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  • Política ambiental desafia pequenos municípios


    Conselho Estadual do Meio Ambiente já credenciou 135 municípios gaúchos (Foto: Ana Luiza Azevedo/Arquivo JÁ Editores)

    Ana Luiza Vieira

    A experiência gaúcha na descentralização da gestão ambiental é exemplo para o país. Dos 202 municípios que se credenciaram, 135 estão do Rio Grande do Sul e concentram 75% da população gaúcha. A Fepam estima que essa porcentagem suba para 85% nos próximos seis meses, com a incorporação de 60 novas prefeituras.

    Nesses lugares habilitados, o licenciamento de empreendimentos de impacto local é feito pelos órgãos das prefeituras. Esses gestores públicos também são responsáveis por ações nas áreas de educação ambiental, gestão dos resíduos sólidos e das reservas florestais, e preservação de recursos hídricos.

    Na prática, no entanto, a tarefa não tem sido fácil para os secretários de Meio Ambiente. Quatro anos depois do início da municipalização, ainda são freqüentes as reclamações sobre falta de consciência ambiental da população, orçamento apertado e má vontade de outros setores da administração pública.

    “Não adianta conhecer a legislação e saber o que fazer se o prefeito e os secretários não são convencidos a agir com base nas políticas de meio ambiente”, afirma a secretária de Proteção Ambiental em Santa Maria, Ester Fabrin.

    Com mais de três anos de atuação, ela ainda enfrenta muitos problemas, a começar pela carência de recursos. “Não há verba para contratar técnicos. O licenciamento acaba sendo feito, em sua maior parte, por CCs”, conta.
    Se há queixas em cidades grandes como Santa Maria, nos municípios pequenos a grita é maior, especialmente em localidades de até 20 mil habitantes. É o caso de São Francisco de Assis, que está se habilitando para o licenciamento local.

    A secretária de Agricultura e Meio Ambiente, Isabel Cristina Minussi, reclama da dificuldade no repasse de verbas. “Não dá para fazer a gestão com apenas um técnico e um carro. Por que apenas 24% dos municípios estão habilitados? Todos querem se credenciar, mas esbarram na questão financeira”, afirma.

    Outra queixa de Isabel é o tráfico de influência política. “Trabalhar num município pequeno requer muita vontade de enfrentar a politicagem. Como negar uma licença a um empreendimento de algum parceiro político?”, questiona Isabel, que se sente mais secretária de Agricultura do que de Meio Ambiente.

    Outro município que está se credenciando é Sete de Setembro, onde o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Alceu Costa, também sofre com o tráfico de influência política. “É uma barreira muito grande para o licenciamento. Somos vistos como ‘emperradores’ das obras da Prefeitura”, comenta.

    Embora as taxas cobradas pelo município para a emissão de licenças permitam que a estrutura se torne auto-sustentável ao longo do tempo, as prefeituras não recebem nenhum tipo de ajuda financeira para montar a equipe necessária ao licenciamento.

    Fepam defende descentralização

    A municipalização da gestão ambiental foi a saída encontrada pela Fepam para atender à demanda por licenças. Em 2005 foram 13 mil; neste ano são esperadas 20 mil. Apesar dos 135 municípios habilitados – que forneceram cerca de 3 mil licenças em 2005 –, a entidade ainda emite boa parte das licenças de impacto ambiental local.

    “Desafogou um pouco, mas não muito porque as exigências de Selo Verde, de ISO 14000, do Protocolo Verde dos Bancos, entre outros, têm aumentado a demanda. Apesar de termos diminuído a espera de 13 mil licenças para 9 mil, ainda estamos com um ano de trabalho atrasado” afirma o diretor-técnico da Fepam, Mauro Moura.

    Por isso, a descentralização é prioridade, já que agiliza o trabalho da Fepam e diminui a espera do empreendedor. Outra vantagem é um acompanhamento mais próximo do órgão responsável. “Ninguém vai esperar que a Fepam saiba o que está acontecendo numa oficina mecânica do interior”, exemplifica Moura.

    Para ele, a função do órgão estadual é trabalhar com grandes empreendimentos e monitorar a qualidade ambiental. “Num rio que apresenta problemas e passa por diversos municípios, o papel da Fepam é diagnosticar de quem é o problema e ver quem está trabalhando mal para corrigir esta situação”.

    Para o diretor-técnico, a desconfiança na descentralização da gestão ambiental é natural. “Quando começou o licenciamento ambiental estadual, falaram que não daria certo porque o Ibama não estaria por perto – o que não se confirmou. Hoje, os Estados têm órgãos ambientais fortes, eventualmente até mais que o próprio Ibama”.

    Moura acredita que a sociedade gaúcha já está pronta para a municipalização. “Houve problemas nas secretarias de Meio Ambiente de Caxias do Sul e Nova Petrópolis que foram detectados por ONGs, pela comunidade, ou pelo Ministério Público. A partir daí, equipes foram afastadas, processos iniciados e a questaõ foi corrigida. Isso é que importa”.


    Moura: “Desafogou um pouco” (Foto: Tânia Meinerz/JÁ)

    ONGs pedem transparência

    A bióloga Cíntia Barenho e o advogado ambientalista Antonio Soler, integrantes do Centro de Estudos Ambientais (CEA), de Pelotas, acreditam que os pequenos municípios próximos à aglomeração urbana Pelotas-Rio Grande, desenvolvem o licenciamento de forma não transparente e tecnicamente precária.

    A ONG afirma que os mecanismos de participação na gestão ambiental e a democracia direta são constantemente atingidos pelos órgãos licenciadores, sendo o controle das ilegalidades ambientais inexistente, ou precário.

    “O Consema e o Conselho Ambiental de Pelotas não acompanham na medida certa as conseqüências administrativas/legais ambientais do processo de habilitação dos municípios para o licenciamento – avaliando por atacado. Não raro, os avaliadores do empreendimento são, política e/ou financeiramente, dependentes indiretos, ou diretos, do empreendedor”, polemiza.

    Para os representantes do CEA, o que deve ser mudado, num primeiro momento, é observância da lei ambiental pelo empreendedor e pelo órgão licenciador. “Defendemos um acompanhamento da gestão de meio ambiente pela comunidade. E isso se dá através do acesso efetivo à informação ambiental, que a população ainda não tem”.

    Kathia Vasconcellos, vice-presidente do Núcleo Amigos da Terra (NAT) julga ser o maior problema do licenciamento a falta de relatos qualitativos do que está acontecendo nos municípios do interior. “O Consema parece só estar preocupado com os dados quantitativos, que são insuficientes para avaliar a situação. Não há transparência na diretoria, que faz de conta que tem braço forte na questão. E só é possível qualificar o licenciamento com um Consema forte”.

    A vice-presidente do NAT acredita, contudo, que a municipalização da gestão ambiental é a melhor solução. “É um desafio, especialmente para os pequenos, onde praticamente inexiste a presença de ONGs, mas é necessário. Se Porto Alegre, que tem uma secretaria de Meio Ambiente desde 1975, comete erros básicos no licenciamento, o que pode se esperar dos outros municípios?”, argumenta.

    Soluções para o impasse

    Os órgãos ambientais do Estado vão continuar apostando nos municípios. Até o final do ano, serão dez encontros em cidades do interior, voltados para gestores de Meio Ambiente. Em 2005, mais de mil pessoas participaram de programas de capacitação, relata o presidente do Cosnelho Estadual do Meio Ambiente (Consema) e da Federação das Associações de Municípios do RS (Famurs), Valtemir Goldmeier.


    Valtemir Goldmeier presidente do Consema e da Famurs (Foto: Ana Luiza Azevedo/Arquivo JÁ Editores)

    Ele afirma que ambas as entidades estão preocupadas em orientar os gestores das cidades do interior. “A dificuldade maior é de capacitação dos responsáveis pelo meio ambiente”, avalia. “Gostaria que União e Governo do Estado tivessem uma estrutura técnica para apoiar os municípios”, completa.

    O presidente da Fepam, Antentor Ferrari, entende que uma maneira de ajudar as localidades é que a Fepam continue mantendo contato permanente, mesmo depois da municipalização. “Trocar informações com a área técnica dessas secretarias ajuda no processo. E estamos fazendo isso, somos até um pouco paternalistas”, conta.

    O coordenador do Sistema Integrado de Gestão Ambiental (Siga) da Sema, Niro Pieper, aponta como solução a organização em consórcios, através de associações entre os municípios para compor uma equipe multidisciplinar necessária ao licenciamento.

    A Sema exige que apenas o licenciador (cargo técnico) tenha vínculo direto com a prefeitura do município. Logo, os demais componentes da equipe – biólogos, engenheiros agrônomos, geógrafos, advogados – que são responsáveis pela análise de cada situação, podem pertencer a consórcios.

    “Isso evita a discrepância entre municípios vizinhos de uma mesma região e consolida a atuação de uma equipe para empreender projetos conjuntos. Além, claro, da vantagem econômica, que viabiliza o licenciamento para os pequenos”, avalia Pieper.

    Um exemplo do Nordeste do Estado

    Hilton Nunes é gerente da Agência de Desenvolvimento Regional da Associação dos Municípios do Nordeste Riograndense (Amunor), um consórcio que atende 20 municípios e que atua desde 2002. Do total, 17 têm processos de municipalização ambiental, e 12 estão habilitados a licenciar. Eles contam com uma equipe de quatro profissionais: engenheiro agrônomo, tecnólogo em gerenciamento ambiental, um mestrando em gestão ambiental e uma advogada.

    “Quem aprova ou reprova a licença é o pessoal da agência, ficando desvinculado da Prefeitura”, conta Nunes. A fiscalização e as taxas ficam a cargo do município. O serviço custa 50% do valor cobrado pela Fepam. “É uma solução mais barata e acessível aos municípios. Tem dado certo, o que não significa que não temos problemas. Nesse meio tempo, aprendemos que a educação ambiental é fundamental. Não podemos ajudar no licenciamento sem explicar para o produtor o porquê daquilo que está sendo feito”, comenta o gerente da Amunor.

  • O Sol estréia nos cinemas

    Patrícia Marini
    Estréia nesse final de semana, em circuito comercial, o filme O Sol – Caminhando Contra o Vento, com direção de Tetê Moraes. Era 1967, Leblon, Rio de Janeiro. Tempo dos festivais de música, do movimento hippie, da revolução sexual, da repressão política, do movimento estudantil, da urbanização do Brasil. Num átimo entre o golpe militar e o AI-5, que fechou o Congresso Nacional, surgiu o jornal O Sol. Durou só seis meses, mas deixou um rastro indelével.
    A experiência formou – ou sintetizou – o caráter de uma geração, como revelam os depoimentos do documentário. É um filme alto-astral, o que não é comum no gênero, e surpreendente. A maior parte foi gravada durante uma festa-filmagem com uma centena dos envolvidos – e ainda ficou muita gente de fora.
    “As escolas de Jornalismo faziam um jornal de mentirinha, nós queríamos um jornal de verdade que fosse uma escola”, diz o mentor do jornal, o poeta e artista plástico Reynaldo Jardim, que depois faria a revista Senhor e reformularia diversos jornais cariocas.
    No filme não fica claro que o jornal pertencia à família Rodrigues e era dirigido por Mário Filho, irmão de Nelson Rodrigues, que também escrevia no Sol. Nasceu como encarte do Jornal dos Sports, ganhou vida própria e deixou de circular seis meses depois.
    Além da repressão política que teve seu auge em 1968, o jornal também sofreu um boicote publicitário que impediu sua continuidade. Os jornalistas participantes criariam depois os já clássicos veículos da chamada imprensa alternativa dos anos 70.
    Quatro décadas depois, o filme deixa a impressão de que aquela geração mudou o mundo, sim – embora diferente da sua utopia – e que o sonho não acabou. Há cenas que ficam como pontos para reflexão, como as cenas que mostram a manchete “Che pode estar vivo”, no dia em que todos os jornais noticiavam a morte do líder revolucionário.
    A polêmica sobre se a música Alegria Alegria, que fala no “sol nas bancas de revista”, rende ótimas risadas a partir das considerações de Caetano Veloso e do agora ministro Gilberto Gil. Em 1967, eles eram dois daqueles jovens que deixavam os cabelos e as idéias crescerem na cabeça.
    O documentário O Sol – Caminhando Contra o Vento teve pré-estréia nacional em Porto Alegre em julho, no cinema do Santander Cultural, seguida de debate com a diretora Tetê Moraes, que foi diagramadora de O Sol.
    As conversas do documentário foram conduzidas por Tetê e por Martha Alencar. O filme mostra mais que a história do primeiro jornal alternativo e foco de resistência à ditadura pós-1964. Mostra uma época.
    O Sol – Caminhando Contra o Vento
    Em cartaz no Unibanco Arteplex 8 (Bourbon Country)
    Av. Tulio de Rose, 80 – F: 3299.0624
    Horários: 14h40 – 18h20 – 22h
    Preços: Sab, Dom e Fer, R$ 13,00; estudantes, R$ 11,00; Sex, R$ 13,00;estudantes, R$6,50 Seg a Qui, R$ 9,00; meia-entrada para estudantes, menores de 11a e maiores de 60a

