A Feira dos Agricultores Ecologistas (FAE), a Feirinha da Redenção, comemora 26 anos neste sábado, 17. As atividades se concentram na Banca do Meio, que funciona como achados e perdidos e central de informações da FAE. Às 9h inicia a programação com um abraço simbólico à feira, o parabéns e a degustação do bolo de aniversário orgânico, fornecido pelo grupo Pão da Terra. Segue com o sorteio de uma rifa de um notebook e a premiação do concurso cultural que resultou na arte comemorativa dos 26 anos. As duas primeiras colocadas do concurso, Julhana Alecrim e Mirian Diniz receberão uma cesta de orgânicos e uma camiseta com a estampa criada. Estas camisetas também estarão à venda. A programação encerra com o músico Miro Fagundes, tocando clássios da MPB no violão. A apresentação está prevista para as 10h30.

As feiras ecológicas estão crescendo em Porto Alegre. A cidade já conta com seis feiras, nos bairros: Bom Fim, Tristeza, Três Figueiras, Petrópolis e Menino Deus, que conta com duas. A feira da José Bonifácio é a maior e mais antiga da capital. Quando começou, em 1989, a feira era mensal e composto por pouco mais de meia dúzia de agricultores, reunidos na José Bonifácio, próximo à avenida Osvaldo Aranha. Hoje a feira conta com mais de cem feirantes, ocupa duas quadras da José Bonifácio e movimenta milhares de pessoas todos os sábados entre as 7h e as 13h.
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Feira da Redenção comemora 26 anos neste sábado
Camiseta com a arte comemorativa estará à venda na Banca do Meio -
Temporal derruba tapumes e mais de 20 árvores na Redenção
O temporal da noite passada, que deixou um rastro de destruição pelo Estado, derrubou mais de 20 árvores no Parque Farroupilha. O levantamento inicial da administração do Parque dá conta de que pelo menos dez árvores de grande porte e outra dez, de porte menor, foram derrubadas pela força dos ventos. A maioria eram ciprestes, mas havia também uma paineira de mais de 25m. Além das árvores derrubadas, diversas tiveram galhos quebrados.
Um levantamento completo deve ser realizado nesta sexta-feira, assim como o início da a retirada dos restos de árvores. Hoje a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM) priorizou as árvores que caíram em vias públicas. Foram recolhidas 170 toneladas. Ao longo do dia, mais de 30 vias tiveram de ser bloqueadas totalmente.

Tapumes que protegem a obra foram atingidos
Uma boa notícia em meio ao caos
Além das árvores, o temporal derrubou mais da metade dos tapumes que isolam a área do eixo central do Parque Farroupilha. As obras do eixo e do espelho d’água já estão prontas, falta a reforma da fonte luminosa. Esta foi uma rara boa notícia para os frequentadores do parque. Depois de quase um ano sem ter acesso ao chafariz, os “cachorreiros” aproveitaram o sol que abriu no final da tarde para passear com os animais de estimação. E os cães aproveitaram para brincar no chafariz, parcialmente cheio pela água da chuva.

Pelo menos por um dia, frequentadores tiveram acesso ao chafariz novamente -
“Parecia o fim do mundo!”
Se o temporal da noite passada foi assustador pra quem estava seguro dentro de sua casa, para quem enfrentou vento, granizo e relâmpagos dentro de uma casinha de compensado com pouco menos de 2m x 3m, a madrugada foi um filme de terror.
“Parecia o fim do mundo”, definiu Jacques Rocha Menezes, segurança noturno das obras do eixo central do Parque da Redenção. “Eu e meu colega nos penduramos na estrutura do telhado, porque com o vento ele estava levantando mais de um palmo. Se a gente não segurasse ele tinha voado. A sensação era de que a casinha estava levantando do chão.” Um cipreste de mais de dez metros caiu próximo à porta.

Jacques: “Se a gente não segurasse, o telhado tinha voado”
Jacques e o colega Flávio da Silva Gomes cuidam a obra todas as noites, das 18h30 às 6h30. Como a obra do eixo central está pronta, o trabalho costuma ser tranquilo. “Esta noite eu me vi mal. Tenho quase 50 anos e nunca tinha visto uma coisa dessa”, afirmou Flávio. “Tem três moradores de rua que ficam aqui ao lado. Eles estavam apavorados! Se corriam para um lado caía uma árvore, se corriam para o outro lado, caía outra.”

