ideia do projeto. Apresentação sem cachê fixo, com pagamento espontâneo do público, fruto do que se arrecada na passagem de um chapéu pelo público.
    Acústica diferenciada
    “Houve apresentação que rendeu 100 reais, teve outra que rendeu 1.500. O dinheiro arrecadado fica todo para os artistas. Mas a relação artista e público foi tão gratificante para os dois lados, que o projeto foi se consolidando com o tempo”, analisa Monteiro.
    Parte do sucesso é atribuído por Monteiro  ao local onde ele se realiza. O Salão Mourisco da Biblioteca Municipal, um salão com acústica diferenciada e que guarda parte da história arquitetônica e decorativa da Biblioteca. “Para isso houve a parceria e o entusiasmo da Morgana Marcon, diretora da instituição. Ela é do tipo da pessoa que faz. Não fica esperando que venha recursos oficiais, patrocinadores e coisas assim que movem a maioria das entidades culturais públicas. O que dá para realizar e depender dela, a coisa acontece. Daí um dos segredos do projeto”, discorre Marcos Monteiro.
    O projeto já está com programação agendada até outubro e pretende celebrar seu primeiro ano de existência com uma apresentação da banda Big Brothers, formado por 21 instrumentistas da capital, que tocou na primeira edição e volta como destaque do projeto.
    “Vamos abrir nossa programação homenageando as mulheres durante todo o mês, com uma cantora da qualidade da Anaadi, e teremos o talento da Valéria como um dos diferenciais do projeto. Mas o resto da programação é todo pensado na qualidade dos nossos artistas”, conclui Monteiro.
     A programação feminina
    A agenda abre nesta sexta-feira (2), com Anaadi, novo nome artístico de Ana Lonardi, com o show ‘Noturno’. Em clima de encontro íntimo, a cantora, que se destacou no programa The Voice Brasil, apresentará canções que começam a cativar ouvidos pelo Brasil, como ‘Sexyantagonista’ e ‘É Fake (Homem Barato)’, com temática feminista e bem-humorada. Com nuances soul, afro, jazz e samba, o show é uma viagem musical pelo universo da noite, da sensualidade e do romantismo daqueles que sabem aproveitar os prazeres da vida urbana. No repertório, além das canções do disco ‘Noturno’, algumas do próximo trabalho, ‘Iluminar’, como ‘Não Se Proteja da Felicidade’ e ‘Maria Bonita’.
    Valéria
    Os demais shows serão às terças-feiras, começando no dia 6 de março por Valéria, novo nome artístico de Valéria Houston. No show ‘Feminino’, ela estará acompanhada por seu parceiro de longa data, o violonista Rafael Erê, para interpretar um repertório eminentemente feminino, com destaque para composições e intérpretes que a influenciaram, inclusive autores e intérpretes trans.
    Elisa
    Dia 13 de março é a vez de Elisa Meneghetti apresentar sua mistura de psicodelia tropicalista, mesclada ao funk americano, reggae e ao bom e velho rock’n’roll, acompanhada de Andrei Correa (guitarra), Duda Cunha (bateria) e Filipe Narcizo (contrabaixo).
    Lila
    Em ‘Não Me Espanto’, no dia 20 de março, Lila Borges apresenta músicas autorais, algumas inéditas e outras já divulgadas na internet. A cantora e compositora tocará violão e cavaquinho, no show costurado por histórias bem humoradas, em um bate-papo informal e divertido, com o acompanhamento de Liane Schuler (voz, violão e cavaquinho) e Letícia Uzun (voz e percussão).
    Danny
    O encerramento será no dia 27 de março, com ‘Quintais do Mundo’, mais recente trabalho de Danny Calixto, que transita pelo samba, chamamé, chacarera, samba funk e ijexá. A artista apresenta canções solo e em parceria com autores da Região Sul do Brasil, acompanhada de Handyer Borba (teclado), Térence Veras (contrabaixo) e Giovanni Berti (percussão).
    Valéria, a homenageada