    Brasil, 2005, 35 mm, cor, 93 min
    Direção: Tetê Moraes
    Roteiro: Tetê Moraes, Martha Alencar.
    Fotografia: Cezar de Moraes, Reynaldo Zangrandi, Pedro Urano, Adelson Barreto Rocha, Lula Araújo.
    Música: David Tygel.
    Montagem: Henrique Tartarotti.
    Elenco: Reynaldo Jardim, Ana Arruda Callado, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Antônio Carlos da Fontoura, Antônio Pedro, Arnaldo Jabor, Bete Mendes, Betty Faria, Fernando Gabeira, Gilberto Braga, Helena Ignez, Hugo Carvana, Íttala Nandi, Luiz Carlos Maciel, Orlando Senna, Ruy Castro, Tessy Callado, Carlos Heitor Cony, Fernando Duarte, Ziraldo, Zuenir Ventura, Nelson Hoineff.

    Agenda Cultural
    Festas
    Orgasmo no Mix
    Para comemorar os 11 anos do Mix Bazaar, uma super festa com presença da balada que abalou os bons costumes e vem fazendo o povo curtir o som electro há 1 ano. Nesta super-edição, um dos melhores djs da nova geração paulistacomanda a festa: o dj atum, residente do badalado Club Gloria (SP). Ainda os dirty electro groovers Lucio Kahara e Schutz.
    Quando: sexta-feira, 11, às 23h
    Onde: Spin Club (Venâncio Aires, 59)
    Quanto: R$ 20,00 – Ingressos antecipados na Gaudi (Iguatemi e Moinhos) e na Tesouraria (Venâncio Aires, 987).
    Música
    Jonatas Jeffer
    O cantor Jonatas Jeffer, mostra ao público um repertório composto de Bossa Nova, MPB, Pop e Bolero. Jeffer se apresenta em bares há cerca de dez anos. Nasceu em Porto Alegre, mas viveu a maior parte de sua vida em Búzios, no estado do Rio de Janeiro. Atualmente com 27 anos, desde os quatro anos de idade Jeffer está ligado à música. Toca quatro instrumentos, mas o violão, que pratica desde os 11, é a sua especialidade. Com os irmãos, em Búzios, montou a banda Unidos Contra. Voltou a Porto Alegre há cerca de dois anos.
    Quando: sexta-feira, 11, às 18h30
    Onde: Livraria do Arvoredo (Félix da Cunha, 1213)
    Quanto: Entrada gratuita
    Be Coll
    A Be Cool fará um show com versões acústicas de clássicos do rock internacional de bandas como U2, The Police, Marron 5, Maná, REM, entre outros. O conjunto é formado por Janer Costa (violão, vocal, harmônicas), Guilherme Fetter (violão e vocal), Gustavo “Palito” Fetter (baixo), Jeff Vargas(bateria). O show de abertura fica por conta da banda “Os Canavalhas”. O evento tem apoio da Gráfica Impresul e Sigla Comunicação. Toda renda arrecadada com os ingressos e doações será doada à Sociedade Emanuel.
    Quando: Sexta-feira, 11, às 22h
    Onde: Velvet Hall (Rua Mostardeiro 591)
    Quanto: R$ 5,00 ou 2kg de alimentos não perecíveis
    3/quatro
    A música instrumental de Jua Ferreira (bateria), Ita (baixo) e Zé Porzio (piano). No repertório música instrumental brasileira, com Djavam, Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Edu Lobo, João Donato entre outros.
    Quando: sextas e sábados, às 22h
    Onde: Cidade Bossa (Otávio Corrêa, 35)
    Quanto: R$ 7,00
    Grupos da Oficina do Chorinho
    Os grupos que participam da Oficina de Chorinho do Santander Cultural vão estar reunidos num show especial realizado, em parceria com a Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
    Quando: Sábado, dia 12, às 11h
    Onde: Mercado Público da cidade
    Quanto: Entrada gratuita
    Sexteto Blazz
    A proposta é divulgar o jazz apostando em uma formação com naipes de sopro diferenciado pela presença da flauta transversal. Releituras de grandes obras de jazzistas consagrados mundialmente, como Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Milles Davis, John Coltrane, Thelonious Monk,  Hermeto Pascoal, Tom Jobim, entre outros estão no programa do show. O Sexteto Blazz foi criado no final dos anos 90 e é formado pelos músicos Franco Salvadoretti (flauta transversal), Leandro Hessel (piano), Vanderlei Fontanella (sax tenor/soprano), Paulo Müller (sax alto), Luciano Oliveira (bateria) e Adelamir Neto (baixo). Em 2002, o Sexteto Blazz gravou Gemius, seu primeiro CD independente. A música “Semba”, deste mesmo CD, virou vídeo clipe. O próximo projeto do Blazz é o lançamento de seu segundo CD, Quilombo.
    Quando: sábado, 12, 21h
    Onde: Studio Clio (José do Patrocínio, 698)
    Quanto: R$ 20,00, a inteira, R$ 10,00 para professores e estudantes e R$ 9,00 para conveniados
    Nó em Pingo D’água
    Líder do neo-choro, o Nó em Pingo D´Água destaca-se por sua musicalidade criativa e uma visão ímpar no modo de interpretar o choro. Vencedor do 3º Concurso de Choro, em 1979, o grupo já se apresentou com Araci Cortês, Nelson Cavaquinho, Ademilde Fonseca, Moreira da Silva e Ney Matogrosso. Já lançou diversos cds de grande sucesso, como João Pernambuco (1987), Salvador (1988), Receita de Samba (1991), Nó na Garganta (1999), Domingo na Geral – Nó em Pingo D’Água com Cristóvão Bastos (2001) e Nó em Pingo D’Água Interpreta Paulinho da Viola (2003). Atualmente é formado por Mário Seve (sax e flauta), Rodrigo Lessa (bandolim e cavaquinho), Rogério Souza (violões), Celsinho Silva (pandeiro e percussão) e Papito (baixo).
    Quando: domingo, dia 13de agosto, às 17h
    Onde: Salão Átrio do Santander Cultural (Siqueira Campos, 1125)
    Quanto: R$ 10,00
    Lila & Skin
    Show de rock’n roll com a dupla Lila & Skin, no Espaço Harley Davidson, que conta com pub, exposição e shows musicais. O pub é pilotado pela equipe da Fratello Sole, que elaborou um delicioso cardápio com pratos batizados com nomes relacionados ao motociclismo, como Lobos do Asfalto (bolinhos de queijo), O Selvagem (bolinhos de aipim recheados), Caçada Sem Trégua (beringelas empanadas) entre outras delícias, ideais para o happy hour acompanhados de uma Heineken gelada ou de uma taça de espumante.
    Quando: sábado e domingo, das 18h às 22h
    Onde: Espaço Harley Davidson, no andar térreo do Iguatemi
    Blues & Jazz
    O Blues e Jazz do mês de agosto terá no Acervo Mario Quintana toda a experiência de dois músicos que realizam uma longa trajetória nos palcos da noite de Porto Alegre e do interior do Rio Grande do Sul: Pedrinho Silveira (guitarra e voz) e Paulo Britto (teclado e voz).
    Quando: 13 de agosto, domingo, às 17h
    Onde: Acervo Mario Quintana – mezanino
    Quanto: Entrada franca
    Literatura
    Sarau Pedagógico da Escola para o Palco, do Palco para a Vida
    A 5ª edição do evento, promovido pelo gabinete da vereadora Sofia Cavedon/PT apresenta o espetáculo “Os Artistas em Valdeboira”. Uma livre adaptação da peça “Um conto de inverno” de Irion Nolasco, e conta à história de uma trupe de artistas mambembes, que chegam numa cidade fria governada por um rei e sua corte, onde algo de inesperado acontece. Tão inesperado como um grupo de professores que descobriram que viver diferentes formas de ser é uma gostosa brincadeira. O diretor de teatro, Nestor Monastério, fará a abertura do encontro. Após a apresentação da peça haverá um bate-papo com o diretor teatral Décio Antunes, com o ator e professor de teatro da E.M.E.M. Emílio Meyer e Monte Cristo, Rafael Baião e com o ator e professor de teatro do CMET (Centro Municipal de Educação dos Trabalhadores), Isaías Quadros.
    Quando: Sexta-feira, 11, às 19h
    Onde: Instituto Goethe (Av. 24 de Outubro, 112)
    Quanto: Entrada franca
    Audiovisual
    Adeus Lênin
    O projeto O Cinema Político e a Psicanálise é desenvolvido pela CCMQ em parceria com a Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre (SPPA). Neste ano, a temática do evento são os filmes que abordam obras políticas. O filme desta edição será Adeus Lenin (Alemanha, 2003, 118 min, direção de Wolfganger Becker). Após a exibição do filme, acontece debate com a participação da psicanalista Ana Margareth Bassols e do historiador mestre em Ciência Política da Ufrgs Fernando Schüller.
    Quanto: 12 de agosto, sábado, às 9h30min
    Onde: Sala Eduardo Hirtz,  térreo da CCMQ
    Quanto: entrada franca
    Independize seu Pensamento
    Mostra e conversa sobre curtas-metragens com a exibição das ficções Mundo Mudo, Nóia (A Última Ceva) e O das Bananas, o documentário A Cidade sou Eu e o experimental Poesia Visual. A proposta é de discussão e produção de um audiovisual próprio, sem amarras e completamente aberto à experimentações, promovido pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz.
    Quando: sábado, 12 de agosto, às 17h
    Onde: Museu Municipal Carlos Nobre (Rua 7 de Setembro, 460), em Gauíba
    Quanto: Entrada franca
    O Signo do Caos + Asfixia
    O Signo do Caos consumiu 7 anos de vida de Rogério Sganzerla para ser realizado. Em O Signo do Caos, Sganzerla usou pela primeira vez o formato de película em super-16 mm, o que lhe permitiu uma fotografia bem contrastada. Também a banda sonora recebeu um cuidado específico, para que não se abafasse ruídos essenciais à trama, além de ressaltar a trilha sonora, baseada especialmente em Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. Rogério Sganzerla foi obrigado a montar sua própria sala de edição a fim de realizar o trabalho nos detalhes previstos. No elenco do filme, Otávio Terceiro, Camila Amado, Helena Ignez, Giovana Gold, Sálvio do Prado, Djin Sganzerla e Guará Rodrigues, entre outros. Sganzerla parte de uma trama bastante simples para pintar um retrato amargo e desesperançado sobre a relação do Brasil com a cultura e especialmente com o seu cinema. Na alfândega do Rio de Janeiro a chegada de uma carga cinematográfica contendo rolos de um filme dirigido por Orson Welles precisa ser analisada pelo serviço de censura do governo. O responsável pela análise é o Dr. Amnésio, que impõe sua falta de idéias aos funcionários do local, que se divertem mutilando um material considerado realista demais. O filme ganhou o Candango de Ouro de Melhor Diretor e Melhor Edição no Festival de Brasília. O Signo do Caos está sendo exibido junto com o curta Asfixia, de Roberval Duarte (35mm, 12 minutos), quarto selecionado do atual edital do projeto Curta nas Telas, da Secretaria Municipal da Cultura. Produção carioca, o curta narra uma noite atípica na vida de um casal, Lúcia e Antero, que despertam durante a madrugada com estranhos barulhos na porta de seu apartamento. A fechadura é forçada constantemente. Dúvidas, medo e pavor. Pesadelo e realidade mesclam-se em um clima de suspense de tirar o fôlego do espectador.
    Quando: sexta-feira, sábado e domingo, às 16h30, 18h30 e 20h30
    Onde: Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro)
