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  • Aprendendo de bicicleta


    As viagens fazem parte de um projeto de extensão da universidade (Fotos: Divulgação/JÁ)

    Carla Ruas

    Quatro estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS escolheram um programa diferente para as férias de julho deste ano: Percorrer 500 Km da Estrada Real, em Minas Gerais, de bicicleta. A rota histórico-cultural era utilizada durante o Brasil Colônia para trafegar pessoas, mercadorias, ouro e diamante. O passeio em duas rodas, que está na terceira edição, virou projeto de extensão da faculdade e recebe o apoio incondicional do diretor, Professor José Albano Volkmer.

    O Projeto Caminhos, sempre realizado durante as férias universitárias, começou quando o estudante Bruno César Euphrasio de Mello resolveu ver de perto o que conhecia apenas nos livros. Ele queria observar a arquitetura colonial, conhecer a história do local e ter uma experiência prática do que tinha aprendido em sala de aula. “Sou um curioso”, revela.

    Na primeira vez, ele fez o passeio por Minas Gerais sozinho, saindo da cidade Mariana até o município Parati. “Queria ver se daria certo a minha idéia”. Um ano depois, partiu com um amigo para uma versão regional do projeto chamada Caminhos do Rio Grande. Eles percorreram 1500 km da rota tropeira do Rio Grande do Sul, incluindo as cidades São Borja, Passo Fundo e Bom Jesus.

    Neste ano o grupo de estudantes ganhou adeptos e foi novamente para Minas, desta vez para completar a rota iniciada por Mello anos antes. “Passamos por Biribibi, Diamantina e Ouro Preto”. Durante os 15 dias de passeio, os jovens se preocuparam em visitar pequenos municípios, muitas vezes até desconhecidos do grande público. “Queríamos ver o que os autores não viram e tirar as nossas conclusões do que já foi estudado”.

    A escolha da bicicleta como meio de transporte foi estratégica. Além de barata, pois não precisa de combustível, possibilita que os estudantes vivenciem o mesmo que os transeuntes da rota no período colonial. “Na bicicleta ficamos na mesma altura do observador, realizamos o mesmo esforço físico e demoramos o mesmo tempo de viagem”, observa Mello. Para ele, o meio serve como uma “mula moderna”.


    As fotos do último passeio serão apresentadas em exposição

    O passeio rendeu frutos dentro e fora da universidade. Ao retornar das férias, o grupo apresentou para os colegas a sua experiência através de fotos, desenhos e relatos. As histórias das viagens estão reunidas em um CD e em breve serão contadas também numa exposição fotográfica. “Temos a preocupação de retornar para a comunidade o conhecimento adquirido”.

    No futuro, a idéia é encorajar outros estudantes e realizar a rota completa da Estrada Real, de aproximadamente 1000 Km. “Queremos entender a arquitetura feita no Brasil ao longo dos anos para poder produzir a nossa própria arquitetura”, explica Mello. Além disso, ele valoriza o aprendizado cultural dos passeios.

    Apoio da instituição

    Desde o inicio, o diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS, Professor José Albano Volkmer, incentivou o projeto. “Temos que buscar alternativas para este ensino condicionado, de estrutura pragmática”.

    Por isso ele é um dos apoiadores dos Projetos de Extensão da faculdade de arquitetura. “É a possibilidade de interagir com a comunidade e contribuir”. O diretor destaca outras iniciativas  que alcançam limites fora da sala de aula. Entre elas está o trabalho dos estudantes com uma comunidade de pescadores de Tapes, com moradores de rua, catadores de lixo e grafiteiros.

    “Não sei se o povo realmente compreende o que é arquitetura e urbanismo e o quanto é relacionado com os problemas da cidade” questiona Volkmer. Ele salienta que uma das falhas do planejamento urbanístico de Porto Alegre é que “a cidade não comporta bicicletas”. Ele lembra que algumas pessoas não têm carros, mas não conseguem se locomover de bicicleta porque falta espaço.

