Higino Barros
“Eugênio Neves é um dos maiores desenhistas do Brasil”. Quem faz essa afirmação é Edgar Vasques, por sua vez, um dos maiores desenhistas que o Rio Grande do Sul já produziu, artista consagrado internacionalmente. Só o comentário já dá uma mostra do poder de fogo de Eugênio Neves, que nessa sexta, feira, dia 16, lança no bar Tutti Giorni, o livro “Somos Todos Bonecos”.
A excelência do trabalho de Neves, reconhecida por todos seus pares de profissão, é fruto de uma longa vivência com o desenho, muita prática, estudo e busca de um estilo e de traço identificável para quem o vê. Sua predileção por desenho com bico de pena, vem de três mestres contemporâneos dessa técnica, confessadamente assumidos: o estadunidense Brad Holland, o francês Rolland Torpor e o romeno Eugene Mihaescu.
Técnica fundamental
“Vejo o bico de pena como uma técnica fundamental, tanto por ser uma das manifestações básicas do desenho, quanto pela simplicidade dos meios que ela necessita para a sua execução. Um graveto com uma ponta afilada e qualquer mistura que faça às vezes de tinta já são suficientes para produzir uma imagem”, explica o artista.
Paralelo ao seu trabalho como desenhista, Eugênio Neves exerceu atividades de programador visual, publicitário e ilustrador editorial em veículos de Comunicação da capital, como Coorjornal, Diário do Sul, Jornal do Comércio e Zero Hora. Além de integrar um grupo que trabalhava com teatro de bonecos.
Atualmente é ilustrador e editor autônomo, prestando serviço para entidades sindicais, empresas, publicações e editoras. É um dos fundadores da Grafar (Grafistas Associados do RS) e membro atuante, desde a primeira edição, do Salão Internacional de Desenho para a Imprensa.
O artista, por Edgar Vasques
“Eugênio Neves é um dos maiores desenhistas do Brasil. Mestre consumado na técnica do desenho com bico de pena, levou esse recurso a um raro grau de excelência, aproximando seus resultados da precisão e da beleza da água-forte. Exercitando uma espécie de realismo expressionista, capaz de usar a perfeita representação de qualquer tema ou material (metal, couro, madeira, etc.), através dos valores de luz e sombra, perspectiva, etc., produz ilustrações de enorme significado visual e conceitual. Para isso, faz uso seguro das características dessa técnica, especialmente a construção de gradações e volumes via hachuras e variações na espessura do traço.
Trabalhando há mais de trinta anos como ilustrador, cartunista, designer e bonequeiro, domina inteiramente também as técnicas da colagem, do uso da madeira e de materiais plásticos e os recursos eletrônicos de criação e tratamento de imagens. A variedade e abrangência de seu trabalho incluem, portanto, desde a criação de imagens gráficas estilizadas, de vocação bidimensional, até o design de superfície e a confecção de objetos tridimensionais, como bonecos e acessórios. As características de toda essa produção são o impressionante rigor técnico, o talento criativo e a inegociável vocação esclarecedora.
