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  • Praias limpas do Litoral Norte recebem um milhão de veranistas

    Naira Hofmeister

    A turma de um milhão de veranistas que chegou ao litoral norte para as festas de final de ano encontrou praias com água limpa. O relatório semanal divulgado pela Fepam na manhã da sexta-feira (21), em Capão da Canoa, libera todos os 10 balneários gaúchos para o banho.

    Torres, Arroio do Sal, Capão da Canoa, Xangr-la, Osório, Santo Antônio da Patrulha, Imbé, Tramandaí, Cidreira e Pinhal atingiram níveis baixos de coliformes fecais e da bactéria Escherichia Coli, que indicam a contaminação das águas. Apenas a Foz do Rio Mamptuba, em Torres, não atingiu as exigências para liberação. A contagem é feita durante os finais de semana, período de maior movimento nas praias.

    A Lagoa dos Quadros, destino de um esgoto cloacal de uma pequena vila em suas margens está liberada, mas atingiu uma contagem superior a 400 Escherichia Coli: o limite é de 800 por 100ml de água.

    O nível aceito no caso dos coliformes é de 1000 para o mesmo volume de água. Mas o gerente da regional da Fepam no Litoral Norte (Gerlit), Mattos’Allem Roxo, revela que nenhuma praia do Litoral Norte teve contagem superior a 100. “A maioria ficou entre 50 e 100 e tivemos alguns locais onde encontramos apenas 2 coliformes, o que indica água potável, inclusive”.

    Torres inspira cuidados

    Apesar do último levantamento ter reprovado o banho apenas na Foz do Rio Mapituba, outras praias de Torres merecem atenção especial do veranista. Os molhes, por exemplo, foram considerados impróprios para banho até o último verão. A primeira amostragem foi feita em 2002 e tampouco recomendou o mergulho na praia.

    Já a Praia Grande esteve liberada todo esse tempo, porém, a medição indicou contaminação durante a metade das verificações em 2002 e também no verão passado. Arroio do Sal, Capão da Canoa e Imbé – na foz do Rio Tramandaí – também não atingiram 100% de aprovação na última temporada.

    Tratamento de esgoto é obrigatório

    Tanto os coliformes fecais quanto a Escherichia Coli são encontrados no esgoto: mas com a migração da população urbana para o litoral o serviço é um dos mais exigidos. Para evitar maiores danos a Fepam deixou de licenciar, desde o ano passado, projetos de empreendimentos que não possuam estação de tratamento pública ou privada.

    A Corsan está investindo na ampliação da rede pluvial. Através de empréstimos da Caixa Federal e do auxílio do Ministério das Cidades, vai investir quase 50 milhões na ampliação dos sistema de esgoto e na sua distribuição em Torres, Osório, Tramandaí e Capão da Canoa.

    O que o serviço público não cobre, a iniciativa privada assume. Em Xangri-lá empreendedores se uniram para construir uma estação privada de tratamento para 125 mil habitantes dos condomínios horizontais da praia.

  • ESPUMANTE SE INCORPORA AO HÁBITO BRASILEIRO

    A Salton, já não tem mais espumante em estoque para brindar o Ano Novo. A vinícola de Bento Gonçalves encerrou a venda do Moscatel e do Poética desta safra.
    O espumante caiu na preferência do paladar brasileiro e o resultado foi um aumento significativo no consumo do produto nacional, como indica o Instituto Brasileiro do Vinho.
    Pelo levantamento, de janeiro a outubro deste ano houve queda de 26% na venda dos espumantes importados e aumento de 15% na comercialização dos nacionais. O espumante Moscatel, com produção de 378 mil garrafas neste ano – um aumento de 30% em relação ao ano passado – teve sua comercialização encerrada até a próxima safra, ainda na segunda semana de dezembro em vista do estoque estar comprometido.
    Para 2008, a vinícola pretende dobrar a elaboração do produto, colocando no mercado cerca de 800 mil garrafas. O mesmo fenômeno aconteceu com o Poética, o espumante rosé brut da vinícola. Quando foi lançado, em abril deste ano, a expectativa era de uma procura gradual, mas a novidade causou alvoroço e, dois meses e meio depois, já totalizava a comercialização de 21 mil garrafas. No total, foram produzidas 63 mil garrafas. A venda dos espumantes é responsável por 26% do faturamento da Salton.

