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  • Vento dos Campos Neutrais vai gerar energia para uma Porto Alegre

    Cleber Dioni Tentardini
    Setenta e um aerogeradores já estão operando no Parque Eólico ​Hermenegildo, ​em Santa Vitória do Palmar, no Litoral Sul gaúcho.
    Faltam vinte para completar a “usina”,  de 163 megawatts (MW) de capacidade instalada, que deu a partida no dia 15 de outubro, quando foi autorizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) a injetar sua produção no sistema elétrico nacional.
    A previsão é de que todos os cataventos estejam em operação até a primeira quinzena de novembro, segundo o diretor do parque, engenheiro João Ramis.
    O Parque Hermenegildo, empreendimento da Eletrosul, completa com os parques de Geribatu e Chuí, o Complexo Eólico Campos Neutrais, o maior da América Latina, com 493 mw de capacidade instalada, suficiente para atender o consumo de três milhões de pessoas. Como a produção efetiva de uma usina eólica é cerca de metade da capacidade instalada, a energia do complexo dos Neutrais poderá abastecer 1,5 milhão de consumidores. O equivalente à população de Porto Alegre.
    Os investimentos chegam a R$ 3,5 bilhões, levando em conta os parques e as obras do sistema de transmissão.

    Linha de transmissão para escoar a energia do Extremo Sul/Foto Cauê Mendonça/Divulgação
    Linha de transmissão para escoar a energia do Extremo Sul/Foto Cauê Mendonça/Divulgação

    O Parque Eólico Geribatu, em Santa Vitória do Palmar, com 258 MW divididos em dez usinas, e o Parque Eólico Chuí, no Chuí, com 144 MW de potência instalada em seis usinas, são uma parceria da Eletrosul (49%) com o Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Rio Bravo, que detém 51% do negócio.
    Foi construída subestação de energia em Santa Vitória do Palmar/Divulgação
    Foi construída subestação de energia em Santa Vitória do Palmar/Divulgação

    O consórcio construtor é formado pela empresa espanhola Gamesa, a Schahin Engenharia S.A., responsável pela parte de construção civil, como as bases das torres eólicas, e a implantação da rede de média tensão; e a ABB, fornecedora dos equipamentos do sistema de transmissão.
    Primeiro aerogerador GE fabricado no Brasil e instalado Parque Eólico Chuí IX/Foto Divulgação
    Primeiro aerogerador GE fabricado no Brasil e instalado Parque Eólico Chuí IX/Foto Divulgação

    Campos Neutrais
    A denominação do complexo eólico remete ao período da colonização. A área compreendida entre os banhados do Taim e o Arroio do Chuí, onde foram posteriormente instalados os municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí, foi palco de várias disputas entre tropas portuguesas e espanholas. Para evitar mais conflitos, com a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, a região ficou sendo um território neutro e, portanto, conhecida como Campos Neutrais.
    RS é o 4º em produção eólica
    Os principais produtores de energia eólica no Brasil são os estados do Nordeste, principalmente Ceará e Rio Grande do Norte, pioneiros na exploração dessa fonte no país.
    O Rio Grande do Sul ocupa a 4ª posição. Passou de 1.000MW, mais de 17% da geração nacional de eletricidade originária dos ventos.
    Ampliação do Complexo Eólico Livramento/Foto Nélio Pinto/Divulgação
    Ampliação do Complexo Eólico Livramento/Foto Nélio Pinto/Divulgação

    A potência eólica instalada no país é superior a 5.600 MW, o que representa 4% da geração de energia nacional, onde predomina a energia hidrelétrica (superior a 80%).
    Embora pese pouco na matriz energética brasileira, o vento está crescendo no ranking dos investimentos em geração de eletricidade. Segundo a ANEEL, somando os projetos aprovados, em construção e que ainda não iniciaram as obras, são 397 parques eólicos, totalizando 9.835 MW. Representa 46% da potência as usinas em construção atualmente, que exploram diversas fontes energéticas.

  • Prefeitura aparece no Praia de Belas após duas semanas de inundação

    Felipe Uhr
    Há 15 dias alagadas, as ruas Ismael Chaves Barcelos, General Sérgio de Oliveira e Barão do Gravataí receberam só hoje a tarde uma equipe do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) da cidade. Ao todo, cinco caminhões de hidrojato faziam o trabalho de sucção e bombeamento da água acumulada para outras bocas de esgoto.
    Segundo o Diretor Geral do DEP, Tarso Boelter, o acúmulo aconteceu pois a rede de esgoto da região liga-se diretamente ao Arroio Dilúvio, diferente do novo sistema, que vai para a casa de bombas. “Falta uma obra estruturante que resolva essa situação” avaliou.
    Boelter conta que durante o trabalho de desentupimento dos esgotos foram encontrados muito lixo, areia e ratos mortos. Apesar do serviço, não é garantido que as águas baixem mesmo com o cessamento da chuva.

