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  • Santiago: o homem que conhece o Mário

    Cartunista sofreu verdadeiras sessões de tortura para reunir as piadas (Foto: Tania Meinerz)

    Naira Hofmeister

    Conhece o Mário? A piada é velha, mas ainda tem muita gente que cai. Tanto que a capa do livro (L&PM, 2006, R$ 8) traz o alerta: “Pequeno e utilíssimo dicionário de empulhas e pegadinhas”. Menos fruto de pesquisa do que de vivência, a antologia de sacanagens leva Santiago de volta às rodas de chimarrão que freqüentou na cidade natal, onde, “quando chovia e nada se tinha para fazer, os homens se reuniam para testar suas frases engenhosas e provocar os companheiros”.

    O volume, com pouco mais de 108 páginas reúne cerca de 200 empulhas que o cartunista coletou: algumas ele jamais esqueceu, outras vieram de colaborações de “seríssimos e austeros pais de família”, como os colegas Kayser, Guaraci Fraga e Edgar Vasques. A atualização também demandou freqüentes idas aos butecos que, segundo Santiago, substituem muito bem as reuniões no rancho.

    Munido de lápis, papel e um copo de cerveja, Santiago registrou todo o tipo de brincadeira entre os amigos. Homens, todos. “O livro deveria ter uma tarja: ‘proibido para mulheres’”. Respeito com as damas? Não. “É que elas não entendem nunca e se torna ainda mais engraçado quando a brincadeira é velada”, caso que também ocorre quando a empulha é aplicada ao patrão. “Acaba tendo um sentido de vingança”.

    Brincadeiras à parte, Santiago reconhece que a prática da empulha é machista. “É uma afirmação entre homens, um território a ser preservado”. Paradoxalmente, a brincadeira maliciosa deve ter, obrigatoriamente, cunho sexual. “É engraçado porque remete ao universo da homossexualidade, porque sempre um que tenta comer o outro”.

    Para organizar a coletânea, o autor se submeteu a consecutivas sessões de tortura perante os amigos. “Fiz muito papel de idiota para aprender”. Ele garante que essa é a regra principal do empulhador, tem que cair na pegadinha para poder passar adiante. “Se não, o cara não vai te explicar”.

    É o que acontece com uma piada da série ‘conheces o fulano’. Numa nota, Santiago explica que a pergunta “Conhece o Nivrinhas?” era usada pelo sogro do Kayser, que morreu sem revelar a resposta. “Virou uma espécie de Rosebud das pegadinhas”, referindo-se ao filme Cidadão Kane, de Orson Welles, cuja narrativa envolve a busca de um repórter pelo significado da palavra dita pelo protagonista antes de morrer.

    As piadas são divididas por temática. Desde a categoria do nome próprio, como a que dá titulo ao livro, as de tempo (“Quente fez hoje, mas quente fará amanhã”), de bichos (“O cão que late na água, late em terra?”), de comidas e bebidas (“Se eu cozinho, é só prá mim”), e as ‘do verbo dar’ (Se tu pegares essa rua, onde é que tu vais dar?), entre outras 12 espécies diferentes.

    O último capítulo é dedicado às empulhas modernas, criadas por mentes maliciosas dos grandes centros urbanos, que dão seqüência à tradicional brincadeira dos pampas: “Se tu tens internet, eu posso botar no teu e-mail?”.

    Santiago também ilustra grande parte das engenhosas frases. “Nesse tipo de desenho não posso jamais contar o final, porque o grande momento da empulha é a surpresa”, alerta. O cartunista ainda dá uma de bonzinho e explica algumas brincadeiras no livro, “para aqueles que não estão familiarizados com a empulha” e fornece os contra-venenos para o sujeito não ficar com cara de tacho diante de uma pegadinha.

    A piada que ilustra o título do livro, por exemplo, pode ser rebatida com “O Mário trocou de nome e agora tá comendo os otários”, ou ainda “O Mário trocou de profissão e tá comendo adivinhão”.

    O livro é um sucesso tremendo: vendeu os 4 mil exemplares da primeira edição em 15 dias e está sendo reimpresso para o lançamento na 52ª Feira do Livro. Para a ocasião, Santiago não teve tempo de atualizar as brincadeiras.

    “Achei que tinha esgotado as listas, mas já recebi contribuições desde a publicação”. O cartunista revela uma delas, com exclusividade: “Se tu tem um caminhão e tem que levar uma carga de ferro, tu prefere levar ferro até em Tupi ou levar ferro até em Joar?”.

    Santiago autografa Conhece o Mário? na quarta-feira, 1° de novembro, às 18h30. Pode ir pra fila tranqüilo, leitor, mas abre o olho com quem vem atrás.

  • Prefeitura apresenta primeira parte da nova licitação do lixo

    Helen Lopes

    A Prefeitura de Porto Alegre apresentou nesta terça-feira, 31 de outubro, em audiência pública, as regras para a nova licitação da limpeza urbana. Os primeiros editais serão para coleta de resíduos sólidos e capina das vias públicas e irão custar R$ 34 milhões por anos aos cofres públicos. Em cinco anos, tempo de vigência dos contratos, esse valor chegará a R$ 171 milhões – mais da metade da quantia estimada no certame cancelado que era de R$ 305 milhões.

    Para dar mais competitividade e evitar as suspeitas de favorecimento de grandes empresas, a coleta de resíduos sólidos foi dividida em três contratos: coleta domiciliar, de resíduos públicos e especial.