De fato, fazendo uso, conforme o caso, de um humor severo, da ilustração didática ou da caricatura tridimensional, Eugênio age sempre no sentido de informar, clarear e desvelar a realidade, bem como denunciar as tentativas de mistificá-la. Como em todo o grande artista, no caso de Eugênio o discurso e a prática guardam uma admirável coerência. Essa postura o colocou desde cedo como referência para várias gerações de colegas, pela lucidez que faz dele um pioneiro em momentos e questões importantes. Por exemplo, bem antes da preocupação com a preservação ecológica estar na ordem do dia, inclusive entre os artistas e cartunistas, Eugênio não só tratava do assunto em seu trabalho como o vivia no seu comportamento diário segundo uma lógica de economia de meios e não desperdício, para espanto de muitos desavisados. O tempo mostrou cabalmente que ele tinha toda a razão…
Essa vocação desmistificadora aparece com sombria clareza no presente livro: como um Hieronimus Bosch laico, Eugênio monta um impressionante conjunto de imagens onde nenhum alívio é tolerado, nenhum desvio ou tergiversação ameniza ou distrai a crueza da exposição dos mecanismos insanos que tendem a transformar humanos em monstros. En passant, vai criando algumas obras-primas (como a “Pietá” profana da página 113) que nos servem de lembrete do papel fundamental do artista no seu contexto. Em suma, um raro artista, versátil e coerente, cuja obra é e seguirá sendo referencial para os que com ele convivem e para os que ainda virão”
SERVIÇO
Lançamento do livro SOMOS TODOS BONECOS de Eugênio Neves
Dia 16/06/17, a partir das 19h30
Local: Tutti Giorni Bar
Escadaria da avenida Borges de Medeiros, 710
Categoria: HOTSITE JÁ Cultura
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Artista gráfico Eugênio Neves lança “Somos todos bonecos”, nessa sexta-feira
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Documentário sobre a Liga dos Canelas Pretas tem sessão única no Capitólio
Matheus Chaparini
O filme abre com um poema de Oliveira Silveira seguido por dados estatísticos sobre a população no Rio Grande do Sul e no Brasil, deixando claro que o mote é o futebol, mas a discussão é mais ampla, sobre racismo e a inserção do negro na sociedade gaúcha. O documentário “A Liga dos Canelas Pretas” tem pré estreia nesta quarta-feira na Cinemateca Capitólio. A exibição será às 19h30 com entrada franca. O documentário tem duração de 26 minutos e foi financiado pelo BRDE através da Lei Rouanet.
No início do século XX, os negros não eram aceitos nos clubes de futebol comandados por brancos. Surgiu assim, em Porto Alegre, aquela que ficou conhecida como a Liga dos Canelas Pretas. “Era a Liga de Futebol Porto-Alegrense, que a imprensa branca sacana na época apelidou de Liga dos Canelas pretas. E essa liga não era aceita pelos brancos”, explica Antonio Carlos Textor, roteirista e diretor do documentário.
Os clubes que integravam a liga eram de redutos negros de Porto Alegre como a Colônia Africana, hoje ironicamente chamada de bairro Rio Branco e a região da Ilhota – onde hoje estão o centro cultural batizado Lupicínio Rodrigues, criado naquela região, e o Ginásio Tesourinha, que tem o nome do importante jogador de futebol, negro, que foi ídolo do Sport Club Internacional, dos Eucaliptos e do Grêmio Foot Ball Porto-Alegrense, do Estádio da Baixada. A liga foi criada na década de 1910 e durou até 1924.
O documentário tem como foco a liga criada em Porto Alegre, mas resgata também os primórdios do futebol no Brasil.“O início do movimento negro em relação ao futebol foi em Rio Grande. Os marinheiros que vinham nos navios ingleses buscar e trazer carga no porto, nas horas vagas, pegavam uma bolinha e iam para um campo. Como eram poucos, eles convocavam os estivadores para completar o time e os caras começaram a tarar pelo futebol. E formaram um time deles”, conta Textor.
A maior dificuldade enfrentada por Textor foi conseguir imagens. “Ninguém tem”, sentenciou o cineasta após muita pesquisa. O filme se baseia em depoimentos, fotografias e algumas imagens encenadas. O senador Paulo Paim, o músico Giba Giba e o Joaquim Lucena, que foi coordenador de Manifestações Populares da Secretaria Municipal de Cultura, são alguns dos entrevistados.
Antônio Carlos Textor é cineasta há mais de 50 anos. Em 1963, lançou seu primeiro curta-metragem, “Um homem e seu Destino”, pelo Foto Cine Clube Gaúcho. De lá pra cá, são cerca de 30 títulos em sua filmografia.
“Minha preocupação sempre foi abordar temas sociais, principalmente temas urbanos, da população marginal, população pobre.”
Após o pré-lançamento, Textor planeja uma temporada de exibições do documentário, fora do circuito das salas de cinemas, em escolas e pontos de cultura. Outro projeto são cópias do filme, com legendas em espanhol, para distribuir para outros países da América Latina. -
Documentário sobre poetisa Primavera das Neves em debate no Sarau Elétrico
Na próxima terça-feira, 13 de junho, o Sarau Elétrico, no bar Ocidente, recebe a diretora e o montador de “Quem é Primavera das Neves”, Ana Luiza Azevedo e Giba Assis Brasil, para uma edição do Sarau da Vida Real.
