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  • Catálogo com a obra de Iberê está pronto

    Artista gaúcho será o segundo no Brasil com catálogo semelhante (Fotos: Divulgação)

    Naira Hofmeister
    A publicação com a antologia de Iberê Camargo terá sua primeira fase concretizada na terça-feira, 20 de junho. A informação é da pesquisadora Mônica Zielinsky, do Instituto de Artes da UFRGS, que coordenou o trabalho de catalogação. A data do lançamento ainda não está definida.
    Serão 507 páginas de história ilustrada da arte gaúcha: o primeiro volume da compilação de obras de Iberê, com todas suas gravuras catalogadas. “Nem acredito que conseguimos”, comemora Mônica, que vem se dedicando ao projeto nos últimos cinco anos. As 329 gravuras de autoria comprovada, identificadas pela equipe técnica, serão mostradas em mais de 700 ilustrações diferentes.

    Primeiro volume será dedicado exclusivamente às gravuras feitas pelo artista

    “Ainda não temos a data de lançamento pois nesse dia queremos anunciar as próximas fases do projeto”, revela Justo Werlang, vice-diretor da Fundação, que leva o nome do artista. Os próximos passos serão a edição de volumes dedicados aos desenhos e às telas de Iberê.
    Juntos, os livros irão formar o chamado catalogue rasonée do artista. É o segundo brasileiro a contar com esse tipo de antologia, que confere à obra status e certificação de autoria. Apenas Cândido Portinari possui catálogo semelhante.
    A impressão será feita pela editora Cosac & Naify, a mais festejada do ramo editorial de cultura, e terá tiragem de 1.000 exemplares. Uma segunda edição será impressa ao longo do ano, com mais 2.000 livros.

  • Trabalhadores desempregados pedem subsídios

    Carla Ruas

    Entidades dos trabalhadores e desempregados do Rio Grande do Sul uniram-se nesta quarta-feira, 14 de junho, para buscar subsídios ao Governo. Durante todo o dia, realizaram protestos em Porto Alegre reivindicando a isenção do pagamento da água e luz, acréscimo de cestas básicas e passe livre no transporte coletivo.

    O movimento foi organizado pela CUT-RS, Federação dos Metalúrgicos, Federação Democrática dos Sapateiros e o Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD). Às 15 horas, representantes participaram de uma audiência com o chefe da Casa Civil, Paulo Michelucci, e o secretário de desenvolvimento e assuntos internacionais, Luis Roberto Ponte, no Centro Administrativo. Em mais de duas horas de conversa, eles dialogaram em busca de soluções.

    Michelucci admitiu encaminhar alguns dos itens, mas enfatizou que o Estado também sofre com a baixa da economia. “Mas vamos intervir no processo para tentar solucionar”, acrescentou. Ele pretende estimular os dirigentes da CEEE e da CORSAN a minimizar os custos, aceitar o pagamento a prazo e religar os serviços cortados dos desempregados”.

    O chefe da Casa Civil iniciou o debate sobre o assunto durante o encontro, mas passou a coordenação para o secretário Ponte, que deve realizar as próximas reuniões. Michelucci diz que após a ampla discussão sobre cada categoria serão produzidos projetos de lei e encaminhados para a Assembléia Legislativa. “Mas apenas quando houver o consenso entre os trabalhadores e o governo”, ressalta.

    O presidente da CUT-RS, Celso Woyciechowski, afirma que os secretários também prometeram consultar as empresas de ônibus e a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), para a obtenção de vale-transporte gratuito aos desempregados. A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) será contatada para o acréscimo no número de cestas básicas.

    Para Woyciechowski o encontro foi muito produtivo, mas o ponto prioritário ainda é a retomada de emprego. “São necessárias medidas de médio prazo, como a retomada do setor de máquinas agrícolas e políticas para uma agricultura renovada”. Ele lembra que nas indústrias de máquinas e implementos agrícolas o número de desempregados já chega a 9 mil. E que aproximadamente 20 mil trabalhadores foram demitidos devido à crise do setor coureiro-calçadista nos últimos meses.

    O chefe da Casa Civil responde que o Estado tem sofrido o mesmo efeito no setor de calçados, têxtil, fumo, móveis e máquinas agrículas. Ele explica que o problema é o câmbio e a falta de preço do produto produzido no Rio Grande do Sul. “Reduzimos a carga tributária, mas não tem surtido efeito”.

    Ele ainda destaca a abertura de frentes de trabalho na região metropolitana de Porto Alegre. Neste programa do governo, cooperativas e grupos de trabalho recebem treinamento e ajuda de custo no inicio das atividades. “Cerca de 2 mil grupos já foram criados como costureiras e galpões de reciclagem de lixo”.

    Os manifestantes também questionaram a mudança e a inclusão de categorias nos níveis do novo salário mínimo regional, aprovado em maio. “Queremos incluir os trabalhadores dos bares e restaurantes, vigilância, imobiliárias e call centers”. Além disso, eles buscam mudar de faixa os sapateiros e os trabalhadores da construção civil.

