
Cheuiche: 40 anos de literatura (Fotos: Helen Lopes/JÁ)
Elétrico, bigode e cabelo hirsutos, Cheuiche tem uma biografia bastante rica: criado no pampa, conheceu o mundo desdobrando-se nos papéis de estudante, professor, veterinário e escritor. Fruto típico da miscigenação gaúcha, gosta de falar de seus ancestrais, entre os quais aponta, pelo lado materno, os açorianos Tavares e os portugueses Vargas; e, pelo lado paterno, os Cheuiche, vindos do Líbano.
Filho de um médico-veterinário do Exército, Alcy nasceu no inverno de 1941 em Pelotas e a partir dos cinco anos morou em Alegrete, onde o pai fora servir. Sua infância foi forrada de vivências rurais, fonte do tradicionalismo gauchesco, no qual deu seus primeiros passos como autor de poemas propícios à declamação.
Uma vez, ainda estudante, declamou seu poema Reza Chucra num CTG nos arredores de Porto Alegre. Presente no evento, o escritor Manoelito de Ornellas o aconselhou: “Não abandone a poesia crioula”.
Formado em Veterinária em 1962, especializou-se na França e na Alemanha, trabalhou alguns anos na multinacional Johnson & Johnson e encaminhou-se instintivamente para a literatura, o magistério e o jornalismo técnico – mantém há 25 anos em convênio com uma instituição francesa a revista bimestral A Hora Veterinária, editada atualmente em Caçapava do Sul, onde Cheuiche mora com a segunda esposa, Maria Berenice, advogada profissional.
Seu primeiro escrito (um poema premiado) foi publicado na Gazeta de Alegrete em 1951, quando tinha dez anos. Quando estudou na França, escreveu regularmente para o suplemento rural do Correio do Povo. Nunca deixou de assinar artigos, crônicas e poemas na imprensa.
Seu primeiro livro, Versos do Extremo Sul, foi publicado em 1966. No prefácio, o pajador Jayme Caetano Braun o comparou a um “tourito de sobreano” que, “ainda muito potrilho”, “traz a poesia nos tentos”.
Na sua primeira ficção, O Gato e a Revolução, de 1967, Alcy Cheuiche inaugurou um estilo marcante pela fidelidade aos temas brasileiros e aos valores humanitários universais. Seus assuntos preferenciais: a luta pela terra e os direitos humanos. Entre seus personagens mais conhecidos – Sepé Tiaraju (1975), Ana Sem Terra (1984) e Santos Dumont (1998) – figura por último o avô libanês, tema do livro Jabal Lubnàn, publicado em 2002 pela Sulina.
Embora tenha visitado o Líbano em 1972, Cheuiche levou 30 anos para soltar o livro sobre o avô. É um romance histórico. Além do material colhido na sua terra natal, o autor pesquisou em livros e aproveitou estórias contadas pelo pai, que tinha o gosto pelas narrativas orais e guardara na memória os principais eventos da vida paterna. (Geraldo Hasse)
Entrevistadores Elmar Bones, Kenny Braga, Guilherme Kolling e Naira Hofmeister.
Elmar – Já é uma tradição, todos os anos fazemos uma edição do jornal para a Feira, uma entrevista com o patrono. Vamos começar do começo…
Cheuiche – Comigo é difícil começar do começo…
Kenny – Onde foi tua infância?
Cheuiche – Em Alegrete, toda ela. Eu nasci, meu pai era militar, veterinário e advogado, e foi transferido para Alegrete. Acho Pelotas uma cidade maravilhosa, mas não tenho infância, não tenho história lá. Até a casa em que nasci, era um sobrado, lembro muito bem, foi demolido. Sou alegretense de adoção. Explico em toda entrevista o seguinte: eu aprendi a ler e escrever lá, são as coisas mais importantes da minha vida, que eu aprendi na escola Osvaldo Aranha, em Alegrete. Aprendi a andar a cavalo, que para mim é muito importante, aprendi a nadar, que eu adoro, aprendi a namorar, que eu parei depois que eu casei, mas namoro minha mulher muito bem, até hoje. Aprendi a dançar, tudo que a criança e o adolescente aprendem. A primeira vez pegar a mão de uma moça no cinema, com 14 anos, dava um arrepio que vinha lá de baixo, era outra época…
Kenny – Nunca pescou no Ibirapuitã?
Cheuiche – Pescar! Pescava no Ibirapuitã o jundiá! O jundiá é aquele bigodudo, ele pega a linha e dispara. Era uma sensação maravilhosa. E outra coisa. Pescar para comer o peixe…
Elmar – Como é esse livro que está sendo lançado, Antologia Poética?
Cheuiche – São três livros de poesia, esgotados há muitos anos. Continuei escrevendo poesia principalmente para letras em festivais, coisas assim. Inclusive tem uma que a Marlene Pastro canta sobre a Anita Garibaldi que até acho bonita. E aí esse ano, antes de eu ser patrono, o Martins Livreiro me propôs: “por que tu não faz uma antologia, tu tem uma série de poemas…” Resolvi selecionar, tem desde a poesia gaúcha, depois tem a poesia do tempo em que eu morei na França, tem poesia em francês, espanhol. É um bric-a-brac. Mas é bom porque eu gosto muito de poesia, continuo gostando. Só que o romance não dá tempo para mais nada…
Elmar – E esse poema da Anita foi popularizado em música.