    Entre as exigências da coleta domiciliar está a adequação dos equipamentos para entrar em vilas populares, becos e vielas. O custo estimado desta licitação é de R$17 milhões por ano. A tonelada coletada passará de R$ 53,88 para R$ 64,71, o que representa um acréscimo de 20% no valor pago atualmente.

    De acordo com o coordenador do grupo de trabalho que formulou as orientações, Roberto Bertoncini, a elevação se deve a variação dos impostos, custos operacionais da empresa e redução da quantidade coletada.

    A coleta de resíduos públicos irá abranger o recolhimento e o transporte dos resíduos da varrição, roçada das vias públicas, áreas verdes, praças e parques, limpeza de terrenos baldios, de órgãos públicos, de praias, de córregos e por mutirões de limpeza. O serviço também ficará responsável pela coleta de materiais dispostos irregularmente em vias públicas.

    Este contrato deve custar anualmente R$ 7 milhões – o que representa um aumento de 61%. Hoje a Prefeitura gasta R$ 49,80 por tonelada coletada, com o novo contrato passará a pagar R$ 69,29. Bertoncini justifica que a variação se deve a ampliação do serviço e ao aumento dos custos dos insumos e mão-de-obra.

    A coleta especial, que hoje é feita por servidores do DMLU, será totalmente terceirizada. O serviço inclui a coleta manual e mecanizada dos resíduos sólidos de estabelecimentos comerciais, industriais e de prestação de serviços.

    O outro serviço licitado será a capina em vias públicas, que excluirá os bairros Centro, Bom Fim, Farroupilha, Cidade Baixa e parte do Marcílio Dias, Floresta, Independência, Azenha, Menino Deus e Praia de Belas, devido ao grande número de veículos estacionados. Esta é a única licitação com valor estimado menor do que o gasto atualmente – passará de R $450,00 por km de sarjeta capinada para R$ 347,48.

    Em todas as licitações será vedada a formação de consórcios. Os editais serão desenvolvidos pela área de Compras e Serviços da Secretaria Municipal da Fazenda e lançados a partir de 24 de novembro.

    Até 2008, estão previstas outras cinco licitações, contemplando os serviços de varrição mecanizada, varrição manual (zona norte), lavagem de logradouros públicos, manutenção urbana (zona norte) e limpeza de monumentos; construção dos ecopontos; destino final dos resíduos sólidos; coleta seletiva e dos resíduos dos ecopontos; e transporte dos resíduos da estação de transbordo para o destino final.

    Privatização

    Os funcionários do DMLU e representantes do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (SIMPA) alertaram que a total terceirização dos serviços do órgão será irrecuperável a longo prazo. “Os funcionário estão sendo deslocados sem consulta ou se obrigam a sair por pressão”, denunciou o dirigente do SIMPA, Raul Jacoboni.

    Para os vereadores Sofia Cavedon e Carlos Comassetto, ambos do PT, o processo está mais transparente, mas é necessário mais esclarecimento sobre os gastos desses novos serviços e as funções que caberão ao DMLU.”Pelo números apresentados, os custos vão dobrar”, afirma Sofia.

    Conforme o novo modelo de limpeza urbana, o DMLU ficará responsável pelos serviços de operação e manutenção de inertes, monitoramento dos aterros Extrema e Norte, operação da estação de transbordo e operação dos ecopontos.

    Reciclagem

    O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) questionou se as empresas contratadas terão direito de separar o lixo. Bertoncini assegurou que as prestadoras de serviços não terão propriedade sobre o material e que a Prefeitura encaminhará discussão sobre os galpões de reciclagem e as carroças em novembro.

  • Conflito entre índios e moradores no Morro do Osso esquenta


    Cacique: “Quero mais respeito” (Foto: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Moradores do bairro Tristeza prometem agitar o movimento contra a presença dos índios Kaingang no Parque Natural Morro do Osso. Eles não querem que a comunidade indígena more na entrada do parque, apesar da permissão da Justiça Federal. “Vamos nos reunir para ver como agir” disse ontem ao JÁ o publicitário Alfredo Fedrizzi, que no sábado passado teve um incidente com o cacique Jaime Alves, quando passeava no parque.

    Sócio-diretor da Escala Comunicação & Marketing, Fedrizzi estava acompanhado de sua filha de 16 anos e segurava dois cães da raça Fila, que são treinados para proteger a sua mansão nas proximidades do parque. Ao entrar na área verde pela rua Padre Werner, onde os índios tem as suas casas de madeira, os cachorros chamaram a atenção das crianças indígenas.

    O publicitário diz que apenas pediu para que elas não chegassem perto porque os animais poderiam morder. Mas o cacique entendeu como uma ameaça. “Vi ele dizendo para saírem de perto se não ia soltar os cachorros. As crianças só estavam brincando”,diz.

    Na volta da caminhada, o chefe da tribo abordou Fedrizzi para saber porque ele tinha ameaçado as crianças. “Fui mostrar quem manda na tribo e pedir mais respeito”, justifica o cacique. A conversa acabou em bate boca e acusações. “Ele ameaçou chamar a policia e eu disse: então chama”, afirma Jaime. Só que a Brigada Militar demorou mais de uma hora para chegar no local.

