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  • Empresários se mobilizam contra corte de incentivos

    Naira Hofmeister
    Até o final dessa semana os gaúchos vão conhecer as propostas dos setores empresariais do Rio Grande do Sul, ao plano de cortes anunciado na segunda-feira, pelo secretário da Fazenda do Estado, Aod Cunha.
    Antes disso, ninguém se manifesta nem adianta quais serão as saídas apontadas pelo setor. Mas é certo que as entidades se sentiram ameaçadas com a anunciada suspensão de R$ 150 milhões de créditos presumidos, descontados do ICMS para incentivar o desenvolvimento de diferentes setores. Na coletiva de imprensa concedida na tarde de segunda-feira, o secretário Aod Cunha anunciou um decreto que cortaria parte dos atuais R$ 500 milhões possíveis de serem revistos.
    Outra fonte de rendimentos para o Governo do estado virá da negativa da Assembléia em reativar o Simples Gaúcho, que isentaria o pagamento de ICMS a empresas com faturamente anual menor que R$ 240 milhões. “Mais uma vez, penalizaram as micro e pequenas empresas”, lamentou Vitor Koch, presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL)
    Segundo um levantamento informal realizado pela entidade, o programa nacional do Supersimples, em vigor desde julho desse ano, elevou muito os gastos dos pequenos e médios comerciantes. Na média, os empresários tiveram acréscimo de 30%, “mas há colegas que demonstraram pagamentos quase 70% maiores que o habitual”, revelou Koch.
    Existem 300 mil empresas gaúchas nessa situação e, desde que foi anunciado o Supersimples, a FCDL já havia se reunido sete vezes com a governadora Yeda Crusius e seu secretariado. “O ICMS influencia diretamente no preço final dos produtos. Hoje, os varejistas enfrentam uma concorrência desleal das grandes redes de supermercados, por exemplo, que já podem comercializar livros e até remédios nas lojas”, ilustrou Koch.
    Koch lamenta também a indefinição referente ao pagamento do 13º salário do funcionalismo público. “São cerca de 450 milhões que entram no mercado”. A entidade teme que o não pagamento represente inadimplência em contratos que já estão em andamento e redução nas vendas de final de ano. “Comparando com a agricultura, o Natal é nossa safra”, concluiu.
    Na Federação das Industrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), a primeira rodada de negociações aconteceu na noite desta terça-feira, na sede da empresa e se alongou até depois das 20h. O presidente da Fiergs, Paulo Tigre encontrou-se com os demais conselheiros da entidade, mas não houve manifestações.
    Na manhã de ontem a entidade divulgou a sondagem industrial do último trimestre, que conclui que apesar de a produção estar crescendo, a situação financeira das empresas está pior. Os dados revelam que 61,7% dos entrevistados atribuem as dificuldades à elevada taxa de juros.
    Assim como os filiados à Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), que agendaram encontro para essa quarta-feira. Mas segundo a assessoria de imprensa da Federasul, “as entidades estão mobilizadas em procuram uma alternativa conjunta”.

  • Maffesoli ataca: “Opinião virou pensamento”

    Naira Hofmeister

    A raça humana está perdendo a capacidade de dar sentido às coisas passando pela palavra. A produção contemporânea da inteligetsia não corresponde mais ao que é vivido: esse é atualmente o maior problema da sociedade na visão do cientista social Michel Maffesoli. “Estão mais preocupados com a forma, a moldura, do que valorizar o conteúdo”, atacou o francês.

    Maffesoli falou no Fronteiras do Pensamento na noite da terça-feira, 20 de novembro e criticou a obrigatoriedade de a filosofia abordar o que é politicamente, teoricamente e sociologicamente correto. “Desde os tempos greco-romanos, a filosofia se opôs à opinião comum. Hoje, a maioria do que se apresenta como pensamento não passa de um conjunto encantado de palavras”, desabafou. E sentenciou: “Opinião virou pensamento”.

    Maffesoli explicou à platéia presente no Salão de Atos da UFRGS que é essa a fronteira que o pensamento contemporâneo deve ousar ultrapassar. “A fronteira, o limite, são maneiras de acessarmos uma outra coisa”, sugeriu.

    A mudança de paradigma na produção acadêmica só vai acontecer quando o pensamento deixar de ser crítico para tornar-se radical, acredita o francês. “O verdadeiro pensamento questiona sempre, não traz necessariamente respostas, mas sabe colocar os problemas”, disse, citando Hannah Arendt e Aristóteles.

    “Os grandes pensadores da humanidade foram radicais: Marx, Jung, Freud e recentemente, meu amigo falecido Jean Baudrillard”, observou Maffesoli, que acrescentou que o pensamento crítico é conveniente. “A nova maneira de pensar o mundo, é dizer não ao mundo”.