    Quanto: R$ 6,00 (meia entrada para estudantes e municipários)
    Estréias
    A Cidade Perdida
    Havana, década de 50. O dono de um clube é flagrado no meio de uma transação turbulenta durante a revolução Cubana, quando o opressivo governo de Batista vai para as mãos de Fidel Castro. A entrada do governante marxista no poder faz com que o dono prefira viver em Nova York. Direção de Andy Garcia. Com Andy Garcia, Bill Murray e Dustin Hoffman no elenco.
    Em cartaz no AeroGuion, 01.
    A Criança
    O filme oferece o retrato de uma época em que valores, ideais e sentimentos estão em xeque, contando a história de dois jovens. Sonia e Bruno vivem uma adolescência conturbada e quando ela fica grávida, eles passam a ver o mundo de outra maneira. Direção de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne. Com Jérémie Renier e Déborah François no elenco.
    Em cartaz no Guion Center, 01.
    A Hora do Rango
    Desde que saiu do colégio, Dean trabalha como garçom no restaurante Shenanigans. Ele nunca pensou em fazer coisa melhor até o dia em que descobre que Chett, um antigo amigo da escola, está muito bem no lucrativo ramo de engenharia elétrica. Direção de Rob McKittrick. Com Ryan Reynolds, Anna Faris e Justin Long no elenco.
    Em cartaz no Cinemark Bourbon Ipiranga, 02.
    Click
    Homem que não consegue administrar a atribulada vida profissional com o tempo em família recebe um controle remoto especial, que lhe permite voltar ou avançar no tempo. Direção de Frank Coraci. Com Adam Sandler, Kate Beckinsale e Christopher Walken no elenco.
    Em cartaz no Boulevard Strip Center, 01; Cinemark Bourbon Ipiranga, 03; Cinesystem Cinemas, 01; GNC Bourbon, 01; GNC Moinhos, 02; GNC Praia de Belas, 03; Guion Sol, 01; Rua da Praia, 01; Unibanco Arteplex, 07.
    Favela Rising
    Jovem morador de Vigário Geral, no Rio de Janeiro, Anderson Sá chegou a flertar com a vida no crime. Mas afastou-se ao entrar em contato com as oficinas promovidas pela Afro-Reggae, tornando-se vocalista da banda do mesmo nome e um dos principais porta-vozes do tipo de intervenção social promovida pela ONG do grupo. Direção de Jeff Zimbalist e Matt Mochary. Com Anderson Sá, José Junior e Márcio Nunes no elenco.
    Em cartaz no Unibanco Arteplex, 01.
    Intervalo Clandestino
    O diretor Eryk Rocha leva às telas a opinião da população em relação às eleições gerais de 2002.
    Em cartaz no Unibanco Arteplex, 08.
    Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio
    Um adolescente é enviado a Tóquio para morar com o pai, após se envolver em mais um acidente de carro. Lá ele conhece o universo do drift, pelo qual se apaixona. Direção de Justin Lin. Com Lucas Black, April Beets, Daniel Booko e Brandon Brendel no elenco.
    Em cartaz no Cinemark Bourbon Ipiranga, 04; Cinesystem Cinemas, 05; GNC Praia de Belas, 01; GNC Praia de Belas, 02; Unibanco Arteplex, 06; Victória, 01.
    Artes Cênicas
    Três Vezes Amor e Morte
    Dois atores (Adriane Azevedo e João França) são dirigidos, numa mesma peça, por três diretores em três diferentes episódios que são conduzidos por um mesmo tema, uma linha comum, um fio invisível que os liga: o amor e a morte. Cada diretor faz sua própria leitura do tema. São três variantes da tragicomédia: Jaqueline Pinzon faz de “Carmas de Nossas Carnes” um drama simbólico ritualizado que batizou de “A Queima das Leis”, Dilmar Messias traz um drama naturalista com “Cristina” e Camilo de Lélis tem um olhar alegórico e melodramático sobre o conto “O Aniversário”.
    Quando: Sextas e sábados, às 21h e domingo, às 20h, até 3 de setembro
    Onde: Teatro de Câmara Túlio Piva (República,575)
    Quanto: Inteira R$ 15,00, e meia R$ 7,50
    Sexo e Feijoada
    Comédia teatral com Antônio Carlos Falcão, Marco Sório e Márcio Dias, dirigidos por Lila Vieira. O Zellig bar estará oferecendo na estréia um delicioso feijãozinho, cerveja Coruja e cachaça Dom Braga.
    Quando: sextas, sábados e domingos, às 21h, até 3 de setembro
    Onde: Sala Álvaro Moreyra, no Centro Municipal de Cultura (Av. Érico Veríssimo, 307)
    Tangos e Tragédias
    Para aqueles espectadores que há 19 verões não ficam em Porto Alegre, vem aí a Temporada Comprimida de Tangos e Tragédias. Nico Nicolaiewsky e Hique Gomez são os embaixadores da Sbornia que divulgam o sistema político de seu país. Kraunus Sang e Maestro Pletskaya utilizam-se de uma prática sborniana muito comum para combater a depressão e a vida cruel: doses de humor.
    Quando: sextas e sábados, às 21h, domingos, às 18h, ate dia 18 de agosto
    Onde: Theatro São Pedro
    Johhny Del Rey “O Cantor das  Mulheres Apaixonadas”
    Peça musical do grupo Fróide Explica, com direção do produtor e compositor, Jorge Hugo (Jottagá), que há mais de 20 anos, apresenta o humor froidiano à cena porto-alegrense. A direção de elenco é de Déborah Finocchiaro.
    Quando: Sexta e sábado (11 e 12) às 21h e domingo (13) às 20h.
    Onde: Teatro da Hebraica (João Telles, 508 – Bom Fim)
    Quanto: Ingressos R$ 10,00
    Hamlet
    Hamlet é a tragédia mais famosa de Shakespeare e sua versão final foi escrita em 1603. Com uma visão contemporânea, sob o olhar do diretor gaúcho Luciano Alabarse, o célebre texto aparece através de uma respeitosa  abordagem e valorização da representação teatral. O espetáculo traz signos que se desenvolvem com dinamismo suficiente para que as quase três horas de espetáculo fluam naturalmente. Entre os temas discutidos na tragédia, a peça promove uma aguda discussão sobre política, violência, e poder. É uma história de amor, um drama familiar, uma tragédia filosófica, que inclui uma verdadeira reflexão sobre os mecanismos onde se debatem traição e lealdade, pragmatismo e idealismo, culpa e redenção. Mais de 4 mil pessoas em duas semanas no Theatro São Pedro. Esse foi o excelente resultado de Hamlet, dirigido por Luciano Alabarse. O forte texto de Shakespeare agrega exuberância criativa, produção esmerada e maravilhosos figurinos. O ator gaúcho Evandro Soldatelli, que vive Hamlet, transmite seus acessos de fúria, loucura, desespero e turbulência emocional com uma sinceridade avassaladora.
    Quando: de 4 a 27 de agosto, sextas e sábados às 21h e domingos às 20h
    Onde: A peça fica em cartaz no Teatro Renascença
    Quanto: R$ 10,00 e R$ 20,00
    Os Causos de Gaudêncio e Singela
    No palco estarão os atores comediantes Michel Quevedo e Cris Pereira, da Cia. Constantin. A atividade consiste num conjunto de piadas locas e engraçadas, contadas e interpretadas por um “gaudério guasca velho” dos pampas, o Gaudêncio. Singela é a camponesa perfeita, porque não fala e tem como função primordial cuidar para que a água do chimarrão esteja sempre no ponto ideal para servir ao público presente. Ela também apóia o gaúcho em seus sonhos e causos.
    Quando: Dias 13, 20 e 27 de agosto (domingos), às 18h
    Onde: Sala 505 da Usina do Gasômetro
    Quanto: Contribuição espontânea
    Infantil
    Caça ao Tesouro
    Percorrendo os espaços expositivos do MARGS as crianças (de 2 a 6 anos) são convidadas a encontrar, nas obras expostas, um objeto semelhante a outro previamente distribuído. Coordenada pela arte-educadora do Núcleo de Extensão do Museu, Vera Lúcia da Rosa, a atividade é dirigida especialmente a famílias com crianças entre 2 e 6 anos. O objetivo da iniciativa é trabalhar de forma lúdica a leitura e a mediação das obras do acervo do MARGS. Vagas limitadas a duas turmas de até dez integrantes.
    Quando: sábado, 12, das 15h às 16h e das 16h às 17h
    Onde: Pinacotecas do MARGS
    Quanto: Entrada franca
    Lili Inventa o Mundo
    Uma trupe de atores se reúne para contar as histórias e os poemas de Mario Quintana através do mundo de faz-de-conta de uma menina chamada Lili. O vovô que espera o café da manhã, as cidadezinhas e ruas desconhecidas, o tempo, o vento, as estações do ano e os animais, tudo isso é apresentado através dos olhos infantis da menina. Elenco com Débora Rodrigues, Viviane Juguero, Fred Messias, Mateus Mapa e Renato Müller (Renatinho Gaitista). Direção de Dilmar Messias. Pé de Pilão
    Quando: Segue até o dia 13 de agosto. Sábados e domingos, às 16h
    Onde: Teatro Bruno Kiefer – 6° andar da CCMQ
    Quanto: R$ 12,00 (com 25% de desconto para Clube do Assinante ZH e 50% para idosos e classe artística)
    Quintana in Cômoda
    Dona Cômoda guarda em suas gavetas “coisas” de outros tempos. Dentre elas guarda três personagens que vão se conhecendo, na medida em que também conhecem o que esconde cada gaveta. Sapato, que vira monstro, borboleta, par para uma dança. Moldura velha que vira janela. Bule que propõe um chá. Assim, as “coisas” guardadas ganham vida e se transformam, através da poesia de Mario Quintana. Elenco com Adriano Massaro, Ana Carolina Makki Dal Mas e Tiago Luis Rigo. Direção de Fabiano Tadeu Grazioli.
    Quando: Segue até o dia 26 de agosto. Sábados e domingos, às 16h
    Onde: Teatro Carlos Carvalho – 2° andar da CCMQ
    Quanto: R$ 10,00 (com 20% de desconto para Clube do Assinante ZH, 30% para filiados ao Sinpro e 50% para idosos, estudantes e classe artística)
    Artes Plásticas
    A Obra Gravada de Pedro Weingärtner
    Uma outra faceta do trabalho do artista plástico gaúcho Pedro Weingärtner (1853-1929) poderá ser conhecido através de 25 gravuras datadas do período que vai de 1909 a 1925. O artista – que é considerado um expoente da pintura sul rio-grandense – estudou na Real Academia de Belas Artes de Berlim e apesar de fixado na Europa, veio periodicamente ao Brasil, quando pintou paisagens da zona da serra e cenas detalhadas da vida dos colonos gaúchos. Com curadoria do crítico de arte e professor Paulo Gomes, as obras foram selecionadas em coleções particulares e nos acervos do MARGS, da Pinacoteca APLUB, da Pinacoteca Aldo Locatelli (Prefeitura de Porto Alegre) e do Museu Histórico de São Leopoldo. A mostra conta com o apoio do Fumproarte para a publicação de um catálogo com textos do curador e da artista plástica Anico Herkovits.
    Quando:  de 11 de agosto até 10 de setembro, de terças a domingos, das 10h às 19h.
    Onde: Margs
    Quanto: Entrada franca
    Somos a cultura brasileira