    Enquanto isso, a filha de Fedrizzi foi para casa chamar a mãe. O publicitário queria ir embora, mas o cacique disse para ele ficar. “Se ele chamou a polícia tinha que ficar até eles chegarem”, diz. Ambos realizaram boletim de ocorrência. O índio por “maus tratos às crianças” e o empresário por um suposto seqüestro relâmpago. “Fui impedido de sair”, justifica.

    Briga de vizinhos?

    O episódio reflete o clima tenso entre índios e moradores, que começou com a ocupação da tribo em 2004. Na época, o secretário do Meio Ambiente, Beto Moesch, entrou em atrito com os índios e foi agredido.

    Com o apoio do secretário e das associações de bairro, os moradores alegam que “o parque é para todos” e que eles não tem direito de morar ali. “O cacique disse que eu tinha que pedir permissão para entrar no parque”, protesta Fedrizzi.

    Do outro lado, Jaime discorda: “Só pedi mais respeito quando ele passar por aqui”. Ele lembra que muitos moradores do bairro tristeza “sempre cumprimentam quando passam pela tribo”.

    Os índios alegam que o Morro do Osso, uma área de alto valor imobiliário, tem resquícios de artefatos de índios, e, portanto, poderia ser transformado em reserva indígena. A Justiça Federal autorizou no inicio do ano que eles permaneçam onde estão enquanto é realizado um laudo antropológico. A justiça também negou o pedido da Secretaria Municipal do Meio Ambiente para que as crianças fossem retiradas das suas famílias. A secretaria disse que elas andavam de pés descalços, e por isso estariam mal cuidadas.

  • Gre-Nal da literatura na Feira do Livro

    Naira Hofmeister
    A partir das 17h30 dessa segunda-feira, 31 de outubro, gremistas e colorados farão um clássico diferente: ao invés da bola, a caneta. Não no campo, mas no papel, dois ilustres representantes das maiores torcidas de futebol do sul do país autografam seus livros na 52ª Feira do Livro de Porto Alegre. A rivalidade entra em campo e antecipa o confronto Gre-Nal pelo Brasileirão, que acontece no próximo domingo, em Porto Alegre.
    Kenny Braga defende INTER, Orgulho do Brasil (JÁ Editores, 200 páginas R$ 24,00) e Luiz Zini Pires, 71 segundos – O Jogo de uma Vida (L&PM, 118 páginas, R$ 18,00). O colorado entra ‘em campo’ às 17h30, exatos 120 minutos antes do adversário tricolor.
    Apesar da temática comum, as obras diferem entre si. Kenny Braga narra uma história que dura quase cem anos, atravessando os clássicos momentos do Internacional de Porto Alegre: as primeiras reuniões, nos idos de 1900, o time do Rolo Compressor na década de 40, a construção do Gigante da Beira Rio e a recente conquista da Copas Libertadores da América, em agosto desse ano. Kenny lista 25 perfis de joagdores, técnicos e dirigentes que marcaram a trajetória do clube, entre eles, Ildo Meneghetti, Tesourinha, Figueroa, Falcão, Rafael Sobis e Fernandão.
    Já Zini Pires se atém aos minutos passados no Estádio dos Aflitos – nome que o próprio autor refere como profético –, na final da série B do Brasileiro de 2005. Na partida o Grêmio sagrou-se campeão e retornou ao grupo principal do futebol brasileiro, operando um milagre em campo. Os gremistas já estavam incrédulos quando, aso 60 minutos do segundo tempo – após paralisação e da expulsão de 4 jogadores – o meia Anderson marcou conduziu a bola do meio de campo até o lado esquerdo do gol adversário e marcou: 1 X 0.
    Resta aos torcedores empunhar a bandeira, colocar o livro embaixo do braço e não esquecer o radinho, porque a mídia garante que não vai perder um lance do confronto.

