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  • Prêmio Lutz de Jornalismo teve 209 concorrentes

    Os ganhadores do Prêmio José Lutzenberger de Jornalismo Ambiental foram conhecidos na noite desta terça-feira, 27 de outubro, no Centro Histórico Cultural Santa Casa, em Porto Alegre.
    A Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES-RS) e Braskem, promovem o prêmio que em seu segundo ano já contou com 209 inscritos, que disputaram uma premiação de até R$ 5 mil. O veículo de comunicação com maior número de inscritos foi o Jornal Zero Hora e as instituições de ensino foram Uniritter e Feevale, ambas com o mesmo número de inscrições.
    Para reconhecer as matérias jornalísticas em prol do Meio Ambiente, os ganhadores dos 1º e 2º lugares foram agraciados com troféus produzidos com plásticos reciclados.
    “Alinhados ao conceito da sustentabilidade, resolvemos inovar, e o troféu que os ganhadores levaram para casa não é uma obra feita em metal, vidro ou acrílico como a maioria dos troféus, mas com plásticos que foram reciclados a partir de soluções inteligentes. A reciclagem de plástico ajuda a melhorar a vida de milhares de pessoas que trabalham nas unidades de triagem. A concepção do troféu é do artista Mauro Fuke e pesa 1,5 kg, equivalente a cerca de 550 sacolas plásticas recicladas”, destaca  Daniel Fleischer, da área de Relações Institucionais da Braskem.
    A comissão julgadora foi formada pelos profissionais Jussara Kalil Pires (vice Presidente Abes-RS), Sidnei Gusmão Agra (diretor Abes-RS – Engenheiro Civil) Deisy Mª de Andrade Batista (diretora Abes-RS), Milton Simas Jr (representante dos Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS), Marcelo Campos (representante da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Estado do RS – ARFOC), Luís Fernando Cardoso (diretor de Marketing da Associação Gaúcha de Emissoras de Rádio e Televisão- AGERT); Joabel Pereira (radialista); Luiz Adolfo Souza (Professor Universitário) e os representantes da ARI Mário Rocha, João Souza e Júlio Sortica.
    Conheça todos os vencedores:
    Fotojornalismo
    1º Lugar: Luis Tadeu Vilani – Porto Alegre, cidade ocupada (Zero Hora)
    2º lugar: Ramiro Furquim Filho – Lei das carroças chega ao centro (Metro)
    3º Lugar: Mateus Bruxel  – Guarda-parque argílio: o amigo das plantas (Diário Gaúcho)
    Jornalismo Impresso
    1º lugar: Lara Correa Ely – Paisagem Abandonada (Zero Hora)
    2º lugar: Leandro Mariani Mittmann – O solo responde ao tratamento recebido (Revista A Granja)
    3º lugar: Débora Regina Ertel – Série projeto verde sinos (Jornal Novo Hamburgo)
    Radiojornalismo
    1º lugar: Eduardo Matos – “Os caminhos do lixo” (Rádio Gaúcha)
    2º lugar: Isabela Caetano Kuschnir – O caminho da água no rio grande do sul (Band News)
    3º lugar: Mariana de Freitas – A conversão dos campos sulinos: áreas têm biodiversidade subestimada e possuem proteção questionada (Rádio Metrópole)
     
    Telejornalismo
    1º lugar: Fábio Almeida – Série: descaso com as águas (RBS TV)
    2º lugar: Carolina Abelin Willeker – Especial o guaíba (TVCOM)
    3º lugar: Marcos Fernando Ruschel – Produtores reaproveitam resíduos de suínos (TV Univates)
    Webjornalismo
    1º lugar: Marcelo de Oliveira Kervalt – O nosso lixo (Jornal Novo Hamburgo)
     
    Prêmio Braskem de Jornalismo Universitário
    1º lugar: Bruna Weber Correa – Realidade dos catadores e importância da reciclagem (TV FEEVALE)
    2º lugar: Cândida Schaedler – Por que o Brasil resiste ao alimento verde (FAMECOS – PUCRS)
    3º lugar: Leonardo Pujol Nunes – O clima e o mosquito (UNIRITTER)

  • "Uma feira com os pés no chão"

    Adequação, superação da crise, participação e engajamento da sociedade foi o que mais se ouviu hoje pela manhã dos organizadores da 61ª Feira do Livro de Porto Alegre, que começa na sexta-feira, 30 de outubro, e se estende até o feriado do dia 15 de novembro na Praça da Alfândega.
    “Será uma Feira com os pés no chão, a Feira da superação”, ressaltou o presidente da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), Marco Cena, diante da redução dos investimentos quase pela metade em relação ao ano passado – de aproximadamente R$ 3,8 milhões para R$ 1,8 milhão – e do empenho dos organizadores em manter a qualidade das atividades.
    Ao lado do patrono, escritor e compositor Dilan Camargo, apresentaram à imprensa e às demais autoridades da área cultural no Estado a programação do evento e o tema deste ano que está presente na campanha publicitária, desenvolvida pela Agência Matriz: “Livros ajudam a pensar”, e traz a imagem da escultura O Pensador, do francês Auguste Rodin.
    “Estamos passando por uma transição em que o livro nunca foi tão valorizado no mundo virtual em que vivemos e para reforçar isso queremos desenvolver uma aproximação com o livro que nos permita ter mais conhecimento”, afirmou Cena.
    Entre as novidades, a CRL está lançando nas redes sociais uma campanha de doações de pessoas físicas, via Lei Rouanet. Cada cidadão pode investir  em projetos culturais até 6% do Imposto de Renda a recolher, no valor mínimo de R$ 100. A quantia aportada é totalmente deduzida do valor devido à Receita federal. os depósitos podem ser feitos até o dia 15 de dezembro.
    Na área Internacional, a feira terá participação de autores da Noruega, Finlândia, França, Alemanha, Espanha, argentina, Inglaterra, estados Unidos, Holanda, Portugal, Israel e Cuba. Dois escritores de romances policiais estarão pela primeira veza no Brasil: o norueguês Gard Sveen e a finlandesa Leena Letholainen.
    A cerimônia de abertura da maior Feira do Livro a céu aberto das Américas está marcada para sexta-feira, dia 30, às 19h, no Teatro Carlos Urbim (Av. Sepúlveda, entre a Rua Siqueira Campos e a Av. Mauá).
    Serão cerca de 700 sessões de autógrafos e 300 atividades no evento. A programação completa está disponível no site www.feiradolivro-poa.com.br.
    As barracas da Área Infantil e Juvenil abrem das 9h30 às 21h. Nas áreas Geral e Internacional abrem das 12h30 às 21h, excetuando-se os sábados, quando abrirão às 10h.
    São 15 barracas na Área Infantil e Juvenil, 90 na Área Geral e oito estandes na Área Internacional. No total, serão 113 expositores.

