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  • Futuro da Refinaria Ipiranga está indefinido

    Sérgio Lagranha, especial para o JÁ

    O fim do acordo firmado em setembro de 2006 pelo então governador do Estado Germano Rigotto para tirar a Refinaria de Petróleo Ipiranga do vermelho deixa incerto o futuro da empresa agora sob o controle da Petrobras, Braskem e Grupo Ultra. Naquele momento, a saída encontrada foi liberar a produção de nafta petroquímica e destiná-la para a Copesul, central de matérias-primas do Pólo Petroquímico de Triunfo. O prazo do acordo expirou em 31 de março passado e foi prorrogado até a quinta-feira, 31 de maio.

    Em palestra realizada na Associação Comercial dos Varejistas de Rio Grande, na sexta-feira, 2 de junho, em comemoração ao Dia da Imprensa, a diretora-superintendente da Refinaria Ipiranga, Elizabeth Tellechea, afirmou que está preocupada com a indefinição atual. “A situação da Refinaria Ipiranga fica muito difícil sem o acordo, pois precisamos de uma alternativa de mercado viável”, disse.

    O problema foi encaminhado à diretoria de Arrecadação da Secretaria da Fazenda. O novo Conselho Administrativo da Refinaria, criado em 14 de abril passado, reúne-se pela primeira vez nesta terça-feira, 5 de maio, quando deverá analisar um possível encontro com o  Secretário da Fazenda, Aod Cunha.

    Defasagem de preços

    As atividades da planta industrial de refino do grupo, em Rio Grande, pararam em maio de 2006 devido à defasagem na relação entre os altos custos de importação de petróleo e os preços internos dos derivados. Em outubro de 2006, a Refinaria Ipiranga retomou as operações devido ao acordo assinado no Palácio Piratini, em Porto Alegre. O protocolo teve o apoio da Petrobras, com o objetivo de equalizar as despesas da Refinaria Ipiranga de importação do condensado de petróleo com os seus custos de produção de nafta e óleo diesel (na elaboração da nafta sobram 40% de diesel).

    O Estado fez uma compensação de custos ao conceder à refinaria crédito presumido de 50% do ICMS sobre a alíquota de 17% incidente na nafta petroquímica. A Ipiranga passou a produzir 30 mil metros cúbicos mensais (25 mil toneladas) de nafta petroquímica com uma alíquota de ICMS correspondente a 8,5% – com toda a nafta destina ao Pólo Petroquímico de Triunfo. A receita de ICMS do Rio Grande do Sul com a nafta vinda de outros estados é de apenas 5% – os outros 12% ficam com o Estado de origem.

    Ou seja, o recolhimento de ICMS pela Ipiranga de 8,5% representou um incremento de 3,5 pontos percentuais, em relação ao ICMS sobre a nafta importada de outros Estados. A nafta produzida pela Ipiranga reduziu em 20% as importações desta matéria-prima petroquímica de outras unidades da federação, que representa uma economia para o Estado de R$ 200 milhões por ano, conforme cálculos da Secretaria da Fazenda do Estado.

    Desde a liberação dos preços dos derivados do petróleo em 2002, a refinaria gaúcha passou a ter prejuízo. Em 2004, a déficit foi de R$ 39 milhões; em 2005, R$ 27 milhões; e 2006, R$ 5 milhões. A redução do prejuízo, segundo Elizabeth Tellechea, foi por um forte recuo nos gastos realizados pela empresa neste período. Segundo cálculos da Ipiranga, antes do acordo a Refinaria gastava US$ 44 por barril de petróleo, enquanto a venda dos derivados não ultrapassava US$ 36,00.
    Antes da crise de 2003, a produção da Refinaria era de 800 milhões de litros de combustíveis, ficando em quarto lugar na arrecadação do ICMS. Naquele ano, foram arrecadados pelo Estado R$ 430 milhões, retornando para Rio Grande 27% deste valor.

  • Abrem-se as cortinas do Teatro do Bourbon Country

    Naira Hofmeister

    O café da manhã dessa terça-feira, 5 de junho, se estendeu das 9h da manhã até depois do meio-dia. Primeiro foram os jornalistas, que ao lado dos diretores da Opus Promoções, Carlos Konrath, e da Cia Zaffari, Cláudio Luiz Zaffari, conheceram os três andares do novo Teatro do Bourbon Country. Em seguida, os lojistas do centro comercial puderam caminhar pelos diversos ambientes da casa de espetáculos, que impressiona pelo requinte e pelo preciosismo técnico.

    Com uma área de 4.100m², e com capacidade para até 1.100 pessoas, o Teatro do Bourbon Country emprega tecnologia para conferir versatilidade ao espaço, que traz `cidade o conceito de teatro-estúdio. O palco desmontável e a platéia retrátil transformam o tradicional palco italiano em um amplo salão, que pode ser usado para bailes, desfiles de moda, ou eventos que necessitem diferentes configurações de espaço e de público.

