Matheus Chaparini
A pracinha está encravada na fronteira entre o Centro Histórico e a Cidade Baixa, cercada por um colégio e duas faculdades, alguns bares e restaurantes. Mas não foram estas características que fizeram dela um ponto de encontro confirmado de Porto Alegre. A Selene incluiu em seu cardápio o xis vegano. Foi aí que a praça bombou.

Há cerca de dois anos, o movimento naquele canto da cidade, que já era crescente, explodiu. Em qualquer noite, entre terça e sábado, o movimento é certo naquele trecho que pode ser delimitado fisicamente entre a esquina das ruas Fernando Machado e Marechal Floriano Peixoto e a praça Marquesa de Sevigné. Ou, no roteiro de quem vem do Centro pós expediente, do salgado vegano da Confeitaria Dona Laura até um litrão na praça, ou uma saideira a raros e honestos seis pilas no tradicional Grand’s Bar. No sentido inverso, pode-se começar com um xis vegano no MM e encerrar o rolê com uma cerveja na calçada no mercadinho.
Durante o dia, o cenário ganha ainda mais um atrativo, a trilha sonora da Power Discos, uma pequena loja de vinis, sempre com porta aberta e boa música.
São basicamente dois públicos que se misturam por ali. No meio da quadra o Brechó do Futebol foi o pioneiro de uma série empreendimentos – bar com arquibancada, café, champanharia, almondegaria. Ali se concentra um público interessado no futebol, reduto tricolor. Bebe-se cerveja artesanal. Nas pontas, a confeitaria Dona Laura e o MM Lanches reúnem outra gurizada e os postes e grades se enchem de bicicletas.
Praça do Xis

Selene Telles Bueno é peça-chave na transformação daquele ambiente. Mudou-se para uma casa junto à praça há dez anos e abriu uma carrocinha de cachorro quente junto ao chafariz. O dog não era exatamente um sucesso de vendas. O xis entrou no cardápio, mas também não salvou a lavoura. Até que um rapaz chamado Matheus, morador da casa do estudante da UFRGS, deu o toque: xis vegano
“Eu nem sabia o que que era vegano!”, conta Selene. “O Matheus começou a vir todos os dias e ler trechos de livros sobre veganismo.”
Aprendeu fazendo. Começou com um hambúrguer de soja, hoje são 19 variedades. Abóbora é o campeão de vendas, beterraba, a novidade, pinhão, o próximo desafio. Funcionando das onze e meia às onze e meia, o MM é um negócio familiar que garante o sustento de dez pessoas. As opções de carne continuam no cardápio, mas representam não mais do que 10% das vendas.
Uma reforma realizada em 2012 também contribuiu para mudar os ares da praça. “Era uma praça morta, suja, cheia de cocô. Tu te sentia mal de estar aqui às sete da noite. Às oito, tu era assaltado certo.”

Do outro lado da praça, um churrasquinho. E carne assada vende no meio desse povo que não come bicho morto? O Felipe garante que sim. “Só ponta de filé, carne boa.”
Felipe Garcia é metalúrgico, trabalhou em grandes indústrias, “mas aí a crise, né…” Há um ano ele começou um negócio, com apoio da vizinha Selene. No primeiro mês, vendia não mais que meia dúzia em uma noite inteira. Com uma clientela fiel, hoje ele afirma que cumpre a meta de cinquenta espetinhos em pouco mais de três horas.
Praça-musa
Através da janela do seu apartamento, o cartunista Uberti fez um livro. “Graça na Praça” foi lançado em 2010 pela L&PM. Durante dois anos, Uberti fez um desenho semanal. O cenário, sempre a antiga praça do triângulo. Pela janela, viu a época da praça mal cuidada e pouco habitada, a reforma e a chegada do movimento.
Morador há mais de 30 anos, Uberti tem até uma miniatura do chafariz em sua casa, dentre suas centenas de miniaturas de carros, aviões, trens.

Devaneando com o olhar janela afora, imaginou uma cena e desenhou: um piá fantasiado de batman em cima do chafariz ameaça pular, para diversão dos colegas e desespero da mãe.
Já com o livro pronto em mãos, viu a cena se concretizar. Apareceu um guri com a tal da fantasia de super herói correndo em torno da fonte. Porém, no episódio da vida real, o menino foi impedido pelo pai quando tentava subir o primeiro patamar do chafariz.
Rua do Futebol
A ideia começou com o Carlos Caloghero, que vendia camisetas antigas de futebol em casa e pela internet. O quarto ficou pequeno e surgiu a necessidade de se mudar para um local maior.
