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  • Condomínio no Morro São Pedro gera polêmica

    Carla Ruas

    O Conselho do Plano Diretor aprovou em sua reunião semanal, nesta terça-feira 29, a construção de um condomínio na Estrada das Quirinas, no Morro São Pedro. O fato gerou uma discussão forte entre os participantes do encontro.

    A votação a favor do Estudo de Viabilidade Urbanística do projeto gerou controvérsia, porque a área é uma das que apresenta o ambiente natural mais conservado na cidade. A questão estava tramitando há quatro meses no principal fórum de discussões sobre o planejamento de Porto Alegre.

    Durante este período, o projeto foi avaliado por representantes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMAM), pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural (Compach) e por conselheiros das regiões Centro e Restinga/Extremo Sul.

    O presidente do Conselho do Plano Diretor, Romano Botin, pressionou para que a decisão não fosse mais adiada. “Este processo está sendo discutido desde abril, está na hora de votar”, definiu. O conselheiro Eduíno de Mattos, que representa a ONG Solidariedade, contestou a proposta.

    Mas teve que aceitar o pleito. Ele votou contra, porque entende que ainda é necessário discutir o caso, especialmente com a Smam. “É a primeira construção que atinge o Morro do São Pedro. Devemos ter muito cuidado, pois essa permissão abre um precedente para outras edificações no local”, alertou.

    Entre as questões levantadas por Eduíno, está o destino do esgoto sanitário gerado pelas futuras residências. “Se não houver cuidado, isso pode ir parar no Arroio Lami, que deságua no meio da reserva ecológica”. Ele também denunciou que algumas unidades do condomínio estão projetadas para a área de preservação do Morro.

    Representantes da Prefeitura presentes ao debate defenderam o encaminhamento do processo, argumentando que os técnicos da Smam realizaram uma extensa pesquisa no local. Após diversas manifestações, a favor e contra, o projeto foi aprovado por 16 votos contra 4, e 3 abstenções.

    O Morro São Pedro tem cerca mil hectares de florestas e serve de habitat para diversas espécies como pica-pau do campo, perdiz, sabiá, corruíra, gaviões e o bugio-ruivo, ameaçado de extinção. O local está localizado ao lado da Reserva Biológica do Lami.

    A área verde divide as águas de duas das maiores microbacias do município: a bacia do Arroio do Salso, que corta o bairro da Restinga e deságua na Ponta Grossa; e a bacia do Arroio Lami, que contribui com suas águas para o sistema de banhados da Reserva Biológica do Lami.

  • Ambientalistas brigam para preservar Abrolhos

    Empreendimento da Coopex é planejado para Ilha do Cassurubá, no Sul da Bahia (Fotos: Guilherme Dutra / ONG Conservation International Brasil / Divulgação / JÁ)

    Carlos Matsubara, de Brasília, especial para o JÁ

    Um movimento liderado por organizações ambientalistas tenta preservar um paraíso ecológico no Sul da Bahia. Trata-se do “SOS Abrolhos: Pescadores e Manguezais Ameaçados”, que luta para impedir que um berçário da fauna marinha do Atlântico Sul seja ameaçado.

    O problema é a implantação do maior empreendimento de carcinicultura do país. É um imenso criatório de camarões, previsto para o município de Caravelas, no sul do Estado. A empreitada é bancada por investidores portugueses e tem entre seus sócios o senador João Batista Motta (PTB-ES).

    O projeto, da Cooperativa de Criadores de Camarão do Extremo Sul da Bahia (Coopex), será implantado numa região de manguezais e restingas e ocupará uma área de 1.500 hectares. Desse total, será desmatada uma área equivalente a 800 campos de futebol de vegetação de restinga.

    Os danos ambientais elencados são a soltura involuntária de espécies exóticas; disseminação de doenças; lançamento de efluentes sem prévio tratamento; salinização do solo e do lençol freático; e, principalmente, a expulsão das populações que tiram seu sustento do mangue.

    “E o mangue já é castigado de várias outras formas, como a urbanização”, observa Paulo Gustavo Prado, da Conservação Internacional, integrante do movimento SOS Abrolhos.

    Manguezais da região são considerados o berçário da fauna marinha do Complexo dos Abrolhos

    A atividade tem o apoio da prefeitura local sob o argumento da geração de “emprego e renda”. A autorização inicial para o empreendimento foi dada pelo governo estadual, mas a licença está sendo contestada na Justiça pelo Ministério Público Federal.

