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  • Saiu o JÁ Bom Fim de novembro

    A edição de novembro do JÁ Bom Fim está circulando pelo comércio do bairro e arredores. A capa traz uma matéria sobre a violência policial que encerrou a Feira do Livro Feminista e Autônoma na noite do último domingo, dia 1º. O assunto domina as rodas de conversa na Praça João Paulo I, na rua Jeronimo de Ornelas. Todos comentam, mas ninguém quer se identificar ou ser fotografado.
    Tem também um guia especial com os opções de atividades físicas no bairro, as eleições do Conselho do Plano Diretor, cercadas de reclamações e denúncias, a luta da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) em busca de uma nova sede e muito mais.

  • Flávio Lewgoy, o lutador incansável

    Faleceu na manhã deste sábado (07), o ambientalista Flávio Lewgoy.
    Prestes a completar 90 anos – que seriam comemorados em janeiro – o professor aposentado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) estava internado no Hospital Moinhos de Vento, onde tratava um câncer reincidente.
    Químico e geneticista, Lewgoy foi duas vezes presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) nos anos 80 e manteve-se atuante até o final da vida.
    No primeiro semestre de 2015, por exemplo, elaborou um estudo sobre o impacto da quadruplicação da planta da Celulose Riograndense, em Guaíba na emissão de poluentes. Seu relatório fortaleceu a ação dos ambientalistas no momento em que a comunidade denunciava os efeitos da ampliação da fábrica na saúde da população.
    A postura crítica de Lewgoy à produção de celulose em Guaíba era histórica. Nos anos 90, o professor foi o principal responsável pela rejeição do projeto de duplicação da então fábrica da Riocell na Assembleia Legislativa, mesmo com o Governo do Estado já tendo dado seu aval para a obra.
    Sua formação científica foi decisiva para o movimento ambientalista porque contribuiu para tornar a atividade da Agapan mais técnica e dar aos protestos e manifestações públicas uma base científica.
    Conforme contou em seu depoimento publicado no livro Pioneiros da Ecologia, da JÁ Editores, tornou-se ambientalista (após conhecer José Lutzenberger em 1971, por quem se fascinou) porque, ex-aluno da universidade pública, queria retribuir com algo para a sociedade que pagou sua formação.
    O enterro de Flávio Lewgoy ocorre neste domingo, às 11 horas, na União Israelita Porto Alegrense (Prof. Oscar Pereira, 1125).