Em junho de 2010 nasceu o Brechó de Futebol, reunindo loja e bar. Na quadra pouco movimentada, os vizinhos eram uma papelaria e uma lan house que abria de vez em quando. O movimento cresceu, o brechó expandiu e ganhou novos vizinhos. Atualmente, eles ocupam quatro imóveis com um bar, loja e café e afirmam que os outros comércios não são concorrência, mas uma parceria, onde a clientela de um acaba respingando de alguma forma no estabelecimento do outro.

A ligação do Brechó com o Grêmio vem da gênese. Os três sócios – Caloghero e os Andrés, Damiani e Zimmermann – se conheceram bebendo nos bares do entorno do Estádio Olímpico. No início do negócio, a maior parte do público era de amigos gremistas. Com o tempo a clientela diversificou. “Se tem jogo bom passando, enche de gente. Não é um bar do Grêmio”, explica Zimmermann.
Nas paredes cobertas de imagens, camisetas e mantas de clubes do mundo todo, encontra-se até mesmo uma flâmula do título mundial do Inter e fotos de alguns heróis colorados.
Praça do Triângulo
Aquele pequeno pedaço de terra em formato triangular, delimitado pela rua da Figueira – Coronel Genuíno, rua do Arvoredo – Fernando Machado, e rua da Olaria – Lima e Silva, virou praça há 140 anos. Em 1887, o vereador Leopoldo Masson propôs à Câmara Municipal destinar verba para o ajardinamento. Como contrapartida, os moradores deveriam providenciar a instalação de um chafariz. A fonte, que substituiu um bebedouro para cavalos, é a mesma até hoje.
Dois anos depois, um abaixo-assinado pedia um nome, que custou a vir. Em um mapa de 1949, ela aparece como Praça do Triângulo. Em 1966, vem o nome oficial: Praça Marquesa de Sévigné.
Categoria: HOTSITE JÁ Cultura
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Rua Viva: Bicicleta, futebol e xis vegano na praça Sevigné
De terça a sábado, o movimento noturno é certo na praça e no entorno Selene incluiu no cardápio as opções veganas e o xis bombou Felipe vende espetinhos de carne no point dos veganos Em dia de jogo, a calçada vira arquibancada na Fernando Machado -
A pintura de Ricardo Giuliani e a fotografia de Pedro Henrich em novo espaço de arte
O Aberto Caminho de Artes é um espaço cultural que será inaugurado nesse sábado, 15 , com uma proposta eclética. Juntar artes plásticas, música, teatro, literatura, cinema, grafite, dança, fotografia e arte de rua, em uma área que se tornou referência na produção artística e cultural de Porto Alegre, o Centro Histórico.
O evento de inauguração acontecerá juntamente com a já tradicional Feira do Caminho dos Antiquários e o público poderá conferir a exposição “O Tempo das Coisas”, do artista visual Ricardo Giuliani. A mostra ocupará o local até o mês de setembro.
No terreno da fotografia, o fotógrafo Pedro Antônio Henrich, um dos profissionais mais ativos da nova geração de fotógrafos gaúchos, mostra também parte de sua produção. Ela será exibida no Toldinho, espaço integrado à rua e que será destinado a ocupação por jovens artistas em mostras de um dia, sempre aos sábados.
Para completar a programação de inauguração, haverá diversas performances de música, poesia e arte de rua que estão programadas ao longo do dia. Elas farão parte das programações permanentes do Aberto Caminho de Artes, tudo com entrada franca. -
ONG faz brechó beneficente neste sábado, 15/07
Vai acontecer neste sábado, dia 15 de julho, o tradicional brecó da ONG Bichos & Amigos,na rua Aliança, 289, transversal da Assis Brasil, entre o Bourbon Wallig e o Shopping Lindoia, Zona Norte de Porto Alegre.
Será das 10h às 17h, com roupas, livros e diversos outros produtos com preços de ocasião.
O objetivo é levantar fundos para sustento dos cães e gatos que a entidade abriga.
Os visitantes também podem fazer doação de ração, o que é muito bem-vindo. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 51-98461-5077, com Sônia Piumato. Os animais agradecem. -
Recital Clarice Lispector celebra Luiz Coronel com encontro poético
A Biblioteca Pública do Estado (BPE) sedia nessa sexta-feira, 14, a partir das 19h30min, o Recital Clarice Lispector, que homenageia o 79º aniversário do poeta Luiz Coronel e celebra sua obra poética.