  • Poder Judiciário tem remuneração padronizada

    Helen Lopes

    Depois de dois anos de discussão, o Estado do Rio Grande do Sul passará a pagar o Poder Judiciário através de subsídio, conforme prevê a Constituição Federal. A Assembléia Legislativa chegou ontem a um acordo e aprovou os projetos que instituem a remuneração padronizada para juízes, desembargadores e defensores públicos.

    Com o novo sistema, que não será retroativo e irá vigorar a partir de março de 2009, a expectativa é de que, apesar do aumento salarial inicial, deixem de existir vantagens, como adicionais por tempo de serviço, e distorções entre os membros do Poder. A remuneração máxima no Judiciário e no Ministério Público será de R$ 22.111. Os defensores públicos terão o teto atrelado aos defensores da União e o valor limite será de R$ 17 mil.

    Os parlamentares também definiram que os aumentos terão que passar pela aprovação da AL. A Secretaria da Fazenda projeta um gasto adicional em torno de R$ 160 milhões ao ano com a nova forma de pagamento. A defensora pública-geral Maria de Fátima Paludo considerou satisfatória a decisão. “Não era o que se queria, mas não é aviltante como era no primeiro momento, por isso estamos satisfeitos”, afirmou.

    PGE promete represália

    As propostas aprovadas não contemplaram, porém, a Procuradoria Geral do Estado (PGE), pois segundo entendimento dos parlamentares, a situação da PGE terá que ser debatida juntamente com as outras categorias vinculadas ao Executivo. Descontentes, os promotores prometem atuar em operação padrão.

    “Vamos priorizar as demandas o Estado e não os temas que interessam ao Governo”, explica a presidente da Associação dos Procuradores do Rio Grande do Sul, Fabiana Azevedo Cunha. Ele diz ainda que na sexta-feira, 21 de dezembro, haverá uma reunião da categoria para avaliar o tema.

