Categoria: X.Categorias velhas

  • Uma fonte no Bom Fim

    Atrás das árvores nativas, uma fonte de água corre sem parar (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister

    A partir da solicitação de moradores da Felipe Camarão, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAM) está investigando a possível existência de uma fonte de água na altura do número 215 da rua. O local nunca abrigou uma construção e atualmente é ocupado por árvores nativas e pássaros. Mas no final de 2006 a área – antes anexa ao edifício 211 da rua – foi cercada e há um projeto de erguer ali um prédio de cinco andares.

    “Cinqüenta metros no entorno de uma nascente é de preservação obrigatória”, garante o engenheiro agrônomo Paulo Antônio Jardim, da SMAM. Alguns moradores temem que os prédios que tenham distância inferior ao olho d’água estejam ameaçados. O risco é pequeno, já que todas as obras são antigas e possuem carta de habitação.

    Jardim visitou o terreno mais de uma vez, mas depende da análise de outros departamentos da Prefeitura para confirmar a suspeita. O Departamento de Esgotos Pluviais verifica se a água que corre sem cessar não é decorrente de um vazamento (foto). Paralelamente, o DMAE analisa a qualidade de amostras coletadas. A estimativa do engenheiro da SMAM é que em um ou dois meses os laudos estejam disponíveis. “Se for mesmo uma fonte, é um fato raríssimo, ainda mais no centro da cidade”, comenta.