Com participação da atriz Fernanda Carvalho Leite e do músico Victor Culanys, serão lidos textos reunidos no “Dicionário Clarice Lispector, a Visão Transcendental do Quotidiano”. O público será presenteado com livros/carta de temática diversificada. O evento já foi apresentado, com sucesso em vários espaços culturais e tem entrada gratuita.
Natural de Bagé e graduado em Direito e Sociologia, Luiz Coronel reside em Porto Alegre, onde atua como diretor de publicidade da Agência Matriz. Presidiu o Festival Mundial de Propaganda (1996), Associação Latino-Americana de Propaganda, seção Nacional (1999) e Internacional, de 2001 a 2005; e hoje é presidente emérito da Associação Latino-Americana de Propaganda. Foi professor de História e Literatura em cursinhos pré-vestibulares e ministrou a disciplina de Teoria Geral do Estado, na Faculdade de Ciências Jurídicas, por 12 anos. Exerceu a magistratura entre 1965 e 1970.
Seu trabalho como compositor e letrista sempre se sobrepôs aos demais, possuindo diversos prêmios como letrista nas Califórnias da Canção Nativa. Sua obra poética é voltada à temática da terra, retomando a tradição do cancioneiro sul-riograndense. Publicou mais de 70 obras, que lhe renderam inúmeros prêmios, no Brasil e exterior, em países como Espanha e México. Em 2012 foi patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, exercendo essa atividade em mais de 20 cidades que o elegeram patrono em seus eventos literários.
Serviço:
Dia: 14 de julho de 2017 (sexta-feira)
Hora:a partir das 19h30min Local: Salão Mourisco da Biblioteca Pública do Estado/BPE (Riachuelo, 1190, esquina com General Câmara).
Entrada franca
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OSPA leva dois recitais gratuitos ao MARGS no domingo
No dia 16 de julho, domingo, às 16h30, o grupo “Remendola de Chave”, formado pelo percussionista Diego Silveira e o pianista Paulo Bergmann, apresenta sua música autoral utilizando desde o teclado até vuvuzelas. Na mesma tarde, o “Trio de Metais” composto por Elieser Fernandes (trompete), Israel Oliveira (trompa) e José Milton Vieira (trombone) executa obras originais do Século XX para a sua formação. Os dois recitais acontecem no coração da exposição “Paisagem no Tempo – Carlos Petrucci e o acervo do MARGS”. A entrada é franca.
O programa
Diego Silveira e Paulo Bergmann comentam seu trabalho: “A remendola de chave é um instrumento antecessor da pianola, do realejo, do sequenciador e do loop. O nosso conjunto se inspira nesse instrumento e mistura fragmentos sonoros. Diferentes estilos e proveniências musicais são passados no liquidificador e filtrados no piano, na escaleta, no computador e nas vuvuzelas.” Seis músicas compõem a apresentação: “Cluster de Abertura”, “Amostra Surubim de Fumaça de Brinquedo”, “Consolação com Quadros Manuais de Campainha JB Hocus Pocus”, “Remendola”, “Singa Dias Nave Canteyopitfall” e “Fita com Tangodeon de Funk Messias e Sopro Midnight de Canaleão Shadow”.
Na segunda parte da tarde, o Trio de Metais apresenta “Trio de metais Escaleno” de Fernando Morais, “Quatre Esquisses” de Eugene Bozza e “Sonata para Trio de Metais” de Francis Poulenc. O trombonista José Milton Vieira conta: “O nome da primeira obra é uma comparação entre os lados de um triângulo escaleno e os instrumentos de um trio de metais. A segunda obra é um tradicional duo de trompete e trombone, desafiante e repleto de variações melódicas e rítmicas. A última é a peça mais famosa para essa formação. Ela reúne uma série de episódios de dança, uma canção de ninar e um rondó um pouco mais movido”.
A série
Lançada no ano passado, a série Música no Museu foi criada para institucionalizar a presença da música de câmara na programação da Ospa. Ela leva ao público repertórios para formações menos numerosas em relação à orquestra, além da produção de compositores que escrevem especificamente para essas formações. Em Porto Alegre, os encontros são promovidos uma vez por mês em parceria com o MARGS. O objetivo da série é também aproximar música, artes visuais e história em um espaço tradicional da cidade dedicado à preservação da nossa história cultural.