Flávio: “Tenho quase 50 anos e nunca tinha visto uma coisa dessa.”
A casa é feita de compensado com telhas metálicas e serve de vestiário para os funcionários da obra e de abrigo para os guardas da noite. Hoje o cabide voltou a ter vários casacos e bolsas. Com a queda dos tapumes da obras, a empresa responsável, a Torke Engenharia, precisou deslocar funcionários para recolocar o isolamento.
O abrigo de Jacques e Flávio fica ao lado do eixo central do parque, na altura do antigo Café do Lago. O local fica parcialmente protegido do vento por algumas árvores. Para Jacques, essas árvores foram a salvação. “Essa foi a nossa sorte. Se a casa fosse mais pro lado a gente tinha ido parar no espelho d’água.” -
Previsão é de mais chuva para esta sexta-feira
Para os próximos dias, a meteorologia indica que as chuvas, com possibilidade de granizo, ainda podem continuar. No site do Climatempo, a previsão é de chuva para amanhã com uma pausa no sábado e no domingo. A Defesa Civil continua em alerta para atender os desabrigados. O governador José Ivo Sartori (PMDB) via Twitter, afirmou que “A prioridade são as pessoas. A Defesa Civil e os órgãos do governo seguem plenamente mobilizados”.
O dia após o temporal de granizo
A quinta-feira foi de reconstrução na Capital e todo o Estado. A chuva dos últimos dias e o temporal da madrugada, com granizos, devastaram casas, derrubaram árvores e deixaram muitas pessoas sem luz.
Na Capital o prefeito José Fortunati se reuniu com secretários e sua equipe onde definiu quais seriam as prioridades de atendimento para os atingidos da chuva. As pancadas de chuva, que no Sarandi chegaram a 61,6mm, vieram acompanhadas de ventos de até 116km/h. Às 10h eram registrados mais de 150 quedas de galhos ou árvores, sendo 60 casos não notificados, mas constatados por agentes nas ruas. Dessas ocorrências, 22 são de árvores de grande porte, com bloqueio total de vias, e 38 árvores de porte médio, com bloqueios parciais. O Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) disponibilizou cinco equipes com caminhões para dar suporte à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAM), que está atuando com 20 equipes, no recolhimento dos galhos e árvores. As 17h o DMLU já somava mais de 170 toneladas recolhidas entre galhos árvores.

Esquina da Borges de Medeiros com a Aureliano de Figueiredo Pinto
Na madrugada 39 bairros ficaram sem luz e foram realizados pelo DMAE mais de 130 atendimentos. Durante o dia a prefeitura registrou 22 pontos de alagamentos e 43 semáforos desligados. No ginásio Tesourinha cerca de 230 pessoas desabrigadas eram mantidas.
De acordo com o Sistema Ceic-Metroclima, as imagens de satélite mostram que as condições de temporal e as chuvas mais fortes já passaram por Porto Alegre, mas as próximas horas ainda devem ter tempo chuvoso. Os acumulados, das 9h de quarta-feira, 14, às 9h de hoje, nos pluviômetros da rede, chegaram a 54,3mm no Jardim Leopoldina, 52mm no Lami, 50,6mm no Humaitá, 50mm no Centro, 49,5mm em Belém Novo, 49,4mm na Floresta, 41,2mm na Restinga, 40,7mm Lomba do Pinheiro e 32,4mm na Glória.
No Estado a situação não foi diferente. Segundo a Defesa Civil, a chuva atingiu mais de 60 municípios e 50 mil pessoas.