  • Senador da Rede tenta atrair Simon e Paim

    Nesta sexta-feira, 6,  o senador Randolfe Rodrigues, eleito pelo PSOL do Amapá, formaliza em seu Estado o lançamento da Rede Sustentabilidade, o partido recém-criado sob a liderança de Marina Silva. Ele será o primeiro senador da Rede, que tem também cinco deputados federais.
    Desde  que anunciou a troca de partido, em outubro passado, Randolfe Rodrigues mantém  conversações com o ex-senador Pedro Simon, dissidente do PMDB e o senador Paulo Paim, em conflito no PT. Ele garante que os dois consideram a possibilidade  de ir para a Rede. “Paim me diz que tomará uma decisão até o fim do ano. Simon prometeu ir ao nosso Congresso Nacional… Quem sabe?”.
    Segundo informação da assessoria do Senador, Paulo Paim estará no Amapá no evento de hoje.
    Nesta entrevista ao JÁ, Rodolfo Rodrigues explica porque considera a Rede uma saída para a esquerda que se frustrou com o PT:
    Por que o sr.  deixou o PSOL?
    A relação no PSOL já estava deteriorada há algum tempo, desde minha renúncia à candidatura presidencial… perdi um bom relacionamento com a  direção partidária e comecei a ser visto com um tanto de desconfiança. Não estava em paz. A gota d’água foi este ano, quando tentei ser presidente do diretório estadual do Amapá e houve um veto.Segundo uns o veto era da direção estadual, segundo outros era da direção nacional. Pensei: nenhum dos dois me quer. Mas não tinha para onde ir… até que surgiu a Rede.
    A Rede apoiou Aécio na eleição de 2014. Qual é sua expectativa, agora?
    A Rede, embora eu entenda que a decisão da Marina, de apoiar o Aécio no segundo turno da eleição passada, foi errada, a Rede é um projeto em formação. E foi esse fator que alimentou as conversas de um grupo de militantes de esquerda, Heloisa Helena, já antes disso, Alessandro Molon e um grupo deslocados no PSOL… pensamos que se tivesse um contingente do pólo progressista, desse perfil, que se deslocasse para a Rede, poderia contribuir para aglutinar essas forças da esquerda democrática hoje dispersas.
    Um abrigo para a esquerda desamparada?
    Acho que estamos vivendo um dos períodos de maior defensiva para as forças progressistas do país. A derrota do PT enquanto projeto político não é uma derrota qualquer, leva boa parte da esquerda para o naufrágio… e há um espaço a ser ocupado. São milhares e milhares de militantes que não veem mais o PT como alternativa, “o maior partido de esquerda do ocidente”… esse espaço poderia ter sido ocupado pelo PSOL, mas o partido tem perdido oportunidade de ocupar. A Rede se concretizando como campo democrático popular progressista, amplo… pode ser legatária desse patrimônio.
    O que houve com o PSOL, a seu ver?
    O PSOL é uma experiênciua de dez anos. Já era para ter ocupado esse espaço. A deterioração do PT vem desde 2005, com o escândalo do “mensalão”. De lá para  cá já se sucederam duas eleições presidenciais. O PSOL tinha um espaço enorme para galvanizar o campo progressista, só que o PSOL resolveu… Fico desconfortável ao falar isso, é igual ex-marido falando da mulher, mas essa análise é inevitável… Se o PSOL tivese se aberto mais à conjuntura… Marina, por exemplo, já em  2010 poderia ter se filiado ao partido. Heloisa Helena, que teve um desempenho formidável, teve 7% do eleitorado em 2006, não poderia ter sido alijada das instâncias de decisões partidárias, como foi. O PSOL teve dois pecados:  um pouco de autofagia sobre de suas principais lideranças, Heloisa é o caso mais clássico… e não entendeu que estava em curso uma ofensiva conservadora, que o partido tinha que ser mais amplo no sentido de abrigar no seu conjunto não só aqueles que se  reinvindicassem socialistas, mas também setores democráticos. Faltou amadurecimento para isso.
    Para se abrir?
    Qualquer experiência de esquerda democrática progressista no Brasil fracassará se for uma alternativa política, um guarda-chuva, um abrigo, só para aqueles que se declararam comunistas e socialistas. Estes são poucos na sociedade brasileira. Uma experiência de esquerda democrática progressista, tem que se abrir também para outros campos democráticos.
    Tem que ser uma frente, necessariamente?
    Tem que ser necessariamente mais amplo, como foi o PT. Só que o PT como alternativa fracassou. Tem que ser mais amplo. Qual a novidade da Rede? Ela incorpora ao conceito de esquerda democrática um ingrediante a mais, que é a sustentabilidade. Um ingrediente indispensável, a ser incorporado pela esquerda do século 21.
    A esquerda tende a se fragmentar?
    A queda do PT ocasiona dois fenômenos: uma ofensiva conservadora, em parte alimentada por aqueles que nos anos de crédito fácil de governos do PT ascenderam à classe média e hoje se sentem traídos. E de outro lado uma esquerda mais estreita e mais  sectária. Na verdade, 14 anos após a subida do PT, temos o fechamento de um ciclo. Momento ideal para o surgimento de uma alternativa entre os dois extremo, ampla…
    Sobre Paim e Simon:     
    “São dos poucos com quem tenho insistido. Paim, não vejo pelo PT em 2018.  Para onde ele vai? Alternativa nenhuma reúne melhores condições do que a Rede para abrigá-lo. Ele me disse que tomará a decisão até o fim do ano. Simon, estive com ele e o convidei para o lançamento da Rede, disse que estaria lá comigo. Simon já é membro do Conselho de Notáveis”.
     

