Categoria: X.Categorias velhas

  • Experiência de gestão cultural

    Santander Cultural foi um dos exemplos de gestão cultural bem sucedida apresentado durante o Fórum Cultura, Comunicação e Cidadania (Foto: Divulgação/JÁ)

    Naira Hofmeister
    Santander Cultural, Porto Alegre Em Cena, Bienal do Mercosul, Centro de Cultura Telemar, no Rio de Janeiro e SESC foram os exemplos de bem sucedidas iniciativas de gestão cultural, apresentadas no Fórum Comunicação, Cultura e Cidadania, ocorrido na noite de terça-feira, 22, no Santander Cultural. O público, que na porta de entrada da instituição, lotava a lista de espera para ouvir o seminário, acabou o evento com um brinde de champagne e a sensação de que não foi exatamente o que esperavam.
    A expectativa era pelo debate do atual modelo de gestão cultural, de possibilidades de junção do interesse público com o marketing das empresas voltado para a cultura e dos problemas das Leis de Incentivo à Cultura, que não dão conta da diversidade artística do país nem viabilizam projetos menos comerciais.
    Os convidados – Liliana Magalhães, do Santander Cultural, Maria Arlete Gonçalves, do Centro Cultural Telemar, Justo Werlang, da Bienal do Mercosul, Danilo Miranda, do SESC e Luciano Alabarse, do Porto Alegre Em Cena – em sua maioria acabaram atendo-se a narrativas das experiências de seus institutos, celebrando as atividades que cada um promove, sempre destacando o interesse de viabilizar a transformação social através da arte.
    Nádia Rebouças: a teórica da cultura
    O seminário iniciou com uma apresentação de Nádia Rebouças, salientando que suas atividades não estavam ligadas à produção cultural, mas sim, à pesquisa sobre o assunto. Em sua abordagem teórica, Nádia materializou a mudança do paradigma sócio-cultural da contemporaneidade. Ela entende que tudo o que antes recebia interpretações mecanicistas, práticas, “newtonianas”, tem hoje uma concepção atual mais holística, sistêmica e integrada.
    Segundo a pesquisadora, essa visão abriga novos olhares, pede mudanças na percepção, nos valores e  credos das pessoas. “Compreender é holístico, mas explicar é mecanicista”, exemplificou, sublinhando que nesse mundo holístico, as mensagens são sentidas e não faladas.
    Dentro dessa lógica, a cultura exerceria o papel fundamental de formação de identidade. A comunicação, proporciona alcance a iniciativas de resgate e reflexão sobre o que somos. Juntos, os dois processos culminam na cidadania, que se reflete no cuidado e respeito com o que nos pertence. Quanto ao enfoque cultural, Nádia afirma que a excelência artística está em saber unir a preservação do passado e a criatividade do futuro.
    Diálogo: a palavra da boa gestão cultural
    Na prática, o que os palestrantes do Fórum de Gestão Cultural – Cultura, Comunicação e Cidadania apresentaram, foi o modelo do sucesso de suas instituições. As diferenças entre os estabelecimentos – o SESC, entidade de classe, o Em Cena e a Bienal, que têm apoio nas LICs e as casas que representam o braço cultural de grandes empresas – não se refletiram na maneira como seus gestores comandam as políticas culturais, que se aproximam bastante umas das outras.
    A regra geral é manter um diálogo, identificando as necessidades da sociedade e trabalhando em parceria com outras instituições: “Quando fizemos o balanço de nossas atividades, fiquei muito surpresa ao saber que 60% de tudo o que o Santander Cultural realizou foi com recursos externos”, revela Liliana Magalhães, superintendente da instituição. Foi ela também que sistematizou a regra: ter sintonia com o tempo e o espaço que convive a instituição, capacidade de adaptação e respeito ao mercado.

    LIliana Magalhães, que, há cinco anos comanda o Santander Cultural, surpreendeu-se com a quantidade de projetos viabilizados através de parcerias (Foto: Naira Hofmeister/Arquivo JÁ)

