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  • Consórcio Cais Mauá impede reunião com leitores na área concedida

    Matheus Chaparini
    “Aqui não é uma área turística.” Sob essa alegação, um dos seguranças do Cais Mauá impediu que jornalistas e leitores do JÁ se deslocassem entre a área do Catamarã e o pórtico central caminhando, na última quarta-feira (6).
    Era a segunda abordagem que a equipe de vigias fazia no grupo, que se reunia para debater a pauta do Dossiê Cais Mauá, iniciativa que levantou mais de R$ 10 mil através de doações para realizar uma série de grandes reportagens sobre a polêmica obra de revitalização – que inclui a restauração dos armazéns e a construção de três torres de até 100 metros de altura e de um shopping center ao lado da Usina do Gasômetro.
    Segundo o funcionário da empresa Diélo, responsável pela segurança, o acesso é permitido somente para funcionários. De acordo com o vigia, se tratam de ordens de cima. Quem? “O Cais Mauá do Brasil”, segundo o guarda.
    O encontro havia sido marcado para a Praça Edgar Schneider, no limite norte do Cais Mauá, próximo à rodoviária. A participação na reunião era uma das contrapartidas oferecidas aos leitores que contribuíram com o financiamento do dossiê.
    A escolha do local levou em conta o desconhecimento de parte da população porto-alegrense sobre a praça dentro da área do cais.
    Logo que a reunião iniciou, um carro da segurança se aproximou com dois guardas, anunciando que se tratava de área alfandegada – restrita para fiscalização de mercadorias – e que não era possível permanecer no local.
    Entretanto, a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH) informou que a área alfandegada começa no prédio da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa), que fica imediatamente após a praça Edgar Schneider para quem entra no cais pelo pórtico ou pelo acesso do Catamarã.
    Faz sentido porque oficialmente a área do Cais Mauá é considerada não operacional e cargas e descargas de mercadorias só são realizadas no Cais Navegantes, mais ao norte.
    Área turística em obras
    Impedido de permanecer no Cais Mauá, o grupo optou por seguir até a avenida Sepúlveda para monitorar a eventual chegada de novos participantes antes de dirigir-se ao Mercado Público, onde finalmente a reunião aconteceria conforme combinação prévia com os leitores, em caso de algum imprevisto.
    Porém, o trajeto não pode ser feito por dentro da antiga área portuária porque não se tratava de “área turística”.
    “O ponto turístico da orla é o Gasômetro, lá vocês podem acessar tranquilamente”, justificou o segurança, que depois de repetir algumas vezes a sugestão, lembrou-se de um detalhe: “mas ali está fechado para obras”.
    Era uma referência aos tapumes colocados entre o Guaíba e a avenida João Goulart para a mudança paisagística que a prefeitura leva a cabo no local.
    O diálogo terminou com uma frase reticente do guarda. “É, quase toda a orla está fechada…”
    A reunião de pauta ocorreu na área de bares do Mercado Público, terminou por volta das 20h30min e levantou diversos assuntos e abordagens do interesse da população sobre as obras no Cais Mauá.
    moradores já haviam sido barrados

    Antiga área do Cais Mauá está inacessível para a população, mas obras não começam | Tânia Meinerz
    Antiga área do Cais Mauá está inacessível para a população, mas obras não começaram | Tânia Meinerz

    Em novembro de 2015, o JÁ publicou uma matéria com o título Barrados no cais, relatando a tentativa – sem sucesso – dos participantes do movimento Cais Mauá de Todos acessarem a área pelo pórtico central.
    Eles estavam em um debate na Feira do Livro, sediado no Santander Cultural, e a caminhada até a beira do Guaíba era o encerramento previsto. A entrada do grupo foi impedida por um segurança.

