Felipe Uhr
“Por que nasceu o Fórum Social Mundial”?
Com essa pergunta Oded Grajew, um dos idealizadores do Fórum Social Mundial, abriu seu discurso durante o debate realizado no climatizado auditório do Araújo Viana.
Grajew criticou a riqueza concentrada. “Não tem sentido”, reclamou. Entretanto, a sociedade não consegue reagir para mudar esse quadro.
Lembrou que o evento surgiu para oferecer propostas a fim de mudar o estado das coisas, mas perdeu o vigor ao longo de seus 15 anos. “O Fórum Social Mundial está em crise”, admitiu.
O empresário israelense naturalizado brasileiro repetiu várias vezes ao longo de sua fala que o FSM está sem foco. “ Reconhecer isto é fundamental”, avaliou.
A auto-critica é importante para que se abram novos caminhos. “Gostaria que essa crise fosse reconhecida, o que ainda não ouvi em nenhuma das intervenções aqui”, criticou.
Sem reconhecer a crise e fazer a auto-crítica, “não teremos força para mobilizar corações a fim de um mundo melhor”.
Não será fácil. “Vai doer, vamos sofrer e cortar na carne, mas é assim que vamos levar adiante este evento”, concluiu.
Porto Alegre berço do evento
O idealizador do Fórum também recordou porque Porto Alegre foi escolhida sede do evento mundial. Salientou o engajamento progressista da cidade e as conquistas populares importantes, como o Orçamento Participativo. Citou o atual prefeito, José Fortunati, e antecessores seus que quando comandavam o executivo municipal acolheram o Fórum na capital gaúcha.
Lembrou que o evento das esquerdas internacionais é um contraponto ao Fórum Econômico de Davos. “O ser humano é capaz de escolhas”, justificou, para logo completar: “quem está lá não faz parte de outro mundo possível”.
Categoria: X.Categorias velhas
-
Oded Grajew: “O Fórum Social Mundial está em crise”
-
Pacientes da saúde mental expõem críticas a hospícios no Fórum
Matheus Chaparini
Com instrumentos, bandeiras, e cantos bem humorados, um cortejo abriu caminho pelo Parque da Redenção, na manhã desta sexta-feira (22).
O grupo Nau da Liberdade, juntamente com profissionais, pacientes e militantes da saúde mental, denunciava o fato de vários de seus integrantes não poderem participar das atividades do Fórum Social Temático (FST) por estarem presos em manicômios e residenciais terapêuticos.
“O Fórum é considerado uma atividade política que faria mal para sua saúde mental”, era a mensagem transmitida através de um megafone.
Segundo os manifestantes, pacientes do Hospital Psiquiátrico São Pedro e de residenciais terapêuticos não podem mais deixar as instalações para outras atividades, como acontecia gestão anterior do Governo do Estado, quando o grupo realizava até mesmo viagens.
Lindomar, Olinda, Flavinho, Cássio, Deco, Hilda, Tânia… “Estes e mais de duzentos pacientes ainda estão presos nas grades do hospício. Para eles nós cantamos: viva a liberdade!”, prosseguiu o discurso.

Grupo fez chamada com nomes de quem foi impedido de participar do Fórum Social / Foto Aline Victorino
arte como cura
Apesar dos desfalques, o cortejo reuniu algumas dezenas de pessoas.
O que está em disputa é o modelo de tratamento de saúde mental que se pretende. Como deve ser tratado o paciente: dentro do manicômio, no isolamento, ou do lado de fora, na rua, integrado à sociedade?
“Pacientes não precisam só de tratamento, precisam de outros laços com a vida. A arte, a livre circulação, o viajar, o passear, o comer fora, ter amigos também fazem parte da vida”, defende Carolina Pommer, atriz profissional integrante da Nau da Liberdade, grupo teatral nascido em 2013 dentro do Hospital Psiquiátrico São Pedro.
Recentemente, a Nau e outros grupos de teatro que integram o chamado Condomínio Cênico do São Pedro conseguiram reverter um despejo iminente: a Secretaria da Sapude havia pedido de volta os pavilhões 5 e 6, onde se alojavam, à pasta da Cultura, que vinha utilizando o espaço para incentivar a arte entre os pacientes.
Após muita mobilização, os grupos obtiveram, em dezembro, o compromisso do governo de que os pavilhões permanecerão com a Cultura.
