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  • Mais uma proposta para salvar a Varig

    Carla Ruas

    Os funcionários da Varig apresentaram nesta quinta-feira (22/12) na Assembléia Legislativa o Plano de Recuperação Judicial da companhia, aprovado pelos credores em assembléia, no dia 19 deste mês. A idéia é salvar a empresa, a partir de uma reestruturação das áreas de operação, financeira e de gestão. “A nova estratégia venceu com 86% dos votos dos credores”, conta Paulo Rabelo de Castro, consultor econômico da Associação dos Trabalhadores do Grupo Varig, formada para a recuperação da empresa.

    A proposta é reorganizar a dívida de R$ 8 bilhões da companhia, com o pagamento realizado em parcelas e somente depois de três anos de carência. Desta maneira, a empresa fica com um perfil financeiro e operacional atrativo para novos investidores.

    O novo quadro societário terá controle sobre a Varig através da implantação do Fundo de Investimento e Participação – Controle (FIP). Este fundo terá o aporte de todas as ações devedoras, tendo como administrador um banco comercial de primeira linha. “Em 60 dias a empresa inicia o processo de leilão entre os interessados”, afirma Marcio Marsillac, vice-presidente da Associação de Pilotos da Varig, APIVAR.

    Marsillac conta que o atual presidente da companhia, Marcelo Bottini, permanece na direção durante o processo de transformação da Varig. “Ele será o gestor interino, durante a constituição dos FIP e condução do processo gerencial da empresa até a designação de um administrador pelo processo do FIP – controle”.

    A recuperação projetada de Margem Operacional é de 3,7% em 2006 e 8,6% em 2010. Neste ano, a empresa fechou no vermelho, com –4,6%. “Isto ocorreu por uma má gestão de Omar Carneiro da Cunha, que estava na presidência da Varig”, acredita Marsillac. Cunha foi demitido em novembro, quando foi anunciado o prejuízo deste ano, que contabiliza R$ 778,130 milhões. Posteriormente, a Fundação Rubem Berta foi afastada da gestão administrativa da Varig pela Justiça.

    Para Marsillac, apesar de quatro anos em crise, os funcionários estão em clima de esperança: “Demos o primeiro passo em direção à recuperação, com um plano aprovado pela grande maioria dos credores, agora temos que tirar as idéias do papel e colocar em prática”.

    Assistiram à apresentação do deputado estadual Vieira da Cunha (PDT), coordenador da Comissão de Representação Externa da Varig e a deputada federal Yeda Crusius (PSDB), coordenadora do grupo parlamentar misto em defesa da Varig.

    Para Vieira da Cunha, ocorreram avanços importantes nos últimos dias para o fortalecimento da companhia. “A assembléia de credores foi um passo essencial, e logo ocorrerá um encontro de contas entre a empresa e o governo federal.”

    Tramita na Justiça um recurso para o pagamento de quase R$ 4 bilhões da União à Varig, provenientes de perdas decorrentes de planos econômicos. Caso esta dívida seja reconhecida pelo governo, ela mudaria o perfil do endividamento da empresa aérea. “A bancada do estado do Rio Grande do Sul e a bancada federal sairá em busca do apoio político das autoridades federais para que isto ocorra o quanto antes”, afirma o deputado. Durante a assembléia ficou definido que as comissões políticas irão marcar uma reunião com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para tratar do assunto.

    “Ou este plano dá certo ou a companhia vai fechar, seja pela justiça brasileira ou americana”, afirma Marsillac. Empresas de leasing norte-americanas solicitaram para a Corte de Nova Iorque a falência da companhia brasileira nos Estados Unidos. O motivo é o atraso no aluguel de aeronaves. A Varig conseguiu adiar a decisão, mas para a próxima reunião com a corte, no dia 12, a casa tem que estar “em ordem”.

    Também estavam presentes nesta reunião os deputados Jair Soares (PP), Estilac Xavier (PT) e Manoel Maria (PTB), assim como o secretário do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais do RS, Luís Roberto de Andrade Ponte, e o vice-presidente do Banrisul, Urbano Schmitt. A deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS) também participou da reunião.

  • Camelôs terão que sair das ruas da Capital


    No plenário da Câmara, camelôs regulares reclamaram que não foram ouvidos (Foto: Elson Sempé/CMPA/JÁ)

    Helen Lopes

    A votação do Centro Popular de Compras (CPCs) causou tumulto na manhã desta quarta-feira (21/12) na Câmara de Vereadores.  Após a aprovação do projeto do Governo Municipal que instituiu o chamado camelódromo, por 33 votos a zero, os vereadores, inflamados, debateram as 27 emendas do projeto. Os ambulantes pressionaram os politicos até o último momento. Vaias e palmas oscilaram a cada discurso.  A mureta de separação entre o plenário e as galerias ficou tomada.

    Os CPCs serão espaços privados destinados a camelôs, que passam a ser denominados comerciantes populares. Além do já definido na Praça Ruy Barbosa, outros poderão ser construidos. Os ambulantes que exercem suas atividades no centro da cidade deverão ser cadastrados pela Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) para ocupar espaços no CPC. A principal reivindicação dos camelôs, que era a permanência nas ruas até a conclusão da construção do camelódromo no terminal Ruy Barbosa, foi atendida. Depois da implantação dos centros populares a prática de comércio ambulante, em vias e logradouros públicos, acarretará a apreensão de equipamentos e objetos que constituírem a infração, combinada com multa de 600 Unidades Financeiras Municipais (UFMs), que dobrará a cada reincidência.

