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  • A Copa de quem fica na torcida


    Até galerias de arte, como a Paulo Capelari, estão em ritmo de Copa (Obra de Ariadne Decker/Divulgação)

    Helen Lopes
    Para quem gosta de acompanhar jogos com os amigos, os bares estão repletos de atrações para a Copa do Mundo. A receita da maioria dos estabelecimentos inclui telão, torcida e bebida. Na avenida Goethe, tradicional palco de comemorações, o Assim Assado é um exemplo: um cartaz anuncia telão especialmente montado para Copa. O Beer Street é outro que prepara promoções de cerveja para os dias de jogos do Brasil.
    No circuito Moinhos de Vento – Rio Branco – Bom Fim – Santana – Cidade Baixa existem inúmeras opções. O Bar do Beto, na Sarmento Leite, investiu numa tevê de plasma 42 polegadas. Vai oferecer um chopp a cada cinco consumidos. O Copão, bar mais conhecido da Lima e Silva, também pretende atrair os clientes pela da cerveja, mas ainda está definindo a promoção.
    O Bar Opinião vai abrir uma hora antes dos jogos para reunir a Torcida Mão na Taça, numa parceria com lojas Paquetá e rádio Ipanema. Além do telão, vai oferecer bebida em dose dupla. Para participar é necessário adquirir um kit na Paquetá, que contém camiseta, corneta, bandana e passaporte para assistir aos jogos.
    O Café do Porto, na Padre Chagas, preparou uma decoração especial nas cores da bandeira do Brasil e terá telões em partidas do Brasil. A Confeitaria Maomé, no Bom Fim, também está no ritmo da Copa. Atendentes usam bonés e bandanas com adereços em verde-amarelo e um telão será instalado no fundo da loja para os clientes assistirem aos jogos. O bar Marrocos 860, na Venâncio Aires, abrirá uma hora antes quando o Brasil estiver em campo. O primeiro jogo é no dia 13, às 16h, contra a Croácia.
    Decoração
    Vitrines dos mais variados segmentos ostentam decoração especial. Até os bancos aderiram, caso do Banrisul da Osvaldo Aranha. Na Farmácia Econômica em frente ao Hospital de Pronto Socorro, bandeiras do Brasil estão estendidas desde o início do mês. A Drogamaster exibe cápsulas verdes e amarelas, canecas e bandeirolas do Brasil.
    O Banco Central autorizou os bancos de todo o país a alterar o horário de funcionamento nos dias em que a seleção brasileira jogar. A decisão obriga as instituições a permanecerem abertas por pelo menos quatro horas diárias, mas não precisa ser de forma ininterrupta. O horário deverá ser exposto ao público com antecedência mínima de dois dias úteis.
    A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) realizará operações especiais para disciplinar o trânsito nos bairros durante as comemorações. Uma hora antes dos jogos do Brasil, o número de ônibus em circulação vai aumentar para atender as pessoas que se descolam para casa.
    A Copa do Mundo 2006 mobiliza até galerias de arte. A Ecarta, na João Pessoa, e a Paulo Capelari (Visconde do Rio Branco, 230) estão com exposições sobre o tema. As pinturas, esculturas e instalações tratam de futebol.

  • Festa do Divino comove fiéis


    A capela do Bom Fim ficou pequena para o número de fiéis (Foto: Carla Ruas/JÁ)

    Carla Ruas

    Mais de cem católicos participaram da procissão de entrada das Bandeiras do Divino na tarde deste domingo, 4 de junho. A caminhada religiosa iniciou na Catedral, na Praca da Matriz, centro de Porto Alegre e seguiu até a Igreja do Divino Espírito Santo, localizada na avenida José Bonifácio esquina Osvaldo Aranha. O evento foi seguido de uma missa festiva, que marcou o final da Festa do Divino Espírito Santo.

    Cerca de 20 bandeiras e 10 estandartes estiveram a frente do grupo pelas ruas da cidade, a partir das 16 horas. A professora Marina Pessin, moradora do Bom Fim há mais de duas décadas, participou do evento, como faz todos os anos. Ela comemorou o grande movimento da manifestação, que se estendia por mais de um quarteirão. “Foi de parar o trânsito”, observou, lembrando que a “procissão é muito tradicional em Porto Alegre. Está incluída no roteiro turístico da cidade.

