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  • Fepam aperta cerco contra postos de gasolina

    Fepam fechou 25 postos no Estado. Mais de 23% das 2.965 unidades cadastradas atuam sem Licença de Operação. (Foto:Naira Hofneister)

    Cláudia Viegas

    Depois de fechar seis postos de combustíveis no final do mês passado – três em Vacaria, um em Flores da Cunha, um em Pedro Osório e um em Guaíba –, a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) está intensificando sua ação, especialmente no interior. O problema da contaminação causada por vazamentos é grave: apenas 10 mililitros de combustíveis por dia, durante um ano, por exemplo, podem comprometer 3 milhões de litros de água.

    A Fepam já fechou 25 postos no Estado. Segundo o órgão ambiental, o Rio Grande do Sul tem 2.965 unidades cadastradas, das quais 694 – 23,4% – atuam sem Licença de Operação. Estes postos deverão ser alvos de fiscalização ainda este ano.

    Pior é que 67% dos postos estão em situação regular, 3,6% com processos em andamento e 3,4% em fase de implantação das modificações requeridas para funcionarem de acordo com a legislação. Esta lista da Fepam não inclui Porto Alegre, onde o licenciamento é realizado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente.

    Segundo o químico Luiz Fernando Guaragni, responsável pelo Setor de Emergência Ambiental da Fundação, a regional de Santa Maria, por exemplo, está vistoriando todos os postos. “Temos mais postos para fechar”, avisa.

    O técnico diz que o processo de requerimento do licenciamento dos postos teve início em 1997, sendo realizado por regiões. O trabalho foi concluído em 2001. Até 2003, as licenças eram concedidas anualmente. Depois, uma resolução do Conama alterou esse prazo para um período de quatro anos, o que, conforme Guaragni, é um prazo compatível com o que está previsto na Constituição Estadual.

    As principais irregularidades apontadas pelo químico estão no piso (que deve ser impermeável, mas muitas vezes não é construído com material adequado), áreas de bombas e lavagem, caixa separadora de óleo e sobras de estopas sujas, suspiros e válvulas, sem falar na condição dos tanques, que devem ser impermeáveis.

    “Observamos graves situações em que os postos não têm condições mínimas de operar porque contaminam o lençol freático”, assinala. No caso dos três postos de Vacaria, a ação da Fepam foi realizada junto com o Ministério Público do Estado.

    Entre as mais recentes exigências ambientais a esses estabelecimentos está a de recuperarem embalagens de substâncias lubrificantes. “Estamos exigindo inclusive das distribuidoras que recuperem esse material. Há um trabalho conjunto entre elas para enviar as embalagens para uma empresa recicladora, no Rio de Janeiro”, informa.

    SP: convocação deverá atingir 8.500 postos até janeiro de 2007

    Em São Paulo, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) adotou a estratégia de realizar encontros com os proprietários de postos para tratar das questões técnicas e legais relativas ao licenciamento.

    Em 29 e 30 de maio, realizou em Ribeirão Preto o 6º Painel de Debates sobre o Licenciamento Ambiental de Postos e Sistemas Retalhistas de Combustíveis no Estado de São Paulo, com apoio da Câmara Ambiental do Comércio de Derivados de Petróleo. O evento reuniu cerca de cem empresários, consultores e técnicos de toda a região.

    “A Cetesb está realizando estes encontros em todo o Estado, criando a oportunidade de intercâmbio de informações, para receber críticas e sugestões, com o objetivo de trabalhar em parceria com o setor empresarial”, afirma o diretor de Controle de Poluição Ambiental, João Antonio Fuzaro.

    Os encontros são coordenados pelo gerente do Setor de Ações Especiais, engenheiro Rodrigo Cunha, que conduz as apresentações sobre o roteiro do processo de licenciamento, documentos necessários, equipamentos, instalações e certificação. Também são debatidas questões relativas à investigação de passivos em instalações que armazenam combustíveis em tanques aéreos e subterrâneos, remoção de tanques e desmobilização de empreendimentos.

    De acordo com a Assessoria de Imprensa da Cetesb, existem 8.500 postos de combustíveis em todo o Estado de São Paulo que deverão ser convocados até janeiro do ano que vem. Os resultados das ações ainda são tímidos. Em Sorocaba, por exemplo, de 212 postos convocados, 28 (cerca de 13%) já receberam Licença de Operação.

    O assessor de imprensa da Cetesb, Mário Senaga, informa que é difícil ter uma idéia exata do quadro de licenciamento ambiental do setor. “O que os técnicos conseguiram apurar é o que está no site da Cetesb, explica ele. No local, há seis listas contendo nomes e endereços, num total de mais de mil postos de combustíveis convocados, sendo apresentada a situação de cada um em termos de requerimento – ou seja, se necessitam de reforma completa, de adequação às condições mínimas de operação, ou se estão em condição intermediária.

    Pequenos vazamentos, grandes impactos

    O problema da contaminação causada por vazamentos em postos de combustíveis é tão grave quanto invisível aos olhos da população. Um vazamento de apenas 10 mililitros por dia, durante um ano, por exemplo, pode comprometer 3 milhões de litros de água. A dimensão da contaminação depende do tamanho do vazamento e do tipo de solo onde o posto está instalado. O problema pode trazer graves riscos à saúde pública, principalmente em áreas urbanas. Cidades como Cascavel e Campo Largo (PR), por exemplo, tiveram o abastecimento de água suspenso, em 2001, devido à contaminação de cursos d’água por postos de combustível da região.

    No Brasil, existem cerca de 27 mil postos de combustíveis (estimativa de 2004, conforme a Agência Nacional do Petróleo). Contudo, ainda não existem dados sobre o tamanho da contaminação por benzeno, tolueno e xileno, que são compostos altamente tóxicos. Grande parte dos postos possui tanques de armazenagem com 25 anos de uso ou mais, sujeitos a rachaduras e corrosão. Por isto, as chances de ocorrerem vazamentos são grandes.

    Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental Norte Americana (EPA) estima que existam mais de 1,5 milhão de tanques subterrâneos de armazenamento de combustíveis. Desse total, 400 mil foram substituídos ou adaptados de acordo com a legislação federal. Houve mais de 250 mil casos de vazamento e mais de 97 mil ações remediadoras foram implementadas. Semanalmente, mais de mil novos vazamentos estão sendo encontrados em todo o território norte-americano.

    O grande problema é que os vazamentos muitas vezes são “silenciosos”, ou seja, somente se consegue percebê-los por seus efeitos, e não diretamente. Quando isso acontece, só resta a remediação.

  • Depois de Iberê, é a vez de Weingärtner


    Auto-retrato de Weingärtner: artista reconhecido nacionalmente (Reprodução/JÁ)

    Naira Hofmeister

    O momento é mesmo de preservação da história da arte gaúcha. Depois de a Fundação Iberê Camargo ter concluído o primeiro volume do catálogo completo do autor – o livro com as gravuras já está sendo vendido – chegou a vez de Pedro Weingärtner, outro ícone do Rio Grande do Sul.

    Suas gravuras foram catalogadas pelo Núcleo de Gravuras do RS, que obteve patrocínio do Fumproarte para pesquisa, edição de um livro e uma mostra no Museu de Arte do Rio Grande do Sul. O trabalho apresenta uma face menos conhecida de Weingärtner: ilustrações em metal, que utilizam a técnica da água-forte, produzidas entre 1908 e 1925, quatro anos antes de sua morte.

    O levantamento feito durante o primeiro semestre deste ano revelou 27 obras, que estarão expostas no Margs a partir do dia 10 de agosto. A data marca também o lançamento do livro com as informações mais precisas divulgadas até hoje sobre a produção de Weingärtner.

    As 48 páginas da publicação refletem a mostra do Margs e trazem surpresas: além de obras completamente desconhecidas e outras que fogem das temáticas tradicionais de Weingärtner – o meio rural, por exemplo –, algumas gravuras são releituras de quadros do artista. Entre os destaques, a famosa As Garças e um Auto-retrato.

    “Não temos ambição de esgotar o assunto. Esse é apenas o início de um processo mais amplo”, avalia Paulo Gomes, curador da mostra e coordenador do projeto. Ele classifica o autor como “único artista gaúcho de relevância nacional, antes da década de 50”. Ainda assim, sua obra é pouco conhecida, mesmo na terra natal, Porto Alegre.

    “Temos pouquíssimos estudos sobre arte do Rio Grande do Sul anteriores a 1950”. Gomes conta que a principal bibliografia utilizada na pesquisa foi o livro de Ângelo Guido, que também mapeou a produção de Weingärtner, ainda na primeira metade do século XX. Os dados levantados por Guido apontam cerca de 200 obras e, entre elas, 14 gravuras. O principal problema é a dificuldade de identificação, já que nesse catálogo algumas obras não contêm nome, data, nem a técnica utilizada, o que dificulta a localização.