    Na primeira semana de julho, os ambientalistas obtiveram uma vitória: conseguiram que o senador Sibá Machado (PT/AC) entrasse com um requerimento para que o processo seja analisado pela Comissão de Meio Ambiente do Senado, que deve ser apreciado nas próximas semanas.

    Assim, conseguiram bloquear o trâmite do projeto de Decreto Legislativo 328/2006, que susta os efeitos da Zona de Amortecimento do Parque de Abrolhos, proposto pelas bancadas do Espírito Santo, formada por João Batista Motta (PTB), Marcos Guerra (PSDB) e Magno Malta (PL), e da Bahia, com os senadores Antônio Carlos Magalhães, César Borges e Rodolpho Tourinho, todos do PFL.

    O problema, segundo Guilherme Dutra, diretor do Programa Marinho da Conservação Internacional, é que o governo não tem maioria no Senado e caso não haja apoio dos demais senadores, o requerimento tem o risco de não ser aceito.

    Nesse cenário pessimista, porém bastante realista, os fiéis da balança serão senadores de partidos como o PMDB e PDT. O movimento SOS Abrolhos ainda espera que o Ibama conclua o processo de transformação daquela área em uma Reserva Extrativista (Resex) ainda neste ano.

    “A medida vai oportunizar atividades sustentáveis ajudando a preservar os manguezais”, diz Renato Cunha, da ONG Gambá da Bahia e coordenador da Rede de ONGs da Mata Atlântica. Segundo os ambientalistas, a criação da Resex pode ser a solução definitiva para os conflitos com a carcinicultura na região.

    Carcinicultura

    A Carcinicultura é uma atividade que visa a criação racional de camarões em cativeiro. No Brasil existem atualmente 15 mil hectares de viveiros implantados e os principais Estados produtores são o Ceará e o Rio Grande do Norte.

    O país é o sexto na produção mundial e, segundo dados do Ibama, enquanto a China – o maior produtor, no último ano – elevou sua produção em 13 quilos por hectares, a do Brasil aumentou 1.626 quilos por hectare, ocupando o primeiro lugar em produtividade.

    Com 245 empreendimentos ocupando mais de seis mil ha em área de manguezais, o Ceará é o maior produtor do país.

  • Crise desafia jornal A Razão, de Santa Maria

    Gaspar Miotto, executivo de A Razão (Foto: Divulgação/JÁ)

    Guilherme Kolling

    Prestes a completar 72 anos, o jornal A Razão, de Santa Maria, não escapou da crise econômica que atinge os jornais impressos no mundo. As dificuldades foram escancaradas com a decisão de oito jornalistas do veículo (mais de a metade da redação) de iniciar uma greve, que já dura dez dias.

    O grupo reclama de atrasos no pagamento de salários, férias, horas-extra e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). A direção da empresa admite a dívida e justifica que está tentando uma solução para colocar as contas em dia. Mas ainda não tem uma previsão para fazer o acerto.

    Como as partes não chegaram a um acordo, a questão terá um encaminhamento na Justiça do Trabalho, que promoverá uma audiência com os grevistas e representantes da empresa. O encontro está marcado para esta quinta-feira, 31 de agosto.

    A jornalista Elisa Pereira, 33 anos, há três em A Razão, foi eleita porta-voz do grupo nas negociações com a direção. Ela conta que a situação está difícil há tempo, mas que o problema vem se agravando. “Com o atraso nos pagamentos cada vez maior, a situação ficou insustentável”, diz ela.

    Os jornalistas fizeram várias reuniões e cobraram uma posição da direção após assembléia, no dia 10 de agosto. A empresa disse que iria tentar solucionar. Ficou estabelecido o prazo de uma semana, até 17 de agosto, para uma solução. Como não obteve resposta, o grupo optou pela greve, desde o dia 20.

    “Tentamos conversar nos três primeiros dias após a greve, mas não sentam conosco, não esclarecem o problema, nem aceitam o diálogo. Como não fomos recebidos nem retornaram nossas ligações, teremos que resolver a situação na Justiça”, explica Elisa.

    A jornalista diz que a classe sempre foi solidária, compreensiva e idealista, aceitando receber salários com atraso e de forma parcelada. Mas entende que as condições estão piorando e chegaram a um limite.

