A Rádio Cultura FM de Porto Alegre substituiu o programa “Cantos do Sul da Terra” pelo “Cultura do Sul da Terra”, que foi ao ar pela primeira vez, nesta segunda-feira (9), agora sem os comentários de Demétrio Xavier, criador e apresentador a partir de 2011 de um repertório único na radiofonia riograndense.
No primeiro “Cultura do Sul da Terra”, no mesmo horário (13/14h), a “rádio pública dos gaúchos” mesclou músicas em português e espanhol mas, ao contrário do que faz em toda a programação, não divulgou os nomes dos autores e cantores das canções, inclusive algumas contendo crítica social e revolta explícita contra os poderosos.
Evidentemente, faltaram as falas de Demétrio Xavier, músico profundamente identificado com a cultura dos dois lados do Rio da Prata, por aqui conhecido como Paraná e Uruguai.
Uma das cantoras escaladas para a estréia do mesmo/novo programa foi Clary Costa, que cantou o clássico Flor de Canela. Se fosse no formato original, Demétrio Xavier esclareceria que Clary, com sua e bela extensa voz, “tem a quem puxar”, já que é a mãe de Yamandu Costa, o violonista.
Descartado do elenco de apresentadores da FM após a extinção da Fundação Piratini, Demétrio Xavier voltou às origens — funcionário do Tribunal de Justiça do Estado — mas é possível que os seus Cantos do Sul da Terra passem a ser veiculados em outra emissora.
A Cultura está anunciando “cara nova”, que implica na saída de outra figura, Paulo Moreira, que estava no ar há 18 anos com a Sessão Jazz (20-22h todos os dias). Em seu lugar vai entrar um programa de uma hora com conteúdo jazzístico mas sem comentarista. (G.H.)
Categoria: HOTSITE JÁ Cultura
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FM Cultura mantém os Cantos do Sul sem Demétrio Xavier
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Uma performance artística entre tanques de guerra e carros de combate

Aorista Andressa Cantergiani usa instalações do Museu do Exercito.Foto: Divulgação
Paralelo à sua exposição recém-lançada Aorista, na Galeria Ecarta, a artista Andressa Cantergiani, estreia na terça-feira, 10, a performance duracional Combate.
A artista passará oito dias entre tanques de guerra, carros de combate e objetos bélicos, vestindo apenas uma roupa branca, no Museu do Exército.
A performance procura formar um contraponto entre o universo militar (patriarcal) e suposta fragilidade do corpo da mulher.
Além disso, estabelece relação com os movimentos feministas mundiais 8M Brasil e Women’s March, que têm posicionamento de luta política pela situação da mulher na sociedade atual.
Andressa tomou partido do Dia Internacional da Mulher escolhendo oito mulheres do campo das artes que levarão cada uma, um kit por dia de livre escolha com alimentos para o corpo e para a alma até quarta-feira (18.07).
A performance tem entrada franca e haverá transmissão ao vivo no canal de Andressa no YouTube, com acesso na Galeria Ecarta pelo QR Code (em anexo).
A próxima ação paralela será uma conversa com a artista e Francisco Dalcol, curador da mostra, no dia 24, às 18h, na Ecarta.
A exposição Aorista pode ser visitada até o dia 29 e reúne fotografias, projeções, exibições em vídeo e objetos tridimensionais relacionados às ações de Andressa.
Horários de visitação do Museu do Exército (Rua dos Andradas, 630)
Terça a quinta-feira – 10 às 17h
Sexta-feira – 10 às 12h
Sábado e domingo 13h30 às 17h -
Feira Literária é aberta oficialmente na Assembleia Legislativa
Na noite de quarta-feira (4), o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marlon Santos (PDT), abriu oficialmente a primeira edição da Feira Literária do Parlamento gaúcho. A cerimônia ocorreu no hall de entrada do Palácio Farroupilha, onde, até o dia 10 de julho, a maioria da programação será realizada. Antes dos discursos, houve apresentação com o grupo Sopapo Poético, projeto da Associação Negra de Cultura que, desde 2012, celebra o protagonismo negro em rodas de atuações, reflexões e convivência.
O presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro, Isatir Bottin Filho, e a presidente do Instituto Estadual do Livro, Patrícia Langlois, parabenizaram a Assembleia pela iniciativa e afirmaram que as entidades são parceiras para novos projetos.