    Utilizando-se freqüentes análises etimológicas das palavras que utilizava, o francês entrou no assunto que a platéia esperava ver abordado: a memória. Não sem antes desculpar-se pela longa – e instigante – introdução. “É preciso levar o pensamento à palavra”.

    Radicalismo e memória

    Analisando a etimologia da palavra radicalismo, Michel Maffesoli chegou ao termo raízes, o que garante a existência de qualquer coisa, acredita o francês. “Uma sociedade só existe por suas histórias, tradições” Ou seja, por sua memória.

    A sociedade atual se opõe à tradição judaico-cristã de procurar no além, no longínquo, o objetivo da vida, a perfeição. “Hoje, nosso ideal é próprio da Terra e não do céu”. Segundo Maffesoli, o que está em jogo é a busca voltada para gozar o presente. “Não tente ir além, realize-se aqui e agora”.

    O mito da sociedade moderna, na opinião de Maffesoli, foi o progresso. “A característica da modernidade foi o processo de desenraizamento das pessoas e das coisas”. Por vivermos o pós-modernismo, experenciamos uma nova situação, da busca desses extratos renegados no passado.

    “Aprendemos a opor progresso e regresso, por isso, não utilizo essa palavra, que possui conotação negativa”, observou, para em seguida, anunciar o termo que prefere: ingresso. “A energia de dentro, interna”, complementou.

    “Temos que ter a audácia de pensar, de sermos claros”, desafiou. E disse que um dos sintomas da contemporaneidade pouco difundidos é um retorno ao arcaísmo. “Ao dionisíaco, ao nomadismo, às tribos”.

    O que une pessoas em torno de um grupo são suas preferências sexuais, espirituais e culturais. Na opinião do francês, o mundo atual não possui mais lugar para subjetividades. “Não é mais o sujeito agindo sobre o objeto, mas sim, um movimento de vai e vem entre natureza e homem, por exemplo”.

    Filosoficamente, essa é uma questão difícil de ser pensada, explicou, pois nossa sociedade aprendeu a consagrar o sujeito como centro do mundo. “Mas assim como aceitamos a morte de Deus, devemos aceitar a morte do sujeito”, concluiu.