Guilherme – Tem até o espetáculo A Tomada de Laguna em que essa é a música tema.
Cheuiche – É… Uma coisa engraçada agora: tem um tio da minha mulher que gosta dar trote. E liga assim: “Aqui é o governador de São Paulo… Aqui é não sei quem…”. E teve uma vez – isso já tem uns seis, sete anos –, eu chego no meu escritório e a minha secretária: “O governador Esperidião Amim ligou”. E casualmente tinha que ligar para nós. Daqui a pouco, toca o telefone “é o governador”. E eu: “Filho dessa!…” (risos). — Mas seu Cheuiche, o que aconteceu? E eu digo: “Ah, governador…” Eu disse um monte de palavrão… E era o governador que queria, por causa da letra da Anita, me convidar para ir à Laguna, que ia haver um grande acontecimento sobre Anita Garibaldi, e que eu autografasse o meu livro da Guerra dos Farrapos. Então, foi assim a minha primeira conversa com o Esperidião…
Elmar – Então foi só um pedido do Martins…
Cheuiche – Foi um pedido dele que eu gostei muito de atender. Tanto é que eu mesmo fiz a apresentação do livro. Foi interessante porque eu tive de reler e eu sempre datava os meus livros. Aí um dia o Mario Quintana: “Pára de botar data em poema, Cheuiche. O poema é atemporal. Não tem que botar data nenhuma!”. É claro que eu deixava me influenciar pelo Mario, era o mestre da gente, até hoje é. Mario e Erico são nossos mestres sempre. Aí parei de botar data. Mas agora, pegando os poemas desses livros, aqueles que têm data me ajudaram muito mais, porque tem o local e a data. E como eu morei na França, na Alemanha, viajei… Eu até me casar – depois foi a culpa do casamento – o que eu ganhava era para viajar. Por isso que eu pude fazer muita pesquisa para os livros. O Sepé Tiaraju foi um livro que eu pesquisei na Argentina, na França, na Espanha, procurando documentação. Este do Santos Dumont… Sabe onde estão as melhores coisas sobre Santos Dumont? Nos jornais de Paris da época. Os caras vão procurar nos livros, mas não é nos livros que está. Pois tudo ele chamava a imprensa. A primeira coisa que o Santos Dumont fez foi dar dirigibilidade aos balões. Pela primeira vez botou um motor, e de motocicleta. Porque ele já praticava motocicleta, fez a primeira corrida de motocicleta em Paris, ele que organizou. E aí botou o motor, desenlveu aquele balão em forma de charuto e deu a dirigibilidade ao balão. Fez aquele famoso trecho, que ele até ganhou um prêmio, que em meia hora tinha que andar 12,5 quilômetros e fazer o trajeto, contornando a Torre Eiffel. Tudo está no livro [Nos Céus de Paris – Romance da Vida de Santos Dumont].
Kenny – Qual a tua explicação para o suicídio de Santos Dumont?
Cheuiche – Tem duas explicações. O Santos Dumont foi para Paris aos 18 anos, em 1890, e ficou até 1909. Em 1909, ele viveu todos esses anos muito estresse, porque não tinha piloto de prova. Era só ele. Então, teve uma esclerose múltipla. Isso também é hereditário, a tendência ele tinha por parte de mãe. E esclerose múltipla tem vários casos que levam ao suicídio, tanto é que a mãe se matou. Bom, aí, como ele teve essa crise voando no Demoiselle – o Demoiselle já era o ultra-leve, andava a mil metros de altura e a 100 Km/h. Foi o primeiro avião na verdade, em 1909. E toda indústria aeronáutica partiu daí. Aí, ele teve essa crise voando, e conseguiu aterrisar na frente de um castelo, num espaço com não mais de 50 metros. Ele era fantástico! Mas aí levou um susto muito grande… Não voou mais. E aí ele entrou em depressão, foi até pior. E foi continuando assim, não voou mais, veio para o Brasil.

Cheuiche pesquisou vida e obra de Santos Dumont, em Paris
Kenny – Muito deprimido ele estava nesse período…
Cheuiche – Muito, muito… Até que em 1932, quando começou a revolução, ele ia muito ao Guarujá, em Santos, naquela praia, gostava muito. Estava hospedado em um hotel, era o aniversário dele, que era em 20 de julho. No dia 23 de julho ele estava na praia quando um aviãozinho desceu e bombardeou Santos, já na Revolução de 1932, que começou no dia 9 de julho. Isso já era dia 23. E aí foi terrível. Ele voltou, e não se sabe mais…
Kenny – Ele registrou alguma coisa?
Cheuiche – Não, mas está registrado que houve esse bombardeio e o pessoal do hotel diz que ele viu, e que voltou muito deprimido para o hotel, foi para o banheiro e se enforcou.
Guilherme – Teve essa pesquisa para o livro do Santos Dumont, o do Sepé. Como está sua produção?