    Ainda há vazios históricos sobre o artista: “Não sabemos onde e quando Weingärtner aprendeu a fazer gravuras e nem quem foi seu professor”. Descobrir o título das obras também é um desafio: diferentes reproduções de uma mesma gravura exibem nomes distintos, que assim ficaram registrados. A tiragem de algumas imagens também não ficou clara, pois o artista não costumava numerar as cópias da maneira tradicional, incluindo a quantidade total de reproduções.

    “Há obras com numeração do um ao cinco e depois, 22 ou 50”. Weingärtner também não assina algumas delas, mas a identificação foi possível graças a matrizes encontradas em coleções particulares e no Museu de São Leopoldo. Paulo Gomes levanta outro problema: nem todas 27 gravuras foram localizadas. Nesses casos, uma reprodução fotográfica vai representar a obra, tanto na exposição como no livro.

    Idéia é montar um catálogo completo


    Obras do autor gaúcho estarão expostas no Margs em agosto (Reprodução/JÁ)

    Para pesquisar a obra de Pedro Weingärtner, a equipe envolvida no projeto articulou uma rede de artistas, colecionadores, marchands e galerias para localizar as gravuras. Mais de 20 obras que compõem a exposição e o livro são de coleções particulares e menos de cinco estão em acervos públicos. O trabalho é parte de um projeto mais amplo, semelhante ao realizado pela Fundação Iberê Camargo, que está catalogando a obra completa de Iberê.

    Ainda em 2003, Paulo Gomes conseguiu o apoio da Lei Rouanet para realizar o levantamento da produção de Weingärtner distribuída em coleções públicas do Rio Grande do Sul – são cerca de 80 obras. “Ainda não consegui captar recursos. Acredito que o Estado deveria estar no comando de um projeto como esse, mas  não consegui nada além do apoio da lei”, reclama. Os possíveis investidores não se interessaram pelo trabalho, pois as coleções particulares não entrariam na sistematização.

    A saída é uma iniciativa independente, como a articulação entre Paulo Gomes e o Núcleo de Gravura do Estado. A idéia surgiu quando o professor foi convidado a escrever um texto sobre a técnica, em 2005.

    Estudioso da obra de Weingärtner, Gomes decidiu divulgar a produção de gravuras do artista, pouquíssimo conhecida pelo público. “É a parte menos divulgada de sua obra, menos até que os desenhos”, compara. Ele conta que grande parte da obra do artista está no centro do país. “Inclusive ouvi boatos de que a Pinacoteca de São Paulo faria uma retrospectiva”.

    Biografia

    Pedro Weingärtner (1953-1929) é dos mais notáveis pintores gaúchos. Natural de Porto Alegre, eternizou em suas telas cenas típicas e paisagens do Sul. Pintor, gravador e desenhista, estudou em Paris e na Alemanha, na Real Academia de Belas Artes de Berlim. Após passar boa parte de sua vida na Europa, retornou ao Brasil onde afirmou-se como um dos pioneiros a dedicar-se à técnica da água-forte.

    Excursionou pelo pampa gaúcho colhendo informações que utilizaria em telas que se tornaram clássicas na história das artes plásticas sulinas, como o quadro Tempora mutantur, de 1898, comprado pelo então presidente do Estado, Borges de Medeiros, para colocar no Palácio do Governo. O Museu de Arte do Rio Grande do Sul foi inaugurado em 1954 com uma exposição de suas obras.

  • Cancelada megalicitação para limpeza urbana

    O Departamento de Limpeza Urbana (DMLU) oficializou nesta quarta-feira, 2 de agosto, o cancelamento da licitação pública para reformulação da limpeza urbana em Porto Alegre. A decisão foi motivada por irregularidades envolvendo uma empresa que prestou consultoria e porque o Tribunal de Justiça (TJ) determinou a republicação do edital por constatar dispositivos ilegais.

    A direção do DMLU informou que vai formular outro edital em 90 dias para evitar contratos emergenciais, pois os contratos vigentes acabam em novembro. Sobre as irregularidades, afirmou não ter conhecimento. “Vamos rever todo o documento. Dessa vez, sem consultoria”, enfatizou o diretor-presidente do órgão, Garipô Selistre.

    O Ministério Público Especial (MPE), vinculado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), recomendou a suspensão imediata do processo porque averiguou envolvimento entre a Profill Engenharia e Ambiente Ltda, empresa que fez um diagnóstico do órgão (publicado em 2005) e auxiliou na confecção da licitação, e uma das empresas pré-qualificadas.

    O representante da Profill, Fábio Pierdomenico, teve despesas de hospedagem pagas em Porto Alegre pela empresa Cavo, do grupo Camargo Corrêa, atesta a investigação da força-tarefa formada por MPE, Ministério Público Estadual e Delegacia Fazendária.

    “Esse fato mais recente é que levou a recomendação de suspensão”, constatou o procurador-geral substituto do MPE, Geraldo Costa Da Camino, ao lembrar que as investigações seguem o trâmite normal com o cancelamento.

    Justiça determina republicação

    O juiz Pedro Luiz Pozza, da 5ª Vara da Fazenda Pública, determinou, na segunda-feira, 31 de julho, a republicação do edital por constatar pontos ilegais no documento. “Fica claro que as cláusulas ilegais do edital, ainda que não propositadamente, levam à restrição do número de concorrentes ao certame e, portanto, impedem a administração de selecionar a proposta mais vantajosa”, pondera o magistrado na liminar encaminhada à direção do DMLU.

    Pozza pediu a revisão da exigência de experiência, por considerar que tal aspecto não é objeto da licitação. Enfatizou que “o edital veda que a mesma empresa ou consórcio vença a licitação em sua integralidade, o que não tem o mínimo amparo legal – ainda que se trate de um só edital, não se justifica que, como refere a inicial, acaba por restringir a competição entre os licitantes”.

    Também sublinhou que há diversos pontos subjetivos no documento. “Há manifesta subjetividade na avaliação das propostas. A Lei das Licitações prevê que a avaliação seja efetuada exclusivamente por critérios objetivos”, lembrou.

    O magistrado determinou a exclusão das expressões “fugir totalmente aos aspectos solicitados”, “abordagem for manifestamente inaplicável, tecnicamente incompatível”, “não apresentar um exame profundo e detalhado especificado” e “apresentando um exame em nível adequado, detalhado e especificado com sólida fundamentação metodológica”.

    Ainda observou ser ilegal exigir de cada participante de consórcio que comprove isoladamente o cumprimento das condições para a participação na licitação. De acordo com Pozza, “é inadmissível que se faça, quanto às empresas consorciadas, exigências maiores do que aquelas feitas para as que concorrem individualmente, o que viola o princípio da isonomia. Afronta exatamente o espírito do consórcio, que é admitir que empresas menores, que isoladamente não podem atender aos requisitos do edital, possam fazê-lo se somarem suas forças”, finalizou o magistrado.

    A liminar foi concedida através de uma Ação Popular, proposta pelo vereador Carlos Todeschini (PT), em 21de julho. Segundo o vereador, o que motivou a Ação foi a contrariedade com o modo como o governo Fogaça está tratando o  DMLU. “Esse processo vai acarretar em elevação de custos e está claro que é uma privatização com privilégio para as grandes empresas”, acusa.

    Megalicitação

    O edital de licitação, publicado no dia 12 de maio, tem como objeto a contratação de empresas ou consórcios de empresas para a prestação de serviços de limpeza urbana. A intenção da Prefeitura é reformular o sistema de coleta e varrição na cidade, centralizando os serviços em duas empresas, substituindo os 38 contratos existentes.

    Com valor de R$ 305 milhões, a licitação prevê varrição mecanizada, limpeza de monumentos e riachos e lavagem de locais onde ocorrem feiras. Dezoito empresas demonstraram interesse e apresentaram cartas-fianças, documentos bancários que comprovam a capacidade de investimento.

    Com reportagem de Helen Lopes

  • Eles querem público


    O primeiro videoclipe da Pública despertarou interesse das gravadoras do centro do país (Foto: Divulgação/JÁ)

    Naira Hofmeister

    Em atividade desde 2001 no circuito alternativo de Porto Alegre, a Banda Pública começa a ensaiar os passos para a fama, com o lançamento do primeiro álbum, “Polaris”, pelo selo Mondo 77, de São Paulo.

    A história começa no Bom Fim, entre as ruas Fernandes Vieira e a Tomaz Flores, onde moram o guitarrista Pedro Metz e o pianista João Amaro, fundadores da Pública. Ao longo da trajetória da banda, se incorporaram o guitarrista, Guri Assis Brasil, o baterista Cachaça e, finalmente, o baixista Guilherme Almeida, que entrou para a turma em 2005.