  • Semana de negociações no PP

    Naira Hofmeister
    A segunda-feira foi marcada por gestos de cordialidade entre os principais envolvidos na crise gerada depois da reprovação do pacote de Yeda Crusius, na Assembléia Legislativa, na última quarta-feira, 14 de novembro.
    Em declarações oficias, enviadas através das respectivas assessorias de imprensa, o Secretário da Fazenda, Aod Cunha, e o presidente estadual do PP, Jerônimo Goergen, manifestaram disposição para o diálogo “acima de vaidades pessoais”, pois superar o déficit seria um problema de todos os gaúchos. Yeda Crusius também abrandou o discurso de cortar repasses aos demais poderes para “dividir o ônus com o 13º salário”. Ministério Público e Tribunal de Justiça ameaçaram mover ações contra o poder executivo, caso a medida fosse levada em conta. A partir da quarta-feira, Yeda tem intensa agenda de negociação com os outros poderes. “Vamos ver até que ponto este conjunto orçamentário representa e viabiliza a todos”.
    Apesar do discurso conciliatório, a governadora fez um alerta, pois segue sem recursos definidos para pagar o 13º salário do funcionalismo. “Não se pode cortar em segurança, em saúde e em educação. Se pode fazer melhor com o que se tem, mas eu não tenho dúvidas de que para manter o que é básico, nós vamos ter que cortar em outras fontes”.
    A hipótese de um empréstimo do Banrisul não foi totalmente descartada pela fazenda estadual, porém, a governadora observou que não sabe “de onde sairá o pagamento dos juros em um orçamento que já tem previsto R$ 1,3 bilhão de déficit”. Yeda segue acreditando que a União repassará verbas provenientes da federalização das estradas, que seriam aplicadas no pagamento do 13º.
    Durante a tarde, Aod Cunha concedeu entrevista coletiva na Secretaria da Fazenda, onde avaliou como frustrante o resultado da votação na Assembléia, que derrotou a proposta do governo para tentar equilibrar as finanças públicas. “Foi negada a opção apresentada pelo governo para ampliar a receita e conter o aumento de despesas previsto na Lei de Responsabilidade Estadual”, atacou.
    Sem o Plano de Recuperação do Estado para garantir sustentação mínima ao orçamento, o secretário da Fazenda aposta suas fichas numa redução de investimentos ainda mais drástica que a aplicada em 2007. No último ano do governo Germano Rigotto, o percentual não superou os 4% do orçamento, taxa que a atual governadora reduziu para 2%. “Vamos baixar o investimento em 200 milhões”, anunciou Aod Cunha.
    A manutenção do Simples Nacional – que o governo propunha ser substituído pelo estadual, medida que isentaria a cobrança de impostos de pequenas e microempresas – vai garantir uma soma de R$ 200 milhões. Os cortes no pagamento de créditos presumidos, que estavam previstos em R$ 60 milhões, dobraram de valor e na dívida dos precatórios – que deveria ser reduzida com os repasses de um fundo no valor de R$ 300 milhões ao ano – não tem mais verbas previstas para seu pagamento.
    Apesar da crítica, Aod garantiu que o compromisso maior da gestão Yeda Crusius continua sendo reduzir o déficit estadual. “O gasto com custeio foi reduzido em 30%, o combate à sonegação foi intensificado. E fizemos a maior operação de colocação de ações de um banco, público ou privado, da história da América Latina”, observou.
    Pedro Américo Leal: “O PP virou um saco de gatos”
    Pouco mais de duas horas antes da reunião da executiva estadual que fecharia questão sobre a permanência ou não do PP na base aliada, os progressistas desmarcaram o compromisso. O presidente estadual do partido, Jerônimo Goergen, afirmou que a decisão foi tomada depois das declarações da governadora Yeda Crusius de que “esse é um momento de calma e prudência”.
    “Yeda não falou nada concretamente sobre se deseja ou não a manutenção do PP no seu governo, mas entendemos a importância da presença do PP no esforço coletivo para encontrar saídas que possibilitem a recuperação das finanças do Estado”, observou.
    Ex-presidente estadual da sigla e um dos diretores do Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE), Francisco Turra pediu mais transparência na condução do partido pelo atual líder estadual. As declarações irritaram um terceiro progressista tradicional no Estado, Pedro Américo Leal, pai da atual secretária de Cultura, Mônica Leal, única integrante do PP que não colocou o cargo à disposição depois da derrota na Assembléia.
    “Não sei em quem acreditar. O PP virou um saco de gatos, um salve-se quem puder”, desabafou Pedro Américo Leal, logo após chegar de Torres, na tarde de ontem. Segundo Leal, o partido encontra-se atualmente numa encruzilhada. Pedro Américo leal disse que tem se mantido afastado da política para ceder lugar à filha, mas que diante da situação, se viu obrigado a estudar os casos. “Permaneço numa expectativa armada”, esbravejou.
    Secretários de Estado se manifestam em solenidade
    Ainda na manhã dessa segunda-feira, a assinatura de um convênio para reforma dos telhados do ginásio do Instituto de Educação Gal. Flores da Cunha, em Porto Alegre, transformou-se num ato político em defesa da governadora Yeda Crusius.
    Com as presenças da secretária de Educação Mariza Abreu e do titular da pasta de Obras Públicas, Coffy Rodrigues defenderam a “coragem da governadora em relatar a verdade para os gaúchos”.
    “A situação de abandono vivida pelo IE nada mais é do que o reflexo de 30 anos de crise fiscal, que diminuem as possibilidades de investimentos públicos na educação”, atacou Mariza Abreu.
    Coffy Ridrigues foi irônico ao garantir que o governo estadual vai colocar seus técnicos à disposição da escola para viabilizar as reformas. “Vamos buscar os recursos no governo federal, pois lá eles têm dinheiro, que veio com a aprovação da CPMF”.
    A presença mais esperada na solenidade era a da secretária da Cultura, Mônica Leal, que chegou a ser anunciada pelo cerimonial, mas não compareceu nem deu explicações da sua ausência.

  • No penúltimo encontro, o primeiro diálogo

    Naira Hofmeister

    O cientista político francês, Michel Maffesoli, e o artista plástico catalão, Antoni Muntadas, possuem visões diferentes da sociedade contemporânea. O primeiro acredita que estamos vivendo um retorno aos modos arcaicos de organização social, com a formação de tribos que dividem gostos e interesses. Já o espanhol continua acreditando que é individualidade e as preferências pessoais que seguem regendo o mundo.

    Maffesoli e Muntadas foram protagonistas do primeiro diálogo entre conferencistas do Fronteiras do Pensamento. No encontro com jornalistas e respondendo as perguntas do público, Muntadas complementou e debateu com o francês Michel Maffesoli, sobre os lugares da memória na sociedade contemporânea.

    Na tarde de terça-feira, na coletiva de imprensa, os dois conferencistas foram instigados a contrapor o excesso de informações disponibilizadas pelas Novas Tecnologias com a necessidade de vivência que o conhecimento aprofundado requer.

    Defensor de que a percepção só é possível através do envolvimento – que por sua vez, requer tempo e dedicação – Muntadas comentou a afirmação de Maffesoli, de que “presenciamos um espetáculo no mundo, de que tudo pode ser experimentado e sentido”.

    “Temos disponibilidade para receber as informações e principalmente para escolher entre elas. De fato há um vasto panorama, mas há uma energia que vai se aprofundar na escolha”, defendeu o artista plástico catalão.

    Na visão de Muntadas, a maneira ideal de organizar essas informações é através da criação de um universo pessoal de referências para a memória, “Cada um deve construir seu museu imaginário individual”.