  • Abrem-se as cortinas

    Naira Hofmeister

    A décima quarta edição do porto Alegre Em cena inicia na segunda-feira, 10 de setembro. Daí em diante serão 20 dias e 72 espetáculos distribuídos em 21 espaços da capital do Estado. Mais de 800 atores e diretores farão 150 apresentações durante o evento, que a própria organização propagandeia como o maior de todos os tempos.
    “Este ano, para nossa imensa satisfação, tudo aumentou no festival. O número de peças, de países, de jornalistas que pediram para fazer a cobertura, as superproduções”, comemora Luciano Alabarse, coordenador do festival.
    Em 2007, o Em Cena terá grandes expoentes do teatro contemporâneo internacional. Pela primeira vez a América do Sul recebe o Théâtre du Soleil, dirigido pela célebre Ariane Mnouchkine, que montou uma ‘filial’ da Cartoucherie francesa no bairro Humaitá, na Zona Norte de Porto Alegre, para a apresentação de Les Éphémères.
    O espetáculo exigiu preparação especial dos técnicos do festival, pois o grupo trouxe onze containeres de carga. Les Éphémères tem quase oito horas de duração e será dividido em duas partes. A maior expectativa entre o público é sobre a refeição que os atores servem para a platéia. “É um golaço de final de Copa do Mundo!”, resume Luciano Alabarse.
    O espetáculo francês Les Éphémères tem oito horas, dividas em dois dias de apresentação
    Do Mercosul chegam 13 espetáculos, entre eles, BoccaTango, no qual o bailarino Julio Bocca faz sua última apresentação como profissional. Depois de deixar o palco do Teatro do Sesi, na noite de 20 de setembro, o argentino pendura as sapatilhas definitivamente.
    “Gosto muito de Kagemi, do grupo Sankai Juku do Japão, que considero um espetáculo belíssimo. China Zorrilla, de Elza e Fred, se apresentando aos 85 anos e pela primeira vez no Brasil são momentos que eu destaco numa programação que prima pela excelência e pluralidade artística”, avalia Luciano Alabarse.
    A companhia de dança Sankai Juku, considerada uma das mais importantes do mundo, traz o espetáculo Kagemi
    A música e a dança serão protagonistas na 14ª edição do Em Cena. Dos 72 espetáculos da grade de programação, 17 são desses gêneros. “Os maiores festivais do mundo mostram a saudável iniciativa de programarem cada vez mais espetáculos que cruzam linguagens utilizadas pelas artes cênicas”, justifica.
    O Rio Grande entra em cena
    Se as peças internacionais são sempre atrações especiais, a lista dos espetáculos do Rio Grande do Sul deixa claro que o festival quer valorizar a produção local. O número de peças regionais se aproxima bastante que as demais categorias e pela primeira vez há espetáculos do interior do Estado. “Sugestão de Dona Eva Sopher, aceita prontamente”, revela Alabarse.
    De Caxias do Sul, chega o grupo Tem Gente Teatrando, com o clássico de Plínio Marcos Navalha na Carne. O diretor Helquer Paez traz sua montagem do texto de Nelson Rodrigues O beijo no Asfalto e a pequena Rondinha estará representada por O Ferreiro e a Morte.
    A Pedra do Reino, baseada na obra de Ariano Suassuna, é uma das atrações nacionais
    “Todas as peças locais passaram pelo crivo da comissão de seleção e mostram o bom momento da produção cênica gaúcha. É bom poder mostrar o que estamos produzindo para os convidados de outras cidades”, acredita o coordenador.
    Outro sinal da valorização das produções gaúchas é o Programa de Fidelidade ao Teatro Local (Profit). Durante os primeiros meses do ano, o espectador que comparecesse à cinco apresentações na capital, ganhava uma entrada para qualquer peça do Porto Alegre Em Cena.
    “Esses dias uma senhora veio me agradecer porque desde o lançamento do Profit começou a assistir nossas produções e estava encantada com o teatro gaúcho. Ou seja, objetivo alcançado”, festeja Alabarse, que garante que em 2008 o projeto terá continuidade.
    Já o Troféu Braskem Em Cena chega à sua segunda edição e vai distribuir prêmios em dinheiro para os melhores espetáculos locais. Mesmo com o apoio total da classe artística e com a repercussão que teve na edição anterior, o coordenador do festival ainda é cauteloso em afirmar que será incorporado definitivamente ao festival.
    “No Brasil, é muito arriscado falar em patrocínio permanente para um evento cultural. A Braskem é uma empresa séria, está feliz com o Troféu, e sinaliza que seguirá. Eu cruzo os dedos para que todos os patrocinadores, não só eles, estejam conosco ano que vem”.
    A estréia do pelotense
    Vitor Ramil é a atração que abre o 13º Porto Alegre Em cena, na noite do dia 10, no Theatro São Pedro. Satolep Sambatown é o resultado da união do pelotense com o percursionista carioca Marcos Suzano. De Satolep, cidade imaginária de Ramil inspirada em Pelotas, vem a Estética do Frio, conceito desenvolvido há anos pelo músico. De Sambatown, a fantasia de Suzano, chega a batida do pandeiro como centro de uma arquitetura rítmica.
    Satolep e Sambatown também são os nomes dos selos que cada um dos músicos mantém e o título do disco que, curiosamente, lançam pela Universal. “Como cada um tem uma gravadora, optamos por uma terceira para nos focarmos no trabalho artístico”, justifica Ramil.
    A noite no São Pedro será a estréia nacional do espetáculo, que depois seguem em turnê pelo Brasil. “Não tenho confirmação das datas, mas sei que Pelotas, Santa Maria e Caxias do Sul estão no roteiro”, antecipa.
    Espetáculos já estão esgotados
    O show de abertura do Em Cena, Satolep Sambatown é um dos 15 espetáculos com ingressos esgotados. Com o início dos espetáculos, as entradas que restam serão comercializadas on-line (http://www.portoweb.com.br/centraldeingressos/), na porta dos teatros e na antiga Casa Rocco, no centro de Porto Alegre, entra as 12h e às 18h. A entrada custa R$ 20,00 e podem ser compradas somente em dinheiro.
    Quem doar um quilo de alimento não perecível recebe 50% de desconto. Também pagam meia idosos, estudantes, professores e artistas.
    Os esgotados
    4:48 Psicosis
    A Casa
    A Missão
    Convergence 1.0
    Crave
    H to H (dia 20.09)
    La divina (14.09)
    Lágrimas amargas de Petra von Kant
    Les éphémères
    Madame Curie
    O beijo no asfalto
    Por uma vida um pouco menos ordinária (19.09)
    Prêt-à-Porter 9
    Satolep Sambatown
    Solitos (23.09)

  • Publicitário do ano

    Mauro Dorfmann, César Paim, Esperidião Curi, João Firme de Oliveira e José Pedro Goulart são os candidatos a Publicitário do Ano 2007. O vencedor será conhecido no dia 8 de novembro, durante o Jantar da Propaganda, no Leopoldina Juvenil.

  • Competence ruma para Santa Catarina

    Respaldada num crescimento de 24% em 2007, a Competence se prepara para avançar e deverá inaugurar, ainda neste ano, pelo menos duas novas unidades em solo catarinense.
    A primeira em Florianópolis, segundo João Satt, diretor-presidente, está prevista para novembro e uma outra, sem data definida, em Joinville. Satt, que está em Santa Catarina finalizando negociações, prefere não falar qual será a participação do novo mercado no faturamento da agência.
    As regiões Centro-Oeste e Nordeste, especificamente, Recife, também estão na mira. A Competence está presente em Porto Alegre, Brasília, Curitiba e Foz do Iguaçu.

  • Deputados vão pedir mais verba para Cultura

    Guilherme Kolling

    Deputados estaduais vão defender que o repasse de verba à Lei Estadual de Incentivo à Cultura (LIC) seja respeitado. O Governo deveria destinar 0,5% da receita líquida arrecadada com o ICMS. Seriam cerca de R$ 40 milhões para 2007.

