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  • Gaúchos sentem efeito estufa


    Foto: Raquel Santana/Jornal Já

    Patrícia Benvenuti

    Os dias são mais quentes e as noites menos agradáveis do que antigamente. A população de Porto Alegre percebe que o clima vem mudando nos últimos anos, mas muitos não sabem explicar o porquê. O fato, porém, não é restrito à capital gaúcha. A cidade sofre, como o resto do mundo, o efeito estufa, intensificado pelo lançamento na atmosfera de carbono e dióxido de carbono, além de vapor d´água, devido à evaporação das águas oceânicas.

    Agrometeorologista da Embrapa de Passo Fundo, Gilberto Cunha lembra que o efeito estufa, naturalmente, não é tão vilão assim. “O efeito estufa, na realidade, é benéfico, pois impede que o planeta resfrie demais durante a noite. O problema é que a emissão de gases poluentes está tornando a Terra quente demais”, frisa o especialista.

    De acordo com o professor do Instituto de Geografia da UFRGS, Paulo Livi, são as temperaturas mínimas, e não as máximas ou as médias, que vem subindo gradativamente desde a década de 1950. “Por isso se tem a sensação de que os invernos não são mais rigorosos. É claro, sempre faz um ou dois dias realmente frios nesse período, mas até mesmo os períodos de geada ficaram menores”, afirma.

    A elevação das mínimas, segundo o professor, é provocada pelo aumento da nebulosidade e diminuição da insolação, essa última em 25%. O calor, assim, ficaria retido entre as nuvens, que funcionam como um cobertor . O meteorologista do CCPMet (Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas) da UFPEL (Universidade Federal de Pelotas), Júlio Marques confirma que o aumento das temperaturas mínimas é percebido especialmente à noite, quando a sensação térmica deveria ser de uma temperatura mais fresca. “Esses efeitos são notados de uma forma lenta, mas intensa, com tempestades cada vez mais fortes e estiagens mais severas”, acrescenta.

    As médias das temperaturas em Porto Alegre, porém, precisam ser relativizadas. “Dentro do território analisado, estão locais como o Parque da Redenção e o Jardim Botânico. Provavelmente, se fizéssemos essa pesquisa somente no centro da capital, teríamos um resultado bem diferente”, revela o professor da UFRGS.

    Marques destaca ainda que as mudanças climáticas em cidades industrializadas como Porto Alegre também se devem a alterações microambientais, como a redução de áreas verdes e o aumento da urbanização. “Os fatores naturais também contam, mas quem mais contribui para as mudanças climáticas são os antropogênicos [ações causadas pelo homem]”, ressalta.

    Efeitos na saúde

    Os seres humanos sentem de forma intensa os impactos dessas alterações climáticas. Em épocas de mudanças de temperatura, as doenças respiratórias são as que mais se manifestam. “Quem mais sofre são os alérgicos, sem dúvida”, afirma a coordenadora da Área de Pneumologia da Secretaria da Saúde de Porto Alegre, Elaine Ceccon. A médica afirma que quando a temperatura sofre uma queda brusca, os brônquios de quem sofre de asma e de rinite, especialmente, inflamam-se com o ar frio que penetra nos pulmões. A conseqüência é uma contratura dos músculos dos brônquios, que pode levar à crises respiratórias.

    A população não-alérgica, porém, também sente esses efeitos, principalmente quem está submetido ao ar-condicionado. “A troca de ambientes, tanto do frio para o quente como vice-versa, causam nas pessoas que não sofrem alergia o mesmo efeito que causariam para um asmático”, explica. “Como o ar fica mais enxuto , a mucosa seca, e isso acarreta espirros, secreção nasal e tosse, sintomas que, muitas vezes, se confunde com resfriados”, completa.

    Elaine classifica que o maior problema encontra-se na síndrome do prédio doente . A expressão refere-se aos prédios que tem um ar-condicionado central e não permitem a circulação de ar. O resultado é a proliferação de germes. “Por isso, muitas vezes, há várias pessoas em um mesmo lugar que ficam doentes em épocas próximas”, afirma a especialista, alertando para a necessidade de uma reciclagem do ar. Uma das soluções pode ser a limpeza dos filtros, ou simplesmente abrir as janelas em alguns momentos do dia.

    Além dos males respiratórios, o aumento das chuvas também traz seus riscos à saúde. As enchentes colaboram para a transmissão de doenças orais-fecais. De acordo com a médica veterinária da Secretaria Municipal da Saúde Sônia Thiesen, os alagamentos favorecem o aparecimento de casos de leptospirose, cuja bactéria causadora, a Leptospira interrogans , está presente na urina de alguns roedores. Já a transmissão da hepatite A, nessas circunstâncias, decorre da ingestão de alimentos e de água contaminados pelo vírus HAV (Vírus da Hepatite A).