A utilização das artes cênicas como tratamento começou em 2003, em função da reforma psiquiátrica, segundo a auxiliar de enfermagem Maria da Conceição de Abreu. “A gente formou um grupo de teatro mesmo sem saber fazer teatro. Não se tinha uma residência artística, era só a vontade”, explica.
Ela começou a trabalhar no Hospital Psiquiátrico São Pedro em 1982. “Eu já era antimanicomial sem saber, porque eu nunca aceitei as coisas que eu via lá dentro. Eram pavilhões enormes, com cem pessoas dormindo em triliches, o refeitório não era adequado, o cheiro era horrível”, critica.
“A nau, a nau, a nau da liberdade”

Cortejo encerrou a programação intitulada “um outro mundo é possível sem manicômio” / Foto Aline Victorino
É nos pavilhões 5 e 6 – aqueles que a Secretaria da Saúde queria de volta – onde funciona a Nau da Liberdade, que hoje conta com cerca de 20 pessoas. Uma delas é Marlon Farias, paciente, ator e radialista.
“Eu passei a me sentir tão jovem, me entrosando com colegas e parceiros e a partir daí eu comecei a militar com a arte”, conta.
Além das atividades da Nau, Marlon apresenta o programa “Quartas intenções”, na rádio comunitária do bairro Rubem Berta, onde vive com a família.
A Nau da Liberdade foi criada em 2013, após uma vivência artística de três meses com o grupo italiano Accademia della Follia, formado por ex-internos de hospitais psiquiátricos. Durante a vivência, foi montada a peça “Azul como Liberdade”, encenada pelos pacientes do São Pedro juntamente com os atores italianos.
No ano passado, a Nau fez um intercâmbio com o grupo carioca Teatro de Dionísios, no chamado Hotel da Loucura, no Engenho de Dentro. Além disso, já viajaram por diversas cidades do interior do estado como Alegrete, São Lourenço do Sul, Caxias do Sul.
avanços estão em risco
Nos últimos anos, defensores da causa antimanicomial conseguiram obter vários avanços, como a reforma psiquiátrica. Mas a falta de uma política de Estado para o tema faz com que cada troca de governo ponha em risco todas as conquistas e os avanços obtidos.
“Fora Valencius! Fora Luis Coronel!” são as principais reivindicações dos militantes da saúde mental no Fórum.
Valencius Wurch é psiquiatra e foi diretor da Casa de Saúde Dr. Eiras de Paracambi, o maior manicômio privado da América Latina, localizado região metropolitana do Rio de Janeiro e que foi fechado em 2012 após denúncias de violações dos direitos humanos.
Ele é o coordenador geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, empossado em dezembro, depois que o PMDB assumiu a pasta, com o deputado Marcelo Castro como ministro. Para a militância, ele representa um retrocesso na luta antimanicomial.
Luiz Carlos Illafont Coronel, também psiquiatra, foi diretor do Hospital Psiquiátrico São Pedro durante o governo Yeda e atualmente é coordenador de Saúde Mental da Secretaria Estadual de Saúde.
-
Mesa apresenta projetos que concretizam um "outro mundo possível"
Não é só “se a gente quiser”, é preciso criatividade e muito trabalho, mas dá para concretizar, em pequenas ações, o lema que há 15 aos embala o Fórum Social Mundial – “um outro mundo é possível”.
Algumas iniciativas que modificam o status quo e a forma como pessoas se relacionam entre si foram apresentadas nesta quinta-feira (21), na mesa “Alternativas Emergentes”, promovida pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) – uma delas era o Jornal JÁ, que é o primeiro jornal do Rio Grande do Sul a financiar um projeto exclusivamente através de doações de leitores.
A ideia era reunir sob uma mesma pauta ações de diferentes naturezas, mas que tenham nascido, sobretudo, da organização coletiva e independente.
Além da jornalista Naira Hofmeister, que representou o JÁ, compuseram a mesa Roberto Abreu, representando a Agência Livre para Informação Cidadania e Educação (Alice) e Juliano Forster, criador do coletivo Paralelo Vivo.
O desafio de integrar diferentes movimentos e interesses da sociedade civil foi o grande mote da discussão. A fragmentação é uma das principais dificuldades enfrentadas por quem propõe iniciativas alternativas como estas.