    Mas o projeto de lei 341/2007, que chegou à Assembléia Legislativa no dia 31 de agosto estabelece um limite de R$ 28 milhões em incentivos fiscais para projetos selecionados pela LIC.

    Em audiência pública realizada nesta terça-feira, 11 de setembro, a Comissão de Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia da Assembléia definiu que vai encaminhar uma emenda, cobrando o valor integral.

    A secretária-adjunta da Cultura, Flora Leães, entende que com R$ 28 milhões o Governo Yeda Crusius já estará cumprindo a lei. “Seriam R$ 40 milhões. Mas se considerarmos que todos setores do Estado tiveram um corte de 30%, o valor de R$ 28 milhões para a LIC está correto”. Flora observa, ainda que apenas em 1998, no último ano do Governo Antônio Britto, o percentual para a LIC foi respeitado.

    O coordenador da LIC, Fábio Rosenfeld, também presente à audiência, se mostrou satisfeito com os R$ 28 milhões. “Se considerarmos que a proposta anterior era de R$ 18 milhões, veremos que houve um avanço considerável”.

    O presidente do Conselho Estadual da Cultura, Gilberto Herschdorfer, aponta que o aumento no valor do repasse à LIC é fundamental, já que a demanda é cada vez maior, obrigando a instituição a rejeitar um número grande de projetos. “O ideal seria que o Governo também destinasse recursos do orçamento, para que a cultura não dependa apenas da lei de incentivo”, propôs.

  • Burocracia ameaça Memorial aos Lanceiros Negros

    Guilherme Kolling
    A burocracia está emperrando a construção do Memorial aos Lanceiros Negros, em Cerro dos Porongos, no município de Pinheiro Machado. O local foi palco da penúltima batalha da Revolução Farroupilha, em 14 de novembro de 1844, e resultou no massacre dos soldados negros que compunham o exército farrapo.
    O movimento negro gaúcho, com o apoio do Movimento de Justiça e Direitos Humanos e de órgãos do governo, se mobilizou para inaugurar em 2004 – quando o episódio completa 160 anos – , um monumento em homenagem aos lanceiros negros.
    Mas o reconhecimento aos mártires só se deu em forma de cerimônias, já que não foi possível levantar os recursos. Somente em 2005 se obteve verba com a Fundação Palmares, do Ministério da Cultura, para a realização de um concurso público de arquitetura, para a escolha de um projeto.
    A organização ficou a cargo do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), que receberia R$ 160 mil para gastos com infra-estrutura, realização e pagamento às equipes vencedoras.
    Dois anos depois, ainda faltam R$ 36 mil a ser pagos. E o problema não é falta de recursos – a verba foi até empenhada. “Temos o dinheiro, mas não é possível liberá-lo em função de uma auditoria que contesta o pagamento de inscrições ao concurso”, justifica a diretora de Proteção do Patrimônio Afro-Brasileiro da Fundação Palmares, Bernardete Lopes.
    O IAB contesta a reclamação. Segundo o secretário-geral da entidade e coordenador do concurso, Tiago Holzmann, todas as questões colocadas em dúvida pela Fundação Palmares foram esclarecidas, mais de uma vez, com farta documentação.
    Na terça-feira 27 de agosto, o presidente da Fundação Palmares, Zulu Araújo, era esperado para um encontro na sede do IAB, em Porto Alegre para resolver a questão. Mas ele adiou sua vinda ao Estado.
    Apesar da ausência de Zulu, IAB e Movimento de Justiça e Direitos Humanos realizaram a reunião, em que decidiram buscar apoio do senador Paulo Paim e da governadora Yeda Crusius para resolver o problema.
    Superada a questão do concurso, a equipe vencedora será contratada para detalhar a obra, que será feita pela prefeitura de Pinheiro Machado, em parceria com Governo do Estado e iniciativa privada. De qualquer forma, 2007 deve ser mais um ano em que o 14 de novembro vai passar sem a existência do Memorial aos Lanceiros Negros.

  • Audiência Pública da ampliação da Aracruz já tem data marcada

    Carlos Matsubara e Débora Cruz, especial para o JÁ

    O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (Rima) da ampliação da fábrica da Aracruz em Guaíba já estão à disposição do público na biblioteca da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), em Porto Alegre.  O documento, que está em tramitação no órgão ambiental desde 21 de junho deste ano, faz parte do processo do licenciamento ambiental da obra, estimada em US$ 1,2 bilhão e que vai elevar a produção da empresa das atuais 450 mil toneladas/ano para 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano. Uma cópia do EIA-Rima também foi disponibilizada na prefeitura de Guaíba.