Cheuiche – Tenho 10 romances, quase todos históricos, e desses tem dois editados na Alemanha também. Sepé Tiaraju é o romance que tem me dado mais alternativas. Tem umas oito edições em português, uma em alemão, uma espanhol, uma em quadrinhos, que foi feita por um desenhista uruguaio, o José Melgar. Esse ano, que também marca os 250 anos da morte do Sepé, vê como coincidiu para mim, o Internacional e mais todas essas coisas…
Kenny – O ano da conquista do título…
Cheuiche – Sabe que encontrei uma carteira minha, quando eu vim morar em Porto Alegre, do Alegrete, eu com 18 anos cheguei e um primo meu me levou ali no edifício do relógio, no Largo dos Medeiros, que era a sede do Internacional. A gente podia entrar como sócio-estudante, sem pagar nada. Carteirinha direitinha, vermelha, com foto… Bom, voltando ao Sepé, tem também a edição em braile, da biblioteca pública. E, aliás, esse ano eu tive uma emoção fantástica. Na Academia de Letras do Rio Grande do Sul, eu coordenei durante sete anos o projeto de cegos. Porque não é só o braile, é também o livro gravado, nós tivemos muitos livros gravados. Agora quem escolhe são eles. Eu me lembro agora quando saiu o filme O Quatrilho, eles se reuniram e tinha uns dias que era um livro só. E aí levantou um cego e disse: “Eu quero O Quatrilho”. Muito bem, eu gosto muito do Pozzenatto, só que nós temos que colocar uma justificativa. Isso era a Aplub que ia pagar. “Que justificativa, Alcy! Eu não vejo o filme, tenho que ler o livro para ter opinião!”.
Kenny – Tava pronta a justificativa.
Cheuiche – Quando eu vi o poeta Waldir de Lima, no dia que lançaram o livro do Sepé em braile na biblioteca. Ele levantou e passou a mão, começou a ler acariciando o livro. Bah!… Que emoção!… A literatura vale por isso.
Elmar – Um tempo atrás teve aquele livro sobre teu avô, não é?
Cheuiche – Esse livro, deveria ter sido escrito pelo meu pai, que era um grande narrador, mas tinha preguiça de escrever. E era semi-árabe, porque eu já sou 25%. A gente guarda o nome, mas vai havendo a mestiçagem toda. E o meu contava história que era uma coisa de louco. Daí vem a origem da minha paixão pela história. Tenho uma irmã que faleceu no ano passado que era das maiores arqueólogas do Brasil, Lilian Cheuiche Machado. Papai contava, claro, histórias de bicho, brincadeiras e tal. Mas dali a pouco, quando via ele estava contando o Conde de Montecristo. Eu com 10, 11 anos já sabia toda a história. Tudo eu aprendi quando era criança…
Mas teu pai nasceu no Brasil?
Cheuiche – Meu pai é nascido no Brasil. Ele é Vargas. Por parte de mãe sou Silva Tavares. É daqueles que ficaram contra a Revolução Farroupilha. O coronel João da Silva Tavares é meu tataravô, que deu a batalha para o General Netto. Papai contava estórias que o vovô contava para ele. Casualmente a nossa cidade do Líbano de origem, eu fui lá – não tem nada em livro meu que eu não tenha ido. Quem faz romance histórico, por exemplo, no Sepé Tiaraju tem um capítulo que é na Ilha de Páscoa. Eu fui lá! Botei a minha mão naquele monolito, nas orelhas compridas, falei com as pessoas, eu fui lá.
Kenny – E é longe.
Cheuiche – É longe e complicado. Mas eu fui. Isso eu aprendi lendo Hemingway, ele ensina isso. Por que O Velho e o Mar é uma obra-prima? Porque ele ficou 30 anos na corrente do Golfo, ele convivia – o Hemingway não gostava de cerimônia, ele gostava de gente simples. Então ele convivia com aqueles pescadores em Cuba na intimidade, ele sabia tudo. Tem um momento em que o velho Santiago, o pescador, pára de pé. Se ele vai descrever uma tourada, ele passou anos dentro das touradas. Se ele vai para a África num sáfari, ele foi até guia de safári. Então eu aprendi com ele isso, tem que estudar a fundo antes de escrever.
Guilherme – Tudo documentado.