    Dia de protesto

    Às 8h30 da manhã, o grupo se concentrou no  Centro Cultural do Parque Harmonia. Em seguida fizeram uma caminhada com faixas e bandeiras pelo Centro Administrativo, Corsan e Palácio Piratini.

    No início da tarde foram recebidos pela Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) para pedir a isenção do pagamento da energia elétrica. A agência é responsável por garantir a qualidade dos serviços públicos, como energia, telecomunicações e transporte. O presidente Guilherme Sócias Villela encaminhou a questão ao conselho superior, que irá apresentar à Agência Nacional de Energia Elétrica, ANEL. “Caso seja aprovada, haverá uma orientação para as concessionárias não cobrarem dos desempregados”.

  • Via Campesina lança cartilha sobre a monocultura de árvores no RS


    A cartilha defende a impossibilidade da plantação florestal sem uma análise dos impactos ambientais
    (Foto: Tatiana Feldens/JÁ)

    Tatiana Feldens

    Direcionando duras críticas à mídia e as três grandes empresas do ramo papeleiro instaladas no Rio Grande do Sul – Aracruz Celulose, Votorantin e Stora Enso –, o deputado estadual Frei Sérgio Antonio Görgen (PT) lançou nesta segunda-feira, 12 de junho, a cartilha explicativa “O latifúndio dos Eucaliptos”, de autoria da Via Campesina.

    O objetivo, como informou o parlamentar, é “apresentar à sociedade informações normalmente sonegadas ao público sobre os impactos social, ambiental e econômico das monoculturas de árvores e das indústrias de papel no país e no Estado”.
    O evento, realizado na Comissão de Economia da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, reuniu integrantes de movimentos sociais e sindicatos contrários ao chamado “deserto verde” nos pampas gaúchos.

    Claudia Prates, representante da Marcha Mundial das Mulheres, disse que a cartilha vem completar uma série de ações que a Via Campesina vem desenvolvendo desde março contra os desertos verdes no Estado.

    Ela manifesta repúdio ao tratamento dado pela grande imprensa que “criminalizou a ação orquestrada pelas mulheres campesinas em defesa da vida e do meio ambiente em março passado”. Na avaliação de Claudia, a cobertura feita pelos meios de comunicação desfez a luta de pelo menos 2 mil mulheres que participaram do ato ao Horto Florestal da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro.

    Integrante do Movimento Sem Terra, Cristiane Campos endossa o fato de a mídia não ter evidenciado os reais motivos da ação. “Do jeito que foi publicado, parecia que as mulheres não tinham mais o que fazer além de depredar o Horto Florestal”. Segundo ela, a ação foi uma medida que contribui para despertar o debate sobre essas plantações. “Não é só a população do campo que perde, que fica sem terra e sem recursos naturais. O meio urbano perde muito também”, acredita.

    O movimento dos desempregados também manifesta solidariedade à ação e afirma que irá participar “da luta contra todas essas transnacionais instaladas no Rio Grande do Sul”. Dados do Movimento dos Trabalhadores sem Trabalho (MTT), apontam que a cada 185 hectares de árvores plantadas, apenas um emprego é gerado para os trabalhadores. Quando comparado à agricultura familiar, essa quantidade aumenta significativamente, pois “a relação é de um para um, ou seja, a cada um hectare plantado, um novo emprego é gerado”.

    O Movimento Negro e a Pastoral da Juventude Rural também estiveram presente no lançamento. De acordo com eles, a cartilha será uma ferramenta de formação e conhecimento aos povos camponeses, que muitas vezes se acomodam e deixam de buscar outras informações além do que é veiculado pela mídia.

    Estudos técnicos

    Segundo o deputado petista Frei Sérgio Görgen, a cartilha foi elaborada com base em relatórios técnicos variados. “Foram consultadas inúmeras teses universitárias de mestrado e doutorado”. Não foi possível encontrar, entretanto, livro publicado em português sobre o assunto, “porque não se quer uma informação de qualidade”, avalia.

    Nestes estudos analisados, fica claro a impossibilidade de se fazer maciça plantação florestal sem uma análise profunda dos impactos ambientais, principalmente sem estudos hidrológicos que possibilitem saber qual a disponibilidade de água que realmente existe nas regiões plantadas.

    “Nós tivemos o cuidado de não demonizar o eucalipto e nem o plantio de florestas comerciais. Queremos apenas deixar claro que sem o zoneamento agro-florestal e ecológico, essas árvores não podiam ser plantadas”.

    Görgen afirma que as informações sobre o passivo das monoculturas não chegam ao grande público, mas diz confiar na sociedade gaúcha, que “ainda irá reconhecer o manifesto e agradecer as mulheres campesinas por terem alertado do grave dano ambiental que o Estado está prestes a perpetrar contra si mesmo”.

    No momento, segundo ele, “a principal alternativa contra essas plantações é fazer um zoneamento agro-ecológico e florestal para podermos ver o que de fato o nosso sistema suporta no plantio comercial de árvores”. Outra alternativa é pensar em sistemas agro-florestais que preservem o ambiente.