    Valéria participa do Chapéu Acústico pela segunda vez /Divulgação

    Valéria nasceu Rodrigo Samuel Barcellos, em 1979, em Santo Ângelo, em homenagem ao capitão Rodrigo Cambará, da obra ‘O Tempo e o Vento’, de Erico Verissimo. Cantou pela primeira vez aos seis anos, na escola, onde conquistou seu primeiro título. Desde então, esteve envolvida com a música. Ainda no interior, foi convidada a integrar a Banda Balança Brasil, que percorria o estado tocando em bailes. Em 2000, radicou-se em Porto Alegre e foi, aos poucos, sedimentando a sua carreira. Dois anos depois, participou do programa de talentos ‘Astros’, do SBT, sendo semifinalista e ganhando notoriedade nacional.
    Cantou o Hino Nacional para autoridades do alto escalão da Presidência da República e apresentou-se no teatro mais importante do RS, o Theatro São Pedro. Ainda em 2012, venceu a edição gaúcha do Festival da Canção Francesa e foi cantar em Paris. Regularmente é convidada para shows e eventos em Montevidéu, no Uruguai, onde tem público cativo. Estrela da Festa Galeria In, do Galeria Café, em Ipanema (Rio de Janeiro), onde se apresenta desde 2016, já convidou para participação nos seus shows nomes como Maria Gadú, Simone Mazzer, Filipe Catto, Laila Garin, Nanda Costa, Patrica Mellodi, Zéu Britto, Cláudio Lins, Lucio Mauro Filho e Silvero Pereira.
    As apresentações acontecem a partir das 19h, no Salão Mourisco da BPE RS (Riachuelo, 1190, esquina com General Câmara). Contribuição espontânea.
    Exposição ‘Diversas e Controversas’, de Graça Craidy
    De 1º a 31 de março, no Salão Mourisco da BPE RS. Visitação de segundas a sextas-feiras, das 9h às 19h, e sábados, das 14h às 19h. Entrada franca.
     
     
     
     

  • Sete décadas de fotojornalismo do gaúcho Flávio Damm

    Fabiano Ferreira

    No Olhar é uma websérie que exibe toda semana episódios com os principais fotógrafos e fotógrafas do Brasil. O projeto está em sua segunda temporada e tem apoio da Secretaria da Cultura de Estado do Paraná e Companhia de Energia Elétrica (Copel). As entrevistas têm o desafio de revelar ao expectador uma leitura mais apurada da fotografia e sua linguagem, além de contar de maneira intimista sobre as influências e histórias de vida desses profissionais. Os vídeos com duração de nove a 12 minutos são lançados todas as segundas-feiras no canal do youtube.com/noolhartv.

    No 12.º episódio da série, Flávio Damm conta sobre sua trajetória e algumas das inúmeras curiosidades do seu trabalho como fotojornalista. “Quando era criança, costumava ler o jornal por cima do ombro do meu pai. E um dia perguntei: quem é que faz essas fotos? Eram as primeiras fotografias da guerra, com os mortos e bombardeios. ‘Eles são soldados fotógrafos. Eles veem por quem não viu’. Essa frase foi fundamental na minha vida. Naquele momento não pensei a fotografia como profissão, mas eu senti como isso seria encantador”, relata o fotógrafo de 90 anos.

    Eleito um dos oito “bressonianos” brasileiros, Flávio Damm participou ativamente da mudança decisiva no modo como o fotojornalismo passou a ser praticado no Brasil, na década de 1950. A fotografia ganhou força com uma narrativa convincente para a verdade histórica e o fotógrafo assumiu a responsabilidade de ser o olho de quem não podia estar presente diante do acontecimento.

    Dentre os feitos desta época em que trabalhou na Revista O Cruzeiro, destaca-se o fato de ter sido o único brasileiro presente em coberturas internacionais marcantes, como a coroação da Rainha Elizabeth II, em 1953, na Inglaterra, e na ocasião em que o primeiro foguete foi lançado da base de Cabo Canaveral, em 1957, nos Estados Unidos e a revolução da Bolívia e no Paraguai.

    Em sete décadas como fotojornalista, Damm percorreu o vasto território brasileiro atrás da descoberta de um país que poucos conheciam. As inúmeras viagens pelo Brasil e exterior foram sempre registradas com filme preto e branco e lhe renderam 28 livros e um acervo com mais de 60 mil negativos arquivados.

    Suas fotografias sugerem muito mais do que o simples fato retratado. Elas são carregadas da singeleza própria das situações cotidianas, sem abdicar de uma elaborada poética visual, fruto de anos de observação das relações entre as pessoas e os lugares onde vivem. “Hoje as coisas mudaram, interiorizar o Brasil, hoje, ficou muito mais fácil do que naquela época, quando tínhamos que atravessar o rio São Francisco a pé ou a remo, contramaré. Mas foi bom. Se pudesse voltava hoje em 1950 para fazer as mesmas coisas. E faria feliz da vida”, conclui Damm.