  • Ministério Público projeta torres quadrigêmeas em área administrativa

    Naira Hofmeister
    As famosas “Torres Gêmeas” que abrigam a sede central do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS), na área administrativa de Porto Alegre – quase às margens do Guaíba, na altura da rótula das Cuias – ganharão duas novas irmãs em breve.
    Está tramitando na Secretaria Municipal de Urbanismo (Smurb) o projeto de ampliação da sede da instituição, que se estenderá ao longo do terreno vizinho, na avenida Aureliano de Figueiredo Pinto, nº 100.
    “Acreditamos que em quatro ou cinco anos estejam prontas”, calcula o coordenador da Divisão de Arquitetura e Engenharia do MP-RS, Hugo Gino Pasquini, um dos autores do projeto.
    A nova construção se assemelhará esteticamente às atuais “Torres Gêmeas”: também será dividida em dois espigões e terá ainda um volume adicional lateral, pouco menor que as torres e coberto por um gramado.
    A diferença está na altura dos dois prédios principais, que terão 56 metros, ou o equivalente a 20 andares. É mais do que prevê o Plano Diretor de Porto Alegre, que limita as construções na cidade em 52 metros (18 andares).

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    Edifício terá altura total de 56 metros, quatro a mais do que o limite máximo da cidade | Reprodução

    “O terreno está na chamada área de interesse institucional, para o qual não há regime urbanístico definido pela lei municipal. Por isso as diretrizes precisam ser dadas pelo Conselho Municipal do Plano Diretor”, explica a funcionária da Smurb Sandra Laufer.
    O projeto prevê 618 vagas para automóveis. Originalmente eram 474, porém, a Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC) solicitou aos projetistas que aumentassem o tamanho do estacionamento, que ocupará os primeiros três pavimentos da construção – não haverá subsolo, para evitar problemas com inundações.
    conselheiros criticam DIMENSÕES

    Conselheiros Anadir (e) e Alan (c) questionam construção | Naira Hofmeister/JÁ
    Conselheiros Anadir (e) e Alan (c) questionam construção | Naira Hofmeister/JÁ

    Conforme a justificativa da arquiteta da prefeitura Sandra Laufer, o projeto está na pauta do Conselho Municipal do Plano Diretor – e alguns dos integrantes do colegiado se mostram bastante preocupados com as proporções da edificação.
    “Me surpreende que o Ministério Público, a quem sempre recorremos nas lutas para que se respeite a harmonia paisagística da cidade, proponha um projeto que não incorpore este aspecto”, condenou a conselheira da Região de Planejamento 6 (RP6), Anadir Alba.
    O representante da RP1 – que inclui o bairro Praia de Belas, onde será construído o edifício – Alan Furlan, teme o impacto da obra no “skyline” da cidade. “Quem vem para o Centro Histórico da Zona Sul não enxergará mais o edifício do Centro Administrativo, que é um símbolo da cidade. Vai ver só um paredão”, alerta.
    Já o conselheiro Alceu Rosa da Silva, que ocupa a cadeira destinada ao Orçamento Participativo no colegiado criticou a falta de compensações para a sociedade. “O aumento no número de vagas é apara atendimento de quem está lá dentro do Ministério Público. Ao povo, não é oferecido estacionamento”, alfinetou – ao que a arquiteta do MP Daiane Gomes respondeu dizendo que as vagas serão disponibilizadas para qualquer cidadão em atendimento na instituição.
    Impermeabilização DO SOLO preocupa
    O projeto de ampliação da sede do MP-RS foi pensado para otimizar ao máximo a ocupação do terreno onde será construído. Por isso, ao invés de serem construídos três prédios separados, eles formarão em um único volume – assim é possível compartilhar áreas comuns de circulação como corredores e sanitários, por exemplo, e sobra mais espaço para os escritórios.
    É pela mesma razão que a edificação vai ocupar quase que a totalidade do terreno onde será erguida, o que também é motivo de questionamento por parte de alguns conselheiros do Plano Diretor.
    Hoje o local abriga um estacionamento, mas o solo é todo permeável, ou seja, consegue absorver água com facilidade. Ao construir utilizando o máximo de aproveitamento do terreno, o Ministério Público irá impermeabilizar essa área, dificultando o escoamento em caso de chuvas, por exemplo.
    “Para cumprir a legislação no que se refere à área vegetada obrigatória farão um terraço verde. Só que não tem a mesma capacidade de absorção que um jardim”, compara Alan Furlan.
    Os arquitetos responsáveis pelo projeto contra-argumentam mostrando o lado positivo do terraço: segundo a lei, se o construtor optar por este tipo de área vegetada a extensão mínima precisa ser duplicada em relação ao que seria obrigatório caso fosse feito um jardim tradicional.
    elevar altura pode ser saída
    A sugestão dos conselheiros para mitigar tanto o impacto visual da obra na paisagem da região, e também deixar mais terreno livre de concreto para absorção das águas das chuvas foi aumentar a ainda mais a altura dos edifícios – o que, inclusive foi chancelado pelo secretário municipal de Urbanismo, Valter Nagelstein.
    Os representantes da população elencaram uma série de diligências sobre o projeto e pretendem solicitar medidas compensatórias de grande vulto para justificar a edificação – entre elas, recursos para a revitalização do Viaduto Otávio Rocha ou para a qualificação do sistema de drenagem do Parque da Redenção.
    Tribunal de Justiça e PGE também VÃO CONSTRUIR