    Agricultura sente o aquecimento

    Os impactos do aquecimento também são sentidos de forma intensa na agricultura. O agrometeorologista da Fepagro, Ronaldo Matzenauer entende que as alterações climáticas afetam o desenvolvimento e o crescimento das culturas. Na opinião do técnico, tanto as culturas de inverno como as típicas de verão são afetadas. “Cada planta tem um tempo para se desenvolver e florescer. Com essas mudanças, as duas ficam prejudicadas. No verão, por exemplo, o consumo de água das plantas é maior, da mesma forma como acontece com o ser humano. Isso acaba fazendo com que a transpiração aumente e afete o solo da região”, assegura.

    Cunha afirma que o aquecimento pode afetar a agricultura também na proliferação de pragas, como ervas daninhas, e doenças nas lavouras em função da umidade e do calor. O agrometeorologista ressalva que os efeitos sobre cada espécie dependem da variabilidade a que são submetidas. As mais prejudicadas são as chamadas fruteiras de clima temperado, como as macieiras, e os cereais de inverno – trigo e cevada -, suscetíveis à umidade e a vários fungos. O arroz também entra na lista dos prejudicados, já que precisa de muita irradiação solar e se depara com uma crescente nebulosidade.

    O especialista, no entanto, relembra que efeitos mais evidentes sobre a produção agrícola só poderão ser percebidos no futuro. “Por enquanto, não se pode fazer maiores prognósticos, mas a pesquisa científica ligada à agricultura trabalha no sentido de desenvolver tecnologias que resistam a esses problemas”, ressaltou. Nesse sentido, Matzenauer também aponta que é necessário intensificar as pesquisas. “Para que a produção não sofra tanto, é preciso fazer estudos de zoneamento”, conclui.

  • Mudança no indexador do IPTU gera polêmica

    Após a votação do Orçamento 2006, o projeto de mudança do indexador é o próximo da pauta (Foto: João Fiorin/PMPA)

    Helen Lopes

    Tramita desde segunda-feira, 21 de novembro, na Câmara de Vereadores, um projeto de lei complementar, apresentado pela Prefeitura, que altera o indexador da Unidade Financeira Municipal – UFM. O texto propõe que o atual índice utilizado para correção da UFM, o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP- M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas, seja substituído pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE.

    Na prática isso representará um aumento de aproximadamente 5,7% no Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), na Taxa de Coleta de Lixo (TCL) e no Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN). Já que a variação acumulada de janeiro a outubro foi de 4,73%, no IPCA, enquanto no IGP-M foi de 0,81%. Segundo o economista Alfredo Meneghetti Neto, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), a previsão para o final do ano é de acréscimo de mais um ponto percentual, chegando assim, há 5,7%. “Isso significará um reajuste quatro vezes maior”, avalia Neto.

    A mudança não é uma ação isolada. Na semana passada a Câmara de Vereadores aprovou que o reajuste os servidores públicos pelo IPCA a partir do próximo ano. A proposta de orçamento municipal para o exercício de 2006, que deve ser votada na segunda-feira, 28 de novembro, também utiliza como índice referencial o IPCA. Por isso, a líder do governo na Casa, vereadora Clênia Maranhão (PPS), defende que “não é aumento de imposto e sim uma adequação para todas as contas públicas”. Questionado sobre a utilização da medida nos contratos já firmados com o IGP-M, ela afirma que “os contratos podem ser adequados por decreto”.

    Clênia argumenta que a Prefeitura escolheu o IPCA por ser mais estável a interferência da variação cambial e adverte que não é oportunismo. E promete ainda que será o índice único para os quatro anos de mandato.

    A bancada do PT é contrária e considera a medida oportunista já que opta pelo índice mais alto. “Casualmente o indicador representa elevação dos impostos”, ironiza o vereador Carlos Todeschini, líder da bancada petista. “Em uma economia sem inflação temos que ter consciência de que isso trará prejuízo à população. O que mais lamento é que o prefeito José Fogaça garantiu que não haveria majoração de impostos”, completa.

    O clima na Câmara parece desfavorável a medida. A líder da bancada do PFL, vereadora Maristela Meneghetti é reticente ao tema. “Uma das bandeiras do PFL é a luta contra o aumento da carga tributária”, diz ela. Ela propõe que ao invés de aumentar o imposto seja ampliada a base tributária, cobrando daqueles que não pagam. Maristela, que se considera “radical” em algumas gestões, afirma que sua posição é “não, porque já se paga impostos em demasia”.

    Já a bancada do PMDB ainda não tem uma posição oficial sobre o tema, mas o líder da bancada, vereador Sebastião Melo, afirmou que é favorável somente se a Prefeitura assumir o compromisso de unificar todos os indexadores. “Se for pontual, não concordamos”. Os deputados do PSDB não têm posição formada sobre o assunto, mas de acordo com o vereador Luiz Braz, a princípio são contrários.