  • Polo de Triunfo bate recorde de produção

    O pólo petroquímico de Triunfo, controlado pela Braskem, encerrou o ano com “os melhores indicadores de desempenho de sua história”, segundo nota emitida pela empresa nesta quinta-feira.
    Produtor de insumos básicos para toda a cadeia petroquímica e plástica, o polo tem um efeito multiplicador importante na economia regional. É uma boa notícia para iniciar um ano de  incertezas.
    A nota na íntegra:
    A Unidade de Petroquímicos Básicos da Braskem no Rio Grande do Sul encerrou 2015 com recorde de produção e os melhores indicadores de desempenho de sua história, iniciada há mais de 30 anos.
    A conquista foi especialmente celebrada por ter sido alcançada em um ano de dificuldades no País.
    A produção somada de eteno, propeno, butadieno, gasolina e MTBE foi de 3.437.624 toneladas no ano, superando em 220 mil toneladas o recorde anterior.
    O eteno, principal matéria-prima para a indústria do plástico, teve produção de 1.242.814 toneladas, superando a maior marca até então alcançada em 2006, de 1.209.903. “O resultado é uma soma da excelente performance  Industrial com a atuação das demais áreas, a destacar as áreas da  Comercial,  Planejamento e Logística. Não teríamos alcançado estes resultados sem a mobilização, sinergia  e o comprometimento das equipes, que tornaram o ano que se mostrava desafiador em um ano referência em todos os aspectos”, afirma o diretor industrial, Nelzo Luiz Neto da Silva.
    A confiabilidade das plantas foi um dos fatores determinantes para  a  máxima performance. Em 2015, a taxa de ocupação das plantas na produção de eteno  foi de 97,60%.
    Cerca de 60 mil toneladas de eteno foram exportadas para a Ásia e a Europa para abastecer mercados que tiveram paradas para manutenção, planejadas ou não. Este volume foi em torno de cinco vezes superior ao normalmente exportado e reflete a atuação da área Comercial na conquista destas oportunidades. A estratégia de logística hidroviária foi essencial no escoamento da produção para os respectivos mercados.
    Ao mesmo tempo em que aumentou a produção, a unidade da Braskem obteve melhores resultados de indicadores de performance, como eficiência energética, perda de materiais e de consumo d’água nos seus processos produtivos. Estes índices refletem os investimentos realizados ao longo do tempo em tecnologia e manutenção dos ativos e o esforço de gestão das equipes operacionais, de processo e de manutenção. “Comemoramos especialmente esses resultados por impactarem diretamente na preservação e uso responsável dos recursos naturais, que é um importante valor para a Braskem”, afirma Silva.
     

  • Cine Capitólio está aberto ao público mas sem exibição de filmes até fevereiro

    Desde que voltou do recesso na terça-feira, dia 5, o Cine Capitólio não está exibindo filmes. Mas a biblioteca, acervo multimídia e demais espaços estão disponíveis para o público. O motivo é porque não há projecionista para a exibição das sessões. Dos dois profissionais que trabalhavam no espaço, um está de férias e o outro não teve seu contrato renovado. “É importante destacar que só não estamos apresentando filmes mas tanto a cinemateca como o acervo para pesquisa estão abertos. Muita gente está confundindo isso,’ ressalta o programador do Capitólio, Leonardo Bomfim.
    A direção do Capitólio ainda não sabe quando os filmes voltarão a ser exibidos mas prometem uma divulgação oficial para a próxima semana. A previsão mais fiel é de que as sessões retornem a partir de fevereiro. No final de 2015 a página oficial do Capitólio apontou seus principais desafios para este ano: “aumentar nossa reduzida equipe, inaugurar nosso café, estabelecer parcerias com outras instituições para desenvolver projetos de pesquisa, ampliar nosso acervo”.
    O Capitólio foi reaberto no ano passado após estar fechado durante 20 anos.