Recebem a dupla da Casa de Cinema de Porto Alegre, Luis Augusto Fischer, Diego Grando e Katia Suman, que lerão trechos de obras de não ficção.
A reconstrução de parte da vida de uma pessoa que possuía histórias tão incríveis quanto às que traduzia, este é o documentário Quem é Primavera das Neves, que estreia nas salas comerciais em 15 de junho.
Primavera veio para o Brasil aos nove anos quando os pais fugiam da ditadura de Franco e Salazar. Aos 18 anos volta a Portugal e se apaixona por um jovem tenente português, Manoel Pedroso. E é Manoel quem revela outros detalhes dessa história: a vida dele com Primavera em Portugal, a resistência à ditadura Salazarista, o exílio na embaixada brasileira, a fuga para o Brasil pouco antes do golpe de 1964 com uma filha de seis meses no colo.
Primavera morreu aos 48 anos, falava seis idiomas, traduziu mais de oitenta livros e deixou uma obra poética até então inédita. Uma vida curta, intensa, com um tanto de aventura e muita melancolia. Para partilhar um pouco da produção de Primavera, Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, diretores do filme, convidaram a atriz Mariana Lima que lê trechos de traduções e poemas da escritora.
Em março de 2010, Jorge Furtado publica em seu blog, indagando quem pode ter notícias sobre a tradutora de Alice no País das Maravilhas, Primavera das Neves, cujo nome o fascina. O projeto surgi daí.
Pedro Furtado assina ao lado de Jorge o roteiro do documentário, que tem direção de fotografia de Alex Sernambi, montagem de Giba Assis Brasil, som direto de Rafael Rodrigues, direção de produção de Bel Merel, trilha original de Mauricio Nader, pesquisa de Lilian Ferrari e desenho de som Kiko Ferraz Studios.
A canja especial fica por conta de João Maldonado, Claudio Calcanhoto e Marcio Bolzan, com muito jazz. O evento inicia às 21h com ingressos a R$ 15,00. -
Inscrições abertas para a Oficina de Choro do Santander Cultural
A Oficina de Choro do Santander Cultural é uma das mais longevas iniciativas de educação musical no País. São 14 anos de atividades ininterruptas. As inscrições para o segundo semestre de 2017 estão abertas.
Coordenada pelo músico Mathias Pinto, reúne na equipe os professores Elias Barboza, Samuca do Acordeon, Guilherme Sanches, Lucian Krolow e Alexandre Susin.
Para incentivar a postura criativa e a formação de multiplicadores desse estilo genuinamente brasileiro, aulas práticas específicas são ministradas: sopros, violão, cordas solo, pandeiro e percussão e cordas base estão no programa, que traz turmas de canto popular, teoria musical e formação de novos grupos.
Os encontros são totalmente gratuitos, quartas-feiras e sábados, para alunos de todas as idades e níveis. Avalia-se o desempenho no instrumento escolhido mas, principalmente, o grau de musicalidade e interesse do aluno.
Aos sábados, a partir das 15h, a Oficina está aberta ao publico em geral para apreciação musical, num espaço que os alunos se apresentam no formato de Regionais e Bandão. No primeiro semestre já passaram mais de 500 pessoas pela Oficina.
Oficina de Choro Santander Cultural
Aberto ao público e gratuito
Quartas das 10h as 16h
Sábados das 14h as 17h
Apreciação musical todos os sábados, das 15h as 17h
Site: www.oficinadechoro.com.br
E-mail: oficinadechorosantander@gmail.com
Contato: (51) 995620271
Santander Cultural
Rua Sete de Setembro, 1028 | Centro Histórico
Porto Alegre RS Brasil 90010-191
Telefone: 51 3287.5500
Horário de funcionamento
Ter a sexta, das 10h às 19h
Sábados e Domingos, das 14h às 19h
Bilheteria: ter a dom, das 14h às 19h
Não abre aos feriados -
Lila Borges canta a mulher brasileira, com convidadas especiais
Uma das cantoras mais ativas no cenário musical de Porto Alegre, Lila Borges se apresenta nesse sábado, no Meme Santo de Casa, com uma edição inédita de seu show “Mulher Popular Brasileira”. O destaque da apresentação única é a participação de duas musicistas gaúchas com estilos diferentes e o espaço privilegiado dedicado à composições gaúchas.