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    Ruas do Praia de Belas alagadas

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    Falta uma obra que resolva essa situação, diz diretor do DEP

    “Os níveis de água dos rios que desembocam no Guaíba (Jacuí, Caí, Taquari, Sinos e Gravataí) continuam altos, logo a tendência é que o Guaíba também suba e as ruas alaguem novamente” alerta o diretor.
    O vice-prefeito, Sebastião Mello, compareceu ao local para acompanhar o serviço realizado em conjunto pelo DEP, Smov (Secretaria Municipal de Obras e Viação) e Dmae (Departamento Municipal de Água e  Esgotos). Mello diz que a Prefeitura está avaliando a situação, mas ficou evidente que não há definição sobre o que fazer: “Num primeiro momento é resolver a situação dos alagamentos até que esteja sem água, depois estudar quem sabe uma inversão do fluxo de esgoto (assim a água iria para onde existem casas de bombas) e depois, a médio prazo, uma grande obra que resolva de vez esse quadro”.
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    Mello diz que a Prefeitura está avaliando a situação

    Churrascaria local perdeu 60% do movimento
    As chuvas que alagaram o local prejudicam carros, pessoas e moradores da região. Mas a Churrascaria Garcia, localizada na esquina da avenida Praia de Belas com a rua Barão do Gravataí, foi muito prejudicada. Conhecida por ficar aberta 24 horas, o difícil acesso dos clientes e o alagamento de parte de umas entradas foi o fator para a queda do movimento no estabelecimento.
    Segundo o proprietário Deuclécio Rissi, que mantém o restaurante ali há 30 anos a situação calamitosa é inédita. “Em outras chuvas, alagava, mas no outro dia já normalizava. Dessa vez está assim há 2 semanas” reclama o comerciante que contou que pela primeira vez, durante a madrugada, o restaurante não recebeu nenhum cliente.
    Rissi diz que desde o dia 10 vem ligando para a Prefeitura e o DEP, mas que só agora estão recebendo atendimento. Ele calcula um prejuízo em volta dos 60% em lucro e movimento.
    Moradores estão em estado de caos e passando constrangimento
    A água que alagou as ruas do bairro, também invadiu os prédios situados nas avenidas Praia de Belas e transversais. É o caso do edifício onde mora o músico Rogério Pereira. “Nunca tinha visto isso. Sempre chove e alaga o corredor do prédio, mas desse jeito não”, reclama o morador.
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    Moradores nunca haviam visto isto

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    Estacionamento inundado

    Moradora do bairro há 50 anos, a dona de casa Hilda Mendes aponta para os sacos de areia colocados na entrada do prédio, como medida de impedir a entrada da água, enquanto reclama e fala da situação delicada em que todos estão passando: “Há 15 dias não conseguimos sair direito de casa, nem os táxis gostam de nos deixar aqui pois não querem entrar com o carro na água!”
    Primeiro prédio do bairro em situação crítica
    Em situação ainda pior estão os moradores do prédio Pioneiro que leva este nome justamente por ter sido o primeiro edifício do bairro. Situado na rua General Sérgio de Oliveira, o prédio encontrava-se literalmente inundado. Pedaços grandes de madeiras apoiados por pedras serviam para a travessia para os moradores que não têm botas, pois o chão do prédio está alagado. O cheiro do corredor é desagradável e é possível ver fezes e dejetos boiando. A garagem do prédio encontra-se deserta. Apenas um vizinho, que viajou antes da chuva, deixou o carro lá.
     
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    CEEE tem que ser chamada para desligar luz do condomínio quando água sobe demais

    Dois garçons da churrascaria à frente, que alugavam um apartamento no térreo, tiveram que deixar o imóvel. Além da situação irritante e conflituosa, os moradores têm de conviver com os riscos que a chuva pode causar. O quadro de luz do prédio também é localizado no primeiro piso, logo, quando chove muito e a água avança, eles chamam a CEEE para desligar a luz do condomínio. Caso contrário, haveria risco de acidente fatal.
    “É uma situação muito ruim e desagradável”, critica o síndico do prédio, Adriano Bilibio.
    A moradora Morizete Batista também reclamou do descaso da Prefeitura: “Eles nunca vieram aqui. Isso sempre acontece e é muito triste”.
    Coincidência, ou não, após a chegada de repórteres, um caminhão do DEP entrou na rua e começou a retirar a água acumulada no prédio.