  • Lançamento de livro do Inter reúne 400 pessoas

    A noite gélida de segunda-feira, 4 de setembro, não espantou o público que foi prestigiar o lançamento de INTER, Orgulho do Brasil. Cerca de 400 pessoas participaram da sessão de autógrafos da obra, escrita pelo jornalista Kenny Braga.
    O livro da JÁ Editores (200p., R$ 30,00) chega à sua terceira edição, revisado e ampliado. Apresenta toda trajetória do Internacional, desde suas origens, em abril de 1909, até a inédita conquista da Copa Libertadores da América, em agosto deste ano.
    Um público composto por jornalistas, políticos, empresários, dirigentes, ex-jogadores e torcedores do clube formou uma longa fila que se manteve quase do mesmo tamanho ao longo de quatro horas.
    Estavam lá o presidente Fernando Carvalho, ex-presidentes como Paulo Rogério Amoretty e Arthur Dallegrave, que hoje é vice-presidente, e muitos outros ilustres colorados, como o professor Otavio Rojas, mentor do projeto Criança Colorada.
    Entre os políticos, o presidente da Assembléia Legislativa e ex-diretor de futebol do Internacional, Luiz Fernando Záchia (PMDB), o ex-governador Olívio Dutra (PT), a deputada Luciana Genro (PSOL), acompanhada de seu colega de partido, Pedro Ruas, o vereador João Bosco Vaz e Márcio Bins Ely, ambos do PDT.
    Também marcaram presença os secretários estadual e municipal da Cultura, Vitor Hugo e Sergius Gonzaga, que, apesar de ser gremista, era todo sorriso no evento.
    Ex-diretor de futebol do Inter e hoje presidente da Assembléia Luiz Fernando Záchia fez questão de ir ao evento
    O diretor da Copesul, Luiz Fernando Cirne Lima, também fez questão de dar um abraço em Kenny Braga. Jaime Sirotsky foi além, tascou um beijo no escritor. Que também recebeu o carinho de familiares, amigos e colegas, como o professor Ruy Carlos Ostermann.
    Cirne Lima e Ruy Carlos Ostermann cumprimentaram Kenny pelo trabalho
    Entre os jornalistas presentes, estavam a diretoria da ARI, liderados pelo presidente Ercy Torma, Darci Filho, que foi fardado de Barcelona, Cláudio Britto, Farid Germano Filho, João Borges de Souza, Renan Antunes de Oliveira, e o editor da JÁ Editores, Elmar Bones.
    Árbitro Carlos Simon agradeceu a dedicatória
    Do mundo futebolístico, diversos ex-jogadores como Paulo César Carpeggiani. O ex-árbitro e hoje comentarista Renato Marsiglia também pegou seu autógrafo, assim como Carlos Simon, que apitou a última Copa do Mundo.
    Foi uma noite alegre e calorosa no Centro Municipal de Cultura, em que amigos confraternizaram, falando de futebol e degustando um vinho ou espumante.

  • Para Prefeitura, críticas de delegados ao OP são políticas

    Secretário João Portella: “É coisa de dois delegados, que estão tentando gerar um fato político” (Foto: Helen Lopes/JÁ)

    Helen Lopes

    O secretário do Gabinete de Programação Orçamentária (GPO), João Portella, rebateu as denúncias do Conselho do Orçamento Participativo (COP) de que a Prefeitura não teria enviado parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) entregue à Câmara.

    Ele também contestou a queixa de que a Prefeitura desconsiderou as alterações sugeridas pelo COP. “Isso não é verdade. É coisa de dois delegados, que estão tentando gerar um fato político”, desqualificou o secretário. Ele se refere a Léa Abraão e Felisberto Luisi, que compararam o texto entregue aos vereadores e o que foi para análise do OP.

    Portella admite, porém, que a previsão de renúncia fiscal não foi entregue aos conselheiros. “Realmente não foi, mas é evidente que, se o governo decidir encaminhar esse projeto para a Câmara, ocorrerá um amplo debate”, disse.

    Segundo ele, não havia necessidade da análise do COP porque a Prefeitura ainda está estudando o tema. “Nem sabemos se vai ser encaminhado, mas é preciso estar na LDO, caso se queira colocá-lo em prática”, afirmou.

    Conforme o secretário, a LDO foi disponibilizada aos conselheiros com 30 dias de antecedência da data de envio à Câmara Municipal – 18 de agosto –  e apenas dois dias antes da entrega aos vereadores o GPO foi convocado para debater.

    “O COP, por motivos internos, não nos chamou para uma reunião. Só foi fazer isso no dia 15 de agosto. Ficou parecendo que o próprio Conselho quis criar essa situação. Mesmo assim, acatamos todas as sugestões”, afirma ele.

    No entanto, parte das alterações aprovadas pelo COP não consta exatamente com as mesmas palavras nos capítulos da Lei. Os conselheiros pediram para incluir as demandas do Orçamento Participativo nas autorizações prévias para abertura de suplementação. A Prefeitura escreveu “para atender Planos de Investimentos e Serviços anteriores”.

    Na opinião de Léa Beatriz, uma das conselheiras que levantou a polêmica, os termos utilizados pela Prefeitura não correspondem ao que foi decidido pelo COP. “Nossa sugestão era para abranger todas as demandas anteriores e atuais”, explica.

    O COP também aprovou que a “capacitação dos conselheiros do OP” seria objetivo dos programas desenvolvidos pela Administração Municipal, no capítulo VI, referente às despesas com pessoal e encargos sociais.

    A modificação não está na Lei. Mas o secretário Portella explica que essa solicitação está atendida na delimitação das metas e prioridades, listadas no Anexo I, da LDO. “A capacitação dos conselheiros é uma ação que está dentro do Orçamento. Acabamos de fechar um contrato com a Comunidade Européia para a criação de um centro em Porto Alegre. De uma forma ou de outra, as alterações foram contempladas”, garante o titular do GPO.

    A implantação do Urbal –  Sistema Intermunicipal de Capacitação em Planejamento e Gestão Local Participativa – é uma das três atividades demarcadas para o Orçamento Participativo. Os demais são a realização do ciclo do OP, com a meta de ampliar para 25 mil o número de participantes, e a elaboração das peças orçamentárias.

    O OP era o único programa do governo que não tinha ação de publicidade listada. O secretário do GPO garantiu que foi um engano. “Foi um erro, nos já fomos alertados. Essa é uma das alterações que o governo está encaminhando na proposta orçamentária”, disse.

    Prioridade: ações versus volume de recursos

    Outra reclamação dos conselheiros é de que a nova configuração da LDO, em programas de governo, confunde a fiscalização das prioridades definidas pelo OP. No novo sistema apresentado pela Prefeitura, as prioridades estão diluídas em 21 programas de governo.