    A igreja no Bom Fim ficou pequena para receber tanta gente. Os fiéis superlotaram o templo para assistir à missa celebrada pelo Arcebispo metropolitano de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings. O religioso disse que o Espírito Santo foi o guia da caminhada e rezou o início do evangelho. “O milagre de pentecostes é que neste terceiro milênio todos pregamos a mesma mensagem, a palavra de Deus, em todas as línguas”.

    Ele ainda comentou o livro e filme O Código da Vinci, que apresenta uma nova versão para a história de Jesus Cristo. “Quem seguir só as notícias está perdido. O segredo dos cristãos é ter muita fé. O Espírito Santo é o nosso guia, é a nossa voz interior que orienta e garante segurança”, ensinou.

    O culto à Terceira Pessoa da Santíssima Trindade ocorre anualmente há 185 anos nos meses de maio e junho. Neste ano, as celebrações iniciaram em 26 de maio, quando a igreja promoveu uma novena. Um dos participantes foi o governador Germano Rigotto, que compareceu para o tema “Dom do Conselho”. O senador Pedro Simon também participou da festa.

    A irmandade do Divino Espírito Santo é a congregação que mantém a Igreja de mesmo nome. Além da Festa do Divino, os integrantes ajudam cinco creches da cidade com alimentos doados pela comunidade e por empresas. Também arrecadam roupas e sapatos para indigentes que são atendidos no HPS.

  • Argentina 100 km na frente


    Cena do filme mostra grupo de amigos entre a infância e a adolescência (Foto: Divulgação/JÁ)

    Naira Hofmeister

    Pablo Meza é uma revelação do cinema argentino. O diretor, roteirista e produtor de Buenos Aires 100 km, seu longa-metragem de estréia, foi premiado em diversos festivais internacionais, entre eles, o de Huelva, na Espanha; de Providence, nos Estados Unidos; e no Festival de Havana, em Cuba.

    O filme enfoca um grupo de amigos entre a infância e a adolescência, numa cidade distante 100km da capital portenha. A separação física não é tão marcada quanto diferenças culturais, provocando no espectador aquela saudade do que nunca se viveu. O cotidiano calmo da cidade permite aos guris se divertirem com brincadeiras impossíveis nos grandes centros urbanos, como atacar ônibus com bexiguinhas cheias d’água ou espionar a vida alheia na calada da noite.

    Ao mesmo tempo em que dividem as travessuras, os moleques escondem segredos condenáveis nessa idade, como o primeiro amor, e buscam apoio para dramas absolutos em qualquer faixa etária, como a carreira, o relacionamento com os pais e até mesmo os problemas da vida numa pequena comunidade, onde esses mesmos segredos permanecem por pouco tempo na penumbra.

    A narrativa tem como personagem central Esteban, que em meio ao dilúvio hormonal típico da fase, também se questiona sobre o futuro que sua família escolheu para ele: a engenharia. Esteban quer, na verdade, escrever romances policias. Ao longo da história, ele constrói seu primeiro conto, que dá título à película.

    Antítese dos blockbusters produzidos para jovens, Buenos Aires 100 km mostra que outras adolescências são possíveis, trabalhando no mercadinho da família, jogando futebol de várzea e andando de bicicleta até altas horas. Meza demonstra que a sensibilidade argentina para narrar dramas cotidianos é realmente apurada, e mesmo num filme que demora a passar, o diretor arranca suspiros e sorrisos sinceros da platéia. Não é mais do mesmo.

    Antes de Buenos Aires 100 km, Pablo Meza foi segundo assistente de direção do longa Herencia (2001), de Paula Hernández, que ganhou mais de 10 prêmios e indicações em festivais internacionais, de Viña del Mar a Moscou. Nascido em Buenos Aires, em 1974, Meza estudou Direção Cinematográfica na Fundación Universidad del Cine e, em 1997, cursou Licenciatura em Cinematografia no mesmo estabelecimento. A partir de 1999, trabalhou com direção de filmes publicitários.