    Além da divulgação do EIA-Rima, a Fepam confirmou, em edital publicado em jornais do Estado, que a Audiência Pública da quadruplicação da unidade de Guaíba está marcada para às 18h30min do dia 25 de outubro, seis dias após o encerramento do prazo das consultas públicas iniciado no último dia 5 de setembro. Ou seja, quem quiser conhecer o documento bem como apresentar sugestões (por escrito), tem pouco mais de 40 dias para fazê-lo. O local da Audiência Pública será o Ginásio de Esportes Coelhão (Rua 20 de setembro, no centro de Guaíba).

    Documento tem 900 páginas

    Segundo o coordenador de Pesquisa Tecnológica, Qualidade e Processo e gerente de Qualidade e Meio Ambiente da Aracruz, Clóvis Zimmer, o documento tem cerca de 900 páginas e foi desenvolvido durante oito meses. A Fepam montou uma equipe de 12 técnicos para realizar a análise, sob a coordenação do engenheiro Renato Chagas. De acordo com a empresa consultora que elaborou o estudo, a EcoÁguas, a tecnologia que será empregada para minimizar os danos ao meio ambiente é superior à utilizada atualmente.

    O engenheiro químico, especialista em Genética e ambientalista Flávio Lewgoy, ex-presidente da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) e conhecido crítico das práticas da indústria de celulose, admite que não possui boas expectativas quanto aos impactos que o aumento na capacidade de produção poderá causar, principalmente devido ao histórico de atuação da fábrica. De acordo com ele, só tem havido contaminação do estuário e poluição até agora. “É uma respeitável massa de celulose. Só a queima do carvão já é um problema gigantesco, imagine quadruplicando.”

    O engenheiro ambiental que gerenciou o estudo, Nei Lima, da EcoÁguas, informa que o EIA/Rima prevê a redução do volume de carvão queimado para a produção de energia necessária para o funcionamento do empreendimento, através da criação de uma caldeira de biomassa. Além disso, segundo ele, o volume de água captada do Guaíba e a geração de efluentes por tonelada de celulose reduziriam drasticamente. Um dos fatores que tornaria isso possível seria a utilização de torres de refrigeração no sistema de resfriamento da fábrica.

    Zimmer afirma que a tecnologia que será implantada, no que diz respeito às emissões aéreas, traz melhores condições de controle do que as que a empresa dispõe hoje. Em relação ao meio hídrico, embora esteja previsto o aumento de carga produzida, ele garante que não haverá alteração na qualidade da água do Guaíba. Acerca do ruído que a indústria emite, o coordenador informa que o EIA apresenta um capítulo específico sobre sistemas de abafamento e contenção.

    Aracruz leva técnicos da Fepam à Bahia

    Seis técnicos da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) que analisam o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da Aracruz Celulose estiveram em Eunápolis, no Sul da Bahia, no começo de agosto, para conhecer a Veracel – uma associação entre a empresa brasileira e a sueco-finlandesa Stora Enso. A planta, que entrou em operação em 2005, é uma das maiores do mundo e afirma incorporar sistemas de controle de processos e de proteção ambiental de última geração.

    A viagem foi proposta pela Aracruz. O objetivo era mostrar aos técnicos a tecnologia utilizada lá, muito semelhante a que a deve ser implantada na fábrica gaúcha. “A planta da Veracel foi muito bem planejada, o projeto tem uma performance ambiental excelente e é o retrato da tecnologia que está sendo ofertada aqui”, explica o gerente de qualidade e meio ambiente da Aracruz, Clóvis Zimmer, que acompanhou o grupo.

    Eles foram na segunda-feira e voltaram ao Rio Grande do Sul na quinta “satisfeitos com o que viram”, segundo a diretora-presidente da fundação, Ana Pellini.

    Conforme o coordenador do grupo que examina o EIA, engenheiro Renato Chagas, a equipe fez o reconhecimento do local e uma avaliação de como opera uma planta de produção de celulose com nível tecnológico avançado, observando com maior atenção aspectos como a captação de água, o lançamento de efluentes e as emissões atmosféricas.

    Para ele, o resultado foi positivo: “O que a gente verificou é que é uma planta realmente de ponta, em todos os sentidos, na parte de processo, de produção, de meio ambiente, de segurança. Avaliamos todos os dados de emissões liberadas, comparando-os com as melhores tecnologias existentes em termos mundiais. Em todos os fatores, ela emite abaixo do exigido pela legislação”.

    Após a viagem, a Fepam concluiu que, a partir da tecnologia empregada lá, a empresa tem condições de implantar e operar uma nova linha em Guaíba, sem grandes prejuízos ao meio ambiente. Segundo Chagas, a experiência também serviu para que os técnicos saibam o que precisa ser exigido em relação à planta antiga da Aracruz, que continuará funcionando, mas passará por um processo de modernização.