    Para a área da Habitação, uma das prioridades definidas pelo OP, estão listadas cinco ações – 465 unidades habitacionais no Programa Entrada da Cidade; 590 lotes urbanizados na ação Incentivo ao Cooperativismo; 601 unidades habitacionais construídas através de Projetos Habitacionais; regularização de 12 áreas na ação Reurbanização de Área Ocupadas; 500 imóveis regularizados pela ação Regularização Fundiária Judicial. Metas insuficientes na opinião de alguns conselheiros.

    Na visão do secretário, a prioridade não se materializa na quantidade de atividade e sim, pelo volume de recursos. “Significa que vamos destinar para a Habitação o maior volume de recursos. Agora, se isso vai ser em uma, duas ou três atividades é irrelevante”, frisou.

    Segundo Portella, a proposta orçamentária, que será entregue à Câmara no dia 15 de outubro, está montada com, praticamente, o mesmo montante de 2006, quando a Habitação já era prioridade. “Podemos ter, inclusive, um acréscimo”, adiantou.

  • Último lojista resiste no Hortomercado Quintino

    Carla Ruas
    Para desgosto de vizinhos e clientes, o Hortomercado Quintino, tradicional ponto de compras do bairro Moinhos de Vento, está quase desativado. Com mais de 30 anos de atividade, o local já reuniu 28 pequenas lojas, que formavam um excelente centro gastronômico da cidade.
    Mas venceu, em 31 de agosto, o prazo final para o fechamento dos poucos estabelecimentos que ainda restavam no local. O galpão na rua Quintino Bocaiúva foi negociado pelo proprietário. E ainda abriga um último lojista, que resiste às pressões.
    É o dono da loja de especiarias Arco Verde, Gilberto Chies, que ainda ocupa um espaço na construção que já está em obras internas de desmanche. Mesmo assim, ele atende clientes, muitas vezes aflitos para saber o destino do seu comércio, que vende desde vinhos até nozes, queijos e temperos.
    “Estou aqui por tempo indeterminado”, garante. Ele aguarda a determinação da justiça sobre o preço da indenização que vai receber para sair do seu ponto de venda nos os últimos 28 anos.
    Chies: “Passei quase 30 anos fazendo minha clientela”
    “Não é justo sair por uma bagatela”, diz ele, referindo-se ao valor pago de indenização às outras 10 lojas que entraram com ações judiciais: cada uma recebeu cerca de R$ 500 mil.
    Outra preocupação de Chies é com a mudança dos mais de mil itens que ainda guarda no estoque da loja. “Estou procurando um lugar grande e perto, porque passei quase 30 anos fazendo minha clientela do bairro”.
    O comerciante lamenta que os lojistas não foram avisados com grande antecedência de que teriam de abandonar seus pontos. Ele lembra que tudo começou há três anos, quando as lojas que iam sendo desocupadas ficavam vazias, sem receber novos inquilinos.
    “Tinha uma placa na frente dizendo que o local ia ser alugado, mas os proprietários estavam fazendo exatamente o contrário”, reclama. Logo, o esvaziamento gradativo começou a incomodar. Quanto menos lojas alugadas, menor a movimentação do espaço.
    Para o proprietário da loja Delícias do Mundo, Mauricio Gonçalves, a saída do Hortomercado acabou sendo uma benção. Depois de 30 anos vendendo no local, ele foi um dos últimos a sair em agosto.
    “Já eram poucas pessoas freqüentando e as vendas ficaram muito ruins”. Com a indenização recebida, ele montou uma loja na rua Benjamin Constant, nº 761. “Estamos muito bem e os clientes são os mesmos”, garante.
    Mas a freqüentadora de anos do local, Maria Helena Preis, diz que o atrativo do Hortomercado era encontrar tudo no mesmo lugar. “Era um espetáculo”, resume. Hoje ela está muito decepcionada com o fechamento dos estabelecimentos. “Cada vez que venho tem menos lojas, é uma pena”.
    Fim de uma tradição
    A parte interna do galpão está em fase avançada de desmanche.
    O Hortomercado abriu as portas em 1975, e tinha como principal atrativo o supermercado de produtos básicos Cobal. O galpão ainda comportava diversas lojas que complementavam as necessidades dos clientes, e por isso passou a ser muito freqüentado.
    No início da década de 1990, o supermercado fechou e por cinco anos as pequenas lojas sobreviveram sozinhas. Depois desse período, a rede de supermercados Rissul ocupou o espaço por quatro anos.
    Nestes áureos tempos, o hortomercado ganhou status de centro gastronômico e oferecia, além das lojas de frutas e verduras, também restaurante, bar, floricultura, peixaria e queijaria. Com o fechamento do Rissul, as lojas ficaram isoladas novamente.
    Para Chies, este fator não é determinante para a sobrevivência dos estabelecimentos. Ele sonha com a continuidade do Hortomercado com características semelhantes ao centro de compras mais tradicional de Porto Alegre.
    “Se a Prefeitura comprasse esse galpão, não precisaria investir nas lojas e teria um segundo Mercado Público”, acredita. Assim, o ponto seria incorporado à memória da cidade e não destruído. “Não sabemos nem porque o prédio está sendo vendido”, lamenta.
    Assim, o grande terreno na Quintino Bocaiúva, entre Marquês do Pombal e Cristóvão Colombo deve mesmo dar lugar a um novo empreendimento no bairro.