“O leitor tem que se sentir dono daquele espaço de comunicação”
A jornalista Naira Hofmeister fez um apanhado dos 30 anos de história do Jornal JÁ, desde sua criação por um grupo de intelectuais no período da abertura política pós-ditadura, a transição para um jornal de jornalistas e outras etapas da história do veículo, que desenvolveu diversas iniciativas consideradas alternativas – jornal de bairro, editora de livros reportagem, publicações especializadas, resgate da memória.
A mais recente delas, dirigida pela jornalista, foi a campanha de financiamento coletivo de uma série de reportagens que aprofundam o tema da revitalização do Cais Mauá, que tem motivado discussões sobre o que a cidade pretende para o local que é seu maior símbolo. O projeto inédito na imprensa gaúcha, arrecadou R$ 10 mil somente de pessoas físicas.
“Tem um componente de parceria entre jornalistas e leitores que tem se ampliar cada vez mais. O leitor tem que se sentir dono daquele espaço de comunicação”, defendeu.
O Dossiê Cais Mauá, financiado pelos leitores e com participação destes inclusive na construção da pauta, é um exemplo de financiamento alternativo para o trabalho jornalístico. Naira defendeu que a iniciativa é importante pois “empodera o leitor e consequentemente empodera o jornalista, porque ele se sente autorizado.”
E acrescentou: “Se os jornais forem financiados exclusivamente pelas grandes empresas, pautas como meio ambiente e questões urbanísticas não terão um acompanhamento permanente, porque isto não é do interesses dos anunciantes.”
“Queremos estimular a criação de outras 100 zonas como esta até 2020”

Juliano Forster representa o Paralelo Vivo, que integra 20 empresas de criação e sustentabilidade
Juliano Forster buscou dar uma ideia do que é e de como funciona o Paralelo Vivo, tarefa não muito fácil, devido à complexidade dos processos e das relações internas do espaço. Conceitualmente, o Paralelo é um hub, ou então, “uma junção de iniciativas” empresariais, todas vinculadas com a sustentabilidade e o meio ambiente, como explica Forster.
A origem do coletivo foi casual: sua empresa, a Hidrocicle, que projeta sistemas de uso e tratamento da água, precisava reduzir custos e decidiu dividir o galpão que ocupava, no bairro Floresta, com outros empreendimentos.
O resultado, entretanto, foi além e criou uma rede de projetos colaborativos e uma catapulta para bons negócios com foco ambiental. Hoje, o espaço se constitui em uma zona de criação e sustentabilidade, abrigando 20 empresas, onde trabalham cerca de 50 pessoas ao todo.
Além de repartirem o aluguel e as despesas, eles dividem experiências, informações, contatos e até mesmo clientes.
Uma destas empresas é a Horteria, que desenvolve soluções para a criação de hortas urbanas. São ideias como o cultivo vertical de hortaliças, ideal para quem mora em apartamento e tem pouco espaço.
Outra iniciativa que integra a zona é a Cesta Feira, que funciona como um sistema de compra de produtos orgânicos com entrega a domicílio. Os produtos são comprados diretamente de agricultores familiares e entregues semanalmente na casa dos clientes.
Entre as metas de médio prazo, estimular a criação de outras cem zonas semelhantes ao redor do mundo até 2020. O projeto mais ambicioso é tornar o Rio Grande do Sul o local mais inovador e sustentável da América Latina até 2030.
“No Boca, são os moradores de rua que fazem a pauta e criam as regras”
Assim como o Fórum Social Mundial, o jornal Boca de Rua também está completando 15 anos. A edição pioneira foi feita em 2001 e circulou no primeiro FSM. O Boca é o projeto mais antigo da Alice (Agência Livre para Informação Cidadania e Educação). Além de dar visibilidade à população de rua, o jornal possibilita geração de renda, através da venda de exemplares.
Abreu disse que o projeto nasceu de uma conversa com um grupo de moradores de rua que ficavam na praça Dom Sebastião, em frente ao Colégio Rosário. Nesse diálogo, os moradores disseram que sentiam a necessidade de contar sua histórias: se sentiam invisíveis.
No Boca de Rua, os moradores de rua fazem a pauta e criam as regras. Uma das definições do veículo é não ter anúncios. “Comprometeria completamente a linha editorial e a própria ideia do projeto.”
Abreu citou um caso, de uma matéria que tratava de um incêndio na Vila Liberdade, em 2013. O jornal foi procurado por uma grande empresa do ramo da construção civil: queriam bancar a edição. A equipe se reuniu e decidiu não aceitar a oferta da construtora.