    “A banda sempre teve um compromisso de trabalhar sério, de ter uma carreira de músico, mais objetivamente de músico da Pública”, ressalta Metz. Com as metas traçadas, eles começaram a investir na profissionalização: em março de 2005 gravaram um EP, ou Extended Play, um disco que não é tão curto como um Single, que tem entre duas ou quatro músicas, e nem não longo para ser um álbum de fato.

    Desse trabalho, surgiu o primeiro videoclipe da Pública, “Bicicleta”, lançado logo em seguida. Com as veiculações na MTV e em programas da TV local, não demorou até despertarem o interesse das gravadoras do centro do país: o lançamento do segundo clipe da Pública, num show na casa noturna Ox, no início de julho, marcou a assinatura do contrato com a Mondo 77. “Eles tinham adorado nosso som e o clipe, mas queriam nos ver no palco para bater o martelo”, lembra Guri.

    Um pé no Bom Fim, outro na Indústria Cultural


    Na Lancheria do Parque, eles dizem que sua meta é São Paulo
    (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)

    Agora, entre um e outro sanduíche na Lancheria do Parque, eles sonham com o futuro. “São Paulo é uma meta, com certeza”, acredita Guri. Pedro Metz complementa. “O mercado do Sul também é difícil, mesmo porque não somos uma banda que tenha uma peculiaridade, uma semelhança com as coisas que foram feitas no rock gaúcho, então é natural que a gente procure as grandes cidades”.

    Eles querem seguir caminho semelhante à dos amigos da Cachorro Grande, que, junto com a residência em São Paulo, conquistaram também uma gravadora e muitos fãs Brasil afora. “Ficar famosos? Nunca pensamos nisso, mas é uma conseqüência, no momento em que tivermos um hit que comece a tocar na rádio”. A faixa Long Plays já circula na Internet e é a aposta de Guri para estourar.

    A inserção na “Indústria Cultural” traz junto a preocupação com o visual da banda. “Depois da MTV, a imagem é algo fundamental”, acredita Metz. Mas ele faz questão de sublinhar que a inquietação estética não se sobrepõe à criação musical. “Conversamos muito sobre roupas, cabelos, temos estilos semelhantes, mas é muito mais pela convivência e preferências musicais do que algo forçado”.

    Além do mais, Pedro considera que esse pode ser um dos caminhos para a banda ficar mais conhecida: “Se interessar apenas pela imagem é muito vazio e nossas músicas não são difíceis de assimilar. É uma porta de entrada”, resume.

    Arte de garagem


    “Nossas melodias são impensáveis sem um piano”, diz Metz. (Foto: Divulgação/JÁ)

    Ainda transitando no circuito independente, a Pública se destaca pela preocupação artística, que existe desde a gênese do conjunto. “Já começamos com músicas próprias, nunca fizemos cover, nosso trabalho é bastante autoral”, define Pedro Metz, que compõe a maioria das letras da banda.

    A melodia é dividida entre Metz, Guri e Amaro e a harmonia é composta em conjunto. No CD, as gravações de Amaro foram feitas no piano de cauda da Ospa, substituído no palco por um Teclado Fender Rhode de 88 teclas, vedete dos músicos.

    “Tu tem que ter diferenciais e esse é um dos nossos. Nossas melodias são impensáveis sem um piano, pois é um instrumento muito rico. Nosso teclado tá estouradão mas o som continua excelente”, diz, orgulhoso, Metz.

    O preciosismo musical é, na opinião de Metz, o que os distingue das demais bandas locais. “As melodias chamam bastante atenção, são bonitas e transitam entre arranjos caóticos e outros mais certinhos”.

    A característica, aliás, foi responsável por um período de rejeição da Pública na cena local. “No começo a banda era mal vista no underground, porque as melodias são bonitas e as letras falam de amor”, recorda Pedro. Com o passar do tempo, veio o amadurecimento e a consolidação do estilo. “Hoje, muitos músicos freqüentam nossos shows”, agradece Guri.

    Na hora das apresentações, eles gostam de brincar com o público, instigar e modificar as composições. “Às vezes mudamos uma parte da música, inserimos ou tiramos elementos ou criamos um final diferente, instrumental, por exemplo”, revela Guri.

    O som da Pública é claramente influenciado pelo rock contemporâneo, e segundo os guris, principalmente aquele produzido na Inglaterra por bandas como Supergrass, Radiohead e Stone Roses. Mesmo muito próximos do rock’n roll moderninho, os acordes não negam os fundadores da escola: The Beatles e The Rolling Stones encabeçam a lista de bandas presentes nas composições da Pública, ao lado de David Bowie, The Smiths, e Television.

    “Cada componente traz uma característica especial para a banda: o Cachaça que sempre ouviu muito Stone Roses, Led Zeppelin, trouxe uma coisa mais indie pra banda. O Guilherme estudou jazz e o Amaro cursou regência na UFRGS”, exemplifica Guri.

    Quem não conhece o som feito pelos cinco rapazes do Bom Fim, pode baixar o single com as músicas, Long Play, Precipício e Polaris nos sites: www.tramavirtual.com.br/publica e www.purevolume.com/publica.

  • Shopping prepara centro cultural


    Prédio contruído por Theodor Wiedersphan vai abrigar dois museus (Foto: Carla Ruas/JÁ)

    Mais um centro cultural está sendo gestado em Porto Alegre. Até o final do ano, o Shopping Total pretende colocar em funcionamento três museus: um do vinho, outro dedicado à cerveja e um para o esporte. A proposta é instalar as novidades nos espaços ainda desocupados da antiga fábrica da Brahma, em prédios tombados pelo patrimônio histórico.

    Sob a chaminé da extinta cervejaria será construída uma rede de túneis que irão abrigar o Museu do Vinho e a Cave Vinicola Aurora. Este espaço terá confrarias, champagnarias e charutarias interligadas por baixo da terra com alguns restaurantes da área externa, como o John Bull Pub, La Pasiva e Marco’s.

    Outros museus – da cerveja e do esporte – serão instalados no chamado “prédio 2”, um edifício construído pelo alemão Theodor Wiedersphan, em 1911. Para homenagear o famoso arquiteto, haverá um memorial em frente ao local, onde será exposto o acervo de projetos e fotos.

    Wiedersphan também é responsável por outras edificações da Capital, como as atuais sedes do Margs, Memorial do Rio Grande do Sul, Santander Cultural e Casa de Cultura Mario Quintana.

    O Total também quer oferecer exposições, leilões e lançamentos de design, que acontecerão no Espaço Alto da Bronze, no prédio 3.

    Atividades externas como shows e apresentações culturais ocorrerão no Largo Elis Regina, num palco em frente ao prédio principal do shopping. A proposta é dar mais opções a quem visita o centro de compras. “Hoje em dia as pessoas estão sempre correndo, então criamos um espaço onde tudo acontece” explica a gerente de Marketing, Silva Rachewski.

    Quatro alamedas temáticas


    As ruelas entre os prédios serão ocupadas (Ilustração/Shopping Total/JÁ)

    O primeiro ambiente que será inaugurado é a Alameda dos Escritores, prevista para o final do mês. Trata-se de um deque entre os prédios 5 e 2, com mesas em cima, equipadas de guarda-sol e iluminação. O espaço, destinado para os restaurantes Marco’s, La Pasiva, John Bull Pub e Habib’s, busca homenagear autores consagrados da literatura brasileira. Terá grandes fotos em painéis, lançamentos de livros e outras atividades literárias.

    Além desta rua temática, outras três alamedas estão previstas no projeto: a das Artes; dos Artistas; e a dos esportistas. A primeira terá comércio de antiguidades, moedas e selos inspirado nos mercados de pulgas europeus. A dos Artistas será destinada para a expressão artística, como ocorre nas praças de Paris. Na Alameda dos esportistas, haverá uma homenagem aos 10 melhores atletas do Rio Grande do Sul com fotos nos dois lados da rua.

    Com reportagem de Carla Ruas

  • Filmes inéditos compõem mostra nos shoppings Bourbon

    O norte-americano Jason Reitman dirige Obrigado por fumar, que abre oficialmente o festival (Foto: Divulgação)

    Naira Hofmeister

    A partir de 4 de agosto, Porto Alegre irá conhecer 14 dos principais lançamentos da indústria cinematográfica mundial, na 3ª edição da Seleção de Filmes Bourbon Shopping. Durante uma semana, serão apresentados títulos inéditos no Brasil que tiveram destaque em festivais internacionais. As exibições acontecem em três locais: nos Bourbon Ipiranga e Country (em Porto Alegre) e na loja de São Leopoldo.

    O festival é organizado pela Panda Filmes, que, ao lado dos representantes da Cia Zaffari, selecionou as obras que compõem a mostra. “Esse ano foi um desafio montar o programa, porque é um dos piores anos para o cinema, com poucas ofertas de qualidade”, criticou Beto Rodrigues, da Panda. Ainda assim, a maioria dos títulos da mostra já tem em seu currículo premiações importantes, como a Palma de Ouro (Cannes) e o Urso de Ouro (do Festival de Berlim).