    Ficou acertado também, através da emenda do vereador Raul Carrion (PcdoB), a preferência na destinação dos espaços aos ambulantes atualmente cadastrados na Smic. O comércio informal, conforme o texto, passará a ser exercido exclusivamente no referido Centro Popular. O projeto estabelece que o uso de espaços pelos comerciantes no CPC será válido por um ano, sendo renovável por igual e sucessivos períodos.

    A emenda do vereador Adeli Sell (PT), que proíbe os camelôs instalados nos CPCs de comercializar produtos piratas ou oriundos de roubo, foi aprovada. A mesma emenda ainda proíbe os ambulantes de vender, transferir, ceder, emprestar ou alugar os estandes para terceiros. Quem descumprir as determinações perderá o alvará.

    Os ambulantes deficientes visuais terão preferência de localização e de acesso compatível com sua condição física, segundo a emenda da vereadora Clênia Maranhão (PPS).

    Secretário Cecchin (e) discute o projeto com os vereadores (Foto: João Fiorin/PMPA/JÁ)

    Oposição se diz traída

    Em acordo preliminar à votação, os partidos de oposição acataram a aprovação do projeto – ao qual inicialmente eram contra – com a garantia de que houvesse acordo também em relação às emendas. Porém, não foi o que aconteceu no plenário.

    Uma das mais importantes, que garantia a participação dos ambulantes em todo o processo de viabilização da construção,  incluindo o edital, as licitações e a obra, foi derrubada pela situação, o que provocou a ira dos oposicionistas. Os vereadores Carlos Comassetto (PT) e Paulo Odone (PPS) travaram um caloroso embate, chegando a ensaiar empurrões. Os ambulantes terão acesso às reuniões para definir aumento de aluguel.

    A mesma reação foi vista após as bancadas situacionistas votarem contra a descentralização dos shoppings populares. A idéia inicial era manter centros populares também nos bairros, mas Odone classificou a proposta de inócua, e a bancada inteira do PPS, e de todos os outros partidos aliados do governo, votaram contra. Novo embate entre os dois lados, mais tensão.

    Comassetto acusou novamente a situação, dizendo que se sentia traído mediante a atitude dos vereadores. O bate boca durou até o termino da votação das emendas.

    “Tiraram o nosso prato de comida e deixaram uma colher”, diz ambulante

    Essa frase simboliza o sentimento dos camelôs presentes na sessão extraordinária da Câmara, nesta quarta-feira. Eles estavam indignados porque julgam que a medida da Prefeitura irá descaracterizar a atividade. “Era o que eles queriam. Não foi discutido, mas mesmo assim, eles proclamam que a gestão é a do debate”, reclama Alfonso Limberger,  que trabalha há 22 anos no centro da Capital.

    Limberger é representante da Associação Gaúcha Autônoma de Vendedores Profissionais Transitórios – AGAVIPT, que desde o começo do processo foi contra os CPCs, mas garante que todos os regularizados acatarão a decisão do Legislativo. Ele não acredita que a medida irá funcionar, pois, segundo ele, os “caixinhas” – vendedores não regularizados – não sairão das ruas.

    O presidente da Associação da Feira da Rua da Praia, Juliano Fripp, que expõe seus produtos há 15 anos na Andradas, diz que a proposta dos CPCs surgiu no “seio” da Associação. “Somos favoráveis ao projeto, mas as garantias de participação não foram dadas”.

    Com os olhos marejados, a senhora Helena Fiorentino, ambulante há 36 anos, diz que não sabe o que vai fazer. “Tenho aluguel da casa para pagar, as contas e mais esse aluguel, agora, sou uma camelô falida”, reclamava.

    CPC, na Praça Ruy Barbosa, vai abrigar entre 800 e 900 camelôs

    Fiscalização vai continuar

    O secretário Municipal de Indústria e Comércio, Idenir Cecchim, comemorou a aprovação e adiantou que a Secretaria já iniciará a preparação do edital. Salientou que o processo será através de concessão de uso. Ele não descartou, porém,  a possibilidade de utilizar as  Parcerias Público-Privadas, pois a Prefeitura não tem dinheiro para investir. Serão aceitos investimentos privados e públicos.

    A emenda que proibia que o mesmo investidor participasse da construção de mais de um CPC não foi aprovada. Os ambulantes temem o monopólio dos camelódromos. O secretário assegurou que a fiscalização será mantida mesmo após a retirada os ambulantes das ruas. De acordo com ele, com a saída dos cadastrados facilitará o controle dos “caixinhas”.

  • Inaugurada Feira de Natal do Brique


    A feira atraiu o público no final da tarde
    (Fotos: Carla Ruas/Jornal Já)

    Carla Ruas

    Os expositores do Brique da Redenção, em conjunto com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, conseguiram recuperar o Monumento do Expedicionário em tempo para as comemorações natalinas. A abertura oficial da  Feira de Natal e das celebrações de final de ano foi realizada na noite desta segunda-feira (19), na José Bonifácio, ao lado do Parque Farroupilha.

    Com o monumento já limpo e iluminado, a celebração no Brique teve a sua abertura em clima de festa. O público já pode conferir a Feira de Natal até o dia 23, sempre das 17h até às 22h. Estão expostos artesanatos, roupas, obras de arte e bijuterias, além de produtos especiais de Natal, como panetones e bonecos de Papai Noel.

    Iedda Louri Bordin, dona da banca Trapus e Fiapus, trabalha com o gorro do Papai Noel e está animada: “A expectativa para a Feira de Natal é muito boa, porque desde a metade do ano os clientes perguntam se a gente iria abrir nesta data”. Os seus produtos são de decoração em pachwork e são uma boa opção como presente.

