Categoria: X.Categorias velhas

  • Imprensa e empresários já aceitam o pacote de Yeda

    Uma das primeiras providências da governadora Yeda Crusius para aprovar o pacotaço foi reunir-se com os dirigentes das principais empresas de comunicação, para acalmar a mídia, sempre pré-disposta a combater com fúria qualquer aumento de imposto.
    Seu discurso não tinha nada que os dirigentes midiáticos não soubessem: a situação é muito grave, a máquina pública se torna ingovernável, a crise já está comprometendo a economia estadual, enfim, prejuízo para todos.
    Reservadamente, chegou aos donos da mídia a melhor notícia do ano (para eles): o edital de publicidade do governo será publicado ainda em outubro. Se for o mesmo valor do ano passado, é coisa de R$ 60 milhões. A esta altura do campeonato não será possível aplicar esse volume até dezembro, mas a publicação do edital significa que foi derrubada a tese professada por influentes membros do governo – de que não tem sentido um governo falido gastar tanto em propaganda.
    Não por acaso, a imprensa adotou desde o início um tom positivo, falando em “ajuste fiscal” e “pacote contra a crise”, em vez de tarifaço, como fez da outra vez.
    Também os empresários mereceram uma abordagem especial. Para começar a conversa, o governo mostrou que as isenções fiscais no Estado superam os R$ 6 bilhões por ano. Equivalem a meio ano de arrecadação. Depois acenou com a possibilidade de ampliar as privatizações e extinção de empresas, bandeiras sempre caras aos empresários. Além disso, alguns segmentos, que tem dinheiro a receber do governo, apoiaram imediatamente.
    Quanto aos deputados…Os líderes da oposição dizem que a governadora terá dificuldades, apesar da cômoda maioria. Não é bem assim. Apesar de haver descontentamento entre os pedetistas e pefelistas, a maioria dos deputados governistas tendem a ser sensatos, principalmente quando há algumas emendas a negociar. É bom lembrar também que no ano que vem há eleição nos municípios, onde todos os deputados têm interesse. Governo sem dinheiro em ano de eleição só serve à oposição.
    Quanto às demais medidas, são mais para dourar a pílula. Algumas são discutíveis do ponto de vista legal, outras são impraticáveis e outras são inócuas.

  • Deputados vão avaliar florestamento

    Helen Lopes

    Uma comissão formada por nove deputados irá acompanhar os projetos de florestamento no Estado. O objetivo dos parlamentares é fazer um levantamento completo da situação em visitas técnicas e audiências nos municípios que já recebem ou que receberão plantações florestais de eucalipto, pinus e acácia.

    O presidente da comissão, deputado Marco Peixoto (PP), explica que o objetivo é estabelecer normas, critérios e avaliações a respeito do florestamento no Rio Grande do Sul para auxiliar o Governo do Estado. “O que não podemos é perder esses investimentos”, enfatiza.

    De acordo com o relator, deputado Miki Breier (PSB), a comissão irá avaliar questões como solo e geração de emprego. “Vamos ouvir a comunidade, os técnicos de ambas as partes, porque nossa intenção é conciliar os investimentos, o meio ambiente e as vocações do Estado”, explica.

    Os parlamentares se reuniram pela primeira vez ontem, na sala Sarmento Leite da Assembléia Legislativa, para acertar o cronograma de visitas aos municípios. A primeira acontecerá em Santiago, durante a Exposantiago – Feira do Comércio, Cultura, Artesanato, Agropecuária, Indústria e Serviços do Município, que ocorre 11 a 14 de outubro. “Iremos aproveitar o ambiente da feira e reunir prefeitos, vereadores e lideranças de toda região para debater o assunto com todos”, projeta Peixoto.

    No dia 15 de outubro, a comitiva irá a Pelotas ou Rio Grande. Os demais encontros serão realizados nos municípios de Butiá, Barra do Ribeiro, Santana do Livramento, São Gabriel, Mostardas e Rio Pardo.

    Algumas reuniões poderão ser acompanhadas de visitas técnicas em locais onde estão sendo executados os projetos de florestamento. Ficou definido ainda que as reuniões ordinárias serão realizadas todas as segundas-feiras, às 14h, na Assembléia Legislativa.