  • Cisne Branco fará passeios em troca de doações para moradores das ilhas

    O Barco Cisne Branco e a empresa Cais Mauá do Brasil realizam campanha SOS Ilhas a fim  de arrecadar doações para os desabrigados das Ilhas do Delta do Jacuí (Ilha Grande dos Marinheiros, Ilha da Pintada, Ilha do Pavão, Ilha das Flores e Ilha da Pólvora).
    De 30 de outubro a 15 de novembro, durante a realização da 61ª Feira do Livro de Porto Alegre, o passeio do Barco Cisne Branco agendado para às 9h terá como ingresso doações para os necessitados. Preferência para alimentos não perecíveis, produtos de limpeza e higiene pessoal.
    “Os problemas são muitos, além das cheias, as comunidades são muito carentes”, explica Adriane Hilbig, proprietária do Barco Cisne Branco.
    Para a presidente da Cais Mauá, Júlia Costa, a situação é tocante e é necessário que a sociedade se mobilize para ajudar. “Queremos apenas exercer nosso papel de cidadãos e, se dispomos de meios para ajudar, por que não fazer?”, comenta a presidente.
    Também apoiam a campanha SOS Ilhas: a Feira do Livro de Porto Alegre, o clube Grêmio Náutico União, Barco Turistinha, Catsul – Catamarãs do Sul, a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Porto Alegre (BPW – POA) e a Associação de Turismo Náutico do Rio grande do Sul (Atun RS).
    O embarque do Barco será realizado no Portão Central do Cais, com acesso pelo Armazém B, onde serão realizadas as mostras literárias Millôr e Paulo Leminski. “Esperamos contar com a grande demanda de visitantes da Feira para mais essa mobilização. As Ilhas precisam de ajuda!” afirma Adriane.
    Serviço:
    SOS ILHAS
    Campanha BARCO CISNE BRANCO e Cais Mauá na 61ª Feira do Livro
    Data: de 30 de outubro a 15 de novembro de 2015
    Local de Arrecadação e embarque: Armazém B do Cais Mauá
    Horários: 9h
    Ingresso: Doações (Preferência para alimentos não perecíveis, produtos de limpeza e higiene pessoal)
    Apoiadores: Feira do Livro de Porto Alegre, Clube Grêmio Náutico União, Barco Turistinha, Catsul – Catamarãs do Sul, a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de Porto Alegre (BPW – POA) e a Associação de Turismo Náutico do Rio grande do Sul (Atun RS).
    OBs.: O Barco Cisne Branco receberá qualquer tipo de doações no armazém B3 do Cais do Porto, local disponibilizado pela empresa Cais Mauá do Brasil, independente do passeio.

  • TSE confirma cassação do vereador Cássio Trogildo

    A Câmara Municipal de Porto Alegre foi notificada nesta segunda-feira pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para que se cumpra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da cassação do mandato do vereador Cássio Trogildo (PTB).
    A defesa do candidato alega que há um liminar que garante que o político exerça o cargo. Até o final da tarde a procuradoria da Casa não sabia como agir. O caso está em análise.
    Se cassado, o vereador fica impedido de concorrer a cargos políticos nos próximos oito anos.
    A decisão é resultado de investigações do Ministério Público, coordenadas pelo promotor Mauro Rockenbach, que apontavam irregularidades nas eleições de 2012. Nesse ano, Trogildo era secretário da SMOV (Secretaria Municipal de Obra e Viação) e foi acusado de utilizar a estrutura de serviços do órgão, como recuperação de iluminação e asfalto para obtenção de votos, corrompendo a lei.
    Na época foram apresentados áudios que mostram conversas entre apoiadores de Cássio e representantes do OP (Orçamento Participativo) onde negociavam obras em troca de votos. O ex-secretário não poderá mais recorrer da sentença.

  • Inmet faz alerta para chuvas intensas na Região Sul

    Andreia Verdélio,
    Agência Brasil
    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o alerta para chuvas intensas hoje (26) no Sul do país. De acordo com o órgão, existe risco de alagamentos, queda de galhos de árvores, raios e chuvas de granizo, principalmente no noroeste e nordeste do Rio Grande do Sul, na região serrana e oeste de Santa Catarina e no sul do Paraná.
    Mais de 177 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas, em 132 municípios gaúchos. São 6,4 mil famílias desalojadas e 1,3 mil pessoas desabrigadas. O governo federal já reconheceu situação de emergência de 66 municípios do Rio Grande do Sul. O reconhecimento é necessário para que os gestores locais tenham acesso a recursos da União para ações de resposta, socorro e assistência às vítimas, além da reconstrução de áreas atingidas.
    Em Santa Catarina, as chuvas causaram danos em quase 100 municípios, 20 decretaram situação de emergência, que também serão reconhecida pelo governo federal. Três pessoas morreram, 2,9 mil estão desalojadas e há 1,7 mil desabrigados.
    As chuvas intensas e tempestades de granizo no Sul e Sudeste do país são causadas pelo El Niño, um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento fora do normal das águas superficiais e subsuperficiais do Oceano Pacífico Equatorial, segundo o Inmet. Essa mudança de temperatura altera a circulação geral da atmosfera, que provoca chuvas mais intensas nas regiões Sul e Sudeste e tempo mais seco nas regiões Norte e Nordeste.
    Segundo a agência espacial norte-americana (Nasa, da sigla em inglês), o El Niño de 2015/2016 deve se igualar ao de 1997/1998, o mais forte já identificado até hoje.

  • Operação desarticula organização criminosa no Estado

    Correspondente “O Repórter”

    A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta segunda-feira (26/10) a Operação Cerberus, com o objetivo de combater o tráfico de drogas e de armas na Fronteira Oeste do Estado. Cerca de 200 policiais cumpriram 22 mandados de prisão preventiva, 32 de busca e apreensão e oito de condução coercitiva nas cidades de Sant’Ana do Livramento, Porto Alegre, Alvorada, Viamão, Canoas, Charqueadas, Rosário do Sul, Uruguaiana e Rivera (Uruguai). Até o momento, 20 pessoas foram presas e armas e drogas foram apreendidas.
    Segundo o delegado Eduardo Sant’Anna Finn, a quadrilha desarticulada na Fronteira Oeste é responsável pela venda de armas e munições para outras organizações criminosas de Porto Alegre e Região Metropolitana, além de ser responsável pela compra de drogas para distribuição nas cidades da região da fronteira, concretizando um fluxo de mão dupla de armas e drogas entre a Fronteira Oeste e Porto Alegre/Região Metropolitana. Conforme as investigações, que duraram oito meses, a intimidação e a eliminação de concorrentes é o método utilizado pela organização para a manutenção do monopólio do crime na região.
    A ordem de enviar armas e munições são oriundas da Penitenciária Estadual de Livramento e Penitenciária Modulada Estadual de Uruguaiana, enquanto que o envio das drogas em direção à fronteira oeste é gerenciado de dentro do Presídio Central, Penitenciária Estadual do Jacuí e Presídio de Alta Segurança de Charqueadas. Com ações realizadas durante o período da investigação, houve um impacto financeiro na organização criminosa de mais de um milhão de reais, entre venda de armas, drogas e bens apreendidos ou com restrições judiciais. “O faturamento mensal estimado da organização com a venda de armas e munições é de 82 mil reais, enquanto que com a venda de drogas é 296 mil reais”, afirmou o delegado Finn.
    Ao longo das investigações, 29 pessoas foram presas, três adolescentes foram apreendidos, 72 pessoas indiciadas, 16 armas apreendidas (incluindo um fuzil), mais de 24 quilos de drogas (maconha e cocaína), 20 mil reais, nove veículos e dois imóveis com pedido de restrição. Os presos da ação de hoje, após os procedimentos de polícia judiciária, serão encaminhados ao sistema prisional.
    A Operação Cerberus foi coordenada pela 12ª Delegacia de Polícia Regional (DPR) de Sant’Ana do Livramento, com o apoio 21ªDPR (Santiago), 9ªDPR (Bagé), 4ªDPR (Alegrete), 3ªDPR (Santa Maria), Gabinete de Inteligência (GIE), Brigada Militar, Superintendência dos Serviços Penitenciários, Polícia Rodoviária Federal e Ministério Público. Também prestaram apoio à operação o Exército Brasileiro e a Polícia de Rivera (Uruguai).​