    Aí foi o francês que rebateu Muntadas. Maffesoli defendeu sua tese do retorno contemporâneo ao arcaico, de uma sociedade que volta a ser tribal e não mais individual como estamos habituados a ouvir. “Na minha opinião, seriam museus grupais, com valores compartilhados entre os integrantes de determinada tribo”.

    Muntadas não se convenceu. “A idéia do museu imaginário é uma metáfora: claro que há um grupo, mas nem todos dividem as mesmas preferências. Não acredito que sejam escolhas elitistas, mas sim, pessoais”.

    Mais tarde, respondendo às perguntas dos alunos do Fronteiras do Pensamento, os dois voltaram a debater suas idéias, que acabaram por complementar-se. Sobre a efemeridade que tudo parece ter adquirido na sociedade contemporânea, Maffesoli instigou o público. “Não tenho certeza quanto a essa característica, me parece que há uma longa duração em alguns fenômenos”.

    Muntadas contra-argumentou. “Temos que pensar nas coisas com uma data de validade. Não só a arte, mas a arquitetura e até mesmo as cidades, são como leite: caducam depois de um certo tempo”. A afirmação foi ilustrada com o exemplo do Japão, onde um edifício tem sua função alterada depois que passam 20 anos de sua construção. “Talvez seja só uma especulação, mas há coisas obsoletas a cada instante”.

    Maffesoli complementou, defendendo a idéia de que a característica que define a sociedade pós-moderna é o instante eterno. “Interessante pensar no Templo de Ouro, no Japão. Ele foi construído há muito tempo, é uma construção de longa duração. Mas foi feito de uma para ser visto de formas diferentes, dando um sentido de impermanência e continuidade ao mesmo tempo”.

    Muntadas então concluiu destacando o tempo como fundamento da percepção. “Geralmente falamos muito no lugar e pouco do tempo. Mas é importante valorizar e consumir o tempo para que a compreensão aconteça”.

  • PP suspende reunião da executiva

    Elmar Bones e Naira Hofmeister
    O feriado de quinta-feira e o ponto facultativo, na sexta, nas repartições públicas, serviram para esfriar o ambiente político no Estado, em ebulição desde quarta-feira, quando o governo sofreu um revés sem precedentes ao ter o seu plano de ajuste fiscal rejeitado por 34 votos a zero.
    Conforme anunciado pela secretária de Cultura, Mônica Leal, “o feriadão foi providencial para esfriar a cabeça e pensar com calma nos próximos desdobramentos”. De fato, depois de quatro dias de recesso público, o partido da secretária que está no centro da crise, divulgou uma nota na manhã desta segunda-feira, 19 de novembro, cancelando a reunião da executiva estadual que definiria a saída definitiva da base governista.
    O texto é assinado pelo presidente estadual do partido, Jerônimo Goergen, e admite as dificuldades que os progressistas enfrentam para se manter nos cargos estaduais desde a votação na Assembléia. Sublinha, porém, que “a proporção dos acontecimentos gerou conflitos desnecessários e menores”.
    Com quatro secretarias e uma dezena de cargos importantes no primeiro escalão do governo, o partido foi o principal alvo das queixas da governadora, que no momento de maior tensão, logo depois da derrota, falou até em “traição”.
    Cinco representantes do PP (Adolfo Brito, Leila Fetter, João Fischer, Mano Changes e Francisco Appio), garantiram o quórum mínimo de 28 deputados para que houvesse a votação, contrariando a orientação do Palácio Piratini, que pretendia adiar a decisão para negociar mudanças e assim viabilizar a aprovação do pacote. Na hora da votação, os oito integrantes da bancada progressista estavam em plenário e votaram contra o governo.
    Três dos quatro secretários indicados pelo PP (Pedro Westphalen, de Ciência e Tecnologia, João Carlos Machado, da Agricultura, Celso Bernardi, de Relações Insitucionais), além do presidente do IPE, Otomar Vivian, colocaram os cargos à disposição na última semana.
    Apenas a secretária Mônica Leal, que se considera da “quota pessoal da governadora” dá sinais que fará um movimento contrário, permanecendo no governo e se afastando do partido. Na manhã dessa segunda-feira, Mônica cancelou um compromisso no Instituto de Educação, onde participaria da solenidade de inauguração de três telas restauradas.
    Íntegra da nota do Partido Progressista
    “Crise entre aliados exige espírito público e grandeza política”.
    O episódio da votação do plano de recuperação do Estado, na quarta-feira da semana passada, acabou gerando dificuldades nas relações entre o PP e o Governo do Estado.
    A proporção dos acontecimentos, entretanto, gerou conflitos desnecessários e menores do que o papel que os gaúchos esperam de seus agentes políticos, responsáveis que são pela geração de serviços públicos essenciais à sociedade.
    O Governo do Estado tem um desafio imensamente maior a enfrentar em nome da verdadeira “base aliada”, que são todos os gaúchos.
    É por isso que interesses e vaidades pessoais precisam ser deixadas de lado. O mesmo se refere a transferência de responsabilidades.
    O momento exige que cada um avalie seus atos e assuma sua parcela de culpa no episódio do dia 14 de novembro.
    A governadora Yeda Crusius, num ato de grandeza, sinaliza que a hora é de prudência e calma, o que reforça ainda mais nosso compromisso com o Estado.
    É por isso que, em nome do Rio Grande, faço um apelo pela unidade. A superação das dificuldades do Rio Grande do Sul exige um esforço de todos.
    O PP, com humildade, irá retirar lições positivas do episódio para levar adiante aquela que é a razão de ser da política: construir democraticamente uma sociedade justa e harmônica. É preciso que todos, governo, poderes estaduais e federal, partidos aliados e de oposição façam o mesmo.
    Somados a esta consciência da importância do momento estão os gestos oferecidos pela governadora Yeda Crusius, dando conta da importância da presença do PP no esforço coletivo para encontrar saídas que possibilitem a recuperação das finanças do Estado.
    Governos passam e o Rio Grande permanece. Por isso a hora é de união e de diálogo.
    Foi em nome desse objetivo e da preservação da unidade que determinamos o cancelamento da reunião da Executiva do Diretório Estadual, marcada para a tarde desta segunda-feira.
    Porto Alegre, 19 de novembro de 2007
    Jerônimo Goergen
    Presidente Estadual do PP