    A comissão é composta pelos deputados José Sperotto (DEM), Nelson Härter (PMDB), Miki Breier (PSB), Pedro Pereira (PSDB), Leila Fetter (PP), Edson Brum (PMDB), Rossano Gonçalves (PDT) e Cassiá Carpes (PTB) e tem 120 dias para realizar suas atividades. A previsão é que o relatório final seja votado em 11 de fevereiro de 2008.

  • “Minha música amadureceu quando voltei a Pelotas”

    Naira Hofmeister

    Satolep Sambatown surpreendeu o público que assistiu à estréia do show na abertura do 14º Porto Alegre em Cena, na noite de 10 de setembro (foto). Vitor Ramil e seu violão dividiram o palco com o carioca Marcos Suzano e uma parafernália eletrônica de samplers e sintetizadores de som. “Bem vindos ao Porto Alegre Em Cena e à Satolep Sambatown, um universo tão novo para gente quanto para vocês”, alertou logo que subiu ao palco.

    Corajosamente, a dupla apresentou ao público pela primeira vez o resultado da parceria – o disco ainda não havia chegado às lojas e os exemplares comercializados no saguão do Theatro São Pedro não tinham preço definido antes de a apresentação começar.

    Dois dias depois do espetáculo, Vitor Ramil recebeu a reportagem no JÁ no apartamento de seus filhos, em Porto Alegre – onde também moraram nos anos 80 os outros dois irmãos famosos, Kleiton e Kledir, além do próprio Vitor.

    Numa conversa franca, admitiu que a novidade pode afastar o público cativo que aprendeu a associar o compositor às milongas e baladas. “Mas escreve o que eu estou dizendo: daqui a alguns anos, o Satolep Sambatown vai ser super assimilado”.

    Para Vitor Ramil, a experimentação é um quesito obrigatório na trajetória do artista. “Não quero ficar parado no mesmo lugar”.

    Ao longo da conversa de quase duas horas, o artista também falou da influência de sua terra natal em sua música e sobre a importância de Pelotas para que ele encontrasse o caminho que queria seguir. “A minha música começou a crescer – não só ficar conhecida, mas em termos de qualidade, de amadurecimento – quando eu saí do Rio e fui pra Pelotas”, revela.

    JÁ – Foi uma atitude bastante ousada subir ao palco e apresentar um universo absolutamente novo para o público.
    Vitor Ramil
    – E eu toquei todo o disco: são canções novas, arranjos absurdamente novos para o meu conceito. Pela primeira vez, eu toco musica eletrônica de uma forma explícita. Mas não é aquela eletrônica de festa, convencional. E não estamos referenciando em nenhuma banda inglesa ou nova-iorquina. O [Marcos] Suzano é um maluco que faz um som muito singular.

    JÁ – Mas o público se acostumou a associar o teu nome a baladas e principalmente milongas. Algumas pessoas se surpreenderam com o que vocês apresentaram no palco…
    VR
    – Isso para mim é um barato! Quem não está envolvido com a produção artística, pode até falar que prefere ouvir canções de voz e violão. Então quando essa pessoa ouve outra coisa, fica chocada. Eu adoro baladas, mas se deixar, vou passar a vida inteira tocando a mesma coisa. E eu não quero ficar me divertindo a vida inteira, quero ir pra frente.

    JÁ – O teu disco anterior [Longes] era muito diferente….
    VR
    – Quando eu me encontrei com o Suzano, tinha acabado de fazer o Longes, que é um disco super parado, melancólico, profundo. E que espantou muita gente. Quem tinha adorado o Tambong, que tinha um balanço bem brasileiro, foi ouvir o Longes e se deparou com um som sujo de guitarras. Satolep Sambatown surgiu de um convite para fazer um show num espaço cultural lá no Rio. Mas eu tinha me apresentado nesse local há pouco tempo e não queria repetir o repertório. Veio a idéia de convidar outro músico, mas eu não queria dois violões. Como eu já acompanhava o trabalho do Suzano e estava inquieto, louco para fazer algo diferente, resolvi experimentar.

    JÁ – O público vai assimilar mais essa mudança?
    VR
    – Eu sei que parte do público se incomoda com algumas coisas. Mas escreve o que eu estou dizendo: daqui há alguns anos, o Satolep Sambatown vai ser super assimilado. Reverter expectativas, às vezes, nos faz perder uma fatia de público inicialmente. Mas ao longo do tempo, isso fortalece o trabalho artístico. As pessoas se dão conta de que tu não estás ali para bajular ninguém.