    A estrutura técnica contribui com o ambicioso projeto de unir em um só lugar, eventos de cunho empresarial, social e cultural. Ou, como diz o informe para a imprensa, “o local pode abrigar exposições, mostras de arte, gravações para a TV, filmagens publicitárias e cinematográficas, desfiles de moda, congressos, formaturas e grandes espetáculos de artes cênicas e música”. Os andaimes que sustentam refletores e outros objetos cênicos, por exemplo, se estendem por cima de toda a platéia e nas laterais, permitindo inovações nas montagens teatrais e dando suporte técnico necessário aos grandes eventos de moda.

    “Acreditamos na criatividade do pessoal da cultura para utilizar o espaço da melhor maneira possível”, projetou Cláudio Zaffari, jogando a bola para Calor Konrath. “A melhor decisão que tomamos foi a de ir com calma”, esclarece o diretor da Opus, que por enquanto só anunciou espetáculos tradicionais para o novo teatro. Entre as atrações estão o roqueiro Alice Cooper (9 de junho), a peça O Pequeno Príncipe, protagonizada por Luana Piovani (23 e 24 de junho), e o Balé Real da Dinamarca (29 de junho). Músicos como Marina e Lobão já estão agendados.

    Unidas pelo projeto, as duas empresas fundaram uma nova razão social, a Companhia Opus de Entretenimento, que vai administrar o espaço. “Ainda estamos terminando os cálculos, mas nossa expectativa de custo ultrapassa os 10 mil reais”, anunciou Claudio Zaffari.

    A distribuição do espaço foi pensada para abrigar “três ou quatro eventos simultâneos”, disse Konrath. Os cinco camarotes, por exemplo, são unidos por uma grande ante-sala onde podem ser oferecidos coquetéis apenas para convidados. “Esse sistema pode ser contratado por empresas e não constrange ninguém, pois não vai ter camarão nem champanhe circulando fora desse espaço”, comemora Konrath. Ainda há platéias alta e baixa, mezanino, galerias laterais, foyer e os ambientes externos com bar e café.

    A inauguração oficial acontece na noite dessa terça-feira, 5 de junho, a partir das 19h. A governadora Yeda Crusius e o prefeito de Porto Alegre José Fogaça, entre outros convidados, vão tomar champanhe Chandon e assitir ao pianista Geraldo Flach se apresentar no foyer. No palco principal, quem comanda o show de oito artistas gaúchos é Peninha.

  • Aracruz deve entregar esta semana estudo para quadruplicação da fábrica de Guaíba