Durante a solenidade, foi inaugurada a Geladeiroteca, projeto que consiste em disponibilizar livros dentro de uma geladeira, que ficará no hall de entrada do Palácio Farroupilha. Adesivada com mensagens de estímulo à leitura, a Geladeiroteca deverá servir como um ponto de referência para quem deseja ler gratuitamente e deverá ter caráter permanente na Casa.
Confira a programação dos próximos dias:
05/07 – Quinta-feira- 13h30 às 18h30 – Comercialização de livros
Local: Hall de entrada da Assembleia Legislativa - 17h – Sessão de autógrafos e lançamento do livro A Arte do Medo, de Dilan Camargo
- 17h – Sessão de autógrafos do livro Tuiatã, de Hilda Simões Lopes
06/07 – Sexta-feira
- 9h às 13h – Comercialização de livros
Local: Hall de entrada da Assembleia Legislativa
09/07 -Segunda-feira
- 13h30 às 18h30 – Comercialização de livros
Local: Hall de entrada da Assembleia Legislativa - 14h – Apresentação do projeto ambiental que gerou o projeto de livro no catarse O canto de Gil, O macaco bugio, de Cíntia GarciaLocal: Hall de entrada da Assembleia Legislativa
- 15h30 – Contação de histórias com Bárbara Catarina
Local: Hall de entrada da Assembleia Legislativa - 17h – Sessão de autógrafos do HQ A menina do Circo Tibúrcio, do cartunista Santiago
Local: Hall de entrada da Assembleia Legislativa - 17h30 – Intervenções do espetáculo Eu, Pessoa e o outros Eus, com Jairo Klein
Local: Hall de entrada da Assembleia Legislativa - 18h30– Palestra Importância da Leitura e Valorização da Vida com a monja Chagdud Khadro
Local: Plenarinho
10/07 – Terça-feira
- 13h30 às 18h30 – Comercialização de livros
Local: Hall de entrada da Assembleia Legislativa - 17h – Sessão de autógrafos do livro A reinventora de Histórias, com contação e apresentação das pinturas originais que compõem a obra infantil, com texto de Márcia Mocellin e ilustrações de Suzel Neubarth
Local: Hall de entrada da Assembleia Legislativa
- 13h30 às 18h30 – Comercialização de livros
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44 fotógrafos e suas visões do IN-finito, em coletiva no Memorial
A partir dessa sexta-feira , 06, abre no Memorial do Rio Grande do Sul a mostra coletiva IN – finito. São imagens de 42 fotógrafos gaúchos e um carioca, com reflexões sobre os conceitos de Finito e Infinito.
Com projeto e curadoria do arquiteto e artista visual Anaurelino Barros Neto, e do fotógrafo Jorge Aguiar como curador adjunto, a exposição propõe um diálogo com o público por meio das construções de cada artista.
Segundo Anaurelino a mostra foi concebida a partir do seu projeto de pesquisa sobre o tema Finito – Infinito, em 2016. A exposição apresenta o olhar dos fotógrafos em relação a esses conceitos, cujas teorias foram elucidadas por dezenas de filósofos e pensadores ao longo da história da Filosofia e da Literatura.
“O IN-finito foi, muitas vezes, definido e visto como uma abstração, que vai da simbologia matemática ao indecifrável, ao inatingível, ao que chamariam de Uno. Já o Existencialismo define o homem como temporal, feito para morrer. Portanto, o Finito é tratado como o fim de tudo, desse modo o homem necessita encontrar um sentido para sua existência. Para François Soulages, fotografia contemporânea é uma articulação entre o irreversível e o Inacabável. Em IN-finito, que terá tem como convidado especial Francisco Marshal (Studio Clio) e a estreia de Bryan de Lacerda, trataremos como algo que remete à solidão humana, à sensação de estarmos sempre sós”, explica Anaurelino Barros Neto.

Foto de Marcus Jung/Divulgação Processo de seleção:
Os curadores visitaram diversos estúdios fotográficos, além de contatos via Instagram e E-mail. Mais de cinco mil imagens foram examinadas para chegar a essa concepção expositiva. Foram realizadas também entrevistas e interlocuções entre alguns participantes, que optaram por uma proposta mais arrojada de instalações, em um discurso não convencional. “Caminhos dinâmicos serão percorridos pelo olhar do espectador na criação de ilhas na parede, em uma mesma linguagem, resgatando um novo olhar dos artistas dentro do proposto pelos curadores” – revela Anaurelino Barros Neto.