    A programação antecipa os lançamentos do próximo semestre e inclui produções de diferentes países. Entre eles, o grande vencedor do Festival de Cannes, A Criança, co-produção de França e Bélgica, dirigido por Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne que narra a vida de um casal que utiliza o filho recém-nascido para aplicar golpes.

    O festival inicia na noite de quinta-feira, 3 de agosto, com a apresentação da comédia norte-americana Obrigado por fumar para convidados. A película, estrelada por Katie Holmes, Aaron Eckhart e William Macy é o primeiro longa de Jason Reitman. A partir da sexta-feira, 4 de agosto, o público poderá conferir títulos do Japão (Consumido pelo Ódio), da Bósnia (Em Segredo) ou do Irã (Ás cinco da tarde).

    Cuba ambienta duas produções: A Cidade Perdida, que marca a estréia do ator Andy Garcia na direção e Soy Cuba, o Mamute Siberiano, que revisita um documentário clássico do cinema socialista. Também os argentinos marcam presença. “Hoje, é quase impossível realizar uma mostra de filmes internacionais excluindo os argentinos”, defende Rodrigues.

    Os “hermanos” participam da mostra com quatro longas-metragens, entre eles, Aura, do diretor Fábian Bielinski, que morreu no final de junho. Bielinski foi um dos responsáveis pelo patamar qualitativo que o cinema argentino alcançou nos últimos anos, com a realização de Nove Rainhas, em 2000.

    O diretor também lançou Ricardo Darín, uma das maiores estrelas das produções locais, que tem como marcos em sua carreira, Kamchatka, O Filho da Noiva, e o recente Clube da Lua. Além de Aura, estão na programação do festival O Buda, Buena Vida Delivery e Iluminados pelo Fogo, que ainda não recebeu propostas de distribuidoras nacionais, mesmo depois de vencer o Goya 2006 e levar também troféus em Havana e San Sebastian.

    Do Brasil, apenas um representante: Dia de Festa, de Pablo Giorgieff e Toni Venturi, documentário que acompanha as ocupações do Movimento dos Sem-teto em construções abandonadas no Centro de São Paulo.

    Os ingressos para a 3ª Seleção de Filmes Bourbon Shopping terão o mesmo valor das bilheterias praticadas normalmente em cada sala de cinema.

  • Lançamento de edital do Araújo Viana é adiado


    O Ministério Público exige a proteção acústica do auditório
    (Fotos: Helen Lopes/Arquivo/JÁ)

    Naira Hofmeister

    Prometido para o final do mês de julho, a publicação do edital para seleção de propostas para reforma e administração do Araújo Viana será novamente adiada. É que o Ministério Público está cobrando da Secretaria Municipal de Cultura a inclusão do projeto acústico para o auditório.

    A medida segue decisão da Justiça de 2004, que determina proteção contra a poluição sonora causada em eventos, como reclamavam moradores da região, que acionaram a Promotoria do Meio Ambiente a ingressar com uma ação civil pública.

    Segundo a secretária adjunta da Cultura, Ana Fagundes, o edital contemplava a proteção acústica do auditório, mas não nos termos que o Ministério Público exige. “No nosso projeto, 60% do barulho seria absorvido, porém, o MP trabalha com a quase totalidade”.

    Com a imposição judicial, já não é possível prever um prazo mínimo para a liberação das novas regras. Ainda assim, Ana Fagundes acredita que não será muito longo. “Não precisaremos fazer um novo projeto, apenas adequar o que temos”.


    O novo projeto de reforma deverá ser mais caro e pode diminuir o número de interessados

    Mesmo demonstrando tranqüilidade, a secretária revela uma preocupação. “O problema é que isso vai encarecer o projeto e as chances de não termos empresas interessadas são ainda maiores”. A expectativa é que na semana que vem já sejam conhecidos o novo orçamento e data de lançamento do edital.

    Apesar do contratempo, Ana Fagundes brinca com a situação. “A sentença dizia que a mudança precisava ser feita, caso contrário, a Prefeitura deveria fechar o Araújo. Ou seja, cumprimos uma parte da determinação sem saber”.

  • Polêmica do eucalipto chega ao teatro

    Patrícia Benvenuti
    A polêmica envolvendo o plantio de eucaliptos, a instalação de fábricas de celulose no Estado e a destruição do horto florestal e de um laboratório da Aracruz em Barra do Ribeiro pela Via Campesina, em março deste ano, alcançou o teatro.
    O assunto virou tema da intervenção de rua “As Lágrimas da Aracruz”, do grupo de teatro Ói Nóis Aqui Traveiz, de Porto Alegre, que será apresentada no domingo, 30 de julho, às 15h, no estacionamento da Usina do Gasômetro, com entrada franca.
    A idéia surgiu durante a oficina de teatro livre do grupo, permanentemente aberta. “Vínhamos pensando no que fazer, e aconteceu esse episódio. Houve uma discussão e decidimos trabalhar o assunto”, conta Carla Moura que, ao lado de Sandro Marques, coordena a intervenção da oficina.
    Carla explica que a motivação é “recontar” essa história, bem como mostrar a parcialidade da chamada “grande mídia”. A artista entende que a cobertura dos meios de comunicação foi injusta, mostrando apenas um dos lados e criminalizando as integrantes do movimento. “Não houve espaço para as mulheres se manifestarem. A mídia só privilegiou a Aracruz”, condena.
    O episódio, acredita Carla, veio ao encontro de discussões já travadas pelo grupo em seus 28 anos, como a presença de multinacionais em solo brasileiro, concentração de terras, reforma agrária e conflitos envolvendo indígenas.
    “Sabemos do problema das multinacionais, que vem sanguessugar nossos recursos. Essas fábricas nem podem mais ficar na Europa por causa dos problemas ambientais, e vêm para cá por causa dos incentivos e da mão-de-obra barata, quase de graça”, dispara.
    O que menos preocupa o Oi Nóis Aqui Traveiz é ser tachado de ideológico. Carla revela que o grupo é parceiro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) desde o início, pois partilham pensamentos semelhantes.
    Atores ministram oficinas em assentamentos e assentados vêm à Capital participar de projetos do grupo. A intervenção sobre a Aracruz já foi apresentada no assentamento Filhos de Sepé, na localidade de Águas Claras, em Viamão.
    “O grupo não tem medo de colocar suas ideologias, sempre foi assim. Temos orgulho de ter o MST como parceiro e de construir muita coisa junto”, garante Carla. Ela conta que a intenção é discutir injustiças sociais, tendo a arte como ferramenta. “A função do teatro é colocar o social de forma poética. Tudo dentro de um mundo de cores, pernas de pau, música, bonecos”.
    A intervenção dura cerca de 30 minutos, basicamente em cenas de coro. Participam de 25 a 45 pessoas, que interpretam personagens, monstros e até encenam reverências a um pé de eucalipto.
    O manifesto escrito pelas campesinas em março é lido e distribuído ao final da apresentação, o que deixa os trabalhos didáticos e esclarecedores, na opinião de Carla. “Às vezes, percebemos só pelo olhar das pessoas que a intervenção chamou a atenção delas. Depois de assistir, muita gente passa a se dar conta ou descobrir coisas que não sabia”, afirma.
    Confira a agenda cultural do fim de semana
    Festas

    Sheraton Private Party
    Gastronomia e música de alta qualidade para finalizar o mês com chave de ouro em uma festa animada e elegante. Assim é a Sheraton Private Party, que agita a noite gaúcha no último sábado de cada mês.  A 4ª edição do ano, inicia com jantar à luz de velas no restaurante Clos de Moulin com um cardápio à la carte preparado pelo chef Mauro de Souza. O local oferece, além de charme e visão privilegiada da cidade, a facilidade e segurança de estacionamento dentro do Shopping Moinhos.

    Quando: Dia 29 de julho, sábado, a partir das 20h30min (com jantar) e 23h (sem jantar)
    Onde: Restaurante Clos du Moulin, no Sheraton Porto Alegre Hotel (Rua Olavo Barreto Viana, 18)
    Quanto: R$ 68,00 (inclui jantar, serviço e estacionamento) e R$ 25,00 (sem jantar) + 10%

    Música

    The Ruas
    Rock contemporâneo, interpretado por Carol Cortes (vocal e guitarra), Marcia Briones (baixo), Letícia Rigatti (guitarra solo) e Gabriella Machado (bateria). Rock de verdade.

    Quando: sexta-feira, 28 de julho, 22h30
    Onde: Bar Guanabara. João Pessoa, 1355
    Quanto: entrada franca

    3/quatro
    A música instrumental de Jua Ferreira (bateria), Ita (baixo) e Zé Porzio (piano). No repertório música instrumental brasileira, com Djavam, Hermeto Pascoal, Tom Jobim, Edu Lobo, João Donato entre outros.