    “Todo mundo quer que o jornal continue existindo. Mas já demos nossa cota de sacrifício. Infelizmente, é possível que Santa Maria volte a ter um monopólio. Ou que A Razão siga, com uma estrutura mais enxuta”, acredita Elisa. Mas, de momento, o que a categoria busca é o pagamento dos salários e direitos pelo que já foi trabalhado.

    O executivo do jornal, Gaspar Miotto, diz que os grevistas sumiram. E revela que a empresa obteve, na semana passada, com a Caixa Econômica Federal, autorização para pagar o FGTS atrasado, de forma parcelada.

    Concorrência desproporcional
    Apesar das baixas, o jornal A Razão não deixou de publicar suas seis edições semanais. É mantido pelos remanescentes e alguns novos contratados de forma emergencial. A redação está menor, mas consegue tocar o jornal.

    “É claro que tivemos prejuízo, perdemos alguns bons profissionais, mas não podemos parar de circular, senão vamos ter que fechar”, diz o executivo Gaspar Miotto. Assessor da direção, ele observa que as dificuldades se acentuaram nos últimos quatro anos, após o lançamento do Diário de Santa Maria, do Grupo RBS.

    “Claro que Santa Maria tem espaço para dois diários, mas desde que sejam respeitados alguns critérios, especialmente no campo publicitário”, aponta. Miotto relata a prática da concorrência, de dar grandes descontos para os anunciantes.

    Há outras vantagens como venda casada e compensação em outros meios de comunicação – a RBS tem duas emissoras de rádio (Itapema e Atlântida) e uma TV em Santa Maria. “Em alguns casos, não temos como acompanhar os preços. Aí o anunciante alega os benefícios da concorrência”, exemplifica Miotto.

    O fato causou uma queda na arrecadação do veículo, que manteve seus custos. Essa combinação pode explicar, em parte, a crise econômica de A Razão. Apesar disso, o jornal mantém a tiragem de 15 mil, com seus mais de 10 mil assinantes. O jornal tem gráfica e sede próprias, marca forte e tradição. “Nossa dívida não é tão grande. Vamos conseguir pagar, parcelando, e seguir em frente”, prevê o executivo.

    Diante da crise, os planos são incrementar as vendas e promover uma reengenharia nos próximos meses, com o objetivo de reduzir custos. “Mas sem perder a qualidade editorial do jornal”. Otimista, Miotto diz que a idéia é projetar os próximos 70 anos. “E quando chegar lá, pensar os 70 anos seguintes”.

  • Sindicato dos Enfermeiros critica gestão da saúde em Porto Alegre

    Em audiência na Câmara Municipal, enfermeiros reclamaram que faltam ações de prevenção (Fotos: Juliana Freitas/CMPA)

    Helen Lopes

    O Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul (Sergs) denunciou na tarde desta terça-feira, 29 de agosto, na Comissão de Saúde e Meio Ambiente (Cosmam) da Câmara Municipal, deficiências no sistema de saúde da Capital.

    Conforme a diretora da entidade, Nelci Dias, a gestão está priorizando ações de alta complexidade – exames e tratamentos avançados – em detrimento dos procedimentos de prevenção.

    A análise foi feita perante dados do relatório do primeiro trimestre de 2006 da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que aponta um aumento de 26% da mortalidade infantil, em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 66 mortes de crianças de até um ano, 14 a mais que no período anterior, quando faleceram 52. Óbitos de recém nascidos aumentaram 38%, passando de 26 para 36.

    O Sindicato reclama que as medidas preventivas na área odontológica também foram deixadas de lado. “Não há mais ações nas escolas de orientação e conscientização”, acusa Nelci, que trabalha como enfermeira há 15 anos.

    De acordo com o relatório, os três itens que compõem as atividades básicas diminuíram neste ano – extração de dentes caiu 61% e procedimentos odontológicos coletivos e ações básicas baixaram 14%, cada. Além disso, a entidade afirma que a administração municipal está realizando 2,77% menos exames preventivos de câncer do colo do útero.

    O Sindicato também acusa a Prefeitura de estar comprometida com a classe médica, promovendo a contratação de 65 médicos e apenas dois enfermeiros. Os dados indicam que nos três primeiros meses do ano foram feitas 28 mil consultas. Segundo Nelci, esse número representa uma média diária de 16 atendimentos por médico. “É muito pouco. Para isso, 29 profissionais seriam o suficiente”, acredita a enfermeira.