  • Feira do Livro é palco de 700 lançamentos

    Naira Hofmeister
    Serão 668 sessões de autógrafos na 52ª Feira do Livro de Porto Alegre, que perfazem um total de 713 títulos. Cerca de 1.600 autores estarão no evento – não apenas lançando novas obras, mas participando de debates e oficinas.
    Frei Betto, intelectual e religioso que chegou a ocupar um cargo no governo Lula, autografa A Mosca Azul, da editora Rocco. Na obra, uma revisão da ascensão do PT ao poder vinculada à recente história da esquerda no Brasil e no mundo.
    O autor Daniel Galera lança Mãos de cavalo, pela Companhia das Letras, um romance sobre memória, perda e culpa, que envolve três personagens aparentemente desconexos.
    A Objetiva traz a Porto Alegre Nelson Motta, que autografa a ficção Ao som do mar e À luz do céu profundo. No efervescente Rio de Janeiro de 1960, a chegada de uma garota americana louca por futebol, carnaval e lança-perfume muda a vida do pacato Bairro Peixoto, pequena cidade encravada em Copacabana.
    Outro jornalista, Fernando Morais, autografa Na Toca dos Leões – A história da W/Brasil. Nesta reportagem, o mundo da publicidade é mostrado sem maquiagem. De suas quase 500 páginas emergem sucessos, polêmicas, acusações de traições, segredos até agora guardados a sete chaves e dramas pessoais, como o seqüestro de Washington Olivetto, revivido em detalhes que permaneciam inéditos.
    A Feira recebe ainda Caco Barcellos, que autografa O Abusado, da Record, narrativa que tem como protagonista Marcinho VP, ‘dono’ do Morro Santa Marta, e Carlos Dorneles, autor de Deus é inocente, a imprensa não, da Editora Globo.
    Ivan Izquierdo lança Releituras do óbvio, pela editora da Unisinos. Na obra, o pensador argentino expressa sua opinião a respeito dos mais diversos assuntos, desde inquietações filosóficas a questões sobre memória; sua preocupação pela língua portuguesa, seu desprezo pelas ideologias e sua oposição a toda e qualquer guerra ou totalitarismo.
    Veja os destaques de algumas editoras:
    AGE
    A AGE Editora terá 43 lançamentos. Na onda do filme What the bleep we really are?, Moacir Costa de Araújo Lima apresenta em seu livro Afinal, Quem Somos!, que traz respostas surpreendentes sobre o que é realidade; quanto dela percebemos; como aumentar nossa percepção e qual o grau de influência de nossa consciência nos acontecimentos. A editora também apresenta uma investigação dos aspectos mais salientes da obra de Erico Verissimo, vistos tanto sob a roupagem poética, como também sob a luz da retórica, apresentada por Fábio Lucas, em seu livro Ética e Estética de Erico Verisimo. Em Rapsódia em Berlim, Pedro Stiehl apresenta sete contos com histórias independentes. O autor divide a obra em narrativas urbanas, “perspectiva amorosa”, e rurais, “perspectiva gaúcha”.
    L&PM
    A editora protagoniza 17 sessões de autógrafos, entre elas, Nos Céus de Paris, obra do patrono da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre, Alcy Cheuiche, cujo personagem principal é Santos Dumont, brasileiro que ficou conhecido mundialmente ao dar pela primeira vez a volta na Torre Eiffel com um dirigível. Seguindo a linha histórica, O crepúsculo da arrogância, de Sergio Faraco, relata a combinação de erros, pretensão, arrogância e desinformação que resultou na tragédia mais improvável do início do século XX: o naufrágio do Titanic. Ainda na lista de autores da casa, Cláudio Levitan, com Pimenta do reino em pó, e os campeões de vendas do ano passado Jose Antônio Pinheiro Machado, autor de Receitas da Família e Dr. Fernando Luchesse que participa com Fatos & Mitos sobre sua saúde.
    Tomo Editorial
    Encontros com o Professor: cultura brasileira em entrevista vol. 1, que documenta a série de entrevistas de Ruy Carlos Ostermann com 22 nomes da cultura gaúcha, entre eles, Luiz Antônio de Assis Brasil, Carlos Gerbase, Luís Augusto Fischer, Moacyr Scliar e Lya Luft. O volume dedicado à Platão, da série Filosofinhos, leva para a linguagem infantil o pensamento do grego, que foi discípulo de Sócrates.
    Sulina
    Comunicação Monoteísta, de Álvaro Larangeira, compara os discursos do Partido dos Trabalhadores e da Rede Brasil Sul. Segundo Larangeira, na aparência são incompatíveis, na essência, semelhantes e na pratica, complementares porque possuem visão de mundo monocórdia. Histórias passadas dentro de um táxi compõem Taxitramas, de Mauro Castro, condutor e, agora, escritor. Quem espera, no entanto, encontrar no livro um relato puro e simples do dia-a-dia de um taxista pode ter algumas surpresas. O escritor utiliza uma linguagem bem humorada e narra situações que vão do drama à comedia.
    WS Editor
    Quintana, poeta ou personagem? Um seria maior que o outro? Mario Quintana uma vida para a poesia, de Luís Augusto Fischer e Sérgio Luís Fischer é um livro que aproxima o leitor do grande poeta, que terminou sua vida, consagrado entre os gaúchos. Mas o início da carreira, como narram os autores, foi duro e solitário. Quintana trabalhou como tradutor e jornalista e teve uma experiência militar na Revolução de 30.
    A novela A História do Goleiro Inviolável, de Gabriel Neves Camargo, narra as estórias de um atacante fracassado e impotente sexual, decidido a se matar que acaba marcando o único gol que sofreu o goleiro inviolável. Dois homens que se confrontam, sem imaginar o quanto um depende do outro para realizar seu destino. Em Um Retrato a lápis, Cristina Foresti Piccoli, traz uma narrativa psiquiátrica cujo personagem principal é Michel, um homem que busca se encontrar e entender quem realmente é.
    JÁ Editores
    JÁ Editores faz sua maior participação na Feira do Livro de Porto Alegre, depois de cinco anos participando do evento. Além dos autógrafos de Kenny Braga, com INTER, Orgulho do Brasil, e de Maria do Carmo Campos e Martha Geralda Alves D’Azevedo, autoras de Protasio Alves e o seu Tempo, 1859-1933, a editora lança quatro novos títulos e reedita a obra Lanceiros Negros, de Geraldo Hasse e Guilherme Kolling, que teve a primeira edição esgotada.
    O resgate da trajetória do jornalista Carlos Reverbel, realizado por Elmar Bones e Cláudia Laitano resultou em Carlos Reverbel – textos escolhidos, uma compilação de crônicas, reportagens, ensaios e três livros inteiros. Ayrton Centeno assina o primeiro volume da Coleção Vidas da editora, com a publicação do perfil de Henrique Luís Roessler, em Roessler – O Primeiro Ecopolítico. Geraldo Hasse também autografa Eucalipto – Histórias de um Imigrante Vegetal, que traça a trajetória da monocultura mais debatida nos últimos anos no Estado.
    A professora de inglês Elisabeth Horn apresenta o livro-agenda, Inglês no seu dia-a-dia, em que para cada dia do ano há um provérbio em inglês e seu correspondente em português e uma regra de gramática. Também traz uma listagem de verbos irregulares e outra, de phrasal verbs (relação de expressões nas quais alguns verbos ganham significados diferentes  quando combinados com preposições).