  • O drama de Abigail


    Abigail: craque do Rolo Compressor esteve no Pronto Socorro (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    Guilherme Kolling

    Na manhã desta terça-feira, 5 de setembro, o setor administrativo do Sport Club Internacional recebeu uma chamada do Hospital de Pronto Socorro. Era do Serviço Social, informando que um senhor, que não soube informar telefone e endereço dos familiares, aguardava algum parente para buscá-lo no local.

    Apesar de confundir dados do presente, o homem contou diversas histórias de sua trajetória como jogador colorado. Por isso o Inter foi acionado. Funcionários do HPS não sabiam exatamente de quem se tratava, apenas que era um ex-atleta.

    Falavam de ninguém menos que Abigail Conceição de Souza, uma lenda viva do futebol gaúcho. Abigail é único integrante do Rolo Compressor que ainda está vivo e mora em Porto Alegre – os outros dois são Nena, que vive em Goiânia, e Ávila, estabelecido no Rio de Janeiro. Pois o grande craque do Internacional esteve internado como indigente no HPS.

    Na segunda-feira pela manhã, ele ficou na sala de Sutura, para fazer um curativo num corte que teve na testa. Ainda com a cabeça enfaixada e um hematoma abaixo do olho direito, ele recebeu alta, pois dizia que estava bem e informava com segurança seu suposto endereço, rua Eurico Lara, 191. Na verdade, o local foi, mas não é mais o lar de Abigail.

    Ele saiu sozinho do prédio do Pronto Socorro sem conseguir encontrar o caminho de casa. Resultado, no final da mesma segunda-feira, uma senhora o encontrou perdido, nas imediações do HPS. E encaminhou-o de volta ao Hospital. Foi onde ele passou essa noite.

    Hoje pela manhã, um dos médicos o removeu da Sala de Sutura e o deixou no corredor, em frente ao Serviço Social, que não dispõe de espaço para internação. Deitado numa maca, envolto em cobertores para se proteger do vento frio, que passava pelo corredor, Abigail aguardava.

    Apesar da insistência, ele não soube informar seu endereço atual nem lembrava como foi parar no HPS. Mas sabia de cor a escalação do Rolo Compressor: Ivo; Alfeu e Nena; Assis Ávila e Abigail; Tesourinha, Russinho, Vilalba, Rui e Carlitos.


    Time do Rolo Compressor pentacampeão gaúcho em 1944 – Abigail é o quatro em pé, da direita para a esquerda (Foto: Arquivo JÁ Editores)

    Parentes buscaram Abigail no início da tarde

    Além do Sport Club Internacional, rádios da Capital foram acionadas pelo HPS. Depois de algumas horas, parentes de Abigail ficaram sabendo da notícia. No início da tarde, por volta das 14h30, o neto e o companheiro da filha do ex-jogador do Internacional foram buscá-lo. O Serviço Social do Hospital conduziu os três até sua casa, na Vila Farrapos.

    Conforme relato do motorista, é um lar humilde, onde vivem Abigail, o neto, a filha e o companheiro dela. No HPS, o neto contou que o avô estava sumido desde domingo passado. A mobilização para encontrar parentes do lateral do Rolo Compressor despertou a solidariedade de diversas pessoas. Uma casa geriátrica se ofereceu para receber a lenda viva do futebol gaúcho.

    Craque se destacou no Inter e na seleção gaúcha


    No aniversário dos 90 anos do Inter em 1999: Carlitos, Abigail e Nena (Foto: Arquivo JÁ Editores)

    Além de ter sido titular do Rolo Compressor em quatro das seis conquistas do hexacampeonato gaúcho – de 1942 a 1945 -, Abigail teve diversas participações na seleção gaúcha. A equipe venceu pela primeira vez a seleção paulista em 1944, época em o Rolo era a base do time.

    Abigail também jogou na maior goleada colorada na história dos Gre-Nais, um 7×0 em 1948. E tem muitas outras glórias em seu currículo. Não bastasse sua importância, ele é hoje o único integrante vivo do Rolo Compressor que mora no Rio Grande do Sul – Nena está em Goiás e Ávila no Rio de Janeiro.

    O craque iniciou sua carreira no Força e Luz. O estádio da Timbaúva era próximo de sua casa, no Caminho do Meio. Nascido em 10 de abril de 1921, o atleta começou a jogar futebol aos 12 anos. E até hoje é lembrado pelos sócios do Forcinha como um dos grandes jogadores da história do clube.


    Abigail, hexacampeão gaúcho em 1945 (Foto: Arquivo JÁ Editores)

    Aos 20 anos, foi contratado pelo Internacional, onde integrou a linha média da equipe comandada pelo técnico Ricardo Diaz, em 1942. O time já era bicampeão gaúcho (1940 e 1941), mas se aprimorou com os reforços daquele ano: Abigail, o goleiro Ivo Winck e o zagueiro Nena.

    Era uma máquina que, nos seus seis anos gloriosos, venceu 19 e empatou cinco dos 28 Gre-Nais que disputou. Igualmente expressiva foi a contabilidade dos gols. Foram 87 vermelhos contra 49 tricolores, mais um dado eloqüente do poderio da equipe. Era um Rolo Compressor, como Vicente Rao gostava de chamar.