  • Músicos gaúchos recriam o projeto Juntos no Sargent Peppers

    Os músicos Bebeto Alves, Gelson Oliveira, Nelson Coelho de Castro e Antonio Villeroy estão em temporada com a nova edição do projeto Juntos, que foi sucesso em temporadas em Porto Alegre e no Rio de Janeiro no verão passado. O espetáculo Borogodó foi recriado com o nome de O buraco da Minhoca no Borogodó dos Cafundó. A nova temporada acontece no Sargent Peppers, durante o mês de janeiro, sempre às quartas-feiras (13, 20 e 27).
    O repertório traz clássicos dos quatro cantautores, composições conjuntas dos músicos, como a marchinha O Tal Buraco da Minhoca, que faz uma referência bem-humorada aos wormholes, atalhos que, segundo teóricos da física moderna, permitiriam viagens no espaço-tempo.
    Completam o set list versões de músicas de outros compositores, como a música 2001, de Tom Zé e Rita Lee, que foi acrescida de um techo do clássico Prenda Minha e Rio Grande, addaptação de Bebeto Alves para Massachussets, dos Bee Gees.
    As apresentaçõesa contecem sempre às quartas-feiras, às 21h. O Sargent Peppers fica na Quintino Bocaiúva, 256. Os ingressos custam R$ 30.

  • Batucada de Segunda é atração cultural no verão de Porto Alegre

    MATHEUS CHAPARINI
    Da outra ponta do eixo central da Redenção já se ouvia a marcação dos tambores em ritmo de ciranda. Chegando próximo ao arco o que se via era uma grande roda com cerca de 30 percussionistas. Bumbos, pandeiros, tamborins e mineiros se misturavam em uma bagunça até que bem organizada musicalmente. É a Batucada de Segunda, evento criado há um ano, quase por acaso, que está crescendo e dá indícios de que vai se tornar uma tradição na monótona época de virada de ano em Porto Alegre.
    A ideia surgiu no final de 2014, por integrantes do Coletivo Das Flor, que reúne moradores da Lomba do Pinheiro e diversos artistas da cidade e apresenta o espetáculo Lombay, uma fábula urbana. “Estava chegando o final do ano e não tinha nada para fazer na cidade”, explica o baiano Tiago Expinho, um dos quatro fundadores da brincadeira, ao lado de Marcos Rangel, Vini Silva e Ismael Oliveira. “O Expinho é o culpado, o mentor intelectual”, brinca Vini, mas Expinho rejeita o rótulo: “É só olhar o evento pra ver que não tem isso, a maioria do pessoal que está aqui eu não faço ideia de onde seja.”
    O primeiro encontro, na última segunda-feira de 2014, reuniu oito participantes. A vontade permaneceu e foi marcado mais um, para a semana seguinte e apareceram mais de cem pessoas. Na edição desta segunda-feira, 28, eram pelo menos 150 presentes, entre jovens, adultos e famílias. E assim ficou estabelecido: na primeira e na última segundas-feiras do ano, tem batucada na Redenção.
    Os quatro criadores do evento são artistas envolvidos em projetos culturais – Rangel já trabalhou com os grupos teatrais Falos e Stercus e Bacantes e hoje vive em São Paulo, Vini é da Turucutá, Ismael é do Maracatu Truvão, entre outros, e Expinho é cineasta – mas deixam claro que o objetivo do evento é juntar gente para tocar e se divertir, sem compromisso com o profissionalismo.

    Qualquer pessoa pode chegar com seu instrumento e se somar à roda / Jornal Já
    Qualquer pessoa pode chegar com seu instrumento e se somar à roda / Jornal Já

    “Você pode dizer tranquilamente que aqui tem gente da Turucutá, do Bloco da Laje, do Maracatu Truvão, das Batucas, diversos artistas de rua e moradores do entorno. É um monte de gente que tá na cidade sozinha e resolveu ficar sozinha junto”, explica Expinho.
    A reunião funciona de forma aberta e sem repertório definido. Qualquer pessoa pode chegar com seu instrumento e entrar na roda e cantar uma música e “ai que vida boa olelê” e “ai que vida boa olalá”. Daqui a pouco o que era ciranda vira coco, o coco vira samba, que vira axé e a brincadeira vai até a noite.
    A próxima Batucada de Segunda acontece no dia 4 de janeiro, a partir das 18h, no Monumento ao Expedicionário, o Arco da Redenção.