As convidadas são a compositora gaúcha Nanda Rosmaniño, que recentemente lançou clipe de sua nova música, “Canção das Mina” e a rapper Negra Jaque que completa a mistura bem feminina e brasileira.
Fruto de uma pesquisa constante sobre a atuação da mulher na história da música no Brasil, o show “Mulher Popular Brasileira” resgata obras assinadas por mulheres, e apresenta curiosidades e informações relevantes sobre as composições e suas autoras.
No palco, Lila fala de mulheres que desafiam o debate sobre questões políticas e sociais. “Mulheres fortes que posicionaram-se com enfrentamento corajoso e, acima de tudo, artístico”, define.A principal presença no repertório são compositoras contemporâneas, como Tulipa Ruiz, Maria Gadu e Pitty. “São artistas que cantam os desafios das mulheres na música da atualidade”, avalia Lila.
A apresentação acontece em um cenário composto pela artista plástica Lisi Fangueiro especialmente para esta edição do show, inspirado nas canções do repertório.
O projeto já originou duas apresentações artísticas. Em novembro de 2016, Lila Borges levou ao público um trabalho inédito que reuniu as mulheres do grupo Iyalodê Idunn, do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, enfatizando a contribuição das mulheres negras na história da música brasileira. No segundo show, a cantora trans Valéria Houston foi convidada a levar ao palco a atual problemática que envolve gênero e sexualidade.
A artista defende que “a música brasileira tem uma importante contribuição vinda das mulheres que lutaram para produzir música, enfrentaram a discriminação e imprimiram sua marca na história”.
SERVIÇO
Show :“Mulher Popular Brasileira”
Quando: Sábado 10 de junho de 2017, 21h
Onde: Meme Santo de Casa – Rua Lopo Gonçalves, 176 – Cidade Baixa
Ingressos: Inteiro: R$25,00, Antecipado: R$ 20,00 e Meia entrada: R$ 12,50
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Animação no foco de curso de roteiro/storyboard em junho
A Pocilga Filmes abre as inscrições para a 2ª Edição do “Curso de Roteiro/Storyboard – Séries de Animação”. O curso desvenda o processo de criação e as especificidades da construção narrativa em séries animadas, com o diretor e roteirista Frederico Pinto. Haverá a participação especial do animador José Maia, que ficará encarregado de aproximar o roteirista e a função do artista de Storyboard.
CURSO DE ROTEIRO/STORYBOARD
- Inscrições até dia 16 de junho
- Aulas: 19, 20, 21, 22 e 23 de junho (das 18h30 às 22h30)
- Valor do investimento: R$ 575,00 (20 horas/aula)
- Professores: Frederico Pinto e José Maia
- Informações e inscrição através do email: contato@pocilga.org
- Local: Pocilga Filmes (Av. Borges de Medeiros, 343/82 , Centro, Porto Alegre)
Através de conceitos teóricos, exercícios de escrita e dinâmicas de grupo, o aluno terá contato com técnicas de roteiro e métodos de criação utilizados para o desenvolvimento de séries de animação no mercado brasileiro e internacional.
O curso é voltado para profissionais do audiovisual, estudantes de cinema e apaixonados por histórias do universo animado, ou seja, saber desenhar não é um pré-requisito.
Sobre os professores
Frederico Pinto foi roteirista e diretor do longa “As Aventuras do Avião Vermelho”, supervisor de história da primeira temporada de “Dino Aventuras”, série infantil exibida no Brasil pela Disney Jr, supervisor de roteiro da série “Tainá” e consultor da série pernambucana “Pedrinho e a Chuteira da Sorte”.
José Maia, trabalha como animador há mais de 30 anos, co-dirigiu com Frederico Pinto “As Aventuras do Avião Vermelho” e assinou a direção de animação do longa “Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll”. -
De Chico a Bob Dylan, 35 retratos em exposição no SESC Centro
Retratos de 35 ídolos das artes compõem exposição Ícones, de Graça Craidy, no Café SESC Centro
A exposição Ícones, da artista plástica Graça Craidy, reúne 35 retratos de figuras referenciais da música, das artes, da cultura. De Mick Jagger a Frida Kahlo, de Chico Buarque a Sigmund Freud, de Amy Winehouse a Belchior. Na produção a artista trabalhou com acrílica, pintura digital, pastel oleoso, nanquim e aquarela. A abertura da mostra é no dia 6/6 (terça-feira), às 19h.