    O projeto também prevê desconto para quem pagar antecipado, como ocorreu em 2003 e 2004. Serão 20% até o primeiro dia útil de janeiro, 10% até 10 de fevereiro e 5% até 10 de março.

    A diferença entre IPCA e IGP-M

    O economista Alfredo Meneghetti Neto explica que o IPCA, por ser calculado por um órgão do Governo, tem uma metodologia diferente do IGP-M, calculado por uma instituição privada. Além disso, representam coisas distintas. “O IGP-M reflete os preços cobrados nos bancos, leva em consideração a variação do setor financeiro. O IPCA considera os preços dos alimentos”. Para ele, o IPCA representaria melhor a variação da inflação, mas alerta que o Governo Municipal deve ter a coerência e utilizar o mesmo índice para as outras obrigações.

  • ONGs gaúchas vão boicotar Conferência Estadual do Meio Ambiente

    Por Carlos Matsubara e Guilherme Kolling
    As ONGs gaúchas definiram no encontro estadual realizado no último sábado, 19 de novembro, que não vão participar da Conferência de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, que acontece neste final de semana, dias 26 e 27 de novembro, em Porto Alegre. De acordo com os ecologistas, os principais motivos são a não implementação das propostas da I Conferência e a paridade da representação.
    O encontro será no Centro Municipal de Eventos da Cultura Gaúcha – Parque Maurício Sirotisky Sobrinho (Parque da Harmonia), na Av. Loureiro da Silva, s/n. A abertura oficial está marcada para as 9 horas e contará com a presença do secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone, que representará a ministra Marina Silva.
    A Conferência Estadual é o momento onde governos, movimentos sociais, ONGs ambientalistas (menos no RS), entidades de classe e a sociedade em geral vão estar reunidos para levantar propostas e apontar prioridades para orientar as diretrizes do Ministério do Meio Ambiente.
    Esse mesmo processo acontece nos outros 25 Estados e no Distrito Federal, e é preparatório à 2ª Conferência Nacional do Meio Ambiente, que acontecerá de 10 a 13 de dezembro, em Brasília. Biodiversidade e Florestas; Água e Recursos Hídricos; Qualidade Ambiental nos Assentamentos Humanos; Instrumentos de Desenvolvimento Sustentável no Território; Fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e Controle Social são os temas propostos para a Conferência.
    No encontro estadual devem ser eleitos os 60 delegados que o RS tem direito a levar para a etapa nacional. A eleição levará em consideração os seguintes critérios:
    • participação na Conferência Estadual de Meio Ambiente, elegendo-se um delegado para cada 10 pessoas credenciadas de cada setor;
    • 30% de gênero;
    • definição dos delegados por setor, assim distribuídos:
    • até 50% representantes de ONGs, movimentos sociais e sindicatos de trabalhadores;
    •até 30% representantes do setor empresarial;
    •até 20% representantes do setor governamental.
    O que é a 2ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA)?
    A 2ª CNMA é a continuidade de um amplo debate sobre a política ambiental, iniciado em 2003, quando mais de 65 mil pessoas de todo país participaram pela primeira vez de uma mobilização nacional pelo meio ambiente durante as conferências regionais, municipais e estaduais. Na conferência nacional cerca de 1.500 participantes tiveram voz e voto para apontar ao Ministério do Meio Ambiente ações para a Polícia Nacional do Meio Ambiente.
    Entre as deliberações da 1ª CNMA que foram implementadas está a criação do Programa de Capacitação dos Gestores Municipais, a instalação de Comissões tripartites (União, Estados e Municípios) nos 26 Estados e DF, as ações do Plano Nacional do Desmatamento e o incentivo à redução de Gases na Camada de Ozônio.
    A 2ª Conferência Nacional de Meio Ambiente também aprovará um documento com diretrizes e propostas, que serão encaminhadas ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e devem ser implementadas e incorporadas às ações do Ministério do Meio Ambiente.
    Unidos contra o plantio de eucaliptos
    As ONGs ecológicas do Rio Grande do Sul estão mobilizadas para combater os projetos florestais de eucalipto na Metade Sul. No encontro estadual, realizado em Porto Alegre, em 19 de novembro, o grupo aprovou uma moção contra a monocultura de árvores.
    Os argumentos e as explicações técnicas das ONGs poderão ser conferidas no próximo dia 30 de novembro, em Porto Alegre durante o seminário Plantações Florestais no RS: Desafios e Oportunidades. O evento vai reunir ambientalistas, empresários, técnicos e governantes. As inscrições são gratuitas pelo e-mail florestamento@ambienteja.com.br
    Eucalipto divide meio acadêmico
    Bem menos ruidosa do que a batalha travada entre as empresas de celulose e papel e os ambientalistas, uma pequena discussão acontece no meio acadêmico gaúcho. A razão da controvérsia são os prejuízos ambientais decorrentes do plantio maciço do eucalipto no Pampa. Professores doutores disputam entre si o domínio do conhecimento do tema. São pesos-pesados da Biologia da UFRGS versus a turma da Engenharia Florestal da UFSM.
    Pelo Instituto de Biociências da UFRGS, o professor Ludwig Buckup mantém posição crítica as florestas de eucaliptos. Para ele, se no Pampa não existe floresta, é porque não deve haver condições climáticas para isso. — Teria de chover cerca de 33 vezes mais na região para se plantarem os 28 milhões de eucaliptos previstos somente por uma das empresas-, compara.
    Conforme Buckup, o Pampa possui uma rica diversidade de espécies que ocorrem somente lá e que já estariam inclusive ameaçadas. — Espécies como o eucalipto, explica, utilizam grandes quantidades de água do solo. Além da ameaça aos lençóis freáticos, os plantios de eucalipto causariam devassa às matas ciliares.
    Pelos lados de Santa Maria, surgem vozes respeitadas como a do professor doutor do Departamento de Ciências Florestais, Mauro Valdir Schumacher. Segundo ele, todo novo investimento traz mudanças no local onde é implantado, mas há regras para impedir danos à natureza. “Não queremos que as pessoas vejam a floresta como uma vilã”, afirma.
    Favorável aos investimentos das empresas, o professor afirma que a saída é o plantio correto e o respeito aos prazos de corte das árvores.  “Há de se observar ainda os locais para a plantação, que não podem ser perto de rios”, explica. Quanto às críticas dos seus colegas, Schumacher destaca que, há 20 anos, o plantio de árvores no sul do Estado ocorreu sem o planejamento necessário. “Na época, as pesquisas sobre o setor eram menos avançadas”, sugere.
    Igualmente favorável ao plantio de eucaliptos, o engenheiro florestal também da UFSM, Solon Jonas Longhi, lembra das exigências legais e ambientais que são impostas ao produtor que deseja plantar eucalipto em suas terras. “Atendidas essas premissas sou completamente favorável”, afirmou.
    Com 15 anos de pesquisas, Schumacher garante que as árvores de pínus e eucaliptos só trazem vantagens a quem cumpre com as normas estabelecidas. “O convívio dos animais do campo e das árvores não traz prejuízos”, acredita.
    As duas universidades estarão representadas no seminário Plantações Florestais no RS: Desafios e Oportunidades, a ser realizado no dia 30 de novembro no auditório da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail: florestamento@ambienteja.com.br