  • Sartori completa o ajuste congelando salários

    No meio da madrugada desta terça-feira, com a Assembleia Legislativa isolada por um forte aparato policial e o acesso ao plenário limitado, os deputados estaduais gaúchos aprovaram todos os projetos que foram à votação na sessão extraordinária solicitada pelo governador José Ivo Sartori. Das 31 propostas, 27 foram aprovadas e as demais tiveram votação adiada ao fim da sessão, que começou às 15h30 e passou das 4h.
    A Lei de Responsabilidade Fiscal, PLC 206/2015, projeto mais contestado pela oposição e pelo movimento unificado dos servidores públicos, passou com 29 votos a 22 e três das 17 emendas propostas. A lei limita as despesas do Governo do Estado às receitas e é criticado pelo funcionalismo, que considera que a nova lei congela despesas com pessoal, trancando reajustes salariais, promoções e nomeações dos aprovados em concurso. O PLC estava na casa desde março deste ano.
    Também foi aprovado o projeto que extingue a Fundergs (Fundação de Esporte e Lazer do Estado do Rio Grande do Sul), que gerou grande mobilização de entidades esportivas em agosto deste ano. Outro projeto permite que o executivo venda ou feche a Cesa (Companhia Estadual de Silos e Armazéns) sem a necessidade de plebiscito para consultar a população.
    O líder do governo na Assembleia, deputado Alexandre Postal (PMDB), apresentou requerimento solicitando adiamento da votação de outros quatro projetos: PL 507, que limita o número de servidores cedidos para sindicatos e outras entidades representativas de classe; PL 508, que altera a lei que criou a EGR (Empresa Gaúcha de Rodovias ); PL 509, que prevê concessão de rodovias para a iniciativa privada e PEC 242, que extingue a licença-prêmio assiduidade dos servidores.