  • Está aberta a temporada do livro na Praça da Alfândega

    Sineta marcou abertura oficial da Feira 2006 (Fotos: Cristine Rochol/PMPA/JÁ)

    Naira Hofmeister

    O Armazém B do Cais do Porto se transformou, no final da tarde dessa sexta-feira, 27 de outubro, no palco do cerimonial de abertura da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre e recebeu convidados – ilustres e anônimos – da chamada ‘festa do livro’, que segue até 12 de novembro no centro de Porto Alegre.

    Simpático e simples, o mestre de cerimônia, Alcy Cheuiche cumpriu sua função, atendendo às inúmeras solicitações da imprensa, deixando claro que a ordem das entrevistas era ‘por chegada’. Frei Rovílio, que se despedia do cargo, também foi muito  requerido antes do início da solenidade.

    Às 17h45, uma apresentação de Taekô – um enorme tambor japonês – abriu os festejos, lembrando o país homenageado dessa edição. Alunos surdos da escola Frei Pacífico interpretaram na linguagem de sinais os hinos do Brasil e do Rio Grande do Sul.

    Entre os discursos, o primeiro, do presidente da Câmara Riograndense do Livro, Valdir da Silveira, lembrou a pesquisa encomendada pela instituição – que divulga os resultados na terça-feira, 31 – sobre índices de leitura e escolaridade no Rio Grande do Sul: “Sabemos que temos um Estado leitor e realizamos a feira para incentivar a formação do público. Mas também que o saber não está ao alcance de todos”. Silveira defendeu uma “guerra em favor da educação”, dando a deixa para Presidente do Instituto Gerdau, Beatriz Johannpeter, lançar a campanha “Todos pela educação”, que enfoca a melhoria do Ensino Básico no Brasil.

    Poesia nas falas dos patronos

    Frei Rovílio, patrono da edição 2005 do evento, subiu ao palco para a passagem oficial do cargo a Alcy Cheuiche, que capitaneia a 52ª Feira do Livro. O religioso lembrou que o território da Praça dos Jacarandás, ou da Alfândega, é do livro, mas que a literatura não se restringe mais ao meio físico das páginas e das prateleiras. “A palavra busca espaço, e encontra no Orkut, nos blogs e em outras ferramentas da Internet”. Lembrou que nem todos sobrevivem à seleção editorial, que nem sempre se orienta pela qualidade da publicação, mas que no “palco virtual, todos são autores”.

    Quando subiu ao palco, Alcy Cheuiche invocou “Vossa Excelência Mário Miranda Quintana, para, em seu nome, saudar a todos os presentes”. Cheuiche também demonstrou a habilidade da narrativa oral, herdada do pai, numa metáfora sobre a poesia e o talento do colega.

    “Em outubro de 1906, três meses antes de o 14 Bis subir um pouquinho ao céu, um homem desceu voando em Alegrete e, com seu poder, atravessou as paredes de uma casa, ate chegar ao berço onde dormia um bebê de olhos azuis”. Continuou a história, revelando que o ‘anjo’ era Mercúrio, deus romano do comércio, que levou o menino ao Monte Olimpo, morada de todos os deuses. “Lá reunidos, eles decidiram o que seria feito daquela criança, que estava destinada a ser um grande entre os homens”. Ceres – divindade que representa a fertilidade – pediu que o menino fosse agricultor, Esculápio, que fosse médico. “Até que Apolo perguntou porque tanta discussão, se o garoto havia nascido poeta”.

    A metáfora de Cheuiche terminou com a mensagem de que a poesia atravessa as barreiras e pediu que na Feira que nasce na beira do Guaíba, a luz do mais belo pôr-do-sol, iluminasse o evento.

    Após os discursos do prefeito de Porto Alegre José Fogaça e do Governador Germano Rigotto – que entregou aValdir da Silveira um documento publicizando o patrocínio de R$ 660 mil da LIC e outros R$ 150 mil do Banrisul ao evento –, finalmente a tradicional cena que inicia a do Livro na Praça da Alfândega: o Xerife e sua sineta andaram por entre as barracas, levando aos ouvidos de todos, aquilo que já estava claro nos olhos que percorriam os títulos em exibição. Está aberta a temporada do livro na Praça da Alfândega.

  • Marilena Chauí propõe fortalecimento da mídia alternativa


    “Durante quatro anos, o presidente da República e o governo foram submetidos a um bombardeio” (Fotos: Helen Lopes/JÁ)

    Helen Lopes

    A filósofa e professora da Universidade de São Paulo (USP) Marilena Chauí esteve em Porto Alegre nesta quarta-feira, 25 de outubro, para realizar palestras em universidades. Ela falou com jornalistas na sede no Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Estado.

    Sem dar declarações à grande mídia desde o ano passado, Marilena criticou a atuação dos veículos nacionais na cobertura das eleições 2006 e propôs o fortalecimento da imprensa comunitária e alternativa, inclusive, através de subsídios do governo federal.

    Portando uma pasta azul, com documentos e as duas últimas edições da revista Carta Capital, a professora afirmou que os ataques da imprensa ao governo Lula começaram no dia dois de janeiro de 2002. “Nunca em toda minha vida vi uma coisa igual. Durante quatro anos, o presidente da República e o governo foram submetidos a um bombardeio”, disse.