    JÁ – Tua trajetória tem muitos exemplos de atitudes corajosas: morar em Pelotas também é uma delas…
    VR – É curioso… Sabe que a minha carreira começou a andar mesmo, a minha música começou a crescer – não só a ficar conhecida, mas crescer em termos de qualidade, de amadurecimento – quando eu saí do Rio pra Pelotas. No final dos anos 80, a mídia de massa determinava as ondas: uma hora só rock, outra só sertanejo. Eu morava no Rio, não tinha interlocução, não havia espaço para a música que eu queria fazer, entendeu? Eu estava me sentindo muito desambientado.

    JÁ – E decidiu sair do centro da produção artística e voltar para o interior do Rio Grande do Sul!
    VR
    – Quando cheguei aqui é que caiu a ficha: bah, mas que loucura que eu fiz, né? Saí fora do mercado, de tudo, de onde estão as pessoas, de onde está o meu trabalho, de onde eu deveria estar, né? Será que não foi um gol contra, será que eu não fiz a escolha errada? Mas, com o tempo, foi incrível!

    JÁ – A tua identificação com Pelotas é muito forte, né?
    VR – Um trabalho como Ramilonga dificilmente viria à tona em mim, na minha cabeça, num ambiente onde ele ia ser naturalmente rejeitado. Imagina eu aparecer numa gravadora e oferecer um disco de milonga, naquela época? Surreal, entende.

    JÁ – O conceito da Estética do Frio também foi forjado nesse período?
    VR – A idéia mesmo surgiu no Rio, antes de eu vir embora. Mas foi quando eu cheguei aqui que ela começou a fazer sentido pra mim. Aí o Luís Augusto Fischer começou a insistir muito comigo para eu escrever um ensaio para um livro da Editora da UFRGS, Nós, os Gaúchos. Essa montagem primeira da Estética do Frio aconteceu lá.

    JÁ – Tem um debate sobre o que é ser gaúcho e o que é ser brasileiro…
    VR
    – Quando eu escrevi a Estética do Frio, tinha acabado de ver aquele carnaval, aquele monte de informação de cor e luz. Aquilo tudo me trouxe toda informação do que era muito forte na música brasileira, toda a imagem de Brasil, aquilo que estava na minha cabeça. Acho que o tropicalismo transformou tudo numa espuma de praia, eclética: de repente, tudo valia. Era uma variedade que, para quem estava tentando botar um foco, definir, se entender, se enxergar, não ajudava.

    JÁ – Então voltar foi definitivo para o trabalho que tu desenvolveu depois?
    VR – Foi como se eu tivesse passado uma régua, uma régua e um compasso naquilo ali, sabe? Parafraseando o Gil, a régua e compasso para mim, vieram através de imagens do sul, na ocasião. Eu falo no livro que pensei num gaúcho olhando o pampa e tal, mas não que o gaúcho fosse se tornar o meu símbolo do que deveria ser a música, não. Ele estava ali de alguma forma me surpreendendo. Pensei, por que ele está ali? Porque ele deve estar no meu imaginário, ele está reivindicando o seu lugar no meu imaginário – eu estou reivindicando o gauchismo. E eu não sou gaúcho da campanha, criado em fazenda. Eu sou da cidade.

    JÁ – Mas esse trabalho atual tem uma atmosfera quente: muito pandeiro, batuque. É o fim da Estética do Frio?
    VR – As pessoas estão falando muito sobre a Estética do Frio, são muitos trabalhos em universidades, em escolas, de antropólogos. Mas estão analisando em cima de uma coisa que, pra mim, de alguma forma, já foi. Acho que ela faz sentido ainda, porque tem umas reflexões ali que transcendem a minha individualidade. Pensar a identidade do Rio Grande do Sul, isso tem valor em qualquer época. Mas eu estou com a cabeça muito pra outro lado.

    JÁ – Isso antecipa novos trabalhos? Acabaram-se as milongas?
    VR – Com o sampler, tu manipula uma onda de som. Quando eu canto, é uma onda de som também. Então, é uma barreira que a gente tem que vencer. Isso não quer dizer que o meu próximo disco vai ser louquíssimo, de eletrônica. Vou te dizer: o meu projeto seguinte vai ser de violão e voz.