  • Moradores vão à Justiça por nova eleição no Conselho do Plano Diretor

    Naira Hofmeister
    Descontentes com o que consideram uma interferência irregular da Prefeitura Municipal na eleição de representantes ao Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (CMDUA) – popularmente conhecido como Conselho do Plano Diretor – moradores da região central de Porto Alegre (RP1) protocolam, nesta sexta-feira (23), duas solicitações para que o Poder Judiciário garanta nova eleição. A decisão foi tomada em uma reunião, na noite de quinta, no Memorial do Rio Grande do Sul.
    Um pedido de reconsideração da candidatura da Chapa 1, rejeitada pela Prefeitura, será registrada na 4 Vara da Fazenda Pública. O grupo também vai protocolar um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça para tentar cassar a decisão que impediu a candidatura.
    A eleição de representantes da RP1, ocorrida no dia 7 de outubro, foi realizada em meio a um grande tumulto que envolvia a comprovação de endereço do candidato a conselheiro titular, Roberto Jakubaszcko.
    A Prefeitura não aceitou o documento de domicílio eleitoral do candidato e impugnou a chapa que tinha o apoio da maioria dos 105 eleitores cadastrados no dia da votação. Com isso, a vitória foi do grupo liderado pelo advogado que atua no ramo imobiliário, Daniel Nichele – embora diga conhecer com profundidade o Plano Diretor de Porto Alegre, ele sequer sabia da existência do Conselho antes de se candidatar.
    A intenção dos moradores com as ações legais é reconvocar o colégio eleitoral cadastrado na noite chuvosa em que a eleição foi realizada e refazer a votação – no dia 7 de outubro, foram contabilizados cerca de 1/3 das papeletas para a Chapa 2. Os outros 2/3 dos eleitores anularam ou votaram em branco, em protesto à impugnação da Chapa 1.
    Prefeitura permitiu voto do impugnado
    Embora tenha tido a candidatura impugnada, Jakubaszcko foi autorizado a votar na eleição – a prerrogativa para participar como votante é justamente a comprovação de residência dentro da área.
    “O domicílio de Jakubaszcko é o Centro Histórico!”, assegura o candidato a segundo suplente, o advogado Felisberto Seabra Luis, que vai assinar as contestações dos moradores, mostrando um documento anterior da própria Secretaria Municipal de Urbanismo reconhecendo o domicílio do morador.
    Segundo Jakubaszcko, que atualmente é o 1º suplente da RP1 e participa habitualmente das reuniões do CMDUA, o endereço apresentado no pleito é o mesmo que havia sido aceito na eleição de 2014.

  • 10ª Bienal do Mercosul apresenta mais de 600 obras de 20 países

    A 10ª Bienal do Mercosul – Mensagens de Uma Nova América, inaugura nesta sexta-feira, 23, e permanece aberta até o dia 6 de dezembro. Nesta edição, a Bienal apresenta 646 obras de 263 artistas de 20 países: Brasil, Chile, Paraguai, Cuba, México, Uruguai, Argentina, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Equador, Guatemala, Peru, Costa Rica, Panamá, Nicarágua, El Salvador, Porto Rico, Jamaica e Honduras.
    A cerimônia oficial de abertura ocorre às 19h30 no Santander Cultural. Estarão presentes membros da Diretoria e do Conselho de Administração, a equipe curatorial desta edição, artistas, patrocinadores e parceiros. A mostra Antropofagia Neobarroca, situada no Santander Cultural estará aberta para visitação. As demais mostras abrem no sábado, 24.
    O secretário da Cultura de Porto Alegre, Roque Jacoby, diz que a Bienal do Mercosul possibilita aos gaúchos ter acesso a um universo de alta qualidade artística, com nomes de expressão internacional. “A cultura de Porto Alegre agradece a esta iniciativa de longa data organizada pela própria comunidade cultural”, reforça o secretário.
    As obras estarão expostas nos seguintes espaços: Antropofagia Neobarroca, no Santander Cultural; Biografia da Vida Urbana, no Memorial do Rio Grande do Sul; Modernismo em Paralaxe, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado  Malagoli (Margs); A Poeira e o Mundo dos Objetos, Olfatória: o Cheiro na Arte, Aparatos do Corpo e Marginália da Forma, na Usina do Gasômetro, cada uma delas em galerias individuais. Além das sete exposições, esta edição promove atividades voltadas para a formação profissional no campo curatorial por meio da Escola Experimental de Curadoria e o desenvolvimento de um Programa Educativo.
    O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo será a sede do Programa Educativo e também irá abrigar a obra A Logo for América, de Alfredo Jaar, que será exibida na vitrine do prédio de frente para a Praça da Alfândega. O Instituto Ling abrigará a mostra Síntese, com um grupo de obras conceitualmente ligadas às sete exposições da 10ª Bienal, um recorte significativo de trabalhos que permitem uma visão geral da proposta curatorial da edição.
    Agendamento de visitas