Dica – Quem for ao recital poderá apreciar também, além de “Paisagem no Tempo”, as mostras “A trajetória da luz”, de Leon Santos, “Marilice Corona – entre o acervo e o eStúdio”, “No eStúdio – mostra coletiva do Studio P” e “TRAÇO SOLTO – Trânsitos da Arte Naif no Acervo do MARGS”.
Mais informações pelo site www.ospa.org.br ou pelo telefone (51) 32227387.
A Ospa é uma das fundações vinculadas à Secretaria da Cultura, Turismo, Esporte e Lazer do Governo do Rio Grande do Sul (Sedactel/RS). Os concertos da temporada 2017 são patrocinados, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, por Corsan e Banrisul. Apoio: Ipiranga, Thyssenkrupp e Ventos do Sul. A realização é de Ospa, Fundação Cultural Pablo Komlós e Sedactel/RS.
Recital Remendola de Chave e Trio de Metais | Série Música no Museu da Ospa
Quando: 16 de julho, domingo, às 16h30
Onde: Museu de Arte do RS Ado Malagoli – MARGS (Praça da Alfândega, s/n – Centro Histórico)
ENTRADA FRANCA
PROGRAMA
Remendola de Chave, formado por Diego Silveira (Computador) e Paulo Bergmann (Piano)
Cluster de Abertura
Amostra Surubim de Fumaça de Brinquedo
Consolação com Quadros Manuais de Campainha JB Hocus Pocus
Remendola
Singa Dias Nave Canteyopitfall
Fita com Tangodeon de Funk Messias e Sopro Midnight de Canaleão Shadow
Trio de Metais, formado por José Milton Vieira (Trombone), Elieser Ribeiro (Trompete) e Nadabe da Silva (Trompa)
Fernando Morais: Trio de metais Escaleno
Eugene Bozza: Quatre Esquisses
Francis Poulenc: Sonata para Trio de Metais
Trio de Metais, formado por José Milton Vieira (Trombone), Elieser Ribeiro (Trompete) e Nadabe da Silva (Trompa)
Fernando Morais: Trio de metais Escaleno
Eugene Bozza: Quatre Esquisses
Francis Poulenc: Sonata para Trio de Metais -
Editora da UFRGS lança o livro “Nós Outros Gaúchos"
A obra “NósOutros Gaúchos: as identidades dos gaúchos em debate interdisciplinar” será lançada no dia 12 de julho (quarta-feira), às 19h, no Salão de Festas da UFRGS, em Porto Alegre.
O livro origina-se de projeto, de mesmo nome, que promoveu em 2015 um ciclo de debates sobre as identidades regionais, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Os encontros envolveram profissionais da psicanálise, das artes, teatro, cinema, música, história, economia, filosofia, sociologia e educação, promovendo a reflexão, conversas e questionamentos sobre quem somos e como somos e como nos relacionamos.
“NósOutros Gaúchos: as identidades dos gaúchos em debate interdisciplinar”, organizado por Jaime Betts e Sinara Robin (Editora da UFRGS, 352 páginas), será lançado no dia 12 de julho, quarta-feira, às 19h. O evento incluirá uma roda de conversa com os palestrantes sobre questões que lhes marcaram ao longo do ciclo de debates.
A obra reúne textos dos autores que participaram das discussões, dispostos em forma de diálogo, buscando registrar a interação e sobreposição das múltiplas leituras que surgiram do conjunto de atividades, dos autores e das ideias. Além da versão impressa, está prevista também sua publicação em formato digital.
O projeto, que deu origem ao livro, teve sua concepção e execução em um trabalho conjunto entre o Departamento de Difusão Cultural da UFRGS e o Instituto APPOA – Associação Psicanalítica de Porto Alegre e contou com o apoio cultural da Celulose Riograndense. Incluiu um ciclo de debates, exibição de filmes, apresentações de teatro e de música.
O livro
Reúne abordagens interdisciplinares e propõe-se a contribuir para reflexão e compreensão sobre as identidades dos gaúchos, em seus traços mais arraigados, destacando os principais conflitos decorrentes das mesmas, relacionando-se com a ideia expressa pelo jornalista e escritor uruguaio, Eduardo Galeano, “A primeira condição para modificar a realidade consiste em conhecê-la”.
A noção de “bairrista” que se manifesta na forma como os gaúchos relacionam-se entre si e com os “estrangeiros” pode ser motivo de orgulho, mas está na raiz das tensões que minam as relações de confiança, entravam as parcerias, produzem maniqueísmos e impedem o desenvolvimento em diversas áreas.