    Seguindo esse parâmetro se deu a criação do Centro Cultural Telemar, na cidade do Rio de Janeiro. A privatização do setor de telecomunicações, ocorrida em 1998, deu à Telemar o antigo prédio do Museu do Telephone, que, após muito estudo e discussão, transformou-se, no início de 2005, em um espaço de reflexão social, a partir de trocas culturais. “Nos demos conta que não havia como a empresa sobreviver sem incentivar o crescimento do país, que não deve ser reduzido à economia. Por isso, determinamos que cultura, educação e cidadania, seriam os três eixos principais de nosso trabalho”, resumiu Maria Arlete Gonçalves, curadora do instituto.
    A opinião de que o desenvolvimento não se dá apenas na área financeira é dividida com Danilo Miranda, representante do SESC, instituição voltada ao bem estar social dos trabalhadores do comércio. “Todos aqui temos uma característica em comum, que é ser da religião que acredita que a cultura é muito importante”, disse.
    Para o gestor, formado em filosofia, um dos principais problemas a ser enfrentado pelas entidades culturais no Brasil é a falta de sintonia entre educação e cultura. Ele citou como exemplo o MEC, que, na sigla carrega o antigo conceito de cultura e educação trabalhando em conjunto, mas que dividiu-se: “Hoje, o MinC conta com apenas 0,5% do orçamento federal”, lamentou.
    Miranda também deu uma dica para quem se interessa pelo assunto: para uma gestão cultural dar certo, deve ter claro o seu “DNA”, que seria o público alvo, a intenção e o financiador das ações sócio-culturais. Outro conselho do pensador é investir na facilitação de acesso, seja levando as atrações para quem precisa, seja disponibilizando transporte gratuito.
    Luciano Alabarse, do Porto Alegre Em Cena e Justo Werlang, da Bienal do Mercosul, trouxeram o exemplo de projetos que não funcionam em tempo intergral, alternando momentos de intensa atividade com outros de “dormência”, como referiu Werlang.
    Para Alabarse, a principal característica do meio cultural é que sabe lidar bem com seus próprios erros, “que podem dar origem à verdadeiras maravilhas”. Esse sintoma, na visão de Werlang, é o que culmina no que ele chamou de caos criativo, “uma verdadeira tsumani” de idéias.
    O papel do patrocinador também foi elucidado e, a conclusão geral é que os interesses comerciais jamais podem se sobressair aos artísticos: “Jamais podemos ter dúvida de que o determinante é o interesse cultural, ainda mais se lidamos com recursos públicos”, pontuou Miranda, complementando que a prioridade do corpo social deve ser a da manutenção da condição humana para as gerações vindouras.

  • Casa dos Bancários: sindicalismo e cultura

    Naira Hofmeister
    A partir da próxima segunda-feira, 28 de agosto, os 7 mil filiados do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região Metropolitana (SindBancários) contam com uma nova sede de atendimento. É a Casa dos Bancários, que vai concentrar os serviços de atendimento médico, jurídico e a central de relacionamentos da categoria num só local. A data da inauguração marca as comemorações pelo Dia do Bancário.
    “Nos sentimos muito orgulhosos desse investimento, que não é de uso restrito dos sindicalizados, mas contribui com a cidade”, comemora o presidente do SindiBancários, Juberlei Bacelo. O prédio localizado na General Câmara, 424, a popular Rua da Ladeira, foi totalmente reformado.
    A construção, formada por duas casas geminadas, recebeu cores vivas e recupera a arquitetura da década de 1920. As salas dianteiras dos quatro andares também foram restauradas e conservam o estilo do início do século XX. Em compensação, o resto da arquitetura recebeu design moderno e decoração requintada, com luminárias estilizadas e algumas paredes e pisos de vidro.
    A população de Porto Alegre também poderá desfrutar dos 1840m² do prédio. Além de sede do Sindicato, terá um centro cultural com teatro, biblioteca, local para exposições e realização de oficinas de arte abertas à comunidade. Uma sala de cinema deve estar pronta até meados de 2007.
    Centro Cultural será exemplo de tecnologia
    O andar térreo da Casa dos Bancários vai abrigar o centro cultural, que terá como grande destaque a moderna sala de cinema, que ainda não tem previsão de funcionamento em razão da inclusão do projeto na Lei Rouanet.
    “Acreditamos que até o inicio do próximo ano já tenhamos a verba, pois estamos com tratativas avançadas com algumas empresas”, revela Bacelo. Entre os candidatos a patrocinador do Cine Bancários, a Refap – Refinaria Alberto Pasqualini e a Cia Zaffari. A estimativa de custos é de R$ 800 mil para viabilizar o cinema.
    O projeto do Cine Bancários inclui sala de projeção híbrida, que pode passar filmes em película e formato digital, som digital 5.1, assentos especiais para obesos e local reservado para cadeirantes. Além disso, o espaço terá palco e camarins, que poderão ser utilizados para espetáculos teatrais.
    A programação do futuro cinema também será diferenciada, priorizando a exibição de produções brasileiras e gaúchas, tanto em longas, como em curtas-metragens. “Por ano, são lançados mais de 40 longas-metragens na indústria cinematográfica nacional, que não têm espaço nas salas comerciais”, avalia Cícero Aragon, presidente da Fundacine, parceira do projeto do sindicato.
    Também estão localizados no andar mais baixo, a biblioteca – que conta com um acervo de mais de 7 mil volumes, em constante atualização –, salas para exposições de arte, e centro de inclusão digital, que, até setembro deve disponibilizar programas educacionais voltados à comunidade carente. Nos fundos do prédio, um café-bar começa a ser montado, com estrutura capaz de receber apresentações musicais e saraus literários.
    “Além de tudo isso, colocamos toda estrutura a serviço das secretarias estadual e municipal de Cultura, Câmara Municipal e Assembléia Legislativa para realização de eventos durante o ano”, explica Juberlei Bacelo. A Feira do Livro é alvo preferencial, em vista da necessidade de espaços para a programação alternativa.
    Serviços do sindicato unificados
    Os três andares superiores da Casa dos Bancários serão destinados à categoria. O atendimento aos sindicalizados será realizado no segundo andar da instituição, que vai unificar os serviços de atendimento médico, jurídico e de relacionamento com filiados. Até agora, o sindicato se dividia em duas sedes, uma na Avenida Mauá e outra na Galeria Malcon. Nesse pavimento também está a churrasqueira, local de lazer para os sindicalizados, que conta com geladeira e microondas.
    No segundo andar ficam as salas da direção, onde a tecnologia de ponta está por toda parte, em computadores de última geração, com tela de plasma e aparelhos multimídia. O auditório, com capacidade para 200 lugares, se divide em três salas menores, cada qual comportando cerca de 60 pessoas. Finalmente no quarto e último pavimento, construído especialmente para o projeto, um amplo salão de festas com cozinha e bar americano vai receber eventos.
    SindBancários investiu R$ 2,5 milhões na obra
    Os R$ 2,5 dois milhões e meio de reais investidos na recuperação do prédio e nos equipamentos das novas instalações foram totalmente tirados das mensalidades dos 7 mil filiados ao SindBancários.
    “Fizemos diversas assembléias para decidir, e os bancários hoje sentem-se orgulhosos de ver essa obra realizada”, afirma o presidente Juberlei Bacelo. O projeto existe desde 2003, quando começaram as tratativas técnicas para sua realização. No final desse mesmo ano, iniciaram as reformas.
    Ainda sem o orçamento de manutenção da nova sede, Juberlei Bacelo estima que a economia para o SindBancários será de cerca de R$ 5 mil ao mês: “Vamos gastar mais em segurança, mas em compensação, não teremos mais que pagar o condomínio das duas outras sedes, que sai mais de R$ 6 mil por mês”.
    A manutenção não preocupa Bacelo, pois toda a instalação elétrica e hidráulica é zero quilômetro. “O sistema de iluminação também é inteligente, e a arquiteta garantiu que teremos poucos gastos com luz”, orgulha-se.
    Faz parte ainda do centro cultural um projeto de memória, patrocinado pela Caixa Econômica Federal, que digitalizou todo o acervo de documentos adquirido ao longo da história do SindBancários.