    No apogeu desse ciclo, o Inter reuniu a equipe de jogadores mais famosos do Rio Grande do Sul em todos os tempos: Ivo; Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Ivo, Adãozinho, Ruy e Carlitos. “Cada um deles reuniu, isoladamente, tantos feitos e qualidades que mereceria, hoje, uma biografia”, afirma Kenny Braga, no livro INTER – Orgulho do Brasil (JÁ Editores, 2006).

  • Delegados acusam Prefeitura de desrespeito ao OP


    Manter o OP foi uma das principais promessas de campanha do prefeito Fogaça
    (Cartaz PMPA)

    Helen Lopes

    O Conselho do Orçamento Participativo (COP) entende que o projeto da Prefeitura de Porto Alegre para a elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que define metas e prioridades para 2007 e estabelece regras para o Orçamento da cidade, é diferente do que foi submetido ao OP.

    De acordo com delegados e conselheiros, o documento discutido pelo COP em 15 de agosto não continha a previsão de renúncia de receita no IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano), na taxa da coleta de lixo e no ISSQN (Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza). Também não constava a mudança no Plano Plurianual (PPA) 2006/2009.

    Paralelamente, foi encaminhado aos vereadores, em 18 de agosto, um texto que propõe, entre outras coisas, que os imóveis localizados na 3ª Divisão Fiscal e de utilização rural sejam tributados pelo Imposto Territorial Rural, o que representaria uma renúncia estimada de R$ 37.965,40, apenas em 2007.

    A LDO também prevê duas novas formas de isenção da taxa de lixo para as propriedades das fundações e autarquias da administração indireta e para os prédios destinados à construção de casas populares através do Programa de Arrendamento Residencial da Caixa Econômica Federal.  E a redução da alíquota do ISSQN para o transporte coletivo, diminuindo de 2,5% para 2% o imposto cobrado das empresas de ônibus, e de 5% para 2% das empresas de trem.

    Conforme a conselheira Léa Beatriz Abraão, da temática Saúde e Assistência Social, outra falha no processo dirigido pela Prefeitura é a não inclusão de mudanças aprovadas pelo COP. “O texto tem muitas diferenças e alterações em relação à cópia recebida e discutida no COP”, observa ela.

    “O OP foi ferido na sua essência, pois nem a transparência na discussão do orçamento público e nem o controle social dos gastos estão sendo respeitados”, denuncia Léa. A conselheira fez uma análise comparativa dos dois projetos. Nessa tarefa, teve a parceria do delegado Felisberto Luisi, que reclama do descumprimento do Artigo 25 do Regimento Interno do Orçamento Participativo.

    O texto define que “compete à coordenação do COP acompanhar a execução das receitas e das despesas públicas, definindo parâmetros ou critérios para tal. Além disso, todo projeto de reforma tributária deverá será avaliado pela Coordenação que apresentará parecer para deliberação do COP. Para dar conta destas atribuições, poderá a Coordenação buscar assessoria técnica externa”.

    Felisberto ressalta o desrespeito ao artigo por parte da Prefeitura. “Esse acompanhamento previsto não está acontecendo, pois nem ficamos sabendo das renúncias fiscais propostas pelo governo municipal e nem das modificações no Plano Plurianual”, critica.

    O conselheiro Dilmair Monte dos Santos, integrante da Comissão de Receita e Despesa do COP, confirma que as propostas referentes aos impostos municipais não foram analisadas no OP. Ele conta que esteve, acompanhado de outros integrantes do Conselho, no Gabinete de Programação Orçamentária na quinta-feira, 17 de agosto, para entregar as alterações aprovadas na reunião do COP.

    O Conselho pediu, entre outras reivindicações, que as demandas destacadas no OP fossem incluídas como uma das possibilidades para suplementação orçamentária. O que não consta nos 11 capítulos que estão tramitando na Câmara.

    “Estão excluindo as decisões do OP”

    Outro ponto contestado pelos conselheiros refere à prioridade na distribuição dos recursos para 2007. Para eles, há sobreposição de instruções no projeto lei, porque um artigo diz que devem ser obedecidas as decisões do OP (Habitação, Educação, Assistência Social, Pavimentação, são os quatros primeiros). Outro manda seguir os programas de governo.

    “O artigo 2º determina uma coisa e o 4º outra. Aliás, neste o OP está listado como mais um programa. Como pode?”, reclama a conselheira Léa. “Eles estão criando um novo sistema para destinação do dinheiro e excluindo as decisões do OP”, acusa o delegado Felisberto, que participa das reuniões há 11 anos.

    “Dos 21 programas de governo previstos no Plano Plurianual, apenas três (Entrada da Cidade – PIEC/ Viva o Centro/ Socioambiental) foram debatidos nas plenárias do OP. Os demais foram apenas apresentados, sem discussão”, completa ele.

  • Smam quer limitar shows na Redenção

    Baile da Cidade pode ser transferido da Redenção (Foto: João Fiorin/PMPA)

    Helen Lopes

    A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) pretende restringir ao máximo o número de shows realizados no Parque Farroupilha. A medida visa diminuir os impactos ambientais causados pelas multidões, como o lixo e a degradação da grama, pisoteada pelas pessoas.

    O assunto foi discutido neste sábado, 2 de setembro, durante a reunião do Conselho dos Usuários do Parque Farroupilha. A intenção da Prefeitura não é consenso entre os membros do Conselho.