Cheuiche – Ah, tem que ser. Porque todo o romance, não adianta querer “ah minha imaginação”… Do que é feita uma narrativa? De três coisas: personagem, ambiente e ação. Muito bem, escolheu o personagem? Santos Dumont. Ah, o Santos Dumont. Está ferrado, meu amigo, porque o que ele fez foi em Paris, e tu não pode errar sobre Paris. Tanto que eu não durima nos últimos dias, antes da revisão final desse livro, de medo de ter cometido algum erro sobre Paris daqueles anos. E aí os meus amigos – que eu morei lá por quase quatro anos, eles se mobilizaram. Foram formidáveis. Eu não podia estar viajando para Paris a toda hora, então eu durante esse período eu fui três vezes, em três anos. E aí eu ligava, telefonava, mandava e-mail, fazia os caras procurarem as coisas. Então, isso aí é essencial para o romance, qualquer um…
Elmar – Isso não é válido para a televisão, porque A Casa das Mulhres foi uma leitura ligeira da Letícia Wierzchowski…
Cheuiche – É, aí houve um outro tipo de tratamento. Acho até que a Letícia não é responsável pelo que está ali. Posso dizer porque não estou criticando a Letícia, de jeito nenhum, ela é minha colega… Quando o Garibaldi recebe aquele gado, para que ele vá embora – porque aquilo ali não valia nada… “Mercernário!”, porque ganhou uns bois. Para mim o Garibaldi é uma das figuras históricas e humanas mais fantásticas que já exisitiu. Era gado nosso. No filme Concerto Campestre, do Henrique de Freitas Lima, ele foi em Santa Catarina, meteu o gado dentro do caminhão, o gado crioulo lageano, levou para Pelotas e fez o negócio correto. E o pessoal da Globo pegou o gado hereford, um gado inglês, cabeça branca, vermelha, todo mundo sabe, gado de Expointer…
Elmar – E teve o Itaimbezinho também…
Cheuiche – Ah, isso de ir do Itaimbezinho para o outro lado, tudo bem… Agora tem uma coisa que eu quero dizer para vocês. Para o meu livro sobre a Guerra dos Farrapos foi ótimo. Saiu uma nova edição, de bolso… Claro, porque popularizou! Eu recebia telefonema – eu morei 10 anos em São Paulo – conheço muita gente lá, e recebia telefonema. “Alcy, o que vai acontecer, agora? Me manda teu livro”. Tem gente que não agüenta esperar, quer saber. “E aí, o que acontece, ele casa com a Manuela?” E eu: “Que Manuela! O negócio dele é a Anita Garibaldi”. Então, isso aí sacudiu…
Kenny – Aliás o Josué tem um romance muito bonito sobre essa Manuela.
Cheuiche – Exatamente, ela morreu velinha em Pelotas, e era conhecida como a noiva de Garibaldi. Coisa bonita fazer um livro com esse título né. “A noiva de Garibaldi”…
Guilherme – Voltando ao teu pai…
Cheuiche – Voltando ao meu pai, a cidade de Zahlé – não se impressionem que eu não falo nada de árabe, eu aprendi foi só português –, é uma cidade cristã, que fica a 30 km da fronteira com a Síria, no alto da montanha, perto do Vale do Becá. É riquíssima a região. E fui lá verificar as histórias que o meu pai contava. E comecei a estudar a história do Líbano, para ver as histórias que o meu pai contava, como iriam se encaixar. E aí esse livro As aventuras de um mascate libanês. E o meu avô ainda tem mais outra. Ele se meteu na Revolução de 1893.. No livro eu descrevo 1892, um ano antes, eles estão preparando a revolução, ele entra. Claro, tive que estudar tudo. Quase que cometi uma gafe horrorosa, porque eu li num livro, que em 1892 a Igreja das Dores estava com as torres prontas. Vamos descrever: “ele olha e enxerga as torres da igreja, à direita, quando sai do porto”. Mas aí, eu pego uma fotografia de 1901 e ainda não tinha as torres. Tirei imediatamente, e, em vez de olhar para a direita ele olha para a esquerda e enxerga as torres da igreja da Praça da Matriz. Isso não muda nada. No romance histórico o que interessa é recriar os fatos… Agora, não posso botar que tem torre quando não tem. Aí dou uma informação errada e o meu leitor acredita na história. Eu faço o romance histórico mesmo.
Naira – Como dosar ficção e realidade na criação dos personagens?
Cheuiche – Na criação dos personagens tu tem duas opções. Por exemplo, um dos livros meus que eu mais gosto chama-se O Mestiço de São Borja. Porque esse livro tem todos ingredientes do romance. E ele tem começo, meio e fim, que é uma coisa muito boa para um romance. Começa em 1930 e termina em 1980. São 50 anos da vida do Brasil, que eu conto através de uma família de origem alemã. E nesse espaço de tempo, a Revolução de 30 foi o divisor de águas político, cultural, social, e tudo que nós quisermos. Uma das poucas revoluções, que mudou alguma coisa no Brasil. Até as profissões foram organizadas…
Guilherme – E a tua formação como escritor? Teu pai teve essa participação importante contando histórias do teu avô. E o Quintana, como foi a participação dele na tua formação como escritor?
Cheuiche – Fui conhecer o Quintana mesmo aqui em Porto Alegre, eu era guri, vim com 18 anos. Ao Sérgio Faraco e eu, que éramos de Alegrete, ele dava muita atenção. A gente ia lá no Majestic… O Mario Quintana nunca foi de cerimônia. Depois, quando eu comecei a escrever no Correio do Povo, aí sim eu convivi bastante com ele, porque eu ia lá… Tô enxergando o cantinho dele lá no Correio, a mesa dele, com a máquina e ficava naquele cantão dele lá.
Kenny – Quero voltar ao Sepé Tiaraju. A frase atribuída ao Sepé “Essa terra tem dono”, realmente existiu ou foi atribuída a ele?