    Em 1995, dirigiu seu primeiro curta-metragem em 16mm, Detrás de la Ventana, seguido por mais dois curtas na mesma bitola: Voces Blancas (1998, 26 min.) e Estudiante de Cine (1999, um minuto, filmado ao final da Licenciatura). Em 1998, começou a trabalhar no roteiro de Buenos Aires 100km.

    Veja a Agenda do Final de Semana

  • Pedestre é atingido na cabeça por azulejos que caíram de prédio


    Bombeiros retiraram as partes que estavam soltas (Fotos: Helen Lopes)

    Helen Lopes

    Por volta das 14h30min desta quarta-feira (31/5), um bloco de azulejos da fachada de um prédio na frente do Hospital de Pronto Socorro se descolou da sacada do quinto andar e atingiu a cabeça do funcionário dos Correios Mário André Martins, de 57 anos.

    O impacto dos pedaços de cerâmica após a queda de 20 metros causou estrago – o homem sofreu um profundo corte na cabeça, caindo no chão. Manchas de sangue ainda marcavam a calçada no início da noite, quando a área ainda estava isolada.


    Martins levado foi levado ao HPS onde recebeu curativos (Foto: Naira Hofmeister/JÁ)

    Após ser levado ao HPS, Martins recebeu curativos e fez uma tomografia que não acusou nada grave. O estado dele é regular. No final da tarde, Martins foi encaminhado para casa. Funcionário dos Correios há quase 30 anos, ele é atendente comercial na agência Bom Fim (Venâncio Aires, 1096). Casado e pai de dois filhos, ele voltava do almoço quando aconteceu o acidente, a poucos metros do serviço.

    Os colegas o descrevem como uma pessoa pacata e cuidadosa. “Nem acreditamos quando avisaram o ocorrido”, disse Claudiomiro da Silva, que trabalha com ele há dois anos. O carteiro Edison Luiz, que tem o local no seu roteiro diário, lamentou a má sorte de Martins: “Ele estava no lugar errado, na hora errada”. Também comentou que vai ficar mais atento ao passar naquele quarteirão.

    A calçada da Venâncio Aires, entre a avenida Osvaldo Aranha e a rua Augusto Pestana, foi parcialmente isolada pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) até que a Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV) faça um laudo da fachada do edifício. “O parecer deve sair em 24 horas” garante o arquiteto da Smov, João Nilo Schuch Júnior.

    Ele diz que a medida visa garantir a segurança dos pedestres, pois pode haver risco de outras lajotas se desprenderem. Mesmo após o procedimento dos Bombeiros, que retiraram os pedaços soltos.

    Encaminhada pela Brigada Militar à 10º Delegacia de Polícia para preencher uma ocorrência, a síndica do prédio, cuja entrada é na Augusto Pestana, não quis falar com a imprensa. Muito nervosa, ela repetia que não adiantava dar declarações.

    Vizinhos e comerciantes da redondeza comentam que a última reforma na fachada do edifício foi feita há quase 10 anos.

    Tarde perdida

    O açougue e a tabacaria localizados na área isolada deixaram de atender muita gente porque os clientes não tinham como chegar até os estabelecimentos. Mesmo assim, não fecharam as portas. Há 22 anos atendendo no açougue, Flávio Couto não lembra de algo parecido. “Nunca vi um acidente desses aqui”.

    Para Daniel Marisco, um dos primeiros a ver o funcionário dos Correios caído no chão, o bloco de cerâmica poderia ter atingido mais pessoas. “Essa rua é muito movimentada. Graças a Deus só uma pessoa ficou ferida”.

  • HPS em campanha no Dia Mundial Sem Tabaco

    Naira Hofmeister

    O discurso dos malefícios à saúde que o cigarro causa já foi abandonado pela psicóloga Anete Ingride Kopp, da Comissão de Segurança e Saúde Ocupacional do Hospital de Pronto Socorro. “As pessoas não gostam de perder nada, então, optamos por destacar tudo o que o individuo vai ganhar ao deixar o cigarro”. Anete explica que a argumentação do câncer e outras doenças provenientes do fumo, além de cansarem os ouvidos do sujeito, já deixaram de surtir efeito, pois atualmente há consenso quanto ao assunto. “Todo mundo já está cansado de saber que o cigarro faz mal”.