    Secretário rebate avaliação do Sindicato

    O secretário municipal de Saúde, Pedro Gus, explicou que as variáveis mudam de ano para ano e que o dado de aumento da mortalidade precisa ser consolidado no final do ano para se tornar real. “Não podemos pinçar dados do relatório e analisar isoladamente”, afirmou.

    Gus admitiu, porém, que ocorreram problemas internos na Secretaria e que existe deficiência de verbas para compra de remédios. “O primeiro trimestre foi ruim, mas não aceito que se diga que a saúde piorou em Porto Alegre”, rebateu o secretário.

    Secretário de Saúde, Pedro Gus: “O primeiro trimestre foi ruim, mas não aceito que se diga que a saúde piorou em Porto Alegre”

    Conforme o gerente de Regulação dos Serviços de Saúde da SMS, Eduardo Elsade, os gestores não estão priorizando ações de alta complexidade porque não escolhem o destino dos recursos. “Isso já vem definido do Ministério da Saúde”.

    Elsade reclamou que a situação piora porque o Governo do Estado não repassa o dinheiro da saúde aos municípios há 18 meses. A dívida totaliza R$ 208 milhões.

    Para o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Oscar Paniz, existem muitas questões “que não estão minimamente resolvidas”, como exemplo, a necessidade de maior controle da SMS na falta de medicamentos nos postos de saúde.

  • Prefeitura vai apresentar ao BID alterações no Programa Socioambiental

    Programa vai tratar 50% do esgoto de Porto Alegre (Foto: Tânia Meinerz/Arquivo/ JÁ)

    Guilherme Kolling

    A Prefeitura está preparando mais uma cartada para retomar o Programa Integrado Socioambiental, que irá tratar 50% do esgoto cloacal de Porto Alegre. Com isso, o índice da cidade vai saltar de 27% para 77% de esgoto tratado. Trata-se de um passo decisivo para a despoluição do Lago Guaíba.

    O gerente do Programa, engenheiro Carlos Fernando Marins, e técnicos da Prefeitura estão trabalhando nos últimos detalhes das alterações que serão feitas no projeto. Um encontro com Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está marcado para 11 de setembro, em Washington, quando serão entregues três propostas.

    Além do engenheiro Marins, a administração municipal vai levar aos Estados Unidos o diretor do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), Flávio Presser, e o secretário de Gestão e Acompanhamento Estratégico, Clóvis Magalhães. A reunião servirá para aprofundar discussões técnicas iniciadas em fevereiro deste ano, quando uma missão do BID visitou a Capital.

    A negociação para garantir o financiamento do banco, ameaçado após os sucessivos déficits do Município (2002, 2003 e 2004), também está na pauta. A idéia da Prefeitura é enquadrar as obras ao novo orçamento, mais apertado.

    Os recursos aprovados pelo BID para a implantação do Programa Socioambiental totalizam 115 milhões de dólares. O problema é que o cálculo foi feito em 2003, quando a moeda norte-americana estava cotada a R$ 3, ou seja, o projeto custaria R$ 345 milhões. Hoje, o preço do dólar está abaixo dos R$ 2,20. Por isso, ao invés de 115 milhões de dólares, seriam necessários 160 milhões de dólares para concretizar a empreitada.

    Engenheiro Marins prepara propostas para o BID (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)

    A principal alteração no projeto original do Socioambiental é na largura do emissário de 17 km de comprimento, que vai levar os resíduos da Ponta da Cadeia, no Centro, até o bairro Serraria, onde serão instaladas estações de tratamento. Ao invés de dois tubos de 1.200mm (1,2 metro) de diâmetro, haverá um único cano, com 1,6 metro de diâmetro.

    Programa vai durar uma década

    A Prefeitura solicitou ao BID que o prazo de execução do Programa Socioambiental seja esticado – o projeto original previa seis anos para os trabalhos. Pelo novo acordo, serão dez anos, o que permitirá ao poder público municipal cumprir sua contrapartida financeira com mais folga.

    Se tudo ocorrer como o previsto, isto é, se o Banco aprovar a proposta e a Secretaria do Tesouro Nacional der o aval para a negociação internacional, as obras devem iniciar em 2007 e ser concluídas em 2016.