    De acordo com o administrador da Redenção, Clóvis Breda, essa é uma política da Secretaria que já está começando a ser implantada e deve culminar com a extinção de eventos com sonorização no Parque. As exigências aumentaram, como, por exemplo, a responsabilidade pela limpeza do local passou a ser de quem realiza a atividade.

    À frente do Parque há sete anos e meio, Breda concorda com as medidas para  preservação do espaço, mas alerta para o gradativo esvaziamento do Parque. “É perigoso porque sem movimento cultural, o parque irá morrer aos pouquinhos. Não há evento sem impactos, o que precisamos é buscar alternativas como proteção para os gramados e educação ambiental”, entende Breda.

    O administrador teme que, diminuindo a atratividade do Parque, as pessoas deixem de se apropriar do espaço público. “Será como há 10 anos, quando ninguém freqüentava a Redenção?”, questionou Breda.

    O permissionário do Café do Lago, Fábio Reategui, diz que a diminuição de eventos para multidões é necessária porque o Parque leva muito tempo para se recuperar. Ele sugeriu que sejam realizadas atividades para um número menor de pessoas através de projetos via leis de incentivo à cultura. “Podemos fazer um show de piano ou música clássica ao entardecer no chafariz”, exemplificou.

    O Conselho não tomou uma posição definitiva, mas concorda com as ações que visam preservar o Parque e vai buscar alternativas para conciliar as atividades culturais e diminuir os impactos à natureza.

    Aniversário de 71 anos da Redenção

    Outra pauta do encontro deste sábado foi o aniversário de 71 anos do Parque Farroupilha, que será comemorado no dia 19 de setembro, junto ao Monumento Expedicionário. Neste ano, o bolo será menor. O tradicional, com metragem igual a idade do Parque, oferecido há cinco aniversários, deve ser substituído por um para 300 pessoas.

    Parque mais conhecido da Capital completa 71 anos em setembro (Foto: Ricardo Stricher /PMPA)

    Para comemorar a data diversas atividades estão previstas entre as quais uma exposição de fotografias alusivas aos 71 anos do Parque, trilhas ecológicas e oficinas de educação ambiental. Além da Feira da Primavera e uma exposição de plantas ornamentais no Orquidário.

    Associação dos Amigos do Parque Farroupilha

    No dia 19 de setembro, também será fundada a Associação dos Amigos do Parque Farroupilha, entidade independente do poder municipal que irá auxiliar na promoção e manutenção do Parque. Discutida há meses, a entidade terá sua primeira assembléia oficial em 7 de outubro, a partir das 10h, no Colégio Militar.

  • Nova onda de demolições no Moinhos de Vento


    Casas são demolidas para a construção de espigões (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    O Moinhos de Vento está sofrendo transformações em sua paisagem. Depois da primeira onda de demolições, no início dos anos 2000, tradicional bairro de Porto Alegre está assistindo à uma nova onda de casas postas abaixo.

    Imóveis antigos nas ruas Coronel Bordini, Dr. Timóteo, Tobias da Silva e Marquês do Herval estão sendo substituídos por edifícios, estacionamentos e centros profissionais. Os moradores observam as mudanças e lamentam a descaracterização do bairro. Mas não protestam como fizeram nos últimos anos. O fato pode ser explicado pela frustração com a demora na revisão do Plano Diretor.

    Na rua Marquês do Herval, entre as ruas Cel Bordini e Quintino Bocaiúva, um tapume cerca um grande terreno. A área abrigava três casas, que foram derrubadas nos últimos meses. Uma era sede do Restaurante Wunderbar, que fechou as portas em fevereiro. Outra casa era da família do músico Rafael Malenotti, da banda Acústicos e Valvulados.

    Nas últimas semanas, a mesma construtora que adquiriu os terrenos também comprou as duas casas ao lado. Com isso, colocará abaixo quase a metade do quarteirão, ou seja, os cinco imóveis perfilados vão abaixo.


    Na Marquês do Herval, três imóveis já foram abaixo. Casas vizinhas também serão derrubadas

    Uma das edificações que ainda está em pé, é o antigo endereço da loja Luciane Design, de móveis externos. A proprietária, Luciane Thomé Lutz, conta que não pretendia se desfazer do imóvel, mas acabou cedendo à insistência dos representantes da construtora. “Não queríamos sair dali, mas eles insistiram muito, ligavam para cá todos os dias”, lembra. Ela continua no Moinhos, só que agora o estabelecimento fica na rua Comendador Caminha.

    O terreno das cinco casas totaliza um espaço largo e com profundidade. Segundo os vizinhos, dará lugar a um edifício residencial de 17 andares. A moradora Sílvia Duha, que mora há 20 anos em frente à área, está descontente com a altura do futuro prédio.

    “Deveria ter no máximo 13 andares. Essa altura proposta é desproporcional”, diz ela, que lamenta a descaracterização do bairro. “É muito bom morar numa rua com casas”, confessa Sílvia, que reside em um edifício de três pavimentos.

    Por outro lado, Sílvia acredita que o edifício novo pode trazer mais segurança. “Vai ter porteiro de plantão na frente e movimento de entrada e saída”. Ela lembra que na semana passada um carro foi arrombado em frente ao seu apartamento. Desde então, ela sai menos de casa porque ficou com medo.


    A moradora Sílvia Duha lamenta a descaracterização do bairro

    Ainda na Marquês do Herval, entre as ruas Quintino Bocaiúva e Dr. Timóteo, outro tapume evidencia mais um desmanche de casas. São duas, entre os números 540 e 552. O espaço deve dar lugar a um hotel, conforme informação da vizinhança.