    Para agendamento de visitas à 10ª Bienal do Mercosul – Mensagens de Uma Nova América, os grupos que quiserem percorrer os roteiros das exposições, acompanhados de mediadores, os grupos deverão ter a partir de 10 pessoas. Para marcar um horário de mediação devem ligar para o fone (51) 3254-7509.
    A central de agendamento funcionará de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 16h, e os agendamentos serão realizados por ordem de ligação. Os horários de visitas guiadas estarão distribuídos de terça-feira a sexta-feira.
    Para realizar o agendamento é necessário ter em mãos dados como: nome, endereço, telefone, e-mail da instituição e também do responsável. Outras informações podem ser obtidas através do e-mail agendamento@bienalmercosul.art.br.
    A Bienal do Mercosul oferece ônibus gratuito para escolas públicas, municipais e estaduais, ONGs e pontos de cultura de Porto Alegre, e cidades distantes até 30 quilômetros da Capital. Durante o processo de agendamento, essas instituições poderão se candidatar a esse transporte. Escolas particulares e demais grupos não estão incluídos neste serviço e, portanto, devem organizar e disponibilizar o próprio transporte, ficando à disposição o agendamento de horário guiado e o receptivo com mediadores.
    Cidades atendidas pelo ônibus da Bienal – Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Canoas, Sapucaia do Sul, Alvorada, Esteio, Nova Santa Rita, Gravataí, São Leopoldo, Guaíba e Viamão. Em Porto Alegre, os bairros Bom Fim, Centro e Cidade Baixa não serão contemplados com o transporte gratuito por estarem mais próximos aos espaços da exposição.
    Para aqueles que se deslocarem até a Bienal com o ônibus gratuito da instituição, serão oferecidos roteiros expositivos nas visitas. Os grupos devem escolher um dos roteiros, entre cinco opções disponíveis.
    Os grupos que agendarem visitas guiadas, mas se deslocarem com transporte próprio, podem escolher um ou mais roteiros para visitar no mesmo dia.
    1 – Praça da Alfândega – Santander Cultural -das 10h às 19h
    2 – Praça da Alfândega – Margs -das 10h às 19h
    3 – Praça da Alfândega – Memorial do Rio Grande do Sul – das 10h às 19h
    4 – Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (rua dos Andradas, 1223) – 10h às 19h
    5 – Usina do Gasômetro (av. Pres. João Goulart), 551) – das 9h às 21h
    6 – Instituto Ling (rua João Caetano, 440, Três Figueiras) -10h30 às 17h30