  • Nova Olaria entra em atrito com público GLS


    Os jovens se reuniam na fonte, que está em obras.

    Carla Ruas

    O clima no Centro Comercial Nova Olaria tem sido tenso aos domingos. Os jovens freqüentadores do espaço, muitos pertencentes a comunidade GLS, reclamam de preconceito e de um comportamento ostensivo por parte da segurança. A direção do shopping defende que o procedimento é uma tentativa de manter a ordem e os bons costumes, e que já está em contato com a comunidade homossexual para resolver a situação pacificamente.

    O conflito iniciou no domingo, dia 13, quando o número de guardas do local foi triplicado, e o controle sobre os jovens foi intenso no período da tarde. Uma semana depois, cerca de 10 seguranças permaneceram na frente do centro comercial, em conjunto com a Brigada Militar. “Sou quase um rato do Olaria, de tanto tempo que passo lá, e nunca tinha visto isso antes”, conta Paulo Schmidt.

    Ele afirma que os guardas impediam o acesso aos banheiros e faziam comentários preconceituosos. Além disso, não deixavam que eles ficassem na fonte, ponto de encontro do grupo: “Eles dizem que está em obras, mas esta obra está durando demais”, desconfia.

    O síndico do Olaria, Luciano Herman, afirma que o procedimento dos seguranças foi de controlar o público, de cerca de 300 pessoas nos domingos. “Não ocorreu nenhuma discriminação, até pela história do Olaria, que sempre foi local de encontro de homossexuais”. Ele afirma, no entanto, que nos domingos o grupo destrói o patrimônio privado e constrange os clientes das lojas.

    ”Nós perdemos público devido ao comportamento inadequado de alguns jovens. Já houve exposição de genitália e casos de prática sexual nos banheiros”. Herman conta que alguns dos freqüentadores quebraram vitrines, mesas e vasos de flores. “Sei que são fatos isolados, mas quem paga as despesas no final são os consumidores do shopping”, completa.