    JÁ – Essa apresentação acabou antecipando a estréia de Satolep Sambatown. O que ainda vai mudar no espetáculo?
    VR – Como o show anda está nascendo, estamos numa fase ainda de elaboração. Então, por exemplo, eu fui com uma roupa do [Alexandre] Hercovitch que eu tenho – uma coisa clássico-louca – e o Suzano foi com um terno japonês. Depois, tiramos os casacos para ficar só de camiseta. Acho agora que temos que sujar um pouco mais o nosso figurino.

  • Mortandade de abelhas também é alta no RS

    Geraldo Hasse, exclusivo para o JÁ
    As colméias de abelhas melíferas perderam população nos meses de inverno no Rio Grande do Sul, mas os dados disponíveis são insuficientes para afirmar que o fenômeno do despovoamento tenha as mesmas causas da “síndrome do colapso das colônias”, calamidade que ocorre desde 2006 na América do Norte. A opinião é do agrônomo Aroni Satler, professor da Faculdade de Agronomia da UFRGS e presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul, estado líder na produção de mel no Brasil.
    No Sul, os agrotóxicos são um das causas mais comuns da morte de abelhas, mas não há pesquisas sobre o efeito cumulativo dos pesticidas contidos em plantas transgênicas, apontado como uma das causas prováveis da misteriosa mortandade de abelhas nos Estados Unidos e no Canadá. Pelo menos até agora, portanto, a mortandade de abelhas no Sul nos últimos meses está associada ao frio e à chuva.
    Em invernos muito rigorosos, como foi o de 2007, os insetos sofrem com a desnutrição, tornando-se presa fácil de doenças que podem dizimar as colméias, provocando queda na produção de mel e na renda dos apicultores. A abelha européia criada no Brasil (Apis melifera) é muito atacada pelo ácaro varroa, é vulnerável a um protozoário e recentemente se tornou alvo do vírus tipo Israel.
    Entenda o caso
    A morte de milhões de abelhas começou na Flórida há alguns meses e já se tornou uma síndrome sinistra que liquidou com metade das colméias norte-americanas. Os apicultores e os técnicos ainda não chegaram a uma conclusão sobre as causas da mortandade. Trata-se de uma epidemia incrível e de uma amplitude assombrosa: as abelhas simplesmente abandonam as colméias, desaparecem.
    O problema também chegou à Europa. Na Alemanha, segundo a associação nacional dos apicultores, um quarto das colméias foi dizimado. Alguns apicultores perderam 80% de suas abelhas. Algo semelhante ocorreu na Suíça, na Itália, em Portugal, na Grécia, na Espanha, Áustria, Polônia, França e Inglaterra. No Brasil não há registro do problema, ou então o pessoal está cauteloso, já que as abelhas são costumeiramente muito vulneráveis a doenças.
    Além dos prejuízos na produção do mel, o problema preocupa porque 80% das espécies vegetais necessitam das abelhas para a polinização. Sem abelhas, cairá a produção de muitas frutas e verduras. Nos Estados Unidos, as colheitas que dependem das abelhas são avaliadas em 14 bilhões de dólares. Se o problema não for solucionado, pode-se pensar num colapso da produção de algumas lavouras.
    Nos Estados Unidos a morte maciça das abelhas está sendo atribuída principalmente à contaminação por um novo pesticida à base de nicotina. O agrotóxico é distribuído por uma multinacional alemã sob diferentes marcas: Gaucho, Merit, Admire, Confidore, Hachikusan, Premise, Advantage
    Os agrotóxicos são uma causa recorrente de morte de abelhas. Mesmo a uma baixa concentração, a utilização deste tipo de pesticida destruiria as defesas imunológicas das abelhas. Acredita-se também que as abelhas possam estar sendo atingidas por fungos-parasitas usados no controle biológico de pragas agrícolas.
    Segundo alguns especialistas, as abelhas podem estar sendo vítimas do efeito cumulativo dos pesticidas produzidos pelas plantas geneticamente modificadas. Os transgênicos seriam portanto o vilão da história. As autoridades sanitárias, que autorizaram a pesquisa, o cultivo e o comércio de plantas geneticamente modificadas, estão demorando a tomar providências para evitar o extermínio das abelhas. Alguns ambientalistas já estão exigindo “uma proibição maciça de pesticidas sistêmicos”.

