Higino Barros
Raul Ellwanger é um dos músicos de maior projeção do Rio Grande do Sul. Suas composições foram gravadas por artistas da estirpe de Elis Regina, Mercedes Sosa, Beth Carvalho e por grandes músicos gaúchos, como Cenair Maicá e Renato Borghetti. Nessa sexta feira, 29/09, ele promove a apresentação dos discos “Luar” e “Portuñol” em formato digital e os originais em vinil, agora publicados em CD com envelope cartão. A função acontece no Clube de Cultura, às 19h.

Nos dois trabalhos, com 33 canções, aparecem participações especiais de Beth Carvalho, De Santana, Fafá de Belém e Numa Moraes, além do auxílio luxuoso, nos arranjos, de Dado Jaeger, Jota Moraes, Ivan Lins e Pedro Figueiredo.
As capas dos vinis são de Luiz A. Catafesto, Assis Hoffman, Luiz Jakka e Santiago Ellwanger e, segundo Raul, os discos serão vendidos a preços “muy simpáticos”, o bar do Clube de Cultura estará funcionando e o microfone aberto para canjas, papos e poemas.
Abaixo, as respostas de Raul Ellwanger para três perguntas feitas pelo JÁ Porto Alegre:
JÁ – Faz um resumo da tua trajetória:
Raul: Comecei em 1966, em show no Direito da PUC. Logo, fui para festivais da Arquitetura e TV Gaúcha, além de finalista no RJ. Interrupção por dez anos, devido à clandestinidade, perseguição política e exílio forçado.
O que significa estes dois discos na tua carreira?
R: “Portuñol” foi feito no mesmo semestre de “La Cuca del Hombre” (Argentina) e Gaudério (Brasil), que foram exercícios de perceber e plasmar a possibilidade de uma linguagem fraterna entre nossos países. Foram um salto grande na minha posição, nos ambientes respectivos.
Como vê o cenário musical gaúcho?
R: Muito criativo, no que depender dos músicos. Clandestino, no que depender da mídia corrupta e estrangeirizante. Juliano Barreto e Ana Lonardi, por exemplo, são excelentes, mas vivem ocultos.

SERVIÇO
Lançamento dos discos “Luar” e “Portuñol” em formato digital e com cds com envelope cartão.
Local: Clube de Cultura, Rua Ramiro Barcelos- 1853.
Data: sexta-feira, 29 de setembro, às 19 horas.
Categoria: HOTSITE JÁ Cultura
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Raul Ellwanger lança “Luar” e “Portuñol” em formato digital, no Clube de Cultura
Divulgação Discos saíram originalmente em vinil / Divulgação -
Jorginho do Trompete faz show 'Improvisos para Trompete e Piano', no Chapéu Acústico
Acompanhado do pianista Ras Vicente, Jorginho do Trompete apresenta “Improvisos para Trompete e Piano”, que elaborou especialmente para o Festival Chapéu Acústico, quinta-feira, 28/09, a partir das 19h, na Biblioteca Pública do Estado (BPE).
O músico montou um espetáculo recheado de jazz, sambas e bossa nova, além de obras de sua autoria, como “Morena”. Recheado de improviso e bom humor, o show integra o festival, que celebra um ano do projeto musical, coordenado pelo fotógrafo e produtor Marcos Monteiro. A entrada se dá mediante contribuição espontânea.
Natural de Porto Alegre, Jorge Alberto de Paula teve seu primeiro contato com o instrumento aos 9 anos, na banda do Colégio Isabel de Espanha e aos 14 anos, já tocava profissionalmente em bares e casas noturnas da Capital. Aperfeiçoou seus estudos na Escola da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) e seguiu sua vida, sempre estudando música e tocando com os melhores instrumentistas brasileiros, como Márcio Montarroyos, Paulinho Trompete, Raul Mascarenhas, Walmir Gil, Proveta, Paulo Moura, Raul de Souza, Renato Borghetti, Mauro Senize, Lula Galvão, Guinha Ramires, Alessandro Kramer, Paulo Sérgio Santos, Guinga, entre outros.
Elogio de Verissimo
Segundo o escritor e também músico, Luiz Fernando Verissimo, Jorginho do Trompete é um dos maiores do mundo no seu instrumento. Participou do Festival Sanari-Sur-Mer (França), em 1996, agradando a crítica. Fez várias apresentações como convidado do violonista, compositor e cantor Guinga, em unidades do Sesc-SP, festivais de Santa Rosa, Pelotas, Rio Grande e Osório e, também, em Belo Horizonte, Salvador e Campinas.