  • Assembleia sitiada vota projetos polêmicos

    Matheus Chaparini
    Desde as primeiras horas da manhã desta segunda-feira diversas entidades representativas dos servidores públicos do estado acampam na Praça da Matriz, em frente à Assembleia Legislativa. Na chegada à praça, os servidores se depararam com o isolamento da casa legislativa, realizado pela Brigada Militar desde a meia-noite.
    Segundo o comandante da operação, tenente-coronel Marcus Vinicius Oliveira, havia cerca de 200 brigadianos envolvidos. Ao longo da rua Duque de Caxias, cerca de 30 viaturas estacionadas, além de policiais a cavalo. O efetivo é maior que o empregado em outras votações polêmicas, apesar da quantidade de servidores mobilizados ser menor.
    A Assembleia começa a votar nesta tarde uma série de projetos, 14, que integram a sexta fase do reajuste fiscal e outros que já tramitavam na casa, somando 29 ao todo.  A sessão extraordinária foi solicitada pelo governador José Ivo Sartori e foi duramente criticada pela oposição e pelo funcionalismo.
    O acesso ao plenário é feito através de senhas. Foram distribuídas 145 entradas para apoiadores do governo e o mesmo número para pessoas contrárias aos projetos. Os servidores reclamam da restrição ao acesso e afirmam que há lugares vazios.
    Os líderes das bancadas fizeram um acordo para que todos os projetos sejam votados ainda nesta segunda-feira. Mas caso seja necessário, as votações podem ser estender ao longo de terça e quarta-feira. Os servidores devem permanecer acampados até o resultado das votações.
    O presidente estadual da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Claudir Nespolo, avaliou que é um dia muito triste para a democracia no estado. “Nossa síntese é a seguinte: quando tu vais fazer ‘arte’, tu te escondes. Como eles estão com projetos contra os servidores, contra as políticas públicas, contra o povo do Rio Grande, eles se isolaram para tentar votar de forma traiçoeira, nas costas da população.”
    O presidente do Sindet (Sindicato dos Servidores do Detran), Maximilian Gomes, criticou a realização de uma sessão extraordinária entre o Natal e o Ano Novo, época difícil de mobilizar os servidores. “Uma das medidas estratégicas e maquiavélicas do governo do Estado é utilizar este período para aprovar a toque de caixa e sem discussão esses projetos de lei que atacam os direitos dos servidores.”
    Claudir Nespolo também criticou o caráter da sessão. “Não é por nada que chamaram de forma extraordinária uma sessão que não tem nenhuma pauta extraordinária, é uma pauta de retirada de direitos.”
    Congelamento de salários e concessão de rodovias são os projetos mais criticados
    Entre os projetos mais polêmicos está o PLC 206/2015, a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal, que congela os salários dos servidores e impede nomeações e promoções. Também é alvo de fortes críticas o projeto que limita o número de servidores cedidos para cumprirem funções nos sindicatos e associações.
    Outro projeto polêmico é o de concessão de rodovias. Para o presidente do Sindet, “isso significa dizer que as pessoas não vão poder utilizar as rodovias, sem pagar um pedágio que muitas vezes é alto e o retorno, em termos de duplicação e outras medidas de segurança, acabam não se efetivando, como a gente já sabe, analisando outras rodovias que são concedidas”.
    Os representantes dos servidores utilizam um carro de som para fazerem discursos. O equipamento também toca paródias de músicas que criticam diversas medidas do governador Sartori e ironizam declarações do “gringo”. O ator e humorista Wagner Padilha utilizou o microfone para apresentar uma paródia que fez sobre o jingle de uma loja de materiais de construção, lembrando uma declaração de Sartori em relação ao piso salarial dos professores. “Tá ferrando com a polícia/ professor não é piadista/ elegeram a imundícia/ gringo Tumelero”, cantava, apoiado pelos servidores presentes.

  • Assembleia fará sessão extraordinária para votar projetos de Sartori

    Na manhã desta quarta-feira, o governador José Ivo Sartori foi pessoalmente até a Assembleia Legislativa para entregar ao presidente da casa, deputado Edson Brum (PMDB), pedido de convocação extraordinária entre o natal e o ano novo além de um pacote de projetos para serem votados. É a chamada 6ª fase do ajuste fiscal do estado.
    Brum convocou os deputados, que estão em recesso desde terça-feira, para a sessão que acontecerá na próxima segunda-feira, 28, às 14h. Caso não haja tempo para votar tudo, outra sessão deve ser marcada para o dia seguinte.
    O pacote de 15 projetos se soma a propostas que já tramitam na casa totalizando 29 itens a serem votados. Entre eles, projetos de extrema importância e que causam polêmica, como a Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual, que vincula a concessão de aumento real de salários, em todos os poderes, a 25% da receita excedente.
    Outra matéria limita a cedência de servidores para atuação em sindicatos. Segundo o Governo do Estado, R$ 1,3 milhão é gasto mensalmente com o pagamento dos salários de 118 servidores que estão cedidos para exercer atividades em sindicatos. Há também um projeto de concessão de rodovias.
    O PLC 216/2015, a chama Lei de Responsabilidade Fiscal também deve entrar na pauta de votação da sessão extraordinária. A proposta limita gastos com pessoal, nomeações e alterações de carreira e é muito criticada pelos servidores públicos estaduais.