    Cláudia Viegas, especial para o JÁ
    O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) relativo à quadruplicação da capacidade produtiva da planta da Aracruz Celulose, em Guaíba (RS), deverá ser entregue ainda nesta semana à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). A informação foi dada pelo coordenador de Pesquisa Tecnológica, Qualidade e Processo e gerente de Qualidade e Meio Ambiente da empresa, Clóvis Zimmer. Ele participou, no Centro Universitário Feevale, em Novo Hamburgo, do V Painel de Responsabilidade Social sob o tema “Os Desafios da Sustentabilidade”, organizado por docentes do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA) da universidade, na segunda-feira, 28 de maio.
    A Aracruz prepara-se para aumentar de 450 mil para 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano. Segundo Zimmer, o EIA a ser entregue – coordenado pela empresa Ecoáguas, de Guaíba (RS) -, contempla modelos de simulação aérea para impactos múltiplos, com especial atenção aos impactos hídricos – para os quais se utilizaram modelos da Universidade de Princeton, dos Estados Unidos – e aéreos. “As tecnologias selecionadas possibilitarão que os impactos da nova unidade sejam menores do que os da unidade já instalada”, afirmou Zimmer, reconhecendo, porém, a necessidade de maior atenção sobre os efeitos ao meio hídrico. “Nessa arte, teremos um aumento de impacto sobre a planta de hoje, simulado dinamicamente”, explicou.O investimento na nova planta, que vai gerar cerca de cem empregos diretos – sem contar a cadeia florestal – é de US$ 1,2 bilhão.
    O engenheiro informou que o EIA tem mais ou menos 800 páginas e deverá ser disponibilizado à comunidade pela Fepam, provavelmente não em meio digital, devido ao conteúdo bastante denso. Um dos cuidados especiais adotados pela empresa, afirmou, diz respeito à circulação da matéria-prima. “Se os caminhões que trazem a madeira viessem todos por rodovia, teríamos, no entorno, um caminhão a cada três minutos circulado.
    Por isto, o plano prevê que 40% da madeira sejam escoados via hídrica, com uso de barcos, perfazendo um modal hidroviário no Rio Jacuí e no Lago Guaíba”, observou. A fábrica de Guaíba, fundada nos anos 70, tornou-se alvo de polêmica entre governo, empresários e movimento ambientalista em razão dos fortes odores exalados quando então se chamava Borregaard. Passou a Riocell e, atualmente como Aracruz, é uma das cinco plantas de celulose do mundo a apresentar tratamento terciário de efluentes – as demais estão no Chile, Japão (duas) e Austrália. A base florestal da Aracruz de Guaíba apresenta 66,2 mil hectares de florestas. “Sendo que temos 35,6% a mais do que o mínimo exigido pela legislação florestal como Área de Preservação Permanente (APP)”, enfatizou Zimmer.
    Em um breve panorama dos processos industriais da unidade fabril gaúcha, o engenheiro mostrou a característica altamente intensiva em consumo de recursos naturais comum a todas as empresas do ramo. “Trabalhamos 24 horas por dia, 354 dias por ano, paramos onze dias, mas, para nós, parar é indesejável. Temos uma planta-forno equivalente a uma fábrica de cimento e duas caldeiras de grande porte cujo consumo é equivalente a 55 megawatts, que é a capacidade de produção de uma pequena central hidrelétrica. Essas caldeiras queimam 65% dos nossos recursos”, explicou.
    Sustentabilidade
    Zimmer apresentou um quadro onde a Aracruz está representada em relação com todas as partes com as quais mantém relacionamento – clientes, fornecedores, acionistas, comunidade, ONGs etc. “De forma simples, para nós, a sustentabilidade é a busca do equilíbrio em todas essas relações”, definiu, lembrando que os pontos mais sensíveis da empresa, histioricamente, são o ar – odor de mercaptanas formadas no processo industrial – e o ruído.
    Segundo ele, o impacto no ar vem sendo reduzido significativamente. “O melhor indicador para isto é o nariz”, afirmou, lembrando que desde 2002 esse não representa mais um problema para a empresa.”Se a Borregaard foi algo de más recordações, podemos dizer que estamos hoje perseguindo o cisne branco”, metaforizou, ao falar sobre o programa de responsabilidade social da empresa, que inclui, entre outras ações, a certificação ambiental (ISO 14001) desde 1996, a adesão ao sistema de indexação Dow Jones de Sustentabilidade. “Somos a única empresa brasileira do setor a compor este índice”, revelou. E o Certificado Florestal Brasileiro (Ceflor) conquistado pela empresa. “Há dois anos, temos parceria com a ONG Sustainability para elaboração de nossas estratégias de relacionamento com as partes interessadas”, disse.
    Zimmer informou ainda que recentemente a missão e os valores da Aracruz foram revisados, incluindo-se neles a questão do bem-estar social. “Nossos indicadores ambientais estão focados na excelência. Há 30 anos, produzíamos 20 metros cúbicos de madeira em um hectare de terra. Hoje, esse mesmo hectare rende 60 a 70 metros cúbicos graças ao melhoramento genético”, exemplificou.

  • Plano Diretor: Prefeitura adia audiência e abre novos credenciamentos

    Guilherme Kolling

    Depois de anunciar a continuidade da audiência pública do Plano Diretor para o próximo sábado, a Prefeitura voltou atrás e adiou o evento para o dia 16 de junho, no Ginásio Tesourinha. Também decidiu manter o credenciamento aberto.

    Assim, poderá participar da votação mesmo quem não se inscreveu no encontro de 26 de maio, no Salão de Atos da UFRGS. No sábado, o secretário do Planejamento Municipal, José Fortunati, havia dito que apenas as 1.773 pessoas que haviam comparecido ao primeiro encontro poderiam votar.

    Se a decisão fosse mantida, o fato significaria a aprovação de todas as propostas da construção civil, tal como ocorreu na primeira sessão, quando o segmento garantiu esmagadora maioria.

    A mudança anunciada nesta quinta-feira, 31 de maio, foi provocada pela ação do Ministério Público, que pediu a suspensão do prosseguimento da audiência, em função de uma série de irregularidades, denunciadas em documentos, pela imprensa e por e-mail.

    Na manhã desta quinta, Fortunati esteve reunido com promotores e acertou o acordo para a continuidade dos trabalhos. Mas o promotor Fábio Roque Sbardelotto, da Promotoria da Habitação e Defesa da Ordem Urbanística de Porto Alegre, não descarta que o evento de 26 de maio seja anulado. “Ainda não houve um debate maior sobre esse tema. O acordo com a Prefeitura se refere apenas à nova audiência”, diz ele.

    Justiça suspende audiência

    No final da tarde da quinta-feira, 31 de maio, o juiz Martín Schulze suspendeu liminarmente a realização da audiência pública para continuar a revisão de propostas para o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental da Capital, que aconteceria neste sábado (2/6). A Ação Civil Pública contra a Prefeitura Municipal de Porto Alegre tramita na 3ª Vara da Fazenda Pública do Foro Central.

    O descumprimento da decisão judicial pelo Município acarretará multa de R$ 500 mil, destinada ao Fundo Estadual do Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul.

    O processo foi interposto pela Promotoria de Justiça de Habitação e Defesa da Ordem Urbanística de Porto Alegre. O Ministério Público demonstrou as irregularidades que foram praticadas na primeira audiência, no sábado, 26 de maio, com transporte e alimentação de diversas pessoas.