Nomes da mostra
ADRIANO BASEGIO – ALEXANDRE ECKERT – ALEXANDRO AULER – ANA ROCHA – AVANI STEIN – BEATRIZ DONELLI – BRAGANÇA – CARLOS EDUARDO VAZ – CLAITON FERREIRA – DENISE WICHMANN-DOUGLAS FISHER – FERNANDO KLUWE DIAS – FREDY VIEIRA – GERALDO MARKES – GILBERTO PERIN – GUTEMBER OSTEMBERG- GUTO MONTEIRO – HELOISA DA COSTA MEDEIROS – IVANA WERNER- JORGE AGUIAR – JOSUE MONTEIRO — LEANDRO FACCHINI – LEONARDO KERKHOVEN – LUCCA CURTOLO – MANOELA C. BRANCO -MARCUS YUNG – MARIS STREGE – NILTON SANTOLIN – PAULO MELLO- RICARDO FILLIPON – RICARDO WILLRICH – ROBERTA AMARAL -SERGIO BOHRER – SILVY BERTOJA – TIAGO ANTONIAZZI – TIAGO CJAQUES – WANDER ROCHA – WANDERLEY OLIVEIRA – WILLIAM CLAVIJO -ZÉ ANDRE – ZEZE CARNEIRO – Convidado especial Prof. Dr. FRANCISCO MARSHALL (Studio Clio ) – Apresentando BRYAN de LACERDA.

Foto de TiagoCJaques/Divulgação Anaurelino Barros Neto é egresso do Instituto de Artes Visuais (UFRGS), com ênfase em Desenho, e formação em Arquitetura e Urbanismo pela Unisinos. Realizou cursos de Escultura com Xico Stockinger, Vasco Prado e Iole de Freitas. Além de Desenho, com Fernando Baril e Ubiratã Braga. Participou de Simpósios e Curso de Curadoria e Museologia com Lani Goeldi, em São Paulo. Realizou quatro exposições individuais de Desenho e Fotografia, além de dezenas de coletivas no Brasil. Ganhou Prêmios em Desenho nos XV e XVI Salão do Jovem Artista, da Listel e da Fundação Zoobotânica do RS. Barros Neto realizou diversas curadorias em espaços institucionais e galerias de arte de Porto Alegre, Gramado e Canela – com destaque a Identidade Desenho (2015 e 2016), Men e Via Láctea, além de Ethnos – Fragmentos do Homo Sapiens, em abril deste ano no Memorial do RS. Atualmente trabalha em projetos culturais nas Artes Visuais, em Porto Alegre, como artista e curador independente.
IN – finito
Mostra coletiva de fotografias
De 06 de julho a 19 de agosto, no segundo andar (Sala Múltiplos Usos)
De terça a sábado (10 h às 18 h); domingos e feriados (13 h às 17 h).
Memorial do Rio Grande do Sul
Praça da Alfândega – Porto Alegre
Entrada franca
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Graça Craidy mostra a força dos seus retratos em “A mulher que roubava almas”
HIGINO BARROS
Artista plástica de extensa e constante produção, Graça Craidy mostra a partir da terça-feira, 3 de julho, uma vertente poderosa de seu trabalho ao longo de uma trajetória de quase 30 anos de produção, os retratos. Dessa vez, em grande estilo, num dos lugares nobres de Porto Alegre para exposição, o Centro Cultural dos Correios e Telégrafos, em mostra com 115 obras.
A curadoria é da própria artista plástica, conhecedora mais do que ninguém da extensão de sua produção, dos seus recortes e suas peculiaridades. Segunda ela, para esse trabalho de curadoria teve uma assistência informal do pintor Fernando Baril, que está com outra exposição grandiosa nas proximidades, no Margs e que aprovou seu trabalho.
“A mulher que roubava almas” é uma exposição dividida em 11 módulos, sendo quatro inéditos. O título da mostra se baseia no fato que os aborígenes acreditavam que ser retratados por provocava o roubo de suas almas. Pela mesma razão, a arquitetura marroquina não registra figuras, apenas arabescos.

Quadro da série “Retratos da Morte”. Foto: Divulgação
Grande painéis
Em “Retratos da Morte”, a expressão chocante e desoladora de mulheres assassinadas por seus companheiros. Em “Retratos do Desespero”, a violência contra a mulher é retomada em uma série que aponta os crimes denunciados pela Lei Maria da Penha. O tema também está presente em “Retratos da Violência”, em manifestações contra o estupro e espancamento. Graça expõe ainda os inéditos “Retratos da Guerra”, onde aparecem a dor e itinerância sem rumo dos refugiados da Síria.