    Plano de comunicação

    A Aracruz está colocando em prática um plano de comunicação para que a comunidade local não seja pega de surpresa com a notícia da ampliação. De acordo com Clóvis Zimmer, o trabalho está sendo realizado por uma empresa consultora em comunicação e tem como meta dar maior transparência ao processo.

    Fóruns internos, envolvendo funcionários e prestadores de serviços, já alteram a rotina da fábrica. Na quarta-feira 5 de setembro, um evento com a comunidade local tomou conta da fábrica. Em encontros com cerca de duas horas de duração são apresentados os detalhes da expansão e do EIA, com possibilidade de perguntas ao final. Com a comunidade do município são esperados outros encontros divididos por bairros.

    Todas as reuniões organizadas pela consultoria de comunicação contratada devem ocorrer até a segunda semana de outubro. O registro das dúvidas surgidas nos encontros estão sendo repassados à Fepam. Conforme Zimmer, foi constituído ainda um conselho comunitário consultivo, com representantes da empresa e de associações de bairros de Guaíba, para acompanhar o desenrolar da ampliação. A idéia é que o grupo atue de forma permanente, a fim de mediar os interessas da Aracruz e da comunidade.

  • “O desafio da cultura é ser popular sem perder qualidade”

    Naira Hofmeister

    Pela primeira vez na história do Festival Internacional de Cinema de Gramado, o troféu Eduardo Abelin foi concedido a uma instituição, a Casa de Cinema de Porto Alegre. Há 20 anos, um grupo de cineastas acreditou num projeto que possibilitasse produzir cinema fora do eixo Rio-São Paulo.

    Os quinze primeiros anos foram dominados pela produção de curtas-metragens e apenas em 2000, o primeiro longa (Tolerância, de Carlos Gerbase) foi exibido. O pulo do gato aconteceu em 2003, quando Jorge Furtado lançou O Homem que Copiava.

    O filme inaugura uma parceria que virou constante nos outros dois longas do diretor: seu protagonista sempre é Lázaro Ramos. O último lançamento da Casa de Cinema de Porto Alegre – também exibido em Gramado – é Saneamento Básico, o filme, ainda em cartaz nos cinemas do Estado.

    Entre diversos compromissos de divulgação, Jorge Furtado, Lázaro Ramos e Bruno Garcia – que também participa da produção – conversaram com a reportagem do sobre o papel da arte na construção de um mundo mais justo.

    Paulo José interpreta Otaviano, um velho descendente de italiano desiludido

    JÁ: O filme do Zico (Lázaro Ramos) é um sucesso na escola, principalmente pela cena sensual da Silene (Camila Pitanga) se banhando na cachoeira. Propõe um debate sobre educação?

    Jorge Furtado: Se há alguma coisa que pode nos redimir da miséria total, dos senadores corruptos, da baixaria dos conflitos inventados pra vender jornal, é a arte, a beleza. O Brasil não é o país da roubalheira, sim a terra de Drummond, Chico Buarque, Noel Rosa. É impossível não se seduzir vendo a Silene (Camila Pitanga) numa cachoeira da serra gaúcha, ao som de Billie Holiday. Quem não se comove tem que procurar um médico. Qualquer um acha lindo!

    JÁ: Mas existe uma crítica ao audiovisual educativo. E num momento em que se promove um debate sobre a TV pública brasileira…

    Bruno Garcia: Precisamos cada vez mais da educação, mas o sistema necessita de uma reforma. A televisão é uma ferramenta multifacetada que pode servir pra muitas coisas inclusive para educar. Mas precisa discutir o tempo todo, coisa que se tem feito muito pouco.
    Lázaro Ramos: Acho tão difícil tornar qualquer coisa educativa e atraente hoje em dia. Mudou tanto a cultura. Eu que não sou de outra época, mas sou, só consigo fazer uma coisa. Hoje o menino lê um livro, entra na Internet e joga videogame ao mesmo tempo.
    Bruno: É isso que eu digo, é um desafio…
    Furtado: Umberto Eco, no post scriptum de O Nome da Rosa, escreve sobre isso. Nos anos 60, se achava que a arte tinha que chocar, fazer alguma coisa que não coubesse na mídia. Era um quebra-quebra, o povo vomitava. O Chico (Buarque) no Roda Viva xingava todo mundo. O teatro era imundo, grosseiro. Era arte conceitual. Hoje a sociedade de consumo absorve tudo: punk, hippie, tudo virou grife. O conceito segundo Eco – e eu concordo completamente com ele – é criar algo que seja popular e de qualidade. Isso é o difícil. Coisas de qualidade já estão feitas! Basta ler Montaigne, Carlos Drummond de Andrade.