    Até o dia 23, ainda ocorrerão apresentações de Natal, todas as noites, às 20h, em um palco montado em frente ao monumento. Para abrir a programação, o Coral da Ulbra cantou canções natalinas.

    Com esta iniciativa, os artesãos buscam promover o espaço, atraindo as famílias para visitar. “Queremos que o Brique volte a ser uma referência para a cultura e o lazer”, explica Márcia Bodoy, uma das organizadoras.

    Para realizar a inauguração oficial do evento, Flora de Oliveira compareceu representando a primeira-dama do município. Ela enfatizou a parceria da prefeitura com o Brique da Redenção na Campanha do Brinquedo, realizada pelo Gabinete da Primeira Dama. “Quero fazer um apelo para que as pessoas façam doações de brinquedos quando visitarem a Feira de Natal do Brique”.

    Flora conta que neste  final de ano a arrecadação tem sido muito baixa. “Estes brinquedos vão para entidades da capital e do interior, por isso a demanda é grande”. Os postos de arrecadação estão na Redenção, rede Zaffari Bourbon, Banrisul, Banco do Brasil e Tudo Fácil.

    Veja a programação cultural da Feira de Natal

    (sempre às 20h)

    20/12 – Grupo Coro e Vozes de Montenegro

    21/12 – Coral da Universidade La Salle e Coral Doces Encantos da Florestal Nelgebauer

    22/12 – Pianista Clássica Dionara Schneider

    23/12 – Grupo de Dança Cuba Brasil e às 23h30, Banda Back on The Road (anos 60-80)

    Vandalismo


    Já recuperado, o monumento está decorado para o Natal

    Desde a manhã desta segunda-feira (19), artesãos se reuniram para consertar o estrago feito por vândalos durante a madrugada de sábado para domingo. Até às 17h, o trabalho estava completo. “A SMAM retirou a pixação que havia sido realizada e os expositores recolocaram as lâmpadas”, explica Clóvis Breda, administrador do Parque Farroupilha.

    Para ele, esta iniciativa de vandalismo surpreendeu, apesar deste tipo de conduta ser comum nos arredores do parque. “Achávamos que eles iriam respeitar pelo menos a decoração de natal”, afirma.

    Breda conta que estes atos ocorrem porque falta segurança durante a noite na Redenção. “De dia temos cinco guardas-parques fazendo o policiamento, mas à noite são apenas dois, que ficam restritos ao mini-zoo”. Ele ainda afirma que a Brigada Militar, que deveria trabalhar 24 horas no parque, diminuiu muito a sua atuação ao longo deste ano. “Não existe mais uma patrulha constante, porque falta equipamento no 9° BPM, que é responsável pela região”.

    Para que não ocorram mais estes atos de vandalismo, a SMAM garante que está trabalhando em conjunto com a Brigada Militar para identificar os responsáveis e prendê-los em flagrante. Para isso, eles contam com denúncias e com o trabalho da Inteligência da Brigada. “Não sabemos quem foi e não podemos acusar ninguém sem provas”, completa.

    Leia mais sobre o ato de vandalismo

  • Rebeldes sem causa


    Expositores vão somar esforços para terminar em tempo o conserto
    (Fotos: Naira Hofmeister/Jornal Já)

    Naira Hofmeister

    Na sexta-feira, 16, após três dias de trabalho contínuo, a decoração de Natal da Feirinha do Brique ficou pronta. Iniciativa dos próprios artesãos, a iluminação do Monumento do Expedicionário e a instalação de energia elétrica ao longo do canteiro central da José Bonifácio, foi realizada pelas talentosas mãos dos expositores. Com um custo total de mais de 12 mil reais, a maior parte – cerca de 10 mil – veio do bolso deles. O Banrisul ajudou com R$ 1.800, patrocínio para a compra do material para enfeitar os simbólicos arcos da Redenção.

    O dinheiro e o trabalho: tudo perdido. Na manhã de sábado, os artesãos se depararam com o monumento pichado e toda a rede de luzes destruída. A suspeita recaiu sobre os vândalos que vêm travando um guerra particular com restauradores locais: “Isso não é coisa de moleque de rua, pois estes, não gastam o pouco dinheiro que conseguem em spray”, analisa João Batista. Ele e seu colega Paulo, amanheceram a segunda-feira, montados novamente na enorme escada, na tentativa de remendar as mangueiras de luzes. “Dinheiro para uma nova, não temos. Aqui tem mil e quatrocentos reais”, disse Paulo, desolado diante da parte inutilizada do material.

    Exposição ao ridículo. Esse deveria ser o castigo para quem pratica os atos contra o patrimônio público, na opinião dos dois. Policiamento, eles pedem, “mas não tem como garantir”, explicam. A solução encontrada foi montar guarda por conta própria. O grupo – que já ficaria na rua durante a noite, guardando as barracas – vai esticar a vigilância até o outro lado da rua.

    Protesto? “Eu sempre achei que se alguém quiser ter uma história para contar aos filhos e aos netos, deve ser rebelde de alguma forma. Mas assim, sem motivação intelectual, eu não consigo entender”, se questiona Batista.

    No período da tarde, outro grupo de expositores vai somar esforços para terminar em tempo o conserto. Eles esperam que até às 17h, na abertura oficial da Feira de Natal do Brique da Redenção, tudo esteja como antes, ou, no mínimo, o mais próximo possível. A feirinha fica aberta todos os dias, até sexta-feira, sempre das 17h às 22h.

  • Aprovada contribuição para iluminação pública

    A nova contribuição entra em vigor nos próximos meses (Foto: Arquivo JÁ)

    Helen Lopes

    Os vereadores da base do governo municipal, na Câmara Municipal, aprovaram por 20 votos a 15, o projeto que institui cobrança para custeio da iluminação pública na Capital. A Contribuição para Iluminação Pública (CIP) entra em vigor no próximo ano, assim, que a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) estabeleça um sistema de cobrança.