Também acompanhou a banda Companhia Paulista, pelo Sesc-SP. Ainda com Guinga, viajou para a Itália, onde tocou em Peruggia, na gravação do cultuado CD “Graffiando Vento” do renomado clarinetista italiano Gabriele Mirabassi, em parceria com Guinga. A parceria em solo italiano ocorreu em 2004 e 2005, com grande aceitação do público.
Em três oportunidades, em 1996, 1997 e 1998 atuou como convidado do grupo do músico uruguaio Oswaldo Fattoruzzo, no Festival de Jazz de Punta Del Este, no Uruguai.
Profissionalmente, é músico da Banda Municipal de Porto Alegre desde 1999, ano em que gravou um CD autoral de música instrumental com composições próprias, em show no Teatro Renascença. Em 2005 gravou, com a Cia. Paulista, DVD de música instrumental, em shows realizados no SESC, em São Paulo. Gravou CD com o músico regionalista Renato Borghetti; CD e DVD com Antonio Villeroy (2006); CD ao vivo com Nei Lisboa, no Theatro São Pedro.
Melhor instrumentista
Tocou com Márcio Montarroyos, no Rio de Janeiro e São Paulo (2006) e como músico convidado, no 2º Encontro Internacional de Metais, em 2007, em Tatuí-SP, com a Sam Jazz. Antes disso, em 2004, foi convidado pela Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro para um show especial, onde foi o solista. Participou do Festival Internacional de Jazz “La Pataia”, em Punta Del Este (Uruguai), ao lado de Paquito D’Rivera e Clark Terry. No Programa do Jô foi integrante convidado do Sexteto do Jô e como solista, em 2005.
Nos prêmios, ganhou como Melhor Instrumentista no Troféu Açorianos de Música, em 1992, 1993, 1994, 1995 e 1996. Foi ganhador do Festival Moenda da Canção, em Santo Antônio da Patrulha. Também mostrou seu trabalho em Festivais de Verão, na frança, em 1996, 1997 e 1998. Jorginho atuou vários anos como músico de bandas de samba, swing e samba rock, tendo a oportunidade de acompanhar nomes como Branca di Neve, Bebeto, Dhema, Reinaldo e tantos outros.
O projeto Chapéu Acústico é realizado sempre às terças-feiras, com apresentações de músicos dispostos a movimentarem a cena local, sem depender de verba pública ou privada. Não há cobrança de ingressos, e o chapéu é usado como forma de arrecadação voluntária, como acontece nas performances de rua.
Serviço:
Dia: 28 de setembro 2017 (quinta-feira).
Hora: 19h.
Local: Biblioteca Pública do Estado/BPE (Riachuelo, 1190).
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A portuguesa Joana Reais canta jazz acompanhada por músicos gaúchos, no Renascença
“Joana Reais canta jazz” é o encontro de uma cantora portuguesa com um trio de músicos gaúchos, revisitando os grandes clássicos do gênero musical norte-americano. Neste seu inédito show, Joana demonstra porque é a nova voz portuguesa por quem o público brasileiro já se apaixonou.
Joana Reais é uma intérprete portuguesa já conhecida do grande público Porto Alegrense devido ao seu espetáculo Grande Noite de Fados, que é apresentado por aqui desde 2015. Ela agora vem mostrar todo o seu ecletismo e versatilidade no seu mais recente show, onde apresenta versões das suas composições norte-americanas favoritas, assim como temas de sua autoria, acompanhada por renomados músicos gaúchos.
É com Cristian Sperandir, considerado o pianista revelação da música contemporânea do Sul do Brasil, o contrabaixista Everson Vargas e o baterista Ricardo Arenhaldt, ambos com sólidas e premiadas carreiras, tanto no Brasil como no estrangeiro, que Joana revisita os standards que mais marcaram o seu percurso como estudante e a sua carreira internacional como cantora de jazz, demonstrando porque foi umas das primeiras estudantes de canto jazz portuguesas a ingressar no prestigiado Conservatorium van Amsterdam, na Holanda, e porque o seu álbum “a Lisboa” – que funde as linguagens do jazz com a worldmusic atual – foi aclamado pela crítica europeia.