  • Título do Inter alavanca vendas


    O gremista Alexandre Braz comemora as vendas com a vitória do Inter (Fotos: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    A primera semana após a conquista da Copa Libertadores da América pelo Internacional foi lucrativa para bancas de revistas e lojas de esportes. Os torcedores correram para adquirir produtos que registram a vitória inédita do clube.

    Na Inter Sports do estádio Beira-Rio, o aumento das vendas superou 80%. O proprietário Celso Boerre diz que vendeu 1.200 camisas oficiais nos três dias seguintes à conquista. Abrigos, bonés e cachecóis também foram muito procurados. “O pessoal esperou o resultado final para comprar”, conclui Boerre. Agora, começou a demanda pela nova camiseta, com uma quinta estrela acima do escudo. “Mas essa vai demorar um pouco para chegar”, projeta.

    Nas bancas e revistarias da cidade, os pôsteres e jornais que estampavam o time vencedor se esgotaram. Os donos também comemoram os lucros gerados desde a vitória final do Inter. Até os gremistas, como o proprietário da Braz Shop Tabacaria, estão felizes. “Bem que poderia ter uma dessas toda a semana”, diz Alexandre Braz. A loja, na avenida Venâncio Aires, nº 1187, vendeu em uma semana 200 dos 300 pôsteres do clube postos a venda.

    Ao justificar a grande procura, Braz aproveitou para tocar uma flauta. “Os colorados nunca ganharam, então agora todo mundo quer o pôster”. Ele compara as vendas com as da época em que o Grêmio foi campeão: “Saiu menos, mas na conquista da segunda divisão foi um fenômeno”.


    Adão Jardim vendeu todos os jornais do dia seguinte à conquista

    Na Banca do Adão, na rua Ramiro Barcelos, a grande procura foi pelos jornais diários no dia seguinte à final. “Vendi tudo”, lembra Adão Jardim, que mantém o negócio há vinte anos. O fenômeno foi o mesmo JS Tabacaria e Revistaria, na Ramiro Barcelos, n° 2215, que está com as portas abertas há um mês.

  • Moral e estética no fotojornalismo

    Lançamento da IsoPixel acontece no Studio Clio, nessa segunda-feira (Divulgação)

    Naira Hofmeister

    A noite da segunda-feira, 21 de agosto, marcou lançamento de um novo veículo dedicado à práticas quase esquecidas no jornalismo contemporâneo. IsoPixel, uma revista eletrônica editada pela Brasil Imagem, vai levar para o meio digital aquilo que clássicas revistas como Cruzeiro e Realidade representavam no jornalismo impresso dos anos 60: espaço.