O título “NósOutros Gaúchos” conferiu uma abertura para diferentes interpretações, desde sua gestação e durante todo o seu percurso (e mesmo depois), que permitiu problematizar o desafio, tornando-o uma questão que se desdobrou em muitas outras. Aponta, por exemplo, que o “eu é um outro” indicando que nossas identidades também vêm do outro, por mais que reconhecer esta alteridade, ao mesmo tempo familiar e estranha, possa ser por vezes incômoda, ou até mesmo insuportável, levando nesse caso a embates mais ou menos violentos.
Outra leitura é a que suscita o “nosotros”, pronome equivalente no espanhol. Isso indicando tanto que “nós somos outros”, quanto nossas identidades resultam do entrelaçamento de diferentes idiomas, como o português e o espanhol, além das línguas e dialetos indígenas e africanos, e mais tarde com o alemão e o italiano com a chegada dos imigrantes ao RS.
Além disso, os gaúchos carregam em sua história o fato de ser um estado de fronteira, de colonização tardia em relação ao resto do Brasil, cuja configuração presente é resultado de tratados, conflitos armados e guerras entre os reinos de Portugal e Espanha pelo território, bem como da escravidão e genocídio dos povos indígenas realizados por ambos os lados. Associado a isso, ainda há as influências da presença africana e dos embates da própria formação política dos períodos imperiais e republicanos.
Debater as identidades dos gaúchos e colocar em questão as dificuldades e desafios, necessariamente tem que ser conduzida sob numa perspectiva interdisciplinar, a partir de quatro princípios norteadores: nenhuma disciplina dá conta do todo; não há hierarquia entre as diferentes disciplinas; ninguém é dono da verdade; e o real é impossível de simbolizar.
Assim, ao longo das páginas, o leitor poderá percorrer as questões propostas em cada um dos encontros, como: Por que colocar NósOutros Gaúchos em questão; quais são nossos sintomas sociais e qual o mal-estar e sofrimento que produzem? Quais são as raízes e seus desdobramentos contemporâneos que conformam a cultura no RS? Quais são as expressões dos conflitos de base do RS em seus diversos campos de expressão cultural? Qual a visão dos outros sobre a cultura gaúcha e os modos de ser dos gaúchos? Quais as questões e sintomas sociais de nossos vizinhos e como os enfrentam?
Os textos articulam respostas a essas e a outras questões sobre NósOutros, sempre inconclusivas por princípio, e levantam novas interrogações na perspectiva de abertura à continuidade dos debates e busca de melhores soluções para nossos conflitos e impasses.
O projeto
O projeto NósOutros Gaúchos, desenvolvido ao longo de 2015, abrangeu um ciclo de encontros no Salão de Festas da UFRGS, que abriga a exposição do Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo. Em cada encontro, a arte dialogou intensamente com o tema. Além dos quadros de artistas contando a história do RS nas telas, participaram do diálogo apresentações de música, performance, teatro e dança.
NósOutros Gaúchos compreende uma plataforma virtual que inclui informações gerais sobre a iniciativa, os encontros, com vídeos e documentos, e pode ser acessada no endereço: www.ufrgs.br/difusaocultural/ nosoutrosgauchos.
Conheça alguns dos palestrantes do ciclo de debates do projeto NósOutros Gaúchos:
Alfredo Jerusalinsky
Ana Costa
Bruno Ferreira
Caterina Koltai
Cesar Augusto B. Guazzelli
Claudia Fonseca
Deborah Finocchiaro
Donaldo Schüler
Eduardo Mendes Ribeiro
Inês Marocco
Jaime Betts
José Miguel Wisnik
José Rivair Macedo
Liz Nunes Ramos
Luís Augusto Fischer
Luiz Osvaldo Leite
Maria Ivone dos Santos
Mario Corso
Mario Delgado
Paulo Gomes
Pedro Figueiredo
Pirisca Grecco
Renato Borghetti e Fábrica de Gaiteiros
Rualdo Menegat
Sinara Robin
Tau Golin
Vitor Necchi
Vitor Ramil
SERVIÇO
Data: 12 de julho (quarta-feira)
Hora: 19h
Local: Salão de Festas da UFRGS – Av. Paulo Gama, 110 – 2º andar.