    A mostra SOMOS a criação popular brasileira reúne mais de 500 obras que perfazem um panorama artístico do país, visto pelos olhos do povo. A equipe de produção percorreu os cantos do Brasil atrás de artistas que revelassem características regionais, formadoras da cultura, que tivessem como principal marca, a força da criação. A busca foi norteada pelo princípio de que qualquer forma artística nasce como um objeto de utilidade cotidiana. Por isso, a exposição percorre a história, trazendo por exemplo, pequenos monolitos, pedras lascadas que serviam para o corte na Era Neolítica ou ferramentas da época da colonização européia. O caráter multimídia vai estar presente na mostra. Além da exposição das obras de artistas como Galdino, Conceição dos Bugres, Antônio Poteiro ou Chico Tabibuia, um audiovisual foi concebido pela curadoria da mostra, com o intuito de pensar a diversidade como caráter universal. Para completar, a mostra será embalada ao som de três peças compostas por Arrigo Barnabé, que, executadas continua e simultaneamente formam juntas, a obra principal.
    Quando: até 10 de setembro
    Onde: Santander Cultural (Rua 7 de Setembro, 1028)
    Quanto: Entrada franca
    Destino: Porto Alegre
    Sob a curadoria de Leandro Selister, a mostra reúne trabalhos inéditos de cinco jovens artistas gaúchos que residem e produzem fora do Estado do Rio Grande do Sul: Andrei R. Thomaz (com a colaboração do músico Martin Heuser), Cláudia Zanatta, Cristina Ribas, Fabiana Rossarola e Patrícia Francisco. São trabalhos em vídeo, fotografia, web, instalação e performance. Os artistas reforçam na exposição questões presentes na arte contemporânea, discutem o espaço tradicional da galeria e a relação do público-espectador. Trata-se da primeira curadoria realizada por Leandro Selister, premiado artista plástico, que vive e trabalha em Porto Alegre, e já participou de várias exposições coletivas e individuais de expressão. Selister é bacharel em fotografia pelo Instituto de Artes da UFRGS e editor do site www.artewebbrasil.com.br.
    Quando: abertura na sexta-feira, 11, às 19h. A exposição estará aberta para visitação de 12 de agosto a 22 de outubro, de terças a domingos, das 10 horas às 19 horas.
    Onde: Galeria de Arte da Fundação Ecarta (Avenida João Pessoa, 943)
    Quanto: Entrada franca
    Polaróides (In)visíveis
    O Artista Tom Lisboa espalhou em diversas paradas de ônibus e orelhões da cidade folhas de papel sulfite que contém sugestões de uma olhar fotográfico a ser construído pelo passante. As ‘fotografias’ imagiárias mostram detalhes que passam despercebidos pela população local.
    Quando: a parti de sexta-feira, 11 de agosto
    Onde: Em orelhões e pontos de ônibus do centro de Porto Alegre
    O Mundo Maravilhoso de Adão Iturrusgarai
    Tiras e histórias em quadrinhos antigas, tiras mais novas, e desenhos feitos na infância, em papel oficio, coloridos a lápis. Tudo isso estará na mostra retrospectiva da carreira do artista, que traz ainda o processo desde o rabisco até a colorização no computador pro público entender como funciona o trabalho do artista. Adão promete revirar o baú de originais antigos, do tempo em que ainda se fazia desenhos no papel.
    Quando: até 13 de agosto de 2006 (terça a sábado, das 13h30 às 18h30min e domingo das 14h às 18h30)
    Onde: Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230)
    Quanto: Entrada Franca
    Percurso – Gravura Contemporânea
    A mostra coletiva Percurso – Gravura Contemporânea é resultado da iniciativa de artistas ligados ao Grupo Gravura (GG) e ao Núcleo de Gravura do Rio Grande do Sul (NGRS) que pretendem apresentar a produção brasileira contemporânea e discutir os novos caminhos desta forma de expressão. Dos 68 inscritos foram selecionados 21 artistas plásticos para a exposição que ocupa as Galerias Oscar Boeira e Iberê Camargo, no segundo pavimento do Museu. A mostra inclui trabalhos de Miriam Tolpolar, Hélio Fervenza, Mara de Carli Santos, Alex Gama, Cláudia Sperb, Glaé Eva Macalós e Helena Kanaan, entre outros.
    Quando: até 27 de agosto, de terças a domingos, das 10h às 19h.
    Onde: Galerias Iberê Camargo e Oscar Boeira
    Quanto: Entrada franca
    Cortizza
    O artista Felipe Yung fez seu nome nas ruas, onde é mais conhecido como “Flip”. Mestre dos sprays e canetões, ele bombardeou São Paulo por anos, aperfeiçoando sua caligrafia nos muros da cidade, como reza a tradição do graffiti. Mas Flip também foi um dos pioneiros no Brasil a quebrar essa tradição e pintar personagens soltos pela metrópole, seres gigantescos ou pequenos e numerosos, geralmente com cores chamativas e muita tinta escorrida, antes ainda desta estética virar moda. Para CORTIZZA na Galeria Adesivo, sua primeira exposição em Porto Alegre, Flip vai experimentar um material incomum: a cortiça. Essa casca de árvore, assim como seus derivados, por suas propriedades, é aplicada desde em coletes salva-vida e quadro de recados, até em rolhas de vinho. A idéia veio de um antigo caderno de desenhos, com capa de cortiça, e pelo material ser um meio-termo entre a madeira e o papel (dois suportes que ele costuma utilizar), Flip vai explorar a cortiça como suporte e textura para suas pinturas, aproveitar suas propriedades para produzir art toys e até desenhar com rolhas queimadas. As obras estarão integradas a um grande mural pintado diretamente nas paredes da galeria.
    Quando: até 2 de setembro, de segunda a sábado, das 13h às 18h
    Onde: Galeria Adesivo (Rua Lopo Gonçalves,  382)
    Quanto: entrada franca
    Outros
    Encontros com o Artista: Rodrigo Núñez
    Rodrigo Núñez conversa com o público sobre seu trabalho, em exposição na Micro galeria Arte Acessível do StudioClio. Conhecido por sua cerâmica e pelo intenso colorido, esta é a primeira vez que Rodrigo Núñez mostra desenhos em pequenos formatos, realizados em cadernos de anotações à caneta e lápis. Para ele o desenho é sempre o ponto de partida para qualquer trabalho, no entanto não devem ser vistos como esboços, pois é como se estes estivessem intrinsecamente inseridos. Seu desenho tem um traço gráfico limpo que lembra a ilustração e ao mesmo tempo é repleto no preenchimento de seus espaços, é assim através de seus “101 Desenhos” que Rodrigo Núñez nos convida a partilhar seu mundo fantástico.
    Quando: Sábado, 12, às 11h
    Onde: Studio Clio (José do Patrocínio, 698)
    Quanto: doação de um livro – que serão encaminhados a bibliotecas comunitárias e programas de leitura.
    Semana da Juventude
    Em comemoração ao Dia do Estadante, 11 de agosto, a prefeitura municipal organizou uma semana repleta de atividades voltadas à cidadania e entretenimento da gurizada. A função começa nessa sexta-feira, 11, às 11h, com um ato na Assembléia Legislativa. No sábado, 12, acontece o Seminário de Políticas Públicas de Juventude, com Palestra com MV Bill às 16h, no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho (Harmonia). Às 23h, acontece o For Life Festival, a festa de música eletrônica no K-hall, DC Shopping (Rua Beirute, 45). Haverá também uma Seletiva de Basquete – CUFA, no Parque Farroupilha (Redenção), sábado e domingo, das 10h30 às 20h e ainda a Oficina Básica de Projetos Sociais, no sábado, 12, às 14h, no Estúdio Multimeios, na Rua Ricardo Leônidas Ribas, 75, Restinga.
    Mix Bazaar
    Feira de moda alternativa, com estacionamento, área de alimentação e lazer.
    Quando: 12 e 13 de agosto, das 10h às 22h
    Onde: Centro de Eventos do DC Shopping (Rua Frederico Mentz, 1561)
    Quanto: R$ 2,00 ou 1 kg de alimento não perecível (doação à Liga Feminina de Combate ao Câncer)
    Oficina de Musica Brasileira
    Primeira turma, que terá 40 vagas e está com inscrições abertas. A oficina ministrada pelo professor Luiz Machado é direcionada a estudantes de música com nível básico e conhecimentos rudimentares de leitura musical. Os novos alunos farão audição com o professor Machado neste primeiro dia de atividades. A oficina acontecerá em sábados intercalados, sempre às 14h00 e as inscrições são pelo telefone (51) 3287.5500.
    Quando: sábado, 12, às 14h
    Onde: Santander Cultural (Rua 7 de Setembro, 1028)
    História em quadrinhos infanto-juvenil, comics e mangá
    O curso possui dois meses de duração e é voltado para o aprendizado da arte sequencial, produção e pós-produção de revistas em quadrinhos nos estilos comics (ocidental) e mangá (oriental). São trabalhadas noções de estrutura do corpo humano, perspectiva, cenários, luz e sombra. A parceria do Legio Studio com o Núcleo de Extensão do MARGS existe desde 1998, quando Fábio Martins e Rafael Krás ainda eram acadêmicos de direito e contabilidade, respectivamente. Conheceram-se através de um grupo interessado em Histórias em Quadrinhos (HQ) que se reunia na Casa de Cultura Mario Quintana. Autodidatas, utilizam há oito anos as dependências do MARGS para ensinar a arte dos comics e mangás a crianças e adolescentes que desejam criar suas próprias histórias e personagens. Oficializado em 2002, atualmente o Legio Studio exporta desenhos para a editora egípcia AK Comics, além de eventuais desenhos comissionados.
    Quando: de 12 de agosto a 7 de outubro, das 10h às 12h
    Onde: Margs (Praça da Alfândega, s/nº)
    Quanto: R$ 10,00 de inscrição, mais R$ 160,00 (ou 2X de R$ 80,00).
    Oficinas Porto Alegre Em Cena
    De 9 a 25 de agosto, estarão abertas as inscrições para as oficinas do festival. Os interessados em participar deverão enviar carta de intenção com um breve currículo para a sede de produção do festival. Não serão aceitas inscrições por e-mail. A iniciativa está voltada especialmente para diretores, atores e professores e é gratuita. Acompanhe notícias diárias do festival no site do Jornal JÁ.
    Endereço para correspondência
    13º Porto Alegre em Cena
    a/c Alexandre Magalhães e Silva
    Solar Paraíso – Travessa Paraíso, 71
    Morro Santa Teresa – POA – RS – Brasil / Cep. 90850-190
    Informações: 51-3235.2995 / 51-3232.1652
    Tablado Andaluz
    O Tablado Andaluz oferece programação especial no final de semana. Sexta-feira e sábado,  entre 20h e 24h, acontece a Peña Flamenca, com apresentação de dança flamenca às 22h. A especialidade da noite é o Buffet de Paella (R$ 20,00) e Tapas à la carte. O couvert artístico sai R$ 10,00, mas para quem aprecia o buffet, o valor é R$ 5,00. No domingo, entre 11h e 15h30, almoço típico, sem cobrança de couvert.
    Quando: sexta-feira, sábado e domingo
    Onde: Tablado Andaluz (Av Osvaldo Aranha, 476)
    Reservas e informações: 3311.0336 e 3024.5229