    Para Marilena, as acusações “raras vezes eram a ações governamentais, mas sim dirigidas a pessoa do presidente ou a de algum ministro”, o que evidencia, na sua avaliação, um corte de classe. “É a luta de classes, no seu sentido marxista. Porque existe um conjunto de senhores do poder, do capital, contra um governo que, do ponto de vista da esquerda deixou muito a desejar, mas do ponto de vista da direita, fez  mais do que o povo brasileiro merecia”, analisa a filósofa. “Chegaram até a tipificar o eleitorado de Lula: pretos, pardos e podres. E também os não instruídos”.
    “Uma jornalista chegou a escrever que estava acontecendo um fenômeno preocupante para a democracia: o fato do povo estar contra a opinião pública. Esse idéia representa que a opinião pública é propriedade de um conjunto de intelectuais, jornalistas e empresários, detentores da verdade sobre a realidade social do país”, pondera.

    Na análise da professora, o denuncismo da mídia está “ligado ao fato de que o PFL e o PSDB não admitiram a eleição do presidente Lula”. Para Marilena é uma crise midiática que contou com a contribuição de alguns dirigentes do PT de São Paulo. “Eles ajudaram no desastre, nisso são imbatíveis”, ironiza.

    “A mídia produz o espetáculo e não permite que, em nenhum instante, as questões que subjazem a argumentação política possam aparecer. Por exemplo, até hoje, ninguém sabe porque o Roberto Jefferson criou aquele caso”, observa.

    Para Marilena, “não há como mudar a posição da grande mídia”. “Nem com a concessão máxima que este governo fez  com a TV digital.” Ela enfatiza, porém, que a comunicação é o coração de uma sociedade democrática.

    “Se não houver circulação de informação, se não houver conflitos que se exprimam, não há democracia”, entende. E alerta para o que acontece nos dias atuais. “A comunicação se tornou uma questão totalmente tecnológica e o conhecimento, uma força produtiva do capital. Assim, a informação se tornou uma força econômica e um poder”.

    A única solução para contrapor a padronização de pensamento e democratizar a comunicação “está na mídia alternativa, que esse governo não ajudou e precisa ajudar”, acredita. A filósofa propõe que, no caso de um segundo mandato, o presidente Lula ajude a estabelecer canais efetivos de comunicação comunitária. “Subsidiar a mídia comunitária e promover toda rede de uma estrutura alternativa é que temos que exigir”, defende.


    “Não há nada a fazer em relação ao comportamento da mídia, pode-se fazer o que eu tenho feito. Não dou entrevistas, não me relaciono. Eles não são meus soberanos”

    Restrições à grande imprensa

    Marilena Chauí é um dos mais importantes nomes do pensamento político brasileiro. Escreveu títulos como O que é Ideologia e Convite à Filosofia.

    Desde 2005, a professora não dá declarações à grande imprensa. Tanto que na sua visita ao Estado nesta quarta-feira, 25 de outubro, concedeu entrevista coletiva restrita a entidades sociais, sindicatos e ao Jornal JÁ.  “Não há nada a fazer em relação ao comportamento da mídia, pode-se fazer o que eu tenho feito. Não dou entrevistas, não me relaciono. Eles não são meus soberanos. Podem ter o império que tiverem, mas sobre mim eles não tem”, ironiza a intelectual.

  • O Dilúvio abandonado

    Ana Luiza Leal, especial para o JÁ

    O arroio Dilúvio – mais vergonhoso cartão-postal da “Porto Alegre, cidade da educação ambiental” – parece não perturbar mais o sono de ambientalistas e funcionários da prefeitura. Enquanto os defensores do verde alegam que só têm perna para “apagar incêndios”, ou seja, atuar em cima de infrações pontuais, o Programa de Despoluição da Bacia do Arroio Dilúvio (Pró-Dilúvio), da gestão municipal, completou um ano de lançamento com alguma teoria e pouquíssima ação. O riacho recebe por ano 50 mil metros cúbicos de terra e lixo, o que equivale a dez caminhões-caçamba cheios.

    Káthia Vasconcellos, vice-presidente do Núcleo Amigos da Terra (NAT/Brasil) admite que falta pressão na questão por parte das ONGs e justifica a ausência da entidade na briga pela recuperação do Dilúvio: “Faltam voluntários e dinheiro às organizações ambientalistas. Por parte do NAT, temos conhecimento das nossas limitações e acabamos priorizando certos temas, como a preservação dos parques”.

    A presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Edi Xavier Fonseca, não quis opinar e alegou não estar acompanhando a situação. Indicou contatar Sandra Ribeiro, representante da Agapan no Comitê do Lago Guaíba, que por sua vez, não estava a par da situação por motivo de viagem.

    Há ainda os que qualificam como “perda de tempo e dinheiro” os investimentos no arroio. É o caso de Gilson Tesch, da ONG Guardiões do Lago Guaíba. Para ele, o foco do governo deveria ser investir no que pode ser preservado, e citou como exemplo o Arroio do Salso. “Para começar, o Dilúvio não merece ser chamado de arroio: está mais para canal de dragagem. Só acho positivo porque talvez façam um trabalho de preservação das nascentes”, declara.