    Como a Prefeitura já tem uma carta-consulta aprovada no valor do cálculo original (115 milhões de dólares) decidiu dividir o projeto em duas partes. A primeira etapa, ao custo dos 115 milhões, vai durar seis anos, priorizando o saneamento básico. A segunda parte, orçada em 45 milhões de dólares, demora mais quatro anos, e é voltada para a drenagem e o reassentamento de famílias em locais de risco.

    Para aprovar o projeto, a administração de Porto Alegre aposta nos números. Depois do superávit de R$ 87,5 milhões em 2005, a expectativa é ter mais um ano com saldo positivo neste 2006. Outro trunfo é a demonstração de interesse no início dos trabalhos.

    Para isso, nada melhor do que dar início à contrapartida, o que a Prefeitura pretende fazer através de uma grande obra na Restinga. O bairro, no Extremo Sul da cidade, receberá 80 quilômetros de rede de esgoto, ao custo de R$ 32 milhões. São R$ 29 milhões de recursos da Caixa Econômica Federal e R$ 3 milhões do Dmae.

    Conselho do Plano Diretor aprova obras na Restinga

    Com 15 votos favoráveis e duas abstenções, o Conselho do Plano Diretor aprovou em 15 de agosto o termo de referência do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima) para as obras de instalação da rede de esgotos na Restinga.

    Com a verba liberada pela Caixa Econômica Federal, a obra depende agora de licitações para o EIA-Rima e a construção. “É possível que iniciemos ainda este ano”, projeta o engenheiro Fernando Marins, com otimismo.

    As diretrizes do estudo de impacto ambiental que será realizado foram mostradas ao Conselho do Plano Diretor por uma equipe da Secretaria do Meio Ambiente. O diagnóstico levará em conta ligações de redes já existentes, geografia, espécie de fauna e flora, áreas verdes, potencial arqueológico e identificação do impacto com a implantação e evolução do projeto.

  • Saúde para 1 milhão de habitantes de Alvorada


    Equipe da Unidade Móvel do Hospital Mãe de Deus comemora mais de 1 milhão de atendimentos em dez anos de existência (Foto: René Cabrales/Divulgação/JÁ)

    Naira Hofmeister

    Na estrada desde 1996, a Unidade Móvel do Hospital Mãe de Deus comemora 10 anos de funcionamento. O ônibus percorre cinco vilas de Alvorada durante a semana, equipado com aparelhos e profissionais das áreas de medicina geral comunitária, odontologia, oftalmologia, enfermagem e serviço social. Desde sua implantação, foram 910 mil atendimentos gratuitos e 1.422.227 medicamentos distribuídos.

    Nos finais de semana, a unidade vai para Muçum, Campo Bom, Torres, Capão da Canoa ou Porto Alegre, cidades onde o Mãe de Deus mantém centros de atendimento. Ao longo dessa década, foram 128 mil atendimentos nesses finais de semana, quando a prioridade foi trabalhar a prevenção de doenças crônicas, como a diabetes, hipertensão e obesidade.

    A Irmã Lúcia Boniatti, presidente da instituição, explica que a dedicação ao serviço social é prática da congregação à qual pertence a mantenedora do Mãe de Deus, as Irmãs Missionaieras de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas. Por isso, a escolha de Alvorada para receber a Unidade Móvel regularmente.

    O atual prefeito João Carlos Brum (PTB), denuncia o que chama de ‘injustiça histórica’ com o município, por parte dos governos do Estado e Federal. Ele apresentou dados da década 1950, quando a cidade tinha cerca de 4 mil habitantes. Depois que se emancipou de Viamão, em 1965, já eram 12 mil moradores. “Na última carta que recebemos do IBGE, com o censo, anotaram 210 mil 476 habitantes”.

    Com um crescimento populacional em desproporção ao desenvolvimento econômico, Alvorada não possui sistema de atendimento público compatível com o número de habitantes. “Nossa demanda é muito grande, e esperamos que o serviço do Mãe de Deus seja efetivamente ampliado, para amenizar nossas dificuldades”, sugeriu o prefeito.

    Além do atendimento em saúde, na Unidade Móvel, faz parte do programa uma itinerância de profissionais pelas escolas municipais, onde realizam palestras: “Eles falam sobre educação sexual, ensinam a escovar corretamente os dentes e aplicar flúor e ainda realizam o teste de acuidade, que descobre se a criança necessita de óculos”, relata Irmã Celsa Zucco, gestora dos programas sociais de saúde comunitária do Mãe de Deus.