  • ARI entrega troféus aos melhores do jornalismo gaúcho

    A 49ª edição do Prêmio ARI de Jornalismo, que bateu recorde de inscrições, foi bem distribuída entre os veículos gaúchos. A principal láurea da noite – o Prêmio de Contribuição à Imprensa Antonio Gonzales acabou dividido em três.
    A Revista Voto figurou ao lado dos dois conglomerados de mídia do Estado: o Grupo RBS, que completou 50 anos em 2007, e a Rede Record, que se instalou no Rio Grande do Sul após a compra do sistema Guaíba-Correio do Povo.
    “Ainda bem que temos uma história para continuar, que temos a tradição de 112 anos de jornalismo do Correio”, sublinhou o diretor da rede, Marcos Martinelli. O executivo aproveitou a oportunidade para dar uma alfinetada na concorrente e atual líder de mercado. “Nós também demos um presente de aniversário para a RBS, pintando a Usina do Gasômetro por fora”.
    É que para comemorar seu cinqüentenário, a RBS promoveu uma exposição no centro cultural, cuja importância e o legado deixado ao Museu de Comunicação Hipólito José da Costa foram a justificativa do presidente da ARI, Ercy Torma, para a escolha do grupo como um dos vencedores.
    Outro momento marcante da noite foi o silêncio de Santiago e Moa ao receberem seus prêmios. Apesar dos incentivos da platéia – “Fala censurado” – Santiago, vencedor do Prêmio Sampaulo de Charge com “Distribuição de Renda”, publicado em março no jornal Extra Classe, o desenhista não comentou a recente demissão do Jornal do Comércio. Tampouco o segundo colocado Moa, que também perdeu o emprego no JC, quis falar.
    O repórter Andrei Rossetto fez uma homenagem à TV pública ao receber o troféu do 1º Lugar de reportagem geral em telejornalismo com a matéria Violência Sexual E Infantil. “Esse prêmio mostra como a TVE possui qualidade jornalística”, defendeu.
    O jornalista Guilherme Kolling, colaborador da Revista JÁ e do jornal JÁ Bom Fim/Moinhos, conquistou o segundo lugar entre os concorrentes da Reportagem Esportiva Impressa com a matéria Chute no Fígado, publicada em maio na Revista Placar.
    A Revista JÀ concorria com outras duas reportagens. Falta abrir a caixa-preta, de Renan Antunes de Oliveira, disputou o troféu de Jornalismo Econômico e Kolling concorreu na categoria Geral com a matéria Cidadania Faz História, ambas publicadas na edição de julho.
    A solenidade de premiação marcou os 72 anos da Associação Riograndense de Impressa e aconteceu na noite de quarta-feira, 19 de dezembro, no Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa.
    Conheça a lista dos premiados
    JORNALISMO IMPRESSO
    1) Reportagem Geral
    1º LUGAR: A HISTÓRIA DA FALANGE GAÚCHA, de Renato Nunes Dornelles, no jornal Diário Gaúcho, edições de 7, 14, 21 e 28 de julho, 4, 11, 18 e 25 de agosto, 1º e 8 de setembro de 2007.
    2º LUGAR: A ROTA DA PROPINA, de Rodrigo Antunes Cavalheiro, no jornal Zero Hora, edições de 15 a 22 de abril de 2007.
    MENÇÃO HONROSA: PIRATAS DE AREIA, de Carlos Alberto Wagner e Humberto Trezzi, no jornal Zero Hora, edições de 3 e 4 de junho de 2007.
    2) Reportagem Esportiva
    1º LUGAR: NO RASTRO DA VIOLÊNCIA, de Diogo Olivier Mello, no jornal Zero Hora, edições de 12 a 14 de novembro de 2006.
    2º LUGAR: CHUTE NO FÍGADO, de Guilherme Godinho Kolling, na Revista Placar, edição de maio de 2007.
    MENÇÃO HONROSA: O TEMPO EM QUE HAVIA GUERRA, de Mario Marcos de Souza, no jornal Zero Hora, edições de 21 a 23 de janeiro de 2007.
    3) Crônica
    1º LUGAR: A NASCENTE DO RIO, de Moisés dos Santos Mendes, no jornal Zero Hora, edição de 16 de maio de 2007.
    2º LUGAR: O OLHAR E O SILÊNCIO DE PUSKAS, de Mário Marcos de Souza, no jornal Zero Hora, edição de 18 de novembro de 2006.
    MENÇÃO HONROSA: NASCEU BERNARDO, de David Wagner Coimbra, no jornal Zero Hora, edição de 27 de agosto de 2007.
    4) Fotojornalismo – Prêmio José Abraham
    1º LUGAR: INTOLERÂNCIA NO TRÂNSITO, de Favaro Luís D’ Ambrosi Gonçalves, no jornal Correio do Povo, edição de 6 de setembro de 2007.