  • UFRGS adia decisão sobre convênio com Aracruz

    Carlos Matsubara, especial para o JÁ

    Fracassou por ora, a iniciativa da Aracruz em firmar um convênio com o Centro de Biotecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No dia 14 de setembro, véspera da primeira reunião do Conselho Universitário (Consun) para discutir o tema e preparar o parecer do pedido de vistas, os estudantes contrários ao convênio foram informados que a Reitoria da universidade retirou o assunto da pauta por meio de um pedido do próprio reitor da UFRGS, José Carlos Ferraz Hennemann, que alegou precisar de mais tempo para analisar o convênio com a empresa de celulose.

    Para o estudante de biologia e membro do DCE e do grupo Instituto Coletivo,  Eduardo Luís Ruppenthal, a notícia foi uma boa surpresa, porém não trouxe alívio em relação ao assunto. Segundo ele, ao contrário, trouxe um alerta porque na próxima reunião no dia 28 de setembro outro tema importante será discutido.

    Trata-se do Projeto de Reforma Universitário (Reuni) do governo Lula. O projeto, junto a outras medidas provisórias já assinadas pelo governo federal, como a Lei de Inovação Tecnológica tem por objetivo incentivar e aprofundar as parcerias entre universidades e iniciativa privada, não como simples parceiros, mas como principal meio de busca de recursos, de sobrevivência das universidades federais. “A tática de adiar um assunto polêmico como o convênio é estratégico, pois seria mais um assunto para mobilizar estudantes, servidores, professores e sociedade organizada”, analisa Ruppenthal.

    O estudante recorda que outro protocolo de parceria com a mesma empresa proposta pela Faculdade de Agronomia foi barrado em março com a participação de mais de 600 mulheres da Via Campesina. Ruppenthal afirma que os estudantes estarão alertas e mobilizados e que a última reunião serviu para definir os próximos passos do que consideram uma batalha contra a Aracruz. “Buscaremos mais parceiros dentro e fora da universidade”, alerta.

    Ele adianta ainda que a tarefa e o objetivo de todos continua sendo o dia 28 de setembro. Além da próxima reunião do Consun, a data também marca o início do Congresso dos Estudantes da UFRGS, cujo tema central será o “Universidade, Para quê? Para quem?”, e que definirá como a universidade vai se inserir no Prouni.

    O convênio

    O convênio a ser celebrado entre a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Fundação Arthur Bernardes (Funarbe) com a co-financiadora Aracruz Celulose S.A., tem como executora a Universidade Católica de Brasília, e como co-executores a Universidade Federal de Viçosa e a UFRGS, através do Centro de Biotecnologia, com o objetivo da transferência de recursos financeiros da Finep à Funarbe para a execução de um projeto intitulado “Uso da biotecnologia para a seleção e avaliação de genes de eucalipto envolvidos na qualidade da madeira e produção de biomassa”.

    O convênio prevê ainda um Termo de Compromisso para regulamentar as condições de sigilo quanto às informações tecnológicas aportadas pelos participantes geradas pelos mesmos no projeto e estabelecer os seus direitos quanto à titularidade, a comercialização e o uso da propriedade intelectual resultando do projeto.

  • Mortandade de abelhas também é alta no RS

    Geraldo Hasse, exclusivo para o JÁ

    As colméias de abelhas melíferas perderam população nos meses de inverno no Rio Grande do Sul, mas os dados disponíveis são insuficientes para afirmar que o fenômeno do despovoamento tenha as mesmas causas da “síndrome do colapso das colônias”, calamidade que ocorre desde 2006 na América do Norte. A opinião é do agrônomo Aroni Satler, professor da Faculdade de Agronomia da UFRGS e presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul, estado líder na produção de mel no Brasil.

    No Sul, os agrotóxicos são um das causas mais comuns da morte de abelhas, mas não há pesquisas sobre o efeito cumulativo dos pesticidas contidos em plantas transgênicas, apontado como uma das causas prováveis da misteriosa mortandade de abelhas nos Estados Unidos e no Canadá. Pelo menos até agora, portanto, a mortandade de abelhas no Sul nos últimos meses está associada ao frio e à chuva.