Cheuiche – Existem duas teses. Houve esta frase lá no Paraná, em determinado momento, eram índios guaranis no começo. E um índio guarani teria dito essa terra tem dono. E aqui. Em 1750 houve o tratado. Quando chegou aqui a notícia do tratado aqui já tinha um meio ano. De maneira que a guerra começou mesmo em fevereiro de 1753. E o Sepé vai em direção a Bagé, que era território charrua, e ele se acerta com os charruas, para segurar e não deixar eles entrarem, porque ali estava separado o exército de demarcação. Eles não estavam juntos os espanhóis e portugueses. Aí, um capitão encontrou os índios na beira do Rio Camaquã, hoje entre Caçapava e Bagé, e isso está documentado. E ele de repente se viu cercado, as tropas dele porque ele viu o Sepé, que seria o comandante, porque se sabe que ele tinha ido para aquele lado, ele sai da mata e quando os espanhóis avançam, enxergam uma cavalhada que vem correndo, eles não sabem o que é aquilo. Nesse momento que o Sepé teria dito: “Se vocês abandonarem sem luta…” E disse: “Essa terra tem dono, essa terra nós recebemos de Deus e São Miguel de Arcanjo”. Isso está narrado por um jesuíta, padre Miguel de Soto. Agora, eu vou contar uma coisa que me deu uma boa dor no coração, foi no ano passado, quando ia entrar o projeto do reconhecimento histórico do Sepé. O Sepé não é reconhecido como figura histórica riograndense…
Guilherme – O MST quer adotar o Sepé.
Cheuiche – É o que eu disse outro dia, todo mundo pode adotar, agora tem que adotar certo. O Frei Sérgio Goergen é personagem do meu livro Ana Sem Terra. Porque ele começou mesmo, antes de ser político, era só padre e estava fazendo um trabalho muito bom. No ano passado ele pediu para falar comigo, disse que ia entrar com um projeto, fui lá na Assembléia e sentei com ele. Que me disse “eu vou entrar com um projeto do Sepé, tu me ajuda?”. Eu disse não. Não, porque isso vai virar política e nós não podemos fazer assim. Eu lancei esse livro na Alemanha em quinze cidades, inclusive Berlim. O intelectual europeu conhece as Missões, lê sobre as Missões. Um filme sobre as Missões ganhou uma Palma de Cannes.
Kenny – Tem vários estudiosos…
Cheuiche – Eles conhecem, conhecem o barroco. Seria extremamente negativo para o Rio Grande do Sul, quando as ruínas de São Miguel são um Patrimônio da Humanidade, e quem construiu a Igreja não Inimigo do Brasil! Ou que não existia.
Kenny – Mas muitos intelectuais ficaram com o Sepé. Um deles é o Manoelito de Ornellas.
Cheuiche – O Manoelito ficou, daquela época, foram vários que ficaram ao lado do Sepé… Mas eu só quero contar um fato para vocês. No dia que ele entrou com o projeto, me convidaram para ir no [auditório da Assembléia Legislativa] Dante Barone fazer essa conferência. E quando cheguei lá tinha 700 pessoas. Antes de mim falou um índio guarani. E medida que ele falava, em guarani, as pessoas iam levantando. Umas trinta e poucas pessoas levantaram. Aí ele disse em português: “Eu pedi, para todas as pessoas que entendem o guarani que levantassem”. E aí ele me pediu: “não pense só nos índios daquele tempo. Que o Sepé seja um símbolo de valorização dos índios de hoje, que estão aí abandonados, na beira da estrada”. Bah, aquilo me deu um soco no peito…
Kenny – Em que momento tu te interessou pela vida do Sepé?
Cheuiche – Duas razões me levaram para isso. Primeiro foi o deputado Rui Ramos, alegretense, que era uma figura extraodinária. Grande orador, poeta, foi ele que apresentou o Jayme Caetano Braum. Porque o mãe do Jayme é parente do Dr. Rui Ramos.
Elmar – Ele tinha um bolicho?
Cheuiche – Lá em São Luís Gonzaga, ele estudou até uma parte, tirou ginásio. O pai dele era professor, Braum, origem de alemães, e a mãe Caetano, que era gente de Campanha, daí vem o parentesco com o Dr. Rui. E conseguiu publicar o primeiro livro depois numa ocasião indicou ele para diretor da biblioteca pública. E aí é que ele começou.
Kenny – Como é que o Sepé entrou na tua vida?
Cheuiche – Em 1956, eu era adolescente, morava em Alegrete, o Dr. Rui saiu do lado do Sepé. E tinha um médico em Alegrete que foi contra. E era muito culto, muito preparado. Então, eles resolveram fazer no clube fazer o júri, este médico foi o promotor e o Dr. Rui o advogado de defesa. O clube encheu tanto, tanto, que não cabia ninguém mais. Consegui um lugarzinho no canto. O Dr. Rui, que voz, que cultura… Eu não sabia nada de Missões, que não estava no currículo, até hoje é mal colocado. E ele dizia assim: “Eu te defendo Sepé Tiaraju”. E começou a mostrar quem era o Sepé. Porque o Sepé não era cacique coisa nenhuma. Já tinha cento e tantos anos de cultura ali. O Sepé falava três idiomas, tinha cultura, deixou cartas maravilhosas, deixou 16 cartas…
Kenny – Onde é que estão essas cartas?