    É também a equipe de Irmã Zucco que realiza o pré-natal e atendimento às crianças desnutridas, serviço que atinge atualmente 50 famílias. Além disso, o Mãe de Deus mantém diversas outras ações sociais, como o Posto de Saúde Avançado, o Centro Comunitário Vila Gaúcha, no Morro Santa Teresa, e o Projeto Visão, que faz atendimento oftalmológico gratuito, e que realiza, inclusive, cirurgias.

    O orgulho da equipe do Hospital é ter visto, durante esses 10 anos de atuação, resultados que vão além da saúde das comunidades: “Não precisamos mais ir em algumas localidades que visitávamos em 1996, pois a sociedade já está organizada”. Irmã Zucco conta que o atendimento no ônibus desperta a cidadania das pessoas, que cobram a inclusão de suas comunidades em programas como o Saúde da Família e a implantação de unidades básicas nas vilas.

  • Domingo de homenagem aos jovens vítimas da violência


    No chão, virados para baixo, os cartazes alusivos aos jovens falecidos (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Neste domingo, 27 de agosto, a manhã nublada combinou com a revolta e a tristeza dos amigos e familiares de jovens assassinados no Estado. Em duas caminhadas até a Redenção, eles pediram justiça e providências do poder público para conter a violência.

    A ONG Chega de Violência lembrou as vitimas na 3ª edição da Passeata pela Paz. Próximos dali os amigos do jovem Rodrigo Carvalho, morto há dez dias, protestaram contra o racismo.

    Pela Avenida João Pessoa, cerca de 200 pessoas caminharam vestidas de branco, acompanhadas de cavaleiros do Centro de Tradições Gaúchas 35. Os manifestantes seguravam alguns cartazes em forma humana, que continham o nome, a idade e a data de morte de cada uma das vítimas. Eles seguiram pela rua Paulo Gama e Rótula da Setembrina até o parque da Redenção.

    Para a vice-presidente da ONG Chega de Violência, Corina Breton, a sociedade civil tem que se organizar e exigir das autoridades segurança, “que é um direito”. Corina, que já organizou outras duas passeatas semelhantes, espera conscientizar a comunidade ao lembrar das vítimas que morreram jovens por causa da violência.

    Ela afirma que a ONG Chega de Violência também atua em outras áreas, como ações sociais, antidrogas e legislação penal. “Essas são as causas dos crimes que choramos hoje”.

    Contra o Racismo


    As faixas: “Rodrigo, tua morte não será em vão, para o racismo dizemos não”; e “Olho por olho e o mundo acaba cego, não há vingança e sim justiça”

    Outro grupo chamou a atenção nos arredores da Redenção, apitando e segurando faixas e cartazes com dizeres pela paz. O manifesto lembrou os dez dias do assassinato de Rodrigo Carvalho, 28 anos, morto com um tiro numa discussão com o vizinho.

    O incidente, que ocorreu num prédio no bairro Santana, foi motivado por agressões verbais racistas, na noite em que o jovem comemorava a vitória do Internacional na Copa Libertadores.

    Aproximadamente 60 pessoas entre familiares, amigos e vizinhos pediram justiça e providências aos órgãos públicos. Um dos irmãos da vítima, José Carlos Carvalho, diz que a caminhada tem como objetivo homenagear Rodrigo e pedir tolerância à diferença. “Não podemos esquecer que meu irmão foi assassinado por um racista”.

    Outro irmão, Paulo Henrique Almeida Carvalho, diz que o protesto é Contra o Racismo, Pela paz e Pela vida. “Queremos mostrar que as grades são ilusórias e os preconceitos é que nos prendem”. Ele adianta que a família está se organizando para pedir todas as indenizações possíveis. “Sabemos que o dinheiro não traz meu irmão de volta, mas dá o exemplo para não acontecer mais”.

    A passeata saiu da frente do Hospital de Pronto Socorro e seguiu pela avenida Venâncio Aires até a rua Santana, quando se encaminhou para o Parque Ramiro Souto pelo Brique da Redenção.