    A psicóloga realiza trabalho preventivo e de apoio aos tabajistas desde o ano 2000, quando o HPS entrou na campanha contra o fumo no rastro da legislação que proibiu o cigarro em ambientes fechados e espaços públicos. De lá para cá viu o sucesso das campanhas refletirem na qualidade de vida dos funcionários do hospital. Da cada 100 pessoas que integram um dos grupos, 25 deixam o vicio e uma boa parte consegue diminuir as quantidades de consumo: “É importante que, mesmo aqueles que não abandonam o cigarro, pensem sobre isso”.

    Anete explica que os benefícios para a saúde e bem estar já são sentidos pouco tempo após o último cigarro. Cerca de 20 minutos depois, a pressão sanguínea e  pulsação voltam ao normal. Passadas duas horas, toda a nicotina já foi eliminada pelo corpo e apenas dois dias depois, o olfato e paladar da pessoa já estão mais sensíveis. Quem fica 5 aos sem fumar já tem os riscos de sofrer infarto reduzido e comparável ao de um não fumante. Também não importa quanto tempo a pessoa passou fumando, os efeitos são os mesmos e acontecem da mesma forma em uma senhora de 75 anos que fuma desde os 15 ou num adolescente.

    Outra estratégia de abandono do cigarro é pensar no que fazer com o dinheiro economizado, por exemplo. Um fumante que consome dois maços por dia, vai gastar, ao final de uma mês, cerca de R$ 150,00, o que daria para comprar um tênis importado. E meio ano é possível fazer uma viajem à Porto Seguro, na Bahia, no valor de R$ 1.500,00.  A grande maioria é incentivada a interromper o consumo por vontade própria, mas os viciados mais irredutíveis podem receber medicação para auxiliar. Entretanto, Anete adverte que a goma ou o adesivo não são milagrosos e que “antes de mais nada é necessário determinação” para vencer o vício.

    Isso porque a reposição de nicotina atinge apenas um dos elementos que compõem o vício: a dependência química. Só essa pode ser vencida com medicamentos, e as outras duas podem se tornar mais complicadas do que a primeira. A dependência psicológica é o que faz o cidadão acreditar que o cigarro alivia seus problemas, e por isso, não se anima a tratar o vício. “É uma maneira de mascarar nossas próprias contradições e fugir das soluções mais difíceis”, pondera. Os hábitos associados também são obstáculos a serem vencidos por quem deseja parar de fumar: evitar o cafezinho, a cerveja e outros comportamentos que incitem o consumo da droga e uma alternativa para as semanas inciais do tratamento.

    “Os primeiros vinte dias são os mais complicados, depois disso, o desejo diminui em intensidade e acontece em intervalos cada vez maiores”, inventiva a psicóloga. Para driblara  ansiedade, a terapeuta recomenda exercícios físicos, que liberam endorfina, substância que provoca sensação semelhante ao prazer de fumar um cigarro. Também é importante beber muita água e comer alimentos não calóricos, como frutas e verduras, e também manter o controle da respiração, fazendo exercícios de inspiração e expiração profunda e prolongada.

    Para quem se interessa pelo assunto, Anete explica que há um serviço da prefeitura municipal que orienta os tabagistas através do telefone 156 e encaminha para o grupo de apoio mais próximo. O Ministério da Saúde tambem disponibiliza o Disque Pare de Fumar 0800 703 7033. No Brasil, oito pessoas morrem por hora por causa do tabaco, o que equivale a queda de 4 boings 737-700 sem sobreviventes a cada 3 dias ou 40 aviões ao final de um mês.