Cheuiche – Ah, estão todas guardadas, em museus, tem um pouco aqui, outras na Espanha, e transcritas em livro. Bom, comecei a ler, tinha esse livro Tiaraju, que é um poema em prosa, do Manoelito de Ornellas, e parte muito também da lenda. Eu fui procurando ler e saber. Mas depois eu entrei na faculdade, segui a minha vida e tal, e quando teve o meu primeiro livro de prosa, O Gato e a Revolução, isso foi 1967, eu escrevi isso na Alemanha em 1966, estava morando lá. Em 1967 foi publicado na Feira do Livro. Há 39 anos.
Kenny – Época boa para estar fora do Brasil…
Cheuiche – Foi acaso… (risos). O Sérgio [Faraco] estava na Rússia, foi dificílimo para ele. Eu que intermediava as cartas para a mãe dele. Mandava a carta, eu trocava o envelope mandava para mãe dele. Recebia a dela, trocava o envelope russo, botava o francês. Depois mandava para o Sérgio. Quando voltei para o Brasil me prenderam. A maior honra que eu tenho é essa prisão. Eu tenho três prisões, tudo por literatura. Essa é a que eu gosto mais.
Kenny – Intermediador de cartas…
Cheuiche – Agora, por que a razão? Ficou na minha cabeça, eu segui lendo sobre o tema, me interessando, fui nas Missões, que era um abandono total… Não tinha estrada, não tinha nada, não tinha cidade, não tinha coisa nenhuma. E aí eu fui para Alemanha e escrevi O Gato e a Revolução e lancei aqui na Feira e foi bem. Vendeu, depois teve a Feira de Alegrete, lá foi o mais vendido, devo ter vendido uns 50 exemplares, uma beleza. Até que veio o Ato Institucional de 1968. A Brigada já tinha me processado, depois suspendeu o processo, aí a Polícia Federal foi lá na Sulina, pegou o que sobrou e picotaram… Aí, eu que estava lecionando na universidade, em seguida eles vieram para cima de mim, me fizeram uma pressão muito forte. Me tiraram os alunos primeiro, eu não podia dar aula, aí eu resolvi me demitir e fui para São Paulo.
Elmar – E o que era o Gato e a Revolução?
Cheuiche – Era uma história de estudantes universitários, eu fui presidente do Centro Acadêmico da Agronomia e Veterinária É sobre a experiência universitária, em que eu faço uma revolução por causa de um gato. Quem era revolucionário, estava preso. Então, a revolução que eles chamaram era uma revolução de nada, era sim um golpe militar. Então, revolução tem que revolucionar. Aí, eu fui para São Paulo – e por isso que eu digo que tem coisas maravilhosas na vida da gente. Eu alugo um apartamento e do outro lado é a biblioteca pública, por acaso. Olha, eu não conhecia ninguém em São Paulo. Para me virar, arranjar trabalho. Mas aqui eu era comunista e só consegui arrumar trabalho numa empresa americana, a Johnson&Johnson. Depois descobri que eles tinham lido meus livros. E me disseram, “ah, gostei muito de O Gato e a Revolução, tem humor. Hoje tu vai ver é um absurdo, tudo. Aí comecei a pesquisar sobre as Missões, na Biblioteca Pública de São Paulo. E qual foi a minha idéia? Eu tenho que escrever um livro que fale em justiça social, nos índios – o último romance de índio era do José de Alencar. Fizeram uma tese lá em Pelotas, e eu fui convidado até para ir na Biblioteca Pública. E ele me disse: “O seu livro, depois do José de Alencar, foi o primeiro romance de índio no país”. Uma coisa de louco. E sabe como é, José de Alencar é a mais pura ficção. O Guarani dele não é o guarani mesmo. Aí, eu pensei para mim. Se eu escrever um livro com um tema social, vão me cassar de novo. Então eu tenho que escrever um livro que conte a história, porque não houve nenhum momento no mundo uma experiência socialista, cristã, como a dos guarani. Não houve.
Guilherme – Por isso que o MST quer adotar, em função dessa experiência socialista.
Cheuiche – Pois é, mas a realidade… Eu não tenho nada contra o MST. Eu só não gosto de donos das coisas. O Seu Stédile é o dono do MST. Quando eu comecei a estudar isso, na época da ditadura, não tinha dono, nem a igreja era dona. Ninguém era dono. Nem o Frei Sérgio era dono, levava pau lá. Agora tem dono. E não estão mais fazendo reforma agrária nenhuma. Nem querem mais terra. Não sei mais o que eles querem. Então a realidade é essa. Ter dono não! Então não pode ser dono do Sepé, não pode ser dono de nada. Agora, não pode impedir que vá cultuar, claro que pode. Bom, então eu escrevi o livro, porque me empolgava desde os 15 anos o tema, Dr. Rui, a polêmica toda essa, e porque eu fiquei vizinho da Biblioteca Pública de São Paulo. Depois eu fui por 18 anos vizinho da [Biblioteca Pública de] Porto Alegre. E lá se acha essas coisas, e se vê onde pode ter mais, foi onde eu li o livro do Padre Seppe. Outra coisa, eu tinha estudado alemão, francês, isso me ajudou na pesquisa. O livro do Padre Seppe era em alemão, eu li com dificuldades.