  • ​Deputados encaminham processo para cassar Jardel

    O deputado Marlon Santos (PDT) selou ontem o destino do deputado Mário Jardel (PSD) ao recomendar a abertura de processo de cassação do ex-jogador de futebol, baseado numa série de denúncias do Ministério Público e em sua própria investigação como corregedor da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (AL/RS).
    O parecer de Santos foi aprovado por unanimidade pelos membros da comissão de Ética Parlamentar do Legislativo gaúcho. Seu trabalho foi considerado exemplar e não mereceu reparos. Aliás, o deputado Juliano Roso (PCdoB), presidente da Comissão, rejeitou imediatamente o pedido da defesa de Jardel pelo afastamento do corregedor no processo.
    Na volta do recesso parlamentar, dia 3 de fevereiro será formada uma subcomissão para dar andamento ao processo, momento em que Jardel terá novamente oportunidade de responder à série de irregularidades atribuídas à sua conduta parlamentar, dentro e fora do gabinete.
    Desfecho previsível
    Na leitura, o corregedor apontou dificuldades pessoais do deputado Jardel e fatores que afetariam sua conduta como deputado, sendo “vítima e também vilão das denúncias que enfrenta”, o que quebra o decoro parlamentar. “É inegável que toda a conduta apurada fere a imagem da Assembleia Legislativa”, afirmou.
    Ele registrou evidências de ação articulada dos servidores e ex-servidores do gabinete contra o parlamentar, o que deverá resultar em denúncia judicial de todos os envolvidos.
    Também foi apurada a prática do PSD, antes mesmo de Jardel assumir o mandato, de assumir as despesas pessoais do ex-jogador , rotina que migrou com o deputado eleito para a Assembleia, conforme consta em planilha nos autos do processo.
    Apontou má-fé do deputado Jardel no descumprimento das normas legais para a prestação de contas de viagens, através da utilização de notas fiscais vencidas. Considerou incompatível a representação parlamentar simultânea à relação com drogas e a associação com o tráfico, conforme apontam as provas. Detalhou as diversas diligências realizadas para apurar as denúncias, descartando as acusações de contratação de funcionários fantasmas e de funcionária que também teria como atividade a prostituição.

  • Manifestantes jogam dólares na prefeitura contra privatização do Cais Mauá

    Naira Hofmeister
    Passava pouco das 18h30 desta segunda-feira (21) quando centenas de notas de dólares cobriram as escadarias de acesso ao edifício da prefeitura municipal de Porto Alegre, no Centro Histórico da Capital.
    Era o ápice do ato político organizado pelos coletivos contrários ao modelo de revitalização proposto para a antiga área portuária da cidade, que inclui a restauração dos armazéns tombados pelo patrimônio histórico e a construção de três espigões, um shopping center e estacionamento para 4 mil veículos.
    Depois de um ano intenso de trabalho para tentar barrar o empreendimento – que incluiu a realização de dezenas de festas, visitas, reuniões com autoridades e ações na Justiça – a brincadeira serviu como catarse coletiva. Todos queriam atirar seu punhado de notas falsas sobre o Paço Municipal e apenas as réplicas tocavam o chão, algum participante as recolhia para fazê-las voarem novamente.
    Apesar das risadas, o ato estava carregado de simbolismo: o dinheiro impresso representava a “recompra” do Cais Mauá pela população, uma referência ao processo de privatização da área – e de toda a orla central do Guaíba – denunciados por movimentos como A Cidade Que Queremos e Cais Mauá de Todos.
    escracho 010
    Houve também um “desabraço” ao prédio da prefeitura, quando os manifestantes deram as costas à porta de entrada para manifestar o rechaço pela política urbana implementada em Porto Alegre nas últimas gestões, além de discursos de lideranças tradicionais e de rostos novos – convocados pelos coletivos Defesa Pública da Alegria e Levante Popular da Juventude –, batucada, samba e hip hop improvisados.
    Ao fim do ato, ao ritmo de Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, os manifestantes entoavam: “Cais, cais, cais, cais, cais, cais / Traz o povo pro cais, traz o povo pro cais, traz o povo pro cais”.
    Criatividade atrai população