    Construções deverão impermeabilizar maior parte da quadra | Reprodução
    Construções deverão impermeabilizar maior parte da quadra | Reprodução

    O “paredão”, como se referem alguns conselheiros do Plano Diretor ao novo projeto do MP-RS vai se estender muito além do terreno de número 100 da avenida Aureliano de Figueiredo Pinto.
    Ao lado do terreno onde serão construídas as novas torres da instituição, uma área grande está destinada à Procuradoria Geral do Estado (PGE), que sonha em construir no local sua sede definitiva – hoje o órgão estadual está dividido entre o prédio do Daer, na entrada da cidade, e o Centro Administrativo.
    A situação financeira porém, não ajuda e não há nenhuma perspectiva de construção num futuro próximo.
    Não é o caso do prédio anexo do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS), que ocupará o terceiro terreno atualmente livre na quadra, quase na esquina com a Borges de Medeiros, onde está a sede administrativa da instituição.
    A ampliação do TJ-RS já está em andamento, com as fundações do novo edifício sendo executadas. Serão 17 pavimentos – sendo três de subsolo – e 985 vagas de estacionamento. A previsão é que esteja concluído no início de 2019 e o valor total do investimento é de R$ 151,3 milhões.

  • Muro do Julinho desaba

    Parte do muro lateral do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, desabou em torno do meio dia desta quinta-feira, 5. Um pedaço de aproximadamente de 40 metros do muro do estacionamento desabou sobre a calçada da rua Laurindo. Moradores comentam que o muro já estava torto há muito tempo e que as árvores do lado de dentro estavam apoiadas sobre ele, além de terem as raízes muito próximas à base.
    O porteiro do prédio em frente, João Moisés Santos, viu o momento da queda. “Deu um estrondo muito forte, parecia uma explosão. Os moradores do prédio chegaram a descer pra ver do que se tratava”, conta João. “A sorte é que é um dia de chuva, se tivesse sol, provavelmente teria alguém passando.”

    João viu o momento em que o muro caiu: "parecia uma explosão"
    João viu o momento em que o muro caiu: “parecia uma explosão”

    Ninguém ficou ferido, apesar de o incidente ter ocorrido no horário de saída das escolas. Além do Júlio de Castilhos, o local é caminho de passagem dos alunos do Centro Municipal de Educação do Trabalhador Paulo Freire, localizado no encontro das ruas Laurindo e Santa Terezinha.
    O vice-diretor do Julinho, Sérgio Rovan Ozório, afirmou que as atividades seguirão normalmente. Ainda não foi definido como será feita a segurança, já que o buraco permite o livre acesso à escola. Ozório disse que não há verba disponível e o reparo do muro depende da Secretaria de Educação. Segundo ele, o colégio recebe apenas uma verba para manutenção, que já estaria atrasada há três meses “recebemos a parcela de julho em setembro”. (Matheus Chaparini)