    O Projeto de Lei estabelece a cobrança a partir de cotas fixas, de R$ 2,80 e R$ 8,90, residencial e não-residencial, respectivamente. Ficou firmado ainda que os contribuintes vinculados a tarifa social de baixa renda e os contribuintes não abrangidos pelo serviço de iluminação pública serão isentados da tarifa.

    A líder do governo na Casa, a vereadora Clênia Maranhão, festejou o resultado. Para ela, a CIP é importante porque dá condições ao governo de realizar melhorias na iluminação o que irá se refletir na segurança da comunidade. Lembrou ainda que os vereadores da oposição devem ter coerência em relação com a sua história. A vereadora votou favorável ao projeto em 2003 e manteve o voto.

    A emenda do vereador João Antônio Dib, que restringia a cobrança a cinco anos, não foi aprovada. Dib argumentou que a medida pretendia dar um prazo à Prefeitura para se organizar. “Depois de cinco anos, a Prefeitura já deve ter condições para pagar sozinha”.  A vereadora Maristela Meneghetti (PFL) votou contra porque diz ser um compromisso nacional do partido lutar pela redução de imposto.

    A vereadora Sofia Cavedon alertou que “não pode ser cobrada a mesma taxa para pessoas diferentes”. Ela criticou a igualdade de valor, por ser o mesmo para pessoas com rendas diferentes. No projeto anterior, aprovado em 2003, mas que não foi implementado por questões judiciais, o valor da taxa era determinada a partir da renda do cidadão.

    O secretário da Fazenda do Município, Cristiano Tatsch, disse que com a nova receita a Prefeitura poderá cumprir os acordos com o setor de energia elétrica, além de ampliar a rede de iluminação pública. Segundo ele, a dívida da Prefeitura com a CEEE gira em torno de R$58,5 milhões. Comentou, ainda, que “saindo da inadimplência, o município terá cesso aos R$ 10 milhões destinados à saúde que estão trancados”.

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    Aprovado parecer favorável à taxa de iluminação [12/12]

    Em reunião conjunta realizada nesta segunda-feira (12/12), as comissões de Constituição e Justiça (CCJ), de Economia e Finanças (Cefor), de Urbanização (Cuthab) e de Defesa do Consumidor (Cedecondh) da Câmara Municipal de Porto Alegre aprovaram parecer do vereador Professor Garcia (PPS) favorável ao projeto de lei do Executivo que institui a cobrança da Contribuição sobre a Iluminação Pública (CIP) no município.

    Com este resultado, dentro de 48 horas o projeto estará apto a ser votado pelo Plenário. A  votação deve acontecer na quarta-feira(14/12). Como o governo tem ampla maioria, o projeto deve passar sem surpresas. Entretanto, o curioso é que as posições se inverteram: os vereadores da antiga oposição, atual situação, que na legislatura passada foram contrários, hoje, são favoráveis e os vereadores do PT que antes defendiam, agora, são contra.

    Segundo o líder da bancada petista, vereador Carlos Todeschini, o PT votará contra porque é uma nova proposta. Ele argumenta que o valor previsto é maior do que no projeto da administração passada. O PC do B ainda não decidiu, mas a vereadora Manuela D’Avila disse que as diferenças em relação ao anterior são muitas, ressaltou, principalmente, a ausência de proporcionalidade.

    O vereador João Dib (PP) encaminhou uma emenda restringindo para cinco anos a cobrança. A bancada progressista vota favorável, se a emenda for acatada. Os vereadores do PSDB, Luiz Braz e Cláudio Sebenelo, afirmam que por uma postura coerente e compromisso de não aumentar impostos, votam não.

    A proposta do Executivo prevê a cobrança de uma taxa de R$ 2,80 dos consumidores residenciais e de R$ 8,90 dos não-residenciais para custeio da iluminação pública. Estarão isentos da cobrança os consumidores que pagam a chamada tarifa social de baixa renda e aqueles que não são beneficiados pelo serviço de iluminação pública.


    Câmara debate taxa de iluminação pública

  • Chegam as superhélices da usina eólica de Osório

    Hélices do primeiro cata-vento chegaram neste sábado (Foto: Geraldo Hasse)

    Geraldo Hasse, de Osório, exclusivo para o Jornal JÁ

    Já estão no canteiro da obra, as três hélices do primeiro cata-vento da usina eólica de Osório, no litoral norte do Rio Grande do Sul. Elas chegaram no sábado (17/12) debaixo de um esquema especial de transporte. Cada pá exigiu uma “centopéia” de 40 metros de comprimento e ainda assim ficou sobrando uma ponta de uns cinco metros na traseira desse supertruck.

    Também já está posicionado o gigantesco guindaste – pode-se ver de longe, muito longe: até da BR-290 (Free Way) –que será usado na montagem da torre de 98 metros em cima da qual se acoplará o gerador de 2 MW.

    Ainda faltam alguns dias, mas aproxima-se um dos momentos cruciais da história da construção da maior usina eólica da América Latina: para a delicada operação de montagem do gerador no alto da torre, a Archel Engenharia vai precisar de vento zero — ou quase isso.

    Se o nordestão soprar três dias como de costume, os técnicos vão ter de ficar de braços cruzados esperando a calmaria. E aí pode pintar mais um atraso no cronograma. Inicialmente, o primeiro cata-vento funcionaria em dezembro deste ano; com o atraso provocado pelas chuvas e, principalmente, pela demora na liberação do financiamento pelo BNDES (só assinado no dia 5 de outubro), a operação inicial está prevista para o final de janeiro de 2006, com festa para o presidente Lula, o governador Germano Rigotto e o prefeito Romildo Bolzan Jr.