    A opinião de Tesch é contestada pela ONG Projeto Mira-Serra, única entidade que está efetivamente realizando um trabalho com o arroio. “O Dilúvio deságua no Guaíba. Bebemos a água captada do Guaíba. Logo, melhorar a qualidade do líquido do arroio é melhorar o que consumimos”, defende Lisiane Becker, coordenadora-presidente da organização.

    Em junho deste ano, o Projeto Mira-Serra foi contatado pela prefeitura para que fizesse um diagnóstico não-oficial dos pontos que apresentam maior contaminação. Constatou que a foz do Dilúvio, ligada ao Lago Guaíba, é a região mais poluída. “Não é possível tornar potável a água retirada naquele ponto, nem com toda a tecnologia que dispomos. O interessante é que tem um cano de uma Estação de Tratamento de Água do DMAE, que faz a captação do líquido não muito longe dali”, destaca Rogério Mongelos, membro fundador da organização e atual conselheiro.

    Contudo, ele destaca que o papel da ONG é somente o de identificar e mapear – “mudar fica a cargo da prefeitura”. Para Mongelos, os ambientalistas deveriam reunir esforços para forçar a criação de uma espécie de regulamento que obrigue as gestões municipais a seguirem um mesmo projeto e a cumprirem um cronograma de ações. “O que uma prefeitura constrói, a outra faz questão de destruir. Assim, nunca haverá solução”, polemiza.

    Pró-Dilúvio

    Os coordenadores do Programa de Despoluição da Bacia do Arroio Dilúvio atribuem a culpa pela demora de resultados na falta de divulgação das ações à comunidade e no fato de não poderem trabalhar exclusivamente para os projetos. O Pró-Dilúvio congrega atividades da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAM), Departamento de Esgotos Fluviais (DEP), de Águas e Esgotos (DMAE), de Limpeza e Urbanismo (DMLU) e Fundação de Assistência Social e Cidadania (FASC).

    A coordenadora do programa, Gislaine Lopes Menezes (SMAM), que está há dois meses no cargo, conta que as secretarias passaram um ano estruturando as funções de cada um. “Foi uma fase de diagnósticos e definição de prioridades. Tudo é feito em função do orçamento, que é apertado”, sustenta.

    Segundo Rogério Mongelos, da Mira-Serra, a maior falha do Pró-Dilúvio foi não ter buscado na academia o que já havia sido estudado sobre o arroio Dilúvio. “Trabalhos não faltam. Pouparia trabalho e daria muito mais retorno. Faltou vontade política. Mas, está começando a se estruturar um elo com a PUCRS”, comenta.

    O programa Esgoto Certo, cujo foco é o resíduo doméstico, é um dos carros-chefes do Pró-Dilúvio. Ele existe desde 1994, foi retomado no ano passado pelo DMAE. Uma equipe de 16 funcionários visita uma média de 600 residências por mês para verificar se as redes cloacal e pluvial estão separadas.

    Iara Marisa Perrone, técnica do departamento que trabalha no programa, confessa que a falta de divulgação compromete a eficiência do trabalho da equipe: “As pessoas não abrem a porta para estranhos, e o programa é desconhecido. Começou a mudar quando contratamos duas estagiárias que passam na casa das pessoas explicando o que é o Esgoto Certo e agendando a visita”.

    Não há ainda sequer um site hospedado no portal da prefeitura que explique o que é o Pró-Dilúvio e os seus projetos. O cidadão porto-alegrense que tiver interesse em conhecê-lo, pode entrar em contato com a SMAM e pedir uma espécie de cartilha, onde encontra a seguinte definição: “É um programa desenvolvido pela Prefeitura de Porto Alegre visando à melhoria da qualidade do arroio Dilúvio, também conhecido como riacho Ipiranga”.

    Melhoria da qualidade? A definição é um tanto vaga para Lisiane Becker, coordenadora-presidente do Projeto Mira-Serra, e para Káthia Vasconcellos, vice-presidente do Núcleo Amigos da Terra (NAT/Brasil). Além da estranha conceituação, o material impresso distribuído pela prefeitura se limita a explicar as ações desenvolvidas pelo DEP e DMAE.

    Outro destaque do Pró-Dilúvio é o Projeto de Reciclagem de Óleos de Fritura, do DMLU. A proposta era espalhar dez postos de coletas pela cidade para recolher esse óleo doméstico, e encaminhá-lo a instituições interessadas em comercializar o produto, já que o resíduo pode ser usado como matéria-prima na fabricação de sabão, resinas para tintas e massa de vidraceiro. A operação começaria a funcionar em agosto. Não foi o que aconteceu.

    A coordenadora da ação, Mariza Fernanda Reis, que está há cinco meses no cargo, conta que se um cidadão fosse hoje ao DMLU com seu vidrinho cheio de óleo sujo e boa vontade estampada no rosto, voltaria para casa com o vidrinho. “Ainda não temos estrutura para receber esse resíduo. Dos dez postos pretendidos, temos um, na Vila Pinto, que é tocado pela comunidade. Estamos na fase de elaborar o material de divulgação, definir como será a coleta e acertar com as empresas que reciclariam – até agora temos três parcerias”, afirma.

    Káthia Vasconcellos diz que, por enquanto, de concreto, só ouviu falar na dragagem entre as ruas Santa Cecília e Silva Só, e na retirada de 50 pessoas que moravam debaixo das pontes do arroio. “Trata-se de medidas paliativas: fica bonito no jornal, mas às vezes não são nem operacionalizadas, como é o caso do projeto de reciclagem dos óleos de fritura. As ações do Pró-Dilúvio são marketing verde”, opina.