    Quando: sextas e sábados, às 22h
    Onde: Cidade Bossa (Otávio Corrêa, 35)
    Quanto: R$ 7,00

    Massa Tanibe
    Masao Tanibe nasceu em 1974, em Nagoya (Japão), e começou a estudar músicas aos quatro anos de idade. Teve suas primeiras lições de violão no Japão. Estudou na Alemanha, com Roberto Aussel, na Universidade de Música de Colônia. Em 2004, graduou-se nesta universidade com grau máximo e recebeu uma bolsa de estudos para a Rohm Music Foundation.

    Quando: sábado, 29 de julho, às 18h30min
    Onde: Sala Multiuso do Santander Cultural
    Quanto: R$ 10,00

    Nicolas Krassik
    Violinista de formação erudita voltado para o jazz, Krassik busca constantemente novas sonoridades para compor seu trabalho. Freqüentador de rodas de choro no Rio de Janeiro, faz parcerias em shows e estúdio com Yamandú Costa, Carlos Malta, Beth Carvalho, Marisa Monte, Velha Guarda da Portela, João Bosco, Hamilton de Holanda e Daniela Spielmann.

    Quando: domingo, dia 23 de julho, às 17h
    Onde: Átrio do Santander Cultural
    Quanto: Entrada franca

    Concertos CEEE
    A Orquestra de Câmara Theatro São Pedro recebe o compositor Gelson Oliveira e a cantora Lucia Helena. Arranjos de Vagner Cunha. Regência de Antônio Carlos Borges Cunha.

    Quando: domingo, 30, às 11h
    Onde: Theatro São Pedro
    Quanto: O ingresso é um quilo de alimento não perecível.

    Quinta Quintana na Dança
    Concerto de lançamento do Projeto Quinta Quintana na Dança que vem somar-se às comemorações do centenário do escritor Mario Quintana.

    Quando: domingo, 30 de julho, às 11h
    Onde: Travessa dos Cataventos da Casa de Cultura Mario Quintana
    Quanto: Entrada franca

    Audiovisual

    Mostra Cinema e Futebol
    Partindo do lendário jogo com a bola, os filmes abordam, entre outras coisas, temas como o espírito de equipe, a cultura das torcidas, família, religião e diferenças culturais. Crianças de rua em Honduras, garotas turcas em Berlim ou monges tibetanos: todos nos fazem compartilhar do seu entusiasmo e descobrir interesses comuns que desconhecem fronteiras.

    Quando: Sexta-feira, sábado e domingo (15:30; 18:30 e 22h)
    Onde: Sala P.F. Gastal (Usina do Gasômetro)
    Quanto: Entrada franca

    Mostra Especial Catherine Deneuve
    Preparada especialmente para celebrar o talento da grande atriz francesa, reúne 12 filmes excelentes e carentes de uma revisão, dos anos 60 até a atualidade. Ganhadora de dois Césars mais oito indicações, premiada em Veneza e Berlim, a diva teve o prazer de trabalhar mais de uma vez com notáveis diretores como Manoel de Oliveira (três filmes), François Truffaut (dois), André Téchiné (quatro) e com outros que não estão na Mostra Especial como Raoul Ruiz, Luis Buñuel e Jacques Demy.

    Dos filmes que surgiram dessas parcerias, exibiremos Vou para casa e Um filme falado (Oliveira), A sereia do Mississipi e O último metrô (Truffaut) e O local do crime e Minha estação favorita (Téchiné). Este último marca a estréia de Chiara Mastroianni, sua filha com o não menos grande ator italiano.
    Quando: até 31 de julho, em sessões às 15h, 17h e 19h
    Onde: Cine Santander Cultural
    Quanto: R$ 6,00 e meia entrada para estudantes e clientes do banco

    A Mochila do Mascate
    Do renascimento do teatro no Pós-guerra na Itália ao teatro político dos anos da ditadura no Brasil, Gianni Ratto participou de forma substancial de movimentos que marcaram o curso da história em ambos os países.

    A Mochila do Mascate – Gianni Ratto é uma viagem pela vida e obra deste cenógrafo e diretor teatral que radicou-se no Brasil em 1954. Italiano de nascimento e formação, Ratto é hoje também um precioso patrimônio cultural do Brasil. Sem jamais abandonar sua raiz clássica, revolucionou esteticamente a grande cenografia nos teatros lírico e dramático, para depois despir-se dela e ir em busca da essência da linguagem cênica.
    É o ancião que carrega em suas palavras a carpintaria do tempo, e o subversivo, que provoca reflexões e rompe com padrões esgotados de pensamento. A Mochila do Mascate- Gianni Ratto conta ainda com depoimentos de Dario Fo, Fernanda Montenegro, Millôr Fernandes e Maria Della Costa, entre outros personagens importantes da história do teatro brasileiro e italiano.
    É no entanto a voz de Ratto que costura a trama, revelando suas idéias sobre teatro e vida sob a perspectiva humanista, traço principal de toda a sua obra.

    Quando: sexta-feira, sábado e domingo, em quatro sessões diárias: 17:00 e 20:30
    Onde: Sala P. F. Gastal (Usina do Gasômetro)
    Quanto: R$ 6,00 (meia entrada para estudantes e municipários)

    Artes Cênicas
    Sobre Anjos e Grilos
    E os grilos?/ Não estão ouvindo, lá fora, os grilos?/ Sim, os grilos…/ Os grilos são os poetas mortos. (Mário Quintana). A temporada do espetáculo sobre a obra do poeta gaúcha se estendeu, graças ao sucesso de público e crítica. Deborah Finocchiaro é dirigida por Jessé Oliveira, num cenário com imagens Zorávia Bettiol e trilha sonora de Chico Ferreti.

    Quando: Sexta, sábado e domingo (28, 29, 30), às 19h
    Onde: Teatro Bruno Kiefer, na CCMQ (Andradas, 736)
    Quanto: R$ 15,00 (domingo haverá sessão gratuita e as senhas devem ser retiradas no sábado, entre 12h e 18h30, na CCMQ).

    Blitz
    O grupo Depósito de Teatro apresenta a história que conta o drama de uma mulher que deseja separar-se do marido, policial militar acusado de matar um garoto de doze anos durante uma blitz realizada em um colégio.

    Quando: Sexta-feira, 28, às 21h
    Onde: Sala 309 da Usina do Gasômetro
    Quanto: Entrada franca

    Friziléia
    A comédia, estrelada por Elizabeth Savala, faz um bem-humorado retrato da dona-de-casa moderna. Escrito por Camilo Áttila, o monólogo fala de uma mulher comum, que casou por pressão da sociedade e virou mais uma “operária do lar”, uma mulher comum, dessas que a gente vê por aí com balde e pano-de-chão nas mãos.

    Com direção de Luiz Arthur Nunes, a atriz Elizabeth Savalla ganha o público já nos dez primeiros minutos de peça ao ouvi-la reclamar da vida de mãe e esposa e da fase calorenta de pré-menopausa.  Friziléia pode ser vista como uma nova versão da “Amélia”, do cancioneiro popular, uma mulher que abriu mão de sonhos, sufocou vocações, reprimiu desejos para suprir as necessidades de sua prole, seu companheiro e sua família.

    Quando: Sexta e sábado, (28 e 29), às 21h e domingo (30), às 18h
    Onde: Theatro São Pedro

    Infantil

    Pé de Pilão
    Teatro de fantoches do livro Pé de Pilão, de Mario Quintana. Escrito todo em versos, na montagem as rimas ganham vida na voz da avó Alice, narradora da peça, que não poupa fantasia para transmitir nas entrelinhas a mágica desta história. Realização do Grupo Quintoches. Direção de Elena Quintana.

    Quando: até 25 de julho, às 16h
    Onde: Sala Lili Inventa o Mundo – 5° andar da CCMQ
    Quanto: R$ 10,00

    Artes Plásticas

    Por um fio
    A exposição de bonecos de Elton Manganelli, aberta no último dia 29mostra sete casais de bonecos suspensos criados a partir de diversos materiais. Para estruturar as peças, o artista modela mãos e pés em epóxi. O rosto é preenchido com massa plástica / automotiva, em fôrma feita com molde em argila.

    O corpo é esculpido com espuma plástica para dar leveza. As roupas são feitas com tecidos que vão do rústico ao sofisticado. Detalhes e arremates levam fios, botões, pedras e cristais, tudo o que é necessário para o acabamento de cada boneco

    Quando: até 29 de julho
    Onde: Café Atelier do Páteo (Dinarte Ribeiro, 17)
    Quanto: Entrada franca

    Mostra de Arte Tronco e Senzala
    Promovida pela Fundação Moab Caldas de Umbanda e Africanismo, apresenta trabalhos de Artes Plásticas, Literatura, Música, Escultura, Teatro, Fotografia e Dança, relacionados ao tema Liberdade. O evento tem o apoio das secretarias municipais da Cultura e da Indústria e Comércio.