Para mais informações:
* Departamento de Difusão Cultural da UFRGS – difusaocultural@ufrgs.br
(51) 3308-3034
* Editora da UFRGS – comunicacao-editora@ufrgs.br
(51) 3308-5647
* APPOA – Associação Psicanalítica de Porto Alegre – jup.porto@gmail.com
(51) 3233-4487 e (51) 9 9999-9268 -
Show com João Carlos Assis Brasil e Carlos Navas em tributo a Mesquita e Nazareth
Um dos maiores pianistas brasileiros, João Carlos Assis Brasil e o cantor Carlos Navas, dono de um timbre singular, com rara extensão vocal, trazem a Porto Alegre, no Stúdio Clio, nessa quarta-feira, 12, um show que vem conquistando plateias de Rio de Janeiro e São Paulo: tributo a Custódio Mesquita e Ernesto Nazareth, dois compositores referências quando se trata da memória musical nacional. Os dois músicos se conhecem há 23 anos.
Sobre o espetáculo, o material de divulgação informa:
“ Este show em duo tem sido apresentado com excelente receptividade no eixo Rio- SP. Juntos, reverenciam Custódio Mesquita e Ernesto Nazareth. Curioso é que Nazareth foi ídolo maior de Custódio , que realizou gravações como pianista interpretando a obra do Mestre. Abrindo a noite, João apresenta faixas de “Nazareth Revisitado”, como “Batuque” e “Coração que Sente”. Carlos traz, em sua primeira entrada, “Bambino” e “Odeon”, letradas respectivamente por Wisnik e Vinicius de Moraes. João volta a solar temas como “Brejeiro”, “Faceira” e “Apanhei te Cavaquinho”, entre outras pérolas reunidas em duas suítes. Na sequência, a delicadeza melódica de Custódio se faz lembrar em clássicos gravados no CD de Navas, caso de “Velho Realejo” (com Sadi Cabral), “Mentirosa” e “Nada Além” (com Mário Lago) e “Saia do Caminho” (com Evaldo Ruy), de cuja letra foi tirada a faixa título do álbum. Depois de um bis que reserva surpresas, os artistas conversarão com o público e autografarão seus cd´s.
Um encontro que esbanja refinamento, sofisticação e cumplicidade.”
Os artistas
São 23 anos de amizade iniciada antes de Carlos Navas ser cantor. Então agente de Alaíde Costa, ele produziu o show que reuniu João Carlos e a Diva brasileira no Rio Jazz Club, extinta casa noturna na zona sul carioca. Em 1996, Navas iniciou uma carreira musical, firmando se como um dos mais versáteis intérpretes brasileiros. Dono de um timbre singular, com rara extensão vocal e um repertório de extremo bom gosto, lançou dez álbuns. Possui dois cds infantis, “Algumas Canções da Arca…” (2004) e “Canções de Faz de Conta” (2007), respectivamente dedicados a Vinicius de Moraes e Chico Buarque. A memória musical é sempre lembrada em seus projetos. Fugindo do lugar comum dos tributos em geral, reverenciou o grande cantor Mario Reis em 2007, com “Quando o Samba Acabou” e, posteriormente, Custódio Mesquita em 2011, com o Cd “Junte tudo que é Seu …”, gravado em voz e piano. Em 2013, chega ao mercado o registro em DVD da participação no antológico programa televisivo “Ensaio”, criado e dirigido por Fernando Faro, transmitido pela TV Cultura (SP). Em 2015, lança seu décimo álbum, o acústico “Crimes de Amor”.
Pianista de formação erudita, João Carlos Assis Brasil é irmão gêmeo do saxofonista Victor Assis Brasil e começou a estudar piano ainda na infância. Aos 15 anos, já era acompanhado por orquestras em concertos. Foi aluno de Jacques Klein e aperfeiçoou os estudos em Londres, Paris e Viena. Na década de 60, na Áustria, ganhou o terceiro prêmio do Concurso Internacional. Beethoven, tocando em seguida com a Filarmônica de Viena e excursionando pela Europa. Mesmo consagrado como concertista clássico, envolveu-se com a música popular, tocando ao lado de outros instrumentistas — como os pianistas Clara Sverner e Wagner Tiso ou o violonista Turíbio Santos — e de cantores — Ney Matogrosso, Zé Renato, Alaíde Costa, Olivia Byington. Na década de 80 gravou discos a quatro mãos ao lado de Clara Sverner: um com músicas de Erik Satie e Scot Joplin (1982), outro incluindo o norte-americano Gershwin e os franceses Maurice Ravel e Gabriel Fauré. Em seguida veio “Jazz Brasil” (1986), com total ênfase no popular, incluindo obras de Tom Jobim, Radamés Gnattali e Victor Assis Brasil.