  • Guaíba: maior enchente ocorreu depois que a chuva parou

    Ao menos 700 habitantes de Porto Alegre estão agora sem acesso a suas casas por causa das chuvas. Já é uma situação de emergência, que desencadeia ações de solidariedade ao tempo que evidencia a fragilidade da cidade perante o El Niño desta temporada, muito mais influente no clima que o anterior, de 1997.
    Mas o que mais assusta é a previsão de que as chuvas continuarão intensas por toda a primavera, e verão adiante. E diante disso, é inevitável que ressurjam no imaginário da cidade as cenas da maior enchente pela qual ela passou, em 1941. Daquela vez foi La Niña, fenômeno climático de efeitos mais violentos que os de El Niño.
    Ao contrário de todas as outras chuvaradas que causaram inundações nas áreas próximas ao Guaíba, sempre na primavera, a de 1941 foi no outono.
    O auge foi no dia 7 de maio de 1941, quando, já com sol, as águas dos rios que desembocavam no Guaíba, especialmente as do caudaloso rio Jacuí, chegaram à metade da altura das portas do Mercado Público e alcançaram a Andradas, antiga Rua da Praia.
    Impedidas pelo vento sul de seguirem pela Lagoa dos Patos em direção ao oceano, as águas da chuva ficaram represadas como aconteceu na semana passada.
    Como agora, as regiões atingidas não foram apenas as partes tomadas ao rio, os aterramentos para expandir o centro. A zona Sul e a parte lindeira ao cais na zona Norte são facilmente inundáveis. Porém, os primeiros são sempre os moradores da região das ilhas. “Devido ao aterramento, o Guaíba perdeu espaço e quem sofre os maiores prejuízos são as populações das ilhas, pois a água tem que ir para algum lugar”, diz o jornalista Rafael Guimarães, que pesquisou o episódio e publicou o livro em formato de álbum A enchente de 1941 (Libretos, 2009)
    O livro resgata as imagens e os números da inundação que deixou 70 mil pessoas desabrigadas, praticamente um quarto da população da cidade na época, de 272 mil habitantes.
    Construído na década de 1970, durante o período militar, com a intenção de proteger a cidade de uma nova grande enchente, o muro da Mauá é até hoje motivo de polêmica. Muitos são a favor da sua permanência para evitar inundação na cidade. Para Rafael, está provado que o muro é desnecessário. “Os alagamentos na cidade aconteceram mesmo com o muro já que água avança por baixo, pelo esgoto. É um custo benefício muito baixo para a cidade.” argumenta.
    Guimarães prepara agora o lançamento do novo livro, Águas do Guaíba, no qual faz um relato da história do Guaíba, seus afluentes e aspectos culturais que o cercam – monumentos, prédios, museus, avenidas que o cercam ou cercavam no passado. Além de contar uma parte da história de Porto Alegre, também reporta a cultura das outras cidades ligadas ao Guaíba, como Barra do Ribeiro e a cidade Guaíba. “Foi um trabalho muito legal, que lembrou minha infância, quando íamos a Itapuã desfrutar do Guaíba”, recorda. O livro será lançado em novembro, também pela Libretos, na Feira do Livro de Porto Alegre.

  • Zelotes: aberto processo administrativo para investigar conselheiro do CARF

    Kelly Oliveira
    Agência Brasil
    A Corregedoria-Geral do Ministério da Fazenda, informou nesta quinta, 22, que abriu o primeiro processo administrativo disciplinar para apurar responsabilidade funcional de um envolvido na Operação Zelotes, da Polícia federal.
    O Ministério da Fazenda não informou o nome do conselheiro investigado. “Como a apuração administrativa terá prosseguimento por intermédio do respectivo processo disciplinar, os nomes dos investigados não poderão ser informados”, diz a nota.
    O caso investigado no processo administrativo disciplinar, instaurado pela corregedoria, “trata de negociações empreendidas para a realização de ‘pedido de vista’ por conselheiro, com a promessa de vantagem econômica indevida, em processo administrativo fiscal, cujo crédito tributário perfaz a monta de aproximadamente R$ 113 milhões, com atualização de setembro de 2014”.
    A Operação Zelotes investiga a manipulação de julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. A Polícia Federal estima que foram desviados mais de R$ 19 bilhões.
    Segundo o ministério, as apurações revelaram um sistema ilegal de manipulação de julgamento de processos administrativos fiscais no Carf, mediante a atuação coordenada de conselheiros com agentes privados que agiram com o objetivo de favorecer empresas em débito com a Administração Tributária.

  • Zelotes: PF pede autorização ao STF para investigar Augusto Nardes e Afonso Motta

    Andre Richter
    Agência Brasil
    O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu na quarta-feira, 21, parte da investigação da Operação Zelotes, da Polícia Federal (PF), que cita o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes e o deputado federal Afonso Motta (PDT-RS), líder do partido na Câmara e ex-diretor do grupo de comunicação RBS.
    A Zelotes investiga a manipulação de julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. A PF estima que foram desviados mais de R$ 19 bilhões.
    Os detalhes da investigação não foram divulgados poque o processo está em segredo de Justiça. O inquérito sobre a operação tramitava na Justiça Federal do Distrito Federal, mas foi remetido ao Supremo em função da citação de Nardes e Motta, que têm foro por prerrogativa de função e só podem ser julgados pela Corte. O processo foi distribuído para a ministra Cármen Lúcia, que deverá decidir se a investigação será aberta.
    A Operação Zelotes está na segunda fase das investigações. A primeira foi deflagrada no dia 26 de março deste ano e descobriu um esquema de fraude no Carf, por meio do qual uma quadrilha, segundo a Polícia Federal, fazia um “levantamento” dos grandes processos no conselho, procurava empresas com altos débitos com o Fisco e oferecia “facilidades”, como a anulação de multas.
    A segunda fase, em setembro, cumpriu mandados de busca e apreensão em escritórios de contabilidade no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
    Em nota à Agência Brasil, o ministro Augusto Nardes disse que deixou a empresa Planalto Soluções e Negócios, investigada na operação, em 2005, antes de assumir a cadeira no TCU. Nardes afirmou também que não pode responder “por qualquer ato dos administradores da empresa”.