    “Podemos plantar eucaliptos, acácias, mas devemos pensar em outras árvores do nosso sistema, da nossa biodiversidade, que com um pouco de pesquisa agro-florestal, nós poderíamos também utilizá-las para o plantio comercial”. De acordo com ele, não pode ser permitido que essas empresas se transformem em grande latifundiárias.

    “Não podemos aceitar essa enorme concentração de terras nas mãos de apenas três empresas. Hoje são 350 mil hectares, mas até 2017 a previsão é 1 milhão de hectares. Diante disso, precisamos romper esse bloqueio do grande capital que não permite julgar os problemas ambientais decorrentes dessas plantações”, pondera.

    Distribuição

    Em breve, o livro poderá ser acessado na internet. “Por enquanto estará sendo distribuído aos movimentos sociais, escolas, promotores de justiça, comunicadores do interior e todos aqueles que quiserem ter uma informação real, fidedigna e alternativa àquela que é a propaganda oficial das empresas”, informa Frei Görgen.

    A cartilha poderá ser comprada pela quantia de R$ 1 em bancas do Movimento na cidade: uma delas localizada dentro do Mercado Público, outra na avenida Farrapos 88. Nas sedes da Via Campesina também poderá ser encontrado o material.
    Perguntado sobre o porquê de a cartilha não ter sido lançada antes da ação contra a Aracruz Celulose, foi enfático. “Por que não imaginávamos que a desinformação fosse tão brutal. Imaginávamos que minimamente as escolas e a imprensa falassem disso”.

    Ele cita um livro de sua autoria sobre os novos desafios da agricultura camponesa no Brasil, em que fez um alerta sobre as monoculturas de árvores. “Nós também divulgamos aqui no RS um vídeo chamado ‘Deserto Verde’. Fizemos vários debates no interior do Estado, só que o tema não estava na ordem do dia. A diferença é que agora está, por isso o lançamento da cartilha”.

    Horto Florestal

    Frei Sérgio Görgen ainda falou sobre a invasão ao Horto Florestal Barba Negra, em março passado. De acordo com ele, era preciso chamar a atenção da sociedade gaúcha ao grave dano ambiental que está prestes a ser perpetrado por estas empresas, assim como a constituição de um novo latifúndio no Estado, já com 350 mil hectares de terras sob o poder da Aracruz, da Votorantin e da Stora Enso. “Por isso o ato das mulheres é perfeitamente defensável”.

    Görgen reiterou, por diversas vezes, que não existe laboratório de genética em Barra do Ribeiro. “Trata-se de uma grande mentira que surgiu ao redor da ocupação das mulheres e que serviu para criminalizá-las injustamente. Esse trabalho de 20 anos que a mídia propagou não estava em Barra do Ribeiro. Está no laboratório de genética da empresa em Aracruz, no Espírito Santo. Aqui era apenas o centro de reprodução de mudas”, justifica ele.

    Ele finaliza afirmando que as ações contra o “deserto verde” no Brasil irão se multiplicar. “A Aracruz foi apenas um símbolo, representado pela Stora Enso e a Votorantin”. Essas três empresas, segundo Görgen, são muito diferentes daquelas que trabalham com a plantação de Acácia, por exemplo, “com as quais nós temos um bom diálogo”.

  • Bandeirão já virou marca da Venâncio Aires

    Bandeira enfeita a rua durante a Copa desde 1998 (Fotos: Carlos Matsubara)

    É impossível não notar: todos que passam pela esquina da Venâncio Aires com a João Pessoa na época da Copa do Mundo erguem os olhos para o alto dos prédios e abrem um sorriso. Lá de cima, pende uma enorme bandeira verde e amarela, com uma altura de cinco andares. O objeto tem detalhes vermelho-e-branco e tricolor, unindo as cores de Grêmio e Inter.

    A decoração não é novidades desta Copa do Mundo. Desde 1998, os moradores arrecadam dinheiro na vizinhança para exibir a paixão pelo futebol brasileiro. Idéia de um antigo comerciante – o Carioca – que manteve um mercadinho na região durante anos.

    Segundo conta Rui Oliveira, síndico do Edifício Ada (Venâncio Aires, 449), Carioca era torcedor daqueles fanáticos, que fazia de tudo por um campeonato. Teve então a idéia de fazer uma baita “corrente pra frente”, simbolizada pela bandeira, que mede cerca de 25 metros de comprimento e 15m de largura.

    “Ele bateu de porta em porta, arrecadando o dinheiro, e não teve ninguém que negou”, lembra Oliveira. O triste desfecho da final da Copa de 98 contra a França não impediu o sucesso do bandeirão. Tanto que a campanha voltou em 2002, dessa vez, abençoada com o pentacampeonato. A esquina virou ligar de comemoração: “Na ocasião, até a Banda da Brigada veio animar a festa, que estava linda”, lembra orgulho, o síndico Oliveira.

    Ele acredita que a festa tem tudo para se repetir. “Condições para vencer essa Copa não faltam, nossa seleção é composta de jogadores que atuam na Europa e estão habituados com o clima”, comenta ele, já projetando uma nova festa sob o bandeirão da Venâncio.