A luta do jornal agora é por uma sede que possa comportar as reuniões de pauta, que já tiveram como local a sede do Gapa (Grupo de Apoio à Prevenção da AIDS), a Casa de Cultura Mário Quintana e recentemente se abrigaram no Museu da Comunicação Hipólito José da Costa – depois de passarem um bom período ocorrendo sob a sombra das árvores na Redenção. -
Obras do Instituto de Educação começam na próxima semana
O governador em exercício, José Paulo Cairoli, assinou nesta quarta-feira (20) a ordem de início dos serviços de restauração do Instituto de Educação General Flores da Cunha. A previsão é que a obra inicie em até cinco dias úteis após a assinatura do documento e seja concluída em 18 meses. A obra será executada pela Porto Novo Empreendimentos e Construções, ao custo de R$ 22,5 milhões.
Além de Cairoli, assinaram a ordem de serviço os secretários da Educação, Vieira da Cunha, e de Obras, Saneamento e Habitação, Gerson Burmann.
Durante a reforma, a escola permanecerá fechada e alunos serão realocados em duas outras escolas estaduais: Felipe de Oliveira, no bairro Santa Cecília, e Roque Callage, no Rio Branco. Ao todo, a escola tem 1.673 alunos.
O prédio, de inspiração neo-clássica, foi construído em 1935, durante as comemorações do Centenário Farroupilha. É tombado pelo município desde 1997, por estar dentro da área do Parque Farroupilha, e pelo estado, através do IPHAE (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado), desde 2006. Em razão disso, não pode receber reformas, apenas restauração, que envolve um processo mais complexo.
Toda a parte elétrica e hidráulica serão refeitas e o prédio será adaptado à legislação de prevenção de incêndios e terá acessibilidade universal para todas áreas, com a colocação de portões, rampas de acesso e um elevador.
Além disso, o prédio receberá uma passarela coberta ligando os três blocos, centrais de lixo e gás, iluminação de led, climatização com de ar condicionado independente em todos ambientes e um sistema de captação da água da chuva, que será reaproveitada para os banheiros, limpeza, rega de plantas e reservatório para incêndio. -
Barco Cisne Branco terá show em tributo aos Rolling Stones
Uma ótima notícia para os fãs dos Rollings Stones e apreciadores do Rock and Roll: o Barco Cisne Branco promove no dia 27 de janeiro, a partir das 19h, o evento Navegando com os Stones, com a apresentação da Bigger Band, banda gaúcha cover do grupo inglês. Os ingressos custam R$ 65,00 com direito à apresentação e passeio.
Em ritmo de aquecimento para os Rolling Stones – show que ocorre em março em Porto Alegre, “o Navegando com os Stones é uma chance de curtir um passeio pelo Guaíba, apreciar o pôr-do-sol e desfrutar de uma boa música”, destaca a proprietária do Barco Cisne Branco, Adriane Hilbig. O embarque inicia às 18h30 e a navegação será de aproximadamente 3 horas, com encerramento das atividades às 23h. O Cisne Branco fica atracado no armazém B3 do Cais do Porto – Av. Mauá, 1050 – e vem se confirmando como único espaço Cultural Flutuante da capital.
A Bigger Band
Formada em 2003, a “Bigger Band” faz uma releitura do som clássico dos Rolling Stones, mantendo o foco na simplicidade e essência do rock. A banda é composta por Rafael Kubbe (Voz), Eduardo Scaravaglione (guitarra), Marciano Silveira (guitarra), Rafael Pestana (baixo) e Carlos Moacir Dias (bateria). Além da devoção ao trabalho dos Rolling Stones, a “Bigger Band” realiza apresentações nas mais renomadas casas de shows do RS, além de animar eventos de grande porte, como encontros de motociclistas, festas municipais e eventos empresariais pelo Brasil. -
Relatório da Cultura 2015 : “Foi um ano de continuidade na pasta”, avalia secretário
FELIPE UHR
Poucos dias depois de tornar público o relatório de Cultura da gestão 2015, o secretário Victor Hugo recebeu a reportagem do JÁ e comentou o desempenho da pasta em meio a um ano de 2015 em que o atual governo cortou investimentos e aprovou pacotes reduzindo os gastos da máquina púbica em todos os setores.