  • Produtores preocupados com exigências para plantio florestal no Estado

    Patrícia Benvenuti
    A Caixa/RS reuniu em sua sede pequenos produtores rurais interessados em parcerias com empresas de celulose. O encontro, na quinta-feira 25 de maio, serviu para a apresentação de normas para o plantio florestal no Rio Grande do Sul neste ano.
    As diretrizes foram estabelecidas a partir de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e Ministério Público (MP).
    Essas regras devem ser seguidas pelos técnicos até o final do ano, quando estará pronto o zoneamento ambiental do Estado. Projetos consolidados antes da assinatura do TAC não precisarão de licença ambiental prévia, mas de uma licença única na forma de autorização.
    Os pedidos protocolados na Fepam devem apresentar o empreendimento, empreendedor e um Relatório Ambiental Simplificado (RAS). Entre as exigências da Fundação está a identificação e a recuperação de todas as áreas de preservação permanente.
    O órgão ambiental também exige a recomposição de 20% da reserva legal em até 10 anos, a utilização mínima da capina química e a destinação final adequada dos resíduos, especialmente de embalagens de agrotóxicos.
    A Fepam ainda proíbe intervenções nas áreas de preservação permanente e solicita comprovação de treinamento ou manutenção de brigada de incêndio florestal e a capacitação ambiental para os trabalhadores, direta ou indiretamente ligados à produção.
    As diretrizes foram consideradas rigorosas pelos produtores. O ponto mais polêmico é o que trata de prazos para protocolo e emissão da autorização, pois, dependendo do atraso no trâmite burocrático, todo plantio pode ser prejudicado.
    A proibição da capina em estradas e aceiros, segundo eles, causará erosão, e dificilmente será respeitada, bem como a obrigatoriedade de uma brigada de incêndio em pequenas propriedades.
    As medidas determinadas para o plantio buscam minimizar ao máximo os impactos ambientais dos plantios. O consultor florestal da Caixa/RS, o agrônomo Floriano Isolan, diz que muitas das críticas feitas à silvicultura são infundadas. “Estamos plantando para o bem do Rio Grande do Sul. As pessoas que estão combatendo as florestas não sabem disso, mas 100% dos produtos originários da madeira no Estado são de florestas plantadas”, afirma.

  • Como implantar a TV Digital para todos

    Sérgio Lagranha

    O que é a tevê digital para a sociedade brasileira? O que a sociedade quer? Qual o papel das emissoras? Como será feita a interiorização, a inclusão social? Com essas perguntas o engenheiro Mário Baumgarten, representante da  Coalizão DVB Brasil, grupo que reúne principalmente fornecedores europeus de equipamentos de televisão e telecomunicações e que atua em defesa da adoção do padrão DVB nas transmissões de TV aberta digital no Brasil,  começou o debate promovido pela Sociedade de Engenharia do RS “TV Digital – Definição do padrão a ser utilizado no Brasil: Desafios e oportunidades”, que aconteceu nesta quinta-feira (25/5) em Porto Alegre.

    Para ele, o debate sobre tevê digital é confuso, pois a discussão política deveria anteceder a técnica e envolver toda a sociedade.  “O consumidor foi deixado de lado e vai pagar a conta. Gastou-se mais de R$ 50 milhões com estudos nas universidades brasileiras e até agora não se tem um comparativo de custos. Existe a defesa de um modelo sem saber o custo. No mundo o padrão de inclusão social é o europeu. A proposta é que a televisão seja um computador de baixo custo”.

    Baumgarten salienta que outro tema esquecido é o operador de rede. Sem um operador, as emissoras de tevê continuam transmitindo de suas próprias antenas e cada uma permanece dona de seu canal de seis MHz, um verdadeiro latifúndio.

    O representante da Coalizão DVB entende que só respondendo estas perguntas fundamentais poderemos discutir se o modelo será brasileiro, japonês ou europeu.  “Hoje a discussão não é transparente. Em um ano eleitoral a pressão das emissoras é grande. Existe uma ala do governo defendendo o modelo japonês, o menos utilizado no mundo”. Baumgarten refere-se ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, ex-funcionário da Rede Globo, que defende publicamente o modelo japonês.

    Ele reconhece que a discussão não é neutra, pois cada lado defende interesses determinados. Supõe que o governo federal acabará decidindo por decreto. “Depois vamos descobrir que o modelo japonês não serve e precisaremos de muita verba para adequá-lo. Como não tem verba, ficará tudo como está. É fácil entender”.