    2º LUGAR: O BALÉ DAS RUAS , de Emilio Carlos Sales Pedroso, no jornal Zero Hora, edição de 2 de julho de 2007.
    MENÇÃO HONROSA: TOMBO NA LINHA DE CHEGADA, de Mauro dos Santos Vieira, no jornal Zero Hora, edição de 25 de julho de 2007.
    5) Planejamento Gráfico
    1º LUGAR: JC MULHER, de Elisabeth Maria Bottini, no Jornal do Comércio, edição de 10 de outubro de 2007.
    2º LUGAR: GUIA DO BIOCOMBUSTÍVEL, de Márcio da Silva Câmara, no jornal Zero Hora, edição de 25 de julho de 2007.
    MENÇÃO HONROSA: MERGULHO NA EMOÇÃO, de Luiz Adolfo Lino de Souza, no jornal Zero Hora, edições de 10 a 30 de julho de 2007.
    6) Charge – Prêmio Sampaulo
    1º LUGAR: DISTRIBUIÇÃO DE RENDA, de Neltair Rebés Abreu (Santiago), no jornal Extra Classe, edição de março de 2007.
    2º LUGAR: ADEUS A PINOCHET, de Moacir Knorr Gutterres (MOA), no Jornal do Comércio, edição de 12 de dezembro de 2006.
    MENÇÃO HONROSA: ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU, de Gilmar Luiz Tatsch (tacho), no Jornal NH, do Grupo Editorial Sinos, edição de 21 de julho de 2007.
    7) Reportagem Cultural
    1º LUGAR: O TAMANHO DA TRAGÉDIA, de Daniel Ricardo Feix, na revista Aplauso, edição de agosto de 2007.
    2º LUGAR: FRONTEIRAS DO PENSAMENTO, de Juremir Machado da Silva, no jornal Correio do Povo, edições de março a outubro de 2007.
    MENÇÃO HONROSA: PAIXÃO DO SUL, de Renato Duarte Mendonça, no jornal Zero Hora, edição de 7 de julho de 2007.
    8) Reportagem Econômica – Prêmio Banrisul
    1º LUGAR: ADELANTE ARGENTINA, de Lúcia Ritzel, no jornal Zero Hora, nas edições de 18, 19 e 20 de março de 2007.
    2º LUGAR: SEGMENTO ECONÔMICO ACELERA OS NEGÓCIOS, de Eliana Raffaelli Lopes, no Jornal do Comércio, na edição de 23 de agosto de 2007.
    MENÇÃO HONROSA: A ECONOMIA CORROÍDA PELO CRIME, de Mauro José Graeffe Júnior, no Jornal Zero Hora, edição de 9 de setembro de 2007.
    RADIOJORNALISMO
    1) Reportagem Geral
    1º LUGAR: NATUREZA PEDE SOCORRO, de Guilherme Schreiner Baumhardt, da Rádio Bandeirantes AM, apresentada em 10 de abril de 2007.
    2º LUGAR: O DIA EM QUE PAPAGAIO FALOU, de Farid Germano Filho, da Rádio Bandeirantes AM, apresentada em 3 de julho de 2007.
    MENÇÃO HONROSA: ENERGIA EÓLICA: ESPERANÇA PARA UM FUTURO MAIS LIMPO, de Milena Medeiros Schoeller, na Rádio Gaúcha AM, apresentada nos dias 19, 20 e 21 de junho de 2007.
    2) Reportagem Esportiva
    1º LUGAR: HORA DE CALAR A BOCA, de Luiz Carlos Reche, na Rádio Guaíba AM, em 5 de junho de 2007.
    2º LUGAR: CAMPEÕES DA ESPERANÇA, de Eduardo Vieira Gabardo, na Rádio Gaúcha AM, nos dias 29 de setembro e 6 de outubro de 2007.
    MENÇÃO HONROSA: CRIANÇAS À VENDA, de Filipe Pereira Gamba, na Rádio Guaiba AM, dias 26 a 30 de março de 2007.
    TELEJORNALISMO
    1) Reportagem Geral
    1º LUGAR: VIOLÊNCIA SEXUAL E INFANTIL, de Andrei dos Santos Rossetto, na TVE, em 4 de abril de 2007.
    2º LUGAR: INFÂNCIA COMBATE A VIOLÊNCIA, de Leonel Cavalheiro Dias Lacerda, na RBS TV, de 15 a 23 de outubro de 2007.
    MENÇÃO HONROSA: CULTURA RECICLADA, de Luci Maria Jorge Silva, na TV Bandeirantes, em 10 de julho de 2007.
    2) Reportagem Esportiva
    1º LUGAR: INTER NO JAPÃO, de Renato Colares Matte, na RBS TV e TV COM, no período de 5 a 20 de dezembro de 2006.
    2º LUGAR: DRAMA E FUTEBOL, de Glauco de Oliveira Pasa, na RBS TV, em 18, 19, 20 e 21 de setembro de 2007.
    MENÇÃO HONROSA: MARADONA – UM MITO SOBREVIVENTE, de Andrei Kampff de Melo, na RBS TV e TV Globo, em 28 de outubro de 2007.
    3) Imagem
    1º LUGAR: RACHAS, de Favaro Luís D’ Ambrosi Gonçalves, da Rede Record, em 28 de setembro de 2007.
    2º LUGAR: RIO DOS SINOS, de Antonio Cioccari, da TVE – Canal 7, em 6 e 9 de dezembro de 2006.
    CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL
    à Comunicação Social Prêmio “Antonio Gonzalez”
    a) Grupo RBS
    b) Grupo Record
    c) Revista Voto