FICHA TÉCNICA
Joana Reais | voz e direção musical
Cristian Sperandir | piano
Everson Vargas | contrabaixo
Ricardo Arenhaldt | bateria
Romes Pinheiro | produção
Serviço
JOANA REAIS CANTA JAZZ Teatro Renascença (Avenida Érico Veríssimo, 307 – Menino Deus – Porto Alegre);
Quarta-feira, dia 27 de Setembro, às 20h;
Ingressos: R$ 60 inteira R$ 30 meia entrada. À venda no próprio dia, no local (dinheiro e cartão) antecipados na Livraria Bamboletras (R. General Lima e Silva, 776) e online em http://lideringressos.com.br/joana-canta-jazz-27-09
A apresentação de 1 kg de alimento não perecível, excepto sal e açúcar, dará direito à meia entrada. Os alimentos recolhidos serão doados à Casa do Artista Riograndense.
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Exposição “Fotojornalismo: 75 anos do SINDJORS” está aberta para visitação no Solar dos Câmara
A exposição Fotojornalismo: 75 anos do SINDJORS, desenvolvida pelo Núcleo de Imagem do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS, foi aberta na segunda-feira, dia 25, no Solar dos Câmara da Assembleia Legislativa gaúcha.
A mostra reúne cerca de 30 retratos de diferentes profissionais e pode ser visitada até a próxima sexta-feira, dia 29. A iniciativa desta exposição surgiu da parceria entre o Sindicato dos Jornalistas e a Assembleia Legislativa, que se juntou à entidade para desenvolver parte da programação de aniversário.
Além da mostra, nesta quarta-feira, dia 27, Alexandre Elmi, Vera Daisy Barcellos, Manuela D’Ávila e Marcos Rolim debatem a ética na comunicação, com mediação do presidente do SINDJORS, Milton Simas, também na AL/RS, às 18h, no Plenarinho.
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The Brothers Orchestra é atração do Festival Chapéu Acústico
Formada por 19 músicos, a “The Brothers Orchestra” é a convidada do Festival Chapéu Acústico, que celebra um ano do projeto musical homônimo, realizado na Biblioteca Pública do Estado (BPE), com contribuição espontânea. A alta qualidade de seus integrantes, 19 no total, e o cuidado nas interpretações marcam o coletivo, que toca autorais, clássicos do jazz, sambas e chorinhos brasileiros, além de sons latinos, trilhas de cinema e TV.
A Brothers Orchestra surgiu em 2010, reunindo vinte músicos (cinco trompetes, cinco trombones, cinco saxofones, piano, baixo, guitarra, bateria e percussão). Durante cinco anos tocou todas as segundas-feiras no Insano Bar, sempre acrescentando músicas novas. Apresentou-se em universidades, teatros, auditórios e salões de eventos. Destes shows, destacam-se o do Salão de Atos da UFRGS, com o grande clarinetista Nailor “Proveta”, lider da Banda Mantiqueira, na abertura do show da mesma. E também a Homenagem ao Jazz, no Parque da Redenção, com a participação de Hermeto Pascoal, que foi homenageado. Seu repertório contém mais de cem arranjos dos mais variados estilos, desde músicas conhecidas pelo público, como composições próprias.
O projeto Chapéu Acústico é realizado sempre às terças-feiras, com apresentações de músicos dispostos a movimentarem a cena local, sem depender de verba pública ou privada. Não há cobrança de ingressos, e o chapéu é usado como forma de arrecadação voluntária, como acontece nas performances de rua.
Confira os próximos shows do Festival Chapéu Acústico:
Dia 28 (quinta) – Um Piano e Dois Trompetes – Jorginho do Trompete, Rochinha e Luiz Mauro Filho
Dia 29 (sexta) – Dinho Oliveira Quarteto.
Serviço:
Dia: 26 de setembro 2017 (terça-feira).
Hora: 19h
Local: Biblioteca Pública do Estado/BPE (Riachuelo, 1190).
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Tertúlia de Fischer abre janela para a música do Sul
Um dos últimos eventos do 24º Porto Alegre em Cena, o inusitado show “Discutindo a Relação: Música e Literatura” poderia talvez atrair público maior, caso tivesse sido programado para uma data mais favorável aos militantes da arte e da cultura. No sábado, 23/09, à noite, ocupou apenas a metade do auditório (120 lugares) do Instituto Goethe, no Bairro Moinhos de Vento. Uma pena.