    Palavras de ordem, batucada e improvisos atraíram quem passava desavisado | Naira Hofmeister
    Palavras de ordem, batucada e improvisos atraíram quem passava desavisado | Naira Hofmeister

    Realizado no final do horário comercial e em um dos pontos com maior volume de circulação de pessoas no Centro Histórico, o ato atraiu curiosos que desconheciam por completo o debate sobre o polêmico projeto de revitalização do Cais Mauá.
    “Eu olho muito tevê, leio jornal e ouço rádio, mas não estou sabendo desse projeto”, admitiu o aposentado Jairo Balbueno, 68 anos, que, convencido da importância da pauta levou para casa uma pilha de panfletos “para distribuir aos vizinhos”.
    “Eu me criei nesse rio, ele é nosso, é uma beleza da cidade”, justificou.
    Já o empresário Antonio Carlos, 40 anos, reproduzia cada fala dos manifestantes para o filho, através do WhatsApp. Ele é portoalegrense, mas está morando em São Paulo e veio apenas passar uns dias na Capital gaúcha. “A primeira coisa que eu entendi é que o cais está fechado, mas antes era aberto, a gente podia ir lá ver o pôr-do-sol”, comparou.
    Esportista nas horas vagas, Antonio Carlos estava com sua bicicleta, mas foi em uma competição de corrida recente que ele se deparou com os tapumes da orla do Guaíba, no trecho entre a Usina do Gasômetro e a Rótula das Cuias.
    “É um circuito que tem em todo o Brasil e eu escolhi não correr em São Paulo, mas aqui, para poder ver o rio. E ele não estava lá”, revoltou-se.
    Por sua vez, Fabrício Fagundes, 24 anos, parou por alguns minutos sua caminhada de reconhecimento do Centro Histórico de Porto Alegre para ver o escracho contra a prefeitura. “Sou turista, estava em Florianópolis e passei por aqui antes de seguir para o Alegrete”, explicou.
    Apresentado aos argumentos dos manifestantes, que gritavam “não vai ter shopping”, ele aplaudiu: “Estão certíssimos! Shopping tem em qualquer lugar do mundo. Quando a gente é turista, quer mais é conhecer os lugares emblemáticos, importantes e tradicionais das cidades”.
    Catador emblemático se soma aos protestos
    Com 30 anos de militância, Carboneiro é liderança da Vila dos Papeleiros | Naira Hofmeister
    Com 30 anos de militância, Carboneiro é liderança da Vila dos Papeleiros | Naira Hofmeister

    Entre as dezenas de pessoas que participaram do ato, uma não conseguiria passar despercebida. Carregando seu carrinho com jornais velhos e papelão, Antônio Viana Carboneiro, o catador de lixo mais emblemático da cidade, foi ao Centro Histórico acompanhado do filho mais moço.
    “Os catadores apoiam esse movimento e pedem que todos os que estão aqui também olhem para a nossa luta com carinho”, explicou.
    Ao longo de mais de 30 anos de militância, Carboneiro liderou os moradores da Vila dos Papeleiros na busca por seus direitos, incluindo a mudança da comunidade para uma área urbanizada. Agora ele batalha pelo direito ao trabalho, ameaçado pela lei que baniu carroças e carrinhos de catadores das ruas de Porto Alegre.
    “Agora conseguimos um ano mais antes que entre em vigor, mas precisamos de mais apoio para que o meu pessoal não passe necessidade”, justifica.
    Para Carboneiro, há dois pontos de contato entre os movimentos que defendem uma alternativa ao atual projeto de revitalização do Cais Mauá e os catadores de lixo de Porto Alegre: a busca pela ampliação do diálogo com o poder público e o meio ambiente.
    “Cada catador é um ambientalista porque se vê uma garrafa, uma latinha, um papelão na rua, ele recolhe, evitando que isso vá parar nos rios. É um trabalho para a mãe natureza e que permite que a gente compre material escolar para os filhos, arroz e feijão dignamente”, esclarece.