    Bruno Garcia: “Nós nos distanciamos da Ilha da Fantasia (Brasília), mas o dinheiro é nosso, a gente é que vota”

    JÁ: Há quem diga que popular é sinônimo de ruim…

    Furtado: Esse é outro conceito equivocado, também dos anos 60. Com poucas exceções como Van Gogh e Kafka – cuja arte expressa uma perturbação – todos os outros grandes artistas da história da humanidade (Shakespeare, Mozart, Cervantes, Charles Chaplin, Da Vinci, Beatles, Rolling Stones) foram muito populares. Porque a grande arte é reconhecida.

    JÁ: Poderias citar um exemplo atual?

    Furtado: O Auto da Compadecida, a maior comédia do teatro brasileiro, e que teve um sucesso extraordinário no cinema.
    Bruno: O grau de popularidade foi tão alto que foi a primeira vez na história da humanidade que um produto passou primeiro na televisão e depois virou um filme.
    Lázaro: Uma vez eu vi Jorge [Furtado] e Guel [Arraes] conversando sobre isso e me apaixonei por eles. E roubei uma frase, que eu uso como se fosse minha, mas é deles, o “Biscoito Fino para massas”.
    Furtado: Isso é Mário de Andrade! A gente também roubou!
    Lázaro: Isso me encorajou para fazer essa que é a arte mais popular hoje, as novelas. Pensei de que maneira eu iria atuar para conseguir passar todas as mensagens em que eu acredito, sendo popular.

    JÁ: Qual é o comprometimento do artista com a sociedade?

    Bruno: Total. E não só de um artista, todos nós somos seres políticos. Só não somos fomentados a compreender. O brasileiro sempre se vê como um preguiçoso, essa coisa macunaímica de ficar na rede reclamando que o país tá uma merda e tomando cachaça. Dia desses, eu fiquei puto comigo e lancei um manifesto na Internet. Vamos fazer uma marcha até Brasília!
    Furtado: A política acaba seduzindo muita gente, mas quem sabe a gente não tenha que pensar menos em política. Há tanto espaço para a política… esses caras não merecem essa atenção toda!
    Bruno: Nós nos distanciamos da Ilha da Fantasia (Brasília), mas o dinheiro é nosso, a gente é que vota.
    Furtado: Nós vivemos tanto tempo numa ditadura que achamos que democracia iria resolver todos os problemas.
    Bruno: E pelo contrario, né?
    Furtado: O Renan Calheiros foi eleito, sabe!
    Lázaro: Eu acredito muito pouco nas autoridades, por isso acho tão importante os artistas dialogarem com quem não está no poder. Tocar essas pessoas rende muito mais artística e politicamente falando.
    Furtado: É o que a gente tem que fazer: teatro, cinema, literatura.
    Bruno: Acho que sim, temos que fazer arte, mas às vezes eu me sinto um pouco distanciado como cidadão da coisa pública.

    Furtado: “Não podemos cair nesse erro de dizer que só depois que todos tiverem saneamento básico é que vamos produzir cultura”

    JÁ: O que falta para promover essa aproximação?

    Furtado: Sem querer criticar a mídia, nós vivemos numa cultura onde a ofensa sempre vence. Se nós ficarmos três horas aqui conversando e eu falar mal de alguém, essa é a manchete. É claro que a notícia é um conflito, debate, só que na revista dessa semana, o escândalo da semana passada não existe mais! Já acabou! Ou vocês lembram quem é a Rosinete Melanias?!
    Lázaro: Secretária…
    Furtado: É, do Collor.
    Lázaro: Agora tem outra… Também com um nome esquisito.
    Furtado: Zulei… Zuleidu Veras.
    Lázaro: E o Jacinto Lamas!! Esse nome é o melhor!
    Furtado: Estar no meio da roda viva sem saber o que fazer cria um sentimento de imobilidade. Ou seja, a imprensa tem um papel importante, porque se não for oposição, não é nada. Mas falta também uma indicação do tipo, um deputado que NÃO é ladrão! Apontar maneiras interessantes de pensar a política, coisas positivas. Fazer crítica é fácil.

    JÁ: Qual deve ser a medida de investimento público para cultura, por exemplo, e para questões de infra-estrutura, como saneamento básico?

    Furtado: Não podemos cair nesse erro de dizer que só depois que todos tiverem saneamento básico é que vamos produzir cultura. A sociedade é uma coisa orgânica, tudo tem que ser feito ao mesmo tempo. Não dá para deixar Ouro Preto ruir, esquecer as Missões, fechar todos os jornais, editoras, o teatro municipal, porque não temos saneamento básico para todo mundo. Mesmo porque a arte faz com que as coisas se movam. Uma peça como Inimigo do Povo [de Ibsen]. Fala sobre um lugar turístico que não quer divulgar a contaminação da água para não perder visitantes. A cultura pensa o país, inclusive saneamento e educação.