Em “Retratos da Diversidade”, grandes painéis de 1,60m x 1m mostram a beleza e a multiplicidade do ser humano, com obras que revelam a expressividade de personalidades como a cantora Pabllo Vittar. Os “Retratos do Amor” trazem beijos clássicos de cinema, como nos filmes Casablanca, La Dolce Vita, A um Passo da Eternidade e Bonequinha de Luxo. Os também inéditos “Retratos do Expressionismo” e “Retratos da Arte” são homenagens da artista a nomes que a inspiram como Iberê Camargo e o próprio Fernando Baril, e a grandes mulheres, como Elis Regina, Clarice Lispector e Virgínia Woolf. A admiração pelos pássaros, gatos e flores está em “Retratos da Natureza”.
Em suas mais recentes obras, a inventividade e a observação de quem retrata o sentimento humano afloram. Em “Retratos da Paixão”, Graça explora o vício de beber café em retratos nos quais a bebida aparece como matéria-prima inusitada. A série inédita “Retratos da Solidão” revela um olhar sobre o abandono da velhice em flagrantes de velhos e velhas nas janelas da cidade, uma uma expressão de compaixão da retratista que não rouba as almas, mas as coloca em evidência.
Grandes mestres
Natural de Ijuí, publicitária formada na PUCRS na década de 1970, Graça sempre esteve ligada à criatividade. Trabalhou por 20 anos em agências de propaganda de São Paulo, onde também fez seu primeiro curso de desenho. Conheceu de perto as obras dos grandes mestres em viagens ao exterior.
De volta à capital gaúcha, lecionou na ESPM e ingressou no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre. Paralelamente, fez cursos na Accademia D’Arte, em Florença, na Itália, e no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista, entre outros aprimoramentos contínuos. Suas obras já estiveram em mais de 40 exposições, em espaços como o MACRS, Memorial do RS, Paço Municipal, Assembleia Legislativa, Galeria Duque e Galeria Gravura. “A mulher que roubava almas” é a primeira que reúne toda sua produção em uma montagem retrospectiva, incluindo obras inéditas.
“Cada vez que desenho um rosto é como se acariciasse o mais profundo humano que habita aquela criatura,” afirma a artista, que se confessa apaixonada pela figura humana. Discípula de Dalton de Luca, Renato Garcia, Will Cava, Gustavo Diaz, Paulo Chimendes, Ana Lovatto, Daisy Viola, Deborah Paiva e Fernando Baril, Graça bebe em diversas técnicas e utiliza vários materiais, como aquarela, nanquim, pastel e até café, para expressar sua passionalidade e seu ativismo.
Segundo o material de divulgação, como artista Graça Craidy não deixou de ser comunicadora, e usa sua obra também para exercer crítica social. A temática do feminino e da violência contra a mulher estão presentes em sua trajetória e estarão em evidência na exposição. Também o olhar perplexo sobre a natureza faz parte de suas criações, em retratos de flores e pássaros.
Em suas mais recentes obras, a inventividade e a observação de quem retrata o sentimento humano afloram. Em “Retratos da Paixão”, Graça explora o vício de beber café em retratos nos quais a bebida aparece como matéria-prima inusitada. A série inédita “Retratos da Solidão” revela um olhar sobre o abandono da velhice em flagrantes de velhos e velhas nas janelas da cidade, uma expressão de compaixão da retratista que não rouba as almas, mas as coloca em evidência.

Obra da série “Retratos da Paixão”. Foto: Divulgação
SERVIÇO
Exposição: A mulher que roubava almas
A artista plástica Graça Craidy apresenta sua trajetória em 115 retratos divididos em 11 módulos: Retratos do Amor, Retratos da Diversidade, Retratos da Violência, Retratos da Morte, Retratos do
Desespero, Retratos da Guerra, Retratos da Natureza, Retratos das Artes, Retratos do Expressionismo, Retratos da Paixão e Retratos da Solidão.
Período: de 3 a 31 de julho, de terça a sábado, das 10h às 18h
Abertura: terça, 3 de julho, às 18h
Local: Espaço Cultural Correios, localizado no térreo do Memorial do Rio Grande do Sul (entrada pela Rua Sepúlveda, no Centro Histórico, Porto Alegre).