  • Sulgás estuda instalação de terminal de GNL em Rio Grande

    Terminal de GNL em Rio Grande poderá fornecer gás natural para duas termelétricas (Reprodução)

    Helen Lopes

    A Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás) analisa a viabilidade econômica de um terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) no Porto de Rio Grande. A informação é do diretor-presidente da Sulgás, Artur Lorentz, que concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira, 18 de dezembro, para apresentar o balanço anual da empresa.

    Ainda no primeiro trimestre de 2008, um estudo encomendado pela companhia irá apontar se há potencial para o projeto, que pode chegar a US$ 1 bilhão. De acordo com Lorentz, nos próximos anos a Petrobras irá investir em dois terminais de GNL, um no Porto de Pecém, no Ceará, previsto para maio de 2008, e outro na Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, que deve entrar em funcionamento em 2009.

    “A Petrobras está sinalizando para 2011 com uma terceira estação, que pode ser no sul do país, por isso estamos pleiteando para que seja em Rio Grande”, explica Lorentz.

    O terminal sanaria a deficiência de gás natural na Região Sul do Estado e ainda poderia atender o terminal de Uruguaiana – hoje abastecido pela Argentina, que está com carência do produto. “Precisamos encontrar uma alternativa, porque em dois ou três anos, o gasoduto Brasil-Bolívia vai estar esgotado”, projeta Lorentz.

    A Petrobras já demonstrou interesse em instalar o terceiro terminal de GNL em São Francisco do Sul, em Santa Catarina. O Porto de Paranaguá também é cogitado, mas Lorentz acredita que Rio Grande é um ponto mais estratégico para a integração com países como Argentina e Uruguai.

    “Além disso podemos atender a Termelétrica da AES e também a Térmica Sepé Tiaraju”, entende o diretor, ao lembrar que o projeto depende da anuência da Petrobras, detentora de 49% da empresa e principal investidora na área. “Por isso o estudo é importante, pois com ele iremos mostra os benefícios do nosso projeto”.

  • Dilma para governadora

    Elmar Bones

    Quem entrasse, inadvertido, no “galpão crioulo” do  Palácio Piratini, na sexta-feira 14 de dezembro, poderia acreditar que a ministra Dilma Roussef, a figura mais forte do governo Lula, assumira o governo do Rio Grande do Sul.

    A ministra  falava em tom professoral para uma atenta platéia de deputados, secretários estaduais, empresários, assessores. Ao lado, a governadora Yeda séria, tensa, assistia.

    A ministra discorria sobre as condições que o governo federal exige para “ajudar na recuperação do Rio Grande do Sul”. Citou nominalmente o deputado Celso Bernardi, do PP, e o deputado Raul Pont, do PT ,que estavam na platéia, ao mencionar a necessidade  de “todos colocarem os interesses do Estado acima das divergências políticas”.

    Havia expectativa e desconforto

    Expectativa porque depois que a Assembléia rejeitou o tarifaço que a governadora propôs, as esperanças de equilibrar as contas do governo se voltaram para Brasília. Esperava-se inclusive que a ministra anunciasse medidas ou liberações de recursos para tirar o Estado do sufoco financeiro.