Dois anos depois, ao lado de Wagner Tiso, Jaques Morelenbaum e Ney Matogrosso, lançou “Floresta do Amazonas”. Em 1990, quase dez anos depois da morte precoce do irmão (em 1981), gravou o disco “Self Portrait — Assis Brasil por Assis Brasil”, em que trouxe à tona composições inéditas de Victor. Em Maio de 2013, estreia o Concerto “Nazareth Revisitado” – em homenagem aos 150 anos de Ernesto Nazareth ( o criador do tango brasileiro) – em São Paulo, a convite de Carlos Navas, que, juntamente com Alaíde Costa, é convidado especial e produtor do projeto, que se transforma em CD independente (distribuído pela Tratore) lançado no final do mesmo ano, recebendo elogios unânimes da crítica especializada.
SERVIÇO
SHOW DE JOÃO CARLOS ASSIS BRASIL E CARLOS NAVAS.
12 DE JULHO – QUARTA FEIRA – 21 HS
STUDIO CLIO : José do Patrocinio, 698 – Cidade Baixa – Porto Alegre
Informações: 51. 3254 7200 – www.studioclio.com.br
INGRESSOS: De R$ 60 a 80,00
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Concerto da Ospa Jovem amanhã no São Pedro tem ingressos esgotados
No dia 11 de julho, terça-feira, às 20h30, o grupo orquestral da Escola de Música da Ospa se apresenta com sua formação completa pela primeira vez neste ano. No programa, regido por Arthur Barbosa, compositores de diversos estilos, de Verdi a John Williams.
Sucesso de público em edições anteriores, a série de concertos da Ospa Jovem – Orquestra Sinfônica do Conservatório Pablo Komlós / Escola de Música da Ospa ganha sequência no dia 11 de julho, terça-feira. A partir das 20h30, o Theatro São Pedro recebe a sinfônica, que se apresenta pela primeira vez neste ano com sua formação completa. O maestro Arthur Barbosa conduz um programa com peças orquestrais tradicionais, além de obras contemporâneas como a “Suíte Star Wars”, de John Williams. A entrada é gratuita, e as senhas de ingresso já estão esgotadas. No dia do evento, será formada uma fila de espera para a entrada.
O programa inicia com a “Fanfare” do balé “La Peri”, do francês Paul Dukas (1865-1935). Depois, a “Sinfonietta” de Harald Genzmer (1909-2007), obra para orquestra de cordas, ganha destaque, seguida pela emblemática abertura da ópera “Nabucco” de Giuseppe Verdi (1813-1901). A trilha de “Star Wars”, de John Williams (1941-), dá sequência à apresentação, que termina com duas obras latino-americanas: a “Suíte Nordestina” de Duda do Recife (1935-) e “Conga Del Fuego Nuevo” de Arturo Márquez (1950-).
Sobre a Ospa Jovem
O grupo é regido pelo maestro Arthur Barbosa e tem como diretor artístico Evandro Matté. Formada principalmente por alunos da Escola, a orquestra é parte essencial da formação musical oferecida pela instituição. É na orquestra que os alunos têm contato com o repertório orquestral, o que é fundamental para a sua profissionalização na área da música de concerto.
A Ospa Jovem vem realizando uma série de concertos anualmente, cumprindo também importante papel social ao realizar apresentações gratuitas em teatros, museus, hospitais, igrejas e outras instituições. Em 2015, venceu o “Prêmio Funarte de Apoio a Orquestras”, reconhecimento nacional.
Sobre a Escola de Música da Ospa
Fundado em 3 de março de 1972, o Conservatório Pablo Komlós, cujo atual diretor é Diego Grendene de Souza, é referência de qualidade no ensino musical no Rio Grande do Sul. A escola é gratuita e tem como público-alvo crianças e jovens de 8 a 25 anos. Trata-se da única instituição de ensino voltada para a formação de músicos de orquestra no Estado, oferecendo a estudantes a oportunidade de profissionalização na área.
Arthur Barbosa (regente)
Violinista, compositor e regente, Arthur Barbosa integra a Ospa desde 1998. Foi membro de mais de dez orquestras profissionais e spalla em algumas delas. Suas obras têm sido executadas em mais de quinze países. Já regeu orquestras como a OSBA (Bahia), Filarmônica de Granada (Espanha), OSPB (Paraíba) e Terra Symphony Orchestra (Nova Iorque). Desde fevereiro de 2012, ocupa o cargo de Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Eleazar de Carvalho em Fortaleza (CE) e, desde março de 2014, é regente da Ospa Jovem.