    JÁ: Mas tem aquela história de que esgoto não dá voto…

    Furtado: Ah sim… porque tá embaixo da terra!
    Bruno: O que é bastante discutível. Realmente é perigoso fazer coisas que não são visíveis, não estão na mídia. Mas há trabalhos que são reconhecidos pela população mesmo.
    Furtado: Por outro lado tem aquela história de que 50% das casas têm saneamento básico e 95% têm televisão…

    JÁ: Voltamos aí ao ponto de partida…

  • Entidades promovem plebiscito da Vale do Rio Doce

    Carlos Matsubara, especial para o JÁ

    Começa neste sábado, 1º de setembro, o plebiscito para anulação da venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Promovida pelo Comitê Nacional Pela Anulação do Leilão da Vale – que recebe o apoio de ONG’s, sindicados, movimento sem-terra e partidos políticos – a consulta não tem caráter oficial, mas promete recolocar a privatização da Companhia na pauta.

    De acordo com o coordenador do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) e fundador do Centro de Pesquisa e Apoio ao Trabalhador de Curitiba (Cepat), Inácio Neutzling, o mérito do plebiscito é o de retomar um debate importante para o país e pressionar o Congresso Nacional e o governo Lula para que se posicionem sobre esse tema. A revisão da privatização da Vale depende hoje do Supremo Tribunal Federal e há uma série de ações ajuizadas questionando a privatização ou de uma iniciativa do Congresso brasileiro ou do presidente da República.

    Porém Neutzling ressalva que a possibilidade real de anulação da privatização a partir do plebiscito é nula. Ele acredita que a sua real efetividade, dimensão e alcance será melhor avaliado após a sua realização, mas que trata-se de um plebiscito de caráter “popular sem amparo institucional”. “Sob a perspectiva popular, a privatização da Vale apenas seria revista caso houvesse um grande movimento de massas que exigisse a sua revisão. O movimento social aposta nessa perspectiva”, crê.

    Em artigo publicado no Ambiente JÁ, Paulo Kliass, doutor em Economia e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, reforça que o movimento está nas ruas. Ele concorda, no entanto, com a tese de que a vitória não será fácil e cita como exemplo a resistência do comando atual da CVRD. “Por exemplo, quem visitar a página da empresa na internet, encontrará a mensagem do Presidente do Conselho de Administração da empresa, dirigida aos seus acionistas”, diz.  O texto é assinado pelo ex-sindicalista da CUT, Sérgio Rosa, atual Presidente da Previ. “Seria interessante saber o que ele e os demais dirigentes dos fundos de pensão que participam do capital da Vale pensam a respeito”, questiona.

    Inclusão social

    Na visão do Instituto Humanitas Unisinos, a Vale do Rio Doce, sob orientação do Estado, poderia estar exercendo um papel decisivo num modelo de inclusão social, porém a partir da sua privatização o seu compromisso se resume aos acionistas.

    Conforme Neutzling, a privatização da empresa é cercada de dúvidas sobre a sua legitimidade. Tais questionamentos recaem não somente sobre o valor calculado do patrimônio da mineradora e o valor pago por sua privatização, mas ainda pior. “A retirada da Vale das mãos do Estado significou a perda de um instrumento fundamental para se pensar a inserção do país na nova ordem econômica internacional”, afirma.

    Doutor em Teologia pela Pontifícia Universitá Gergoriana da Itália, Neutzling explica que o interesse do IHU na questão é o da divulgação e estímulo ao debate através de entrevistas e notícias sobre o plebiscito popular sobre a anulação do leilão de privatização da Vale publicadas na página do instituto na internet.  “Isto se insere no nosso objetivo que é o de acompanhar os principais fatos da conjuntura nacional e internacional”, explica.

    O site, diz ele, procura manter-se atento ao que acontece no país e toma como referência não apenas o debate institucional pautado pela grande imprensa, mas também e, sobretudo, o debate e as iniciativas propostas e desenvolvidos pelo movimento social brasileiro. “Acreditamos que a sociedade organizada desenvolve um protagonismo importante na conjuntura nacional e as suas iniciativas enriquecem o debate nacional em torno do projeto que se deseja para o país”.

    Consenso de Washington

    A CVRD foi vendida em maio 1997 por volta de US$ 3 bilhões a partir do programa de privatizações iniciado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso quando o Consórcio Brasil formado pela Companhia Siderúrgica Nacional, a Bradespar e o fundo de investimentos Previ, arrematou 41,73%, o suficiente para assumir o controle da empresa cujo patrimônio era avaliado à época em mais de R$ 80 bilhões. Ficou no ar a sensação de que foi um jogo de cartas marcadas.