    Sobre o projeto:

    De acordo com o diretor da websérie, Tiago Ferraz, a ideia de produzir o No Olhar surgiu da necessidade de encontrar informações sobre fotógrafos brasileiros compiladas em formato documental. “Hoje encontramos muitos tutoriais técnicos, mas ainda existe uma carência em conteúdo sobre linguagem fotográfica e sobre a trajetória dos fotógrafos.  Durante a produção da primeira temporada, percebemos que este projeto ia além de um simples registro e o que tínhamos em mãos era um acervo da memória da fotografia brasileira dos últimos anos”, complementa.

    A busca pelo lado humanista dos entrevistados também aparece na contrapartida do projeto. Mais de 100 crianças da rede pública de ensino tiveram a oportunidade de aprender um pouco sobre fotografia, se deixando encantar pela arte, assim como relatou Walter Carvalho, no primeiro episódio. “Essa iniciativa é muito gratificante, pois promove a descoberta de novos talentos nas áreas menos favorecidas da sociedade”, acrescenta Ferraz.

    Vídeos disponíveis desta temporada
    1º Episódio – Walter Carvalho
    2º Episódio –  Simonetta Persichetti
    3º Episódio –  Tiago Santana
    4º Episódio – Ana Carolina Fernandes
    5º Episódio – Antonio Guerreiro
    6º Episódio – Anna Kahn
    7º Episódio – Kazuo Okubo
    8º Episódio – Custódio Coimbra
    9º Episódio – Bruno Veiga
    10º Episódio – Milton Guran
    11º Episódio – Rogério Assis
    12º Episódio – Flávio Damm


    Confira em ordem alfabética os fotógrafos e fotógrafas que fazem parte desta temporada, lembrando que toda segunda-feira um novo episódio será exibido:

    Arthur Omar (MG)
    Cesar Barreto (RJ)
    Dario de Dominicis (radicado no RJ)
    Joaquin Paiva (ES)
    Kitty Paranaguá (RJ)
    Luiz Garrido (RJ)
    Marcia Charnizon (MG)
    Marcos Bonisson (RJ)
    Nana Moraes (RJ)
    Paulo Marcos (RJ)
    Pedro Vasquez (RJ)
    Walter Firmo (RJ)

    Acesse: youtube.com/noolhartv
    www.facebook.com/noolhar.tv

  • Abertas as inscrições para oficina gratuita de artesanato para crianças na Casa de Cultura Mario Quintana

    Estão abertas as inscrições para a Oficina “A poética do Fio”, da Sapato Florido, na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ). Ministrada pela artesã e designer de artesanato Vivian Andretta, a oficina gratuita é voltada às crianças, com idades entre 9 e 12 anos.
    As aulas iniciam dia 13 de março e vão ocorrer sempre nas terças-feiras até o dia 12 de junho, das 15h às 17h, na Oficina de Artes Sapato Florido (5º andar da CCMQ). As inscrições devem ser feitas pelo e-mail poeticadofio@gmail.com.
    SERVIÇO
    Oficina A poética do fio
    Público alvo: crianças de 9 a 12 anos;
    Quando: 13 de março a 12 de junho | Terças-feiras;
    Horário: 15h às 17h;
    Local: Oficina de Artes Sapato Florido – 5º andar da CCMQ (Rua dos Andradas, 736);
    Inscrições gratuitas: poeticadofio@gmail.com

  • Uma semana das mulheres no Teatro de Arena

    Entre os dias 3 e 9 de março, a programação do Teatro de Arena será toda para celebrar o Dia Internacional da Mulher: protagonismo feminino em apresentações artísticas, sarau literário e debate. Algumas atividades são gratuitas, e os espetáculos custam R$ 10 na bilheteria do teatro.

    PROGRAMAÇÃO

    3 e 4 de março | 16h – Espetáculo “Lúcia e o Navio-Espaçonave”.
    Sinopse: Lúcia é uma menina que vive com a mãe e tem sua rotina alterada pela presença da avó que, após quebrar o braço, vai passar uns dias na casa delas, juntamente com seu cão Sultão. Mas nem tudo são flores: Sultão é babão, vovó não come pizza e a jornada será de muito aprendizado, carinho e diversão.
    Ingresso: R$ 20 inteira | 50% de desconto para estudantes, classe artística, idosos e professores mediante comprovação.

    5 de março | 20h – “Mulheres na resistência: Experiências de luta contra a violência de gênero e feminicídio”.
    Organização: Fórum Gaúcho de Saúde Mental.
    Entrada gratuita.

    6 de março | 20h – “Quem tem medo das DramaturgA: Mulheres trabalham aqui”.
    Sinopse: Debate sobre a importância e o reconhecimento (e a falta deles) da mulher como criadora de dramaturgia no Estado. Serão lidos pelas próprias escritoras pequenos trechos de suas respectivas obras.
    Convidadas: Fernanda Moreno, Natasha Centenaro, Patrícia Silveira, Patsy Cecato e Viviane Juguero.
    Entrada gratuita.