    Quando: até 31 de julho
    Onde: Quadrante 4 do Mercado Público Central
    Quanto: Entrada franca

    Mostra Fotográfica
    Fotografias de Wilson Maccagnan. Membro da Academia Brasileira de  Arte, Cultura e História, Maccagnan é um especialista em fotografar pessoas. O artista inova colocando elementos das artes plásticas junto às fotografias.

    Quando: até 31 de julho
    Onde: No Quinta Avenida Center (Av. 24 de outubro, 111)
    Quanto: Entrada gratuita

    O Mundo Maravilhoso de Adão Iturrusgarai
    Tiras e histórias em quadrinhos antigas, tiras mais novas, e desenhos feitos na infância, em papel oficio, coloridos a lápis.

    Tudo isso estará na mostra retrospectiva da carreira do artista, que traz ainda o processo desde o rabisco até a colorização no computador pro público entender como funciona o trabalho do artista.
    Adão promete revirar o baú de originais antigos, do tempo em que ainda se fazia desenhos no papel.

    Quando: até 13 de agosto de 2006 (terça a sábado, das 13h30 às 18h30min e domingo das 14h às 18h30)
    Onde: Museu do Trabalho (Rua dos Andradas, 230)
    Quanto: Entrada Franca

    Paisagem Submersa
    Na instalação que compõe sua individual, Maia Mena Barreto recria um universo de formas e cores que remetem às imagens submarinas. Por meio de esculturas em terracota ou em técnica mista (resina de poliéster e chapa de acrílico), e de uma iluminação específica para o espaço, Maia pretende criar um cenário onírico.

    Quando: até 6 de agosto
    Onde: Salas Negras do MARGS
    Quanto: Entrada franca

    101 Desenhos – Cadernos de anotações
    Conhecido por sua cerâmica e pelo intenso colorido, esta é a primeira vez que Rodrigo Núñez mostra desenhos em pequenos formatos, realizados em cadernos de anotações à caneta e lápis. Para ele o desenho é sempre o ponto de partida para qualquer trabalho, no entanto não devem ser vistos como esboços, pois é como se estes estivessem intrinsecamente inseridos.

    Quando: Até dia 30 de julho
    Onde: Microgaleria Arte Acessível do StudioClio (José do Patrocínio, 698)
    Quanto: Entrada franca

    Cortizza
    O artista Felipe Yung fez seu nome nas ruas, onde é mais conhecido como “Flip”. Mestre dos sprays e canetões, ele bombardeou São Paulo por anos, aperfeiçoando sua caligrafia nos muros da cidade, como reza a tradição do graffiti.

    Mas Flip também foi um dos pioneiros no Brasil a quebrar essa tradição e pintar personagens soltos pela metrópole, seres gigantescos ou pequenos e numerosos, geralmente com cores chamativas e muita tinta escorrida, antes ainda desta estética virar moda. Para CORTIZZA na Galeria Adesivo, sua primeira exposição em Porto Alegre, Flip vai experimentar um material incomum: a cortiça.
    Essa casca de árvore, assim como seus derivados, por suas propriedades, é aplicada desde em coletes salva-vida e quadro de recados, até em rolhas de vinho. A idéia veio de um antigo caderno de desenhos, com capa de cortiça, e pelo material ser um meio-termo entre a madeira e o papel (dois suportes que ele costuma utilizar), Flip vai explorar a cortiça como suporte e textura para suas pinturas, aproveitar suas propriedades para produzir art toys e até desenhar com rolhas queimadas.
    As obras estarão integradas a um grande mural pintado diretamente nas paredes da galeria.

    Quando: até 2 de setembro, de segunda a sábado, das 13h às 18h
    Onde: Galeria Adesivo (Rua Lopo Gonçalves,  382)
    Quanto: entrada franca

    Outros

    5º PASSEIO NOTURNO NRF 2006
    Quem quiser fazer um programa saudável na madrugada do último sábado do mês, é só se juntar a nós. O pessoal da Bike e do Skate também estão convidados. E com mais de 100 pessoas patinando neste sábado, com certeza seremos maioria na hora de divulgar a patinação gaúcha e projetá-la pro resto do país. E não esqueça: traga 1kg de alimento não perecível para doarmos à entidade carente de Viamão/RS (Lar de Idosos Santa Clara)

    Quando: sábado, 29, às 22h30
    Onde: Estacionamento do ECOPOSTO (Av. IPIRANGA), esquina com a Érico Verissimo
    Quanto: 1kg de alimento

    A cozinha do samurai
    Clio à mesa apresenta A cozinha do samurai, banquete cultural sobre a culinária e cultura japonesas, com o conferencista Paulo Gick e cardápio concebido pela chef de cuisine Ana Paula Pesavento.

    Quando: sábado, 29, às 19h30
    Onde: Studio Clio (José do Patrocínio, 698)
    Quanto: R$ 60,00

    Festa Colonial de Canela
    As principais atrações serão as cucas com frutas tradicionais da região, pães de aipim, ilhame, batata doce, para não falar no tradicional pão de milho e sovado. No setor de cozinhas a comida estilo campeiro deverá ser uma das inovações.

    A Festa Colonial 2006 contará com cinco tendas de lanches, três restaurantes, um espaço para o típico café da colônia além de três casas temáticas coordenadas por alunos da rede municipal de ensino, artesãos e os próprios colonos.
    Quando: De 21 de julho a 06 de agosto
    Onde: Na Praça João Corrêa e em algumas localidades do interior, como São João, Canastra, São Paulo, Morro Calçado, Saiqui, Banhado Grande e Tubiana.

    Tablado Andaluz
    O Tablado Andaluz oferece programação especial no final de semana. Sexta-feira e sábado,  entre 20h e 24h, acontece a Peña Flamenca, com apresentação de dança flamenca às 22h. A especialidade da noite é o Buffet de Paella (R$ 20,00) e Tapas à la carte. O couvert artístico sai R$ 10,00, mas para quem aprecia o buffet, o valor é R$ 5,00. No domingo, entre 11h e 15h30, almoço típico, sem cobrança de couvert.

    Quando: sexta-feira, sábado e domingo
    Onde: Tablado Andaluz (Av Osvaldo Aranha, 476)
    Reservas e informações: 3311.0336 e 3024.5229

  • Luciano Alabarse em cena

    Alabarse, sobre os destaques desta edição: “Nekrosius é o nome do Em Cena” (Foto: Divulgação)

    Naira Hofmeister
    O diretor de teatro Luciano Alabarse é um dos responsáveis pela criação do Porto Alegre em Cena e pela sua elevação ao posto de “maior festival de teatro do Brasil”. Considerado arrogante por alguns, reverenciado por outros, Alabarse expõe alguns pontos de vista que alimentam essa polêmica nessa entrevista, concedida na segunda-feira, 24 de julho, no Solar Paraíso.
    Depois de três anos afastado da coordenação do festival, ele enfrentou críticas na edição de 2005, por exterminar a “fila dos sem ingresso”, diminuir as apresentações descentralizadas e aumentar em 100% o valor das entradas, que até 2004, custavam R$ 10.
    Os valores continuam R$ 20 para 2006, medida que é defenida com furor ideológico por Alabarse. Ele argumenta que o trabalho artístico deve ser pago, assim como qualquer outro. “Lamento que uma pessoa pense que pode simplesmente invadir o teatro: é uma falta de respeito com quem compra ingresso, com os artistas”.
    Além de falar das novidades de 2006, como o 1º Troféu Braskem Em Cena, que vai distribuir quase R$ 30 mil em prêmios aos espetáculos gaúchos, o coordenador do festival sublinha as principais atrações que escolheu para a 13ª edição.
    E faz uma crítica à “auto-suficiência” do gaúcho, que parece ter invadido o campo das artes. “O teatro que se faz no Rio Grande do Sul é bom, está num patamar de qualidade elogiável, mas não pode se bastar a si mesmo”, cutuca, numa alusão à freqüente prática de aplaudir todos os espetáculos em pé.