  • Jornal JÁ lança revista comemorativa dos 21 anos

    Revista vai trazer as melhores reportagens das duas décadas do JÁ  (Reprodução)

    Circula dia 5 de dezembro a edição especial comemorativa aos 21 anos do Jornal JÁ, completados em outubro deste ano. Em formato de revista, a publicação reunirá as melhores reportagens e entrevistas veiculadas em duas décadas, além de matérias inéditas.

    Serão 15 mil exemplares, para venda em bancas e distribuição dirigida a formadores de opinião e jornalistas dos principais veículos de comunicação do Estado e do país.

    A edição comemorativa dos 21 anos do JÁ vai traçar a trajetória do jornal que nasceu em 1985, a partir da visão de seus fundadores.

    A história do jornal começa no momento em que o Brasil sai da ditadura, com a eleição de Tancredo Neves. Naquele ano, um grupo de intelectuais e jornalistas de Porto Alegre se reúne para fundar um jornal com a cara do novo Brasil.

    A revista também vai trazer entrevistas históricas com Eduardo Galeano, Chico Buarque, Gilberto Gil, Frei Rovílio Costa e muitos outros. E mais  artigos exclusivos com  os grandes nomes que passaram pelo JÁ.

  • Família de Antônio Caringi relançará a obra do escultor

    Patrícia Marini
    Quatro gerações da família de Antônio Caringi compareceram ao Sítio do Laçador, inaugurado oficialmente na manhã de sábado, 31 de março, para anunciar o breve relançamento das obras do escultor no mercado de arte. Antônia Caringi, filha dele, entregou a Paixão Cortes, que posou para a moldagem de O Laçador em 1958, um catálogo com as 35 peças que compõem o acervo familiar recebido em herança.
    Os seis filhos decidiram resgatar seu espólio e multiplicá-lo. “Estudamos as leis de direito autoral e de incentivos fiscais, recolhemos os moldes em gesso que estavam espalhados por diversos lugares e agora estamos negociando com duas fundições de São Paulo para reproduzir as peças”, conta o neto Amadeo Caringi, que já tem o projeto de um livro sobre o escultor aprovado na Lei Rouanet e agora busca um patrocinador.
    Conhecido dos porto-alegrenses por diversos trabalhos na cidade, como a estátua de Bento Gonçalves e o Monumento ao Expedicionário, Caringi também tem monumentos expostos no Rio de Janeiro, onde morou por alguns anos, e noutras cidades, como Laguna, no litoral catarinense, onde se vê sua Anita Garibaldi. São obras que fez após ter vencido concursos públicos para a construção dos monumentos, antes e depois do período de sete anos que passou estudando Belas Artes em Munique, de 1933 a 1940, por estímulo do governo Vargas, no Brasil, e acolhida do governo Hitler, na Alemanha, usufruindo uma bolsa dada ao jovem artista oriundo da elite de Pelotas.
    O catálogo, produzido e bancado pela família, exibe peças menores, como um Laçador de 31 cm de altura, uma cabeça de Giuseppe Garibaldi e outros personagens da História, além de nus femininos. Uma das intenções da família, além de colocar as obras à venda, é doar reproduções para museus. “O MARGS só tem uma peça dele, uma Banhista, que não é a linha mais representativa do seu trabalho”, constata o neto Amadeo.
    Os Caringi estiveram entre os últimos a chegar ao evento de sábado, quando as autoridades já tinham se retirado e Paixão Cortes estava quase indo embora. Apesar do forte calor e dos quase 80 anos de idade, o músico atendeu gentil e pacientemente a todos que se aproximaram, pousou para fotos e a fila foi avançando lentamente. Paixão Cortes estava na sua sala de visitas, recebendo amigos e fãs desconhecidos com a mesma atenção. Falou em “deixar às novas gerações algo grandioso”. Ele se referia à estátua e às referências da tradição cultural.
    Levando a cultura
    Para um de seus admiradores, Marcos Alexandre Giorgetta, “a pessoa do Paixão representa nossa cultura mais do que O Laçador”. Ele posou para foto com o ídolo exibindo a imagem da estátua que mandou tatuar no braço há dois anos. “Foi uma felicidade enorme encontrá-lo aqui”. Porto-alegrense, Giorgetta tem orgulho de ser gaúcho. Segurando uma latinha de cerveja, comenta que “o gaúcho leva seu chimarrão e sua cultura aonde vai”. Embora tenha vivido sempre na capital, tem saudades das férias de infância em Quaraí, região da campanha – e dos laçadores.
    Giorgetta não só sente sua condição de gaúcho muito bem representada pelo símbolo, como acha que ele denota “o que o povo gaúcho fez e fará pelo Rio Grande”. Estudante de Administração, classifica de “complicado” o momento por que passam fortes marcas empresariais locais, como Varig, Ipiranga e Correio do Povo, pois, na sua opinião, “não é bom privatizar” (na verdade, essas empresas não foram privatizadas, e sim passaram a ser controladas por grupos “não-gaúchos”). O estudante já definiu o mote do trabalho de conclusão de curso: a administração da cultura pelo poder público, “tendo como foco o Paixão Cortes”.