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Autores do documentário "Faces de um conflito" conversam com o público, no Margs
“Conversas no Museu” nessa terça-feira, 26, exibe o documentário “Faces de um Conflito”, às 16h, no auditório do MARGS.
A organização é da Associação de Amigos do MARGS e do Núcleo Educativo do Museu. O evento contará com a presença dos roteiristas André Auler e Xavi Cortès e do fotojornalista Alexandro Auler para um bate-papo sobre o filme.
As vagas, gratuitas, são limitadas a 70 lugares, por ordem de chegada e não é necessária inscrição. “Faces de um Conflito” é um documentário que mostra a experiência do fotojornalista Alexandro Auler durante o mês que esteve em Kobane, cidade na fronteira da Síria com a Turquia.
O documentário vai além de apenas uma fotografia do conflito na região. A proposta é revelar também como foi a chegada na cidade junto com jornalistas de outras partes do mundo e como vive aquele povo que se considera curdo em meio a toda destruição.
O filme ainda mostra homens e mulheres civis que se tornaram soldados e arriscam suas vidas lutando contra o Estado Islâmico; o ritual dos funerais e a celebração do Newroz (o Ano Novo Curdo). Tudo isso pela visão de um fotógrafo brasileiro.
O documentário conta também com depoimentos do videomaker iraniano Soran Qurbani e entrevistas de soldadas que rejeitaram as imposições culturais machistas e lutam pelo seu território na mesma posição dos homens. É uma história de resistência e esperança.
Faces de um Conflito conquistou 7 indicações entre Seleção Oficial, Semi-finalista e Finalista e 7 prêmios internacionais como: – Hollywood International Independent Documentary Awards (Melhor Documentário Estrangeiro e Melhor Direção em setembro de 2016) – Los Angeles CineFest (Melhor filme votado pelo público e pelo júri) – Headline International Film Festival (Ganhou o Golden Cine Award, prêmio máximo deste festival) – Top Indie Film Awards (Melhor Curta Documentário e Melhor Montagem na edição de outubro de 2016) – The Monthly Film Festival (2º lugar no Festival em Glasgow no Reino Unido em setembro/outubro de 2016).
O documentário tem 40 minutos de duração e foi escrito e dirigido por André Auler, com edição de Xavi Cortès e produção da Deeper Produções.
SERVIÇO
Conversas no Museu – Faces de um Conflito;
Convidados: André Auler, Xavi Cortès e Alexandro Auler;
Dia: 26 de junho de 2018;
Hora: 16h;
Local: Auditório do MARGS;
Vagas: 70 lugares, por ordem de chegada. Entrada Franca. -
Margs expõe 160 obras de Fernando Baril
O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli apresenta a exposição “BARIL 70 Anos”, comemorativa aos 70 anos do artista Fernando Baril, com vernissage no dia 26 de junho, às 19h, de entrada franca. A mostra, com curadoria de José Francisco Alves, exibe 160 obras do artista e pode ser visitada de 27 de junho a 4 de setembro de 2018, nas Pinacotecas do MARGS. As pinturas foram realizadas do final dos anos 1970 ao presente, com a presença mais forte dos trabalhos atuais.
O porto-alegrense Fernando Baril (23 de maio de 1948) é um dos mais populares e admirados pintores do Rio Grande do Sul, construindo sua obra como uma crítica à sociedade de consumo, numa linguagem particular que não se insere a movimentos ou modismos artísticos.
Trajetória do artista
Entre os poucos artistas gaúchos que vivem somente de seu trabalho, Fernando Baril passou pelo Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, com Xico Stockinger e Paulo Porcella, realizando estudos também em universidades da América do Norte, em
Vancouver (Canadá) e Los Angeles (EUA).
Sua formação mais importante foi na Real Academia de Bellas Artes de San Fernando, em Madri, Espanha (1978-79).
Em meados da década de 1980, Baril já tinha abandonado a pintura abstrata pela qual havia recebido prêmios e reconhecimento, produção a qual o crítico Carlos Scarinci chamou de “informalismo renovado”. Como poucos de sua geração, ele em seguida moveu-se no sentido inverso, ao figurativismo. Esta sua nova produção teve grande impulso nos quatro anos que viveu e produziu intensamente em Nova Iorque, entre 1988 e 1992, marcando a característica da obra em que o artista é plenamente reconhecido.