    Desconforto porque, por mais cuidados que Dilma tivesse, elogiando o governo de Yeda Crusius, o subtexto deixava claro: o governo do Estado fracassou na sua tentativa de enfrentar a crise e o governo federal não vai mandar dinheiro para ser gasto sem critério. O plano para recuperar o Estado agora será feito por um grupo de trabalho ligado à Casa Civil. “Em conjunto será definido o caminho a ser trilhado”, afirmou.

    A imprensa não teve acesso à reunião. Só puderam entrar, a certa altura,  fotógrafos e cinegrafistas, para registrar uma governadora sorridente, mostrando o papel que Dilma lhe entregou, com o aval federal para o empréstimo de 1 bilhão de dólares que o governo gaúcho está obtendo junto ao Bird.

    Os repórteres foram barrados na entrada do palácio, embora lá dentro na reunião estivessem assessores de imprensa de parlamentares e de empresários. O resultado é que no fim da tarde, enquanto a jornalista Rosane de Oliveira, da Zero Hora, queixava-se no seu blog de ter perdido horas preciosas na frente do Palácio, o boletim eletrônico da Fiergs estava na internet com detalhes da reunião.

    Partido será ouvido, acredita Pont

    O deputado Raul Pont, líder do PT, considera que a ministra Dilma Roussef veio manifestar boa vontade e reafirmar o compromisso que o governo federal já assumiu há tempos de ajudar o governo gaúcho a sair da crise.

    A própria ministra lembrou as tratativas iniciadas em 2006 com os empresários.

    Quanto ao grupo de trabalho, anunciado por Dilma, o deputado acredita que as lideranças do partido no Estado serão ouvidas. “Vai ser construída uma pauta, um conjunto de medidas, mas isso vai depender do diagnóstico. A visão que temos da crise é diferente. Por isso não assinamos o documento que o presidente da Assembléia preparou, não concordamos com aquele diagnóstico”, diz o  Pont

    O ponto principal da divergência, segundo Pont, é o peso que se atribui ao funcionalismo, principalmente aposentados, como causa da crise financeira do setor público estadual.

    Tanto governo, quanto empresários colocam como prioridade a redução de custos, com corte de pessoal e de benefícios e a transferência de serviços não essenciais para a iniciativa privada.

    “Para nós as causas que devem ser atacadas são a dívida, que passou de 6% para 15% das despesas, e os incentivos fiscais que custam R$ 6 bilhões ao ano”, diz Pont.

    Subsídio dos juizes

    Um acordo sobre o projeto que institui o subsídio para o judiciário será fechado nesta segunda feira pelas lideranças na Assembléia Legislativa.  “Subsídio não tem indexação, não tem automatismo. Não é o que o Marcão ou o Mauro Renner estão querendo”, adianta Raul Pont.

  • Parcão: 35 anos

    Alexandre Haubrich

    O mineiro Antonio Martins Barbosa chegou a Porto Alegre no século XVIII e construiu o moinho que batizaria um bairro e o parque que, em novembro, completou 35 anos: o Parque Moinhos de Vento, mais conhecido como Parcão.

    A área foi um hipódromo durante anos. Desapropriada pelo então prefeito Loureiro da Silva, foi transformada em área verde municipal em 1962. No dia 9 de novembro de 1972 foi criado o parque, com 115 mil m² de área.

    Junto com o Parcão, foi inaugurada a avenida Goethe, que ainda o divide ao meio. São dois parques dentro de um: à direita, ampla área esportiva e à esquerda, o verde das árvores, o laguinho com vista para o Moinho e os brinquedos de madeira do parque infantil.

    Fidelidade é marca dos visitantes

    Durante a semana, são crianças em busca de brincadeiras e idosos que querem descansar mas também atrai namorados. No final de semana é invadido por adolescentes que formam rodinhas de chimarrão. São cerca de 300 mil visitantes por mês. E eles são fiéis.