Kenny – Para fechar eu teria duas perguntas: O escritor tem necessariamente compromisso com a transformação da sociedade ou ele pode ficar indiferente ao que vê diante de seus olhos? E a segunda é a seguinte: O Dr. Brizola está fazendo falta?
Cheuiche – Mas vamos começar pela segunda. Muita falta. O Brizola, no meu entender, agora é a hora em que ele seria presidente da República. Agora sim. O escritor, no meu entender, tem que ter uma posição ideológica. O exercício do partido político é muito complicado, porque daqui a pouco se decide, “olha, nós vamos apoiar o fulano e o senhor é do partido e tem que assinar”. Não, se eu não quero assinar eu não assino. Agora, um escritor sem ideologia… Até porque, ele tem que ter uma linha. Se vocês pegarem meus livros, vão ver que tem uma linha básica. O Gato e a Revolução eram os universitários da minha geração, lutando pela transformação da sociedade. Depois, Sepé, o maior exemplo de socialismo cristão, as Missões. Aí, Guerra dos Farrapos, pode falar o que quiser… “Ah, a Guerra dos Farrapos não ousou do ponto no sentido social”. Sabe que idade tinha o Marx em 1835? 17 anos, nem ele era marxista. E querem que os gaúchos sejam marxistas. Uma das lendas é que Bento Gonçalves não foi um bom general. Graças a Deus. Ele foi uma figura humana extraordinária. O Bento parava quando tinha que parar. Como ele não tomou São José do Norte, quando o vento virou, ele poderia ter tocado fogo em São José do Norte. E ele, não, não vou fazer isso. Até o Garibaldi não gostou. Foi uma atitude extraordinária. Agora, tu acha que o Garibaldi, Bento Gonçalves, toda essa gente ia lutar só pelo preço do charque. Não… Outra coisa que as pessoas esquecem, o Bento Gonçalves não era só general, ele era deputado, a nossa Assembléia foi aberta em abril de 1835. Ele era deputado e era a figura mais importante dos liberais. Então, quando eles fecharam a Assembléia em julho, é que ele saiu a juntar gente para fazer a revolução. O negócio dos escravos. Agora estão querendo atirar o movimento negro contra a Guerra dos Farrapos. Mas meu amigo, pela primeira vez, e quem fez isso foi João Manuel de Lima e Silva, que era tio de Caxias e dois anos mais moço, e está enterrado em Caçapava. O João Manuel de Lima e Silva é uma figura fantástica, porque ele era irmão do príncipe regente e era republicano e teve a coragem de vir para cá fazer uma revolução republicana. Ele que criou o regimento dos lanceiros negros, quando tomaram Pelotas. Ele abriu as senzalas, abriu as charqueadas e disse “vocês estão livres. Agora se quiserem lutar por essa liberdade, tá aqui o fardamento e vamos lutar. Mas não é digno?…
Kenny – Não tinha que lutar obrigatoriamente…
Cheuiche – Isso não. Agora, por que eles não terminaram totalmente com a escravatura? Porque se eles fizessem isso, quem iria trabalhar nas fazendas? Esse é um pragmatismo errado, sob o ponto de vista do Rossetti, um ideólogo maravilhoso, gente que vinha da Europa, com idéias. Tentaram fazer. Agora, a Guerra dos Farrapos foi importantíssima, a primeira república do Brasil que durou dez anos, e abriu a catarinense. E daí começou a se ter uma idéia de que o se queria verdadeiramente era um regime federativo, as repúblicas independentes reunidas no Brasil numa federação republicana, que era o desejo deles fundamental. Então, seguindo meus livros todos. Mestiço de São Borja. Mais uma vez, o Osvaldo é uma pessoa idealista, que luta pela ecologia, passa pela morte, o suicídio do Getúlio, o nacionalismo do povo brasileiro. Agora, eu posso errar, não sou dono da verdade, mas tem coerência. Por que o Santos Dumont? Sabe quando é que eu resolvi? Quando eu fiquei sabendo que ele ganhou o maior prêmio quando ele deu a volta na Torre Eiffel, seria hoje algo como R$ 500 mil. Quando ele recebeu aquele prêmio, o que ele fez? Pegou todas as pessoas que tinham trabalho com ele, inclusive viúvas, e distribuiu metade do dinheiro entre todos que tinham trabalhado e estavam trabalhando. A outra metade, naquela época, os pequenos artesãos eram muito importantes para o país, e quando eles ficavam mal de dinheiro empenhavam o objeto. Por exemplo, a passadeira empenhava o ferro, o jardineiro, o material de jardim, o outro o serrote, o martelo. E depois não conseguiam retirar. Ele foi lá, pagou para tirar todos os utensílios de trabalho, e o dinheiro que sobrou ele entregou para distribuição entre os miseráveis, pobres.