    Trabalhando até sábados e domingos, as equipes construtoras conseguiram recuperar boa parte do atraso provocado pelas chuvas do início da primavera. Passados dois meses desde o início das obras, todo mundo já se familiarizou com o projeto, que engrenou e virou rotina nos varjões do sul de Osório, onde se espalham as placas de sinalização da Elecnor, dona da usina. Até os guardas, antes tensos nas guaritas, já não estranham a chegada de curiosos que se aproximam com perguntas na ponta de língua. A maior curiosidade é sobre a profundidade dos alicerces das 75 torres.

    A pergunta faz sentido porque o estaqueamento de obras de engenharia, mesmo as mais simples, costuma dar dores de cabeça no litoral norte do Rio Grande do Sul. Em residências construídas perto das lagoas que abundam na região, usam-se estacas de até sete metros; em áreas arenosas – por incrível que pareça, a areia oferece mais firmeza, graças à abrasão –, pode-se recorrer ao sistema de sapatas ou sapatas corridas, que dispensam maior profundidade. Mas no caso das torres eólicas, que pesam 800 toneladas e precisam resistir ao impacto dos ventos e às tensões geradas pela rotação das hélices, as estacas podem passar de 30 metros de fundura.

    Pelo tamanho, ineditismo e complexidade da obra, a população de Osório acompanha com atenção o desenrolar do empreendimento, mas não compreende que o preço da energia elétrica vá permanecer o mesmo, sem beneficiar pelo menos os moradores de Osório, “a capital dos bons ventos”.

    Sempre que são cobrados sobre esse paradoxo, os técnicos da Elecnor explicam que não têm nada a ver com o preço, pois a energia gerada pelos cata-ventos será entregue à CEEE, que a colocará em sua rede. Em resumo, dizem os produtores, a energia dos ventos de Osório será útil à população gaúcha por dois motivos principais: 1) tornará mais seguro o abastecimento geral, sobretudo se entrar na rede da CEEE nos horários de maior demanda (final da tarde/início da noite); 2) aumentará a eficiência do abastecimento nos períodos de pós-estiagem, quando as hidrelétricas precisarem economizar água em suas represas.

  • Ativando a memória: 25 anos sem Nelson Rodrigues

    Naira Hofmeister

    Vinte e cinco anos se passaram, mas a polêmica que sempre envolveu a obra do dramaturgo Nelson Rodrigues continua em voga. A despeito da opinião sobre suas temáticas, todos concordam numa coisa: Nelson foi, sem a menor dúvida, um dos mais importantes autores teatrais brasileiros. Sua peça Vestido de Noiva, que se desenvolve em três planos diferentes – da memória, da realidade e da alucinação – é até hoje sua obra mais elogiada.

    Na opinião do diretor do depósito de Teatro, Roberto Oliveira, “revolucionou e renovou e teatro nacional”. Os personagens de Nelson Rodrigues são densos, vivem sempre situações extremas de obsessão, geralmente ligadas ao sexo e à morte. “Nelson era apelidado de Flor de Obsessão, o que, muitas vezes o levou a ser taxado de tarado, por exemplo”, explica Oliveira. Apesar do estigma, decorrente das cenas ardentes de sexo, presentes na maioria da sua obra, Nelson Rodrigues era um homem ‘de família’. Casou duas vezes e teve filhos.

    Além da tara, o dramaturgo foi também acusado por alinhar-se à extrema direita durante o Golpe Militar de 1964. “Ele apoiou a ditadura até que precisou rever suas posições, quando um de seus filhos morreu nos porões da  tortura”, conta o Oliveira.

    O professor Sábato Magaldi, um dos mais antigos admiradores de Nelson Rodrigues, organizou suas obras completas e escreveu uma tese acadêmica a seu respeito. Para ele, Nelson foi o fundador do moderno teatro brasileiro. Na época, em importância, cita apenas Oswald de Andrade. Outros, entendem que autor criou personagens vazios, esquemáticos e repetitivos, variações em torno de Palhares, o canalha, que tentava agarrar a cunhada atrás da escada. Enfim,  uma das frases mais definitivas de Nelson: “Toda a unanimidade é burra.”

    Suas imagens são divertidas, como “tremeu dentro dos sapatos”. Tem o início de  O Casamento: “Sabino vai comprar cigarros. Enquanto esperava o troco, viu um sujeito bater nas costas do outro e berrar: Todo o canalha é magro! Por mais estranho que pareça, aquilo doeu-lhe como uma desfeita pessoal. Apanhou o troco e veio caminhando. O sujeito ainda repetiu, com a mesma ferocidade jucunda: O canalha é magro. Com surda cólera, Sabino pensa, como alguém que se justifica ou se absolve. ´Eu não sou canalha´”.  Em “Asfalto Selvagem” o promotor Odorico diz: “Assim é o povo: tem fome de sangue e escremento”.

    O mais importante, apesar das críticas que sofreu – e ainda sofre – por parte de muitos estudiosos, é que, 25 anos depois de sua morte, o universo rodrigueano permanece atual, moderno, instigante. E pensando nisso, o Deposito de Teatro, que, desde a sua criação esteve ligado à obra do pernambucano, programa atividades a partir dessa sexta-feira (16), para debater, pensar e, principalmente, assistir Nelson Rodrigues.