    O padrão europeu (DVB), conforme Baumgarten, já tem 50 adesões no mundo e 15 países estão estudando a possibilidade de adotá-lo. “O modelo japonês só existe no Japão, pois teve uma rejeição de 100% no resto do mundo. Não é por problemas tecnológicos. É que o governo e a indústria definiram um padrão doméstico. É uma forma do governo japonês proteger suas indústrias. Os preços ficam nas alturas, mas o povo tem renda para pagar. Esta é a razão da rejeição dos outros países. Afinal, ninguém quer pagar pela reserva de mercado dos japoneses”, explica. Outra dúvida de Baumgarten: para quem vamos exportar o modelo japonês?
    Tropicalização do sistema


    Ministra Dilma Rousseff está estimulando novamente as pesquisas das universidades brasileiras (Foto: Arquivo/JÁ)

    O segundo palestrante foi o professor Fernando Comparsi de Castro, coordenador das pesquisas do Laboratório Multidisciplinar para Tecnologias da Informação e Telecomunicações (LMTIT) do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (IPCT) da PUCRS sobre TV Digital. Ele defende que a tevê digital brasileira deverá ser “tropicalizada”, utilizando tecnologia desenvolvida por centros de pesquisa nacionais para adaptar o padrão de transmissão a ser escolhido entre ISDB (japonês) e o DVB (europeu).

    Depois que o ministro Hélio Costa deixou de lado as pesquisas brasileiras para aderir ao modelo japonês, o governo Lula passou a coordenação do debate a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Castro diz que ela tem estimulado os trabalhos da “academia”, que desde 1999 desenvolve sistemas próprios para a tevê digital, abrangendo l.500 pesquisadores de 80 instituições, agrupados em 22 consórcios.

    A PUCRS foi responsável por duas linhas de pesquisa, desenvolvimento e inovação no contexto do Sistema Brasileiro da Televisão Digital (SBTVD): uma é o projeto Saint (Sistema de Antenas Inteligentes) e a outra é o projeto Sorcer (Sistema OFDM com Redução de Complexidade por Equalização Robusta). O Saint foi concebido de forma a prover robustez adicional ao receptor de televisão digital, que consiste em efetuar ajustes eletronicamente na antena receptora da mesma maneira que um usuário faria manualmente objetivando a melhor qualidade de imagem. Isto permite redução de custo no receptor, e, portanto, ao usuário final.

    O Sorcer é um sistema de transmissão e recepção (modulação) inovador, genuinamente nacional, concebido de forma a permitir recepção de televisão digital em alta definição fixa e móvel, a mais de 120 Km/h. Diferentemente dos demais sistemas OFDM (sigla em inglês de Multiplicação Ortogonal por Divisão de Freqüência, tecnologia de transporte de dados por ondas de rádio) para transmissão de televisão que utilizam um grande número de portadoras (normalmente mais de 8.000), o Sorcer utiliza apenas 2048 portadoras, permitindo uma considerável redução de custo no receptor, e, portanto, ao usuário final. Tanto o Sorcer quanto o Saint são tecnologias wireless (sem-fio).

    Emissoras fechadas com o japonês

    O terceiro plaestrante foi o engenheiro Fernando Ferreira, diretor técnico da RBS TV, representante da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão e Telecomunicações (SET) e da Associação Gaúcha de Empresas de Rádio e Televisão (Agert). Ele defende os interesses das emissoras de televisão. Sua explanação foi técnica. Definições de padrões, direcionamento tecnológico, defendendo as vantagens da alta definição.

    Ferreira diz que a Agert reconhece a necessidade de regulamentação da passagem da tevê aberta para digital. No entanto, disse que nunca viu tanta discussão para passar de um modelo analógico para um digital. No final, explicou a razão das emissoras defenderem o padrão japonês e não o europeu. “O DVB (europeu) não oferece opção de HDTV (alta definição) móvel e portátil em um único canal de 6 MHz.”

    Os defensores do padrão japonês deixam de esclarecer que ponto central é não alterar o modelo de negócios. A possibilidade das emissoras de tevê transmitir para celulares diretamente sem que seu sinal passe por operadoras de telefonia móvel. Além disso, o modelo europeu – embora também permita transmissão simultânea em alta definição e para celulares – favorece outros produtores de conteúdo, que poderiam usar parte dos canais de UHF e VHF.