  • Alemães comemoram vitória em Porto Alegre

    Entrada do Instituto ficou lotada no primeiro jogo da Copa (Fotos: Helen Lopes)

    Descendentes e imigrantes germânicos se reuniram no Instituto Goethe, no início da tarde desta sexta-feira, 9 de junho. Não era uma palestra nem aula de alemão, o motivo do encontro foi a estréia da seleção na Copa Mundo.

    Jogando em Munique, o time da casa não fez feio. Aplicou 4 a 2 na Costa Rica para felicidade da pequena torcida porto-alegrense. Os gols foram marcados por Lahm, Frings e Klose, duas vezes.
    Quase cem alemães, alguns fardados com a camisa oficial, foram ao centro cultural, na avenida 24 de Outubro. A decoração do hall de entrada do Instituto, onde foram colocados dois telões, completou o clima, com direito a bandeiras do Brasil e da Alemanha.

    Boa parte do grupo vestia uma camiseta confeccionada pelo Consulado especialmente para a copa, mesclando as cores dos dois países. Entre um lance e outro, a torcida aproveitava para curtir petiscos típicos, como salsicha bock, chucrute (repolho fermentado e cozido) e brezel (uma rosca de pão).

    Outra atração do encontro foi a cerveja Helles, sem aditivos e conservantes, feita em Montenegro, interior do Estado, seguindo o estilo da alemã. Os descendentes Conrad Albrecht e Mateus Storck, juntamente com o amigo Alexandre Barros – de família italiana, não perderam tempo e pediram o tradicional chopp alemão de um litro.

    Torcida típica: muito chopp e comidas tradicionais no Goethe

    O Instituto Goethe vai promover esses encontros todos os jogos da Alemanha ou do Brasil, exceto no domingo 18 de junho. De acordo com Claus Herzer, funcionário do Instituto, a intenção é integrar as duas culturas e trazer novas pessoas para conhecer o Goethe. Descendente de germânicos, ele torce por uma final entre os dois paises. “Será uma grande festa. Teremos que abrir o auditório”, projeta.

    Os torcedores já projetam uma final entre Brasil e Alemanha. Fardada com a tradicional uniforme braco da seleção a alemã, Anastasia Weinmann admitiu que, em caso de enfrentamento Brasil x Alemanha, ela não sabe para quem vai torcer. “Acho que vai ser para a Alemanha, mas no jogo vou ficar com o coração dividido”, conta a moça de 19 anos, que está no Brasil há 10 meses trabalhando com crianças carentes.

    A dúvida é compartilhada pelo amigo Johannes Böff, de Frankfurt, que faz intercâmbio há três meses na Capital. O garoto de 21 anos já fala algumas palavras em português e afirma que gostou muito da cidade e das pessoas. “As pessoas são amigas e conversam bastante”, diz. Enquanto o confronto Brasil x Alemanha não chega, os dois compatriotas aproveitam para brincar com o uniforme: usam uma meia de cada país.

    Os alemães Johannes Böff e Anastasia Weinmann se divertiram com uma meia de cada país

    Mas há os alemães radicais. É o caso de Ralf Kramer, que mora há 12 anos no país. “Admiro o Brasil. Mas meu time é a Alemanha, nem pensar em torcer contra”, resume.

  • Jovens querem universidade popular

    Carla Ruas

    Centenas de jovens da periferia de Porto Alegre e do interior do Estado realizaram manifestações pela democratização da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) nesta quinta-feira, 8 de junho.

    A principal bandeira do grupo é a ampliação das vagas da UFRGS e a reserva de quotas para indígenas, quilombolas, negros e pobres.

    O ato foi organizado pelo grupo Levante Popular da Juventude, formado no final do ano passado por estudantes de escolas públicas e cursinhos populares, além de integrantes da periferia e de movimentos sociais.

    Uma das líderes, Cláudia Comatti afirma que a organização nasceu para defender os direitos dos jovens, como o acesso à educação superior, “que é muito restrito no país”.

    A maioria dos integrantes da manifestação veio de ônibus de São Leopoldo, Lajeado, Santa Cruz do Sul, Caxias do Sul, Três Passos e Santo Ângelo. Também participaram jovens dos bairros Restinga, Lomba do Pinheiro e Morro da Cruz.

    Pela manhã, o grupo denominado mobilizou cerca de 300 pessoas em uma passeata no Campus do Vale da UFRGS. Os integrantes carregavam faixas e gritavam palavras de ordem como “Universidade! / Pública e Popular!”.

    Lá, eles participaram de oficinas de agroecologia, saúde, resistência popular e ações afirmativas, promovidas por estudantes da UFRGS e entidades. Os manifestantes ainda assistiram a uma aula aberta sobre a história da universidade brasileira.

    À tarde, os manifestantes se deslocaram de ônibus até o Campus Central da Universidade para entregar uma carta de reivindicações à reitoria. O vice-reitor, Pedro Cezar Dutra Fonseca, recebeu o documento no lugar de José Carlos Hennemann, que está em Brasília. Mas a Reitoria não quis se pronunciar sobre a manifestação.