    Espalhados por alguns pontos da capital, como a Usina do Gasômetro, o DAD, o próprio Depósito e a rua, atores da trupe e alguns agregados – como  a atriz Tainah Dadda e Caco Coelho, diretor da Usina do Gasômetro – estarão apresentando esquetes, peças completas e promovendo seminários para repensar e compreender (ou não) Nelson Rodrigues.  “É muito importante salientar que os próprios atores estão custeando esse projeto, com entrada franca em todas asatividades, pois mais uma vez, não conseguimos parceiros que invistam no teatro em Porto Alegre”, sublinha Oliveira.

    Programação todas as atividades têm entrada franca

    Sexta-feira, 16, 20h30
    *A Falecida*
    Leitura e Bate-Papo com os diretores: Roberto Oliveira e Fernando Kike Barbosa
    Onde: Sala 505 – Usina do Gasômetro

    Sábado, 17, 20h30
    *O Beijo no Asfalto* – vídeo
    *Boca de Ouro* – vídeo
    Bate papo sobre Nelson com Caco Coelho, diretor da Usina
    Onde: Café da Usina – Usina do Gasômetro

    Domingo, 18, 20h30
    *Nelson Despedaçado *
    Espetáculo de teatro
    Onde: EntreAto Bar – República, 163

    Segunda-feira, 19, 18h30
    *Nelson Despedaçado*
    Espetáculo de teatro
    Onde: Depósito de Teatro – Benjamin Constant, 1677

    Terça-feira, 20, 21h
    *Bonitinha mas Ordinária*
    Espetáculo de teatro
    Onde: Depósito de Teatro

    Quarta-feira, 21, 18h30
    *Perdoa-me por me traíres*
    Espetáculo de teatro
    DAD – Estúdio 3 – Cidade Baixa

    22h
    *Assalto Teatral*
    Performance teatral na rua
    Cidade Baixa – República, esquina com a Lima e Silva

    Quinta-feira, 22, 21h
    *Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo.*
    Espetáculo de teatro
    Depósito de Teatro

    *A Falecida*

    Conta a história de uma mulher frustrada do subúrbio carioca, a tuberculosa Zulmira, que não vê mais expectativas na vida. Pobre e doente, sua única ambição é um enterro luxuoso. Quer se vingar da sociedade abastada e, principalmente de Glorinha, sua prima e vizinha que não lhe cumprimenta mais. O marido, Tuninho, está desempregado e gasta as sobras da indenização jogando sinuca e discutindo futebol.

    Um pouco antes da morte, Zulmira manda Tuninho procurar o milionário Pimentel para que pague o enterro. Zulmira não dá maiores explicações nem diz como conhece o empresário milionário. Pede apenas para que o marido se apresente como seu primo. Tuninho acaba descobrindo que Pimentel e Zulmira foram amantes. Toma-lhe o dinheiro, mas dá um enterro “de cachorro” à Zulmira e aposta o dinheiro todo num jogo do Vasco no Maracanã.

    *Nelson Despedaçado* (Episódio IV)

    Direção: Daniel Colin

    Os episódios da série Nelson Despedaçado são baseados em contos de Nelson Rodrigues e contam com a participação dos artistas do Depósito de Teatro, além de alguns atores especialmente convidados. O episódio IV traz trechos dos contos Macaco, Fome de Beijos, Toquinhos de Braços e Sórdido, de Nelson Rodrigues, e é marcado pela amargura do autor para ressaltar a solidão e a carência emocional das personagens, cujas histórias se interligam de modo quase acidental, e cujas obsessões pessoais justificam qualquer atitude ou conduta.

    *Bonitinha, mas Ordinária*

    Direção: Fernando Kike Barbosa

    Em tempos insanos como esses que marcam a política no Brasil
    do novo milênio, assombrado por fraudes e escândalos, a obra do maior dramaturgo nacional comprova mais uma vez a imortalidade do Gênio. Em Bonitinha mas Ordinária, Nelson Rodrigues fala de um Brasil corrupto, com gigantescos contrastes sociais e, imobilizado por uma feroz elite e seus caprichos dominadores.

    Neste ambiente todos são corruptos ou corruptíveis, contrastando libido e moral em uma luta vertiginosa, como de costume nos personagens e tramas do autor. A peça conta a história da rica e depravada família Werneck e da tentação de Edgard, pobre contínuo da empresa do milionário dr. Werneck. Peixoto, genro do magnata faz ao funcionário uma proposta tentadora – o casamento com a filha de dr. Werneck – e lhe entrega um cheque astronômico . A trama inteira irá girar em torno das hesitações de Edgard – que ama sua vizinha, Ritinha -, até sua escolha final.

    *Perdoa-me Por Me Traíres – Uma Fração de Solidão*

    Direção: Tainah Dadda

    Esquete baseada na obra de Nelson Rodrigues, tem como ponto de partida o ingresso da adolescente Glorinha no universo da prostituição que, guiada pelas mãos de sua amiga Nair, acaba envolvendo-se na rede de corrupção e desejos reprimidos que regem o bordel de Madame Luba e seu braço direito na administração da casa, Pola Negri.

    Resultado final do quinto semestre do curso de Artes Cênicas da
    Ufrgs, este projeto enfoca as relações de obsessão e dependência engendradas pela solidão das personagens. Para tanto, aposta numa estilização visual, cujas referências à estética oriental pretendem evocar a esterilidade da vida das quatro personagens, camufladas pelo clima artificial da sensualidade que as cerca.

    *Assalto Teatral – Performance de Boca de Ouro*

    Direção: Roberto Oliveira e Sandra Possani

    Vinte casais encenam ao mesmo tempo (mas de formas diferentes) trecho da briga entre o casal Leleco e Celeste. Ele viu a mulher em um táxi com um homem de aproximadamente 50 anos, o bicheiro Boca de Ouro. Leleco, que não conseguiu reconhecer o homem, mas garante ter visto a mulher, exige que ela confesse a traição e diga o nome do suposto amante. Celeste resiste até, que ameaçada pelo marido, conta tudo.