Graça integra o projeto internacional colaborativo Julia Kay’s Portrait Party, junto com artistas de vários países que se dedicam com paixão ao retrato. Recentemente, o projeto lançou o livro Portrait Revolution, que mostra 450 retratos de autoria de 200 artistas, numa profusão de estilos.
Sobre ícones, Graça diz que a sociedade, cada vez mais midiatizada, necessita eleger ídolos como se fossem deuses. “Através deles transportamo-nos a uma dimensão metafísica que transcende a banalidade do cotidiano e nos transforma também em figuras míticas e eternas, nutridos das qualidades dos super-heróis que escolhemos idolatrar”.
A artista tornou-se conhecida por suas coleções de pinturas sobre violência contra a mulher Livrai-nos do Mal e Até que a Morte nos Separe. Já expôs em vários espaços, entre eles, Centro Municipal de Cultura, CCMQ, Usina do Gasômetro, Assembleia Legislativa e Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo.

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Serviço:
O quê: Exposição Ícones, de Graça Craidy
Quando: Abertura 6 de junho, às 19h
Visitação: Até 12 de julhoOnde: Café do SESC Centro, Alberto Bins, 665, Porto Alegre/RS
Horário: de 2ª a 6ª, das 8 às 20 h e, em dias de teatro, até a abertura do espetáculo.
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Blog de Wladymir Ungaretti disponibiliza memória fotográfica e afetiva de Porto Alegre
Higino Barros
Logo que se aposentou da Faculdade de Comunicação da UFRGS, no final de 2016, o professor de Jornalismo e fotógrafo Wladymir Ungaretti passou a se dedicar de forma integral a um projeto acalentado há tempos: disponibilizar ao público seu imenso acervo de fotografias, documentos e publicações jornalísticas e culturais que acumulou nos últimos 50 anos.
O resultado é o blog www.pontodevista.jor.br, com novo formato desde janeiro de 2017, com renovação quase diária de conteúdo. São mais de 1.500 fotografias já postadas. De produção própria são 20 mil negativos de filmes fotográficos, dos quais cerca de quatro mil estão digitalizados, a partir de 2005.
Apaixonado pelo Centro de Porto Alegre, principalmente pelo Largo Glênio Peres e arredores, Ungaretti se especializou em fotografar o que ele denomina de “os invisíveis”. Geralmente moradores de rua, mendigos, deserdados da sociedade de consumo, gente sem glamour e sem a beleza da estética predominante.
Voyer da vida
“Sou um voyer da vida”, define-se Wladimir. Ele fotografa de perto, pede autorização a seus retratados e procura estabelecer um diálogo com o modelo da fotografia. “Às vezes faço cópias dessas fotos e presenteio, quando tenho oportunidade, a quem fotografei. É uma experiência única a reação deles.”
Na sua paixão pelo centro de Porto Alegre, há espaço especial para o Mercado Público. Ele vem realizando o mapeamento humano e arquitetônico do local, cuja parte superior está interditada desde 2013, pelo incêndio ocorrido no lugar.
Outro espaço de sua predileção no Centro é a Rua da Praia, confluência com a Esquina Democrática (avenida Borges de Medeiros). São locais da cidade que, segundo ele, refletem agudamente as transformações ocorridas na capital gaúcha, principalmente em seus tipos humanos.
“Primeiro vieram os grupamentos de índios, agora existe a leva dos haitianos e grupos de africanos. É uma população de imensa riqueza cultural, jogada na luta pela sobrevivência”, comenta o fotógrafo.
Preto e branco
A maioria das fotos são em preto e branco, sua opção estética também para a série de fotos que faz sobre prédios, construções e edificações da cidade. “Procuro um certo grafismo nessas composições. Compor uma paisagem, dar um formato gráfico, com enquadramentos simples, em cima da concretagem urbana, é sempre um desafio”, observa.
Rostos, em geral femininos, e uma série dedicada a erotismo, completam os seis eixos de fotografias autorais do blog de Ungaretti. Ele posta igualmente reproduções de revistas brasileiras a partir dos anos 1950, tornando acessíveis reportagens, fotografias, artigos e conteúdo de publicidade que fazem parte da memória impressa nacional.