    “A IsoPixel representa um resgate das grandes reportagens com ênfase social e cultural e com espaço aberto à fotografia documental”, assinala Carlos Carvalho, editor da IsoPixel. A revista é uma resposta à mercantilização da notícia, prática comum nas ‘empresas jornalísticas’ da atualidade: “O jornalismo deixou de ocupar o terreno da informação e da cultura para virar uma linha de produção”, critica o fotógrafo. “A fotografia perdeu ainda mais do que o texto, pois ficou reduzida a um registro de fato feito em duas colunas”., complementa.

    Inicialmente, a IsoPixel terá uma edição mensal, e, sem anunciantes corajosos o suficiente para bancar o projeto, a revista vai publicar trabalhos já realizados, mas que nunca se tornaram públicos por falta de interesse de veículos. A previsão e que, dentro de seis meses, a atualização do site seja quinzenal e, no final de um ano, torne-se semanal. “Ainda contaremos com colunistas e com uma parte voltada a notícias, que terá atualização mais freqüente”, revela Carvalho.

    Ao cabo de um ano, Carvalho espera que a IsoPixel já tenha crescido o suficiente para encomendar pautas: “Queremos chamar os grandes nomes da fotografia jornalística e bancar as matérias. É um sonho, mas acreditamos que é absolutamente possível”.

    Carvalho: o sonho de resgatar a força do fotojornalismo dos anos 60 (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)

    Para isso, a proposta comercial da IsoPixel também será diferenciada, assim como o seu conteúdo. Os anúncios serão voltados aos interesses do público-alvo da revista – essencialmente fotógrafos e admiradores de grandes reportagens – e funcionarão como um serviço: “Não queremos pendurar um anúncio do Submarino ou das Lojas Americanas, só para ganhar dinheiro”, avisa Carvalho.

    A revista também vai primar pela busca de novos horizontes para o jornalismo: a partir do segundo número, entra no ar o link IsoMultimídia, que vai disponibilizar reportagens com texto, som e imagem. “Essa tecnologia já é aplicada em jornais como o Washington Post”, exemplifica. Carvalho acredita que a inovação permite ampliar os apelos emocionais da matéria: “O fotógrafo pode inserir um depoimento próprio, músicas ou outros elementos que não entram na fotografia”.

    Por essa junção entre práticas mais antigas com o que há de vanguardista na produção fotojornalística é que a revista ganha o nome de IsoPixel, referência à dois elementos análogos da fotografia em película e da moderna digital. A sigla ISO se refere a International Standards Organization, a organização que dá referências e padrões aos filmes. Um dos mais conhecidos é o padrão ISO, ou ASA, que mede a sensibilidade dada pela quantidade de grãos de prata que vão na emulsão que recobre o acetato do filme. Já Pixel refere a “sensibilidade” do arquivo digital. Grosseiramente, é onde estão as unidades de “pontos de luz”, que são tão sensíveis quanto os grãos de prata de um filme.

    “As grandes matérias fotojornalísticas não dependem da tecnologia, e sim, da postura do fotógrafo”, acredita Carvalho, que utiliza tanto a tecnologia digital como as velhas máquinas analógicas em seus trabalhos. A festa de lançamento da IsoPixel acontece às 19h dessa segunda-feira, 21, no Studio Clio (José do Patrocínio, 698).

    Primeiro número entrou às 18h
    Encabeçam a edição três reportagens de fotojornalistas brasileiros, todas com ênfase social. A primeira, de João Roberto Ripper, foca a vida das marisqueiras da Bahia. O assunto abordado pelo gaúcho Luiz Abreu é a soja e, finalmente, o próprio Carlos Carvalho publica a recém realizada reportagem sobre os embates entre quilombolas do Espirito Santo e a Aracruz Celulose.
    “Me perguntei se não seria estranho o editor publicar uma matéria já na primeira edição, mas concluí que era uma bobagem, pois retrata o futuro cenário da metade sul do Rio Grande, que vai receber as papeleiras em breve”.
    Manifesto da IsoPixel: Um Olhar e mil palavras
    É assim, com um Olhar em maiúscula, para definir o trabalho autoral, auxiliado pelas palavras e o conteúdo de uma grande reportagem. A revista IsoPixel, nasce para reafirmar e unir.
    Reafirmar o olhar consolidado de trabalhos autorais que ao longo de mais de um século, nos trouxeram informação, visão humanista, documentação e a busca de uma estética que interfere no social, no cultural, e no dia a dia de todos os povos, sempre com uma linguagem gravada em um acetato que aprendemos a chamar de negativo e que consagrou inúmeros mestres da fotografia.
    Unir dois mundos – o ISO do negativo consagrado, e o universo Pixel – das novas tecnologias que aumentaram geometricamente o espaço da propagação da notícia e das imagens.
    A fotografia documental e a notícia ganham seu espaço nobre em nossas páginas eletrônicas, trazendo aos nossos leitores e parceiros um encontro entre a estética e o interesse social e público, uma combinação que já estava na hora de resgatar. Bem vindos à revista IsoPixel!