“Foi um relatório de entregas”, avaliou o secretário. Para isso, disse ele, foi essencial dar continuidade ao que estava sendo feito e de certa forma reconhecer o trabalho anterior. “A missão de quem chega, primeiramente, não é de apresentar projetos e sim terminar aqueles que estavam em andamento” ressaltou.
Para não falhar nesse processo em 2015, a Secretaria da Cultura continuou ações do governo anterior como o projeto RS Criativo, o envio do Plano Estadual de Cultura (válido por 10 anos) para a Assembleia e entregou a Biblioteca Estadual para o seu prédio histórico. Todas essas ações o secretário classifica como um “resultado para um primeiro ano de gestão”. Segundo ele, era um compromisso dessa gestão junto à classe cultural aprovar o Plano ainda no primeiro ano. Em novembro de 2015 o plano foi aprovado por unanimidade na Assembleia Legislativa.
Investimentos, apesar dos cortes
A crise vivida pelo governo do Estado não impedirá o trabalho da cultura no Estado. Os recursos não são muitos, mas estão garantidos através da LIC (Lei de Incentivo à Cultura) e do FAC (Fundo de Apoio a Cultura). A LIC garantiu R$ 35 milhões e o FAC R$ 3,5 milhões para o Estado. Para esse ano, o FAC disponibilizará R$ 13 milhões mas o secretário alerta que é “preciso garantir esses recursos através de projetos culturais formatados” já que o dinheiro é disponível através de editais onde o recurso é disputado com outras áreas. “Ainda faltam pessoas que formatem os projetos”. Isso é fundamental para a execução dos projetos.
Quem avalia os projetos é um grupo formado por 1/3 indicado pela Secretaria, 1/3 pelo Conselho Estadual da Cultura e 1/3 da Famurs. “Eles que decidem quais os projetos que serão contemplados, não é o governo” lembrou Victor Hugo. Sobre a qualidade dos projetos, o secretario foi enfático: “As vezes sim, as vezes não”.
Sobre a LIC o secretario explica como a sua gestão está trabalhando: “Temos trinta e cinco milhões de reais para a cultura. Somente no ano passado foram aprovados pelo Conselho Estadual R$ 90 milhões mas somente 40 foram captados, o que de qualquer forma, excede o disponível. Dos trinta e cinco de 2016, cinco já estão reservados para projetos de 2015, disse. Quanto a isso ele já avisou como está trabalhando com o Conselho para que não haja excessos: “Eu respeitosamente pedi ao Conselho que cuidasse desse valor aprovado para que não aconteça de não ter dinheiro para projetos aprovados”.
Secretário comemora projeto Juntos pela Cultura
Um edital patrocinado pelo FAC é o Juntos Pela Cultura. Na avaliação do Secretário, o programa foi um sucesso: “Houve recorde de inscrições” ressaltou. O Edital lançado e homologado investirá R$ 3 milhões em 2016 da seguinte forma:
– Apoio à Produção e Inovação Cultural: será disponibilizado R$ 1 milhão para 20 projetos apresentados por pessoas físicas e jurídicas. No total, 20 projetos de pessoa física de R$ 25 mil cada, e, para jurídica, quatro projetos de R$ 50 mil cada e mais três de R$ 100 mil cada;
– Apoio à Circulação: será disponibilizado R$ 1 milhão para 20 projetos de pessoa jurídica no valor de R$ 50 mil cada;
– Apoio à Programação Continuada em Espaço Cultural: será disponibilizado R$ 1 milhão para 20 projetos no valor de R$ 50 mil cada;
Restauração de museus através do pac cidades
Outro fato comemorado pelo governo foi avanço nos projetos que preveem a restauração dos museus do Estado. O governo assinou contrato com as empresas vencedoras nas licitações para o desenvolvimento dos projetos arquitetônicos com vistas ao restauro de bens tombados. O projeto faz parte do PAC Cidades e os recursos já haviam sido garantidos pela secretaria anterior junto ao Ministério da Cultura. Estão previstos a restauração dos museus Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, Memorial do Rio Grande do Sul, Museu Julio de Castilhos e do MARGS(Museu de Artes do Rio Grande do Sul). Juntos ele custarão R$ 21,5 milhões já assegurados.