  • Banrisul vai financiar mina de carvão que abastecerá nova usina em Candiota

    O governador José Ivo Sartori assinou, na manhã desta quinta-feira, 22, protocolo de intenções com a Seival Sul Mineração para implantação de mina e de uma unidade de britagem e processamento de carvão mineral em Candiota. A empresa investirá R$ 103 milhões na obra, tendo como agente financeiro o Banrisul.
    O presidente da Seival Sul Mineração, Cesar Faria, detalhou o projeto, explicando que se trata da reabertura de uma mina, conhecida como Mina de Seival, para fornecer energia para a Termo Pampa, que está em instalação em Candiota, terá potência de 350 megawatts e entra em operação comercial em janeiro de 2019.
    “Esse financiamento vem para dar prioridade ao projeto de reabertura da mina, que começará em abril de 2016. A obra vai até janeiro de 2018, quando começaremos a suprir a usina para testes”, informou.
    A produção da Mina de Seival está projetada para atingir a produção anual máxima de 2,8 milhões de toneladas de produto e 3,2 milhões de toneladas de minério bruto.
    O protocolo, conduzido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect/RS), prevê a geração de 261 empregos diretos. A previsão é que a mina entre em operação no início de 2019.
    “A exploração do carvão mineral no Estado avança em mais uma frente. Além da geração de energia alternativa, explorar o minério representa a possibilidade de abrirmos uma nova rota de solução para um dos gargalos para a expansão industrial do Rio Grande do Sul”, afirmou o governador.
     

  • Pra onde vai a Agapan?

    Matheus Chaparini 
    A Agapan – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, uma das mais importantes e antigas entidades de defesa do ambiente no Brasil e na América Latina, em atividade desde 1971, está à procura de nova sede. Terá que sair em novembro da sala que ocupa desde 2012 na avenida Osvaldo Aranha, no Bom Fim.
    O aluguel do imóvel era pago por um sócio-benemérito, que, por questões de saúde, não pode mais se comprometer com a despesa. Sem condições de arcar com a conta de R$ 1.400 mensais, a entidade vem promovendo atividades de arrecadação de fundos para ganhar tempo. No último sábado, 17, aconteceu a primeira edição do “Almoço do Bem”, que juntou alimentação vegana, debate e canja musical. Mas a mudança é inevitável porque a proprietária do imóvel quer colocá-lo à venda.
    Para tentar resolver o problema, a Prefeitura apresentou duas alternativas à entidade. A primeira, foi a Casa da Estrela, um casarão abandonado localizado no bairro Petrópolis, junto à escadaria onde a rua Guararapes encontra a Camerino. A casa teria capacidade para abrigar tranquilamente todas atividades da associação. A mudança seria vantajosa também para a comunidade do bairro, que se queixa da insegurança que traz a casa. Há seis anos, o segurança da rua, Leonel Machado, é quem cuida do imóvel. Ele garante que passa todas as noites ali e que as invasões pararam. Mas, conta que antes a casa servia de abrigo para moradores de rua e esconderijo para assaltantes e usuários de droga. “Uma vez até tentaram colocar fogo em um casal que dormia no porão. Por sorte, naquela noite eles não estavam”, revela Leonel.
    O problema é que o casarão de Petrópolis está em péssimas condições. O custo estimado da reforma é de R$ 2 milhões. O imóvel pertence à prefeitura de Porto Alegre e é tombado. O município deve reformá-lo, mas não há verba prevista. Outra questão é que a obra levaria bastante tempo e a associação precisa de uma solução rápida.