    Em resumo, o que as emissoras querem é evitar um operador de rede e que os novos espaços no canal de 6 MHz sejam utilizados por outros produtores de conteúdo. Enfim, manter tudo como está, concentração das verbas publicitárias, com muito mais espaço. As emissoras de televisão – principalmente rede Globo e suas afiliadas como a RBS – querem manter os mesmos privilégios que conquistaram a partir dos governos militares pós-64.

    A tevê digital envolve um mercado que nos próximos 10 anos vai movimentar em toda a cadeia R$ 150 milhões, acredita o professor Fernando Comparsi de Castro.

  • Intervenção artística provoca o público da Redenção

    Mostra intrigou quem passeava na Redenção (Fotos: Naira Hofmeister)

    Naira Hofmeister
    Num belo dia de sol, os cachorros correm alegremente atrás de suas bolinhas, as crianças rolam na grama, os casais namoram nos bancos da praça e os pais tomam o chimarrão. Nada mais típico dos porto-alegrenses num domingo de maio. Foi nesse tradicional espaço familiar que a artista plástica Miriam Tolpolar resolveu intervir com litografias que fazem parte da sua exposição Meus Mortos, Meus Vivos.
    Sobre os vinte e seis tocos de madeira do canteiro central do Parque Farroupilha, Miriam instalou tecidos brancos nos quais estão impressas fotografias de parentes. A temática da memória é recorrente na obra da artista e estava inclusa em sua pesquisa de mestrado no Instituo de Artes da UFRGS. A grande idéia do trabalho, contudo, era democratizar a arte, levando a instalação para o espaço público. “Não queria nada que lembrasse uma galeria ou que tivesse vínculo com espaços institucionais”.
    Por isso a opção por não identificar as obras, nem sequer referir o nome da artista. Quem passou pelo local entre sexta-feira, 26, e domingo, 28, simplesmente se deparava com um monte de toquinhos cobertos pelo tecido impresso. “Teve gente ontem que disse que era macumba para os cachorros”, riu Erli Neuhauss, que sentou-se confortavelmente entre as obras de Miriam, ao lado do marido, Sérgio Damico, que também se perguntava sobre a origem daquela intrigante exposição.
    Assim como Sérgio e Erli, muitos outros freqüentadores do parque queriam saber o que aquilo significava. “De repente o propósito é justamente despertar a pergunta, fazer as pessoas conversarem, como estamos fazendo agora”, supôs alguém que passava. Outros acreditavam que era uma homenagem aos mortos da ditadura, alguns apenas identificavam como uma bela obra, outros, não pareceram gostar muito.
    O propósito da artista, no entanto, se cumpriu. Provocar a aceitação com naturalidade da intervenção artística no espaço não convencional é uma das intenções de Miriam Tolpolar, que parece ter saído feliz nesse domingo da Redenção. “As pessoas não estranham quando tem um grupo de teatro ou um músico se apresentando na rua”.

  • Laboratório ensina a investir em ações

    Idéia é recriar ambiente de uma bolsa de valores (Foto: Divulgação)

    Helen Lopes

    Com o objetivo de proporcionar conhecimento prático na área financeira, a PUCRS lançou nesta quinta-feira (25/5) o Laboratório de Marcado de Capitais (LabMec). No espaço, montado em parceria com a empresa XP Investimentos, os acadêmicos da Faculdade de Economia poderão simular aplicações na bolsa de valores, através de um software e terão acesso diário às decisões econômicas via internet e televisão.

    “Os alunos vão entrar no clima da bolsa de valores, podendo aprender na prática qual a melhor maneira de investir em ações”, destaca o coordenador da Economia, Leandro de Lemos. Para o presidente do Conselho Regional de Economia, Lauro Nestor Renck, a iniciativa é uma nova forma de ensinar e de viver a economia. “Espero que esse exemplo pioneiro seja seguido por outras instituições”, afirma.

    Além das aulas curriculares, o LabMec, localizado no sétimo andar do prédio 50 da PUCRS (avenida Ipiranga, 6681), vai sediar cursos, palestras, painéis e debates abertos à comunidade. “Vamos trazer profissionais da área financeira das empresas para conversar com os potenciais investidores”, projeta Marcelo Maisonnave, ex-aluno da PUCRS e sócio-diretor da XP Investimentos. A empresa, escolhida por ter apresentado a melhor proposta, investiu cerca de R$ 200 mil na reforma da sala e na aquisição dos computadores.