    Alabarse: “Não há nada mais equivocado do que aplaudir de pé a todos os espetáculos. Eu fico sentado. Só levanto quando é algo excepcional” (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)

    JÁ – Muda alguma coisa no Em Cena 2006?
    Um festival de teatro é sempre a mesma coisa: apresentação de espetáculos convidados, dentro de um período de tempo. Não quero passar filmes no Em Cena, nem fazer instalações de artes plásticas… Quero uma programação cada vez mais qualificada e digna, no sentido da provocação e da beleza artística. Um evento cheio de atividades agregadas gera um inchaço desnecessário. Gosto quando um festival de teatro tenha na sua programação o seu foco absoluto.
    JÁ – Mas há novidades…
    Vamos ter uma atividade solidária à Casa dos Artistas, que está passando por uma fase muito difícil. Quem levar 1 kg de alimento tem desconto de 50% no ingresso. É uma atividade compatível, não demagógica, de visão social. E o público que ajudar tem a solidariedade do festival. Também pela primeira vez, a pedido de um patrocinador, teremos um prêmio no festival, que não é só de mérito, mas também de dinheiro, que acho importante. É o Troféu Braskem Em Cena, que vai premiar o melhor espetáculo gaúcho com R$ 20 mil.
    JÁ – Quais os destaques da 13ª edição?
    É uma das edições mais interessantes do meu ponto de vista, pois conseguimos espetáculos que jamais estariam em Porto Alegre. É uma oportunidade para que as pessoas venham à cidade. Tenho particular interesse de que o Brasil conheça o diretor lituano [Eimuntas] Nekrosius, com a sua versão de Othelo que é extraordinário e só vem a Porto Alegre. Ou a Pina Bausch, que vai se apresentar em São Paulo com ingressos à R$ 200 e aqui vai custar entre R$ 20 e R$ 10. É claro que qualquer festival ambiciona ter a Pina Bausch na sua programação, assim como o Nekrosius, que eu vi na Europa e em Buenos Aires. Esse é o nome do Porto Alegre em Cena que Porto Alegre ainda não conhece e que o Brasil nunca ouviu falar.
    JÁ – Em 2005, o valor dos ingressos aumentou em 100%, diminuiu o número de espetáculos gratuitos e acabaram com “a fila dos sem ingresso”. Por quê?
    Eu tenho horror da fila dos sem ingressos!!! E esse ano, no que depender de mim, não haverá. Nenhum festival de teatro precisa alimentar esse vício. Todos eventos no mundo são pagos e tem políticas solidárias, de redução de preço de ingressos, de cotas de convites. Não vejo porque no nosso festival isso deva ser encorajado ou aplaudido. O trabalho artístico não tem que ser de graça. Ou sou convidado, ou compro um ingresso, ou não vou. No ano passado, as estatísticas mostraram que estávamos certos em nossa estratégia, porque 97% dos ingressos vendidos nas bilheterias do Em Cena, foram de R$ 10 [vendidos com 50% desconto]. Isso é estatística e os números não mentem. Se eu fosse praticar preços de mercado, cobraria R$ 40, R$ 50, R$ 200.
    JÁ – Mas isso não exclui uma parte do público?
    Se alguém quer trabalhar de graça, que seja feliz. O meu trabalho custa, eu sei quanto e isso deve ser repassado para o público. Tenho horror de gente que acha que o trabalho artístico tem que ser de graça! Porque nada no mundo é de graça. Não existe em nenhum lugar do mundo um ingresso tão acessível quanto o nosso. Não acho que seja educado, nem vou contribuir para a falta de educação com a cultura. Nem o Festival de Gramado é de graça, nem o Porto Verão Alegre, nem a Mostra de Inverno… Então, não vejo porque o Porto Alegre em Cena deveria fazer benemerência. Lamento que uma pessoa pense que simplesmente vai chegar e entrar no teatro, invadir. É uma falta de respeito com quem compra ingresso, com os artistas. Eu fui à Berlim, há dois meses e o ingresso custava 35 euros. No festival de Santiago do Chile, custava 200 pesos. Eu gosto que seja um ingresso extremamente barato, acessível, mas que tenha essa demarcação: a arte não é de graça, arte é trabalho e trabalho tem que ser remunerado.
    JÁ – Sendo um projeto realizado via Lei de Incentivo à Cultura (LIC), não deveria existir uma responsabilidade de devolver ao público esse investimento?
    A LIC me pede 10% dos convites e eu dou. Não devo nada à LIC, tudo que a LIC me pede, eu dou. As Leis de Incentivo, incentivam, não bancam, não é 100% subsidiado. As ações de inclusão social que a gente vai fazer são específicas. Por exemplo, esse ano chamei a Tônia Carreiro para mostrar seu espetáculo nos bairros da cidade. Tem também o Teatro de Rua, que tradicionalmente é sem ingressos, e as oficinas gratuitas. Esses são incentivos de um festival para que a população não fique sem nada. Ou seja, mesmo aqueles que não tem dinheiro algum para ir ao teatro, podem desfrutar o festival, nas ações de inclusão social. Quando um espetáculo é oferecido de graça, ele só atrapalha o trabalho dos artistas, porque eu não vou querer pagar para ver um espetáculo, se tem outro de graça.
    JÁ – E qual o valor estimado de gastos no Porto Alegre em Cena 2006?
    É difícil falar, pois ainda não fechamos os valores. Mas um festival como o nosso, não sai por menos de R$ 2 milhões. Ano passado custou R$ 2 milhões e 300 mil. Ainda mais que é um festival internacional, com grandes atrações, não é nada decadente. A mídia brasileira vem em peso, porque o Em Cena é uma potência artística e gera uma provocação estética.
    JÁ – Que lhe parece a descentralização?
    Não podemos transformar um festival de teatro em um evento de clientelismo para ganhar votos. Sou contra a demagogia. No ano passado, teve sim a parte da descentralização, mas não houve em todos bairros da cidade, porque não tinha orçamento para isso. Esse ano, é uma grande façanha do festival contar com uma estrela do porte da Tônia Carreiro, dirigida pelo Fauzi Arap, que é um dos meus diretores de teatro preferidos, para ir a essas populações de baixa renda. Não estou dando qualquer coisa, não estou fazendo política, eu acredito no que faço. Alguns espetáculos que farão duas apresentações, também vão aos bairros. Mas esse é um espetáculo pensado para isso. Eu não contratei a Tônia Carreiro para ir ao Theatro São Pedro, eu contratei ela para conhecer os bairros da cidade, baseada numa experiência que ela fez nos CEUs [Centros Educacionais Unificados] de São Paulo. Levar qualquer coisa, só para preencher uma planilha, não tem ganho real para a população, não fica nada. Nesse caso, acho que realmente estou colaborando com uma mudança, com um patamar. Mas não é por política, é por arte mesmo. E tem outras pessoas que colocam a política antes da arte.
    JÁ – Mas nas primeiras edições essas políticas de incentivo como a descentralização o subsídio dos ingressos já existiam…
    Estou aqui para promover ações que qualifiquem o Porto Alegre em Cena. Por que o festival é considerado o melhor do Brasil? Porque eu tenho essa preocupação e meus líderes políticos me deixam trabalhar, não me sinto nem um pouco pressionado a fazer demagogia. Sempre foi assim, não só agora, mesmo quando a prefeitura era governada pelo PT. Nunca gostei da “fila dos sem”, isso cresceu assustadoramente na minha ausência… eu participei do 1º ao 8º e havia os espetáculos de rua, que sempre são de graça. Ano passado, trouxemos uma co-produção chilena e francesa, e era um espetáculo de rua magnífico nos bairros. Não era qualquer espetáculo, não gosto disso, nunca gostei. Até onde eu trabalhei esse era o meu padrão. Eu sei bem aonde quero chegar, na qualificação cada vez maior do evento. Só assim tem importância. Por que os festivais de cinema ou artes cênicas vão despertando menos interesse? Porque eles decaem em qualidade, vão fazendo política. Por exemplo, se um festival de cinema quer mais artistas globais do que gente de cinema – não tô falando de A ou B –, perde a importância. Não quero que perca a importância com o que não é importante. Minha busca é para que o festival traga profissionais, que não precisam ser necessariamente conhecidos, mas com qualidade. Não importa se a cidade não conhece, acho que já consegui ao longo da minha vida, um crédito na cidade e Porto Alegre sempre presta atenção no que eu proponho para ela como artista.
    JÁ – Nesse tempo em que esteve afastado, essas questões mudaram o rumo do festival? Isso poderia ser marcado como uma diferença?
    São diferenças, mas não fiquei preocupado com o festival enquanto não estava aqui, mesmo porque trabalhei no festival de teatro de Buenos Aires. As coisas acabam, assim como a direção de uma peça de teatro que termina. Nunca fico pensando no passado, sempre opero no presente e no futuro. Gosto muito do Ramiro [Silveira], é meu amigo e, salvo um engano meu, começou como meu estagiário lá na coordenação de Artes Cênicas. Nunca torci contra. Seria um engano se eu achasse que outras pessoas têm que pensar como eu. Cada um que estiver na frente do Em Cena vai imprimir a sua marca.
    JÁ – E qual a marca que o Luciano Alabarse deixa?
    Assisti aos vídeos de todas peças que mandaram, e foram quase 300. Tinha períodos em que eu dormia na frente na televisão, às vezes há surpresas magníficas no material que te mandam. Mas um festival não se faz só de inscrição, se faz de convites principalmente. São as peças que tu queres que estejam presentes. A parte nacional e internacional é da minha responsabilidade. A mais delicada de qualquer festival é sempre a local, porque todo mundo quer estar num evento dessa envergadura. Nessa parte, sempre divido a curadoria. Esse ano foram 10 curadores, todas pessoas de teatro, para que ninguém acredite que estou prejudicando ou protegendo determinados grupos. Desde o Luiz Paulo Vasconcelos, coordenador de Artes Cênicas, até o Aloísio Tomasoni, que é da área de dança, a gente do teatro que trabalha no festival, diretores e atores que não tinham peças disputando vagas.
    JÁ – Quais as características que dos espetáculos de fora de Porto Alegre?
    Nunca preparo nada, simplesmente vou ver os espetáculos. A melhor forma para selecionar, é assistir às peças. Se pudesse, veria todos, mas não tenho tanto dinheiro assim, porque tudo isso é do meu bolso. Não procuro coisas específicas: o que importa é que te surpreendam. Às vezes é uma direção surpreendente, outras uma atuação maravilhosa ou um texto que te chama atenção. Pode tudo em teatro, diferentes linguagens, provocação. Não acho que teatro é só para as pessoas gostarem, é para provocar também. Nem todos espetáculos são belos, alguns são incômodos, trazem inovações estéticas que chocam o gosto conservador, mas todo o festival tem que ter isso. Ninguém entra por ser amigo, ou deixa de estar porque eu não conheço. Tem, que ter um valor estético.
    JÁ – Recentemente, duas peças shakespearianas estiveram em cartaz na cidade: o Hamlet, dirigido por você, e Sonho de uma noite de verão, da Patrícia Fagundes. Mas há uma corrente que defende o teatro contemporâneo para estimular a reflexão sobre a vida moderna e acredita que montar clássicos seria algo menos engajado…
    Acho que clássicos são clássicos, justamente por se incorporarem ao imaginário do ocidente. Achar que um Sheakspeare não tem nada a dizer dos dias de hoje é estranho. Um dos defeitos de Porto Alegre é que a cidade tem muito pouco contato com os clássicos. Se a gente vai a Berlim, por exemplo, sempre tem uma ou duas montagens de Shakespeare, Ibsen, Tchecov. Por exemplo, o Hamlet fazia 30 anos que não era montada em Porto Alegre. Ou seja, toda uma geração que não viu… não vejo qual é o ganho disso. Não gosto é do dogma… não acho que nem o clássico seja a salvação, e tampouco o contemporâneo. O teatro é um território sem preconceitos. E uma cidade que não tem acesso ao clássico é uma cidade menor, sem cultura.
    JÁ – Qual a tua avaliação da produção cênica local?
    Ontem [23 de julho] assisti à peça da Deborah [Finochiaro], Sobre Anjos e Grilos. Lá pelas tantas, o Mario Quintana diz assim: “Porto Alegre, num determinado tempo, era uma pequena cidade grande, e hoje acho que é uma grande cidade pequena”. Isso é tão bonito e tão verdadeiro… Eu não me identifico em nada com essa coisa separatista, histórica, do Rio Grande do Sul, da Revolução Farroupilha. Não gosto disso, gosto de estar conectado com o Brasil, com o mundo e gosto que o mundo esteja conectado com Porto Alegre. Não tenho nenhuma relação de deslumbramento com o mundo, mas também não tenho de auto-suficiência e às vezes penso que o nosso povo acredita que pode ser auto-suficiente e não há nada mais enganoso que isso, ainda mais na arte. O teatro que se faz no Rio Grande do Sul é bom, está num patamar de qualidade elogiável, mas não pode se bastar a si mesmo. Temos que ver o teatro do mundo, o que as pessoas estão fazendo ou realizando. Essa troca é legal, não é subserviente, e trabalho para que aconteça. Uma boa temporada de teatro mescla tudo: experiências de vanguarda, clássicos, teatro de texto, sem texto.
    JÁ – E essa prática que se instaurou em Porto Alegre, de aplaudir de pé a todos os espetáculos?
    Não há nada mais equivocado do que isso, eu fico sentado. Só me levanto para aplaudir quando é algo realmente excepcional. Também não gosto de ser aplaudido de pé por costume ou hábito. Nenhum lugar do mundo aplaude de pé por hábito… e aqui sim. Isso causa a falsa impressão de que tudo é muito bom e não é. Não sou o vilão da novela quando digo que tudo não é bom em teatro. Procuro ter sempre uma perspectiva para selecionar. Pensar que aqui temos o melhor teatro do mundo, que ninguém erra… isso é o começo de uma ilusão nefasta que é a de achar que somos melhores, superiores ao outros. E não somos, simplesmente porque é da troca com os outros que vem o crescimento. Sempre vejo muito teatro gaúcho, não tenho nenhum problema de aplaudir teatro gaúcho, mas essa arrogância é desnecessária. O que ajuda é eu, como diretor de teatro, querer me aperfeiçoar. O público não aplaudindo tudo de pé ou pensando que eu tenho que trabalhar de graça. E essas experiências de troca, como se faz no Em Cena é que despertam o interesse.