    Segundo o MP, o patrocínio foi de sindicato interessado em direcionar o resultado do encontro de acordo com seus objetivos. A quantidade de cidadãos transportados impediu o credenciamento de vários segmentos e cidadãos, impossibilitando que também participassem.

    Conforme o magistrado, a farta documentação comprova que a audiência não foi realizada de forma democrática, pois impediu a participação de inúmeras pessoas.

    Ainda será decidido o mérito sobre a nulidade do Edital de Convocação e da primeira audiência para discussão de proposta de ante-projeto de lei objetivando a revisão do Plano Diretor. (Com informações da Assessoria de Imprensa do Tribunal de Justiça)

  • Prédios podem ser vistos como “livros de pedra”

    Guilherme Kolling

    Um dos debates contemporâneos que está na pauta de grandes cidades em desenvolvimento em todo mundo é o tema da preservação do patrimônio histórico: o que deve ser preservado e o que pode ser demolido em nome do progresso?

    Provocados pela reportagem do JÁ, os historiadores Roger Chartier e Sandra Pesavento falaram sobre o tema na coletiva de imprensa que antecedeu a conferência dos dois professores no ciclo Fronteiras do Pensamento, na terça-feira, 22 de maio.

    A pesquisadora da UFRGS, Sandra Pesavento, declarou-se a favor da preservação da paisagem urbana e da recuperação de prédios antigos, mas fez uma ressalva. “Isso não significa negar um processo de transformação, que é necessário. É preciso destruir para poder construir”, admitiu.

    Para a acadêmica, a questão que se impõe é a necessidade de preservar não apenas o grandioso, o prédio-sede do governo, ou o local onde morou alguém importante. “A cidade não é feita só do espetacular. Tem outros elementos do patrimônio edificado que merecem atenção, mas são destruídos em nome do progresso, causando grandes prejuízos à história”.

    Sandra lembrou o caso brasileiro, que registra uma série de perdas, como prédios de arquitetura eclética do século XIX, ou habitações particulares em Art-Noveau, que foram demolidos, assim como casas particulares de estilo colonial, tudo por uma questão de padrão estético ou falta de atenção do poder público.

    Até bens tombados pelo IPHAN foram derrubados, caso de alguns cortiços, destacados por representar um tipo exemplar de construção popular de determinado período. “O pior é que não há muitas fotos registrando-os, porque a preferência, é claro, está em fotografar o belo”.

    Roger Chartier citou o caso francês, que tem um sólido inventário de “lugares da memória”, o que não impediu a destruição irremediável de prédios importantes de Paris que deram lugar, por exemplo, a estações do metrô. “Há que se criar políticas públicas capazes de preservar as construções com sentido de referência para a população. E a sociedade deve ajudar a aclarar as decisões políticas nesse sentido”, propôs.

    Na mesma linha, Sandra Pesavento destacou que falta, no caso brasileiro, educação patrimonial que ensine a olhar a cidade como um campo de memória. “Só assim se pode olhar para um prédio e ver um livro de pedra. Quando isso acontecer teremos meio caminho andado”, acredita.

    A professora da UFRGS também aposta na interferência de entidades da sociedade civil nas decisões governamentais nessa área, já que “as empresas imobiliárias são mais fortes do que o cidadão comum”.

    “Se deixarmos a decisão apenas nas mãos do poder público, a corrente que defende a tradição vai sair perdendo, pelo poder das construtoras. O Estado é muito pressionado pela turma pró-destruição”, disse, salientando mais uma vez a importância de mobilizações populares em defesa da preservação.

    Tema também esteve presente na conferência

    O tema da manutenção de lugares da memória e edificações importantes também esteve presente na série de perguntas que o público fez aos professores Roger Chartier e Sandra Pesavento, após as conferências no Fronteiras do Pensamento.

    Uma das questões levantadas ao longo dos 23 minutos de interatividade com o público foi a razão pela qual aumentou tanto o interesse pela preservação do patrimônio histórico.

    Segundo Chartier, há uma verdadeira obsessão pela história nos últimos anos e uma das reações é a vontade crescente de conservar tudo o que possua rastros da história, para que possam ser registrados e conservados ou restaurados, no caso de edifícios. “Se uma construção relevante é destruída, já não é mais possível reconstituir esse arquivo de memória”, observou.

    Sandra Pesavento relacionou o fenômeno à “ameaça da perda”, quando uma praça, cinema, clube ou outro equipamento urbano são destruídos em função do desenvolvimento – para a construção de uma grande avenida, por exemplo – o que causa um despertar em determinadas comunidades.

    “É uma luta pela preservação das origens, da memória, de marcos identitários que reforçam o reconhecimento daquele grupo. Assim, um lugar que estava abandonado ou esquecido e, de repente, vai ser destruído, causa uma grande comoção e logo surgem várias histórias relacionadas: “ah, meus pais começaram a namorar ali”, ou “meu avô me levava para passear lá todos os dias, etc”.