Escudado pelo flautista Ayres Potthoff e o violonista Mathias Pinto, ambos professores de música e habitués de saraus na capital gaúcha, o professor de literatura Luís Augusto Fischer iniciou e terminou suas falas admitindo que não sabia exatamente como definir o evento classificado como “espetáculo local” no índice do catálogo do Porto Alegre em Cena de 2017.
Foi uma tertúlia, sem dúvida, em que Fischer, Pinto e Potthoff usaram como iscas textos de Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Olavo Bilac, Rui Barbosa e João do Rio; e canções de Anacleto Medeiros, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Carlos Gomes, Joaquim Callado e Pixinguinha – todos autores que viveram no Rio de Janeiro entre o final do século XIX e o início do século XX.
A ideia subjacente a esse passeio lítero-musical era tentar captar os momentos em que os gêneros literários (conto, romance, crônica) e musicais (polca, maxixe, lundu, modinha, valsa, tango, chorinho) se cruzaram na história brasileira, gerando as raízes do que se conhece hoje por MPB – música popular brasileira.
Segundo o consenso resultante dos depoimentos dos três componentes do Discutindo a Relação, a MPB começou a tomar forma a partir do maxixe ‘Corta Jaca’ de Chiquinha Gonzaga, da polca ‘Ameno Resedá’ de Ernesto Nazareth e do chorinho ‘Carinhoso’ de Pinxinguinha – o primeiro de 1893, o último de 1917.
Com duração de 80 minutos, a tertúlia de Fischer, Potthoff e Mathias restringiu-se a personagens atuantes no Rio de Janeiro, reforçando a lenda de que a MPB teve origem na ex-capital do Brasil, de onde teria sido difundida, por partituras, para o resto do país, que depois passaria a receber a influência carioca via rádio, disco e TV.
Em seus comentários finais, Fischer abriu uma janela lateral ao citar o gaúcho João Simões Lopes Neto, que nos idos de 1913, sob o pseudônimo de João do Sul, andou escrevendo crônicas populares sobre praticantes de serenatas em Pelotas, uma das cidades do interior que possuíam conservatórios, bandas e orquestras, sem falar dos músicos de botecos, de bailes e de serestas que tocavam de tudo.
Por aí se vê que a percepção do fenômeno carioca como meca cultural corresponde a um estereótipo provinciano que mereceria ser discutido por outros musicólogos atuantes como o radialista, músico e professor Arthur de Farias, autor de uma excelente história da música em Porto Alegre. A música regional gaúcha, por exemplo, é um farto filão a ser explorado.
Não cabem dúvidas de que as tertúlias coordenadas por Fischer podem render bons espetáculos e até tornar-se programa de rádio ou TV, saciando a fome de conhecimento de um público perdido em rodas de música contaminadas pelo jabá, conforme conta Katia Suman num dos capítulos de O Alcance da Canção (Editora Arquipélago, 392 páginas, 2106), livro organizado por Luís Augusto Fischer e Carlos Augusto Bonifácio Leite. -
Luiz Carlos Felizardo mostra “O Percurso de um Olhar”, no Campus Central da Ufrgs
Um dos maiores fotógrafos brasileiros, Luiz Carlos Felizardo, tem exposição nova em Porto Alegre, chamada “O Percurso de um Olhar”. Ela acontece em um lugar emblemático para o autor da mostra, a Ufrgs. Na programação de abertura está previsto também um encontro com o fotógrafo.
No texto abaixo, divulgado pelo Departamento de Difusão Cultural da Ufrgs, Feliz, como é conhecido por seus amigos e pares, explica o que estará sendo visto:
“Faz muito tempo que faço fotografia. Desde que fiquei encantado com a visão da primeira imagem emergindo do revelador lá se vão mais de quarenta anos (só um pouco mais, não sou tão velho assim…). De qualquer forma, em termos de história pessoal, é um bom tempo.
Para fazer bem feito é preciso refletir sobre o que se faz – o que, aplicadamente, venho fazendo esses anos todos. É natural, portanto, que tenha não apenas conhecido bem os principais processos que fazem uma fotografia, como tenha tido tempo para compreender as relações que reúnem processos, imagem fotográfica e… a vida da gente. Se não todas essas relações, algumas, pelo menos.