    O documento defende melhorias na educação básica e políticas de acesso e permanência na Universidade. Além disso, pede a valorização da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e o passe livre para estudantes e trabalhadores desempregados.

    “Também queremos quotas para os excluídos e uma ampliação das vagas da UFRGS, com unidades no interior do Estado”, afirma a organizadora, Cláudia Comatti. Ela lembra que apenas 9% dos jovens brasileiros de 18 a 24 anos estão na universidade.

    Este é o motivo pelo qual Rafael dos Santos, 17 anos, se deslocou do município de Pontão (RS) para participar do dia de manifestações. Ele terminou o ensino médio no ano passado e não conseguiu ingressar na universidade.

    Sonha cursar Agronomia.Erida Figueira, 16, diz que gostaria de freqüentar a universidade, mas que não tem como pagar uma particular. Neste ano, teve que interromper o colégio no 3° ano do ensino médio porque não tinha como pagar o material escolar. “Estou trabalhando e depois volto com dinheiro para os livros”.

    Segundo o Censo da Educação Superior, realizado pelo Ministério da Educação em 2003, 71,8% das vagas que são oferecidas no ensino superior vêm de instituições privadas. Erida, que estudava na Escola Estadual Paulo Freire, em Caxias do Sul, acredita que deveria existir universidade pública para todos.

    “É um direito nosso”, diz. Ela já fez cursos profissionalizantes como de mecânica, computação e de moda, mas só ficará satisfeita quando for uma universitária.

  • Avançam obras no Cinema Capitólio

    Visitaram o Capitólio o secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, vereadora Margarete Moraes (PT), presidente da Funarte,  Antônio Grassi e Vitor Ortiz, diretor do Centro de Programas Integrados da Funarte.

    Naira Hofmeister

    Num passeio de uma hora na manhã desta quinta-feira, 8 de junho, dirigentes da Fundação Nacional para a Arte (Funarte) visitaram as obras no Cinema Capitólio, no centro de Porto Alegre. O grupo conheceu o Salão Átrio e a sala de projeções, com capacidade para 190 lugares. Também passou pelo local onde será instalado o acervo climatizado da reserva técnica da cinemateca.

    A fachada do prédio, que data de 1928, já ganhou pintura nova e a estrutura interna está ganhando contornos finais para receber o futuro centro cultural. As paredes já ganharam uma mão de tinta, a instalação elétrica está sendo concluída e até o elevador já está no lugar. A inauguração deve acontecer até o final do ano, quando será lançado um livro de memória oral da história do cinema.

    Os representantes da Funarte também vieram a Porto Alegre em função das comemorações dos 30 anos da entidade. A Câmara Municipal realiza homenagem na noite desta quinta-feira, 8 de junho. O presidente da Instituição, Antônio Grassi, aproveitou a visita ao Estado para anunciar dois projetos nacionais, que contemplarão instituições gaúchas.

    O primeiro prevê a doação de kits educativos e culturais a 75 bibliotecas do Rio Grande do Sul. Cada kit é composto por cerca de 50 obras entre livros, CDs e audiovisuais editadas pela instituição, inclusive as publicações de governos anteriores. “É uma antologia da história do pensamento da Funarte”, elogia Grassi. Em todo o Brasil, mais de mil bibliotecas de 800 municípios receberão o conjunto, que soma 350 mil exemplares.

    A outra medida é equipar salas de espetáculos. Na próxima semana, duas mesas de digitais de iluminação serão entregues ao Teatro Renascença, no Centro Municipal de Cultura, e ao Bruno Kiefer, localizado na Casa de Cultura Mario Quintana e mantido pelo Governo do Estado. A Funarte ainda vai oferecer um curso de capacitação para os operadores, que será aberto à toda a classe regional. “Queremos qualificar esses técnicos”, planeja Grassi.

    O anúncio foi feito em meio à visita ao Capitólio. Grassi esteve acompanhado do diretor do Centro de Programas Integrados da Funarte, Vitor Ortiz. Ele foi secretário de Cultura na última gestão do PT em Porto Alegre, e lembra que o projeto de recuperação do Capitólio foi lançado na sua época.

    A Petrobras está bancando a reforma do prédio e irá patrocinar os equipamentos. A vereadora Margarete Moraes (PT), que está coordenando as homenagens à Funarte, acompanhou a visita ao lado do secretário municipal de Cultura, Sergius Gonzaga e de Cláudio Fonatana, da Fundacine, que capitaneia o projeto do Capitólio. “É muito raro uma instituição cultural durar tanto tempo. A Funarte é um exemplo de política cultural nacional, que atua em todo o Brasil, não se restringindo apenas ao centro do país”, elogiou Margarete.

    Visitaram o Capitólio o secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga, vereadora Margarete Moraes (PT), presidente da Funarte,  Antônio Grassi e Vitor Ortiz, diretor do Centro de Programas Integrados da Funarte.