Transparência na Gestão : principal ação no primeiro ano
Para o secretário Victor Hugo, 2015 foi um ano de transição: “Agora em 2016 quero agir mais da minha forma” informa o titular da cultura. Além da continuação dos projetos, ele ressalta outras ações durante o ano que passou: manutenção dos R$ 35 milhões da LIC, a reativação dos setores colegiados, que são órgãos de assessoramento imediato do secretário de Estado da Cultura com a finalidade de analisar, debater e propor políticas públicas e diretrizes específicas de cultura. Ao todo há 11 setores colegiados; a celebração dos 25 da Casa de Cultura Mário Quintana e da própria pasta de Cultura.
“Fiz questão de celebrar junto a antigos secretários e lembrar dos que já não estão aqui”, ressaltou; a instituição do Biênio de Simões Lopes Neto no Rio Grande do Sul. Uma homenagem ao grande escritor gaúcho, dos 150 anos de seu nascimento em 2015 e dos cem anos de sua morte em 2016; e uma consulta pública para as regras do Sistema Pró Cultura, que está relacionado com a LIC e FAC.
Para encerrar o secretário fez questão de mostrar a transparência nos gastos da LIC E FAC. “Eu pedi que todos os repasses que fazemos mensalmente fossem publicados no site do pró-cultura” falou. O governo disponibiliza 2,9 milhões por mês através da Lic. Pelo site é possível saber quais eventos, a empresa que patrocinou e o orçamento completo de cada obra. “Acho que tornar esse números e ganhos públicos para a população é um dever” exclamou o secretario. Em 2016 o secretario sabe que a responsabilidade, depois da aprovação do Plano Estadual é maior, e já projeta algumas ações: distribuição mais justa socialmente dos recursos das linhas de crédito, reestruturação do organograma da Secretaria da Cultura, captar mais recursos no FAC e executar Ações Especiais de Governo. -
Marcha colore o centro e abre o Fórum Social Mundial de 15 anos
matheus chaparini
Cerca de dez mil pessoas, com muitos balões, bandeiras, faixas e tambores, abriram na tarde desta terça-feira a edição que marca os quinze anos do Fórum Social Mundial e faz um balanço das conquistas, perspectivas e novos desafios na luta por um outro mundo possível.
A caminhada não contou com os grandes nomes esperados pela organização como Lula, Dilma, Mujica e Chico Buarque, mas teve grande mobilização, principalmente por parte das centrais sindicais.
Uma hora antes do previsto para a saída da marcha de abertura, às cinco da tarde, era difícil de acreditar que a caminhada fosse reunir uma quantidade tão grande de pessoas. Um carro de som no Largo Glênio Peres alternava falas de representantes de entidades e alguns sambas. O cenário era o seguinte: cerca de mil pessoas espalhadas pelo largo, um repórter de um grande canal de televisão pinsando pautas leves, um vendedor de balas improvisando rimas para tentar fazer negócio, sem o mesmo sucesso dos ambulantes que vendem bebidas, e muito, muito calor.
Do outro lado da Borges, em frente à prefeitura, algumas pessoas descansavam na sobra e um grupo do Juntos, ligado à juventude do Psol, tímido, se reunia em um canto, todos de amarelo com uma faixa contra o aumento da passagem de ônibus na capital.
No horário previsto para o começo do percurso, às 18h, começa a organização e o público já é bem mais numeroso. O grupo de uma das centrais sindicais se posiciona próximo à esquina democrática para garantir a frente, mas logo é chamado por uma voz vinda do auto-falante do carro para se juntarem aos demais.
Às 18h20 parte do prédio da prefeitura um grupo encabeçado, ao centro, pelo vice-prefeito e candidato à prefeitura, Sebastião Melo. Ao lado dele, o prefeito José Fortunati, Raul Pont, Adão Villaverde, Jairo Jorge e outros. “A cidade está abandonada, como tu tem cara de sair na rua?”, gritou um pequeno grupo de jovens ciclistas quando passou o prefeito. Atrás desta comitiva, alguns repórteres se espremiam, esticando celulares e gravadores em busca de alguma declaração.

Movimento Negro Unificado trazia mensagem sobre a democratização da comunicação
Colorido da caminhada tomou o centro de Porto Alegre
A caminhada partiu às 18h30, com milhares de pessoas, bandeiras, faixas e mensagens por um outro mundo possível.