  • Zelotes: Policia Federal cumpre mandatos em quatro Estados

    Nova fase da Operação Zelotes foi deflagrada na manhã desta segunda-feira, 26.
    Em uma ação conjunta, 100 agentes da PF, do Ministério Público e da Receita Federal ainda devem cumprir 5 mandados de prisão preventiva, 18 mandados de busca e apreensão e 9 de condução coercitiva.
    A operação é feita nos estados de São Paulo,Piaií, Maranhão e Distrito Federal. Uma prisão, do lobista Alexandre Paes dos Santos, foi feita à primeira hora.
    Os agentes também realizaram busca e apreensão na empresa de marketing esportivo LFT, do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Luis Claudio Lula da Silva.
    Segundo as investigações, a empresa tem ligação com o escritório Marcondes e Mautoni, investigada na Zelotes.
    A Operação Zelotes investiga fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda.
    Segundo a PF, esta nova etapa da operação investiga um consórcio de empresas que, além de manipular julgamentos dentro do Carf, negociava incentivos fiscais a favor de empresas do setor de automóveis.
    A Operação Zelotes começou em março deste ano. O esquema investigado, de acordo com a PF, consistia em pagamento de propina para integrantes do Carf com o objetivo de anular ou reduzir débitos tributários de empresas com a Receita Federal.
    Segundo as investigações da PF, o esquema teria fraudado até R$ 19 bilhões da Receita.
     

  • Argentina: em eleição tranquila, candidatos falam em união

    Dizem os jornais brasileiros que Cristina Kirchner sofreu uma derrota na eleição de domingo, embora seu candidato, Daniel Scioli. tenha vencido o primeiro turno.
    Em 2011,  Cristina Kirchner conquistou sua reeleição com 54% dos votos, sem oposição.
    Agora, apoiado por ela,  Scioli fez apenas 36,2% e não conseguiu evitar um segundo turno, inédito na Argentina, contra Maurício Macri, filho de um dos empresários mais ricos do país, que alcançou  34,7% dos votos.
    Scioli ainda é o favorito, mas mesmo sua vitória, se ocorrer, não deixará de  representar um desgaste da presidente Cristina Kirshner. Pelo seu perfil, \à direita do kirchnerismo, e pelas circunstâncias políticas: pela primeira vez terá que negociar com uma oposição que sai das urnas fortalecida.
    Uma vitória importante do governo, não devidamente destacada, foi o clima de tranquilidade em que se deu a votação.
    As eleições foram definidas como “as mais controladas da história”, e os partidos recrutaram um exército de interventores para evitar qualquer tipo de fraude.
    A seleção de rúgbi, que disputava o mundial com a Austrália, foi citada pelos dois principais candidatos como exemplo para o país. Scioli expressou seu desejo de que seu país fosse reflexo do espírito de Los Pumas, como é chamada a seleção.
    “Os Pumas são uma expressão do que deve ser o país. Que nos contagiemos pelo espírito dos Pumas. Eu digo isso como esportista. Eu acredito nesses valores. Essa é a garra que temos que ter.”
    Macri também aderiu à ideia. “Vejo muita alegria na rua, hoje pode ser um dia histórico. Os argentinos votam por continuar igual ou mudar, esperemos que votem pela mudança”, disse Macri e contou que veria a partida em família. “Eles são um exemplo, é a Argentina que queremos, todos unidos e olhando para a frente”, concluiu.
    Sergio Massa,  dissidente peronista que fez 21% dos votos e vai ser decisivo no segundo turno, também parecia eufórico: “Para além do resultado, para além das questões políticas, tomara que comece uma nova fase na Argentina a partir da decisão das pessoas”. Massa foi o único que falou de pequenas fraudes: “Acabaram de me avisar que tivemos um pequeno incidente de roubo de cédulas, hoje todos os argentinos temos a responsabilidade de cuidar do voto das pessoas”, afirmou.
    O segundo turno está marcado para 22 de novembro.
    A crise econômica é a principal causa do desgaste governista. De 2012 em diante, a economia se manteve parada e, em 2014, uma forte desvalorização do peso fez disparar a inflação, que atualmente chega a 25% e superou os reajustes salariais.
    Multiplicaram-se os casos de corrupção,  que chegaram ao vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, processado em dois casos, e afetaram inclusive a família da presidente, com o caso Hotesur. Sua guerra com a mídia, por conta da “ley de médios” que atingiu os grandes grupos, também foi fator de grande desgaste
    Apesar de tudo, Cristina  mantém sua popularidade acima dos 40%. Ainda é presente na memória de  muitos eleitores  a crise de 2001, antes de o kirchnerismo chegar ao poder, quando a Argentina registrou os maiores índices de pobreza a desemprego de sua história.
    ARGENTINA NA ERA DO AJUSTE
    (Do El Pais)  – A Argentina foi um dos primeiros países a se juntar à era dourada da esquerda latino-americana, que teve como líderes Néstor Kirchner,Lula e Hugo Chávez. Todos eles viveram os anos de bonança e expansão econômica.
    Agora, quando o continente entra em uma crise decorrente da queda do preço das matérias primas, a Argentina vota neste domingo e, ganhe quem ganhar, todos os políticos e empresários consultados preveem que chega uma nova etapa muito mais centrada e de provável ajuste.
    Até o candidato do Governo, Daniel Scioli, está muito à direita dos Kirchner e aponta para uma virada.
    A esquerda latino-americana mais antagônica aos Estados Unidos tem um marco institucional: a cúpula de Mar del Prata em 2005, quando Kirchner, Lula e Chávez, apoiados por um Evo Moralesainda na oposição e outros líderes emergentes, romperam com a ALCA, a área de livre comércio das Américas promovida pelos Estados Unidos, e desdenharam de George Bush com discursos muito duros. Dez anos depois, a Argentina é novamente o lugar onde se inicia uma mudança de ciclo, mas em sentido contrário.
    O que os argentinos votam neste domingo é a velocidade dessa virada, mas a direção parece indiscutível. Se, como indicam as pesquisas, ganhar Daniel Scioli, que foi vice-presidente de Néstor Kirchner, embora sempre estivessem distanciados, essa virada será gradual. Se optarem por dar uma oportunidade a Mauricio Macri, o candidato mais forte da oposição, que só tem chance de ganhar se conseguir forçar um segundo turno, a guinada será muito mais rápida.
    Scioli é muito diferente dos Kirchner, mas agora se entregou ao kirchnerismo porque precisa dos seus votos
    Scioli vem da ala mais à direita do peronismo e foi contratado pelo ex-presidente Menem, mas mantém vínculos muito estreitos com os líderes da esquerda latino-americana, que viajaram a Argentina para fazer campanha com ele, em especial Lula e Evo Morales. Não compareceu o venezuelano Maduro, mas Scioli evitou qualquer enfrentamento com ele e não disse uma palavra de condenação pela prisão do líder opositor Leopoldo López. Macri, que suavizou sua imagem em busca do voto peronista, está mais irmanado com a direita e tem bons amigos no PP espanhol. Ele sim fez duras críticas a Maduro e anunciou que se ganhar as eleições reunirá os líderes do Mercosul para condenar a Venezuela.
    Segundo os sciolistas, o governador de Buenos Aires vai inaugurar uma nova era pós-kirchnerista em que vai se aproximar de uma economia mais ortodoxa, mas sem chegar ao ajuste fiscal duríssimo do Brasil. “Nós olhamos para o continente e aprendemos com os outros. Temos dois exemplos recentes. A Venezuela continuou com as mesmas políticas apesar da crise e da queda do preço do petróleo, e foi um desastre. E o Brasil deu uma guinada radical para o ajuste duro e também foi um desastre, político e econômico. Scioli vai inaugurar uma terceira via aprendendo com os erros alheios”, afirma um sciolista importante.
    Scioli é muito diferente dos Kirchner, mas agora se entregou ao kirchnerismo porque precisa dos seus votos. Tira fotos com o embaixador dos Estados Unidos, um anátema para o kirchnerismo, e promete aproximar-se da UE. Seus homens mais fiéis divulgam aos investidores que Scioli vai consertar os desajustes da economia e pactuar com os recursos abutre para que a Argentina deixe de estar economicamente isolada e sem acesso ao crédito barato.
    Promessas e planos reais
    Scioli, filho de um rico empresário italiano de eletrodomésticos, não desperdiça nenhuma ocasião para deixar claro que ele vai fazer políticas a favor dos investidores porque necessita que retorne ao país uma parte dos 300 bilhões de dólares que se supõe que os argentinos ricos e não tão ricos mantenham a salvo fora de sua terra. Macri é ainda mais claro quando promete que eliminará a armadilha cambial, que limita a compra de dólares e provocou um mercado negro que está em pleno apogeu diante da incerteza das eleições.
    No entanto, a suposta virada de Scioli e Macri é um pacto implícito. Nenhum deles conta seus planos reais. Os argentinos dão uma espécie de cheque em branco a seus candidatos. Quase todos os presidentes fizeram o contrário do que prometeram em suas campanhas. Os eleitores sabem e não parece ser um problema grave.
    Tudo está nas entrelinhas, em códigos que os argentinos, interessados em política como poucos povos no mundo, entendem melhor que ninguém. Para ter uma ideia, basta reproduzir o anúncio de campanha de Scioli mais repetido nas rádios: “A única coisa que lhes peço é uma oportunidade. O resto deixem comigo. Eu sei o que preciso fazer e como fazer”. Os detalhes virão depois das eleições.