A RGE publicou às 11h a seguinte nota:
“A Rio Grande Energia (RGE) informa que o forte temporal que atingiu o Rio Grande do Sul entre o final da tarde quarta-feira e a manhã desta quinta-feira, acompanhado de fortes ventos e da incidência de grazino, prejudicou o fornecimento de energia na área de concessão da companhia. Dos 1,4 milhão de clientes atendidos pela empresa, 80 mil estão sem energia neste momento, em razão dos danos causados pela queda de objetos na rede elétrica.Desde a noite de quarta-feira, a RGE reforçou o número de equipes de campo e atua com sua capacidade máxima para reestabelecer a energia de seus clientes no menor espaço de tempo. Em alguns casos pontuais, o restabelecimento do serviço pode demorar mais tempo pelo difícil acesso ou por causa do rompimento de cabos. ”
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Zelotes: senadores querem investigar contas de sobrinho de Augusto Nardes
Agência Senado
O presidente da CPI do CARF, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), confirmou que colocará em votação na próxima semana o pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Juliano Nardes. Ele é sobrinho do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, e está sendo investigado na Operação Zelotes da PF e MPF por participação em supostas fraudes que envolveriam o grupo RBS no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).
O requerimento para a quebra dos sigilos será formulado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
A Comissão Parlamentar de Inquérito realizou nesta quinta-feira, 15, uma acareação entre dois ex-funcionários do escritório de advocacia de José Ricardo da Silva, ex-conselheiro do Carf: Gegliane Bessa, ex-assistente administrativo, e Hugo Borges, responsável por diversas funções, entre elas a de motorista.
Gegliane Bessa confirmou que realizou pagamentos em espécie para Juliano Nardes. O sobrinho do ministro do TCU teria, inclusive, reclamado de que “estaria faltando” dinheiro em um dos repasses, segundo contou a ex-funcionária do escritório de advocacia.
Segundo a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), vice-presidente da CPI, a comissão tem em seus arquivos uma planilha indicando que, apenas em 2010, os repasses do escritório de advocacia para Juliano Nardes representam cerca de R$ 1 milhão. Nas anotações, também aparece a expressão “tio”, que Gegliane não soube informar a que contexto se referia.
A ex-funcionária garantiu não ter tido acesso a nenhum contrato de Juliano Nardes com o escritório e não indicou que tipo de serviço ele prestaria.
Vanessa observou que Augusto Nardes era o “real proprietário” da empresa Planalto Soluções, depois repassada a seu sobrinho. Ela disse achar “muito estranho” que quantias vultosas tenham sido pagas a Juliano Nardes em espécie, considerando-se a possibilidade de haver um contrato formal de prestação de serviços.
Para o senador Ataídes, tanto Gegliane Bessa quanto Hugo Borges foram “usados pela quadrilha que comandava o escritório de advocacia”.Outros pagamentos
Os ex-funcionários confirmaram ainda que houve o pagamento em espécie para outros ex-conselheiros do CARF dentro do escritório de advocacia.
Hugo Borges disse também que muitos processos eram decididos na sala de José Ricardo da Silva. Depois, segundo ele, toda a papelada era levada ao CARF apenas para a votação final.
Os dois ex-funcionários disseram que os ex-ministros Erenice Guerra (Casa Civil) e Silas Rondeau (Minas e Energia) frequentaram o escritório durante um certo período e se reuniram com José Ricardo da Silva, “mas depois sumiram”. -
Dilma tenta reação em meio à crise econômica mais intensa
PC de Lester
A baixa popularidade não ameaça Dilma Rousseff, mas o descrédito decorrente dos excessos da campanha eleitoral é que dinamitou sua credibilidade a ponto de nenhuma força politica, hoje em dia, acreditar que os cacos possam ser juntados e colados a tempo de salvar o país de um colapso econômico de alta periculosidade. Com isto ela não tem apoio significativo para se relançar e reconduzir seu governo sob algum consenso ou, mais diretamente falando, num rumo, qualquer rumo.
Os gastos desenfreados no ano eleitoral e, crescentemente, no período eleitoral e, por fim, no segundo turno desmontaram a imagem austera que a presidente ainda mantinha no seu primeiro mandato. Foi com isto que abalou sua imagem e jogou sua credibilidade pelo ralo.
Antes, entre 2011 e 2013, o descontrole fiscal só era observado pelos iniciados (acadêmicos, empresários etc.), mas não chegavam à população. Depois da eleição, quando a conta do cartão de crédito implodiu as contas do governo e chegou aos trabalhadores e empresários com uma percepção de governo volúvel (leia-se populista, no jargão político), a confiança se foi.