    Em invernos muito rigorosos, como foi o de 2007, os insetos sofrem com a desnutrição, tornando-se presa fácil de doenças que podem dizimar as colméias, provocando queda na produção de mel e na renda dos apicultores. A abelha européia criada no Brasil (Apis melifera) é muito atacada pelo ácaro varroa, é vulnerável a um protozoário e recentemente se tornou alvo do vírus tipo Israel.

    Entenda o caso

    A morte de milhões de abelhas começou na Flórida há alguns meses e já se tornou uma síndrome sinistra que liquidou com metade das colméias norte-americanas. Os apicultores e os técnicos ainda não chegaram a uma conclusão sobre as causas da mortandade. Trata-se de uma epidemia incrível e de uma amplitude assombrosa: as abelhas simplesmente abandonam as colméias, desaparecem.

    O problema também chegou à Europa. Na Alemanha, segundo a associação nacional dos apicultores, um quarto das colméias foi dizimado. Alguns apicultores perderam 80% de suas abelhas. Algo semelhante ocorreu na Suíça, na Itália, em Portugal, na Grécia, na Espanha, Áustria, Polônia, França e Inglaterra. No Brasil não há registro do problema, ou então o pessoal está cauteloso, já que as abelhas são costumeiramente muito vulneráveis a doenças.
    Além dos prejuízos na produção do mel, o problema preocupa porque 80% das espécies vegetais necessitam das abelhas para a polinização. Sem abelhas, cairá a produção de muitas frutas e verduras. Nos Estados Unidos, as colheitas que dependem das abelhas são avaliadas em 14 bilhões de dólares. Se o problema não for solucionado, pode-se pensar num colapso da produção de algumas lavouras.
    Nos Estados Unidos a morte maciça das abelhas está sendo atribuída principalmente à contaminação por um novo pesticida à base de nicotina. O agrotóxico é distribuído por uma multinacional alemã sob diferentes marcas: Gaucho, Merit, Admire, Confidore, Hachikusan, Premise, Advantage

    Os agrotóxicos são uma causa recorrente de morte de abelhas. Mesmo a uma baixa concentração, a utilização deste tipo de pesticida destruiria as defesas imunológicas das abelhas. Acredita-se também que as abelhas possam estar sendo atingidas por fungos-parasitas usados no controle biológico de pragas agrícolas.

    Segundo alguns especialistas, as abelhas podem estar sendo vítimas do efeito cumulativo dos pesticidas produzidos pelas plantas geneticamente modificadas. Os transgênicos seriam portanto o vilão da história. As autoridades sanitárias, que autorizaram a pesquisa, o cultivo e o comércio de plantas geneticamente modificadas, estão demorando a tomar providências para evitar o extermínio das abelhas. Alguns ambientalistas já estão exigindo “uma proibição maciça de pesticidas sistêmicos”.

  • As Casas Históricas dos Farrapos

    Guilherme Kolling
    Cinco casas relacionadas à Guerra dos Farrapos estão entre os bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). São imóveis de personagens importantes ou prédios que foram usados como base de líderes dos exércitos. Casa de Giuseppe Garibaldi, em Piratini. Tombada em 1941. (Foto: Marina Cañas Martins/Acervo IPHAN)
    Todos foram reconhecidos nas décadas de 40 e 50. “A preservação está diretamente ligada à valorização da história do Rio Grande do Sul e do Brasil”, diz a superintendente do IPHAN no RS, Ana Lúcia Meira. Quartel General Farroupilha, em Piratini. Construído no início do século XIX. Tombado em 1952. (Foto: Marina Cañas Martins/Acervo IPHAN) Piratini abriga três desses locais: o Palácio do Governo Farroupilha, o Quartel General Farroupilha e a casa do general Giuseppe Garibaldi. Em Triunfo, está a morada onde Bento Gonçalves nasceu – hoje ela abriga o Museu Municipal Bento Gonçalves. Santana do Livramento tem a casa de passagem do comandante David Canabarro. Casa Natal de Bento Gonçalves, em Triunfo. Construída em 1754. Tombada em 1940.(Foto: Cleber Dioni/Arquivo JÁ Editores) A casa de
    Canabarro, construída em meados do século XIX, será sede do Museu do Pampa, que vai contar a biografia do ícone farroupilha e um pouco das práticas e lidas campeiras. O local foi tombado em 1953, graças à mobilização iniciada pelo historiador da cidade Ivo Caggiani.