  • Ato reivindica cotas na UFRGS


    Manifestantes querem vagas para negros e índios (Fotos: Helen Lopes/JÁ)

    Helen Lopes

    Cerca de 60 pessoas realizaram um ato no campus central da UFRGS na tarde desta sexta-feira, 18 de agosto, para reivindicar a reserva de vagas para negros e índios. A manifestação marca o Dia de Mobilização Nacional em Defesa das Cotas Raciais nas universidades e no mercado de trabalho.

    Depois de fechar a avenida Paulo da Gama por cinco minutos, com faixas e ao som de tambores do grupo Africanamente – do bairro Partenon, os manifestantes entraram no saguão da reitoria da Universidade, onde foram recebidos pelo reitor José Carlos Hennemann.

    O reitor afirmou que o tema está avançado e que na próxima segunda-feira, 21 de agosto, a partir das 9h, será debatido num seminário no Salão de Atos. Mas lembrou que quem decidirá é o Conselho Universitário.


    Reitor ouviu reivincidações dos jovens

    A estudante da Enfermagem, Junara Ferreira, de 21 anos, lembrou que a questão das cotas é um direito do povo negro. “Não estamos pedindo nenhum favor”, ressaltou a ativista, que faz parte do Grupo de Trabalho Ações Afirmativas da UFRGS. “Conseguimos que a reitoria fizesse esses seminários para discussão e posterior votação”, explica.

    O Grupo surgiu de um projeto de extensão e foi institucionalizado no semestre passado. Com aproximadamente 50 componentes, é coordenado pelo professor de antropologia, do Instituto de Filosofia e História, José Carlos dos Anjos. Entre as atividades realizadas pelo GT está uma passeata no dia 21 de março, data mundial Contra o Racismo, e outro ato, no dia 8 de julho, pela inclusão dos jovens na universidade.

    A mobilização teve o apoio do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre, Organização Não-Governamental Maria Mulher e Cpers/Sindicato.

    Titulação do Quilombo Silva

    O protesto também reivindicava a titulação do Quilombo Silva, no bairro Três Figueiras, na Capital. O parecer de desapropriação da área foi aprovado pelo Instituto Nacional da Colonização e da Reforma Agrária (Incra) estadual nesta semana. Agora, segue para referendo da presidência do órgão e da Casa Civil, em Brasília.

    Com essa ratificação, os supostos donos da terra receberão uma quantia em dinheiro e o local passará oficialmente à Família Silva, que reside há 64 anos no quilombo. “Estamos na reta final”, comemora o integrante do Movimento Negro Unificado (MNU), Onir de Araújo, que acompanhou todo processo. Quando for titulado, o Quilombo Silva será o primeiro urbano do País.

    Onir lembra ainda que existem cerca de 150 quilombos no Estado para serem regulamentados, desses, a Fundação Palmares já reconheceu 40. “Esse é o primeiro passo”, conta.

  • Semana de decisões para o futebol gaúcho


    Gramado impecável do campo da Timabúva deve dar lugar a espigões
    (Fotos: Tânia Meinerz/Arquivo/JÁ)

    Guilherme Kolling

    Os associados do Força e Luz decidem nesta terça-feira, 15 de agosto, na sede da rua Alcides Cruz, no bairro Santa Cecília, se aceitam uma oferta de R$ 9 milhões pelo estádio da Timbaúva.

    A oferta foi feita no segundo leilão da sede do clube, em 14 de junho, no Hotel Plaza São Rafael. O valor ficou abaixo dos R$ 11 milhões pedidos pela área de 1,6 hectares. Mas a tendência é que, mesmo com a oferta abaixo da expectativa, os sócios aceitem a proposta na assembléia geral, marcada para 18h30.

    Trata-se da segunda tentativa de negociar o campo. Na primeira, em 5 de abril, também houve uma única proposta, de R$ 10 milhões, que não foi aceita. O terreno permite uma área construída de até 44 mil metros quadrados.

    Ao contrário do que a situação deixa a entender, a venda do Força e Luz não se deve a uma crise financeira. Balanços dos últimos anos mostram saldo positivo ou pelo menos zerado, caso de 2005, quando foram gastos e arrecadados cerca de R$ 140 mil.

    A venda é justificada pelo pouco uso entre os associados. Apenas 20 ou 30 participam da vida do clube. A maioria quase nunca aparece, isto é, não usufrui a infra-estrutura, apesar de sustentar a instituição – o pagamento de mensalidades é a principal fonte de renda.

    Sócios aprovaram a venda em abril de 2005

    Com o desinteresse da nova geração e o esvaziamento de um dos palcos mais importantes da história do futebol gaúcho, decidiu-se pela venda do estádio. A medida foi acertada em assembléia de abril de 2005, com apoio da maioria dos integrantes em dia. O recurso obtido com a venda deve ser rateado entre os 384 associados.