    Presidente do Moinhos Vive culpa Plano Diretor

    A acelerada transformação do bairro Moinhos de Vento está extingüindo as casas do bairro. Os imóveis de um ou dois pavimentos praticamente resistem apenas em empreendimentos comerciais.

    O presidente do Associação dos Amigos e Moradores do Bairro Moinhos de Vento – Moinhos Vive, Raul Agostini, observa que o fenômeno desencadeou uma mudança na zona que não tem volta. Ele entende que a culpa é do Plano Diretor, que não favorece a preservação ambiental e cultural.

    “Porto Alegre está perdendo um pouco da sua identidade. Qualquer cidade civilizada faria questão de manter e preservar a sua história”, observa. Agostini aponta como solução paliativa a revisão do Plano, discussão que se arrasta desde 2003, sem uma solução. “Isso acontece por interesses que não são da população”, denuncia.

    Agostini diz que as alterações no Plano ainda não foram aprovadas por interesses econômicos das construtoras. Para ele, o adiamento é estratégico a fim de que sejam construídos novos espigões, antes da implantação de uma nova lei, que imponha mais limites. “É a ignorância somada à ganância”, ataca.

    Além da paisagem, o presidente do Moinhos Vive também se preocupa com a oneração do poder público. Cita como exemplo a impermeabilização do solo a partir das novas construções, o que gera gastos corretivos, como a milionária obra do Conduto Forçado Álvaro Chaves-Goethe. “E quem paga são os cidadãos, com tributos cada vez mais altos”.

  • Polícia Federal evita roubo milionário em Porto Alegre


    O túnel de 70 cm de largura e altura já estava com 80 metros (Fotos:Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Nesta sexta-feira, 1° setembro, Porto Alegre foi palco de cenas cinematográficas. Às 7h15, a Polícia Federal prendeu em flagrante 22 criminosos que cavavam um túnel de 80 metros para chegar aos cofres do Banrisul e da Caixa Econômica Federal, na Praça da Alfândega.

    No mesmo horário, outros quatro foram pegos numa casa no bairro Partenon, que servia como “quartel general” do grupo. A quadrilha especializada neste tipo de ação, já havia realizado o assalto ao Banco Central do Brasil, no ano passado, em Fortaleza. A PF diz que o grupo tem ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

    Se fosse bem sucedido, o crime seria o mais audacioso da história da cidade – os bandidos estavam trabalhando há dois meses e meio para realizar o assalto. Eles compraram um edifício na esquina da avenida Mauá com a rua Caldas júnior, que custou R$ 1,2 milhão. Segundo o contrato, R$ 300 mil foram dados de entrada e o restante seria parcelado mensalmente até dezembro. O responsável pela compra, Fabrisio O. S., preso hoje em São Paulo.

    Na operação realizada pela polícia, foram apreendidos equipamentos usados na escavação e R$ 20,5 mil em dinheiro, que serão encaminhados à perícia para verificar se a numeração coincide com a do dinheiro roubado do Banco Central em Fortaleza.

    Dez dos assaltantes presos em Porto Alegre já tinham o mandado de prisão solicitado pela Justiça Federal do Ceará por ter participado deste assalto no ano passado. Conforme a PF, o dinheiro roubado, cerca de R$ 160 milhões, serviu para financiar os ataques do PCC em São Paulo.

    Foi no Ceará que a polícia obteve a primeira pista de que uma ação semelhante ocorreria em Porto Alegre. Os policiais acharam um cartão telefônico com um número que levou ao criminoso João das Couves, gaúcho que pertencia ao bando de Seco e que estava envolvido com a escavação do túnel. A partir deste momento a polícia passou a fiscalizar a quadrilha na cidade, filmando a movimentação do grupo.

    Segundo o superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, José Francisco Mallmann, os 22 homens presos no local eram os “peões do grupo”. Eles se revezavam durante a obra e as vezes passavam alguns dias em São Paulo.

    “Nenhuma das reuniões foi realizada em Porto Alegre”, afirma. Os líderes da operação ficavam no QG da quadrilha, localizado numa casa na rua Tobias Pereira, n° 145, no bairro Partenon.

    Para despistar, os peões vestiam roupas de obreiros semelhantes às de uma empresa de reforma. “Eles foram treinados, sabiam o que estavam fazendo”, afirma o superintendente. A areia retirada do túnel estava sendo guardada, possivelmente para cobrir o buraco após a ação e vender o prédio, “para não deixar pistas”.


    O prédio na esquina da rua Caldas Júnior com a avenida Mauá foi comprado pela quadrilha

    No primeiro piso, na sala mais próxima à rua Siqueira Campos, o grupo cavava um túnel quadrado em direção ao Banrisul, que media 70cm de largura e já tinha 80 metros. O superintendente diz que a escavação chegaria no cofre do Banrisul em duas semanas. A polícia acredita que o grupo continuaria cavando até a Caixa Econômica Federal, que fica em frente, também na rua Caldas Júnior.

    Mallmann diz que a quadrilha possivelmente tinha informantes dentro dos bancos, para conseguir entrar dentro dos cofres. Além disso, eles teriam que ter acesso a mapas da rede de água e esgoto da cidade, para não atingir um cano. “Este mesmo grupo tentou uma ação semelhante em Assunción, no Paraguai, mas tiveram que abolir os planos porque enfrentaram uma inundação”, lembra o superintendente.