  • Índios guaranis ganham melhores condições de vida


    Dez casas foram planejadas e construídas para o estilo de vida dos índios
    (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Um terreno próximo à Parada 22 da Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, abriga há nove anos a aldeia Anheteguá, com 70 índios Mbyá-Guarani. Desde o início do ano, o espaço recebe obras dos governos estadual e federal para melhorar a infra-estrutura e qualidade de vida. A comunidade, que ainda mantém costumes milenares, celebra a construção de novas casas.

    A Secretaria estadual de Habitação e Desenvolvimento Urbano já entregou 10 casas para a aldeia e deve construir mais três até o final do ano. As residências de madeira foram estrategicamente planejadas para comportar o estilo de vida dos índios – com portas grandes, muitas janelas e uma área aberta na frente.


    O cacique da aldeia, Cerilo, também representa todos os Guarani do Rio Grande do Sul

    O cacique da Lomba do Pinheiro, José Cerilo, explica que antes da construção, foi consultado sobre a forma dos domicílios. “Só assim daria certo porque temos os nossos costumes”, explica o índio, que também é cacique dos Guarani do Rio Grande do Sul.

    O grupo ainda terá um centro cultural até o final do ano, com a forma de um tatu. O cacique conta que o formato foi escolhido e desenhado por estudantes de arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). No local serão realizados rituais da comunidade e eventos para visitantes, como palestras. “Faremos um cronograma das atividades”, garante Cerilo.


    O posto de saúde indígena está quase pronto

    Os índios ainda aguardam a conclusão de um posto de saúde indígena, que será feito com recursos do Ministério da Saúde. O local vai oferecer atendimento especializado aos integrantes da comunidade. Até dezembro, outros 23 postos serão entregues a grupos indígenas do Rio Grande do Sul, totalizando um investimento de R$ 3 milhões, financiados pelo Banco Mundial.

    A aldeia Anheteguá

    Reduzidos a aproximadamente mil pessoas no Estado, os índios Mbyá-Guarani mantêm sua cultura, apesar das dificuldades para sobreviver em áreas verdes cada vez mais restritas. Na Lomba do Pinheiro, o grupo pesca carpas em um pequeno lago e planta milho e batata doce, entre outros alimentos.

    Eles também produzem artesanato – miniatura de animais em madeira, cestas e bijuterias – mas não costumam ir até o centro da cidade vender as peças, como fazem outras comunidades indígenas.

    “Preferimos ficar reservados na aldeia”, diz o cacique. O isolamento faz parte estilo de vida destes guaranis, que gostam de ficar em casa, cuidando da família, de preferência tomando chimarrão. “Chimarrão é a nossa vida”, resume o cacique.

    Além de estar distante de grandes centros urbanos, a aldeia recebe poucas visitas, geralmente de estudantes universitários e professores. Mas Cerilo garante que a relação com os vizinhos em volta é pacífica. “Ninguém entra aqui sem permissão”, ensina.

  • Comunidades pedem recursos para a agricultura negra


    O objetivo do encontro é lutar por políticas públicas para o desenvolvimento da atividade (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Na manhã deste sábado, 26 de agosto, iniciou o Seminário Nacional de Agricultura Negra e Quilombola, que segue até domingo no auditório da Igreja Pompéia, na rua Barros Cassal, nº 220, em Porto Alegre.

    O encontro discute produção, comercialização, visibilidade e cultura da agricultura negra tradicional no país. O objetivo é gerar encaminhamentos que busquem políticas públicas para o desenvolvimento desta atividade.

    Entre os palestrantes estão representantes de associações de quilombolas, organizações não governamentais, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),  Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Inca).

    A platéia, que também participa de debates, é composta por aproximadamente 150 pessoas, a maioria integrante de comunidades quilombolas no interior do Rio Grande do Sul.

    O coordenador da Federação Nacional de Quilombolas, Roberto Potácio Rosa, destaca a importância de colocar em pauta as dificuldades da agricultura negra, cujos produtos não têm visibilidade ou valor no mercado.

    “Precisamos mostrar que temos mão-de-obra qualificada, conhecimentos culturais, técnicas de plantio e produtos com qualidade sem o uso do agrotóxico”.

    Rosa diz que um dos principais problemas é o acesso à terra e a falta de políticas públicas de educação e saúde, que melhorem o dia-a-dia das famílias negras rurais. “Vivemos as seqüelas do passado, de um regime escravocrata que obrigou as comunidades negras tradicionais a ficaram em estágio de confinamento”.