    7 de março | 20h – “A mulher negra na poesia: poetas do Sopapo Poético”. Sinopse: Um encontro das poetas, da dança Afro e seu artesanato com o tema mulher e cultura negra.
    Entrada gratuita.

    08 de março | 20h – Projeto “Eva Diva”.
    Sinopse: Um Sarau Feminista onde várias mulheres artistas se unem para mostrar seus trabalhos. Será, acima de tudo, um dia de reflexão, de reconhecer a história, lembrar a trajetória de mulheres que transformam e transformaram a nossa sociedade com reivindicações em busca de um mundo mais igualitário. Um dia de movimentar a cena artística feminina de Porto Alegre e participar do momento de resistência e ocupação que se articula hoje com música, teatro, dança, artes visuais, exposição de artesanatos e ativismo.
    Participações especiais: Adriana Deffenti, Agata Compasso, Ana Campominado, Alessandra Fon Teca, Alice Kranen, Daia Moraes, Fernanda Rosmariño, Tassia Minuzzo, Manon, Ligia Laselvi e Grupo Tulipa (dança). Ingresso: R$ 10.

     

  • Vida e obra de Ivo Bender abre série digital sobre escritores gaúchos

    O Instituto Estadual do Livro (IEL) lança o fascículo bibliográfico “Escritores Gaúchos Série Digital: Ivo Bender”, com relatos, fotos, entrevista e trechos da obra que resgata a trajetória do dramaturgo, contista e professor Ivo Bender.
    Este volume é o primeiro da série Escritores Gaúchos, cujo objetivo é divulgar, debater e valorizar autores nascidos ou radicados no Rio Grande do Sul, apresentando e analisando sua vida e obra.
    Cada volume, sempre em formato digital, irá conter depoimentos e ensaios sobre o(a) autor(a) homenageado(a), entrevista e trechos de sua obra.
    A série é inspirada em outras já lançadas pelo IEL no passado – “Autores Gaúchos” e “Letras Rio-Grandenses.
    O fascículo digital tem coordenação editorial de Estevão Godoy, editoração e capa de Sérgio Oliveira de Campos, entrevista da jornalista Vera Pinto e foto da capa assinada por Fernanda Chemale e demais imagens, de Josiele Silva, Regina Peduzzi Protskof e acervo pessoal do escritor.
    Lista de obras e relatos abrem o trabalho sobre o intelectual de 82 anos, autor de aproximadamente 40 obras.
    A seguir vem textos da atriz e professora Mirna Spritzer, da escritora e ex-diretora do IEL, Cíntia Moscovich, do dramaturgo Diones Camargo e do ator, diretor e dramaturgo Marcelo Adams. Trechos da obra, o conto “Ramiro Escobar e a Salamanca” e a peça e teatro “Surpresa de Verão” completam a iniciativa da instituição da Secretaria de Estado da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do RS (Sedactel).
    O download gratuito está disponível nas páginas da instituição – www.iel.rs.gov.br e ielrs.blogspot.com.
     