    Palácio do Governo Farroupilha, em Piratini. Construído em 1826. Tombado em 1941. (Acervo IPHAN)

    Cerros dos Porongos também deve ser tombado

    Cerro dos Porongos, no município de Pinheiro Machado, pode ser mais um local da Revolução Farroupilha tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O processo está em andamento.

    A área foi palco de uma batalha no final da Guerra dos Farrapos, em 14 de novembro de 1844, que resultou na morte de um grande contingente de soldados negros. A Prefeitura de Pinheiro Machado comprou 3 hectares da região, onde deve ser feito o Memorial dos Lanceiros Negros.

  • “Piscinão" da Ramiro traz ameaça da dengue


    Água parada tem larvas do mosquito da dengue (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    Atrás dos tapumes da construção abandonada na esquina da rua Ramiro Barcelos com a Cabral, esconde-se um gigantesco reservatório de água parada. As dimensões se aproximam a das exigidas em competições internacionais de natação: são cerca de 20m x 40m de área, e no mínimo, 4m de profundidade.

    Acionada por moradores nos primeiros meses do ano, a Vigilância Sanitária verificou a existência de larvas do mosquito Aedes Aegypti, causador da dengue. “Um dia, vieram com uma picareta e um balde para tirar a água. Virou motivo de piada”,  relata Luiz Spinelli, proprietário de um mini-mercado que fica ao lado da obra.

    O ideal seria fazer o esgotamento da água, como ocorreu há dois anos. Só que até hoje a Prefeitura não recebeu os quase R$ 5 mil pelo serviço. Um mistério envolve o nome do proprietário que deveria arcar com a despesa. Sem saber de quem é o terreno, a Vigilância Sanitária não pode remover a água do local.

    A obra está parada há mais de dez anos. Quando começou a ser construída, em 1995, a empresa responsável pelo projeto vendeu duas lojas no térreo para lojistas da região. Spinelli era um deles. “Estamos na justiça até hoje para reaver o dinheiro aplicado”. O primeiro pavimento iria abrigar salas comerciais e os outros andares seriam ocupados com apartamentos. Ao todo, 11 pessoas reclamam devoluções na justiça.

    Moradores já tentaram inúmeras soluções. Nem a imprensa atendeu ao chamado dos vizinhos. Os jornais Zero Hora e O Sul receberam a denúncia simultaneamente ao JÁ Bom Fim/Moinhos, mas não mandaram equipes de reportagem ao local.

    Terra sem dono

    Há pelo menos três empresas envolvidas no caso – TGD, Sirca e Efenge. Nenhuma afirma ter a posse do terreno. Em 2005, a TGD Engenharia – iniciais de Turkenich, Goldsztein e Dutra – contratou a Efenge para fazer a limpeza e esgotamento da água e concertar o tapume externo. “Nunca recebi o dinheiro e ainda tive duas bombas d’água roubadas do terreno”, relata Edson Fontana, gerente da firma.

    Fontana diz que deu continuidade ao serviço durante alguns meses “por puro senso comunitário”. Por isso ele se molesta quando vizinhos da obra ligam para o escritório pedindo uma explicação para o abandono atual. “Sou tão vítima quanto eles”, reclama Fontana também não sabe de quem é o terreno. “Fui atrás durante um tempo, mas concluí que aquilo ali não tem gerência de ninguém”.

    Na TGD – que contratou a Efenge – a engenheira Márcia Sirotsky Scaletscky disse que a empresa não tem ligação com o imóvel. “Essa informação está completamente errada, acho que deves pesquisar melhor”, disse antes de desligar o telefone sem despedir-se.

    A terceira empresa citada pelos moradores é a Sirca Investimentos Ltda, de Eduardo Camargo, que não foi encontrado pela reportagem. A telefonista da TGD afirmou que o escritório da incorporadora na Lucas de Oliveira representa o empreendedor em Porto Alegre.