    O jornalista Alexandre Gruzynski, 46 anos, vai ao parque Moinhos de Vento três vezes por semana desde 1984, para “malhar, dar uma corrida e paquerar”, como explica. Para ele, é uma terapia: “Aqui consigo relaxar, esquecer os problemas e a correria do dia-a-dia”. Ainda assim, vê dois problemas: a iluminação – algumas lâmpadas estão queimadas – e a arborização inconstante. “No verão, falta sombra pra correr”, diz.

    Atualmente o que leva Miriam Faoro ao Parque é a insistência do filho de oito anos. Hoje com 34 anos, ela já freqüentava o local em1986. Naqueles tempos, bate-papo, chimarrão e azaração. Agora, distrair o guri nos balanços é o objetivo.

    Assim como o jornalista Alexandre, ela reclama da falta de árvores, mas por outro motivo: “Os pais não têm como sentar na sombra enquanto os filhos brincam. Saímos daqui tão suados quanto eles”, brinca.

    Parceria com empresas

    O Programa Adoção de Áreas Verdes possibilitou dividir a administração do parque entre  prefeitura e instituições privadas. Supermercado Zaffari e o Hospital Moinhos de Vento investem juntos R$ 120 mil por ano em manutenção de equipamentos e cuidados com o ambiente. A injeção de verbas privadas possibilita uma estrutura elogiada por freqüentadores e pela própria administração do parque.

    A ação de empresas também abrange atividades diárias que aproveitam o contato com a natureza (veja quadro), o que intensificou o número freqüentadores.

    A Prefeitura gasta a maior parte da verba com a folha salarial. Mas nem a Secretaria do Meio Ambiente nem a administração sabem informar qual o valor exato dos recursos públicos para o parque.

    Academia a céu aberto

    O Parcão possui um perfil excelente para a prática de esportes. O circuito no entorno da área verde atrai corredores, ciclistas e caminhantes, especialmente no fim de tarde.

    Gisalma Puggina, administradora do Parque Moinhos de Vento há 12 anos, explica que a recente instalação de 18 novas luminárias, é o início do objetivo de transformar o local em uma “academia a céu aberto”.

    *Esta reportagem é um dos destaques da edição 377 do JÁ Bom Fim/Moinhos, que já está circulando nos pontos de comércio da região central de Porto Alegre.

  • Práticas ambientais se multiplicam

    Naira Hofmeister

    Quase quarenta anos depois do auge do movimento ecologista gaúcho, finalmente o discurso vira prática cotidiana. Na Feira Ecológica da Redenção, por exemplo, as sacolas plásticas estão em extinção.

    A conscientização aconteceu depois de muita insistência dos feirantes, que organizaram promoções para quem trouxesse sacolas de casa. Agora, confeccionaram uma sacola ecológica vendida por R$ 4,00 em todas as bancas.

    A idéia já chegou à Câmara de Vereadores de Porto Alegre através de Maristela Maffei (PCdoB). O PL 01827/2007 obriga estabelecimentos comerciais da capital gaúcha a substituir as sacolas plásticas por embalagens degradáveis ou reutilizáveis. Maristela adianta que a deputada federal Manuela D’ávila (PCdoB) deve levar a idéia para o Congresso Nacional.

    O próximo passo na Feira Ecológica é promover o uso de canecas trazidas de casa para os sucos naturais vendidos no evento.

    Azeite pode ser reutilizado

    Um semestre depois de iniciado, o projeto de reciclagem de azeite da Prefeitura de Porto Alegre está distribuído em 31 pontos e coleta, dos quais, 10 estão na área de distribuição do JÁ Bom Fim/Moinhos (veja no quadro). A iniciativa da prefeitura rendeu frutos.