Ele conta que em sua experiência de professor de Jornalismo sempre procurou instigar seus alunos a fotografar o mundo real. “O universo da fotografia digital é imenso e com toda sua oferta é fascinante, mas também é muito fútil. É o reinado do filtro. É um território muito egocêntrico, de muita vaidade. Procuro ir contra essa tendência”, conclui Wladymir Ungaretti.
Ungaretti torna-se referência na área a que se dedica. Ele não desiste de sonhar com uma parceria com uma instituição que amplie ainda mais o seu alcance. Afinal, assim como na fotografia, sonhar não é proibido. -
Trajetória de Arthur Bispo do Rosário é lançada em livro que percorre o mundo.
A Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul promove novo lançamento do livro “Tecendo a Sanidade: o caso Arthur Bispo do Rosário” no dia 07 de junho de 2017, às 17h00, na sua sedena rua Sarmento Leite, 933, Cidade Baixa.
O livro foi lançado Feira do Livro de Porto Alegre e em Portugal. Sobre as andanças do livro na Europa, a autora, Eliane Tonello, escreveu o relato abaixo:
“Há 108 anos, no dia 14 de maio, em Japaratuba, interior de Sergipe, nascia Arthur Bispo do Rosário. Homem forte, descendentes de escravos africanos que viveu a infância e boa parte da juventude com a família. Levado pelo pai para ingressar na Marinha brasileira e, como sinalizador, teve a oportunidade de conhecer uma boa parte do mundo.
A fonte de inspiração para confeccionar as obras, durante aproximadamente 50 anos na Colônia Juliano Moreira, vinha de memórias e da potência de suas raízes guardada dentro de si. Afastado da sociedade, desfiava os uniformes de cor azul e revestia objetos, bordava peças de vestuário, faixas de misses, e a principal obra, o Manto da Apresentação.
E para homenageá-lo, apresento o meu livro “Tecendo a Sanidade: o caso Arthur Bispo do Rosário”, estudo complexo sobre a convergência entre condições psiquiátricas e a expressão artística de Bispo. É um livro com 82 páginas e nele você encontra considerações da editora, minha autobiografia, desenhos, ecos da visita ao Museu Arthur Bispo do Rosário e texto de Paulo Amaral.
Compartilho que no mês de março, estive em Lisboa para o lançamento da obra, ocasião em que pôde apresentá-la a instituições portuguesas e a leitores de vários países, presentes no evento em que foi lançado o livro.
Antologia lusófona
O que me impulsionou foi o convite para participar da Antologia Internacional Lusófona, organizado pelo Jornal Sem Fronteiras, que leva a arte e a cultura em todos os estados brasileiros e em 27 países, quando comemorava seu 4º aniversário. Na ocasião também recebi a homenagem com Troféu Imprensa Sem fronteiras – Categoria Literatura – por fomentar a cultura ao longo do ano de 2016 e Menção Honrosa com o poema “Viagem Intrauterina”.
Durante os seis dias de estadia em Portugal, o sol se mostrou em todos. As atividades foram intensas, propiciando o encontro com novos amigos, de diferentes partes do mundo. Tivemos momentos enriquecedores! Ao avistar a estátua do Marques do Pombal, a herança de nossa cultura veio à mente, e o que se encontrava apenas abordado em livros estava ali, concreto, na minha frente.
Após percorrer as ruas limpas e sem buracos, os encantados mosaicos sob os plátanos nus, o meu livro chegou ao acervo do Instituto Camões (nome em homenagem ao memorável poeta português Luís Vaz de Camões). No caminho até o Museu da Farmácia, fiquei maravilhada com os prédios e os azulejos coloridos. O bonde elétrico e o moderno percorriam os trilhos sem interromper o fluxo de carros de passeio, tuk-tuk turístico e taxis. Tinha espaço para todos.
Durante o encontro com Escritores Lusófonos houve a exposição do livro aos escritores brasileiros, italianos, americanos, angolanos, eslovenos, argentinos e suíços. Em meio a aplausos intensos, os presentes ficaram impressionados com a história e o percurso desde a pesquisa até o lançamento. Muitos artistas plásticos mostraram-se surpresos com a história de Arthur Bispo do Rosário, a maior parte não o conhecia.