  • Mulheres vão comandar Rede da Mata Atlântica

    Carlos Matsubara, especial para o JÁ

    As entidades filiadas à Rede de ONGs da Mata Atlântica elegeram no sábado, 26 de maio, a sua nova coordenadora – geral. Por unanimidade, Elizete Siqueira, do IPEMA do Espírito Santo assume a função pelos próximos dois anos. A Assembléia –Geral da RMA, realizada no Swan Hotel em Porto Alegre (RS), definiu também a escolha de Kênia Valença Correia, da GESCQ de Pernambuco, como coordenadora – institucional.

    Em seu último pronunciamento como coordenadora-geral, Káthia Vasconcellos Monteiro, garantiu que estará a disposição para auxiliar a nova coordenação durante a transição. “Quero deixar claro para a plenária meu compromisso de auxiliar essas duas grandes mulheres e também para todo conselho de coordenação”.

    Emocionada durante a posse, Elizete reforçou seu compromisso com preservação da Mata Atlântica. “Trabalhar com a rede é um desafio, mas eu estou com disposição, primeiro de confirmar meu compromisso com a conservação e preservação da Mata Atlântica e outro compromisso é o de compartilhar. Acho que temos que aprender a compartilhar”.

    A nova coordenadora-institucional da RMA, Kênia Valença, ponderou que não terá timidez nas horas de decisões. “Somos nós que nos colocamos representando um grupo e não terei nenhuma timidez de tomar decisões, e com certeza algumas dessas serão equivocadas, faz parte do processo assumir riscos”. É a primeira vez que a Rede tem duas mulheres no comando. Miriam Prochnow foi a primeira a lembrar do fato e comemorou. “Fiquei muito feliz que agora temos uma dupla feminina, é a primeira vez que a coordenação tem duas mulheres”.

    As ONGs presentes à assembléia elegeram os titulares e suplentes do Conselho Fiscal.

    Conselho Fiscal da RMA
    REGIÃO SUL
    Amigos da terra – RS (titular) / Fundação para a Conservação da Natureza do Mato Grosso do Sul (suplente);
    Pau Campeche – SC (titular) / Mater Natura (suplente);
    IASB – MS (titular) / Mira Serra – RS (suplente) e
    CF: Ecologia e Ação – MS (titular) / Assecam (suplente)

    REGIÃO SUDESTE
    Ipema – ES (titular) / Proter – SP (suplente)
    Vale Verde – SP (Titular) / Instituto Ambiental Vidágua – SP (suplente)
    Instituto Terra – RJ (titular) / Amda – MG (suplente)
    CF: Força Verde (ES – titular) / Sapê (RJ – suplente)

    REGIÃO NORDESTE
    IESB – BA (titular) / MOPEC – SE (suplente)
    Gesq – PE / Apan – PB (suplente)
    CF: SOS Natureza (PI titular) STV Brasil (RN – suplente)

  • Plano Diretor: construção civil domina audiência e aprova todas suas propostas

    Em audiência realizada no sábado, 26 de maio, 107 resoluções foram votadas (Foto: Ivo Golçalves/PMPA)

    Guilherme Kolling

    O segmento da construção civil, representado pelos sindicatos da indústria (Sinduscon) e de trabalhadores (STICC) aprovou – e vetou –, conforme seus interesses, todas as 107 resoluções votadas na audiência para revisar o Plano Diretor de Porto Alegre, no sábado, 26 de maio. A predominância era tamanha que o grupo podia aprovar o que bem entendesse.

    Ao todo, serão apreciadas 454 propostas, ou seja, faltam mais de 300 a serem discutidas. Os assuntos mais polêmicos – alturas máximas e áreas especiais de interesse cultural – ficaram para o próximo sábado, 2 de junho. Mas o resultado é previsível: vai prevalecer a tese do Sinduscon, de que não deve haver mudanças no Plano Diretor, ou seja, nem as alturas dos prédios devem ser reduzidas, nem os recuos aumentados.

    O outro fato marcante do evento foi o público: quase 2 mil pessoas. Ao todo, 1773 se credenciaram para votar. Trata-se, disparado, do maior público de reuniões sobre o Plano Diretor, desde o início da revisão, no final de 2002.

    Desta vez, ao invés de um equilíbrio no embate Sinduscon-Associações de Moradores, houve uma diferença brutal. O Sindicato da Indústria da Construção Civil atropelou o movimento comunitário, que luta por reformulações no Plano.

    Os empresários levaram um bom contingente, mas não foram eles que fizeram a diferença. Quem garantiu a superlotação do Salão de Atos da UFRGS foi o STICC – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre.

    Na véspera, o grupo realizou reuniões em diversos pontos da cidade. A partir das 5h30 da manhã de sábado lotou dezenas de ônibus e garantiu a vitória na audiência do Plano. A organização foi de grande competência e incluiu transporte, café da manhã, almoço e vale-lanche.