    A Auxiliadora Predial disponibiliza um recipiente coletivo em todos os prédios que administra. Outra instituição que reaproveita o azeite é o Colégio Rosário, que envia os litros recolhidos para comunidades carentes atendidas pelos projetos sociais dos Maristas. A partir de janeiro uma banca da Feira Ecológica vai recolher azeite e vender o sabonete produzido por preços mais baixos.

    A exemplo das sacolas, a reciclagem de azeite de cozinha deve virar lei através de uma proposta do deputado estadual Mano Changes (PP).

    Pilhas e baterias também são alvo

    A campanha de reciclagem de pilhas e baterias lançada há um ano pelo Banco Real e apoiada pela Prefeitura possui 12 coletores. Lojas de celular também já promovem a entrega de baterias e aparelhos.

    Comerciantes auxiliam através de camapanhas de conscientização. Proprietária do Mini Mercado Sol (Ramiro Barcelos, 1690),   Solange Paiva Azevedo fez questão de confeccionar sacolas de algodão que distribui entre os clientes. No restaurante Sabor do Brique (José Bonifácio, 675), cartazes orientam para evitar a troca de pratos e talheres, economizando detergente e água na lavagem.

    *Esta reportagem é um dos destaques da edição 377 do JÁ Bom Fim/Moinhos, que já está circulando nos pontos de comércio da região central de Porto Alegre.

  • Torreão recebe Antoni Muntadas

    Naira Hofmeister

    Quem sobe os três andares que levam ao Torreão da Santa Teresinha para ver a proposta “Janelas Abertas”, do artista catalão Antoni Muntadas pode até se decepcionar. Na sala, nada além das 12 janelas, arqueadas e finas, escancaradas por onde é possível apreciar a vista e os sons da rua e sentir o vento soprando.

    “Olhar pela janela, eu posso da minha casa”, esbravejou um espectador. E possivelmente essa era a proposta de Antoni Muntadas, que, pelo menos na última década, têm desenvolvido projetos a partir da frase “Atenção, percepção requer envolvimento”.

    “Esse gesto de abrir as janelas é muito simples, mas compreende uma metáfora de sentir coisas que não estamos esperando. A mudança da luz, da temperatura, do cheiro, do espaço alteram a percepção”, esclareceu.

    Simples ou não, a intervenção de Muntadas foi fruto de um longo processo de gestação. “A primeira vez que estive aqui foi em 2002 e saí já com essa idéia”, recordou. Muntadas só colocaria em prática a proposta se fosse mantida em segredo absoluto pelos curadores do Torreão.

    “Foi um desafio não abrir essa possibilidade de ter Muntadas aqui no Torreão durante todos esses anos”, confessou a também artista plástica Elida Tessler, que organiza e escolhe as exposições que serão sediadas pelo espaço.

    *Esta reportagem é um dos destaques da edição 377 do JÁ Bom Fim/Moinhos, que já está circulando nos pontos de comércio da região central de Porto Alegre.

  • Circuito Gastronômico da Bordini

    Naira Hofmeister

    Dez empresários do ramo gastronômico aproveitaram a “baixa temporada” gerada pelas obras do Conduto Álvaro Chaves na rua Cel. Bordini para formalizar uma união em busca de novos clientes.

    O trecho compreendido entre a Marques do Pombal e a Cristóvão Colombo, justamente aquele mais afetado pelas obras, vai se tornar o Centro Culinário da Bordini. O lançamento estava previsto para o dia 26 de dezembro, data prometida pelo prefeito José Fogaça para a entrega das obras, mas os comerciantes não se assustam em esperar um pouco mais.

    Mesmo porque a Prefeitura Municipal deve ser parceira da iniciativa. “O poder público entraria com a promoção, pois tem acesso facilitado à mídia e estaria acrescentando mais um item nas agendas dos turistas”, observa o uruguaio Eduardo Alqueres, um dos mobilizadores da proposta.

    *Esta reportagem é um dos destaques da edição 377 do JÁ Bom Fim/Moinhos, que já está circulando nos pontos de comércio da região central de Porto Alegre.