    *Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo*

    Direção: Alessandra Chemello

    Através de Myrna, personagem de Nelson Rodrigues, o espetáculo penetra no inquietante mundo de dúvidas e anseios das mulheres que amam e, incondicionalmente, sofrem. Têm-se os relatos mais reais e, por isso os mais tristes e irônicos momentos da vida humana, ilustrados através da dança contemporânea, aliada a   outras linguagens como o teatro, a música, e a uma boa dose de sarcasmo, tal qual os textos de Nelson.

  • Livro destaca pensamento paisagístico de Lutz

    Patrícia Benvenuti
    José Lutzenberger ficou conhecido em todo o mundo por seu papel ativo nas lutas ambientais e no combate à destruição da natureza. Entretanto, o agrônomo, paisagista e fotógrafo Paulo Backes entende que o trabalho de paisagismo do ambientalista também deve vir a conhecimento do público. Com essa intenção, lançou na semana passada pela editora Paisagem do Sul o livro Lutzenberger e a Paisagem.

    Outra face de Lutzemberguer (Foto divulgação)

    – A minha principal motivação foi difundir o pensamento paisagístico de Lutzenberger-, afirma o autor. – É importante que as pessoas saibam que ele tinha ideais diferenciados sobre o assunto, a crença em uma interação entre os fatores naturais como o solo e as rochas e os biológicos, como o homem e a fauna. E ele sabia respeitar tudo isso-, completa.
    De acordo com Backes, a convivência com quem ele chama de mestre do conhecimento foi uma verdadeira lição, que nascia ao observar Lutz lidando com elementos do meio ambiente. – Conheci Lutzenberger quando fui fazer um curso no Rincão Gaia e, mais tarde, encontrei-o de novo quando trabalhei na empresa dele-, conta. Pela sua influência pude trabalhar o paisagismo, que sempre foi meu sonho-, acrescenta.
    Escritos de Lutzenberger integram a obra
    O livro é elaborado a partir de escritos do ambientalista e de textos e fotografias do autor. – É um dueto entre arte e ecologia, textos e imagens-, define o autor. A publicação inclui conceitos defendidos por Lutzenberger. Um dos principais, a Teoria de Gaia, vem de um nome dado pelos gregos a uma deusa, personagem mitológica que simbolizava a Terra. A teoria moderna, proposta pelos cientistas James Lovelock e Lynn Margulis, entende o planeta como um superorganismo . As semelhanças entre os dois iriam mais além. Tanto a deusa quanto a Terra seriam a fonte e o sustento da vida, e qualquer agressão ambiental não seria perdoada. Lutz baseava-se nesses preceitos e acreditava que homem e natureza deviam estar sempre integrados.
    Outro enfoque da obra está nas principais paisagens admiradas pelo ambientalista – o Pampa, por exemplo – bem como outras que ele mesmo executou. O Rincão Gaia, construído sobre uma antiga jazida de basalto, demonstra, segundo Backes, a predileção do ambientalista para trabalhar em cima de lugares machucados pelo homem. – Da mesma forma como o Parque da Riocell [hoje da Aracruz], ele queria sempre consertar a natureza-, destaca.
    A publicação contou com incentivos estaduais para ser produzida e, embora o projeto tenha sido aprovado em 2003, as verbas só foram disponibilizadas em 2004. – O maior atraso, na verdade, ficou no burocrático . Aprovar não foi difícil, complicado foi encontrar patrocinadores e conseguir o dinheiro necessário-, ressalta o autor. Lutzenberger e a Paisagem (208 páginas) pode ser encontrado nas principais livrarias do país.
    Lara Lutz recebe prêmio Responsabilidade Ambiental 2005
    Carlos Matsubara
    A bióloga Lara Lutzenberger, presidente da Fundação Gaia, recebe no próximo dia 16 de novembro o Prêmio Responsabilidade Ambiental – Personalidade . O prêmio é uma promoção da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, e a solenidade acontece no auditório Dante Barone, às 19h.

    Lara segue os passos do pai (Foto Carlos Carvalho)

    Lara Josette Wilm Lutzenberger é filha do falecido ambientalista José Lutzenberger e, além da Fundação Gaia, ong criada pelo pai, dirige o Rincão Gaia e a empresa privada Vida Soluções Ambientais.
    O despertar pela causa começou cedo através do pai, claro, que sempre a levava para suas consultorias pelo interior do Estado e do Brasil. — Ele me mostrava a visão que tinha, um encantamento com a natureza. Eu nunca me questionei e incorporei esta paixão. Sempre adorei coisas vivas, animais, tinha a ânsia de defendê-los-, diz.

  • Praças de Porto Alegre passadas a limpo

    O trabalho dos voluntários ainda é pouco compreendido pela população (Foto: Naira Hofmeinster/JÁ)

    Naira Hofmeister

    As praças da Matriz e Alfândega e ainda um pequeno espaço dentro do parque Farroupilha terminaram o sábado mais bonitas do que de costume. Uma ação planejada pela empresa All Service, de limpeza predial, reuniu mais de 150 voluntários que recolheram o lixo, pintaram brinquedos e lavaram monumentos nos locais.

    “Há um mês atrás uma série de monumentos da cidade foi recuperada e, cerca de dois ou três dias depois já estavam pichados novamente, isso influenciou a escolha desse ano para o Dia do Voluntariado”, explicou o coordenador da limpeza no centro de Porto Alegre, Marco Antônio Piaza.