    Naira Hofmeister

    Num passeio de uma hora na manhã desta quinta-feira, 8 de junho, dirigentes da Fundação Nacional para a Arte (Funarte) visitaram as obras no Cinema Capitólio, no centro de Porto Alegre. O grupo conheceu o Salão Átrio e a sala de projeções, com capacidade para 190 lugares. Também passou pelo local onde será instalado o acervo climatizado da reserva técnica da cinemateca.

    A fachada do prédio, que data de 1928, já ganhou pintura nova e a estrutura interna está ganhando contornos finais para receber o futuro centro cultural. As paredes já ganharam uma mão de tinta, a instalação elétrica está sendo concluída e até o elevador já está no lugar. A inauguração deve acontecer até o final do ano, quando será lançado um livro de memória oral da história do cinema.

    Os representantes da Funarte também vieram a Porto Alegre em função das comemorações dos 30 anos da entidade. A Câmara Municipal realiza homenagem na noite desta quinta-feira, 8 de junho. O presidente da Instituição, Antônio Grassi, aproveitou a visita ao Estado para anunciar dois projetos nacionais, que contemplarão instituições gaúchas.

    O primeiro prevê a doação de kits educativos e culturais a 75 bibliotecas do Rio Grande do Sul. Cada kit é composto por cerca de 50 obras entre livros, CDs e audiovisuais editadas pela instituição, inclusive as publicações de governos anteriores. “É uma antologia da história do pensamento da Funarte”, elogia Grassi. Em todo o Brasil, mais de mil bibliotecas de 800 municípios receberão o conjunto, que soma 350 mil exemplares.

    A outra medida é equipar salas de espetáculos. Na próxima semana, duas mesas de digitais de iluminação serão entregues ao Teatro Renascença, no Centro Municipal de Cultura, e ao Bruno Kiefer, localizado na Casa de Cultura Mario Quintana e mantido pelo Governo do Estado. A Funarte ainda vai oferecer um curso de capacitação para os operadores, que será aberto à toda a classe regional. “Queremos qualificar esses técnicos”, planeja Grassi.

    O anúncio foi feito em meio à visita ao Capitólio. Grassi esteve acompanhado do diretor do Centro de Programas Integrados da Funarte, Vitor Ortiz. Ele foi secretário de Cultura na última gestão do PT em Porto Alegre, e lembra que o projeto de recuperação do Capitólio foi lançado na sua época.

    A Petrobras está bancando a reforma do prédio e irá patrocinar os equipamentos. A vereadora Margarete Moraes (PT), que está coordenando as homenagens à Funarte, acompanhou a visita ao lado do secretário municipal de Cultura, Sergius Gonzaga e de Cláudio Fonatana, da Fundacine, que capitaneia o projeto do Capitólio. “É muito raro uma instituição cultural durar tanto tempo. A Funarte é um exemplo de política cultural nacional, que atua em todo o Brasil, não se restringindo apenas ao centro do país”, elogiou Margarete.

  • Colégio Rosário adota Praça São Sebastião


    Os alunos consideram a praça uma extensão do colégio, onde durante o recreio a turma se encontra (Fotos: Divulgação/JÁ)

    Naira Hofmeister

    A praça São Sebastião, ao lado do colégio Rosário – entre a avenida Independência e a rua Irmão José Otão – ganha atenção especial a partir desta quarta-feira, 7 de junho. A direção da instituição de ensino assinou termo de cooperação com a Prefeitura, passando a ser a responsável por cuidados com os 4.760 m² da área verde. O convênio inclui manutenção e limpeza.

    A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) vai continuar executando os serviços de poda e manejo de árvores, além de preservar as obras de arte do local – o Painel da Conceição, escultura de Xico Stockinger, e quatro estátuas de mármore de Carrara, remanescentes do Chafariz da Praça da Matriz, no século XIX.

    “Não estamos repassando à escola todas as responsabilidades. O termo de adoção possibilita a qualificação do espaço”, prevê o executivo da Smam, Beto Moesch. Já existem planos nesse sentido. O diretor do Rosário, Irmão Firmino Biazus, diz que o projeto ainda não está pronto, mas adianta que uma das idéias é identificar as árvores do local, bastante freqüentado pelos alunos. “Há anos ouvimos dizer que a praça é do colégio. Agora somos responsáveis por ela de fato”.

    A sensação entre os alunos é a mesma. Eles consideram a praça uma extensão do colégio, onde durante o recreio a turma se encontra. “Já estava na hora de o colégio adotar essa praça, a gente vive aqui”, conta Keila Marques, aluna do 1º ano do Ensino Médio. “Só espero que eles coloquem lixeiras novas. Jogar o lixo nessas é a mesma coisa que colocar no chão”, observa a colega Sanada Munhoz.