    A unidade, que funcionará em três turnos, contará ainda com uma equipe de profissionais da XP e professores da Economia, capacitados para realizar análises em tempo real sobre as oscilações do mercado de capitais. A inauguração oficial ocorre em 2 de agosto, mês em que deve acontecer o primeiro painel com representantes das empresas Renner e Grendene.

  • Especialistas criticam lei que regulamenta antenas de celular em Porto Alegre

    Sabattini (em pé) e Siqueira garantiram que antenas não fazem mal à saúde (Fotos: Claudio Bergman/Divulgação)

    Guilherme Kolling

    A discussão sobre antenas de celular está de volta a Porto Alegre. O assunto esteve na pauta da cidade até 2002, quando foi aprovada a lei municipal, e em abril de 2005, quando expirou o prazo para que as operadoras se adequassem à legislação. Como algumas empresas não aceitaram a determinação do Município, a Prefeitura teve que autuá-las e recorrer à Justiça – 85 ERBs ainda estão irregulares.

    A disputa entre poder público e operadoras corria sem grande alarde até que a Justiça determinou o desligamento de sete Estações de Rádio-Base, que estavam irregulares. O fato trouxe mais uma vez o assunto à opinião pública. A Associação Nacional das Operadoras de Celular (ACEL) publicou anúncio na imprensa alertando para possíveis prejuízos ao funcionamento dos aparelhos. A Secretaria do Meio Ambiente (Smam), que fiscaliza as ERBs, reagiu, justificando que estava apenas cumprindo a lei. O assunto também chegou à Câmara de Vereadores, que, em audiência, ouviu queixas de moradores que suspeitam de males à saúde causados por antenas de celular irregulares.

    Nesta terça-feira 23 de maio, houve mais um evento. A ACEL reuniu jornalistas para o encontro “Antenas: mitos e verdades”. A instituição trouxe a Porto Alegre os professores Gláucio Lima Siqueira (PUCRJ) e Renato Sabattini (Unicamp), que palestraram no Hotel Sheraton. Os dois classificaram de mito urbano a tese de que a irradiação eletromagnética emitida pelas ERBs causa danos à saúde da população. Ambos também criticaram a lei de Porto Alegre que estabelece distância mínima de 500 metros entre duas antenas e de 50 metros entre ERBs e escolas, hospitais.

    Palestra reuniu jornalistas no Hotel Sheraton

    Doutor em Telecomunicações, o professor do Departamento de Engenharia Elétrica da PUCRJ, Gláucio Lima Siqueira afirmou que as antenas têm que transmitir com pouca energia para poder funcionar e que se a irradiação das ondas eletromagnéticas emitida pelas ERBs fizesse mesmo mal à saúde, “estaríamos todos mortos“. O especialista falou ainda de interpretações maldosas para provocar pânico e alarme na população. E classificou a lei de Porto Alegre de ilógica. “Tenho que combater esse tipo de ignorância, que está prejudicando a população”, disse o cientista.

    O diretor do Núcleo de Informática Biomédica da Unicamp, professor Renato Sabattini, que tem pós-doutorado em Neurofisiologia de Comportamento, concordou que a lei municipal “é baseada na ignorância”. Ele argumenta que “98% dos trabalhos mostra que não existe efeito na saúde”, lembrando que não há um caso de morte relacionado à antena de celular. O médico atribuiu o temor da população ao desconhecimento, observando que o celular não gera tanta preocupação, apesar de emitir uma irradiação maior, pela proximidade com o corpo. “Ainda assim, é mínima, está muito abaixo do que é exigido pelas normas internacionais”.

    Sabattini afirmou também que nenhum dos 1.700 estudos da Organização Mundial de Saúde evidenciou que o celular ou antenas causam doenças. Mas observou que, por precaução, a OMS sugere que o nível de exposição de idosos, crianças seja menor, recomendando ainda o uso de equipamentos de viva-voz e fones de ouvido.