    O coordenador do Nuances, Célio Golin, entidade que defende a livre expressão sexual, acredita que se trata de preconceito social e exclusão. “Os gays não se inibem de se abraçar e se beijar, e acho que isso incomodou os proprietários e os lojistas. Predominou mais uma vez a idéia de que uma única estética é aceita”, argumenta. O Nuances colocou em seu site um manifesto contra o estabelecimento, e promete estar presente no próximo domingo, para denunciar a “política homofóbica”.

    Uma outra ONG de Porto Alegre que luta pelos direitos sexuais, a “Somos”, está buscando a solução através do diálogo. O seu coordenador, Gustavo Bernardes, já está em contato com o síndico Herman, para resolver o impasse: “Pedimos a retirada dos seguranças, e em troca vamos orientar o pessoal para preservar o espaço”. Herman admite que a ONG irá orientar os seus seguranças em como fazer uma abordagem mais pacífica. Também está em negociação a realização de atividades no centro comercial aos domingos, para mostrar que se trata de um local tolerante.

  • Sucateamento da TVE e FM Cultura provoca greve dos funcionários

    Carla Ruas

    Funcionários da TVE e da FM Cultura, da Fundação Cultural Piratini, não trabalharam nesta quarta-feira, em protesto. Os grevistas alegam três anos sem aumento salarial e corrosão das condições materiais e pessoais de trabalho. O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, José Carlos Torves, afirma que a paralisação teve uma grande adesão dos funcionários. “É muito difícil de fazer os jornalistas pararem, então isso já foi uma vitória. O objetivo de fazer pressão no governo foi conquistado”, afirma.

    O presidente da Fundação Cultural Piratini, Rogério Caldana, discorda de algumas reclamações do movimento, mas concorda que a Fundação deveria receber mais recursos. “Como somos um órgão estatal, recebemos a verba que é dividida entre os segmentos do governo. Mas por se tratar de veículos de comunicação, deveria ser diferenciado. O dinheiro é insuficiente”, reconhece.

    Caldana concorda que o sucateamento relatado pelos funcionários é verdadeiro. “Faltam peças para reposição, e por isso 50% dos equipamentos não estão funcionando”. Ele acredita que isto é o resultado da falta de planejamento de governos anteriores, que não destinaram verbas para a manutenção. “Até dezembro o governo atual irá liberar o dinheiro para a compra de equipamentos”, garante. O valor estimado é de 600 mil reais.

    Com relação ao salário dos funcionários, ele discorda do que está sendo veiculado: “Só falta a reposição do ano de 2004 e 2005, mas a proposta do governo não foi aceita pelo sindicato”, explica. A direção da TVE pretende resolver o impasse nos próximos dias.

    Para retomar as negociações, uma comissão de deputados estaduais está sendo formada, com o intuito de reunir os grevistas com o governador do Estado, Germano Rigotto. Entre os deputados citados para compor o grupo estão Vieira da Cunha (PDT), Edson Portilho (PT), e Raul Pont (PT), além do vereador Professor Garcia (PPS). Vieira da Cunha lembra que faz parte da função dos deputados ajudar em negociações como esta: “A Fundação Cultural Piratini é do Estado, e por isso, temos um papel importante para tentar resolver o problema”.

    Segundo Portilho, tanto a TVE como a rádio FM Cultura fazem parte, juntamente com outros órgãos, da política de desrespeito com que o governo do Estado trata a coisa pública. “Nos assusta a forma injusta como esse governo trata os veículos de comunicação, privilegiando grandemente alguns enquanto há um absoluto desrespeito com outros, como é o caso do tratamento dado a TVE, que tem uma tarefa fundamental para o Rio Grande do Sul que é a de divulgar a cultura regional e investir em programação qualificada do ponto de vista de conteúdo”, lembra ele, citando os diversos programas educativos transmitidos pela emissora e a qualidade dos mesmos. Para Portilho, é dentro da programação da TVE, mais do que em qualquer outra, que o Estado pode se ver. Além disso, a emissora representa a memória da história do povo gaúcho, segundo ele, um patrimônio incalculável.

    O vereador Garcia também está empenhado para achar uma solução. Ele afirma que hoje foi realizado um primeiro contato com o chefe adjunto da Casa Civil, Pedro Bisch Neto, para marcar um encontro com o governador, o mais breve possível. “Com esta comissão queremos abrir um canal de comunicação entre a categoria e o Estado, que atualmente não existe”, completa.

    A falta dos trabalhadores nesta quarta-feira resultou em falhas na programação das emissoras. Na TVE, as equipes de reportagem não saíram para fazer matérias. Por isso, os telejornais que vão ao ar diariamente ao 12h e às 21h40, não foram produzidos. Durante o dia, o canal exibiu apenas programas já gravados, e oriundos da conexão com a TV Cultura, de São Paulo.