    O público do evento não chegou a formar uma multidão. Ao meio-dia, pouca gente para começar o baile a céu aberto programado para a tarde. Com o sol a pino, o casal Clarice e Giovani Dutra rodopiou (foto) no pátio, ao som do grupo Alma Campeira. “Temos que dançar e vestir o que é nosso”, diz ele, pilchado e sorridente. “Nas cavalgadas, já apeio do cavalo dançando, alguém que segure as rédeas pra gente”, completa a esposa.

  • Opus vai administrar Araújo Vianna por 10 anos

    Naira Hofmeister

    Única empresa a apresentar um projeto de acordo com as normas do edital de fevereiro de 2007, a Opus Promoções terá concessão do Auditório Araújo Vianna pelos próximos 10 anos. “Fiquei muito satisfeito ao ser informado de que é uma empresa gaúcha, porto-alegrense e intimamente ligada com a produção de espetáculos culturais”, comemorou o secretário municipal de cultura, Sérgius Gonzaga.

    A permissão de uso do espaço é mediante a reforma das instalações do Araújo Vianna, cuja maior urgência é a substituição da cobertura – a lona que protege o interior do auditório foi instalada em 1996, mas tinha prazo de validade, esgotado em 2002. A entrega das obras deve ser feita em 18 meses, a contar da assinatura do contrato. “Não temos como definir datas ainda, mas acredito que em dezembro de 2008, o Araújo esteja pronto”, projetou Carlos Konrath, diretor da Opus Promoções.

    Em troca das reformas, com valor estimado em sete milhões de reais, a Opus Promoções terá direito de utilizar o Araújo Vianna durante 75% dos dias do ano, enquanto à Prefeitura estão reservados as demais datas, que representam 91 dias. “É mais do que utilizamos desde que o auditório foi reinaugurado, na década de 90”, constata o secretário.

    A recuperação será comandada por Moacyr Moojen, que ao lado do falecido Carlos Fayet, assinou o projeto original do auditório, quando foi transferido da Praça da Matriz para o Parque Farroupilha, em 1964.

    Além da cobertura definitiva, o Araújo vai receber novos equipamentos de illuminação, som e reformas no palco, platéia, banheiros e camarins. “O Araújo Vianna será um modelo para o Brasil e os visitantes terão de marcar hora para conhecer o espaço”, enalteceu Sérgius.

    “Terceira Vida” ou “Privatização Branca”?

    “Uma nova fase será inaugurada no Araújo Vianna”, acredita o secretário municipal da Cultura, Sérgius Gonzaga. A reforma no auditório está sendo considerada pela Prefeitura como a “terceira vida” do espaço – em referência ao período entre 1927 e 1964, quando funcionava no Centro da capital, e a posterior transferência para o Parque Farroupilha.

    Mas a nova etapa já começa com polêmica. Antes mesmo do anúncio do vencedor, alguns pontos do edital vinham sendo questionados. Os vereadores da oposição criticam o que chamam de “privatização branca” e prometem entrar com representação junto ao Ministério Público.