    Para que ninguém se atrapalhasse na hora de votar, um esquema explícito de orientação à massa trabalhadora. O informativo do STICC, o “Marreta”, edição de maio, deixa claro o sistema: “Colegas do nosso sindicato estarão uniformizados organizando como você deverá votar”.

    No meio da terceira fila da platéia baixa, bem em frente à mesa que coordenava os trabalhos, diretores-técnicos do Sinduscon e diretores do STICC eram os primeiros a levantar o crachá. Logo em seguida, integrantes do STICC, posicionados em locais estratégicos erguiam seus crachás e em seguida eram copiados pelo grande público.

    Revoltados, líderes de associações de moradores deixaram o auditório e protestaram no saguão, com palavras de ordem: “Audiência Comprada! Cidadania Roubada!”. Na parte da tarde, nem era preciso combinação – as votações foram quase unânimes. Só não foram pela presença de alguns integrantes do Instituto dos Arquitetos do Brasil.

    “Eles que não me venham com sopa”

    Elmar Bones

    Sábado, oito da manhã, temperatura de oito graus. Uma fila de 400 metros serpenteia entre os prédios do campus central da Universidade Federal, em Porto Alegre.

    Na ponta, junto à porta do auditório que recém abriu, está o povão: mulheres da periferia com suas roupas surradas, operários com seus bonés e suas caras cansadas, jovens que parecem ter vindo de um baile funk… uma mistura heterogênea que ocupa dois terços da fila. Trazem na mão a carteira de identidade e uma conta de luz ou telefone, para comprovar a residência.

    No terço final, a classe média e acima: senhoras de casaco de couro, senhores de sobretudo e luvas, estudantes de classe média, professores, engenheiros, arquitetos, advogados, funcionários públicos… Muitos trouxeram seu chimarrão. Conversam em grupos, discutem os folhetos que estão sendo distribuídos.

    Uma das senhoras elegantes se exalta: “É um absurdo, essas pessoas foram arrebanhadas e trazidas, nem sabem porque estão aqui”. Ela mostra um panfleto que o sindicato da construção distribuiu convocando os operários para as sete horas da manhã. “Vão encher o auditório, aí ninguém mais entra”.

    Na ala da periferia pode-se ver um mulato de gorro, jaqueta de nylon e calça de abrigo portando seu violão. Ele parece inquieto: “Enfrentá esse filão, já pensou?”. Outro comenta “Se amarrá muito, eu vou vazá”. Um terceiro, de cabelo rasta, chega perguntando. “O bagulho é aí dentro?”.

    Duas donas de casa conversam. “Deixei o tanque cheio, poderia tá aproveitando esse solzinho”. A outra diz que também está pensando em ir, “mas só depois do almoço”. Uma terceira que ouve o diálogo intervém. “Por favor, né? Não me venham com sopa”.

    A fila começa a andar lentamente, à medida que as pessoas vão entrando e recebendo seus crachás. Novos grupos vão chegando. “Quantos vieram?”, alguém pergunta. Um homem com uma planilha na mão responde: “Cinco ônibus com 40 cada um”.

    No pequeno stand que o sindicato instalou junto à entrada, os coordenadores recebem instruções sobre a distribuição dos tickets para o almoço. “É para entregar na saída para quem tiver com o crachá”. Um outro leva, mais um grupo para o café da manhã.

    Eles atravessam a rua e entram no parque, onde uma Kombi da Nutricional Refeições Coletivas está estacionada. Recebem o lanche e se espalham para comer entre as árvores. Uma moça puxa a colega pelo casaco, para voltarem. Outra que vem chegando, tranqüiliza: “Aquilo lá antes das onze não começa”.

  • Protestos marcam abertura da Semana da Mata Atlântica 2007

    Carlos Matsubara

    Servidores do Ibama aproveitaram a presença do secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, para manifestar sua contrariedade com a Medida Provisória 366 que divide o Ibama com a criação do Instituto Chico Mendes.

    Alexandre Krob da ONG Curicaca, membro da Rede de Ongs da Mata Atlântica, falou ao microfone para protestar contra a não-inclusão do Rio Grande do Sul no Mapa do bioma Mata Atlântica realizado pelo IBGE.

    Menos organizados, porém ruidosos, estudantes do curso de biologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vaiaram os políticos locais em protesto contra a presença de empresas de celulose no Estado.

    Outro protesto, muito mais bonito, diga-se de passagem, foi a presença de crianças no palco distribuindo mudas de árvores nativas da Mata Atlântica para os presentes à mesa de abertura do evento, que teve a presença de cerca de 400 pessoas. “As crianças simbolizam o futuro do planeta. Foi um meio de alertar para a necessidade de preserva-lo”, explicou Kathia Vasconcellos – coordenadora da Rede Mata Atlântica (RMA).