    Na rádio FM Cultura, os noticiários não foram ao ar e a coordenação da rádio ficou prejudicada por funcionários que não foram trabalhar. “Não tivemos a parte do jornalismo, então decidimos seguir apenas com a programação musical”, afirma o diretor da radio, Rodolfo Rospide. Ele expõe que a emissora enfrenta problemas pela falta de manutenção de aparelhos, mas que a situação não é tão grave quanto à da televisão.

    A greve seguiu até a meia-noite de quarta-feira (23) e para Torves, o objetivo foi conquistado. “É muito difícil de fazer os jornalistas pararem, por isso a pressão realizada foi uma vitória”. A parada iniciou às 6h da manhã, quando os grevistas, junto com os sindicatos dos jornalistas e dos radialistas, fecharam as portas da TVE. A mobilização dos funcionários foi realizada através de um carro de som.

    O sucateamento do material público é denunciado pelos funcionários. Segundo o Sindicato, câmeras, ilhas de edição e fitas para gravação estão estragadas. Além disso, os carros estão sem manutenção, fazendo com que diminua a produção de programas com imagens externas. Além disso, o sinal da emissora já não chega no interior do Estado como antes, devido a problemas técnicos.

    Caldana afirma que a solução é adaptar a programação às condições oferecidas às emissoras de tevê a rádio. “Atingimos 30% de cobertura no Rio Grande do Sul. Eventualmente teremos que reduzir este percentual de acordo com a nossa realidade”. Ele conta que o ideal seria repor todo o parque tecnológico das emissoras, o que acarretaria em um investimento de aproximadamente R$ 4 milhões. E conclui: “A TVE tinha que estar usufruindo tecnologia, como as outras emissoras de televisão que existem.”

  • Jornal JÁ conquista Prêmio Fepam de Jornalismo Ambiental

    O JÁ Porto Alegre conquistou o Prêmio Fepam de Jornalismo Ambiental na categoria “Texto Jornal”, com a matéria “Construtora quer lotear área de Mata Atlântica na Capital”, do jornalista Guilherme Kolling. A reportagem foi publicada na edição de agosto de 2005.
    A premiação, promovida pela Fepam, Associação Riograndense de Imprensa (ARI), Sindicato dos Jornalistas do RS e Núcleo de Ecojornalistas do RS (NEJ), aconteceu em 23 de novembro, no auditório Espaço Verde da sede da Fepam. O diretor-presidente da Fepam, Cláudio Dilda, destacou a qualidade dos 49 trabalhos inscritos, “o que demonstra o quanto a imprensa está atenta em relação às questões ambientais”.

    O coordenador do concurso, jornalista Mário Rocha, da Assessoria de Comunicação da Fepam, observa que “todos os inscritos são vencedores, pois apresentaram diferentes e qualificadas abordagens do tema comum: o meio ambiente”. Os jurados registraram a grande dificuldade para a escolha. Participaram da seleção os jornalistas Ilza Girardi, pela UFRGS e Núcleo de Ecojornalistas; Antonio Goulart, pela Associação Riograndense de Imprensa; Léo Nuñez e José Carlos Torves, pelo Sindicato dos Jornalistas.
    Veja o resultado completo do concurso
    a) Texto Jornal – Guilherme Kolling, do Jornal JÁ Porto Alegre, pelo trabalho intitulado “Construtora quer lotear área de Mata Atlântica na Capital”, publicado na edição de agosto de 2005;
    b) Texto Revista – Ulisses Almeida Nenê, do Conselho em Revista, órgão do CREA/RS, pelo trabalho intitulado “Mitos e verdades do Aqüífero Guarani”, publicado na edição de junho de 2005;
    c) Fotografia – Paulo Rossi Jr., do jornal Diário Popular, de Pelotas, pelo trabalho intitulado “Grito pela vida”, publicado na edição de 11 de janeiro de 2005;
    d) Radiojornalismo – Marcelo Roxo Matusiak, da Rádio Gaúcha, pelo trabalho intitulado “Vida longa aos pneus”, veiculado de 12 a 16 de julho de 2005 no programa Gaúcha Hoje;
    e) Telejornalismo – Andrei Rossetto, da Televisão Educativa (TVE), pelo trabalho intitulado “Barra Grande”, difundido em 11 de janeiro de 2005, com a participação da produtora Sandra Porciúncula, da editora Salete Teixeira, do cinegrafista Antonio Cioccari e do auxiliar de operações Nilton Flores;
    f) Webjornalismo – Denise de Rocchi e Tatiana Golgo, da Agência de Notícias Radioweb, pelo trabalho intitulado “Delta do Jacuí: parque ou área de Proteção Ambiental?”, veiculado em 17 de outubro de 2005.
    Prêmio Roessler
    A solenidade também marcou a entrega de troféus do Prêmio Henrique Luiz Roessler para Contribuição Especial à Defesa do Meio Ambiente, outorgada diretamente pelas entidades promotoras do Prêmio Fepam de Jornalismo Ambiental, não havendo candidaturas ou inscrição prévia. O Prêmio Henrique Luiz Roessler para Contribuição Especial à Defesa do Meio Ambiente destina-se, a cada ano, a uma personalidade, um evento e uma instituição. Os escolhidos em 2005:
    Ilza Maria Tourinho Girardi – jornalista, doutora em Comunicação, professora do curso de Comunicação Social da UFRGS, com um longo currículo de atuação ambientalista, tendo implantado, na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da UFRGS, a primeira disciplina de Jornalismo Ambiental em curso de graduação do país. Também vem realizando orientações de trabalhos de conclusão, na graduação e pós-graduação, que têm o meio ambiente como temática central, além de promover atividades de pesquisa e extensão na área.
    Sinfonia Inacabada – o evento de lançamento, em Brasília, no Ministério do Meio Ambiente, e no Rio Grande do Sul, da biografia de José Lutzenberger, escrita pela jornalista gaúcha Lilian Dreyer. É uma obra importante na medida em que resgata e consolida a trajetória de um dos maiores nomes do ambientalismo internacional. “Lutz”, como era conhecido, abandonou o trabalho na indústria química para dedicar-se à defesa do meio ambiente.
    Núcleo Amigos da Terra / Brasil – ONG ambientalista, com mais de 40 anos de atividades, que tem desenvolvido intensa interação com os órgãos da imprensa para que apresentem os argumentos técnicos ambientalistas na discussão pública de projetos de desenvolvimento econômico. Atua junto à mídia como formadora de consciência ambiental e, nos últimos anos, tem priorizado ações relacionadas com a energia e mudanças climáticas.