    Durante a coletiva de imprensa que anunciou a Opus como vencedora da licitação, o coordenador de música da secretaria da Cultura, Henrique Mann, fez um apelo aos jornalistas. “Vamos acabar com essa história de privatização, que significa venda de patrimônio público”. Mann entende que o auditório terá uma “gestão compartilhada” entre Prefeitura e iniciativa privada.

    Sérgius Gonzaga argumenta ainda que “não se trata sequer de uma Parceria Público Privada”, pois o prazo de utilização é de 10 anos, muito inferior ao de uma PPP, normalmente compreendido entre 25 e 30 anos.

    Edital gera dupla interpretação

    O primeiro problema refere-se a um possível cercamento do auditório. “Isso está no edital, mas não foi discutido com o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, nem aprovado em plebiscito, como prevê a legislação”, levanta o vereador Marcelo Danéris, do PT. Segundo o documento, serão realizadas “obras de impermeabilização, pintura, cercamento, reforma nos camarins e sanitários” do Araújo Vianna.

    “Isso foi um erro da equipe da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural”, justifica Sérgius Gonzaga. O titular da cultura do município explica que a hipótese realmente foi levantada, porém, antes mesmo da publicação do edital, os arquitetos Moojen e Fayet desistiram da idéia. A proposta, porém, acabou nas páginas por “falta de atenção”. “A possibilidade de cercar foi anulada pela Procuradoria do Município”, reitera.

    Isso não significa que uma proteção externa esteja descartada. “Faremos um pesado investimento e seria lamentável se no próximo ano nos encontrássemos aqui para contar as perdas”, insinua Carlos Konrath, diretor da Opus Promoções. O empresário admite, porém, que se a decisão coubesse exclusivamente à ele, “não cercaria jamais”.

    O problema, na visão de Konrath, é que o Araujo está constantemente exposto ao vandalismo. “Isso é um problema da sociedade, e é com ela que vamos resolver”. O produtor sinaliza que, se a necessidade de uma proteção for constatada, o assunto será debatido na comunidade. “O Araújo Vianna é um patrimônio da cidade”, completa.

    Ainda que a prefeitura tenha recebido as queixas antes do anúncio do vencedor do edital, o documento não foi alterado. “A secretaria não fez as alterações no tempo hábil e agora terá que confiar na boa fé da empresa, mas o edital está bem claro: prevê o cercamento com blocos de concreto e cerca”, denuncia Daneris.

    O segundo aspecto questionado pelos parlamentares é uma cláusula que diz que ao fim dos dez anos, a empresa pode levar consigo os bens investidos. “Não há garantias de que as melhorias ficarão no auditório. Como assim, a empresa poderá levar das cadeiras à iluminação?”, questiona o vereador.

    O assessor jurídico da prefeitura, José Moreira, que participou da elaboração do edital, garante que a cláusula se refere exclusivamente aos equipamentos da administração do espaço, “como computadores e móveis de escritório”. “Não existe a menor possibilidade de remover a cobertura ou arrancar as cadeiras depois dos 10 anos”, completa Carlos Konrath.

    Outro tema são os dias de uso da Prefeitura, considerados insuficientes pelos vereadores. De acordo com o edital, o poder público tem direito a 91 dias por ano. “Não é o uso em si, mas a questão do acesso. Com a entrada da iniciativa privada, deve ficar mais difícil para os artistas locais usufruírem do espaço”, entende Danéris.

    Para essa questão, Sérgius dá a seguinte explicação. “Fizemos um levantamento de utilização do espaço pelo poder público, e o pico máximo foi a trinta dias por ano. Ou seja, com esse acordo, temos 61 dias a mais”. Sobre quem poderá usufruir do Araújo, Sérgius também tem uma resposta na ponta da  língua. “Não podemos concorrer com a Opus, portanto a preferência será toda para novos músicos e bandas não comerciais da região”.

  • Reencontro histórico

    Naira Hofmeister

    A alcunha de Redenção, do Parque Farroupilha, tem origem na comunidade negra que ocupou o Bom Fim no século XIX. Escravos recém libertos, sem ter onde viver, se instalavam nos campos em frente ao Casarão da Várzea, no prédio onde hoje funciona o Colégio Militar. “Redenção faz menção à liberdade, à alforria do povo africano”, aponta Guto Obáfeni, militante do movimento negro e um dos responsáveis pelo resgate dessa relação territorial entre o povo negro e o Bom Fim.

    Guto (foto) é o presidente da Áfricanamente, ONG com cinco anos de atuação na periferia da cidade, que desde dezembro de 2006, ocupa o número 68 da Protásio Alves. “Foi uma comoção quando achamos esse espaço, tem tudo a ver com o trabalho de resgate da identidade negra”. Na sede da Áfricanamente, as noites são embaladas pelo som do berimbau e do atabaque.