  • Cinco anos culturais

    Prédio histórico construído por Wiederspahn abriga o empreendimento cultural do Banco Santander (Foto: Divulgação/JÁ)

    Naira Hofmeister
    Em agosto de 2001, a antiga sede do Banco Meridional, na Praça da Alfândega, reabriu, totalmente reformada, sob a proposta de se tornar um novo centro cultural em Porto Alegre. Cinco anos e um milhão e meio de visitantes depois, o Santander Cultural mostra que a iniciativa, voltada ao relacionamento com o cliente foi muito além do marketing.
    Além de difusora de cultura, a instituição agregou à sua meta o incentivo à produção artística local, através de atividades desenvolvidas junto à comunidade, atendendo mais de 75 mil pessoas em cursos, seminários, debates e encontros, a maioria gratuitos.
    “Seria o maior investimento do grupo na área de cultura em todo o Brasil e queríamos que, mais do que patrocinar, o Santander Cultural fosse gestor de cultura”, lembra a superintendente do Santander Cultural, Liliana Magalhães.
    Quando o Banco Meridional foi vendido ao Grupo Santander, da Espanha – na mesma negociação que envolveu o Bradesco, de São Paulo – acabou herdando o prédio histórico da Praça da Alfândega, em estilo neoclássico, construído entre os anos 1927 e 1932, projeto do famoso arquiteto Theodor Wiederpahn.
    Recém-chegado ao Estado, o grupo espanhol concluiu um estudo sobre hábitos dos gaúchos, indicando altos índices educacionais, de organização e participação política da sociedade. “O Rio Grande do Sul é uma matriz cultural brasileira, aqui se incita a reflexão artística e cidadã”, analisa Liliana, que esteve presente em todo processo de implementação do empreendimento.
    Foi a junção dessa característica do pensar cultural no Rio Grande do Sul com a tradição do banco de patrocinar a cultura em todo o mundo, aliadas ao prédio da Praça da Alfândega, que nasceu o Santander Cultural.
    “A maneira como desenvolvemos essa interação que faz o Santander Cultural ser o que é, um canal de relacionamento entre Porto Alegre e o mundo”, opina Liliana. A política de incentivo à cultura da instituição passa obrigatoriamente pelo aval da sociedade.

    Liliana Magalhães examina obras que vão compor a exposição “SOMOS a Cultura Brasileira” (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    “Existem muitas formas de investir em cultura, uma delas, por exemplo é dar dinheiro para grandes nomes. A nossa metodologia é nos aliarmos à comunidade, funcionar com agente integrador”. Para isso, conta Liliana, o Santander Cultural possui assessorias especializadas em cada área de atuação.
    A programação de filmes é feita em parceira com a Casa de Cinema de Porto Alegre; a área musical tem entre seus consultores Cláudio Levitan, Arthur de Faria e Juarez Fonseca. Finalmente, as artes plásticas estão sob responsabilidade da própria Liliana, que auxiliada por um grupo de curadores desenvolve os projetos de exposições.
    “Todos os nomes que já passaram pelo Santander Cultural entram em nossa lista de curadores”, explica. Dessa forma, crê a superintendente, o espaço funciona simultaneamente como receptor e difusor de cultura. “Nada vem pronto, isso aqui funciona como um laboratório de experiências, concebemos cada exposição especialmente para o Santander”.
    Uma opção pela cultura reflexiva
    Mais difícil do que simplesmente investir na cultura é determinar o que vai ser posto em discussão na sociedade. A política do Santander, segundo Liliana, é aliar diversão e reflexão nas suas atividades. “Por isso, ao invés de colocarmos um filme em cartaz, inserimos ele num contexto de mostra, para que se revele uma ferramenta de análise”.
    Mais ou menos na mesma lógica, as exposições que passam pelo Santander desenvolvem obrigatoriamente atividades paralelas junto à comunidade. A recente !Mirabolante Miró, por exemplo, reuniu mais de 200 obras do artista plástico catalão e levou um público de190 mil pessoas à exposição.
    A conexão direta com a cidade, no entanto, se deu nas 192 atividades simultâneas que desenvolveu. Provavelmente, a mais significativa tenha sido o projeto Ruas Mirabolantes, que convidou 10 artistas de rua da cidade para, inspirados na mostra, criarem obras serigrafadas de intervenção urbana. Os cartazes das releituras foram colados em muros, paredes e tapumes pela cidade e a experiência foi registrada em vídeo.
    Talvez por isso, a instituição penetre em vários ambientes sociais: “No cinema, por exemplo, tu vê todo o tipo de gente, desde o intelectual que procura um filme artístico até o popular, que vem porque o ingresso é barato”, acredita.
    Só assim para atingir o número médio de 1.225 visitantes por dia. Foram 16.000 professores em capacitação, 107 mil espectadores de cinema, 36 mil pessoas em shows e oficinas de música e 200 mil estudantes em visitas mediadas nas exposições.
    Além disso, a instituição tem como parceiros grandes eventos culturais da cidade, como a Feira do Livro, a Bienal do Mercosul e até mesmo o Fórum Social Mundial.
    O empreendimento mantém ainda as iniciativas da Incubadora Cultural, onde atenta para os principais movimentos de vanguarda artística no mundo e um centro de excelência tecnológica. Também participa junto com a prefeitura municipal do projeto de Revitalização do Centro da capital. “O Santander Cultural vem trazendo oxigênio para o Porto Alegre”, resume Liliana.
    SOMOS o que mostramos
    Para comemorar os cinco anos de atividade cultural, o Santader inaugura na noite dessa quinta-feira, 10 de agosto, a mostra SOMOS a criação popular brasileira, que reúne mais de 500 obras que perfazem um panorama artístico do país, visto pelos olhos do povo.
    Tratam-se de artistas populares que produzem ‘artesanato’ – muitas vezes tido como uma face menor da arte. “Pretendemos exatamente romper com essa separação: o que nos interessa nessa mostra é a força poética e a beleza de cada obra”, explica.

    Obras aguardam conclusão da montagem da mostra que abre para o público na sexta-feira, 11 de agosto

    A equipe de produção percorreu os cantos do Brasil atrás de artistas que revelassem características regionais, formadoras da cultura, que tivessem como principal marca, a força da criação. A busca foi norteada pelo princípio de que qualquer forma artística nasce como um objeto de utilidade cotidiana. Por isso, a exposição percorre a história, trazendo por exemplo, pequenos monolitos, pedras lascadas que serviam para o corte na Era Neolítica ou ferramentas da época da colonização européia. Passa também por objetos domésticos, como uma frigideira para aquecer pães ou uma ratoeira inteligente: “Nessas obras, procuramos uma forma especial”, revela José Alberto Nemer, consultor da mostra.
    O caráter multimídia encarnado pelo Santander Cultural vai estar presente na mostra. Além da exposição das obras de artistas como Galdino, Conceição dos Bugres, Antônio Poteiro ou Chico Tabibuia, um audiovisual foi concebido pela curadoria da mostra, com o intuito de pensar a diversidade como caráter universal. “Esse vídeo contém o conceito da exposição, mostra quanto o regional pode ser global e vice-versa”, revela Liliana.
    Para completar, a mostra será embalada ao som de três peças compostas por Arrigo Barnabé, que, executadas continua e simultaneamente formam juntas, a obra principal: “Minha intenção não era meramente ilustrar a mostra, mas sim, dialogar com ela”, revela Arrigo.
    As ‘partes’ serão divididas de acordo com os ambientes: uma peça, em estéreo para o centro da exposição e duas monos, um para as laterais e outra para o andar superior. Como o ambiente é todo vazado, explica Arrigo, será possível ouvi-las em conjunto, e, dependendo do espaço, uma vai se sobrepor às outras duas.
    Arrigo aproveita para fazer um comparativo entre a dita Música Popular Brasileira e a mostra que marca os cinco anos do Santander Cultural: “A MPB tem um envolvimento muito grande com a indústria fonográfica, e assim, perde um pouco da sua pureza. Acredito que essa mostre retoma a arte popular com a ingenuidade que lhe é característica”, opina.
    A mostra será inaugurada para convidados na noite desta quinta-feira, 10 de agosto. O público poderá visitá-la, gratuitamente, a partir da sexta-feira, 11. O Santander Cultural abre de segunda a sexta-feiras, das 10h às 19h e sábados, domingos e feriados, das 11h às 19h. O endereço é Rua Sete de Setembro, 1028 e o telefone para contatos, 3287.5500.

  • O grafite na sala de aula


    Espaço urbano é cada vez mais utilizado por grafiteiros (Foto: Carla Ruas/Arquivo/JÁ)

    Carla Ruas

    Iniciou nesta quarta-feira, 10 de agosto, o segundo semestre do Projeto de Extensão “Arte de Espaço Público”, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS. As aulas, direcionadas a estudantes da universidade e grafiteiros de Porto Alegre, apresentam a história da arte urbana e aproximam os dois ofícios, que atualmente vivem em conflito.

    Desde o início do ano, seis alunos da Arquitetura e sete grafiteiros se reúnem uma vez por semana num ateliê da faculdade. Os estudantes se matriculam a cada semestre e os grafiteiros são convidados a participar do curso.

    A idéia, inédita no Rio Grande do Sul, nasceu do casamento de uma disciplina eletiva chamada “Projeto nos Espaços Abertos” com discussão sobre o grafite nas edificações da cidade. Resultado: o idealizador do projeto, professor Rogério Malinsky, introduziu o grafite e os grafiteiros na sala de aula. Ele ensina a história da arte mural e incentiva a troca de experiências.

    “A iniciativa foi bem recebida”, garante o acadêmico. Os artistas de rua dão depoimentos sobre a sua vivência e discutem percepção visual e composição artística. Para os alunos da faculdade, é uma oportunidade de ampliar o repertório para futuras criações arquitetônicas.

    “Quando forem fazer uma obra, podem levar em conta a arte que será aplicada ali”. Assim, os futuros profissionais percebem como a arte pode colaborar na re-qualificação do espaço público.

    O projeto de extensão trabalha com quatro vertentes. A primeira é a formação interdisciplinar, tanto dos grafiteiros como dos estudantes. Também abrange a humanização do espaço público, o grafite como arte e a difusão do projeto. “Queremos que os alunos reproduzam as suas experiências e virem multiplicadores dos ensinamentos”.

    O curso também é uma forma de re-inserir os artistas de rua na sociedade, através da formalização da sua arte. “O grafite é um canal de expressão dos excluídos urbanos”, define Malinsky.


    Grafite pode diminuir pichações na cidade (Foto: Carla Ruas/Arquivo/JÁ)

    Ele acrescenta que é uma evolução da pichação, combatida pelos órgãos públicos e condenada pela sociedade. “A pichação vai continuar até que o seu potencial artístico seja incorporado formalmente”, acredita.

    Resultados

    A iniciativa criativa do curso de Arquitetura da UFRGS já apresenta resultados. Na Casa Cor deste ano, que ocorre de 20 de outubro a 26 de novembro, um painel será grafitado por dois alunos do curso, em parceria com uma arquiteta. A idéia partiu de uma aluna do projeto de extensão que trabalha no evento.

    Além disso, os integrantes do grupo estão em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente para adotar uma praça da cidade, que terá seus muros grafitados. A partir de outros projetos da Prefeitura, eles querem adotar um bairro de Porto Alegre. “Estamos em negociação” afirma Malinsky.

    O professor pensa em conseguir patrocínio para expandir o projeto. “Já conversei com um fabricante de spray de São Paulo e uma indústria de tintas de Porto Alegre”, adianta. Com as contribuições, quer montar um ateliê equipado para o curso e oferecer oficinas para a periferia.