  • Jornal espanhol destaca força de evangélicos do Congresso brasileiro

    Em reportagem de Andrea Dip, da Agência Pública, o El País, na sua edição para o Brasil destaca o crescimento e a influência da bancada dos evangélicos, que já tem 90 deputados na Câmara, inclusive o presidente, Eduardo Cunha.
    Andrea Dip (Agência Pública)
    Homens de terno e mulheres de saia com a Bíblia na mão vão enchendo o auditório. Alguém regula o som do violão e dos microfones. A música que celebra “júbilo ao Senhor” estoura nos alto-falantes, e a audiência canta junto. Em um púlpito no palco, os pastores abrem o culto com uma oração fervorosamente acompanhada pelos fiéis.
    Uma descrição comum de um culto evangélico não fossem os pastores, deputados, falando de um o púlpito improvisado no Plenário Nereu Ramos da Câmara dos Deputados de um país laico chamado Brasil. E se o (até então) presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), anunciado do púlpito ao entrar no recinto pelos pastores João Campos (PSDB/GO) e Sóstenes Cavalcante (PSD/RJ), não tivesse deixado de lado a agenda oficial para participar da celebração e tirar selfies com pessoas que se amontoavam ao seu redor.
    Certamente seria bem menos estranho se logo atrás de mim, no fundo do auditório, assessores de parlamentares não estivessem fazendo piadas de cunho homofóbico e rindo alto durante boa parte do evento, que se tornou show com a chegada da aclamada cantora gospel Aline Barros, vencedora do Grammy Latino 2014 e um dos cachês mais altos do mundo gospel brasileiro. Ela tinha viajado do Rio a Brasília com o marido, o ex-jogador de futebol e hoje pastor e empresário gospel Gilmar Santos, especialmente para cantar e orar naquela manhã de quarta-feira no Congresso. Ao final do culto/evento, todos receberiam um CD promocional de Aline.
    Aline Barros entoou alguns de seus sucessos com o auxílio de um playback, antes da pregação do marido. O tema é a luta do profeta Elias contra Jezebel, a princesa fenícia que se casou com o rei de Israel e, uma vez rainha, perseguiu e matou profetas israelitas. A imagem da mulher poderosa de alma cruel é usada por dezenas de sites religiosos, que comparam Jezebel à presidente Dilma Rousseff, ameaçando-a de acabar como a rainha, comida por cães.
    “Em Tiago capítulo 5, versículo 17, está escrito que Elias era um homem como nós. Ele orou e durante três anos e meio não choveu. Depois ele orou de novo e Deus manda vir a chuva”, diz o pastor Gilmar, dirigindo-se aos parlamentares. “Muitas vezes a gente tem orado ‘Deus sacode esse país, traz um avivamento, faz algo novo’. Deus está fazendo. Mas a forma que Deus está fazendo nem sempre é do jeito que a gente quer, da nossa maneira. Muitas vezes a gente queria que Deus fizesse chover dinheiro do céu, que fizesse anjo carregar a gente no colo pra levar a gente pra todos os lados e queria pedir pra Deus pra sentar numa rede, pra ele trazer um suco de laranja e operar, trabalhar. ‘Manda fogo, destrói aquele endemoniado, aquele idólatra.’ Mas Deus não faz dessa forma.” Por que Deus escondeu Elias? Por que Deus tem escondido muitos de vocês e ainda não estão nos jornais como sonharam ou não tiveram reconhecimento como sempre sonharam? […] Deus está te escondendo, querido. No momento certo tudo vai acontecer, você vai ser exaltado. Deus sabe como honrar. […] Pode ser o momento mais difícil do seu mandato, mas continua confiando. Muitas pessoas podem estar vivendo uma seca nesse país. Nosso país pode estar vivendo o momento mais seco da história. Vidas secas. Mas o céu nunca vai estar em crise. Nunca tem crise, nunca tem crise.”
    Sem crise
    O número de evangélicos no Parlamento cresceu, acompanhando o aumento de fiéis. Segundo os últimos dados do IBGE, que são de 2010, o número de evangélicos aumentou 61% na década passada (2000-2010). Por sua vez, a Frente Parlamentar Evangélica (FPE), encabeçada pelo deputado e pastor João Campos, agrega mais de 90 parlamentares, segundo dados atualizados da própria Frente – os números podem variar por causa dos suplentes – o que representa um crescimento de 30% na última legislatura.
    A mistura de política e religião é a marca da atuação dos pastores deputados. Campos, por exemplo, é presidente da Frente Parlamentar Evangélica, autor do projeto de lei apelidado de cura gay -e defensor destacado da redução da maioridade penal, como a maioria da chamada bancada da bala – em 2014 ele recebeu 400.000 reais de uma empresa de segurança para sua campanha. Cavalcante ex-diretor de eventos do pastor Silas Malafaia, seu padrinho na fé e na política, é presidente na Comissão Especial que trata do Estatuto da Família.
    Encorajada por Eduardo Cunha, que assumiu a presidência da Câmara dizendo que “aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do meu cadáver”, a bancada evangélica tem conseguido levar adiante projetos extremamente conservadores, como o Estatuto da Família (PL 6.583/2013), que reconhece a família apenas como a entidade “formada a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou de união estável, e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus filhos”. A PEC 171/1993, que usa passagens bíblicas para justificar a redução da maioridade penal, também foi aprovada na Câmara e aguarda análise do Senado, sem previsão de votação. O próprio Eduardo Cunha é autor do PL 5.069/2013, que cria uma série de empecilhos para o direito constitucional das mulheres vítimas de violência sexual realizarem aborto na rede pública de saúde. Esse está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Também foi nesta legislatura que a bancada conseguiu barrar o trecho que trata do ensino da ideologia de gênero nas escolas no Plano Nacional de Educação.
    Ainda segundo os dados fornecidos pela FPE, a maioria dos parlamentares pertence a igrejas pentecostais: a Assembleia de Deus é a que mais congrega esses fiéis, seguida pela Igreja Universal do Reino de Deus, que tem como figura de destaque o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). Também tem representantes no Congresso as igrejas Sara Nossa Terra e a Igreja Quadrangular.
    Como acontece com os partidos na política, os membros também trocam de denominação. Eduardo Cunha recentemente trocou a Sara Nossa Terra pela Assembleia de Deus, onde já estavam os colegas João Campos e Marco Feliciano. Entre os membros das protestantes históricas estão Jair Bolsonaro (batista) e Clarissa Garotinho (presbiteriana).
    O sociólogo e escritor Paul Freston, professor catedrático em religião e política da Wilfrid Lauries University, do Canadá, explica que as igrejas pentecostais se diferenciam das protestantes históricas principalmente pela ênfase da crença nos dons do Espírito Santo, como “falar em línguas” e agir em curas e exorcismos. “Por ser uma forma mais entusiasmada de religiosidade, depende menos de um discurso racional, elaborado. Você pode não saber ler ou escrever, pode ser alguém que não ousaria fazer um discurso racional em público, mas sob influência do Espírito você fala. Por isso pode-se dizer que a igreja pentecostal também tem esse poder de inverter as hierarquias sociais”, explica o professor. E destaca: “Por ser mais próxima da cultura do espetáculo e menos litúrgica, também são as igrejas pentecostais que se dão melhor com as mídias”.
    Nos gabinetes