Com o descrédito veio a retração do consumo das famílias e o encolhimento das empresas, com reflexos imediatos no desemprego e na arrecadação. Aí está o problema, pois ninguém, tanto nas famílias como no setor privado acredita que Dilma tem as qualidades para liderar um projeto de restabelecimento do dinamismo. Ou seja: os agentes econômicos estão paralisados, nem gastando nem aplicando dinheiro em nada.
Se isto não mudar o país pode continuar parado. Por isto, tem gente querendo que a presidente entregue o governo. Os mais imaturos politicamente propõem seu afastamento; os realistas, cientes de que quebras institucionais são piores que o marasmo, sugerem que ela entregue a gestão a uma composição de forças com credibilidade para botar as pessoas e, principalmente, os capitais em movimento.
O impasse deriva deste dilema: se ficar o bicho come, se correr o bicho pega. Dilma ainda não está suficientemente assustada para aceitar a tutela. Acredita no seu taco e se escuda na legitimidade de sua votação contabilizada nas urnas, embora seja evidente que 80 por cento de seu eleitorado já lhe abandonou e, num patamar mais amplo, esteja quase sozinha, com apenas nove por cento de aprovação. É um paradoxo.
Uma solução virá da profundidade e da velocidade com que a crise econômica for atingindo o sistema. No momento, a presidente opera numa prioridade discutível, que é se concentrar no embate contra seus opositores na área judicial e na política. As duas são fios desencapados. É preciso não cometer erro para não levar um choque letal. Na Justiça, trazendo para sua equipe advogados de real competência. Veja como ela saiu-se mal no embate contra o Tribunal de Contas. No caso do impeachment, deve manter sua margem de segurança parlamentar.
No mais, o pior que pode lhe acontecer é, em consequência de insucesso no julgamento de suas pedaladas, perder seu direito de se candidatar. É pouco provável que ela volte às urnas tão cedo, pois é inelegível para cargos executivos. Caso se decida a candidatar-se em 2016 a vereadora em Porto Alegre, seu domicílio eleitoral, teria até março do ano que vem para renunciar. Neste caso, a pedalada poderia atrapalhar seus planos. Portanto, essa impopularidade acachapante não tem efeito, é apenas um constrangimento para si e seus auxiliares mais conhecidos, que estão expostos a vaias. Só isto, pois até hoje, que se sabe, ninguém morreu de vaia. Se não for isto, Dilma pensa ir levando a trancos e barrancos até seu último dia no Palácio do Planalto, em 2018, como declarou enfaticamente na semana retrasada. -
Miele, homem de múltiplos talentos
Celia e Celma
Uma de nós, há tempos, andava sozinha por Ipanema, no Rio, quando ouviu uma voz masculina, familiar aos ouvidos: oi, Celia e Celma! Só pode ser ele, pensou, chamando assim, uma, pelo nome das duas. E era, o próprio: Miele…
Com a notícia de sua morte, Luiz Carlos Miele, diretor, ator, humorista, apresentador, roteirista e um muito mais, era um dos últimos chamados showman em atividade no país. Voltemos à uma tarde de verão, em nosso pequeno apartamento em Copacabana, no Rio, final dos anos de 1960: toca a campanhia. Do jeito como estávamos, de chinelos e shorts, caras lavadas, recebemos a dupla do show bizz, Miele e Bôscoli, acompanhados do pianista Luiz Carlos Vinhas, um dos ícones da Bossa Nova. Vamos inaugurar a melhor casa de shows de São Paulo e queremos vocês como cantoras do conjunto do Vinhas, O Som Psicodélico de LCV. As duas, que começavam a ensaiar os trôpegos passos em direção ao sucesso, não iriam perder essa oportunidade. Era uma tremenda responsa ocupar a linha de frente com Miele e o bailarino Lennie Dale, que também já conhecíamos de nome por ter ensinado a Elis Regina os gestos de girar os braços para trás, na música Arrastão, imagem fresquinha em nossas memórias e nas de todos os brasileiros da época.