  • Frei Betto lamenta acomodação da sociedade e a democracia virtual

    Para o Frei Beto, uma das soluções para resolver o problema da fome no Brasil seria o não pagamento do total da dívida externa (Foto Divulgação)

    Patricia Benvenuti
    O Brasil é o único país no mundo batizado com nome ecológico. Possui 6% da água potável do planeta e produz produtos agrícolas indispensáveis à alimentação. Fora um ou dois tremores de terra no Nordeste, não é afetado por fenômenos naturais graves como terremotos, desertos ou vulcões. Mesmo assim, o país não é o paraíso que poderia ser. Essas são palavras do ex-assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, frei Betto, que procurou explicar esse paradoxo no 7º Seminário Estadual e 6º Internacional sobre Agroecologia, encerrado na sexta-feira (18/11), em Porto Alegre.
    Por meio de reflexões filosóficas e políticas, o ex-assessor apresentou o painel Ética, ecologia e cidadania , o último do evento. De acordo com ele, há quatro grandes fatores de morte no mundo: guerras e terrorismo, acidentes de trânsito, doenças e fome. Os indivíduos que não são afetados pelo último fator apenas se previnem contra os demais. “Somos indiferentes ao alheio. Não temos noção de dívida nem de responsabilidade social. A fome é a que mais mata e sobre a que menos se faz. É o único que faz distinção de classe, mata só os miseráveis”, lamenta.
    Ética, ecologia e cidadania: relação com a política
    A questão da ética, da ecologia e da cidadania, segundo o frei, passa, necessariamente, por aspectos políticos. “Não existe falta de alimentos no mundo nem excesso de bocas, o que falta é justiça”, afirma.
    Os números indicam que a quantidade de alimentos produzidos no mundo seria suficiente para alimentar 11 bilhões de pessoas, sendo que o planeta possui 6,4 bilhões de habitantes. No caso do Brasil, é o primeiro produtor mundial de carne e o segundo de soja. “Isso mostra as injustiças sociais. Produzimos alimentos, mas o povo não tem o que comer. Ainda pensamos que exportar é a solução, mas boa parte desse dinheiro fica no exterior e na mão de poucas empresas”, salienta o painelista.
    Outro ponto apontado pelo frei como uma injustiça social são os subsídios agrícolas. Cada país rico aplica, diariamente, 1 bilhão de dólares em seu território, enquanto a cooperação aos países pobres chega ao mesmo 1 bilhão de dólares, só que ao ano. Ele destacou, ainda, o financiamento vinculado, em que esses países aplicam certa quantia nos territórios subdesenvolvidos, mas, em troca, obrigam a comprar seus produtos.
    Para o frei, uma das soluções para resolver o problema da fome no Brasil seria o não pagamento do total da dívida externa, a fim de melhorar a qualidade de vida da população. “Sou contra o calote , porém nos casos de miséria não parece haver saída. Mas, para acontecer isso, o governo precisaria de uma vacina Fidel Castro com [Hugo] Chávez”, ironiza.
    Embuste da democracia virtual
    Frei Beto reiterou que o quadro nacional e mundial é preocupante, e que o grande problema não é a relação entre número de pessoas na Terra e os recursos naturais, e sim a apropriação desses pelas elites, que não permitem que o resto possa usufruir. – Temos a ilusão de que vivemos em uma democracia, mas esse é um embuste imposto pelo sistema capitalista. Nossos direitos não são reais, são apenas virtuais.
    A sociedade civil, da mesma forma como as ONGs, os sindicatos, e os movimentos, têm, na visão do frei, dificuldades em unir esforços. “Não sabemos unir as bandeiras, não somos solidários. Só sabemos assistir aos outros pela televisão”, lastima. Lembrou também que o povo deveria cobrar mais, pedir as contas aos governantes, mas o estágio de todos hoje é o de acomodação.
    ”Falar de ética é falar de valores, falar de ecologia é de como se aplica esses valores na proteção do meio ambiente. Falar em cidadania é falar de como nos comportamos e lidamos com esses valores. A sociedade atual, infelizmente, passa por uma crise de valores, e o planeta está mercantilizado em todos os seus aspectos. Inclusive o meio ambiente”, conclui frei Beto.