    Vassouras, pás, químicos, água, sabão e a “ ação mecânica”, que é na verdade, é esfregar um pouco, foram as ferramentas de trabalho dessas pessoas. Só na Praça da Alfândega foram recolhidos 4 m³ de lixo, 18 monumentos foram restaurados e as gangorras e balanços do parquinho ganharam cores novas.

    “Deu uma boa clareada”, achou João Renato, porteiro do Margs. Para o trabalhador, a ação significa bastante, mas o problema “é a educação das pessoas”, revela. Ele conta que todos os fumantes que visitam o museu atiram seus cigarros em frente à porta, entes de entrar. “Nem se tivesse um cinzeiro ali, eles lembrariam”, lamenta.

    Eles sabem: “Não achamos que vai resolver, mas a idéia é chamar a atenção para a manutenção desse patrimônio da cidade. Sem lembrança a gente não tem vínculo”, acredita Leonardo Koehler, gerente geral da All Service e coordenador da ação. Para isso, além da pintura e limpeza das praças, os voluntários distribuíram mais de cinco mil panfletos para os freqüentadores, com explicações sobre a conservação patrimonial.

    Ainda assim, Koehler conta que algumas pessoas os confundiram com presidiários que cumpriam pena através da prestação de serviço: “A população não está acostumada com a doação de serviços para a comunidade”. Mas ratifica: “Acreditamos que estamos plantando uma semente e isso se faz com exemplo”.

  • Postos realizam exames para prevenção de câncer de pele

    Naira Hofmeister
    O discurso já está batido. Usar protetor para se expor ao sol e escolher o horário adequado para se bronzear, são alguns cuidados que costumamos ouvir quando se aproxima o verão. Apesar dos alertas, os números do câncer de pele têm preocupado dermatologistas, menos pelo seu crescimento abundante – no Brasil, somente esse ano, estão previstos 119 mil novos casos da doença –, mas sim pela sua incidência em faixas etárias cada vez mais baixas, aproximando o perigo da adolescência.
    Apesar de não haver uma estatística absoluta, a médica dermatologista Berenice Kapra Valentini tem se surpreendido com a freqüência de jovens em seu consultório: “Há 20 anos, atendíamos pacientes com setenta anos de idade. Atualmente, há pacientes desenvolvendo a doença aos 30 e até mesmo aos 20 anos”, constata.
    Uma das prováveis causas desse aumento entre os jovens está ligada à recente destruição da camada de ozônio, que gradativamente tem aumentado a radiação solar. Porém, os especialistas esclarecem que de todo o sol que recebemos durante a vida, 80% ocorre até completarmos 20 anos. Como os malefícios causados pelo excesso de exposição são cumulativos, é exatamente nessa faixa etária que devemos nos precaver com maior atenção. Mas eles lembram: pelo mesmo motivo, a velhice também é um período crítico.
    No entanto, o que mais chama a atenção é o fato das campanhas de prevenção seguirem uma lógica sazonal. É durante o verão que a maioria da população adere às técnicas de proteção, fazendo-se parecer conscientes. Porém, os dermatologistas alertam que a proteção começa a ser necessária também em outras estações do ano, inclusive na cidade. “Se não tiver um câncer de pele, com certeza, envelhecimento precoce a pessoa vai ter”, explica Miriam Parglender, coordenadora estadual da Campanha de Prevenção ao Câncer de Pele, que será desenvolvida em todo o Brasil, neste sábado, dia 10.
    No Rio Grande do Sul, 16 postos de atendimento, em 11 cidades, irão realizar exames completos de pele gratuitamente, a fim de diagnosticar a doença e realizar um estudo um pouco mais aprofundado sobre sua incidência na população tupiniquim. A iniciativa é da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que vai colocar a disposição aproximadamente 1.500 especialistas para o super-plantão.
    Das nove da manhã às três da tarde vai ser possível realizar os exames clínicos que apontam a doença. Em caso de suspeita, o paciente será automaticamente encaminhado à um especialista da rede pública de saúde para realizar a biopsia, e, em caso de tumor, tem garantida pelo estado a cirurgia de retirada. “Em cerca de trinta dias o paciente estará recebendo o tratamento adequado”, acredita a doutora Miriam.
    O câncer de pele tem cura, garantem os dermatologistas. Ao contrário da maioria dos outros tipos de câncer, o carcinoma – mais comum dos cânceres de pele – não necessita de quimioterapia. Geralmente a intervenção cirúrgica é suficiente, pois apenas o mais perigoso dos cânceres de pele – o melanôma – tem alto índice de metástase.
    Dez postos atenderão a capital do estado e mais seis estarão espalhados pelo interior do estado. Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Cruz Alta, Guaíba Pelotas, Rio Grande, Santa Cruz, Santa Maria, Vacaria e Tapejara estão no mapa da prevenção. Para consultar os locais, inclusive em Porto Alegre, onde o atendimento será disponibilizado, a população deve ligar gratuitamente para o 0800 701 3182 e informar o CEP. O sistema indicará qual o serviço mais próximo de casa.
    Os médicos alertam para feridas que não cicatrizam, manchas ou sinais, mesmo os de nascença, que mudam de tamanho, de cor e com bordas irregulares. Na exposição ao sol, os cuidados, além do protetor – sempre com fator superior ao 15 – a pessoa deve ficar atenta para os primeiros sinais de vermelhidão da pele, o que já denota agressão celular.
    Até mesmo o popular ‘solzinho saudável’, aquele do início da manhã ou do final da trade, está sob suspeita: “Alem de ter radiação ultravioleta A, que causa envelhecimento manchas na pele, modernamente, estudos demonstram que também está associado ao câncer”, conclui Miriam.