    Com isso, outro item da pauta desta terça-feira deve ser o futuro do clube sem sua sede, isto é, se as atividades serão extintas ou não; se uma nova sede (menor) será adquirida para o encontro dos associados.

    Enquanto o negócio não é fechado, o advogado e ambientalista Caio Lustosa, 72, que mora há 50 anos numa casa na rua Alcides Cruz bem em frente ao Força e Luz, lidera uma campanha para transformar o local num parque público.

  • Ônibus param na Capital por mais segurança


    O número de assaltos nas rotas da Carris chegou a 234 em 2006 (Foto: Divulgação/PMPA/JÁ)

    Carla Ruas

    Motoristas e cobradores da empresa de transporte Carris paralisaram mais duas linhas de ônibus na manhã desta segunda-feira, 14 de agosto. Às 11 horas, os coletivos T3 e T4 interromperam as atividades por duas horas.

    O protesto, apoiado pelo Sindicato dos Rodoviários, quer chamar a atenção para o número de assalto nas rotas da companhia, que chegam a 234 neste ano. A mobilização dos funcionários da Carris começou na sexta-feira (11/08), quando a linha 473 – Jardim Carvalho Salso não circulou por algumas horas.

    “É o trajeto mais perigoso. Já sofreu 68 assaltos este ano”, afirma o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Gerson Assis. Os trajetos do T3 e T4, somados, tiveram 69 episódios de violência dentro dos veículos.

    Assis diz que a situação está insustentável. “Precisamos de segurança para passageiros, motoristas e cobradores”. A idéia é mobilizar as autoridades para que policiais da Brigada Militar circulem nos ônibus.


    Assis: “Precisamos de segurança para passageiros, motoristas e cobradores” (Foto: Carla Ruas/JÁ)

    A iniciativa teve resultados em abril, quando os rodoviários pararam a linha T1. “Por dois meses o governo colocou 90 policiais a paisana no trajeto e ninguém foi assaltado”, lembra o vice-presidente. Assis acredita que o protesto já está surtindo efeito.

    Desde sexta-feira não ocorrem assaltos nos ônibus da linha Jardim Carvalho Salso. Segundo o dirigente do Sindicato, o motivo é a visibilidade na imprensa e o fato de que os órgãos de segurança já voltaram a sua atenção para este caminho. “Se os assaltos continuarem vamos parar novamente”, avisa.

    Em nota oficial divulgada na sexta-feira (11/08), a Carris diz que não apóia as paralisações, mas “compreende a angústia e o medo dos colaboradores e passageiros”. A empresa pediu providências à Brigada Militar para reforçar as ações de segurança.

    O comandante do 11° Batalhão da Brigada Militar, Cel. São Felice, disse que vai intensificar as ações de segurança nas linhas T4 e 473 – Jardim Carvalho Salso. Os policiais vão realizar acompanhamento dos trajetos e vistorias.  “Já agimos neste sentido mas não temos fôlego para atender todo mundo”.

    Ele pede que a comunidade contribua denunciando os assaltantes e realizando o registro de ocorrência imediatamente após o assalto. “Geralmente são os mesmos assaltantes e a comunidade conhece”.

  • Missa pede paz no Líbano

    Helen Lopes
    Descendentes de libaneses católicos que moram na Capital realizaram uma missa pela paz no Oriente Médio, neste sábado, 12 de agosto, na Igreja Nossa Senhora do Líbano, em Porto Alegre.
    Durante o sermão, reflexão posterior à leitura da Bíblia, o pároco Urbano Zilles falou sobre o significado da paz e pediu esperança. “Há espaço para todos e todas as religiões”, disse.
    Rezada em rito maronita, em português, e em aramaico, língua de Jesus Cristo, a celebração foi um pedido da Sociedade Libanesa de Porto Alegre.
    “Nos reunimos e, devido à distância geográfica, não sabíamos o que fazer em solidariedade ao povo libanês, então vamos rezar, para que, através da oração, o coração das pessoas seja tocado e a guerra acabe”, explicou Nelson Moussalle, conselheiro e ex-presidente do Clube, que busca promover a cultura libanesa e possui mais de 400 associados, nem todos descendentes.
    Neto de libaneses, Moussalle conta que tem dois primos de sua mãe que continuam morando no país, que tem sofrido ataques de Israel. “Eles não querem sair de lá”, afirma.
    Celebração foi pedido da Sociedade Libanesa de Porto Alegre
    A missa contou com a presença de diversas famílias de origem libanesa. Como a de José Eduardo Buchabqui, que compareceu com a mulher e os dois filhos. “Torço para que o acordo de cessar-fogo firmado na ONU dê certo”, anseia Buchabqui, que tem mais de 400 parentes no Líbano.
    Filho de libanês, o vereador João Antônio Dib (PP) também esteve na missa. Dib salientou que “a palavra mais importante do mundo é paz e se ela reinasse, os povos seriam mais felizes”.
    O Líbano é um dos países com mais cristãos no Oriente Médio. De acordo com dados da Arquidiocese de Porto Alegre, mais de 600 famílias descendentes de sírios e libaneses praticam o catolicismo na Capital.
    Cessar-fogo
    O Conselho de Segurança da ONU aprovou, na sexta-feira 11 de agosto, resolução exigindo o fim das hostilidades e determinado a criação de uma força de paz com 15 mil homens para apoiar o exército libanês.
    O conflito, que completou um mês no sábado (12/8), já tirou a vida de 1.041 libaneses e 124 israelenses. Mais de 3,6 mil pessoas ficaram feridas e 1 milhão de civis abandonaram suas casas.