Proximidade do público
O lançamento do livro e a sessão de autógrafos aconteceram no dia 16 de março, no Hotel Mundial. Foi um momento de proximidade do público com a obra. Algumas pessoas, ao folhá-la, lembraram de eventos significativos na história familiar. Foi um momento especial e de muita emoção!
Depois de alguns dias vivendo em um lugar que caminhávamos nas ruas sem medo, o caixa de banco com acesso ao ar livre, castelos preservados, prédios coloridos com preservação de fachadas, monumentos históricos sem pichações, o metrô subterrâneo ligando uma ponta a outra da Europa, sem ruas congestionadas e lixo nas calçadas, com ar primaveril, os caules a brotar, a viagem chegava ao fim. Chegava o momento de retornar a Porto Alegre, Brasil.
Por acreditar ter a missão de mostrar a história de Arthur Bispo do Rosário ao mundo, o livro seguiu viagem. No mês de abril de 2017, esteve pela stand A.C.I.M.A, no Salão do Livro em Milão, de 18 à 22 de maio de 2017 no XXX Salão Internacional do Livro de Torino – Itália, de 2 a 4 de julho na Feira Literária de Impèria na Itália e, de 6 à 10 de dezembro estará no Encontro Internacional em Roma. E pela Cultive, esteve entre 28 a 30 de maio de 2017, no 31º Salão do Livro e da Imprensa de Genebra-Suíça e outros”.
Mais informações no site “Caminhos de Escrita” – elianetonello.wordpress.com -
Aniversário do Clube de Cultura tem final de semana cheio de atrações
O Clube de Cultura comemora 67 anos com uma intensa programação cultural. As atividades iniciam na sexta-feira e vão até o domingo, com atrações para todas as idades. Tem lançamento de documentário, oficina de poesia, shows musicais, circo e debates.
Nesta sexta-feira, as atividades têm início às 19h30, com o lançamento do documentário curta metragem Sena, os Fios em Prosa, sobre a vida do bonequeiro Antônio Carlos Sena, seguida da apresentação do seu TIM (Teatro Infantil de Marionetes).
Às 21h15, o grupo Encruzilhada do Samba apresenta o pocket show Treta: Wilson X Noel – o duelo musical entre Wilson Batista e Noel Rosa.
A confraternização de aniversário será no sábado: Déborah Finocchiaro abre a noitada, seguida de show com Nanci Araújo, Neusa Ávila e Edilson Ávila.
Domingo dedicado ao público infantil a partir das 15h, com oficina de poesia para “crianças e acompanhantes”. A partir de 6 de junho, o Clube passa a oferecer oficina de artes plásticas e poesia para crianças.
A grande atração da tarde é a volta do tradicional Cirquinho do Clube, uma tradição dos primórdios do Clube de Cultura que está sendo retomada. Na sequência, o grupo Acronon apresenta seu projeto Música, Cinema e Memória, musicando ao vivo dois filmes mudos.
Toda a programação tem entrada franca. O Clube de Cultura fica na Ramiro Barcellos, 1853.
Confira a programação completa:
26/05 – Sexta-feira
19h30min – Lançamento do documentário Sena, os Fios em Prosa
20h – Apresentação do grupo Teatro Infantil de Marionetes (TIM)
20h30min – Bate-papo com Cesar Dorfman e Claudia Porcellis Aristimunha (Museu da UFRGS)
21h15min – Apresentação de Encruzilhada do Samba, com pocket show Treta – Wilson X Noel
27/05 – Sábado
21h – Apresentação de Déborah Finocchiaro
21h20min – Show com Nanci Araújo, Neusa Ávila e Edilson Ávila
Confraternização após as apresentações
28/05 – Domingo
15h – “Poesia criativa para crianças e acompanhantes” , oficina ministrada por Ana Tedesco, 1h30 (maiores informações arteirospoa@hotmail.com)
16h30min – Cirquinho do Clube – Picardias a Granel, com os palhaços Arruela e Cirigüela, e Apresentação de Ursulus, o Violinista
18h – Apresentação do Projeto Música, Cinema e Memória com o grupo Acronon, performando dois filmes mudos