Assim, daí a alguns dias já estávamos em Sampa, de mala, cuia e sonhos… Quanto a boate onde nos apresentávamos, a Blow Up, fez história com essa temporada de casa lotada todas as noites. Sairam matérias jornalísticas nos principais meios de comunicação, gravação de disco e até um convite para sermos apresentadoras de televisão…. Para compor o espetáculo, foi preciso deixarmos as lourices de lado e encarar os cabelos tingidos de preto. O figurino também foi tratado com esmero: vestiu-nos o badaladíssimo costureiro Dener. Miele, sempre atento aos detalhes, nos acompanhou na visita à mansão do elegante estilista que, após nos examinar de cima a baixo, jogou delicadamente dois vaporosos vestidos em nossa direção, dizendo: vistam!, sob nossos ingênuos e assustados olhares. Depois, observador como era, Miele repetiu, diante do elenco da Blow Up, os gestos e atitudes afetados do estilista, homossexual assumido, como não se via naqueles tempos, o que provocou uma gargalhada geral. Até então, só o “atelier “da Gioconda, nossa mãe, tinha coberto as peles dessas duas…
Durante a temporada de shows, uma de nós, a Celia, pegou um belo resfriado, em consequência do frio paulistano e por três noites foi substituída por Miele. Ele, debochado, criativo, pendurou o tal vestido do Dener num cabide e o gancho do mesmo no colarinho de sua camisa, para ficar “gêmeo” com a outra; com sua imitação, “as duas” fizeram o show… . O que podemos afirmar é que esse tempo foi fundamental para nos dar um amadurecimento não só como artistas mas também como pessoas, nós, iniciantes, eles experientes e na crista da onda, como se dizia…
Outro fato que não dá pra esquecer, foi quando o Miele, arregalando seus olhos claros, pegou no guarda roupa de seu camarim partes de seu smoking, retalhado por sua mulher, para se vingar de uma traição do marido. Olhem o que a Anita fez, mostrava os pedaços do que havia sido gola, ombros, mangas… Tudo muito diferente do mundo de onde havíamos vindo, de U.B.A. City (leia-se Iú –Bí- êi city …) como nos anunciavam Miele e Lennie, brincando com nossa origem interiorana…
Foi ainda de Miele/Bôscoli a direção do nosso grupo do Vinhas nos salões do Copacabana Palace, no Rio, para receber a dama da Pepsi Cola, Joan Crawford, então a super estrela de Hollywood. Lindo!
Bem, não cabem aqui mais histórias, apenas queríamos fazer essa homenagem a um ex diretor e companheiro de palco, homem de múltiplos talentos que soube aproveitar como poucos as oportunidades que teve, até o fim da sua vida eletrizante.
Valeu, Miele! -
OP dobrou demandas para 2016, mesmo com corte grande no orçamento
Foi entregue na manhã desta quarta-feira,14, pelo prefeito José Fortunati, à Câmara Municipal, a Lei Orçamentária Anual (LOA) que prevê um investimento menor nas demandas do Orçamento Participativo (OP). Os recursos para o próximo ano estão previstos em R$ 361 milhões para o programa, bem abaixo dos R$ 504,5 milhões projetados neste ano.
Embora com menos recursos para o próximo ano, o Orçamento Participativo tem mais demandas previstas para execução do que 2015. Mais do que dobrou. Passou de 437 para 882 no próximo ano. Destas, 443 são novas demandas, que custarão RS 80 milhões ao Executivo.
Poucos dias depois da aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentarias, pelo Legislativo, a LOA realizada posteriormente aponta os gastos da Prefeitura. Já se sabia que, apesar de uma arrecadação maior do que a prevista para 2015, o governo teria cortes de 21,4% em investimentos. Parte desses cortes são demandas do Orçamento Participativo, uma redução de quase R$ 140 milhões. A diferença se deve basicamente à diminuição dos valores para as obras viárias, principalmente relacionadas a obras da Copa e ao PAC Mobilidade que são demandas do OP. “Eram obras maiores e de custos mais altos” justifica o coordenador de Programação Orçamentária, Jorge Carrion.
O Prefeito José Fortunati, durante a entrega do documento, destacou que a LOA 2016 foi realizada de acordo com a situação de crise que está sendo atravessada: “É uma lei realista, com base no momento delicado que vivem União, Estado e município, mas que busca mecanismos para equalizar as demandas da população, o desejo do poder público e as possibilidades de execução”
Investimento em Saúde e Educação
Para 2016, a Prefeitura prevê um gasto maior do que estabelece a lei para os serviços de saúde e educação. Estamos destinando 19,40% para a saúde e 25,41% para Educação” destacou o prefeito.