  • Retratos imaginários de Porto Alegre

    Detalhe da ‘polaroid’ impressa por Tom Lisboa em frente à Camara Municipal (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister
    “Perceba como cada um dos cinco andares do Edifício Hermann, à sua esquerda, possui uma sacada diferente”. A frase, escrita num papel amarelo retangular, está colada num orelhão na Rua da Praia, perto das Lojas Americanas. Um pouco mais adiante, noutro telefone, o mesmo papel amarelo avisa: “Olhe para cima: você está sendo observado”.
    As mensagens são o resultado da intervenção urbana que o artista visual Tom Lisboa realizou na cidade na semana passada, intitulada “Polaróides (In)Visíveis”. Em pequenos cartões amarelados, com formato e tamanho que lembram as fotografias polaróides, Tom Lisboa sugere olhares fotográficos pouco comuns para cidade. A proposta é provocar o pedestre a reparar detalhes que passam despercebidos no cotidiano.
    “A relação com a polaroid e a fotografia não são equivocadas. Polaroid tem a ver com este registro instantâneo que estou propondo. A única diferença é que minha polaroid não impõe a visão de um fotógrafo, ela apenas dá a descrição de um possível enquadramento. A imagem é a pessoa quem faz”, explica Lisboa.
    O artista visual repete na capital do Rio Grande do Sul a iniciativa realizada em Curitiba no mês de maio, reconhecida por um dos mais importantes prêmios de fotografia nacional, o Porto Seguro. Apesar de tecnicamente não ser um trabalho de fotografia, Polaróides (In)Visíveis utiliza os fundamentos básicos da arte: enquadramento, iluminação e profundidade de campo. “A boa foto não depende da câmera, mas sim, da visão do fotógrafo”, opina.

    O artista fixa as Polaroides (In)Visíveis em paradas de ônibus e telefones públicos0

    Além dos orelhões, as paradas de ônibus do centro de Porto Alegre também receberam os adesivos amarelos. “São locais onde tradicionalmente, a pessoa se permite observar, pois está parada, esperando o ônibus ou fazendo uma ligação”.
    Além do local incomum, Tom Lisboa buscou ângulos que dificilmente são percebidos. O alto dos prédios, um detalhe ao fundo de uma cena ou um reflexo na fachada de vidros. “Uma das características das imagens é que geralmente não são cartões postais, são aquelas coisas mais invisíveis para querm anda diariamente na correria”.
    A imagem escondida
    Munido de um caderninho, ‘molduras’ de polaróides e uma caneta, Tom Lisboa sai a caminhar pela cidade, buscando ângulos não usuais da urbanidade. Quando enxerga um ponto de ônibus ou telefone público, pára e começa a observar o entorno. “Fico um tempão olhando para os lados, para cima, esperando aparecer uma imagem que eu queira destacar’, conta. Foi assim que descobriu a assimetria nas sacadas do Edifício Hermann e a estátua em cima do prédio da Livraria do Globo, na Rua da Praia, que parece observar o movimento na avenida.

    No ponto de ônibus, ele procura o ângulo ideal da foto

    Em frente à Câmara de Vereadores, por exemplo, Tom Lisboa sugere um enquadramento do cenário formado pelos trilhos do aeromóvel, a chaminé da Usina do Gasômetro e os coqueiros da avenida Loureiro da Silva.
    Lisboa, pára, observa, anota no caderninho e em seguida, transcreve o texto para o papel amarelo. Colada na parada de ônibus, a polaróide vira uma espécie de exposição permanente.
    Ou nem tanto: minutos depois, o artista volta ao local e, surpresa, a intervenção não está mais lá. “É a primeira vez que desenvolvo um desprendimento tão grande da minha obra, já soube de turistas que levaram uma polaróide como souvenir”, confessa.

    Minutos depois, a sugestão é levada embora por um pedestre

    Para quem não conseguir achar as polaróides de Lisboa pela cidade, a dica é aguardar até 3 de setembro, quando ele abre uma exposição na Galeria Lunara, na Usina do Gasômetro. Nesse mesmo dia, será lançado o site do artista, de onde o internauta pode também ‘baixar’ as sugestões de fotografias imaginárias – de Porto Alegre e Curitiba.