    “A Frente Parlamentar Evangélica [FPE] tem exercido um papel muito importante em contribuir com o processo legislativo porque ela priorizou algumas bandeiras que são relevantes para a sociedade brasileira como, por exemplo, a defesa da família tradicional”, diz João Campos, que recebeu a Agência Pública em seu gabinete de número 315 no anexo IV da Câmara, após muitos dias de negociação com seu assessor. “Outra bandeira nossa é a defesa da vida desde a concepção, os direitos do nascituro, a proibição do aborto, do infanticídio, os direitos da mulher também, mas principalmente os direitos do ente humano que está sendo gerado. Temos uma postura clara a favor da reforma política, sobre a reforma tributária e sobre a violência que tem inquietado a sociedade”, continua o deputado.
    O segredo do sucesso? “A gente atua a partir desses temas, e isso faz com que a Frente seja ouvida no Parlamento. A Frente nem é a que congrega o maior número de parlamentares, mas é uma das mais ouvidas. Porque não é a quantidade, é a atuação dela”, diz com orgulho. Pergunto sobre sua trajetória política e religiosa, em que momento as duas se misturam. Ele me conta que aos 16 anos já era líder de jovens em sua igreja (Assembleia de Deus) e há quase 20 foi ordenado pastor. Também fez carreira na Polícia Civil de Goiânia. Começou como escrivão de polícia, se tornou delegado, participou de greves – “sempre fui muito ativo”, diz. Passou a atuar na classe, foi presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, até que “naturalmente” se candidatou a deputado federal. “Eu sempre exerci liderança na igreja e na segurança pública. E essas duas vertentes apoiaram minha candidatura e me elegeram”, resume Campos, 53 anos, atualmente no quarto mandato como deputado federal. Quando pergunto se a igreja tem sido um ambiente fértil para a formação de líderes políticos, ele desconversa: “A igreja tem ocupado um espaço e se colocado mais na política tendo ela própria como referência”.
    Sua colega de bancada evangélica, Clarissa Garotinho (PR), é uma jovem deputada federal que tem política e religião no pedigree. A filha dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho é da Igreja Presbiteriana, como todos de sua família. E, como fez a mãe, todas as vezes que seu pai, Anthony Garotinho, mudou de partido, ela o acompanhou “mesmo a contragosto”, confessa. E não foram poucas vezes: o radialista de sucesso começou a carreira política no PT, depois foi para o PDT, para o PSB, PMDB e PR.
    Clarissa fala do jogo da política com a naturalidade de quem viveu isso em casa desde pequena, mas faz questão de dizer que nunca foi pedir voto em igreja. “Visitei algumas igrejas quando me convidaram, mas não foi o foco da minha campanha.” Descreve o início de sua carreira política como a de líder estudantil que se tornou diretora da UNE e foi eleita vereadora – a contragosto do pai, sublinha. “Nessa época, eu tinha me formado em jornalismo e fiz estágio com a Xuxa no programa dela a convite da Marlene Matos. A Marlene me convidou para ir para um programa na rádio Globo, eu já era gerente comercial da empresa dos meus pais, e ele não queria que eu entrasse na política. Dizia que a vida dos políticos ficava muito exposta, que dava muita dor de cabeça. Comecei a campanha sozinha, eu e a juventude do partido. Pensava: ‘Meu pai foi governador, minha mãe foi governadora, eu não posso perder uma eleição de vereadora porque, se eu perder, eu vou estar comprometendo o nome deles”, conta.
    De vereadora Clarissa passou a deputada estadual e em 2014 foi eleita deputada federal com a maior votação obtida entre as mulheres. Sobre sua atuação na bancada evangélica, ela diz que só participa das atividades quando acha necessário. “Quando houve algumas manifestações na parada gay que satirizaram a imagem de Cristo. Nesse ponto, a bancada reuniu inclusive católicos. Quando tem alguma causa que a gente entende que precisa se unir, eu participo das reuniões.”
    Pergunto sua opinião sobre o aborto, e sua expressão se fecha: “Tem temas que para nós não são negociáveis. Eu sou contra o aborto”. Sem que eu pergunte, emenda: “Mas você quer saber do Cunha? Eu não apoiei o Eduardo Cunha para presidente da Câmara só porque ele era evangélico. Não basta ser evangélico e eu presbiteriana para eu votar se acho que a postura dele como político não é boa pra representar a Câmara e não é boa para o Brasil. Fui uma das poucas deputadas evangélicas que não votou nele. Fizeram reuniões com os membros da bancada pra apoiar, mas eu não participei. Não gosto do estilo dele de fazer política. Ele usa chantagem pra conseguir vantagens, é o chantageador geral da República. O Eduardo é considerado um deputado muito temido aqui. Dizem que ele é vingativo, que tem um temperamento difícil. E ele ainda tem muito apoio aqui apesar dos escândalos”.
    Eduardo Cunha
    Quando estive no Congresso, cada vez que Eduardo Cunha entrava em uma sala da Câmara dos Deputados era cercado por um séquito e não raramente aplaudido de pé, apesar dos escândalos, e não apenas os mais recentes. Cunha, que começou sua carreira como tesoureiro do comitê eleitoral de Collor, chegou à presidência da Telerj, de onde saiu em 1993 em um escândalo de superfaturamento, quando foi descoberto que havia assinado um aditivo de 92 milhões de dólares a um contrato da Telerj com a fornecedora de equipamentos telefônicos NEC do Brasil (então controlada pelo empresário Roberto Marinho). Foi quando se aproximou do então deputado mais votado do Rio de Janeiro e dono da rádio evangélica Melodia, Francisco Silva. Por indicação de Silva, tornou-se presidente da Companhia Estadual de Habitação na gestão de Anthony Garotinho, da qual também foi afastado em meio a denúncias de irregularidades em contratos sem licitação e favorecimento a empresas fantasmas. A passagem pelo rádio, onde tinha boletins diários que acabavam com o bordão “O povo merece respeito”, tornou sua voz conhecida e se lançou a candidato a uma cadeira na Câmara dos Deputados nas eleições gerais de 2002, quando foi eleito com o apoio de Garotinho e 101.495 votos nas urnas. Em 2003, entrou no PMDB e foi eleito deputado federal e hoje cumpre seu quarto mandato consecutivo. Em 2014 foi o terceiro candidato mais votado do Rio de Janeiro, com 232.708 votos.
    O sociólogo Paul Freston, que estuda as relações entre política e religião, pesquisou a biografia de Cunha e de seu mentor, Francisco Silva. “Ele começa politicamente pela mão do Francisco Silva, que já era uma pessoa estranha porque tinha uma identidade evangélica pessoal muito tênue. O que ele tinha era uma rádio evangélica. E basicamente usou a força da mídia para se lançar politicamente. Ele se dizia membro da Congregação Cristã, o que não fazia muito sentido porque é a igreja mais arredia, que não se envolve com política, com mídia, não paga pastor. E a própria Congregação fez uma declaração na época dizendo que desconhecia esse cidadão.”
    O polêmico pastor, escritor e psicanalista Caio Fábio – fundador e ex-presidente da Associação Evangélica Brasileira (AEVB), líder e mentor da igreja Caminho da Graça – acrescenta outras informações ao perfil de Cunha: “Eu o conheço há 20 anos, desde que o pessoal o chamava de ‘Eduardinho’. Desde quando ele trabalhava para o deputado Francisco Silva. Esse indivíduo de crente não tinha nada. Francisco comprou a rádio Melodia, criou uma igreja radiofônica chamada Cristo em Casa que não congregava ninguém, não reunia ninguém, não tinha relacionamento com ninguém. Era tudo no rádio e você dava o dízimo para esse ente abstrato. O Eduardo era o assessor dessa figura. Ele teve função importante na loteria esportiva do Rio de Janeiro, em autarquias diversas até chegar ao governo Garotinho. Ele dá nó em pingo d’água. O mais inteligente deles é burro perto do Eduardo Cunha. Ele é um dos caras mais ardilosos, mais jogadores, mais sutis que eu já conheci”.