    Aproximadamente 150 pessoas participam do seminário

    A coordenadora da Federação Estadual dos Quilombolas, Cledes de Souza, afirma que a principal demanda é o repasse oficial de territórios históricos que a comunidade tem direito e recursos para produzir nestas áreas.  “A meta do seminário é buscar o acesso a linhas de crédito e incentivos que outras camadas da agricultura têm”.

    O grupo defende que o Pronaf – Programa Nacional de Apoio ao Desenvolvimento Rural, do Ministério de Desenvolvimento Agrário – seja estendido aos quilombos. O programa apóia a agricultura familiar com linhas de crédito e recursos para a infra-estrutura. É coordenado pelo Ministério, através da Secretaria da Agricultura Familiar.

    Além das palestras e debates, a programação do seminário inclui mostra de artesanato quilombola, exposição fotográfica das comunidades quilombolas do Estado, mostra de produtos e apresentações artísticas.

  • Catálogo de Iberê deve ser reeditado

    Naira Hofmeister

    O prestígio da publicação do primeiro volume do catálogo raisonné de Iberê Camargo, que reúne a produção em gravuras do artista, foi atestado na noite de lançamento do volume, no Santander Cultural.

    Repleta de personalidades das artes gaúchas – estavam lá Anico Herscovitz, Nelson Coelho de Castro e Lilliana Magalhães, por exemplo – a noite de autógrafos se estendeu por uma hora além do previsto, em função da grande procura.

    A coordenadora da equipe de catalogação, Mônica Zielinsky, que assina a obra, se mostrou surpresa com a quantidade de livros vendidos, antes mesmo do lançamento oficial. “Os volumes da editora já se esgotaram”, comemora.

    Pudera, já que a sistematização da obra completa de artistas é atividade rara no país, onde apenas Cândido Portinari possui estudo semelhante. A reedição já é cogitada, ainda que só deva acontecer depois da publicação dos demais volumes – um de pinturas e outro de desenhos.

    Na apresentação, Mônica agradeceu a toda equipe que participou da pesquisa, que durou quatro anos. “Esse é o resultado de um trabalho de várias mãos”. Também lembrou os patrocinadores – Gerdau e Petrobras – e parabenizou a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da qual é professora no Instituto de Artes. “Essa é mais uma amostra do trabalho de extensão da UFRGS, que se insere fortemente na comunidade”.

    O livro, com 500 páginas e 329 gravuras é editado pela Cosac Naify, responsável por publicações da mais alta qualidade gráfica. Além dos 2.500 exemplares em português, o catálogo recebeu uma versão em inglês, com tiragem de 500 livros. Livrarias de todo país já comercializam a obra por R$ 159.

    Mônica Zielinsky comemora: “Os volumes da editora já se esgotaram”(Foto: Tânia Meinerz/Arquivo/JÁ)

    No próximo dia 30 de agosto, Caxias do Sul recebe a equipe para o lançamento local, que será acompanhado de palestra com Mônica Zielinsky. Seguem-se eventos no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Florianópolis, Curitiba e São Paulo.

    Na capital paulista, o primeiro catálogo raisonné de gravuras do país chega acompanhado de uma exposição no Instituto Tomie Ohtake.

    Pesquisadores pedem auxílio na pesquisa

    Em meio ao lançamento do primeiro volume do catálogo raisonné de Iberê Camargo em diversas capitais brasileiras, a equipe de Mônica Zielinsky já prepara os próximos passos da coleção, que deve dar conta das mais de 7 mil obras que o gaúcho deixou.

    Com o número de integrantes reduzido, o mapeamento da produção de Iberê em pintura, desenhos, guaches e cerâmicas será ainda mais complexo. “Sofremos muita pressão para publicar o primeiro volume, mas optamos por retardar o processo em nome da excelência da publicação”, revela Zielinsky.

    Perseguindo com exaustão a cobertura completa da produção de 55 anos de carreira do artista, Mônica solicitou que a comunidade participe do processo de mapeamento: “Quem tiver alguma obra do Iberê, achar que tem, ou souber de um vizinho que possua, por favor, entre em contato”.

    Os colaboradores podem conversar com a equipe através dos telefones (51) 3247.2666, 3247.2940 ou através do site www.iberecamargo.org.br, da Fundação Iberê Camargo.