    Vigia na Casa da Estrela, no Petrópolis/Fotos Matheus Chaparini
    Vigia na Casa da Estrela, no Petrópolis/Fotos Matheus Chaparini

     
    A outra possível saída é uma sala sob o viaduto José Eduardo Utzig, na esquina das avenidas Dom Pedro II e Benjamin Constant. É uma peça com banheiro que atualmente serve como vestiário dos funcionários da Guarda Municipal. O espaço precisa de pequenos reparos e deve ser entregue pela Prefeitura à Agapan nas próximas semanas. É um paliativo. Provavelmente, as reuniões não possam ser realizadas ali, mas o local pode abrigar o acervo, que além de livros, inclui toda a documentação da entidade e materiais de divulgação. Para o arquiteto e biólogo Francisco Milanez, ex-presidente da associação, não resolve o problema de dispor o material, mas pelo menos fica guardado. “Nosso maior sonho era ter uma biblioteca.”
    Imobiliária bancava os custos
    O imóvel da Osvaldo Aranha é uma ampla sala com uma peça para reuniões e outras duas onde está o acervo encaixotado e empilhado. “Nós vamos ter que fazer uma triagem nesse material. Tem coisa que pegou cupim, então estamos vendo formas de descupinizar com métodos naturais. A gente não pode tocar um venenão que a gente combate, né?”, afirma o atual vice-presidente, advogado Roberto Rebés Abreu.
    Até setembro deste ano quem arcava com as despesas da sala era a imobiliária Guarida, do que decorre uma situação um tanto inusitada. Que interesse teria uma empresa do ramo imobiliário em gastar dinheiro com uma entidade ambiental? Acontece que a determinação vinha de um dos sócios da empresa, Ederon Amaro Soares da Silva. “Não o conheço pessoalmente, mas parece que o Ederon tem um perfil um pouco diferente do perfil empresarial. Era decisão dele destinar essa verba e eu nunca vi ele usar isso pra se promover”, conta Abreu.
    Sede Osvaldo (3)
    Uma das salas abriga o acervo

    Vigia na Casa da Estrela, no Petrópolis/Fotos Matheus Chaparini
    Abreu, o vice-presidente

    Em função de problemas de saúde, ele teve de se afastar das atividades da imobiliária. Em setembro deste ano, a Agapan foi comunicada de que o aluguel não seria mais pago pela Guarida. Além disso, a proprietária pretende vender o imóvel e quer a liberação.
    Em outubro o aluguel já pesou sobre a associação. Abreu afirma que a entidade tem condições financeiras de garantir o teto até o final de novembro.
    Antiga sede foi destruída ilegalmente
    A associação já teve sede própria. Mas a destruição da casa da Agapan, em plena Semana do Meio Ambiente, foi uma história tão esquisita quanto mal contada, que curiosamente rendeu pouca notícia na época.
    Era uma segunda-feira, 6 de junho de 2011, o dia seguinte ao Dia Mundial do Meio Ambiente, quando os associados da Agapan receberam a notícia: a casa havia sido demolida. A pequena casa de madeira com telhado vivo situada na esquina das avenidas Aureliano de Figueiredo Pinto e Praia de Belas abrigava as reuniões e possibilitava alguns experimentos como tijolos ecológicos, feitos com argila. O terreno pertence ao Município e havia sido cedida pela Prefeitura pelo prazo de vinte anos.
    AGAPAN 4)
    Terreno onde ficava antiga sede da Agapan, na Aureliano de Figueiredo Pinto

    Corta pra outra cena. Um casal decide abrir uma pizzaria, escolhe o endereço e vai atrás da papelada necessária para tirar o alvará junto à Secretaria Municipal da Indústria e Comércio (SMIC). Só que o endereço escolhido não é deles.
    Os então futuros proprietários da pizzaria usaram o endereço da Agapan na Receita Federal, Junta Comercial, CEEE e DMAE, constituindo a documentação necessária para a obtenção do alvará provisório. E a SMIC liberou o funcionamento, pois a demolição só poderia ter sido autorizada pela Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV).
    A delegada da Policia Civil que cuidou do caso, a titular da Delegacia de Meio Ambiente, Elisangela Melo Reghelin, apurou que o banco de dados da Prefeitura não era atualizado em relação aos imóveis públicos. Assim, nada constava sobre o terreno adquirido pelo Município em 1979.
    A SMIC concedeu o alvará provisório à empresa Peruzatto e Kindermann. Com o absurdo documento em mãos, a empresa contratou a Demolidora Gilberto Bexiga e pôs a casa abaixo.
    A delegada constatou que os funcionários da SMIC não tiveram culpa e apenas seguiram os trâmites normais. O casal responsável pela empresa foi indiciado por falsidade ideológica, tentativa de estelionato, esbulho possessório em concurso de pessoas e dano qualificado pelo prejuízo da vítima. O arquiteto responsável pela demolição foi indiciado como coautor pelo crime de dano qualificado e como partícipe do esbulho.
    O vice-presidente, Roberto Rebés Abreu, conta que na época a Agapan decidiu não ingressar na Justiça em relação ao caso. “O casal que derrubou a casa tinha uma longa ficha policial. A informação que tínhamos é de que eram quadrilheiros. O conselho decidiu não levar adiante a ação cível, até pelo risco de represálias.”
    Francisco Milanez era o presidente na época. Ele conta que a demolição foi feita à noite. “Os caras foram super bem articulados, já vieram com caminhão. Quando nós chegamos lá, eles haviam derrubado a casa e levado algumas partes. Lembro que nós estávamos prestes a transferir nosso acervo pra lá. Foi nossa sorte, poderíamos ter perdido muito mais.”
    Desde sua fundação a Agapan passou por diversas sedes alugadas ou emprestadas. A sede própria veio com a construção desta casa. “Qualquer entidade que preste um serviço como o que a Agapan vem prestando tem que ter algum apoio. E eu não falo nem em dinheiro, mas em um local, para a segurança do nosso material. Nós temos a maior documentação histórica sobre meio ambiente no Brasil”, conclui Milanez.
     