    Recentemente, Cunha trocou a igreja Sara Nossa Terra, para qual foi levado por Silva, pela Assembleia de Deus. A primeira tinha pouco mais de um milhão de fiéis, enquanto sua igreja atual tem mais de 13 milhões de seguidores, segundo o IBGE. A ramificação da igreja escolhida por Cunha foi a Madureira, cujo presidente é o bispo Manoel Ferreira, acusado de coronelismo por membros de sua igreja por ter tornado seu cargo vitalício e denunciado por um pastor de sua igreja em uma matéria da revista IstoÉ por usar laranjas para abrir a Faculdade Evangélica de Brasília, dar golpe nos sócios e sonegar milhões em impostos (ele nega as acusações). Em agosto deste ano, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusou Eduardo Cunha de indicar a igreja do filho de Manoel, Samuel Ferreira, para receber parte da propina de ao menos cinco milhões de dólares destinada a ele referente aos contratos para viabilizar a construção de dois navios-sonda usados pela Petrobras.
    “Eu estou dizendo há 25 anos que Manoel Ferreira já se envolveu com tudo. É um gângster religioso. E curiosamente é para onde o Cunha foi”, acusa o pastor Caio Fábio.
    O começo de tudo
    A igreja pentecostal começou a se envolver na política brasileira na década de 1960 através da Brasil para Cristo, que elegeu um deputado federal em 1961 e um estadual em 1966. Depois disso, porém, a igreja só voltaria a eleger candidatos na década de 1980, como explica Paul Freston: “A maior participação vem em 1986, no fim do regime militar, com a Assembleia Constituinte. A Assembleia de Deus é o motor disso inicialmente, e se organiza desde a cúpula para ter um candidato oficial em cada Estado, um deputado. Eles se organizam e tentam apresentar esse candidato nas igrejas, falar pras pessoas votarem nele. É o que dá origem à bancada evangélica, é a primeira vez que se fala nisso. E a grande novidade é que a maioria é pentecostal”.
    Os pentecostais deslancharam na política com a Igreja Universal do Reino de Deus, que criou um plano político mais estruturado dentro da instituição, segundo a autora da tese Religião e política: ideologia e ação da ‘Bancada Evangélica’ na Câmara Federal, Bruna Suruagy (leia a entrevista completa aqui). “No início da década de 1990, a Igreja Universal começou a atuar com um plano político estruturado”, explica. Em sua pesquisa, Bruna chegou ao seguinte desenho do plano político da Universal: “A cúpula da igreja, formada por um conselho de bispos da confiança de Edir Macedo, indica candidatos em um procedimento absolutamente verticalizado, sem a participação da comunidade. Os critérios para a escolha desses candidatos geralmente têm base em um certo recenseamento que se faz do número de eleitores em cada igreja ou em cada distrito. E cada templo, cada região, tem apenas dois candidatos que seriam o candidato federal e o estadual. Ela desenvolve uma racionalidade eleitoral a partir de uma distribuição geográfica dos candidatos e a partir de uma distribuição partidária dos candidatos. Isso mudou um pouco agora porque existe um partido que é da Universal, o PRB, que fica cada vez mais forte no Congresso”, explica, destacando também a importância da mídia religiosa como interface entre a igreja e a política.
    A Pública fez contato com a assessoria de imprensa da Igreja Universal e obteve como resposta a que a instituição não se pronunciaria a respeito “porque não se envolve com política”. Ao insistir para obter a entrevista, a assessoria pediu que as perguntas ao bispo Edir Macedo fossem feitas por e-mail e não respondeu mais. Mesmo o site do PRB, que tem grande parte dos filiados ligados à Universal, incluindo o presidente do partido, Marcos Pereira, não deixa clara essa conexão entre o partido e a igreja. Mas, entrevistado pelo deputado federal Celso Russomanno ao vivo durante a festa de dez anos do PRB, no dia 25 de agosto, diante da plateia do auditório Nereu Ramos, Pereira revelou que sua carreira e o PRB caminharam de braços dados com Edir Macedo. Ele contou que é bispo da igreja desde 1999, foi vice-presidente da Rede Record de Televisão em 2003, ano em que também se tornou sócio da LM Consultoria Empresarial – holding que controla todos os negócios da Igreja Universal do Reino de Deus – e então se tornou presidente do PRB em 2011.
    Modelo brasileiro
    Ainda segundo a pesquisadora Bruna Suruagy, a Universal se tornou um modelo para outras igrejas brasileiras justamente porque a cada novo mandato havia um aumento significativo dos parlamentares. “A Assembleia de Deus, que hoje tem a maioria dos deputados, não funcionava assim”, diz. Ela explica que isso não significa que o funcionamento institucional das duas denominações seja o mesmo. “A Assembleia é uma igreja com muitas dissidências e muitas divisões internas, por isso não é possível estabelecer hierarquicamente os candidatos oficiais. As igrejas têm fortes lideranças regionais e uma fragilidade do ponto de vista nacional. A sede não tem tanta força e, por isso, eles criam prévias eleitorais. As pessoas se apresentam voluntariamente ou são levadas pela própria igreja, e ainda há a ideia de que alguns são indicados por Deus porque mobilizam grandes multidões, ou contagiam, como dizia Freud, o que também termina sendo um critério. Então tem uma lista, depois uma pré-seleção que passa por um conselho de pastores – isso em cada ministério, porque a Assembleia é uma igreja que tem várias subdivisões internas. É interessante que os que pretendem se candidatar assinam um documento se comprometendo a apoiar o candidato oficial caso ele não seja escolhido, para evitar candidaturas independentes e para manter a fidelidade que se tem na Universal.”
    O sistema de escolha de candidatos é confirmado pelo pastor Caio Fábio, enquanto conversamos no belo jardim de sua casa, em Brasília. “A maioria dos políticos que temos hoje foi produzida em berço pentecostal. Portanto, eles nascem do único poder que habita esse ambiente que é o do carisma pessoal. E esse carisma não tem absolutamente nada a ver com inteligência, instrução ou cultura. Por carisma entende-se a capacidade de comunicação popular intensa, tanto mais poderosa quanto menos escrupulosa seja. São em geral pastores, bispos e apóstolos. A Universal é um caso à parte, assim como as igrejas neopentecostais, que são igrejas pós-macedianas, porque o projeto político lá é totalitário, vem do Macedo a determinação de quem é e quem não é”, critica. “As igrejas reformadas [também conhecidas como protestantes históricas] são democrático-representativas. A cada cinco anos no máximo, tem uma eleição de pastores. As episcopais [pentecostais] são mais por sucessão, indicação do bispo. E, se os demais acolherem, eles são afirmados. Nas pentecostais, os pastores vão colocando seus filhos na linha sucessória na igreja e na política. Aconteceu assim com Malafaia, por exemplo. O pai dele era pastor e o filho também é. Os protestantes históricos são mais silenciosos, mas não quer dizer que não sejam homofóbicos, por exemplo. O Bolsonaro frequenta uma igreja batista e é… O Bolsonaro.”