    Os escavadores moravam no prédio, utilizando o sétimo andar como dormitório e o terceiro como cozinha. Entre os pertences, a polícia achou bebidas alcoólicas, restos de comida, panelas, temperos, roupas, cds, colchões e toalhas.

    Entre os itens curiosos encontrados estavam cartas de jogos, revistas masculinas, camisinhas, remédios, um carregador de celular artesanal e a imagem de Nossa Senhora Aparecida, fixada ao alto no meio do quarto.


    No prédio, a polícia encontrou panelas, roupas, bebidas e Nossa Senhora Aparecida

    Operação Toupeira

    A Polícia Federal se reuniu ontem das 23h até as 2h da manhã para planejar a ação, que foi realizada em conjunto com o Comando de Operações Táticas de Brasília, que veio especialmente para a apreensão. Segundo o delegado Ildo Gaspareto, a operação teve o estilo Cavalo de Tróia, porque um caminhão da polícia estacionou na rua Caldas Júnior de onde saíram cerca de 40 agentes que entraram de surpresa no prédio, armados com metralhadoras, fuzis e granadas.

    “Mas realizamos toda a apreensão sem dar um tiro”, orgulha-se o superintendente. Entre os presos estava um dos líderes da quadrilha, Carlos A.S., o “Balengo”. No total, 100 agentes da Polícia Federal foram envolvidos na operação.

    O superintendente diz que a polícia esperou o momento certo para agir: “Quando todos os criminosos estavam reunidos no prédio e antes que eles chegassem aos cofres, para não deixar os bancos sofrerem prejuízos”. Com as filmagens realizadas, os criminosos serão indiciados por formação de quadrilha, tentativa de furto qualificado e documentos falsos.

    Numa ação simultânea, foram presos quatro integrantes da cúpula da quadrilha no bairro Partenon, onde funcionava o comando do grupo. A polícia prendeu uma mulher e três homens, entre eles Lucivaldo L. Segundo os vizinhos, a casa de 3 andares foi alugada há 3 meses por R$ 1.300 mensais. “Eles pagaram cinco meses adiantado e queriam negociar mais 6 meses”, afirma o vizinho da frente, Wagner Sain.


    A casa que servia de QG ficava no bairro Partenon

    Sain lembra da casa sempre movimentada durante o dia e com a presença de carros importados. “Eles faziam churrasco durante a semana e eram muito simpáticos”, diz. Os vizinhos ainda contam que os inquilinos pareciam pertencer a uma família. “Tinha sempre duas crianças brincando no pátio, uma de 3 e uma de 12 anos”. Mas a polícia diz não ter conhecimento de crianças.

    A polícia encontrou a casa bem equipada com TV de 20 polegadas, roupas, brinquedos infantis, bolsas femininas, caixas de celulares recém comprados, bebidas alcoólicas e até roupa de surf. A geladeira estava lotada com iogurtes, carnes, verduras e refrigerante. Na hora da apreensão, os policiais atiraram num cachorro da raça Rotweiler que guardava a casa, mas ele passa bem no veterinário.

  • JÁ Editores lança INTER, Orgulho do Brasil

    Capa mostra conquista da Libertadores, que é  narrada em capítulo especial

    A recente e inédita conquista da Copa Libertadores da América pelo Sport Club Internacional é um dos capítulos que compõem o livro INTER, Orgulho do Brasil, lançamento da JÁ Editores (200p., R$ 30,00). A obra, escrita pelo jornalista Kenny Braga, chega à sua terceira edição, revisada e ampliada, e apresenta a trajetória completa do Internacional, desde suas origens.

    A narrativa atravessa os momentos marcantes do clube, como o histórico time do Rolo Compressor, na década de 40, e as equipes de 1956 e 1984, que serviram de base para a Seleção Brasileira, no Pan-Americano do México e nas Olimpíadas de Los Angeles, respectivamente.

    A construção do Gigante da Beira Rio, a conquista dos três campeonatos brasileiros e o título “sonegado” do Brasileiro de 2005, também estão no livro, que, com riqueza de detalhes, percorre os quase 100 anos do clube em ordem cronológica.

    Kenny Braga: narrativa apaixonada da história do Inter (Foto: Tânia Meinertz)

    A trajetória do Inter, narrada de forma apaixonada por Kenny Braga, ao longo de 42 capítulos, é ricamente ilustrada com fotos de todas as épocas do clube. E complementada com 25 perfis de jogadores, técnicos e dirigentes decisivos na história do Inter. São nomes como o do patrono Ildo Meneghetti, o craque Tesourinha, até a dupla de ataque da Libertadores, Sobis e Fernandão.

    A obra de 200 páginas também mostra um panorama do clube, com reportagens sobre a modernização do Beira-Rio, o trabalho das categorias de base, dos consulados, da Fundação de Educação e Cultura e a participação dos torcedores.

    INTER, Orgulho do Brasil, será lançado na próxima segunda-feira, 4 de setembro, no Centro Municipal de Cultura e Lazer Lupicínio Rodrigues (Avenida Erico Verissimo, 307). A partir das 18h30, Kenny Braga autografa e recebe o público para a confraternização.

    Serviço:

    INTER, Orgulho do Brasil
    Autor: Kenny Braga

    JÁ Editores, 2006
    200 páginas
    R$ 30,00