    Um ótimo negócio para seus compradores. Somente no primeiro trimestre deste ano, o lucro líquido da CVRD atingiu US$ 2,217 bilhões (cerca de R$ 4,491 bilhões). O resultado significou um crescimento de 86,9% em relação ao valor registrado entre janeiro e março do ano anterior, de US$ 1,186 bilhão. Hoje em dia, a CVRD é uma das maiores empresas do mundo, com grande potencial de crescimento e opera em diversas áreas e setores como mineração, siderurgia, transportes, energia elétrica, dentre tantos outros, e marca presença em mais de 30 países.

    Neutzling lembra que os anos 1980 foram considerados a década perdida na economia mundial, particularmente na América Latina. No Brasil, a economia ficou estagnada, aumentou a recessão e o desemprego. Uma das propostas para se combater a crise econômica e retomar o crescimento foi apresentado num paper redigido pelo economista John Williamson, em 1989. Neste documento, o economista listava algumas recomendações dirigidas aos países dispostos a reformar suas economias para voltarem a crescer.

    Os pontos abordados e recomendados, entre outros estimulavam políticas orientadas pela disciplina fiscal, reforma tributária, abertura comercial, investimento direto estrangeiro e privatizações. “O conjunto dessas políticas defendia na essência a retirada do Estado das atividades produtivas e a total liberdade ao mercado”, recorda. Cinco anos depois do lançamento do ‘Consenso de Washington’, em 1994 FHC assume a presidência do Brasil e adota com vigor a agenda proposta.

    FHC, então, inicia o processo de mutação do Estado empresário para o Estado regulador. “A privatização da Vale insere-se nesse contexto. Houve uma brutal transferência de renda e riqueza do Estado para o capital privado. A promessa de que as privatizações contribuiriam para a redução da dívida interna e externa não se efetivou”, lamenta.

    Neutzling revela que a interpretação do IHU sobre esse processo acompanha os movimentos sociais porque acredita que os mesmos desempenham um papel importante ao colocar em relevo temas que são omitidos pelos partidos políticos e pela mídia no debate nacional e mais do que isso, estimula o debate sobre o modelo de desenvolvimento econômico que se deseja para o país.

    Sobre o IHU

    O IHU teve sua origem em setembro de 2001 na Universidade do Vale do Rio dos Sinos e tem acompanhado várias campanhas no território nacional, entre elas, a que questiona a transposição do Rio São Francisco e a construção das usinas hidrelétricas no Rio Madeira. Conforme seu coordenador, “sempre a partir do seu propósito que é de dar amplitude e estimular o debate nacional”. O instituto acompanha ainda com especial atenção iniciativas, campanhas e debates relacionados aos temas, entre outros, do ambiente, das mudanças do mundo do trabalho e da discussão de um projeto de Nação.

  • Mais demissões na Emater

    Helen Lopes

    Ao invés de 286 funcionários, a Emater vai demitir mais de 400. A informação consta em notificação entregue aos funcionários nesta semana. “É um número que nos surpreende. Representa quase 20% dos servidores”, lamenta o presidente da Associação dos Servidores da Ascar-Emater/RS (ASAE), Lírio Antônio Zarichta.

    Segundo Zarichta, um levantamento feito pela entidade aponta que 70% dos funcionários demitidos atuavam na área técnica e executavam trabalhos diretamente em propriedades rurais – a direção da Emater anunciou que todos os desligados seriam da área administrativa.

    A ASAE denuncia ainda que alguns escritórios da Emater no interior do Estado serão fechados, como nos municípios de Minas do Leão, Taquari e Ibiaçá, próximo à Passo Fundo. “A redução brusca do quadro funcional vai afetar a qualidade de vida do público assistido e prejudicar o desenvolvimento rural sustentável do Estado”, entende Zarichta.

    As novas demissões não foram confirmadas pelo presidente da Emater, Mário Nascimento, que foi procurado pela reportagem, mas até o fechamento desta edição, não se pronunciou.

    Direção anunciou número menor
    Em 21 de agosto, o presidente da Emater, Mário Nascimento, confirmou a demissão de 286 funcionários que continuaram trabalhando após a aposentadoria. O corte no quadro funcional faz parte do programa de reestruturação da Emater, que está se adequando à redução na sua verba. Pelo novo convênio com a Secretaria de Agricultura, assinado na semana passada, o Governo do Estado vai repassar R$ 7 milhões ao mês para a instituição – R$ 2 milhões a menos do que o contrato anterior. Nascimento garantiu que todos os desligados seriam da área administrativa e que a medida não afetaria os programas de extensão rural.