    Freston, por sua vez, não vê influência do modelo americano, como os chamados cinturões bíblicos, na política brasileira. Para ele, o crescimento da bancada evangélica tem mais a ver com nosso modelo político. “Quando a imprensa e os acadêmicos começaram a notar a presença dos pentecostais na política, houve algumas interpretações sobre ser cópia dos Estados Unidos, que já tinha a direita cristã, e a ideia de que isso estava surgindo no Brasil, incentivado por esse modelo. Mas eu sempre achei que correspondia muito mais às peculiaridades do sistema eleitoral brasileiro. Porque você tem o crescimento pentecostal em muitos países do mundo, na América Latina toda, em muitos lugares na África, em alguns lugares da Ásia. Mas só no Brasil você tem esses fenômenos de bancadas nos Congressos. Essa aproximação com a direita é mais recente e tem a ver com essa nova direita, que não tem medo de se chamar de direita”, diz o sociólogo.
    Outra característica de nosso sistema eleitoral, a de representação proporcional com listas abertas, favorece os candidatos carismáticos, os puxadores de voto, que passam a ser cobiçados pelos partidos. “Eles dizem ‘vamos por o pastor candidato que ele traz mais 2 ou 3.000 votos para a gente’. Mas esse cara traz 60.000 votos e se elege sozinho! Esse sistema favorece a eleição desses pentecostais. E muitos países que tem crescimento pentecostal não têm isso. No Chile, por exemplo, onde o pentecostalismo também cresceu muito, você quase não teve políticos evangélicos porque é outro sistema eleitoral. Aqui os líderes pentecostais souberam maximizar suas possibilidades dentro desse sistema.”
    E o que querem os políticos evangélicos?
    Mais do que os temas morais como aborto, violência, drogas e sexualidade, são os interesses institucionais que unem a bancada evangélica segundo os pesquisadores. “A conquista de dividendos para as igrejas como a manutenção de isenção fiscal, a manutenção das leis de radiodifusão, a obtenção de espaços para a construção de templos e a transformação de eventos evangélicos em culturais para obtenção de verbas públicas estão nesse páreo”, explica Bruna Suruagy. Paul Freston dá um exemplo: “Na época da Constituinte, teve a questão do mandato do Sarney, do quinto ano. Para conseguir esse quinto ano, ele comprou muita gente no Congresso. A moeda de troca para muitos pentecostais era uma rádio, coisas ligadas à mídia”.
    Um estudo realizado pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em 2009 mostrou que de 20 redes de televisão que transmitiam conteúdo religioso, 11 eram evangélicas e 9 católicas. Apenas a Igreja Universal controla mais de 20 emissoras de televisão, 40 de rádio, além de gravadoras, editoras e a segunda maior rede de televisão do país – a Rede Record.
    Larissa Preuss, autora da tese de doutorado As telerreligiões no telespaço público: o programa Vitória em Cristo e a estratégia de mesclar evangelização e preparação política, destaca a enxurrada de pastores eletrônicos na televisão brasileira nas décadas de 1980 e 1990. “O RR Soares é o mais antigo, está no ar desde o fim dos anos 70, e o Silas Malafaia entra em 1982. Ele é quem fala mais explicitamente sobre política na televisão, apesar da maior articulação política ser da Universal”, lembra.
    A pesquisadora conta que estudou os programas de Malafaia de 2014 para entender a relação de seus discursos com as eleições. “Ele assume que existe uma briga política e deixa claro que quer influenciar e por isso não se candidata. Ele fala diretamente ao público, mas também fala muito aos líderes religiosos, tanto que Malafaia dá cursos de formação de pastores em locais como a Escola de Líderes da Associação Vitória em Cristo (Eslavec) e está construindo um império, hierarquizando igrejas dentro da Assembleia de Deus, que não tem essa cultura. O Malafaia se coloca no lugar do profeta, que é aquela autoridade que unge o rei e denuncia o sacerdote, e isso é muito forte. Ele incentiva os líderes a influenciar seus fiéis para que Deus possa agir na política.”
    A hipótese de Larissa é que os pastores midiáticos migram para a política justamente para garantir as concessões de radiodifusão. “Porque as outorgas são ratificadas ou podem ser abolidas pelo Congresso. Então é uma retroalimentação: eles estão na televisão, influenciam a eleição de certos candidatos que vão garantir sua permanência na televisão. A informação hoje é poder. A imagem é uma moeda valiosa. E os evangélicos estão na política como nunca. Basta dizer que o tema da última Marcha para Jesus foi ‘faxina ética’”.
    Municipal
    E não é só em âmbito federal que a bancada evangélica tem se fortalecido. O número de projetos de leis temáticos também tem crescido entre os vereadores e deputados estaduais evangélicos, que recentemente também barraram a discussão de gênero em planos municipais de educação em várias cidades, incluindo a capital paulista. E não é só isso. A pastora e deputada estadual Liziane Bayer, do PSB do Rio Grande do Sul, protocolou em abril o PL 124/2015, que prevê o ensino do criacionismo nas escolas públicas e privadas do Estado. Liziane, cujo slogan de campanha foi “compromisso com a fé, a família e a vida”, conta que começou a se interessar por política e a conversar sobre o assunto no grupo de mulheres de sua igreja. Ela diz que sabe que o projeto é polêmico, mas defende o ensino do criacionismo para dar uma opção aos alunos. “Eu acho o comunismo ruim, mas ele é ensinado nas escolas. O criacionismo pode ser visto da mesma forma, mas, até pra que tu digas que não é correto, tem que saber”, opina.
    Em Cuiabá, o vereador Marcrean dos Santos (PRTB) criou um projeto que virou lei para feriado evangélico na cidade (Lei n° 5.940/15); em Itapema (SC), o vereador Mouzatt Barreto (DEM) também criou um PL para obrigar a leitura da Bíblia nas aulas de história das escolas públicas e particulares; em São Paulo, o vereador Carlos Apolinário, que em 2011 conseguiu que a Câmara aprovasse o “Dia do Orgulho Heterossexual”, vetado pelo então prefeito Gilberto Kassab, apresentou um projeto de lei para criar banheiros públicos em restaurantes, shoppings, cinemas e em casas noturnas para gays, lésbicas, bissexuais e transexuais e chegou a declarar que “não é possível minha mãe entrar em um banheiro e encontrar um homem vestido de mulher”.
    Em Manaus, a vereadora Pastora Luciana (PP), que prefere ser chamada de pastora – “vereadora é só uma promessa, pastora é pra eternidade” –, é autora de três projetos temáticos: O PL 125/15, que visa autorizar por lei manifestações religiosas como palestras e pregações nos terminais de ônibus da capital com o uso de caixas de som; o 075/15, que propõe a instituição de uma capelania na Guarda Civil Metropolitana, e o PL da Cristofobia, que prevê multas para quem tiver “atitudes discriminatórias em face da religião cristã, palavras e práticas agressivas contra a figura de Jesus Cristo, ameaças, estereótipos pejorativos, induzir ou incitar a discriminação contra a Bíblia Sagrada”. Mas o projeto de lei mais bizarro é do vereador de Santa Bárbara do Oeste Carlos Fontes (PSD). O PL 29/2015  que proíbe a implantação de microchips em seres humanos, comparando-os à marca da besta prevista no livro de Apocalipse.