  • RGE promete energia mais estável em 2016

    A Rio Grande Energia (RGE) começou a construir duas subestações e uma linha de transmissão em Júlio de Castilhos (entre Santa Maria e Cruz Alta). Sendo a empresa, o investimento de R$ 16,3 milhões nas três obras de distribuição de energia elétrica beneficiará 17,1 mil clientes na região  central do Estado.
    Com as subestações Júlio de Castilhos 1 e 2, além da linha de transmissão, a RGE pretende deixar o sistema mais confiável e moderno, melhorando a qualidade no fornecimento de energia a partir de maio de 2016.
    As obras também vão melhorar a qualidade do abastecimento do meio rural para as cidades de Tupanciretã e Pinhal Grande, com a instalação de novos alimentadores nas subestações.
    Sobre as obras
    Subestação Júlio de Castilhos 1
    Valor da Obra: R$ 4,3 milhões
    Subestação Júlio de Castilhos 2
    Valor da Obra: R$ 7 milhões
    Linha de Transmissão Júlio de Castilhos
    Valor: R$ 5 milhões
    Números: 16 quilômetros de linha e 44 estruturas metálicas
    Sobre a RGE
    A Rio Grande Energia (RGE) é a distribuidora de energia elétrica da região norte-nordeste do Estado do Rio Grande do Sul. Originada do modelo de concessão pública para distribuição de energia elétrica em 21 de outubro de 1997, a empresa atende 264 municípios gaúchos, o que representa 54% do total de municípios do Estado.
    A área de cobertura da RGE divide-se em duas grandes regionais: a Centro, com sede em Passo Fundo, e a Leste, com sede em Caxias do Sul. São 90.718 km² – 34% do território do Estado. Agrupadas, essas regiões apresentam um dos melhores índices sociais e econômicos do Brasil e também são as responsáveis pelo maior pólo agrícola, pecuário, industrial e turístico do estado.
    Desde 2006 a RGE faz parte integralmente do grupo CPFL Energia, o maior grupo privado do setor elétrico brasileiro.

  • Movimentos convocam ato para debater privatização da orla

    Uma dezena de movimentos sociais, ambientalistas e comunitários de Porto Alegre se reúne, nesta sexta-feira (06) para o lançamento oficial do coletivo “A Cidade que Queremos”, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
    No ato, marcado para às 10h na sala Maurício Cardoso, o grupo vai denunciar o que considera a privatização da orla do Guaíba através de projetos que entregam para a exploração imobiliária, áreas às margens do rio que deveriam privilegiar o uso para o lazer.
    “Se trata, na verdade, de edificar a orla, transformando-a em um lucrativo negócio”, explica um manifesto distribuído na abertura da Feira do Livro.
    Entre os projetos que serão abordados, está a revitalização do Cais Mauá, o antigo Pontal do Estaleiro (rebatizado recentemente de Parque do Pontal), as construções na área do Sport Club Internacional e até o projeto do arquiteto curitibano Jaime Lerner para a região do entorno do Gasômetro.
    “É evidente que as contestações técnicas e políticas sobre essas intervenções não são ouvidas pelo poder público”, condena o texto.
    Na oportunidade, os movimentos pretendem debater com os presentes a recente cheia do Guaíba e os possíveis impactos de inundações nesses projetos. Também serão abordados os apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre irregularidades na licitação da obra do Cais Mauá.
    O evento é aberto e faz parte da estratégia do grupo de rearticular o extinto Fórum de Entidades, que participou ativamente do processo de revisão do Plano Diretor de Porto Alegre e teve papel preponderante no episódio do Pontal do Estaleiro, pressionando as autoridades para que se realizasse uma consulta popular sobre o projeto.
    O JÁ possui um projeto de financiamento coletivo para lançar uma edição especial sobre as obras previstas para a orla do Guaíba, com especial ênfase no Cais Mauá. Para doar, basta acessar este link ou escrever para naira.hofmeister@gmail.com.

  • Brigada Militar lança nota sobre agressões na Feira Feminista

    A Brigada Militar lançou uma nota à imprensa, na tarde desta terça-feira, sobre as agressões policiais denunciadas pelas mulheres que participavam da 1ª Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre, na noite do último domingo.
    Confira a íntegra da nota:
    NOTA À IMPRENSA

    A Brigada Militar informa que a ação policial denunciada pelas mulheres participantes da Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre será apurada. Foi instaurado procedimento investigatório para o esclarecimento das denúncias.
    A Instituição tem como missão principal garantir segurança pública e bem-estar à população gaúcha. Sendo assim, a Brigada Militar não compactua com quaisquer atos de violência ou discriminação.

    Att.,
    Comunicação Social da Brigada Militar.