  • Mv Bill participa da Semana Municipal da Juventude


    Antes da palestra, público assistiu ao documentário Falcão – Meninos doTráfico
    (Fotos: Ricardo Giusti/PMPA/JÁ)

    Carla Ruas

    Na abertura da 3ª Semana Municipal da Juventude, na tarde deste sábado, 12 de agosto, o rapper MV Bill realizou uma palestra para os jovens sobre questões polêmicas como tráfico de drogas, preconceito e inclusão de cotas nas universidades. O seminário ocorreu no centro de Eventos da Cultura Gaúcha (Parque da Harmonia), após a exibição do documentário Falcão – Meninos do Tráfico, por MV Bill e Celso Athaíde.

    O documentário que impressionou os brasileiros em março de 2006 serviu como ponto de partida para a conversa informal entre o músico e os cerca de 200 participantes na platéia. MV Bill explicou que a idéia de fazer o filme surgiu com o sucesso do videoclipe da música “Soldado do Morro”, que mostra o dia-a-dia de traficantes. A partir deste momento, ele passou a viajar para fazer shows e visitou comunidades carentes de todo Brasil.

    O documentário, que demorou seis anos para ser filmado, mostra a vida de 17 jovens que trabalham com o tráfico de drogas. O resultado foi chocante: durante este período, 16 dos entrevistados morreram em função das atividades criminosas. O único que sobreviveu tinha o sonho de trabalhar no circo e hoje participa de aulas do Parque Beto Carreiro. “Mas o ideal não é tirar os jovens do tráfico. O ideal é que eles não tenham que entrar”, afirma Bill.

    Uma das cenas do documentário mostra um falcão vestindo a camiseta do time de futebol Internacional e tomando chimarrão. “As pessoas acham que o crime só acontece no Rio e em São Paulo, mas aqui é igual, só que em menor escala”, disse.

    Questionado sobre as soluções para o problema, MV Bill é enfático: “Não tem como acabar com o tráfico”. O rapper afirma que nem os países de primeiro mundo conseguiram erradicar a venda das drogas. Para ele, um dos entrevistados do filme responde a questão: “Se a comunidade tivesse um salário digno, o problema iria diminuir bastante“.

    Dois Brasis


    MV Bill: “No Brasil cada cargo parece uma boquinha de fumo”

    Aproveitando o ano eleitoral, MV Bill fez um apelo aos jovens: “Mais criminosos do que esses meninos são os políticos corruptos”. Ele disse que existe uma parcela de honestidade entre os candidatos, mas tem que ter cuidado porque é difícil distinguir. “No Brasil cada cargo parece uma boquinha de fumo”.

    Na visão do rapper, existem dois Brasis, duas realidades que coexistem no país. Quando o político rouba dinheiro público ele não vai preso, mas se o jovem da periferia comete um crime menor vai. “São duas leis diferentes”, lamenta.

    Ele diz a polícia também age de formas distintas: “Na mesma situação tem a policia que protege o branco e a policia que dá porrada no negro”, denuncia. Para Bill, a primeira atitude que tem que ser tomada no Brasil é acabar com o preconceito e realizar um processo de inclusão “do Brasil no Brasil”.

    Cotas

    A inclusão de cotas raciais nas universidades públicas foi tema de participações incisivas da platéia. “Como é bom discutir sobre a questão racial quando a maioria quer fugir deste debate” disse Bill. Parte do público defendia a divisão de cotas por parâmetros de exclusão racial (negros, índios), e outros pela condição social (menos favorecidos, independente da origem genética).

    Para o rapper, ignorar as diferenças raciais no Brasil é uma hipocrisia. “Quem é a maioria que está nas ruas? Quem é a minoria nas universidades ou na política? Os negros”. Ele defende que as cotas são uma necessidade neste primeiro momento de inclusão. “Mas tem que haver um movimento paralelo de melhora do ensino de base”.

    A semana

    O evento iniciou com a abertura oficial da Semana Municipal da Juventude, com a presença do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, do secretário da Juventude, Mauro Zacher e do secretário nacional da Juventude, Beto Curi. Também teve a participação de entidades como a Umespa (União Metropolitana dos Estudantes Secundários de Porto Alegre), Une (União Nacional dos Estudantes), Jornal Boca de Rua e Gapa (Grupo de Apoio à Prevenção da Aids), instalados em bancas.

    Zacher lembra que a Semana da Juventude nasceu de uma lei aprovada pela Câmara Municipal e marca a participação do movimento jovem organizado. “Serve para fortalecer o diálogo com o governo sobre políticas públicas que favoreçam a juventude“.

    Entre as atividades programadas até o dia 20, ele destaca a oficina de grafite, percussão, teatro e street ball com o grupo musical Afroreggae, destinado aos integrantes da Fase (Fundação de Assistência Social do Estado). A programação também inclui oficinas para a comunidade sobre prevenção à gravidez precoce, combate ao tabagismo e mercado de trabalho.