    O senador Sibá Machado (PT-AC) lamentou a depredação do bioma ao longo da história, desde a chegada dos portugueses até a crescente urbanização das cidades nas últimas décadas. Sibá criticou o pensamento desenvolvimentista predominante no capitalismo e encerrou sua participação parafraseando a ministra Marina Silva. “Perco o pescoço, mas não perco o juízo”.

    Já o deputado estadual Adão Vilaverde (PT), representando a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, lembrou as ações do legislativo gaúcho em prol do meio ambiente. Citou a criação de uma comissão externa do parlamento para atuar junto à Fepam na investigação dos processos de licenciamento.

    Afirmou ter sido contra a medida, porque acredita que a função dos deputados deveria ser a de fortalecer o órgão ambiental estadual, criando condições melhores para sua atuação com mais recursos e pessoal. O deputado gaúcho disse ainda que a aprovação da Lei da Mata Atlântica é um exemplo a ser seguido por todas as casas legislativas do país.

    Rede Mata Atlântica: 15 anos

    O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, que representou a ministra Marina Silva, lembrou os 15 anos de existência da Rede de ONGs da Mata Atlântica.

    Destacou que o ministério está concluindo a regulamentação da Lei da Mata Atlântica. “Estamos finalizando as leis específicas para cada Estado”, explicou. Capobianco adiantou que na próxima semana, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) irá votar a legislação específica para os dois últimos Estados, Minas Gerais e Paraíba.

    O secretário arrancou aplausos da platéia ao afirmar que o ministério está comprometido com o desenvolvimento sustentável. “Aqueles que desejam o desenvolvimento a qualquer custo não terão apoio do ministério”, garantiu.

    Capobianco finalizou sua participação na sessão de abertura comemorando a redução dos desmatamentos em áreas de Mata Atlântica. “Tivemos reduções de desmatamento superiores a 70% no ano passado”, afirmou.

    Prêmio Amigo da Mata Atlântica

    Também durante a solenidade de abertura, foi entregue o Troféu Amigo da Mata Atlântica a pessoas que se destacaram em defesa do bioma. Algumas personalidades foram citadas, entre elas o presidente Lula e a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Outras foram agraciadas no local, como os gaúchos precursores na defesa ambiental Magda Renner, Augusto Carneiro e Hilda Zimmermann.

  • Ave, Mutantes!

    Naira Hofmeister

    Incomum o lugar: um teatro austero, cadeiras estofadas, ar condicionado. Fazer a cabeça era difícil: baseado ou LSD estavam fora de cogitação pela alta concentração de seguranças no local. A cervejinha não saía por menos de cinco pilas, uma long neck.

    O valor do tíquete de entrada, entre R$ 80,00 e R$ 120,00, transformou o show dos Mutantes no Teatro do Sesi, em Porto Alegre, num sonho quase inatingível mesmo para hippies-chiques.

    Ao menos o pessoal da Tim distribuiu chocolatinhos promocionais, que amenizaram a larica de quem saiu ‘pronto’ de casa. E o tradicional galão de água ao lado do banheiro do teatro teve que ser reposto algumas vezes.

    A balada que metaforicamente traduzia a situação do público – majoritariamente de jovens – sem dúvida era “O meu cigarro apagou, o meu dinheiro acabou, e hoje eu me liguei só no rock n’roll”.

    A nova formação dos Mutantes chegou a Porto Alegre ostentando o título (estranho para quem esteve sempre na contracultura) de “Melhor Banda de pop-rock do Brasil”.

    Abraçados, os irmãos Arnaldo Baptista (teclados) e Sergio Dias (guitarra), o baterista Dinho e a vocal substituta de Rita Lee, Zélia Duncan, entraram no palco ao som da marcha interpretada pelos demais integrantes da banda – uma baterista rastafari, um multi-intrumentista (que tocou flauta, teclados, guitarra), um baixista e um outro tecladista.

    Dividido entre os tradicionais cabeludos, as meninas de saia plisê – encarnação do espírito ‘Rebelde’ contemporâneo – e um bando de tiozãos nostálgicos, o público sacudiu o Teatro do Sesi, literalmente.

    Nos primeiros acordes de Dom Quixote, que abriu o show, uma meia dúzia de jovens provou que a hipongagem vinha para marcar presença. Ignorando as 17 fileiras de poltronas de trás, o pessoal da primeira fila da platéia baixa levantou e iniciou a dança-ritual que caracteriza essa tribo. Pés e mãos se movem em câmera lenta e os olhos permanecem fechados.

    O restante do teatro, ainda hesitante, se limitava a sacudir os braços e assoviar alto. Mas ninguém resistiu à animação de Virgínia, a quarta canção apresentada. Cadeiras foram esquecidas, senão pisoteadas. Quem estava bem em frente ao palco pode testemunhar o chão balançando para trás e para frente.

    Na hora e meia que seguiu, ninguém ficou parado. Cantor de Mambo, Baby, Caminhante NoturnoBalada do Louco, Ave Lúcifer e até Le premier bonheur du jour foram destaques do show. Em El Justiciero, Sérgio fez referências a Lula e Chávez.