    Em 2007, o projeto será inscrito no Prêmio Caixa Melhores Práticas em Gestão Local, da Caixa Econômica Federal. “No futuro, queremos incluir no curso outras vertentes da arte na rua, como a escultura”, conclui o professor.

  • Seminário discute créditos de carbono para o Brasil


    Evento teve apresentação de projetos de redução da emissão de gases poluentes
    (Foto: Divulgação/JÁ)

    Ana Luiza Leal Vieira

    A apresentação de projetos de geração de eletricidade a partir de biomassa e aproveitamento de gás metano de aterros sanitários marcaram o seminário “Desenvolvimento Sustentável e as Oportunidades para Crédito de Carbono no Brasil”. O evento, promovido pela Câmara Britânica de Comércio e Indústria no Brasil (Britcham), atraiu cerca de 60 pessoas para a PUCRS, na quinta-feira 10 de agosto, na PUCRS.

    O biólogo e mestre em Planejamento Enérgetico e Ambiental, Pablo Fernandez, da empresa EcoSecurites Brasil, falou sobre a usina de cogeração de energia elétrica que a gaúcha Celulose Irani S/A inaugurou em 2005 no município de Vargem Bonita, em Santa Catarina. A Irani produz 120 mil toneladas de resíduos orgânicos – biomassa proveniente da fabricação de celulose e das serrarias – por ano.

    Através da queima desta biomassa, que até então era depositada na natureza, a usina gera energia (9.43 MW de potência) e reduz a emissão de gás metano na atmosfera. “Em um ano e meio de projeto, acumulamos 179 mil em créditos de carbono, que serão obtidos nos próximos dias”, comemora.

    Segundo dados divulgados pelo site da empresa, a cogeração é um sistema altamente eficaz de geração de calor e energia elétrica a partir de uma única fonte de combustão. Com a queima dos resíduos, gera-se vapor para a produção de celulose e papel e, ao mesmo tempo, faz-se o abastecimento de energia elétrica da indústria.

    Outro exemplo apresentado é o aterro da Lara, situado no município de Mauá, zona metropolitana de São Paulo, que opera desde 1987. Recebeu, até hoje, mais de 6 milhões de toneladas de resíduos. Estão previstas outras 4,8 milhões de toneladas até a desativação total do depósito, prevista para o ano de 2014.

    Desde 2004, a Arquipélago Engenharia Ambiental vem implementando um projeto para captação, queima e aproveitamento de gás metano do aterro. Por enquanto não há produção de energia, apenas o combate da emissão do gás. O gás de aterro contém aproximadamente 50% de metano (CH4).

    Ralf Lattouf, diretor da empresa, falou sobre o case no seminário. “O projeto está implementado. Estamos agora iniciando o monitoramento. Somente depois deste período vem a conversão em créditos. Nos próximos 20 anos, prevemos a redução de 593 mil toneladas de emissão de metano”, relata.

    Mariângela Souto, gerente da filial estadual da Britcham, disse que a vontade de promover um debate sobre a questão dos créditos de carbono é antiga. “A idéia de discutir créditos de carbono veio dos nossos sócios, que queriam trocar informações e esclarecer o tema para comunidade trazendo profissionais renomados para palestras”, comenta. A entidade deve seguir as discussões sobre o assunto.

  • Paulo “Multimídia” José

    Em ação no longa-metragem Saneamento Básico, o filme, de Jorge Furtado (Foto: Divulgação/JÁ)

    Naira Hofmeister

    O gaúcho Paulo José, 68 anos, pode ser considerado um ator popular, completo. Começou a fazer teatro aos dez anos e sua carreira profissional nos palcos teve início na militância no Teatro de Equipe, em Porto Alegre, onde realizava espetáculos políticos.

    No Rio de Janeiro, foi fundador do Teatro de Arena, ao lado de Augusto Boal. Nos mais de 40 filmes em que participou, encarnou tipos brasileiros no cinema, como o anti-herói Macunaíma e o Joça Ramírez, na produção Anahy de Las Missiones.

    No horário nobre da telinha, emocionou as famílias sentadas na poltrona da sala em mais de 30 novelas. A mais recente participação em uma produção da TV foi na minissérie JK, no início de 2006, na Globo.

    Seu protagonismo cultural não se restringe apenas a belas atuações. Paulo José também é produtor e diretor de teatro e, agora, estréia como realizador audiovisual. Apesar de já ter dirigido as minisséries O Tempo e o Vento, Agosto e Incidente em Anteres, todas na TV Globo, esta é a primeira vez que lança um longa-metragem, Grupo Galpão, que teve pré-estréia em Porto Alegre na segunda-feira (7) à noite, em sessão comentada no Santander Cultural.

    O filme segue em cartaz durante a mostra Do Palco à Tela do Cine Santander, composta de filmes sobre o teatro, até 13 de agosto. O documentário que Paulo José apresenta parece ser uma síntese de sua vida cultural.

    No filme, o gaúcho assina a produção e sua esposa, Kika Lopes, dirige a obra. Do outro lado das câmeras, o Paulo José que aparece é o diretor de espetáculos da trupe mineira, que prepara a montagem de Um homem é um homem, de Bertold Brecht.

    Além do trabalho com o grupo de Belo Horizonte, Paulo José acaba de estrear no teatro da UERJ, no Rio de Janeiro, a peça Antônio e Cleópatra, de Shakespeare; terminou as gravações do novo longa-metragem de Jorge Furtado, Saneamento Básico, o filme, e se prepara para dar início a outro projeto de cinema, A Ceia dos Cardeais, ao lado dos colegas e amigos Domingos de Oliveira e Aderbal Freire Filho.

    A movimentação no espaço de produção cultural contrasta com sua condição fragilizada, exposta depois da descoberta do mal de Parkinson que o obriga a uma disciplina impressionante. Recém chegado de Bento Gonçalves, onde por mais de um mês enfrentou uma rotina de trabalho de 12 horas diárias, nas filmagens de Saneamento Básico, o filme, Paulo José veio a Porto Alegre com uma agenda repleta de compromissos para o lançamento do longa-metragem da esposa.

    A voz se foi com o clima inconstante na Serra. E os remédios pioram os efeitos da bronquite ainda mais. Mesmo assim, Paulo José se mostra disposto: com uma rolha entre os dentes, exercita as cordas vocais por 15 minutos antes de começar a entrevista. Recuperada a voz, ele pergunta, sorrindo: “O que é mesmo que você quer saber?”.

    Mesmo admitindo que a televisão é a área que menos o atrai artisticamente, Paulo José critica a opinião daqueles que a consideram uma arte menor: “ninguém gosta de televisão, só todo mundo”, brinca, deixando claro que a massa é que determina a importância de uma mídia, não os especialistas. “A televisão tem uma possibilidade de multiplicação da expressão do ator e por isso é mais bem paga, mas ninguém é obrigado a fazer”.

    Se na sua opinião o palco representa a face transgressiva da arte, é na TV que o público encontra a diversão. “O teatro levanta muito mais questões do que respostas e a televisão é o momento relaxante”. Ainda assim, é ela que rege a identidade cultural do país, e, portanto, é lógico que seja a condutora das práticas na área. “De que maneira a massa iria ao cinema, se não estivessem lá os atores conhecidos, as histórias a que estão acostumados?”.

    A entrada da Globofilmes no mercado cinematográfico nacional representou um incremento da produção, mas gerou também críticas quanto à homogeinização das temáticas. Para Paulo José, no entanto, não foi apenas a quantidade de filmes que aumentou, mas também a qualidade das obras, ou seja, ganhou a indústria nacional. “Não é verdade que a televisão ou esse cinema de massa tenham tirado o público do cinema autoral, porque esse tipo de produção nunca teve público de fato”.

    Nas artes cênicas, a regra na opinião de Paulo José é ir para o centro do país: “É muito mais interessante estar no Rio de Janeiro ou em São Paulo, onde se irradia teatro, do que em Porto Alegre”. Mesmo assim, salienta que o apoio à regionalização da cultura – principalmente o estatal – tem proporcionado o desenvolvimento do trabalho de grupos como o Galpão (BH), o Armazém, de Curitiba e o Oi Nóis Aqui Traveiz, em Porto Alegre, que receberam patrocínio da Petrobras. “Não é uma peça, mas o grupo que recebe a verba. Isso dá mais estabilidade para fazer teatro”.

  • Ospa vai para a beira do Guaíba


    Nesralla, Fogaça e Ainhorn anunciaram a nova localização do Teatro da OSPA
    (Foto: Cristiane Rochol/PMPA/JÁ)

    Naira Hofmeister

    Três anos após a primeira proposta, finalmente o local para construção da sede da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) se encaminha para a definição. Na manhã dessa sexta-feira, 4 de agosto, o prefeito José Fogaça, ao lado do diretor da Fundação Ospa, Ivo Nesaralla, anunciou que o terreno de 15 mil metros quadrados, situado atrás da Câmara de Vereadores – na bifurcação das avenidas Loureiro da Silva, conhecida como 1º Perimetral,  e Edvaldo pereira Paiva, a popular Beira Rio – deve abrigar a construção.

    Deve, porque a liberação do espaço depende da aprovação dos vereadores em um Projeto de Lei para a concessão de direito de uso do parque público, já que o espaço faz parte do Parque Maurício Sirotsky Sobrinho (Harmonia). “A decisão da Câmara é soberana, serão eles que dirão o sim ou o não”, enfatizou o prefeito Fogaça. A obra vai integrar o projeto de Revitalização do Centro da Capital, proposta pelo prefeito desde o início de sua gestão.

    As especificações técnicas do prédio principal serão mantidas: o modelo ‘shoe-box’, ou caixa de sapatos, que permite a perfeita audição e identificação de qualquer instrumento da orquestra com clareza, não vai ser alterada. “Os projetos no entorno irão se adequar às especificações da Prefeitura”, garantiu Nesralla. O prédio principal vai medir 22 metros e o estacionamento – uma das brigas com a comunidade do bairro Floresta, na época em que se cogitava a construção no Shopping Total – poderá ser dividido com a Câmara Municipal, segundo informou Nesralla: “Ele utilizam durante o dia e nós, majoritariamente, à noite”.

    Fogaça afirmou que a escolha do local, que figurou entre outras nove possibilidades, levou em conta a questão técnica: “Aqui não há necessidade de modificarmos o índice de construção”. Apesar da afirmação, ainda não foram feitos o Estudo de Viabilidade Urbana (EVU), nem o Relatório de Impacto Ambiental (RIA), necessários nesse tipo de obra. “Mas a SMAM já fez um estudo informal que autoriza a Prefeitura indicar essa área para a obra”, ponderou Fogaça.

    Além da viabilidade urbana e ambiental, foi considerada a acessibilidade do local, na  hora da decisão: “A Ospa não pode ser uma instituição elitista, muitos freqüentadores utilizam ônibus e esse ponto tem um acesso facilitado”, disse Nesralla. Há também o fato de que a avenida Beira Rio fica liberada para trânsito de pedestres e de bicicletas, o que, segundo ele, “vai aproximar ainda mais a Ospa do povo”.

    Sala Sinfônica será a sétima do mundo

    A construção da Sala Sinfônica da Ospa será um marco cultural e arquitetônico da cidade. O novo projeto irá manter as mesmas características de excelência acústica de consagradas salas como Vienna Grosser Musikvereisaal, em Viena ou a Simphony Boston Hall e Seiji Osawa Hall, nos Estados Unidos. Com 1560 lugares, o novo teatro será dotado da mais moderna tecnologia adotada em obras semelhantes nos grandes teatros do mundo.

    A obra será a sétima sala especificamente construída para apresentações de uma Orquestra Sinfônica em todo o mundo. “Há uma assim em São Paulo, mas que possui limitações técnicas de um prédio construído há mais de 150 anos”, comparou Nesralla. Também foi incluída no projeto original a construção de uma concha acústica, para concertos ao ar livre.