  • Um roteiro histórico pelo Bom Fim

    A edição deste sábado do projeto Viva o Centro a Pé visitou alguns pontos históricos do Bom Fim. Sob a orientação do arquiteto e professor da Ufrgs Cláudio Calovi, um grupo de cerca de 60 pessoas seguiu o trajeto que começou no Mercado do Bom Fim e terminou no Templo Positivista da avenida João Pessoa.
    O primeiro ponto de visitação foi a Igreja Santa Terezinha, edificação de estilo neogótico, que teve sua construção concluída em 1931. Na sequência, a Casa Lutzenberger, localizada na rua Jacinto Gomes, construída em 1932 pelo engenheiro e arquiteto alemão Joseph Lutzenberger. Os participantes puderam circular livremente por todo o imóvel, que está reformado e hoje abriga a empresa Vida, criada pelo ambientalista José Lutzenberger, filho do arquiteto, que morou na casa até sua morte em 2002.

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    Visitantes puderam circular pela Casa Lutzenberger/Matheus Chaparini

    “É uma casa bastante simples. Estilisticamente ela representa um periodo em que a arquitetura abandona a ornamentação exuberante e se torna algo mais racionalista. O mais interessante mesmo é o ambiente doméstico, os objetos, as pinturas, os jardins. Ela é um bom retrato de um ambiente da época”, explica o professor Calovi.
    Durante o percurso foi possível observar também o Colégio Militar, construído em 1872, inicialmente como um quartel, depois ampliado e transformado em colégio. Foi a primeira construção erguida no terreno da antiga Várzea, que hoje é o Parque Farroupilha. Até a criação do Parque, em 1935, o terreno perdeu mais áreas para a construção da Igreja, das casas da José Bonifácio, do Instituto de Educação, de prédios da Ufrgs e, por fim, do auditório Araújo Vianna.
    Visitantes aproveitam para tirar uma foto no jardim da Casa Lutzenberger
    Visitantes aproveitam para tirar uma foto no jardim da Casa Lutzenberger/Matheus Chaparini

    O ponto final do trajeto foi o Templo Positivista, localizado na avenida João Pessoa. “Essa é uma obra muito peculiar e pouco conhecida da cidade. Só existem dois templos positivistas no Brasil, este aqui, que foi construído em 1912, e um no Rio de Janeiro.
    A parte interna do templo não pode ser visitada. A coordenadora do Viva o Centro a Pé, Liane Klein, informou que a visita estava agendada com o guardião do templo, mas ele não apareceu. O zelador disse não ter sido informado da visita, mas abriu o portão para que os visitantes pudessem ter acesso ao pátio. Atualmente não acontecem mais cultos no Templo, que é aberto para visitação somente aos domingos.
    O arquiteto Cláudio Calovi orienta os participantes através de um megafone
    O arquiteto Cláudio Calovi orienta os participantes através de um megafone/Matheus Chaparini

    Evento acontece quinzenalmente
    O Viva o Centro a Pé é uma caminhada orientada por regiões da área central da cidade. No primeiro e no quarto sábados de cada mês acontece a a caminhada com um novo roteiro e um orientador diferente. “Os orientadores geralmente são arquitetos, escritores, historiadores”, explica Liane Klein.
    A próxima edição será no dia 14 de novembro, no Centro Histórico. O trajeto ainda não está definido, mas a orientação será do arquiteto Luiz Merino Xavier. Liane Klein conta que o projeto nasceu em 2006: “A ideia era divulgar o Caminho dos Antiquários. Ele foi criado por isso, mas foi ganhando muita força e acabou se tornando um projeto separado.”