Fernando Baril com sua obra atua como um cronista. Ele analisa a sociedade de consumo, com seus absurdos e preconceitos. Em 1996, Luís Fernando Veríssimo assim falou sobre o artista: “Nada é irreal na pintura de Baril. Tudo o que está lá está no mundo, quando não está na sua casa. Antes de inventar, ele faz um inventário. Mas você nunca viu coisas assim. Tudo é rigorosamente claro e ao mesmo tempo escrachadamente alegórico, engraçado e perturbador. Ele não é surrealista, não”.
SERVIÇO
BARIL’70 Anos
Artista: Fernando Baril
Curador: José Francisco Alves
Abertura: Dia 26 de junho, terça-feira, às 19h
Visitação: De 27 de junho a 4 de setembro, de terças a domingos das 10h às 19h
Local: Pinacotecas do MARGS.
Entrada franca -
Sai a quinta edição do Guia Histórico de Porto Alegre
GERALDO HASSE
Em palestra para cerca de 40 fãs (entre eles filhos, netos e o bisneto) na manhã de sábado (23), o historiador Sergio da Costa Franco autografou a quinta edição do Guia Histórico de Porto Alegre, lançado originalmente há 30 anos.
Desta vez o livro foi editado com recursos próprios, sem incentivos de leis culturais, pela Edigal, dirigida por Ivo Almansa, proprietário, também, das Livrarias Erico Verissimo e Martins Livreiro.
Em palestra durante o evento, o autor de 83 anos fez uma retrospectiva dos mapas da cidade em seus primeiros 150 anos.
O pioneiro foi uma planta simples desenhada em 1825 e que desapareceu na esteira de uma longa questão jurídica entre a prefeitura e os herdeiros do açoriano considerado o fundador da cidade.
“Acredito que essa planta tenha sido suprimida pelos herdeiros que reclamavam a posse de uma área enorme — onde hoje está o Parque da Redenção”, afirma o autor do Guia, lembrando que a pendência só foi resolvida no final do século XIX.
A segunda planta foi feita em 1836 e republicada em 1839, no período em que Porto Alegre esteve sitiada pelos farrapos. Nela estão sinalizadas as trincheiras dos defensores da cidade considerada “mui leal e valerosa” pelo governo imperial.
Dessa última planta consta também o projeto de um loteamento da área equivalente ao Parque da Redenção, ideia recusada pela prefeitura porque esse lugar era reservado para exercícios militares.
Curiosamente, observa o historiador, a cidade homenageia vários dos atacantes e silencia sobre vários dos seus defensores.
O mais notório injustiçado é o portoalegrense Francisco de Abreu, o Chico Moringue, que ganhou o título de Barão do Jacuí mas não consta como nome de rua.
No Cristal há uma Rua Chico Pedro, mas esse Chico não é o Moringue e, sim, um oficial da Brigada Militar que viveu meio século depois de findo conflito entre caramurus e farroupilhas.
Em 1844, finda a Guerra dos Farrapos, que foi vencida pelo Barão de Caxias com a ajuda do general Bento Manuel Ribeiro, o “Bento Vira-Casaca”, uma reunião da Câmara de Vereadores realizada na Praça da Azenha (hoje Praça Princesa Isabel) definiu três novos eixos de expansão da cidade: eram as avenidas que mais tarde levariam os nomes de Bento Gonçalves, Carlos Barbosa e Cavalhada.
Em 1868 um novo mapa trouxe novos nomes de ruas. A Rua da Praia passou a chamar-se Rua dos Andradas; a cidade ganhou a rua Sete de Setembro em homenagem à data da Independência; e foi nomeada a Rua Riachuelo em alusão à principal batalha da Guerra do Paraguai (1864-70), conflito que inspirou também a criação da rua Voluntários da Pátria.
Em 1881 uma nova planta já identificava a existência de novos bairros criados sob influência do transporte coletivo por veículos tracionados por burros, serviço inaugurado em 1873. Uma das linhas principais seguia pela Voluntários da Pátria no rumo de chácaras que se estendiam para os lados de Canoas.
Em 1890, um novo mapa registra o incremento na expansão da cidade. Aparece pela primeira vez a Avenida Independência, que se chamava Estrada da Aldeia dos Anjos – primeiro nome de Gravataí. Mais tarde o Caminho do Meio (para Viamão) seria batizado com o nome de Protásio Alves.
No mapa de 1896, consta a existência de quatro prados (hipódromos) em diversos pontos da cidade — as corridas de cavalos eram a principal diversão da cidade: Menino Deus (atual sede da Secretaria da Agricultura); Boa Vista (no Partenon); Independência (Moinhos de Vento, atual Parcão); e Navegantes, de existência efêmera, pois já não aparece em mapa de 1906, no qual constam diversos “arraiais” – da Glória (da República), de Teresópolis e dos Moinhos de Vento.