    O desafio é a renovação
    Atualmente a Agapan conta com mais de mil associados, porém, o cadastro está desatualizado. Segundo Abreu, a entidade tem aproximadamente 50 membros atuantes e apenas 40 estão em dia, o que piora a situação financeira da entidade, que funciona na base do trabalho voluntário. A associação é uma das mais importantes e antigas entidades de defesa do ambiente no Brasil e na América Latina. O principal desafio hoje á a renovação do pessoal.
    “Nós temos uma dificuldade de renovação, a maior parte do pessoal está há bastante tempo na instituição. A gente precisa trazer gente jovem pros quadros da Agapan, tentar agregar pessoas novas que possam tocar esse barco quando a gente não puder mais fazer”, afirma o atual vice-presidente. Ele, que se associou formalmente há um ano e meio, e o atual presidente, Leonardo Melgarejo, podem ser considerados da nova geração da Agapan. “Os novatos já estão com mais de 50”, brinca.
    Milanez, membro da associação desde o primeiro ano, demonstra um otimismo em relação às redes sociais e à internet. “De 2 ou 3 anos pra cá que nós começamos a usar melhor as redes sociais, o que está nos dando uma nova faceta, de agilidade, para se mobilizar e para circular informação. Estamos conseguindo mostrar melhor o nosso trabalho, isso ajuda a atrair gente nova.”

  • Honda Energy do Brasil comemora um ano do parque eólico de Xangri-Lá

    Executivos da Honda Brasil visitaram ontem o governador José Ivo Sartori no Palácio Piratini e apresentaram um resumo do parque eólico da Honda que completa um ano de funcionamento no município de Xangri-Lá, no Litoral Norte gaúcho.
    O empreendimento, com nove turbinas de 3MW cada, e capacidade instalada de 27MW, visa suprir a demanda energética da fábrica de automóveis de Sumaré (SP).
    De acordo com o presidente da Honda Energy do Brasil, Carlos Eigi Miakuchi, em função da crise hídrica de São Paulo, a unidade de Xangri-Lá cumpre um papel fundamental de abastecimento na manutenção da produção de 120 mil veículos/ano da fábrica de Sumaré, “permitindo ainda, atingir a previsão de crescimento para mais de 140 mil unidades até o final de 2015, fortalecendo a marca”, detalhou o empresário.
    O executivo explicou que a Honda Energy utiliza o conceito “triplo zero” em poluentes, especialmente na emissão e redução de CO². É a única empresa do segmento que garantiu a Certificação em Energia Renovável em seus automóveis.
    O governador considera a Honda uma referência “de qualidade, eficiência, inovação e vanguarda no sistema de produção que atua”. Sartori reafirmou para os executivos japoneses o interesse do Rio Grande do Sul em investimentos futuros programados pelo grupo Honda no país. “Queremos consolidar essa relação, uma vez que o estado tem os melhores ventos e oferece uma situação geográfica excelente para energias renováveis e limpas”, concluiu.
    O secretário Lucas Redecker explicou o episódio das licenças ambientais que envolvia o entorno do Parque de Xangri-Lá, como é o caso da produção de arroz na área. “Quando assumimos agilizamos junto à Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a adequação das licenças ambientais que estavam pendentes”, afirmou.