    Com a concessão do terreno para a Sala Sinfônica da Ospa encerra-se uma novela que dura mais de três anos. Foi com orgulho que o presidente da Fundação Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Fospa), Ivo Nesralla recebeu a aprovação do local: “Me desculpem a voz, mas estou realmente emocionado”, disse. Desde que assumiu o cargo na Fundação, Ivo Nesralla levantou a bandeira da nova sede e chegou a comprar briga com os moradores da rua Gonçalo de Carvalho, no bairro Floresta, que combateram o projeto original de erguer o prédio no Shopping Total.

  • Cinema de transformação

    Elenco e equipe técnica do filme conversou com a imprensa em Bento Gonçalves, onde acontecem as filmagens (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister
    Saneamento Básico, o filme, é explicitamente político, tema que em outras obras de Jorge Furtado aparecia com menos destaque. Militante histórico do PT, o diretor viu Lula chegar ao poder com o apelo da mudança e não atender à expectativa criada. Viu dinheiro ser desviado para o bolso dos poderosos enquanto o povão amargava na fila no INSS, e se perguntou qual o valor da arte num país onde não há dinheiro para obras básicas.
    Resolveu transformar as inquietações em arte. Trabalhou dois anos no roteiro de Saneamento Básico, o filme, quarto longa-metragem de sua carreira. Concentrados num hotel em Bento Gonçalves há cerca de um mês, elenco e equipe técnica pararam as filmagens no sábado à noite, 6 de agosto, para conversar com a imprensa.

    Obra de tratamento de água funciona como metáfora da colisão entre cultura e necessidades essenciais (Fotos: Divulgação/JÁ)

    Saneamento Básico, o filme, narra o envolvimento de uma pequena comunidade no interior do Rio Grande do Sul com a obra do esgoto local. Os moradores de Linha Cristal ouvem da sub-prefeitura da cidade que não há verbas disponíveis para sua realização. Em compensação, o Governo Federal liberou R$ 10 mil para o desenvolvimento de um filme, dentro de um projeto de incentivo à produção cultural em cidades pequenas, que não recebeu nenhuma inscrição.

    Em comum acordo com a primeira-secretária, a comunidade decide fazer um vídeo sobre a obra de canalização do Arroio Cristal, para utilizar a verba na construção. No entanto, ao longo da produção, os moradores vão sendo surpreendidos pelo envolvimento com o vídeo e repensam seus critérios de julgamento, tendo que decidir entre finalizar o curta-metragem ou a obra de saneamento básico.

    “A política sempre foi uma preocupação minha e, se esse filme tem uma tese, é um pouco esse paradoxo entre o registrar e o fazer: arte ou transformação real? Sempre existe uma contradição nos países subdesenvolvidos sobre o investimento na cultura. Como um país que não tem saneamento básico vai fazer cinema? Mas claro que essa é uma contradição boba: é preciso fazer tudo ao mesmo tempo”, opina Furtado.

    A ironia política
    Mesmo assumidamente mais politizado, Saneamento Básico, o filme, ainda intercala a crítica com uma história um tanto ingênua, como em suas produções anteriores. O diretor acredita que é fruto do inconsciente coletivo, que o roteiro apenas reflete uma vontade pública de tratar a questão: “Tem uma frase do Jorge Luiz Borges, que diz que o autor não deve interferir excessivamente na sua própria obra. Os gregos já sabiam disso, o escritor é apenas a manifestação de uma voz que ele desconhece. O meu primeiro impulso eu tento deixar, não julgar moralmente”, explica.

    Jorge Furtado dirige Camila PItanga, que encarna Silene na trama

    Furtado faz questão de salientar que, ao contrário do que nos faz crer a mídia, sua angústia com os rumos do país não se restringem ao governo Lula: “Minha memória é muito boa: os recentes acontecimentos políticos não têm nada de recente. Infelizmente no Brasil, a história de desvio de dinheiro público é muito antiga. Pero Vaz de Caminha, na carta dele, pede emprego pro príncipe. Quer dizer: o Brasil começou já assim, né?”.
    O comentário é um misto de bom humor com ironia, e o filme que dele resultou não será diferente: “Saneamento Básico tem essa qualidade de ser uma comédia ingênua e ao mesmo tempo, um filme terrível”, atesta Fernanda Torres, uma das protagonistas da trama.
    A idéia de manter-se na linha cômica levou Furtado a buscar na tradição da Commedia dell’Arte os arquétipos das personagens. “O interessante do teatro da Commedia dell’Arte é que sobreviveu durante séculos com seis, sete personagens, com os quais é possível realizar toda a dramaturgia necessária”, explica.
    Fãs assumidos do trabalho de Furtado, os integrantes do elenco, composto majoritariamente por estrelas da televisão brasileira, confessaram o envolvimento com o sistema de trabalho da técnica clássica de teatro. “A Commedia dell’Arte faz com que em muitos momentos a gente se sinta como uma trupe de teatro, essa estrada nos proporciona o companheirismo, um sentido de entrega para o trabalho”, descreve Bruno Garcia.
    Camila Pitanga concorda com o colega. “Muito do tom da interpretação acontece por estar no meio desse grupo, observando. As cenas de grupo me ajudaram a encontrar esse tom cômico, que não é de uma comédia rasgada, mas de uma comédia áspera, ácida, com temas críticos”.  Já Fernanda Torres tem uma impressão mais pessoal sobre as filmagens: “A minha mãe estava grávida de mim, quando fez um trabalho com Commedia Dell’Arte, isso me tocou profundamente”.
    Além dessas duas características, o diretor inova também na narrativa: esse será seu primeiro filme que não tem off, o narrador, e nem um personagem central. “Os três outros longas erram narrados por um protagonista masculino, que tinha como objetivo conquistar a mulher amada. Isso é meio impulso de escritor: saía escrevendo sempre na primeira pessoa”.
    A linguagem tradicional do dramaturgo também será alterada pela parceira com Jacob Solitrenick, que assina a fotografia de Saneamento Básico. “Jacob é excelente fotógrafo e um grande câmera. Em quase todo o filme utilizamos película em 16mm só em planos mais abertos que a gente usa 35mm”, revela.
    Com um orçamento considerado baixo para o cinema – R$ 5 milhões entre produção montagem e distribuição – a película não tem cenas gravadas em estúdio: “Optamos por fazer tudo em locações, que acaba sendo um super-personagem: em qualquer lugar se acha um enquadramento diferente, uma iluminação bacana”.
    A arte da mudança
    No enredo de Saneamento Básico, Marina, vivida por Fernanda Torres é a líder comunitária que pressiona a prefeitura para que inicie a obra. “Na verdade, ela quer resolver sua vida pessoal com o esgoto, já que o marido tem uma micose que não se sabe se é resultado do esgoto ou de uma pulada de cerca”, conta Fernanda. “Com o passar do tempo, Marina se torna a principal responsável pelo desvio das verbas da obra para o filme”, ri. Wagner Moura faz Joaquim, cuja “melhor definição é ser o marido da marina”, brinca o ator.

    O casal protagonista é vivido por Fernanda Torres e Wagner Moura

    Filha de Otaviano, vivido por Paulo José, Marina é o oposto da irmã mais nova, Silene, encarnada por Camila Pitanga. “Ao contrário da irmã, que é idealista e empreendedora, a Silene, é empreendedora para si mesma, ela quer o sucesso, e vê no filme a oportunidade de  ir embora daquela cidade”.
    Outro que quer subir na vida e utiliza a produção como escada é Fabrício, papel vivido Bruno Garcia. Assim como Lázaro Ramos, que da vida à Zico, Fabrício entra na trama em função da necessidade técnica da produção.
    O curioso nas personagens, segundo seus intérpretes é que, se no início da história, cada um adere ao projeto do filme por uma razão pessoal, o destino vai fazer com que se envolvam com o curta-metragem. Dessa relação com a arte, surgem finalmente as respostas que procuravam.
    Otaviano, um homem duro e que esconde suas emoções, se redime: “O mais importante momento, é quando ele chega para filha, chora e reconhece que ela fez uma obra, e a parabeniza, com muita emoção”, lembra Paulo José.

    Paulo José é um dos destaque do elenco, no papel de Otaviano, um velho rabugento

    “Mesmo sendo uma comédia, o filme não debocha dessas pessoas. Talvez se eu tivesse naquela cidade, naquele lugar, teria os mesmos erros e tropeços que essas pessoas. É bom rir da gente mesmo e do patético”, diagnostica Camila Pitanga. Fernanda Torres adota a mesma linha: “Acredito que o amor é a única revolução que falta fazer, porque já se esgotaram as crenças na política, na religião. E eu acho que o filme é sobre isso”. “O bonito do filme é que fala de vidas transformadas pela arte”, resume Wagner. Furtado, poeticamente, finaliza com uma frase de Dostoievski: “A beleza salvará o mundo”.
    Se a arte tem poder maior do que a política para transformar uma realidade, talvez o novo filme de Jorge Furtado faça as platéias refletirem. Mas que, no Brasil, ela depende praticamente de incentivos políticos, o próprio filme é testemunha: Saneamento Básico só se realizou graças à Petrobrás, que bancou, através de uma premiação, os R$ 3 milhões que o projeto necessitava para sua produção. A distribuição, a cargo da Columbia do Brasil já tem previsão de R$ 2 milhões investidos. A data de estréia do longa, no entanto, ainda não está definida.

  • Ponto de Cultura movimenta comunidade GLBT

    Alexandre Böer comemora as novas instalações (Fotos: Naira Hofmeister/JÁ)

    Naira Hofmeister
    Uma casa ampla, de dois pisos na rua Jacinto Gomes, 378 (bairro Santana) deve ser o novo local de encontro do público homossexual de Porto Alegre. O Ponto de Cultura GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais, Travestis e Transgêneros) mantido pelo Grupo Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade é o primeiro local voltado ao estudo e discussão da cultura gay no Estado.
    “A cultura tem sido muito importante para enxergar a sexualidade de forma diferente, sem moralismo”, acredita Alexandre Boër, coordenador do espaço e militante da causa gay.
    A primeira atividade do local foi a abertura da mostra Um olhar atrás das cores, do fotógrafo Walter Karwatsky, um ensaio fotográfico em preto e branco, feito na Parada do Orgulho Gay, em 2005, no Parque Farroupilha.
    Além da mini-galeria, que vai abrigar exposições como a de Karvatski, a casa conta com um espaço multimídia, biblioteca e acervo de filmes em VHS e DVD, que abordam a sexualidade ou produzidos por artistas homossexuais. Entre os títulos podem ser encontradas obras de Truman Capote ou Andy Wharol. O catálogo de filmes transita entre clássicos como A Cor Púrpura, de Steven Spielberg, Beleza Roubada, de Bernardo Bertolucci, até o recente O Segredo de Brokeback Mountain, do diretor Ang Lee, que narra um romance entre caubóis homossexuais.
    Mesmo dedicado especialmente à comunidade GLBT, o Ponto de Cultura também está aberto a heterossexuais. “A nossa lógica é sempre a da inclusão, nos interessa desmistificar essa crença de que gay é apenas sexo”, resume Alexandre.
    O atendimento ao público acontece de segunda à sexta-feira, das 14h às 19h, e os empréstimos gratuitos de material podem ser feitos mediante a apresentação da identidade e comprovante de residência para o cadastramento.
    Mudança para ampliar atendimento
    Depois de cinco anos na Voluntários da Pátria, a sede do Grupo Somos se transfere para a Jacinto Gomes em busca de acessibilidade e espaço: “Mudamos para proporcionar esse Ponto de Cultura”, conta Boër. Também foi instituído o Centro de Referência Adelmo Turra, que homenageia o histórico militante morto em 1995, e que propõem a reflexão sobre a homossexualidade.