  • Porto Alegre em Cena terá premiação em dinheiro


    Pça da Cia Stravaganza disputa o prêmio (Foto: Vilmar Carvalho/Divulgação)

    Naira Hofmeister

    Sete jurados escolherão destaques entre os representantes gaúchos no 13º Porto Alegre em Cena. O melhor espetáculo vai receber um prêmio de R$ 20 mil, enquanto que os escolhidos para Ator, Atriz e Diretor, levam, cada um, R$ 3 mil. “Isso não é um prêmio pequeno e também não é só um troféu de mérito: a gente reconhece o mérito através de premiação financeira”, aplaude o coordenador do festival, Luciano Alabarse.

    Além das premiações em dinheiro, decididas pelo júri de jornalistas brasileiros e um representante da petroquímica, haverá votação popular, que vai eleger a melhor peça na opinião do público. Em cada teatro serão distribuídas cédulas onde a platéia pode dar sua nota ao espetáculo local assistido.

    O troféu Braskem Em Cena será lançado nessa quarta-feira, 26 de julho, às 19h, no Solar Paraíso, a casa do Porto Alegre em Cena, que estará toda decorada com faixas e cartazes da nova premiação.

    A artista plástica Arminda Lopes vai desenvolver o visual do 1º Troféu Braskem Em Cena, que será entregue aos vencedores na noite de encerramento do 13º Porto Alegre em Cena, dia 18 de setembro no Theatro São Pedro.

    Para Alabarse, a novidade não desvia o papel do festival, de trazer atrações internacionais e nacionais, mas sim reconhece o valor da produção gaúcha no teatro. “O dinheiro gera a possibilidade de investimento no próprio trabalho. Com isso, qualifica o estágio atual da produção cênica local, que já tem uma qualidade que pode ser reconhecida”.

    Dez espetáculos foram selecionados

    Concorrem ao prêmio os espetáculos gaúchos selecionados para o festival: “Foram mais de 50 inscritos e, da salada de pessoas e pensamentos diferentes da curadoria, selecionamos esses dez”, relata Alabarse.

    São sete espetáculos adultos, dois de dança e um infantil. A diversidade de temas é uma marca. Do tradicional teatro europeu, vem Sonho de uma Noite de Verão, montagem de Patrícia Fagundes para o clássico sheakespeariano.

    Também com técnicas inovadoras do velho mundo, Larvárias, dirigido por Daniela Carmona, trabalha com máscaras brancas, ‘intermediários que contém o homem e o bicho’, segundo a sinopse. O espetáculo não tem texto, mas conta com trilha sonora executada ao vivo e a participação de Adriana Deffenti, considerada revelação gaúcha na música.

    Há ainda espaço para o chileno Ramón Grifero, que tem uma peça sua montada no Brasil pela primeira vez, dirigida por Adriane Motola, da Cia Stravaganza. O texto Teus Desejos em Fragmentos se dedica às ambições humanas contemporâneas, através da memória de um homem à beira da morte.

    Júlio Conte participa do festival com O Rei da Escória, peça que trata sobre loucura e psicanálise. Outras veteranas que estarão no palco do Porto Alegre em Cena são Sandra Dani e Liane Venturella, que apresentam Calamidade, dirigidas por Cláudia de Bem. Além desses, o recente Sobre Anjos e Grilos, onde Déborah Finocchiaro, dirigida por Jessé Oliveira, traça um panorama sobre o universo do poeta Mario Quintana.

    Os espetáculos de dança também se mostram diversos. Nelson Rodrigues conduz a coreografia de Alessandra Chemello para Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo. Luciane Coccaro dirige o Sexteto Cia de Dança no ritmo de Mário Lago e Santo Agostinho, no espetáculo Tempo que Resta. Para os pequenos, O Hipnotizador de Jacarés, dirigido por Dilmar Messias, reserva um universo de diferentes técnicas para palhaços.