  • Flávio Tavares exuma o cadáver do mito Che

    GERALDO HASSE
    “As Três Mortes de Che Guevara” (L&PM, 2017): eis um livro pra dar de presente e/ou pra guardar na estante dos grandes livros do jornalismo histórico.
    Com sua última obra, lançada no final do ano passado, o gaúcho Flavio Tavares leva ao extremo sua experiência como testemunha ocular da História e intérprete privilegiado de fatos vividos e narrados por ele há mais de 60 anos.
    Jornalismo-memorialístico do qual emana um luminoso painel da segunda metade do século XX.
    Coisa rara, temos aqui as lembranças do Flávio – dirigente estudantil que conheceu Moscou em 1954; as anotações do Flávio Tavares repórter em Punta del Este em 1961, quando conheceu o revolucionário Ernesto Che Guevara; do jornalista-testemunha do desbaratamento do poder civil em Brasília em 1 de abril de 1964; do preso político/exilado de 1969 no México; do correspondente jornalístico por longos anos em Buenos Aires; do autor de “Memórias do Esquecimento”(Globo, 1999), um dos melhores livros sobre a ditadura militar brasileira de 1964/85…
    Por fim, mas não por último, surge nas entrelinhas de “As Três Mortes de Che Guevara” o analista político que não hesita em colocar-se pessoalmente na narrativa para refletir sobre alguns dos principais acontecimentos políticos do século XX no âmbito da esquerda – a revolução de 1917 na Rússia, a revolução de 1949 na China, a revolução cubana de 1959 e os desdobramentos da Guerra Fria que manteve o mundo em suspense por décadas no período 1950-1990.
    Resulta um privilégio gratificante ler Tavares discorrendo sobre um dos maiores personagens do século XX.
    Nesse livro de 233 páginas, despojado de sua condição mitológica, Che Guevara desponta como o humanista que acreditou no nascimento do Homo solidarius, criatura que se deixaria pelo sentimento de solidariedade comunitária numa sociedade — a cubana — teoricamente livre do egocentrismo.
    Já nas primeiras páginas fica claro que Che ficou praticamente sozinho, isolado politicamente, no meio de revolucionários acuados por Washington e alinhados a Moscou.
    Descontente, talvez desiludido com o rumo das coisas na ilha de Fidel Castro, o argentino de 30 e poucos anos, pai de quatro filhos, saiu pelo mundo disposto a aplicar os conceitos do internacionalismo proletário. Missionário da revolução comunista num mundo bipolar…
    Já pela página 80 o livro vai ficando pontilhado de sinais de interrogação que, bem ou mal, refletem pontos obscuros da biografia de Che Guevara, de seu relacionamento com Fidel e do próprio desenrolar da história de Cuba a partir do sua aliança com a União Soviética e sua inimizade com o vizinho ianque.
    A partir daí Tavares se revela um mestre do jornalismo litero-histórico, um gênero em que poucos se dão bem.
    Quando Che chega calvo ao Congo, escondendo sua identidade dos próprios soldados cubanos que vai comandar, o livro adquire a dimensão de uma novela policial.
    O livro de Tavares cresce ao jogar luz sobre as contradições do argentino Ernesto Guevara de la Serna. Afinal, o que um branco asmático, filho de uma família de classe média de Buenos Aires, vai fazer nas montanhas da África tribal?
    A tese guevarista era  libertar o homem do jugo do imperialismo capitalista, ainda que tal revolução precisasse ser sustentada pelo imperialismo comunista, como ocorria em Cuba e em outros países, com nuances regionais ora pró-soviéticas, ora pró-chinesas.
    Embora aconselhado (pelos líderes Nasser e Ben Bella) a não se intrometer no continente negro, Che usou sua condição de médico para encobrir sua compulsão pela aventura revolucionária.
    Quebrou a cara, tanto no Congo como na Bolívia, o país mais pobre da América do Sul, onde aliciou um grupo de assustados camponeses — mais interessados na boca livre oferecida pelo revolucionário estrangeiro do que em seus ideais libertários.
    O desfecho é conhecido: Che morreu em outubro de 1967 metralhado por um sargento embriagado de quem era prisioneiro. Foi executado por ordem do comando do Exército da Bolívia, devidamente assessorado por agentes do governo dos Estados Unidos.
    São fatos cujas luzes se projetam até os dias de hoje.
    Ungido por uma aura romântica, o guerrilheiro emergiu da selva boliviana com um boina estrelada na cabeça e um charuto cubano entre os dentes, transformando-se pelas artes da propaganda no apóstolo predileto da juventude idealista do Terceiro Mundo e até de cabeças coroadas das esquerdas do Primeiro Mundo.
    Difundida em camisetas, posters e panfletos, a herança intelectual de Guevara foi resumida numa frase ambígua — “Hay que endurecer pero sin perder la ternura jamás” – que acabou se tornando uma espécie de mantra de esquerdistas que ignoravam ou faziam questão de não  tomar conhecimento das lutas pelo poder nos bastidores dos governos das repúblicas ditas populares.
    O comunismo agoniza em Cuba, mas a lenda do argentino audaz e charmoso permanece misteriosamente viva.
    Uma história ainda sem ponto final, admite Flávio Tavares, no final do seu livro.
    Sem acusar diretamente, ele sugere que Che foi descartado pela cúpula da revolução cubana, que usou seu idealismo missionário para afastá-lo de Cuba, onde seu inconformismo se tornara incômodo.
    Por ter vivido muito tempo fora do Brasil, o jornalista-historiador conheceu pessoas, entrevistou políticos, teve acesso a documentos e leu livros que jamais chegaram à maioria dos leitores do Brasil.
    Vem daí e dos seus 80 anos de vida a riqueza desse livro que coloca seu autor no pódio dos melhores jornalistas-historiadores brasileiros.
    Membro do raro clube de escritores que narram os fatos sem torcida nem distorção, Flávio Tavares não esconde, porém, o sentimento de compaixão pelo destino de seu trágico personagem.