Na linha de frente, um grupo diverso, formado por representantes da UGT (União Geral dos Trabalhadores), CUT (Central Única dos Trabalhadores), NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), UBM (União Brasileira de Mulheres), Unegro (União de Negros pela igualdade) e PC do B, carregando uma faixa com o tema desta edição: “paz, democracia, direitos dos povos e do planeta”.
Em meio às bandeiras destas organizações, algumas faixas grades e coloridas com dizeres religiosos, de um grupo de norteamericanos que buscava fiéis na esquina democrática.
Um grupo de kaingangs trazia uma faixa lembrando recente o assassinato do menino Vitor, morto ao lado da mãe na rodoviária de Imbituba, em santa Catarina.
Outro grupo carregava uma enorme bandeira da Palestina, representando um grupo de palestinos que não pode vir a Porto Alegre devido ao cerco das forças israelenses à cidade de Hebron.
Um militante solitário trazia uma estandarte verde, com uma folha estampada, pedindo a legalização da maconha.
A juventude do PT trazia sua banda e cantava o clássico: “te cuida imperialista, a américa latina vai ser toda socialista”
O colorido da marcha e o som dos cantos e discursos se espalharam pela avenida Borges de Medeiros. Diversas entidades trouxeram grupos de percussão, cada vez mais comuns em manifestações políticas. Haviam pelo menos sete ao longo da caminhada.
A Marcha Nacional das Mulheres trazia uma bateria composta por instrumentos de lata e entoava: “ô abre alas que as mulheres vão passar”.
Os militantes da luta antimanicomial parodiavam uma marchinha e afirmavam “Doutor, eu não me engano, o manicômio é desumano.”
A maior bateria, e também o grupo mais numeroso, sem dúvida era o da CTB (Confederação dos Trabalhadores Brasileiros). Todos vestidos de branco, carregavam uma enorme faixa com o texto : “não vai ter golpe”.
Na retaguarda, vinha o grupo da UGT. Mais atrás, fechando a marcha, cerca de 20 brigadianos.
A caminhada encerrou no Largo Zumbi dos Palmares, onde aconteceu a primeira noite de apresentações artísticas, com os shows de Moysés, Nei Lisboa e Rock de Galpão. A programação do Fórum Social segue até sábado, dia 23.
-
Impeachment fica para trás, oposição agora quer anular eleição de Dilma
O impeachment ainda frequenta o noticiário, como uma alma penada, mas o mundo político todo sabe que ele está morto, é um assunto que se esgotou em 2015.
Até o ex-presidente FHC, o farol da oposição, anda a dizer que as mãos de Eduardo Cunha contaminaram irremediavelmente o caminho do impeachment.
Em 2016, portanto, o caminho é outro, o roteiro já está traçado e assanha muitas ambições: anular o pleito de 2014 “por causa do dinheiro sujo que financiou as campanhas” e convocar novas eleições ainda este ano.
O processo já está em andamento no Superior Tribunal Eleitoral e seu desfecho vai depender da conjuntura política e econômica.
Se a economia piorar, como desejam os oposicionistas, e se o desgaste político da presidente aumentar, a pressão da opinião pública fará o resto.
Um detalhe: esse processo poderá arrastar também Aécio Neves, já desgastado com o fracasso do impeachment.
Não será difícil constatar que sua campanha foi sustentada pelas mesmas fontes que alimentaram a campanha de Dilma.
Alguns oportunistas, como José Serra e Alvaro Dias já perceberam o espaço e estão trocando de partido para serem candidatos, agora ou em 2018.
O novo roteiro, no entanto, parece sob medida para Marina Silva, que já se movimenta com desenvoltura para se apresentar como a alternativa capaz de “tirar o país do buraco”.
Por enquanto, há mais desejo e ambição do que possibilidade concreta de queda da presidente por esse processo do TSE.
Mas é com ele que a oposição conta para manter o governo nas cordas e garantir que a queda, se não vier agora, virá em 2018.
-
ProUni oferece mais de 203 mil vagas no ensino superior
Portal Brasil
As inscrições para o Programa Universidade para Todos (ProUni) 2016 estão abertas a partir desta terça-feira (19), com a oferta de 203.602 vagas. Em relação a 2015, o número de cursos aumentou de 30.549 para 30.931. As inscrições do ProUni podem ser feitas até as 23h59 (horário de Brasília) da próxima sexta-feira (22). A primeira chamada ocorrerá no dia 25 de janeiro.