    Arnaldo Baptista foi o mais ovacionado entre os antigos Mutantes, recebendo reverências constantes da platéia. Sérgio Dias também recebeu os devidos cumprimentos ao solar sua guitarra e Dinho também teve seu momento. Zélia Duncan não foi alvo de nenhuma manifestação espontânea da platéia, mas durante a apresentação da banda, recebeu muitos aplausos por sua performance discreta e eficiente.

    Ainda que a banda não mantenha a espontaneidade dos tempos do tropicalismo – salvo sob as manifestações bem humoradas de Arnaldo, que segue Lóki – a apresentação não deixou a desejar. Foram quase duas horas de música e quase nada de papo. O retorno ao palco num bis preparado previamente encerrou a apresentação com Bat Macumba e, claro, Panis Et Circenses.

  • Clóvis Magalhães exclusivo: "Portais beneficiarão 1 milhão"

    Por Helen Lopes

    Em entrevista ao Jornal JÁ, secretário de Gestão e Acompanhamento Estratégico, Clóvis Magalhães (foto), fala sobre as críticas que o projeto Portais da Cidade vem recebendo. Considerado homem forte do governo Fogaça e principal idealizador do projeto, ele garante que as manifestações da comunidade serão consideradas, mas questiona a filiação partidária dos críticos. Com experiência em transporte urbano, o engenheiro civil diz que o conceito do projeto está consolidado, mas pode haver alterações.

    JÁ – O projeto Portais da Cidade vem sendo criticado por associações de bairro, principalmente, da Cidade Baixa e Azenha, que não querem mais concentração de ônibus nesses bairros. Como a Prefeitura recebe essas posições e como vai tratá-las?

    Clóvis Magalhães – Em primeiro lugar, temos que respeitar as manifestações democráticas feitas por aqueles que se sentem atingidos e, ao longo desse processo, vamos discutir com essas entidades, e com as demais, toda a viabilização do projeto. Por outro lado, nesse jogo de interesses, que são legítimos, também há um conjunto de interesses que se colocam em oposição por um viés partidário. Se nós observarmos os movimentos que se expressaram, curiosamente, boa parte tem articulação em oposição. O centro de Porto Alegre vive uma situação insustentável, está tomado por terminais de ônibus, crescente poluição e insegurança.

    A Prefeitura precisa intervir. O projeto estabelece uma racionalidade no tempo de viagem para os usuários, portanto não estou falando em cinco ou seis ou oito mil pessoas, e sim em 1 milhão e 200 mil pessoas, que acabam nas filas dos corredores. E também, não é mais admissível conviver com a expulsão habitacional na avenida Salgado Filho, já não é possível acessar os prédios e as atividades comerciais estão obstruídas.

    Por um período, a solução dos corredores foi boa, mas se esgotou. Agora é necessário fazer uma intervenção urbana que qualifique esse sistema e melhore Porto Alegre como um todo, não é a população de um bairro ou de determinada entidade. O bairro tem que ser respeitado, as manifestações têm que ser dialogadas, mas esse projeto tem uma visão global para a cidade e visa melhorar a equação de mobilidade no centro da cidade.

    JÁ – Muitas associações questionam porque o projeto Portais da Cidade não está em discussão na revisão do Plano Diretor?

    Magalhães – Porque são duas questões, o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano trabalha com aspectos de regulação do espaço, entrando na área da construção e sistema viário. Existe um plano diretor setorial de transporte e circulação, elaborado em 2002/2003, que trata especificamente do tema e foi discutido com a comunidade. Esse plano trabalha com mobilidade e, ao propor o Portais da Cidade, estamos fazendo uma evolução da proposição inicial do plano setorial de transporte.

    JÁ – O prazo para manifestação de interesse foi prorrogado. Há interessados, quantas manifestações foram recebidas?

    Magalhães – Sim, existem interessados, mas creio que a formalização se dará nas últimas horas do dia 29 de maio. Recebemos três manifestações solicitando a prorrogação, uma até mencionava grupos brasileiros e estrangeiros. Nossa interpretação é que, como lançamos o edital em janeiro, pegamos uma época de atividade econômica reduzida. Hoje há capital para investimentos, mas poucos projetos.

    Por isso, acho que temos uma boa oportunidade porque temos um bom projeto. Mas há ainda passos importantes para serem construídos. Vamos ter que saber entender com mais profundidade qual é a demanda, por exemplo, das religiões afros e toda a cumplicidade que o Largo Zumbi dos Palmares traduz. Vamos dialogar e buscar soluções, sem impedir que a cidade realize um projeto estruturador.

    JÁ – O projeto está fechado, acabado?

    Magalhães – Do ponto de vista do seu modelo de transporte, das necessidades e busca de uma matriz energética mais sustentável, os conceitos já estão consolidados. Vamos aprofundar isso, na perspectiva de realizá-lo desta forma, mas não existem impedimentos para alterações e adequações.