  • Nestlé prepara expansão agressiva

    No alto da confortável posição de Marca Mais Confiável, apontada por pesquisa conduzida pela revista Seleções em parceria com o Ibope Inteligência, a Nestlé se prepara para um crescimento agressivo até 2012.
    Presente no Brasil há mais de 80 anos, a Nestlé anunciou, em junho, que pretende dobrar de tamanho nos próximos cinco anos no País e atingir R$ 22 bilhões em faturamento em 2012. Para isso, a companhia traçou uma estratégia atrevida que inclui lançamento de produtos, entrada em novas categorias, ampliação de capacidade, vendas porta a porta, regionalização e aquisições.
    “Temos crescido o dobro do PIB ao ano, nos últimos cinco anos. Como os fundamentos econômicos do país estão muito bons e não há ameaças visíveis no horizonte, temos um plano definido para duplicar o faturamento em cinco anos”, afirma Ivan Zurita, presidente da Nestlé, que participou de um evento promovido pela Amcham-Porto Alegre (Câmara Americana de Comércio), onde falou para empresários.
    No primeiro semestre de 2007, a empresa cresceu 8% em volume e 10% em faturamento. Em 2004, o faturamento da Nestlé foi de R$ 10,6 bilhões; em 2003, de R$ 9,6 bilhões; e 2002, de R$ 7,7 bilhões.
    A companhia possui 26 unidades industriais distribuídas pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. Além disso, gera 16 mil empregos diretos e 220 mil indiretos.

  • Governo Federal anuncia R$ 420 milhões para o porto de Rio Grande

    Geraldo Hasse, especial para o JÁ
    Ao visitar Rio Grande, o ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, informou que estão previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo Federal, R$ 420 milhões para duas obras no porto rio-grandino: a continuidade da ampliação dos Molhes da Barra e a dragagem de aprofundamento do calado do canal de acesso ao porto. São R$ 282,8 milhões para a ampliação dos molhes e R$ 140 milhões para aprofundar o calado do canal de acesso para 16 metros (50 pés), numa primeira fase. Segundo ele, essas obras vão dotar o porto de condições de competitividade com os demais portos brasileiros e do mundo.
    Conforme o ministro, para a realização dessas obras, existem alguns problemas a serem vencidos, como explicações solicitadas pelo Ministério Público e aprovação, de parte do Ibama, da licença ambiental para a dragagem de aprofundamento do canal, mas a Secretaria está trabalhando para superá-los. “Embora existam recursos, essas obras não estão liberadas, mas com trabalho e profissionalismo vamos vencer todas essas questões”, destacou. Explicou que a intenção do governo Federal é investir em infra-estrutura, o que é de sua responsabilidade, e incentivar novos investimentos da iniciativa privada no porto rio-grandino.
    O governo vai fazer o aprofundamento do canal, ampliar o molhe e ter uma legislação que favoreça investimentos da iniciativa privada. Relatou que a partir de estudos objetivos, foi estabelecido um Plano Nacional de Dragagem, no qual serão aplicados R$ 1,4 bilhão em dragagem em diferentes portos brasileiros. Já as dragagens de manutenção, são de responsabilidade do Estado, e o ministro lembrou que, aqui, devem ser feitas com recursos do próprio porto rio-grandino, que é superavitário.
    Pedro Brito anunciou ainda que o Centro de Excelência em Engenharia de Transportes (Centran) fez uma pesquisa entre os 29 principais portos brasileiros, hierarquizando-os por importância a partir de critérios como investimentos já realizados e localização estratégica. O Porto de Santos ficou em primeiro lugar e o do Rio Grande em segundo. Observou que esta classificação se deu com base em critérios técnicos e não políticos. “O porto rio-grandino é o segundo mais importante do País e isso conta para se continuar investindo aqui”, destacou.
    O ministro passou o dia em Rio Grande, conhecendo o Município, que visitou pela primeira vez. Pela manhã, ele esteve em reunião com o prefeito Janir Branco; visitou o Comando do 5º Distrito Naval, sobrevoou, em um helicóptero da Marinha, a área do Superporto; esteve no Terminal de Contêineres e na sede do Consórcio CBPO, responsável pelas obras de ampliação dos Molhes da Barra. Após almoço no Centro de Navegação Rio-grandense (Centronave), com lideranças portuárias, políticas, sindicais e comunitárias, foi ao Sindicato dos Portuários, à Superintendência do Porto do Rio Grande, à Quip, responsável pela construção de módulos da plataforma oceânica P-53, e ao dique seco.
    Segundo o ministro, sua impressão do porto foi “excelente”. Ele contou que viu empreendimentos ocorrendo e outros em projetos, como o do terminal da Aracruz. Considerando os empreendimentos e a condição estratégica do Município, entende que o porto rio-grandino tem todas as condições de ser o porto do Mercosul a médio prazo.