O ProUni é um programa do Ministério da Educação, criado pelo governo em 2004, que oferece bolsas de estudo integrais e parciais (50%) em instituições privadas de educação superior, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, a estudantes brasileiros sem diploma de nível superior.
Houve redução de 4% no total de vagas ofertadas no ano passado (213.113). Sobre essa retração, o Ministério da Educação explica que 97 instituições de ensino superior que eram ofertantes do ProUni em 2015 estão impedidas de participar do programa em 2016. Isso ocorre porque essas instituições tiveram nota de avaliação institucional inferior a 3 e, portanto, estão sob situação de supervisão por parte do MEC.
A exigência de nota que comprove qualidade para participar do ProUni e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) atinge 347 instituições, que estão impedidas de participar desses programas e estão sob supervisão do MEC.
Por outro lado, em 2016 houve um aumento de 10,9% nas vagas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), em relação a 2015, totalizando 228.071. Nesta edição, o sistema registrou 2.712.937 inscritos. Os candidatos não-selecionados têm até o dia 29 deste mês para manifestar interesse em participar da lista de espera.
O Sisu é o sistema informatizado do Ministério da Educação por meio do qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas a candidatos participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Quem pode participar do ProUni?
Estudantes egressos do ensino médio da rede pública.
Estudantes egressos da rede particular, na condição de bolsistas integrais da própria escola.
Estudantes com deficiência.
Professores da rede pública de ensino, no efetivo exercício do magistério da educação básica, integrantes de quadro de pessoal permanente de instituição pública. Nesse caso, não é necessário comprovar renda.
Para concorrer às bolsas integrais, o candidato deve comprovar renda familiar bruta mensal, por pessoa, de até um salário mínimo e meio. Para as bolsas parciais (50%), a renda familiar bruta mensal deve ser de até três salários mínimos por pessoa.
Fies
As inscrições para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) ocorrerão entre os dias 26 e 29 de janeiro. O total de vagas será divulgado em breve pelo MEC. O Fies é um programa do Ministério da Educação destinado a financiar a graduação na educação superior de estudantes matriculados em cursos privados. -
A Revolução Eólica (56) – Capacidade de geração dos ventos cresce 56,9% no Brasil em 2015
A geração de energia eólica está em alta no Brasil. A edição mais recente do Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico, do Ministério de Minas e Energia, mostra que a capacidade instalada do setor de geração eólica cresceu 56,9%, considerando o período de 12 meses encerrado em novembro de 2015 ante os 12 meses anteriores. Entre todas as fontes de geração de energia elétrica, a eólica teve a maior expansão.
Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), foram inauguradas mais de 100 usinas eólicas em 2015, o que representou um investimento da ordem de R$ 19,2 bilhões. “Hoje, o Brasil precisa ampliar sua matriz e essa expansão se passa necessariamente pela fonte eólica. Nosso País tem uma política de energia que prima pela fonte limpa, renovável e competitiva, e a fonte eólica tem essas três características”, diz a presidente da associação, Elbia Gannoum.
A inauguração mais recente foi realizada nesta quinta-feira (14). Trata-se do Complexo Eólico Chapada do Piauí, localizado nos municípios de Marcolândia, Simões, Padre Marcos e Caldeirão Grande. Os investimentos são estimados em R$ 1,85 bilhão, sendo R$ 1,3 bilhão financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As instalações têm capacidade instalada de 436,6 megawatts (MW), o suficiente para gerar energia para mais de um milhão de residências.
Dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia apontam que o País, em 2014, foi o quarto país do mundo que mais expandiu sua capacidade eólica. Segundo especialistas, a metodologia de leilões para a contratação de energia ajudou nesse processo.
Nos cinco leilões realizados em 2015 para ampliar a capacidade de geração no País, foram contratados 1.789 MW médios de diversas fontes, com investimentos previstos em R$ 13,3 bilhões. As energias renováveis tiveram destaque, com a contratação de energia eólica de 22 empreendimentos, 30 de energia solar e 13 de biomassa, de acordo com o MME.
“Neste ano, devemos atingir o equivalente a uma Belo Monte de capacidade instalada (de geração eólica). E já temos contratado o equivalente a mais de uma Itaipu, que é a segunda hidrelétrica do mundo. As perspectivas são muito boas. Em pouco tempo a geração eólica será, depois da hídrica, uma das fontes mais importantes da matriz elétrica nacional”, destaca o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.