    Apesar da alegria pela ação, os estudantes acreditam que vai ser necessário um trabalho de educação ambiental. “Tem muita gente que recebe folheto na hora do recreio e joga no chão sem constrangimento”, criticou Luis Antônio Covatti, do 3º ano.
    Ao final da solenidade, duas mudas de capororoca e uma de canafístula foram plantadas. Com mais essa parceria, a Prefeitura poderá cuidar melhor de outros locais. Segundo o secretário Moesch, a Smam gasta R$ 2 milhões por ano apenas na contratação de serviços de capina para as 539 praças da capital. Só a manutenção do Parque Farroupilha custa R$ 1 milhão e 400 mil aos cofres municipais. “O cuidado não inclui apenas a limpeza da área. Essa praça, por exemplo, tem um zelador”, observa.

  • Rua Gonçalo de Carvalho é patrimônio histórico de Porto Alegre


    O decreto inclui a preservação das dezenas de árvores tipuanas plantadas em 1937 (Foto: PMPA/JÁ)

    Carla Ruas

    Na abertura da 22ª Semana Municipal do Meio Ambiente, na tarde desta segunda-feira, 5 de junho, o prefeito José Fogaça assinou decreto tornando a rua Gonçalo de Carvalho “patrimônio histórico, cultural e ambiental da cidade”. É um ato inédito, pois se trata da primeira via da cidade a receber tal distinção.

    O texto estabelece a manutenção das características locais, o que inclui preservação das dezenas de árvores tipuanas, plantadas em 1937, e a manutenção do calçamento da via, feita de paralelepípeos. Assim, qualquer intervenção no local deverá obedecer ao decreto.

    O evento, no Shopping Total, teve a presença de um seleto público, composto por representantes da Associação do Bairro Independência, entidades ecológicas, empreendedores, funcionários da Prefeitura e jornalistas.

    O presidente da Associação de Moradores e Amigos do Bairro Independência (AMABI) e morador da rua Gonçalo de Carvalho, Marcelo Ruas, comemorou a conquista. “É o reconhecimento da luta dos moradores do bairro”, avaliou.

    O grupo protestou para manter as características da via, trazendo a público a discussão sobre a construção de um prédio-estacionamento anexo à futura sede da OSPA no Shopping Total. “Agora, a rua será compreendida de outra forma pelo poder público e pela sociedade. Terá outro status no conjunto ambiental”, acredita Ruas.

    Para o secretário do Meio Ambiente, Beto Moesch, a iniciativa é mais uma ação precursora de Porto Alegre com relação à preservação ambiental. “São mais de 30 anos, tudo começou com a Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), nos anos 70”, lembrou, citando ainda a mobilização de outra comunidade, a da Marquês do Pombal, em defesa do “túnel verde” da via no Moinhos de Vento.

    Moesch garante que a proteção da Gonçalo de Carvalho vai abrir um precedente para o reconhecimento oficial dos túneis verdes de Porto Alegre. “É a primeira de muitas ruas que terão protegidas as suas características de arborização”.

    O prefeito José Fogaça disse que o objetivo do governo municipal é trabalhar em três eixos: social, econômico e ambiental. “A Gonçalo de Carvalho é um tesouro urbano, resultado de anos de respeito à arborização na cidade”. Ele também destacou o Comitê Gestor de Educação Ambiental, criado em 2005, que visa integrar as secretarias municipais nas questões de meio ambiente.

    Programação da 22ª Semana do Meio Ambiente

    As atividades do evento incluem palestras sobre meio ambiente, painéis educativos, oficinas e caminhadas. O encerramento ocorre no dia 11 de junho, com o 5º Passeio Ciclístico do Morro do Osso, onde serão percorridos 35 quilômetros até a orla do Guaíba. A inscrição é um quilo de alimento não-perecível e o participante concorre ao sorteio de uma bicicleta. Confira a programação abaixo:

    Dia 5 de junho – Segunda-Feira (Dia Mundial do Meio Ambiente)
    14h – Abertura Oficial da Semana e do Parque Ambiental
    Ato de assinatura do decreto que transforma a Rua Gonçalo de Carvalho em Patrimônio Cultural, Histórico e Ecológico
    15h – Palestras: “Como o mundo entende a Educação Ambiental?”
    Rita Mendonça  – Instituto Romã (SP)
    Adriana Maciel  – Faculdade da Serra Gaúcha (RS)
    19h30min – Exibição do filme “A Carne é Fraca” – documentário sobre alimentação à base de carne – aspectos ambiental,  ético e de saúde humana
    Local: John Bull Pub – Shopping Total
    Apoio: Sociedade Vegetariana Brasileira

    Dia 6 de junho – Terça-Feira
    Painel: “Os diferentes elementos que alimentam a Educação Ambiental”
    14h – Antropocentrismo e Ecoteologia
    15h15min – Terceiro Setor e Empresas
    16h30min – Ética e Princípios Legais
    Local: John Bull Pub – Shopping Total

    Dia 7 de junho – Quarta-Feira
    Educação Ambiental Interna
    14h – Painel: “Os servidores públicos municipais na cidade da Educação Ambiental”
    Condução: Comitê Gestor de Educação Ambiental/PMPA
    Local: John Bull Pub – Shopping Total