    A biblioteca contém um acervo sobre homoerotismo e sexualidade

    No espaço, além das atividades culturais, seguem acontecendo os projetos de apoio e debate da causa gay no Estado. Um dos mais importantes, na visão do coordenador do Ponto de Cultura, é o trabalho desenvolvido com profissionais da educação pública do Estado: “Há muitos professores que não sabem como lidar com a homossexualidade na sala de aula”.
    Há também uma atividade de fomento à criação de novos grupos no interior do Estado. “Não interessa ao SOMOS ser uma organização super forte e centralizadora”. Para combater isso, já foram selecionadas 30 lideranças do interior do Estado, que receberão capacitação e apoio logístico para formação de novos núcleos de debate a apoio da causa gay.
    “Explicamos que eles devem estar atentos às atividade nas Câmaras de Vereadores de sua cidade, propor projetos e acompanhar os Conselhos Municipais, de saúde ou direitos humanos, por exemplo”. A idéia é levar as atividades do Ponto de Cultura de Porto Alegre a essas futuras sedes GLBT no Estado, realizando exposições itinerantes, debates e conversas sobre a questão homossexual. “Já temos alguns parceiros, entre eles, a própria UERGS”, comemora Alexandre.
    Preconceito: uma questão histórica
    Com as atividades do Centro de Cultura GLBT e do Centro de Referência Adelmo Turra, o que pretende o SOMOS é ampliar a conscientização da sociedade perante os gays. “A sexualidade não é uma escolha, é um imperativo”, prega Bôer. O militante acredita que, ainda hoje, muitos gays desenvolvem relações heterossexuais por pressão e medo da sociedade. “É inacreditável que as pessoas se assustem mais com dois homens se beijando do que se dando tiros”, exemplifica.
    A causa também não se restringe ao Estado. Interligados com organizações semelhantes em todo o território nacional, os representantes do SOMOS coletam dados e experiências de sucesso: “Segundo um grupo da Bahia, a cada dois dias um homossexual é morto por sua orientação sexual”. A atual bandeira é de apoio ao projeto da deputada federal Iara Bernardi (PT/SP), que criminaliza a homofobia.
    “Sabemos que não é isso que vai mudar a cabeça de um preconceituoso, mas ao menos, essa pessoa vai pensar duas vezes antes de chamar alguém de veado ou bichinha”, protesta. Para Boër, o que incomoda é que ambas as práticas sexuais possuem obrigações iguais, mas não ganham os mesmos direitos. “Homossexual é obrigado a votar, a pagar impostos, tem os mesmos deveres do resto da população, mas não têm amparo legal para casar, por exemplo”.
    Há ainda a luta pelos direitos dos gays em todo mundo. Segundo o militante, a homossexualidade é crime em oito países. “No Irã, dois gays foram enforcados recentemente por se amarem”, lamenta. Para Alexandre, a Igreja é uma das principais responsáveis pela criação e manutenção do preconceito. Ele refere à Antiguidade Clássica, quando a homossexualidade era aceita com naturalidade, por exemplo. “Temos que entender que isso faz parte de um processo histórico, que passa pela criação do pecado e posteriormente, pela taxação de doença”.
    Boër narra páginas desconhecidas da II Guerra Mundial, onde, junto com judeus, homossexuais e ciganos foram encarcerados nos Campos de Concentração. “Depois que a guerra acabou, os judeus que restaram foram libertos, mas os gays, continuaram presos por que era crime ter uma sexualidade diferente”. Foi para fugir desse processo que um médico declarou pela primeira vez que a prática era uma doença: “Doentes não podem ser presos”.
    Alexandre não vê razões para estudar a ‘causa’ da homossexualidade, mas luta simplesmente pela aceitação e respeito aos gays na sociedade. “Sempre pesquisa-se o desvio, ou seja, parte-se do pressuposto de que os heteros são normais. Porque nunca se pesquisou a origem da heterossexualidade?”, ironiza.

  • Criadora da Daspu terá biografia

    Em 2005, Gabriela lançou grife de roupas desenhadas por prostitutas | Fotos: Carlos Matsubara/JÁ)

    Carlos Matsubara, de Brasília, especial para o JÁ

    A criadora da marca Daspu, Gabriela Leite, 55 anos, terá sua vida contada em livro. No sábado, 5 de agosto, ela revelou, em entrevista exclusiva ao JÁ, que assinou um contrato na última quinta-feira com a Editora Objetiva para lançar sua biografia em fevereiro de 2007.

    A conversa foi no BSB Mix, evento de moda alternativa, em Brasília.
    Lá a Daspu realizou um desfile que teve grande sucesso, como vem ocorrendo com a grife de roupas desenhadas por prostitutas da ONG Davida desde que foi lançada por Gabriela em 2005, no Rio de Janeiro. Desta vez, os aplausos vieram da high society, num dos lugares mais chiques e badalados da cidade, o Pontão do Lago Sul.

    A entrada das prostitutas no mundinho fashion foi uma iniciativa de Gabriela que de tanto ouvir o velho chavão “vestida como uma puta” pensou criar uma linha de vestuário completa. Há desde roupas “de batalha” até as de ativismo (direitos humanos, prevenção a AIDS e DSTs). “Na verdade sempre produzimos moda. Agora estamos nos apropriando de nossas competências também nessa área”, entende Gabriela.

    Ela nasceu no bairro Vila Mariana, em São Paulo. Chegou a cursar Sociologia por dois anos na Universidade de São Paulo (USP). “Entrei virgem na USP e saí puta”, lembra, repudiando qualquer outra designação para seu ofício. Odeia ser politicamente correta. “Os hipócritas tentam fazer desses nomes, como ‘garota de programa’. Isso eu não aceito”, critica.

    Voltando a USP. Eram os tempos da ditadura e o curso de Sociologia se dividia em duas turmas: os guerrilheiros propriamente ditos e os da contra-cultura. Gabriela se encaixou no segundo. Freqüentava mais os bares do Redondo do que a sala de aula. Assim conheceu “gente da pesada”, como o escritor maldito dos temas malditos, Plínio Marcos e o diretor de teatro Zé Celso Martinez.

    “O Redondo era um lugar que todo mundo freqüentava. Só que eu comecei a me cansar dessa coisa de revolução de botequim”, conta. Perto dali também tinha uma boate de prostituição, a La Licorne, muito famosa na época. Muitas vezes as meninas que trabalhavam por ali eram motivos dos papos-cabeça do botequim. “Foi então que pensei pela primeira vez em ir pra prostituição”, lembra.

    Gabriela estava cansada de trabalhar durante o dia e estudar a noite. Já tinha pego o gostinho da vida boêmia e descobriu que era isso que queria fazer da vida. “Não agüentava mais bater cartão e eu adorava a noite”.

    Boca do Lixo

    Com 22 anos e desempregada, parou num botequim para tomar uma cerveja e conheceu um cafetão que lhe apresentou a dona de um apartamento de prostituição na Boca do Lixo paulistana. “As grandes coisas da minha vida sempre acontecem em botequins, sempre. Ou porque eu freqüento demais ou porque eu tenho uma transa com botequim”.

    A entrada de Gabriela no ativismo aconteceu graças ao sumiço de duas colegas. Com o tempo suas amizades passaram a ser as amizades da prostituição. “Era uma maravilha, prostitutas, malandros, cafetinas, garçons… Adorava essa minha vida social, ali no meio da minha marginalia”.

    Ia tudo muito tranqüilo, até que em 1979 um delegado linha-dura resolveu prender e torturar as prostitutas e travestis da Boca do Lixo. Duas colegas desapareceram, uma delas grávida, foi torturada e morta. “Tudo isso estava acontecendo e a sociedade não sabia de nada. Foi quando voltei a pensar a Sociedade”.

    Organizou uma passeata que foi um escândalo e retomou a amizade com os amigos do teatro. Os primeiros a apoiar foram os artistas alternativos. “A Ruth Escobar, que nem era do nosso grupo, era do teatro tradicional e ainda não era política, tinha um teatro na Rua dos Ingleses e ofereceu para a gente fazer uma assembléia”, recorda. A repercussão foi tanta que o delegado foi afastado pelo secretário de Segurança e tudo voltou ao normal.

    Foram muitos anos na Boca do Lixo, até que Gabriela resolveu pegar a estrada. Literalmente. De carona em carona, sempre se prostituindo, ela percorreu vários Estados do país. Assim, diz ela, conheceu todos as faces da profissão.

    “Me senti a própria Hilda Furação”

    Morou um ano em Belo Horizonte e adorou a cidade. Na zona boemia de lá, sentiu-se a própria Hilda Furacão. “Ganhei muito dinheiro em BH”. Mas em 1982, depois de passar um final de semana no Rio de Janeiro, se encantou e ficou de vez. Foi morar na Vila Mimosa e virou Estácio de Sá desde criancinha.

    “Lembro que foi morando na Vila Mimosa que conheci a Benedita da Silva, recém-eleita como vereadora. Ela foi um dia na zona nos convidar para um primeiro encontro de mulheres de favela e periferia”, conta. Foi a primeira vez que Gabriela falou em público. Logo ela, que se diz uma “tímida de carteirinha”.

    Já em 1997 organizou o I Encontro Nacional das Prostitutas com o apoio financeiro do Instituto de Ensino da Religião (Iser) e de alguns profissionais da mídia carioca. “Fui de zona em zona buscar participação das colegas”, recorda. Disso surgiu a Rede Nacional das Prostitutas, uma articulação de 30 associações de todo o Brasil.

    Após o rompimento com o Iser no ano seguinte, fundou a ONG Davida em parceria com o jornalista Flávio Lenz, editor do jornal Beijo da Rua e seu companheiro até hoje. “Agora é fácil falar, mas foi muito complicado, quem nos financiava, não quis mais financiar e o Flávio foi chamado até de cafetão”.

    Com pouco dinheiro que tinha resolveu montar um restaurante e um pagode no Estácio para ajudar nas finanças da ONG. Foi o maior sucesso, o nome era Pagode da Vida. “Minha pescadinha da quarta-feira era famosíssima”.

    Hoje a Davida trabalha forte na questão da Aids participando dos fóruns estadual do Rio de Janeiro e da articulação nacional. “A gente interfere nas políticas públicas das prostitutas lá do Ministério da Saúde”.

    Daspu X Daslu

    A grande cartada da ONG ainda estava por vir. Em julho do ano passado, durante uma festa de aniversário da Davida, novamente em um botequim, um dos funcionários teve um insight. “Sílvio sacou que o nome Daslu estava na mídia [na época, a dona Eliane Tranchesi havia sido presa acusada de lavagem de dinheiro] e todo mundo adorou”.

    Com quase tudo pronto para lançar a coleção, uma notinha no Elio Gaspari dizendo que as prostitutas da Tiradentes estavam fundando uma grife chamada Daspu alertou a direção da loja paulistana.

    Na mesma semana as prostitutas receberam uma notificação extrajudicial dizendo que não podiam usar o nome Daspu, argumentando que estávamos prejudicando a imagem da loja. “Só os nomes dos advogados ocuparam uma página inteira”, recorda, acendendo mais um cigarro, o quarto em pouco mais de meia-hora de conversa.

    Passado o susto, resolveram registrar a marca e deu tudo certo. Tão certo quanto sua estréia no Fashion Rio, pelo estande do Sebrae, quando fizeram um desfile mais concorrido que o da Gisele Bündchen. “Já temos outros desfiles agendados, fizemos uma parceria com o Instituto Zuzu Angel para ajudar nessa coisa de estilo”.

    De uma coisa a Daspu não abre mão. Quer garantir que suas prostitutas estejam sempre desfilando. “Queremos um novo conceito de mulher”. Uma de suas novas camisas traz a frase: moda é pra mudar.