Em 1909, o mapa de Porto Alegre registra a fixação de trilhos para circulação dos bondes elétricos, que “promovem uma revolução na cidade”, afiança o historiador.
As linhas férreas do transporte coletivo chegam a algumas zonas antes mesmo dos moradores, que são atraídos por loteamentos promovidos pela Cia Força e Luz.
Atendendo a reclamações dos pequenos acionistas da Cia Carris, o Correio do Povo denuncia o favorecimento dos grandes acionistas Manoel Py e seu genro Possidonio da Cunha, acusados de ganhar mais com a especulação imobiliária do que com o serviço de transporte de passageiros. Para se defender dos ataques de Caldas Jr., dono do Correio, os acionistas da Carris e da Força e Luz lançam o jornal O Diário, que marcou época na cidade.
Em 1920, é editado por Afonso Ferreira de Lima o mapa histórico de Porto Alegre que pela primeira vez diferencia os cinco distritos do centro histórico, estrangulado por becos que privilegiavam a circulação de pedestres e impediam o trânsito de automóveis – o primeiro veículo motorizado apareceu em 1916. “Os becos mediam 12 palmos de largura”, explica o historiador, lembrando que havia becos longos. O Beco da Cadeia, por exemplo, ia da Santa Casa à rua Marechal Floriano. Já o Beco do Rosário ligava a Praça da Matriz à atual Rua Dr. Flores.
Após os sucessivos mandatos de José Montaury, que governou a cidade por 27 anos, os novos administradores abriram ruas e avenidas para a livre circulação do automóvel — em 1925, fora lançado o “popular” Ford modelo T, um carro rústico, “quase um jipe”, que custava cinco contos, o equivalente a cinco vencimentos de um desembargador, na época.
“Os prefeitos que tiraram as algemas da cidade foram Otavio Rocha e Alberto Bins”, lembra Sergio da Costa Franco, citando como uma das obras mais marcantes a passagem da Avenida Borges de Medeiros sob o Viaduto Otavio Rocha, construções de 1928. Também no centro foi aberta a Avenida Julio de Castilhos para ajudar no acesso ao cais do porto.
Nascido em 1935 em Jaguarão e morador de Porto Alegre desde os sete anos de idade, Sergio da Costa Franco viu a cidade crescer extraordinariamente a partir de 1950, quando começaram a chegar – por barcos, trens, automóveis, ônibus e caminhões, e também a cavalo ou em carroças – os milhares de novos habitantes originários de cidades do interior e principalmente das zonas rurais.
“Nas últimas décadas”, afirma o historiador, “Porto Alegre não cresceu, inchou”.ResponderResponder a todosEncaminhar -
Avani Stein mostra o poder da agulha e da linha, no Café do Porto
Higino Barros
Fotógrafa consagrada, Avani Stein mostra outra vertente de sua produção artística: uma exposição com figuras abstratas, geométricas ou quadradas, de humanos, de animais e outras composições que sua imaginação extrai, feitas de linha, agulha, fios e muitas ideias na cabeça.
São 15 peças expostas a partir da terça-feira, 26, às 19h, no Café do Porto, na Padre Chagas 293, em trabalhos que não podem ser definidos simplesmente como bordados. A mostra fica 15 dias no local.
Há peças cujo suporte é plástico, um material demonizado devido aos danos que provoca ao meio ambiente, mas no qual Avani vê uma possibilidade de extrair arte. A maioria do suportes dos seus bordados é de tecidos poucos valorizados, como chitas, pano de prato, tules e o que lhe cai nas mãos.
Ela conta que não tem um plano estabelecido ao produzir suas obras, não faz um croqui do que vai bordar. Tudo vai saindo espontaneamente. O resultado final ela só tem ideia depois de pronto.

Obra de Avani Stein/ Reprodução
Atividade feminina
O bordado, ao longo da história da humanidade, tem sido uma atividade predominantemente feminina e expressa em muitas civilizações milenares, como a chinesa, a indiana e a egípcia, entre outras, o grau de cultura, arte e riqueza material de sua população. Tanto em vestes como em outras diversas utilizações.