Ao receber a lei, que será entrege aos vereadores em arquivo digital, o presidente da Câmara, Mauro Pinheiro (PT) ressaltou que os legisladores têm a consciência do momento de dificuldade para todos os administradores. “Vamos nos esforçar ao máximo para cumprir os prazos, dialogando muito sobre as prioridades do município.”
Além do OP, Saúde e Educação estão previstas na LOA:
– Obras de mobilidade R$ 128 milhões
– Obras do Programa de Aceleração de Crescimento (Dmae): R$ 34 milhões
– Obras do Programa Integrado Socioambiental: R$ 57 milhões
– Orla do Guaíba/CAF (Corporação Andina de Fomento): R$ 69 milhões
– DrenaPOA/PAC Drenagem: R$ 39 milhões (de um total de R$ 270 milhões)
– Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID): R$ 23 milhões para melhorias do desempenho escolar, gestão, equipamentos e estrutura física das escolas. (de um total de U$ 80 milhões). -
Seminário discute mídia e racismo e prepara Semana da Consciência Negra
O que os meios de comunicação têm a ver com a garantia dos direitos da população negra? Este é o foco do seminário preparativo para a Semana Consciência Negra que acontece nesta quinta-feira, 15, no auditório dos Correios e Telégrafos, no centro Histórico de Porto Alegre. O evento é uma parceria entre a Secretaria Adjunta do Povo Negro, o Conselho Municipal dos Direitos do Povo Negro e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais RS.
O tema é “O papel do serviço público na garantia dos direitos da população negra: o que a comunicação tem a ver com isso?” O objetivo é discutir a comunicação como ferramenta de desconstrução do racismo institucional e instrumental e das relações público-privadas.
Estarão presentes as jornalistas Isabel Clavelin, doutoranda em Comunicação e assessora de imprensa da ONU Mulheres, e Ana Flávia Magalhães, doutora em História e autora do livro Imprensa negra no Brasil do século XIX. A realização de um seminário na primeira quinzena de outubro está prevista na Lei Municipal 6986, de 1991.
“Nós queremos sensibilizar profissionais e pessoas da sociedade civil de que o racismo institucional existe e não somente de forma velada, muitas vezes ele é escancarado”, salienta a Secretária Adjunta do Povo Negro, Elisete Moretto. “É importante salientar que não é um evento somente para negros, este é um debate que tem que ser feito por toda a sociedade”, completa.
O credenciamento será aberto às 8h30, a participação é gratuita e a inscrição pode ser feita diretamente no local. Ás 10h abrem-se os trabalhos com Isabel Clavelin e, à tarde, é a vez de Ana Flávia Magalhães. Além das palestras, haverá espaço para debates e dinâmicas. O auditório dos Correios e Telégrafos fica na rua Siqueira Campos, 1100, e deve durar até as 17h30. Mais informações pelo email: seminariomidiaracismo@gmail.com
Principal problema é a representação
“O principal problema em relação à comunicação é a questão da representação. No Brasil, os negros são 52% da população, mas isso não significa que a população negra ocupe um espaço de equidade”, afirma a jornalista Isabel Clavelin.
Ela considera que atualmente se tem algumas iniciativas importantes, principalmente na área da publicidade, mas o papel do negro ainda é secundário. “A publicidade vem absorvendo mais homens e mulheres negras, mas eles ainda não ocupam um papel central, são coadjuvantes, estão à sombra de homens e mulheres brancos.”
Em seu trabalho de mestrado, Isabel analisou as matérias sobre a temática racial publicadas pelo jornal Folha de São Paulo entre 2000 e 2010. Ela constatou que as entidades do movimento negro geralmente são a terceira fonte consultada, depois de fontes institucionais e especialistas. Isabel reitera a importância história do Rio Grande do Sul para os movimentos negros. “Foi aqui que surgiu, na década de 70, o Grupo Palmares, com o poeta Oliveira Silveira. Foram eles que resgataram a figura de Zumbi dos Palmares e a data do 20 de novembro.”