  • Começa a operar o ponto eletrônico na Câmara Municipal

    Entrou em vigor, na manhã desta terça-feira (3/11), o ponto eletrônico na Câmara Municipal de Porto Alegre. Em torno de 730 servidores (entre concursados, cedidos, cargos em comissão e estagiários) terão que registrar diariamente as entradas e saídas, incluindo o intervalo de almoço.
    “Contratamos uma solução completa de gerenciamento do ponto eletrônico, integrada com a folha de pagamento, nos mesmos moldes de outros órgãos públicos municipais da Capital”, ressaltou o presidente Mauro Pinheiro (PT).
    “Além do controle da frequência dos servidores, este sistema universal com biometria e cartão-ponto possibilitará, futuramente, a integração com as formas de acesso ao estacionamento e a outras dependências da Casa”, acrescenta o diretor-geral Luis Berres. (Maurício Macedo/CMPA)

  • Feministas vão à Feira do Livro denunciar agressões

    A agressão policial a mulheres, na noite de domingo, foi denunciada em um protesto na Feira do Livro de Porto Alegre, o maior evento cultural da cidade.
    Cerca de 300 manifestantes relataram, em uníssono, a agressão policial a um grupo de mulheres na Praça João Paulo I, no bairro Santana, onde estava acontecendo a 1ª Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre, evento paralelo à feira tradicional.
    https://jornalja.com.br/feira-feminista-acaba-com-violencia-policial/
    Pequenos grupos de soldados, usando coletes e até capacetes, guardavam as entradas para os corredores das bancas de livros. A presença policial ostensiva ali mostrou-se desnecessária, pois as manifestantes queriam justamente ocupar os espaços abertos, para denunciar publicamente a violência policial.
    O comandante do 9º Batalhão da Brigada Militar, tenente-coronel Marcus Vinicius Gonçalves Oliveira, disse ao jornal Correio do Povo que houve “uso médio” da força para conter a ação de pessoas que investiram contra a tropa.
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    “Mexeu com uma, mexeu com todas!”
    Logo após as 17 horas, as manifestantes partiram da praça onde foram agredidas, na avenida Jerônimo de Ornellas, e seguiram pelas avenidas João Pessoa e Salgado Filho. Ao final doa caminhada de cinco quilômetros, chegaram à esquina das ruas Andradas e General Câmara. Ali leram, em uníssono, o seu relato do fato, um texto que também incluía o discurso feminista.
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    Gritando palavras de ordem e pedindo o fim da polícia militar, seguiram pela Andradas até a Praça da Alfândega, e repetiram o texto, que seria lido ainda mais uma vez, já quase na Praça de Autógrafos.
    Ali terminou o protesto, pacificamente, e com grande assistência do público, que fotografava e filmava com os aparelhos de telefone celular. As manifestantes são, na maioria, mulheres jovens, contrárias a convenções, ativistas que não aceitam que seja considerado normal o assédio machista.
    O protesto encerrou com um refrão acompanhado por parte do público que foi à Feira do Livro no final do feriadão:
    “Pisa ligeiro,
    pisa ligeiro.
    Quem não pode com formiga,
    não atiça o formigueiro”
    As vítimas ainda não fizeram boletim de ocorrência 
    O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher – Comdim Poa, foi das primeiras entidades a manifestar “solidariedade, indignação e repúdio à ação nefasta e covarde da Brigada Militar”. A presidente do Comdim, jornalista Vera Daysi Barcelos, sugere que as feministas agredidas registrem a ocorrência na Polícia Civil, para “tomada urgente de providências”.
    Também exige punição o Coletivo Feminino Plural, entidade integrante da Rede Nacional Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos e do Consócio Nacional de Redes e Organizações para Monitoramento (Cedaw), que participou ativamente, através do seu Ponto de Cultura Feminista Corpo Arte e Expressão, 1a Feira do Livro Feminista Autônoma. “O objetivo desta Feira é difundir a produção cultural e artística feminista, que na maioria das vezes não se insere no mercado editorial. Em razão desse pertencimento na atividade cultural, e por considerar que nenhuma violência contra as mulheres pode ficar impune e deve servir de alerta ao caráter patriarcal e machista da sociedade e do estado brasileiros, vem a público solidarizar-se com aquelas mulheres atacadas na noite de ontem (…) e também denunciar e exigir de autoridades de todos os níveis, providências para a responsabilização dos autores das agressões, policiais militares integrantes da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.”
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