Avani Stein desmistifica um pouco essa visão, ao bordar em material descartável ou pouco valorizado na sociedade de consumo e transformá-lo em obra que instiga, diverte, encanta e traz uma nova visão do poder de uma linha, agulha e toda a imaginação do mundo.
O Café do Porto tem uma longa tradição em abrigar exposições de artistas gaúchos e situado em um local nobre da capital gaúcha, a avenida Padre Chagas, acrescenta à oportunidade de desfrutar e consumir arte, um lugar adequado para ótimos momentos de lazer.

Obra de Avani Stein / Reprodução
SERVIÇO:
Exposição de Avani Stein
Dia 26, 19 horas
Café do Porto (Padre Chagas 293- Moinhos de Vento)
Data: de 26 de junho a 13 de julho.
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Uma revista de turismo, uma história de resistência
GERALDO HASSE
Iniciava-se o governo Sinval Guazzelli quando o secretário de Turismo, Roberto Eduardo Xavier, sugeriu a alguns amigos jornalistas a criação de um veículo capaz de integrar arte, lazer e turismo.
Nasceu assim em 1975 em formato pequeno (14 x 20 cm) a revista Programa, criada pela editora Intermédio, que produzia jornais para empresas, sob a liderança de Políbio Braga em sociedade com Ana Amélia Lemos e Isnar Ruas.
Por sua origem e natureza, Programa sempre foi uma publicação “chapa branca”, que circulava sob a chancela oficial mas explorava também filões alternativos no amplo espaço aberto para o jornalismo, a arte, a cultura, o lazer e o turismo, que abria os caminhos, como uma espécie de síntese de tudo.
O mercado de publicações institucionais era disputado por outros grupos profissionais, inclusive pela Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre (Coojornal), que tinha entre sua dúzia de clientes o poderoso Sindicato dos Bancários dirigido por Olivio Dutra, futuro prefeito da capital e governador do Estado.
Nos seus melhores anos, a revista Programa saiu com 120 páginas e teve tiragens de 15 mil exemplares por mês. “Cansei de viajar ao interior para fazer reportagens”, recorda Ayres Cerutti, um dos mais antigos colaboradores de Programa e seu atual diretor-mantenedor.
Ele assumiu a revista há cerca de 15 anos, quando Políbio Braga anunciou a disposição de fechá-la, caso não encontrasse alguém disposto a mantê-la em circulação.
Mesmo tendo de encarar um passivo trabalhista, Cerutti assumiu o que ainda parecia um negócio de futuro. A sede ainda funcionava num conjunto de salas da Galeria Chaves, um dos grandes pontos da Rua das Andradas, no centro da capital.
Entre seus anunciantes, a revista Programa tinha muitos restaurantes e boates da Avenida Farrapos e adjacências. Por circular principalmente em redutos da gastronomia e da boemia, ficou conhecida como a pequena notável da noite portoalegrense.
De fácil manuseio, era útil e charmosa, impressa em cores em papel couché. Não tinha similar nem concorrente. Não era molestada nem pelo Jornal da Noite, tablóide editado em papel de imprensa pelo jornalista Danilo Ucha, colunista de Zero Hora e do Jornal do Comércio.
O declínio começou de forma imperceptível, afirma Cerutti, sem precisar o ano em que o problema apareceu. No início, a perda de um ou dois anunciantes parecia normal, mas na sequência ocorria outra defecção e, assim, aos poucos, se tornou impossível reverter a retração mais ou menos generalizada dos clientes.
Desde quando vem esse processo? Difícil precisar, mas não há dúvida de que o fenômeno se precipitou no atual governo gaúcho.
Olhando retrospectivamente, não há dúvida de que a queda da revista acompanha a crise dos veículos impressos provocada pela ascensão da mídia digital, que se intensificou nos últimos dez anos. Nesse tempo, o editor da revista foi enxugando os custos operacionais, culminando com a transferência da redação da Galeria Chaves para sua casa na Avenida Duque de Caxias.
No seu estágio atual, que pode ser definido como o mais crítico de sua história de 43 anos, a revista encolheu a ponto de abandonar a periodicidade mensal. Na realidade, Cerutti está testando um novo formato (pôster dobrável, sem grampo na dobra de página) que favorece a edição de mapas de bairros centrais de Porto Alegre. Desde que obtenha 12 anunciantes que cubram o custo da gráfica, Programa circula e vai em frente com a periodicidade “eventual” que caracteriza tantos veículos antes mensais. Enquanto isso, o editor trabalha para fortalecer o site www.programa.com.br.