    Dia 8 de junho – Quinta-Feira
    7h45min às 17h – Oficina de Educação Ambiental para Professores
    Local: Minizôo Palmira Gobbi do Parque Farroupilha
    Inscrições: 3286 4458
    Sala de Oficinas 1
    14h – Tintas
    15h – Compostagem
    16h – Danças Circulares
    Sala de Oficinas 2
    14h – Brincando no e com o Meio Ambiente
    15h – Corpo, Saúde e Meio Ambiente
    16h – Sistemas de Gerenciamento Ambiental
    17h – Elaboração de Projetos
    Sala 1 + Sala 2
    18h – Yoga e Meditação
    Local: John Bull Pub – Shopping Total
    Inscrições: 3289 7521

    Dia 9 de junho – Sexta-Feira
    10h15min – Vivência Lúdica “Seres da Natureza” – Arquivo Histórico de Porto Alegre Moysés Vellinho/SMCultura
    Local: Estacionamento – Shopping Total

    Dia 10 de junho – Sábado
    Caminhada Ecológica e Trilha Especial para PPDs em cadeira de rodas
    9h – Concentração
    Inscrição: No local – 1kg de alimento não-perecível
    Informações: 9948 1863
    Local: Parque Natural do Morro do Osso – Rua Ir. Jacomina Veronese – Ipanema (3263.3769)
    Realização: ONG Caminhadores e SMAM

    Dia 11 de junho – Domingo
    5° Passeio Ciclístico Preserve o Morro do Osso
    9h – Saída no Parque Marinha do Brasil
    Realização: ACZS, SMAM e SME
    Apoio: EPTC e Brigada Militar

    Atividade Permanente

    05 a 11 de junho – das 9h às 11h30min e das 14 às 19h
    Parque Ambiental – Vivendo os projetos e programas de Educação Ambiental da PMPA e seus parceiros
    Local: estacionamento – Shopping Total

    Nas atividades que ocorrem dentro das instalações do Shopping Total, há cobrança de R$ 2 pelo estacionamento, conforme normas da administração do espaço.

  • Pesquisa comprova que RS é rota do tráfico de mulheres

    Helen Lopes

    Mesmo com indicadores sociais acima da média nacional, o Rio Grande do Sul está na mira do tráfico internacional de seres humanos. Na maioria mulheres adultas e adolescentes entre 12 e 16 anos, elas são aliciadas em pelo menos oito cidades do Estado – Uruguaiana, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Santa Maria, Rio Grande, Itaqui, Erechim e Porto Alegre.

    As informações foram divulgadas nesta terça-feira (6/6) e compõem a pesquisa “O Tráfico de Seres Humanos Para Fins de Exploração Sexual no Rio Grande do Sul”, que faz parte do projeto “Medidas contra o Tráfico de Seres Humanos no Brasil”, do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC), com apoio do Ministério da Justiça e da Secretaria da Justiça e da Segurança do Rio Grande do Sul.

    Em Uruguaiana e Caxias do Sul, entre 1996 e 2004, foram registrados sete inquéritos policiais. Somente em um houve condenação. Nas outras cidades citadas, as ocorrências foram informadas por Organizações Não Governamentais. Na maioria dos casos, as mulheres estão em estado de vulnerabilidade social – baixa escolaridade, estão desempregadas e têm filhos. Elas são enganadas, na maioria das vezes, com propostas de emprego ou por “namorados”, que na verdade são agenciadores. Existem também dificuldade na identificação dos casos, pois quando são descobertos antes do embarque, são registrados como estelionato.

    Por fazer fronteira com outros países, o Rio Grande do Sul é alvo dos grupos criminosos. “A existência da trama de operacionalização do crime organizado nas fronteiras potencializa a ocorrência desses delitos”, sustenta a coordenadora da pesquisa, Jacqueline Oliveira Silva, professora de Ciências Sociais da Unisinos. A pesquisa aponta que o tráfico de pessoas pode estar relacionado com o tráfico de drogas, armas e mercadorias. Mas a pesquisadora não confirma: “As rotas coincidem, sobrepondo os mapas fica claro, porém, é preciso mais estudos neste ponto”.

    De acordo com o levantamento, existem duas rotas de destino: uma para Ásia (em locais como Hong Kong) e outra para países da Península Ibérica (Portugal e Espanha). Há também países do Mercosul, que se apresentam tanto como lugares de passagem quanto de destino, como a Argentina.

    Outra questão levantada  pela pesquisa é a relação entre as estatísticas de pessoas desaparecidas e o tráfico seres humanos. Em todos os municípios onde há tráfico, o número de desaparecidos é grande e são na maioria mulheres adolescentes. Um exemplo apontado é em Caxias do Sul, onde se observou queda no número de desaparecidos depois da descoberta da Conexão Hong Kong (esquema de tráfico de adolescentes desvendado em 1997).

    O estudo foi feito a partir da analise dos inquéritos policiais existentes no Estado sobre o tema, de questionários aplicados em membros de ONGs, e órgãos governamentais, matérias de dois jornais diários de grande circulação (Zero Hora  e Diário Gaúcho) e de outras pesquisas nacionais. Os dados foram coletados entre outubro de 2004 e maio de 2005.