A Ospa é uma das fundações vinculadas à Secretaria da Cultura do Governo do Rio Grande do Sul (Sedac/RS). Os concertos da temporada 2016 são patrocinados, via Lei Federal de Incentivo à Cultura, por Vonpar, Ipiranga, Gerdau, Souza Cruz, Banrisul e Corsan. A realização é de Ospa, Fundação Cultural Pablo Komlós e Sedac/RS.
Concerto da Ospa Jovem
Quando: 11 de julho de 2017, terça-feira, às 20h30
Onde: Theatro São Pedro (Praça Mal. Deodoro, s/n – Centro, Porto Alegre)
ENTRADA FRANCA
As senhas de ingresso já estão esgotadas. No dia do evento, será formada uma fila de espera para a entrada.
PROGRAMA
Paul Dukas: “La Peri” – Fanfare
Harald Genzmer: Sinfonietta
Giuseppe Verdi: ”Nabucco” – Abertura
John Williams: Suíte Star Wars
Duda do Recife: Suíte Nordestina
Arturo Márquez: Conga del Fuego Nuevo
Regente: Arthur Barbosa -
Oficinas de animação para crianças no Centro Histórico
Durante todos os sábados do mês de julho, a partir do dia 8, na sede da Pocilga Filmes, acontecerá o projeto Animação em Família. Serão realizadas oficinas de animação com: Flipbook, também conhecido como cinema de bolso, Zootropo, um brinquedo óptico criado no séc. XIX, Pixilation, animação quadro a quadro em fotografia e massinha, animação com massa de modelar.
OFICINAS: ANIMAÇÃO EM FAMíLIA
- Horário: aos sábados, das 14hs às 18hs
- 08/07 – Flipbook com José Maia
- 15/07 – Zootropo com Fabiano Pandolfi
- 22/07 – Pixilation, com Fabiano Pandolfi
- 29/07 – Massinha, com James Zortéa
- Valor de cada oficina: R$ 80 por participante (4 horas)(20 horas/aula)
- Informações e inscrição através do email: contato@pocilga.org
- Local: Pocilga Filmes (Av. Borges de Medeiros, 343/82, Centro, Porto Alegre)
Nas oficinas, onde cada criança deve estar acompanhada de “seu” adulto, os pequenos descobrirão os processos por trás da criação de um desenho animado, as várias técnicas existentes e por fim, experimentarão algumas etapas deste processo com o familiar. Através de uma viagem na história da animação, serão ensinadas as técnicas básicas de animação com exemplos práticos e divertidos.
A Pocilga Filmes é um espaço destinado à produção audiovisual e pesquisa das artes, que traz novidades para os interessados em cinema de animação. Em breve, o curso será formatado para atender escolas.
As oficinas serão ministradas pelos professores José Maia, Fabiano Pandolfi e James Zortéa, profissionais que tem uma longa trajetória no universo animado.
As inscrições podem ser feitas através do email: contato@pocilga.org. As aulas acontecerão na Pocilga, localizada no Centro Histórico (Av. Borges de Medeiros, 343/82), aos sábados, das 14h até às 18h.
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Homenagem a Luciana de Abreu, a primeira que ousou falar em público
No dia 11 de Julho a Câmara de Vereadores de Porto Alegre e a Biblioteca Pública Estadual se unem ao Partenon Literário para marcar os 170 anos de nascimento da professora porto-alegrense Luciana de Abreu. Confira abaixo a programação:8h30 – Abertura da exposição “Luciana de Abreu” na Câmara de Vereadores – São 12 banners demonstrando a época e o papel da primeira mulher a falar em público em Porto Alegre.15h – Evento no Salão Mourisco, Biblioteca Pública Estadual, com palestra sobre Luciana de Abreu com a sócia partenonista Gerci Godoy e interpretação de discurso da homenageada por Marcela Bonifácio, 3ª prenda juvenil da 11ª Região Tradicionalista.As atividades têm entrada franca.A importância de Luciana de Abreu:Nasceu em 1847, foi colocada na Roda dos Expostos da Santa Casa, formou-se no Instituto de Educação, foi professora e sua aula era a de maior frequência em Porto Alegre, casou, teve dois filhos e faleceu em 1880.Foi membro do Partenon Literário onde realizou discursos de emancipação feminista, sendo a primeira mulher a falar em público na Província.Divulgação: Benedito Saldanha – Presidente Partenon Literário