O papel da imprensa negra na luta contra o racismo
A jornalista Ana Flávia Magalhães ressalta que, no Brasil, existe uma forte negação do racismo e uma tentativa de se manter o mito da democracia racial. “Com isso, há um processo de silenciamento das experiências de denúncia do racismo. Uma delas é a existência da imprensa negra no brasil.”
Ana vai apresentar um panorama da imprensa negra no país desde o século XIX até a atualidade. “O que eles colocam desde 1833, e tem sido reforçado, é essa defesa da cidadania negra. E isto é algo que passa pelo serviço publico e pela comunicação, que tem uma responsabilidade nessa modificação contemporânea.”
Ela cita a importância desses veículos em protagonizar as transformações na forma de se fazer comunicação no Brasil. “No inicio da década de 1990, quando havia poucos jornais e revistas eletrônicos no país, surgiu a Revista Afirma, fundada por jovens negros e que abordava temas do interesse da população negra, como o combate ao racismo e afirmação da identidade.
Hoje, o que se tem são principalmente portais colaborativos, funcionando com a dinâmica de redes, contando com colaborações externas. Ana Flávia destaca portais da internet como o Portal Geledés, o Jornal Áfricas, o Correio Nagô e o Blogueiras Negras. “Mas estes não são os únicos, há uma série de blogs que tem dinamizado muito a comunicação negra no cenário contemporâneo”, comemora. -
Dilma recompõe as forças e propõe retomada do crescimento da economia
PC do Lester
A presidente Dilma Rousseff recrudesceu, como dizia o general João Figueiredo. Na abertura do 12º Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT), discursando ao público interno de seu partido, soltou mísseis contra a oposição, acusando seus detratores de golpistas e de hipócritas, sem autoridade moral para duvidar de sua honestidade pessoal.
Já, nesta quarta, baixou o tom, propondo, noutro pronunciamento, criar uma agenda positiva. Em vez da agenda negativa, ofereceu uma retomada do crescimento da economia. Esta é a proposta. Melhor assim.
Golpe e impeachment não são, efetivamente, os problemas reais da presidente. Golpe é impossível. As forças armadas não participam de qualquer movimento de natureza política e nem no Palácio do Planalto há conspiradores procurando derrubar a presidente. Essa informação é taxativa na entrevista que o comandante do Exército general Eduardo Dias da Costa Villas Boas concedeu ao Correio Braziliense publicada dia 7 de outubro e reproduzida no último domingo pela Zero Hora. Então a palavra golpe é mais um desses escorregões semânticos da chefe do governo. Quanto à arguição de improbidade, é totalmente descabida, pois nem mesmo os mais ferrenhos adversários lhe acusam de ladra. O que ameaça Dilma é o mergulho vertiginoso da economia num ralo sem fim.
O importante desse pronunciamento feito em São Paulo não foram as palavras que disse, mas o que resulta desse posicionamento. Dilma se reassume como chefe indiscutível de seu governo, enterrando de vez as versões de que estaria abrindo mão de poderes em favor do PMDB ou de outros esquemas de tutelagem.
Este é o problema real, pois se esperava que abrindo mão de suas prerrogativas de comando, Dilma criaria espaços para a reversão das expectativas negativas da economia, abrindo espaços para reativar os investimentos, deter o desemprego e recuperar a arrecadação de tributos. O medo da demissão é um dos fatores principais para a queda do consumo das famílias, com efeito desastroso sobre as finanças pública, tanto federais, pela queda dos impostos tipo IPI e outros, e dos estados e municípios, pela retração do ICMS e seus repasses às prefeituras. O ajuste fiscal compromete as finanças dos três níveis da administração pública.
O plano dos líderes políticos era entregar a liderança do governo a um político com credibilidade internacional e inegável competência econômica. O nome seria do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Ele, entretanto, teria dito a Lula que só aceitaria o posto com garantias de não interferência. Meirelles foi companheiro de governo de Dilma, portanto conhecedor das idiossincrasias da presidente. Parecia que as coisas caminhavam neste sentido. Porém, como as pessoas que a conhecem de anos garantiam, uma Dilma cordata era um sonho dos políticos. Dilma recrudesceu, mostrou que não larga as rédeas e que vai levando de seu jeito, atropelando amigos e inimigos. Toca o gongo, abre-se nova rodada.