Descobri que fotografar é bem mais do que apenas ver. Os processos de transformar uma visão em fotografia tomam tempo, dão trabalho e exigem respeito pelo assunto que transformamos. E é preciso que se entenda alguma coisa da estrutura que amarra os vários elementos que compõem nossa imagem, a mesma estrutura que ordena as frases musicais, ou da literatura, e limita e sustenta as criações da arquitetura. Mais importante ainda, a fotografia tem de ser vista e compreendida com um olhar tão amplo que abrace a história da arte.
O tempo, por sua vez, desempenha um papel fundamental na construção da imagem fotográfica. E talvez só a fotografia tenha o dom de vencê-lo – talvez não, mas ela não se importa se não tiver exclusividade. Pois apenas em suas mãos o tempo é tratado de maneira tão íntima: ele é vertiginoso, é uma fração de si mesmo, é implacável, é voraz, pode ser elástico. E pode parar para ela.
A fotografia traz informações e gera considerações sobre o que foi passado, fazendo com que ele assuma, novamente, a condição de presente. Se pensarmos bem, tudo o que a fotografia revela já é passado – seja a pessoa fotografada em 1840, seja o pensamento do artista que se valeu dela, seja o que fotografamos há poucos minutos atrás. E se tivermos consciência da múltipla e inevitável presença do tempo na imagem fotográfica, a fotografia fará tudo reviver.
Esta exposição nasceu de um convite feito pelo Departamento de Difusão Cultural da UFRGS, universidade tão importante em minha formação quanto a música ou a arquitetura. Afinal, cantei no Coral da Faculdade de Filosofia, toquei no Madrigal da UFRGS – nos quais a notável e saudosíssima Madeleine Ruffier, sua regente, me ensinou quase tudo – estudei no Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia e na Faculdade de Arquitetura (onde também namorei, militei contra a ditadura, fiz amigos queridíssimos). Graças ao mesmo Departamento da UFRGS pude assistir a shows, concertos e exposições – colaborei numa delas – quase todos inesquecíveis.
A exposição é composta de trinta fotografias feitas em momentos variados, selecionadas por mim entre imagens digitais e mais de dezoito mil negativos 35 mm, 6×6 cm, 4×5 e 8×10 polegadas – sempre pensando em reunir fotografias que, por uma ou outra razão, deixaram marcas em meu trajeto até aqui”.
Luiz Carlos Felizardo
SERVIÇO
Exposição O Percurso de um Olhar, por Luiz Carlos Felizardo Abertura: 27 de setembro, às 17h30min Local: Pátio do Campus Centro da UFRGS Período e horário de visitação: de 27 de setembro a 22 de dezembro (segunda a sexta), das 07h às 22h30min
Encontro com Luiz Carlos Felizardo Data: 27 de setembro Horário: 18h15min Local: Mezanino do Museu da UFRGS | Av. Osvaldo Aranha, 277
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Flores e mais flores, nas aquarelas da nova exposição de Graça Craidy
Em tempos de primavera, flores, flores e mais flores. Esse é o tema da nova exposição da artista plástica Graça Craidy, com 23 aquarelas no Café do Porto. Hibiscos, azaleias, camélias, strelitzias, entre outras, levam a primavera para as paredes do tradicional espaço da Padre Chagas.
Graça, conhecida por suas pinturas expressionistas de denúncia sobre violência contra a mulher (“Até que a morte nos separe”, “Livrai-nos do Mal”), desta vez suaviza o gesto e se dedica ao exercício de uma das técnicas mais antigas e delicadas da arte da pintura, praticada por ela com a professora Ana Lovatto, no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre.
Inventada na China há 2000 anos, a aquarela, que na Europa foi usada geralmente para esboçar os anteprojetos das obras dos grandes mestres, ganhou notoriedade no mundo ocidental renascentista com o alemão Albrecht Dürer, e conquistou seus dias de glória com o britânico William Turner no século 19. Também frequenta, com grande estilo, os compêndios de botânica e biologia e os diários dos viajantes, como o do francês Jean-Baptiste Debret, que registrou o Brasil dos anos 1800 para a posteridade. “Aquarelar é um outro jeito de voar”, explica a artista, que confessa ser apaixonada por aquarela, palavra cuja tradução para o japonês – não à toa – é “ukyo-e” (mundo flutuante).
“A aquarela me acalma, me faz transcender, é como se minha alma saísse de mim e desaguasse no papel” – poetiza Graça. A mostra vai até 2 de outubro, no horário de funcionamento do café, e todas as obras estão à venda.