Kenny – Qual tua reação quando ouve dizer que as pessoas ditas nacionalistas são superadas e atrasadas?
Cheuiche – Risos…. Olha, só posso dizer o seguinte. Para poder viver num mundo equilibrado, temos que saber defender nossa cultura, temos que saber viver em harmonia com todos, mas temos que ter identidade própria. E saber nos defender. Imaginem que nós no Rio Grande do Sul, que temos essa posição forte, de respeito a nossas raízes…. Uma vez chegou um americano aqui, e eu fui mostrar Porto Alegre, e liguei o rádio no carro e só tocava música americana, uma pior do que a outra. Claro, daqui a pouco eu achei. E ele me disse assim: “Engraçado, essas músicas que eu escuto aqui eu nunca escuto nos Estados Unidos”. Quer dizer nos atiram o lixo cultural…
Elmar – Para fechar essa entrevista, tens que falar das oficinas literárias, que é um trabalho importante.
Cheuiche – Há cinco anos, senti que estava na hora de passar algumas coisas que eu aprendi na literatura. Eu estava completando 35 anos de literatura, agora estou completando 40 anos, que foi o meu primeiro livro de poemas. E eu senti que tinha muita coisa para passar. E eu já acompanhava o trabalho do Assis Brasil, querido amigo meu, sou um pouco mais velho que ele, mas a nossa carreira literária é mais ou menos da mesma época, e eu admirava o trabalho dele nas oficinas. Então, eu procurei ele lá na PUC e ele me passou todo material. Eu disse: “Assis, eu quero fazer na Urcamp”. O diretor da Faculdade de Comunicação da Faculdade de Bagé, Orlando Brasil, me convidou para dar a oficina. Que seria em Caçapava e Bagé. Falei com Assis ele me deu tudo, 15 anos de trabalho, foi até demais. Eu resolvi adaptar, claro, a minha maneira. E aí fiquei apaixonado pela oficina. É uma beleza, tanto para quem dá quanto para quem recebe, primeiro porque são grupos pequenos, de pessoas que querem estudar, que querem aprender. Eu tive um caso de uma turma com duas alunas, uma com a idade mínima, 14 anos – a máxima não tem, e outra com 84 anos. Ano passado o Ostermann, até na Feira, ele me pediu: “Eu quero essas aí, uma com 14 e outra com 84”. Foi sensacional, o Ostermann fez a entrevista, precisa ver a harmonia daquelas duas pessoas. Ah, e não deixo senhoria, todo mundo no seu primeiro nome, eu sou o Alcy… São umas 10 pessoas, 12 pessoas, no máximo 15 pessoas.
A obra do patrono
Alcy Cheuiche publicou seu primeiro romance em 1967 – O Gato e a Revolução. Oito anos depois lançou Sepé Tiaraju – Romance dos Sete Povos das Missões, que já teve seis edições brasileiras, duas no Uruguai e uma na Alemanha. Ana Sem Terra é seu livro mais popular no país, que totalizou 8 reedições. Com A Guerra dos Farrapos, Cheuiche conquistou o Prêmio Literário Ilha de Laytano. O livro de crônicas Na Garupa de Chronos foi o vencedor do Prêmio Açorianos em 2001.
Também recebeu os troféus RBS e Laçador para Nos Céus de Paris – Romance da vida de Santos Dumont, que ganha sessão de autógrafos na segunda-feira, 31 de outubro. Nesse dia, o autor estará autografando todos os outros nove romances, a peça de teatro O pecado Original, os dois livros de crônica e os quatro volumes de poesia publicados até hoje. Entre eles o mais recente é Antologia Poética, que a Martins Livreiro lança nesta Feira.
Livros publicados
* O Gato e a Revolução (2ª Edição – AGE)
* Sepé Tiaraju – Romance dos Sete Povos das Missões (6ª Edição no Brasil – AGE, 2ª Edição no Uruguai – Banda Oriental e 1ª Edição na Alemanha – Editora Evangélica Luterana)
* O Mestiço de São Borja (5ª Edição – Sulina)
* A Guerra dos Farrapos (4ª Edição – Mercado Aberto, 1ª Edição Pocket – mercado Aberto).
* Ana Sem Terra (8ª Edição no Brasil – Sulina, 1ª Edição na Alemanha – Editora Evangélica Luterana)
* Lord Baccarat (3ª Edição – AGE)
* A Mulher no Espelho (3ª Edição – AGE)
* Nos Céus de Paris – Romance da Vida de Santos Dumont (3ª Edição Pocket – L&PM)
* Jabal Lubnàn, as aventuras do mascate libanês (1ª Edição – Sulina)
* Sepé Tiaraju – Revista em Quadrinhos (3ª Edição – PontoCom)
Crônica
* O planeta Azul – esgotado
* Na Garupa de Chronos (Sulina)
Teatro
* O Pecado Original – Mercado Aberto
Poesia
* Meditações de um Poeta de Gravata – Esgotado
* Entre o Sena e o Guaíba – Esgotado
* Versos do Extremo Sul – Esgotado
* Antologia Poética – Martins Livreiro Editores