    A capoeira angola – que conserva as características do tempo da escravidão – só é praticada por oito grupos em Porto Alegre. Nas aulas são abordados música, ritmo e história da capoeira. A Áfricanamente também trabalha outros aspectos da cultura africana, igualmente distorcidos pela sociedade contemporânea. “As pessoas acham que samba é na boquinha da garrafa”, critica. A tradição dos Orixás, por exemplo. “O elemento que dava uma certa humanidade aos escravos foi, sem dúvida, a religião”, acredita Guto.

    Mais que resgatar aspectos da negritude, o trabalho da ONG é tornar possível à experimentação da matriz africana na sociedade atual. O Brasil é o segundo país no mundo em população negra, atrás apenas da Nigéria. O dado só não surpreende mais do que a revelação de que o Rio Grande do Sul foi o estado brasileiro com mais praticantes assumidos do Candomblé. “Esses números não estão representados na nossa cultura”.

    Centro de Cultura Negra não vinga

    Dezoito meses depois da assinatura do convênio entre Governo do Estado e Associação Cultural de Mulheres Negras (ACMUN), o Centro de Cultura Negra, previsto para funcionar na esquina da Venâncio Aires com a João Pessoa, realiza suas atividades em salas emprestadas ou alugadas.

    “Por onde é que eu começo”, se pergunta Elaine Oliveira, uma das encarregadas da ONG, tamanhas as dificuldades que enfrenta para oficializar a instituição. “Estamos tentando um horário na agenda da governadora, que garantiu apoio antes da eleição”.

    A primeira providência a ser tomada é a publicação no Diário Oficial da concessão do prédio – há cinco anos desocupado. “Sem essa ação, não podemos pedir ligação da rede elétrica”, expõe. O prédio ainda precisa de pintura interna, instalação de forro e reparos nos banheiros.

  • Bom Fim: convivência exemplar para o mundo

    Guilherme Kolling

    O médico e escritor Moacyr Scliar teve a espinhosa tarefa de falar na mesma noite em que a jornalista Asne Seierstad, no ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre. A autora de O Livreiro de Cabul encantou o público com histórias sobre o Afeganistão, Chechênia, Sérvia, Rússia e Iraque.

    O gaúcho optou então pela máxima: “cante sua aldeia que serás universal”. Foi o que fez, ao abordar a imigração judaica para o Rio Grande do Sul, terreno em que esteve a vontade o tempo inteiro, provocando risos do público com seus causos do bairro.

    Depois da aula de Asne sobre os conflitos gerados por diferenças étnicas, religiosas e culturais, Scliar apresentou a tese de que pessoas que não são iguais podem viver de forma harmônica, apresentando como exemplo emblemático o Bom Fim, de sua infância.

    Foi o bairro que abrigou os imigrantes depois de eles terem vindo da Bessarábia para as colônias de Quatro Irmãos (Erechim) e Philipson (Santa Maria). Era um local multicultural – além de judeus, o Bom Fim abrigava negros, descendentes de alemães, entre outros.

    Um fator decisivo que pesou e muito nessa convivência harmônica foi a vontade dos imigrantes de que a vida desse certo na nova terra, fato ilustrado com bom humor por Scliar.

    “Houve uma integração cultural, o Brasil era visto como um paraíso pelo seu clima, a floresta, as frutas… Na Bessarábia, acontecia de uma família com nove pessoas dividir uma única laranja de sobremesa. Só os ricos compravam. E depois, por aqui, encontraram essa abundância”.

    Scliar execerceu o ofício de escritor:

    “Perto da Vasco da Gama vivia uma mulher que nunca tinha visto um abacate na vida. E lá onde ela vivia, na Europa, essa fruta era só para nobreza. O sonho dela era comer um abacate. De modo que depois de passar semanas sofrendo em um navio superlotado, a primeira coisa que ela falou ao marido quando chegou a Porto Alegre foi: ‘Eu quero um abacate’. E mesmo sem falar português, não se sabe como, o homem deu um jeito de conseguir o tal abacate. A mulher ficou emocionada. Mas nunca tinha provado,e comeu com casca e tudo. O marido, depois de um tempo observando as caretas de sua esposa perguntou: ‘Que tal o abacate?’. E a mulher: ‘Não é o que eu esperava, mas vou me acostumar’”.

    Com essas narrativas, Scliar demonstrou a vontade do imigrante em se adaptar, o que permitiu uma perfeita integração cultural. O escritor contou outras passagens que marcaram sua infância, como a da mãe judia que estava sempre a alimentá-lo. Outras que ele aprendeu numa época em que as pessoas se reuniam ao fim do dia, em frente às casas, sentados em cadeiras na calçada, formando rodinhas na Felipe Camarão, Henrique Dias, Ferandes Vieira…

    *Esta reportagem é um dos destaques da edição 376 do JÁ Bom Fim/Moinhos, que já está circulando nos pontos de comércio da região central de Porto Alegre.