    Sobre a retirada de moradores, há discordância entre as secretarias do governo. A polêmica veio à tona no II Seminário Arroio Dilúvio, ocorrido em 11/10, quando a gerente do Atendimento Social de Rua da Fasc, Patrícia Mônaco, disse aos presentes que esse tipo de atitude só leva a população de rua à “trocar de ponte”. Segundo ela, são necessárias medidas socioambientais para o sucesso do programa. “A mentalidade do limpar a área retirando lixo e gente precisa ser mudada. Se não oferecerem condições para eles saírem de lá, o arroio continuará ameaçado”, explica.

  • Lojistas aprovam projeto Portais da Cidade


    Os lojistas almoçaram e tiraram dúvidas sobre a iniciativa (Foto: Divulgação/JÁ)

    Carla Ruas

    Em reunião-almoço nesta quarta-feira, 23 de outubro, a Prefeitura de Porto Alegre apresentou o projeto Portais da Cidade aos representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre. O encontro aconteceu na sede da entidade, no Centro, e teve um resultado positivo. Os lojistas aprovaram a iniciativa, que deve ser implantada em 2007.

    Segundo o presidente da entidade, Vilson Noer, o grupo queria se interar das mudanças e verificar se prejudicam ou beneficiam as lojas do centro. Para ele, é  um projeto rico e ousado, mas a categoria está “entusiasmada para qualificar o Centro”. A única dúvida que permanece é referente ao tráfego de pessoas e o acesso ao comércio. “Ainda é uma questão em aberto. Queremos ver na prática como vai funcionar”.

    O secretário de Gestão e Acompanhamento Estratégico, Clóvis Magalhães, admite que a recepção favorável dos lojistas é surpreendente. “Nós asseguramos que as pessoas vão continuar chegando no Centro e que vai aumentar a qualidade do bairro”. Magalhães afirma que a “ambiência” do Centro vai melhorar para os clientes, através de acessibilidade, conforto e segurança.

    O secretário da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Luiz Afonso Senna, diz que o projeto vai diminuir os níveis de poluição e o tempo de espera e deslocamento dos usuários do transporte coletivo. A implantação da iniciativa terá apoio privado e acontece a partir do próximo ano.

    O Portais da Cidade prevê a construção de três “portais” para as linhas de ônibus que hoje vão até o centro da cidade – terminal Cairu, terminal Azenha e terminal Largo Zumbi Açorianos. Será criada uma linha especial circular, racionalizando a circulação do transporte coletivo na área central.  Está prevista, também, a construção de túneis nas imediações da Rodoviária (Conceição / Júlio de Castilhos / Mauá) e na Borges de Medeiros com Salgado Filho.

  • Jornaleiros boicotam produtos da RBS


    Cláudio Calmo: “Eles estão enriquecendo e nós estamos ganhando menos
    (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Os jornaleiros de Porto Alegre estão em pé de guerra com a maior empresa de comunicação do Estado – o Grupo RBS. Proprietários de bancas se recusam a vender os produtos que vêm agregados aos jornais Zero Hora e Diário Gaúcho, como CD´s, DVD´s e livros. Eles alegam que a empresa reduziu a comissão paga aos jornaleiros por estes itens, de 25% para 15%.

    Dono de uma banca há dois anos na avenida Cavalhada, Cláudio Calmo é um dos mais engajados na causa. Segundo ele, dois terços das bancas da cidade estão fazendo parte do boicote. “É uma indignação coletiva. Eles não estão repassando o que é justo para o ponto de venda”.

    Calmo afirma que a empresa justificou a ação dizendo que queria reduzir o preço final para o consumidor. “Mas isso é mentira, porque o preço dos DVD´s até subiu”. Ele alega que está havendo uma transferência de renda do jornaleiro para o Grupo RBS. “Eles estão enriquecendo e nós estamos ganhando menos”.

    O jornaleiro acredita que só o tempo irá dizer se o movimento vai repercutir nos lucros da RBS. Cogita ainda parar de vender os prórpios jornais, se a empresa mantiver os mesmos índices de repasse. “Com 15% de comissão, ganharia somente nove centavos por cada Diário Gaúcho”.

    Quando um cliente pergunta por um dos produtos, ele faz questão de explicar o porquê do boicote com um panfleto impresso. O comunicado já está sendo copiado por seus colegas e enviado pela Internet através da Associação dos Jornaleiros. “A maior parte dos consumidores entende e acha a causa justa”, garante.

    Mas na Osvaldo Aranha, em frente ao Banco Santader, o cliente encontra os produtos. O dono da banca, Adroaldo Moreira Vieira, concorda que a comissão repassada é abusiva, mas prefere não aderir ao movimento. “Não quero deixar meus clientes na mão”, justifica. Ele teme ver a clientela migrar para outras bancas. “Se ele não acha na minha, vai procurar no concorrente”.

    Os donos de banca de Porto Alegre seguem os exemplos de outros movimentos semelhantes que já ocorreram pelo Brasil. No ano 2000, em São Paulo, foi assinado o primeiro acordo comercial entre vendedores de jornais e empresas de comunicação. Após um boicote, a categoria conseguiu que os grupos Folha e Estado repassassem 25% das vendas dos produtos agregados aos jornais.

    Em agosto deste ano, em Santa Catarina, os jornaleiros conseguiram evitar que a RBS estabelecesse uma comissão baixa para o recém lançado jornal popular Hora.