Hibisco, de Graça Craidy / Divulgação
SERVIÇO
O quê: Exposição Delicadezas, Aquarelas de Graça Craidy.
Quando: de 19 de setembro a 2 de outubro de 2017
Onde: Café do Porto- Rua Padre Chagas, 293.M. Vento -Porto Alegre, RS
Horário: Das 8h às 23h, diariamente. -
Feira de Troca de Livros de Porto Alegre ocorre neste sábado
Os amantes da literatura terão um dia movimentado neste sábado, 23/09, quando será realizada a 16ª Feira de Troca de Livros de Porto Alegre. Nesta data, das 10h às 17h, bibliotecas inscritas previamente estarão no Centro Municipal de Cultura de Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues (av. Erico Verissimo, 307), com parte do seu acervo. A data também será de oficinas e atividades ligadas ao mundo das letras.
“A proposta é que bibliotecas, de qualquer tipo, de escolas, bairros, comunidades, levem seus livros excedentes e duplicados, por exemplo, e troquem entre elas e os leitores que forem no local, também com as obras que querem trocar”, explica Renata Borges, diretora da Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães.
Programação de oficinas, com entrada franca
10h – Contação de histórias com Alexandre Brito – Saguão CMC
10h – Oficina de Contação de histórias – ONG Cataventus – Auditório Atelier Livre
13h – Oficina “As histórias e sua plateia” – Zilá Mesquita – Auditório Atelier Livre
14h – Contação de histórias com Gislene Rodrigues – Saguão do CMC
14h – Palestra “A trova e suas origens”, com o escritor e tradutor Sidnei Schneider – Biblioteca
15h – Palestra – Leituras obrigatórias 1: A máquina de fazer espanhóis, com o professor Pedro Gonzaga – Biblioteca
15h – Oficina de Encadernação – Geração POA – Auditório Atelier Livre
16h – Palestra “O amor e seus demônios”, com o psicanalista e historiador Felipe Pimentel – Biblioteca
Serviço
O que: 16ª Feira de Troca de Livros de Porto Alegre.
Quando: 23 de setembro Onde: no Centro Municipal de Cultura de Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues (av. Erico Verissimo, 307).
Ingresso: entrada gratuita, e o público em geral não precisa de inscrição prévia. -
Revista da FEE promove Magliani, “marginal das artes plásticas”
A Fundação de Economia e Estatística (FEE), que resiste à extinção oficial decretada pelo governador José Ivo Sartori, lançou nesta terça-feira no Museu de Artes do Rio Grande do Sul (MARGS) a edição de 2017 da RS em Números, revista de 52 páginas com dados consolidados sobre a economia e outros setores da vida gaúcha.
Na capa e em algumas páginas internas destacam-se obras representativas do trabalho da artista plástica Maria Lida Magliani (1946-2012), a primeira negra formada na Escola de Belas Artes da UFRGS, onde teve como mestre o paulista Ado Malagoli.
Nascida em Pelotas, Magliani era criança quando se mudou para Porto Alegre. Como estudante e trabalhadora das artes, engajou-se na militância pela inclusão social dos negros, produzindo uma arte agressiva que jamais alcançou viabilidade comercial.
Assim mesmo conquistou espaço em galerias públicas e obteve prêmios em exposições nacionais. Em 1987, aos 40 anos, expôs no MARGS; no catálogo da mostra, a artista se deixa fotografar diante de um quadro; título da foto “Auto-retrato dentro da jaula”.
Além de lutar para expor e vender seus quadros, Magliani sobreviveu fazendo trabalhos artísticos para peças de teatro, jornais e livros. Um dos seus trabalhos mais marcantes foi ilustrar o livro “Inventário do Irremediável”, de Caio Abreu.
Presente no evento de lançamento da revista RS em Números, o coordenador nacional de formação política do Movimento Negro Unificado (MNU), Emir Silva, que atua no Rio, lembrou que o Brasil, mesmo sendo o segundo maior país negro do mundo (o maior é a Nigéria), com mais de 100 milhões de afrodescendentes, “ainda não entendeu as relações racistas que permanecem”.
Magliani morreu há cinco anos no Rio de Janeiro. No próximo dia 30, será inaugurada uma rua, no bairro Campo Novo, em Porto Alegre, com o nome dela, por proposição da vereadora Mônica Leal. Até agora, a rua é conhecida como “5005”.