  • Parcão comemora 33 anos

    Prefeito em exercício, vereador Elói Guimarães, e o secretário municipal do Meio Ambiente, Beto Moesch participaram da festa (Fotos: Helen Lopes)

    O Parque Moinhos de Vento, localizado no coração de um dos bairros mais tradicionais de Porto Alegre, amanheceu festivo. Neste sábado, 19 de novembro, a comunidade  comemorou os 33 anos do Parque, que é cercado por bares, cinemas, lojas e academias,  um point dia e noite da moçada.  Em 9 de novembro de 1972, a área passou a ser um espaço de contato com a natureza para os moradores. São 11,5 hectares, entre as ruas 24 de Outubro, Mostardeiro, Comendador Coruja e Goethe.
    Para cantar “Parabéns a você” e cortar o bolo, estiveram presentes o prefeito em exercício, vereador Elói Guimarães, o secretário municipal do Meio Ambiente, Beto Moesch e a madrinha da Biblioteca Infantil, Maria Dinorah Cruz do Prado, além das pessoas que freqüentam o Parque.
    O prefeito em exercício, Elói Guimarães, falou da importância do Parcão e salientou que o espaço “é uma verdadeira academia ao ar livre”. Moesch destacou o esforço da Secretaria no cultivo de árvores na cidade. “Só a Smam plantou quase 10 mil mudas, sendo que 800 delas foram na Terceira Perimetral.”
    Quem passeia no Parcão observa a boa conservação do local, destoando dos outros parques da Capital. De acordo com o secretário, existem vários fatores que contribuem para a atual situação do Parque Moinhos de Vento. “O público daqui reage às campanhas de conscientização, há várias lixeiras, o Parcão é menor e, por isso, a freqüência é menor também” justifica ele. A média mensal de público é de  250 mil. Mas Moesch aponta como principal fator a adoção do Parque pelo Grupo Zaffari e pelo Hospital Moinhos de Vento. “A prefeitura investe, mas essa parceira é o plus a mais. E faz a diferença”. As empresas que adotaram a área auxiliam na manutenção e limpeza.
    No prédio do moinho açoriano ao estilo dos que existiam no bairro nos primórdios da cidade, funciona a Biblioteca Infantil Maria Dinorah voltada para a literatura ecológica, que também comemora aniversário, 20 anos. A biblioteca é pioneira no Brasil, pois tem o objetivo de desenvolver a consciência ecológica no público infanto-juvenil, através da  leitura, recreação e educação ambiental, tudo isso dentro de um parque público.
    A madrinha da biblioteca, Maria Dinorah Cruz do Prado conta que quando chegou em Porto Alegre, ainda na adolescência, no local havia um grande lago, no qual as pessoas pescavam e um homem alugava um braço. Ela lembra que, anos mais tarde, passeava de barco com os filhos.
    A escritora foi escolhida madrinha, entre outros motivos, porque ajudou a construir o acervo da biblioteca. Maria Dinorah, que mora nas proximidades, vem diariamente ao parque. Ela ressalta a conservação como uma das qualidades do Parcão.
    Atualmente, a biblioteca possui cerca de 2.000 títulos, sendo alguns em Braile. Além disso, há uma área reservada para atividades de artes plásticas e culturais. A biblioteca atende de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 17h, e  aos sábados e domingos, das 9h às 13h e das 14h às 18h.
    Um pouco de história
    O nome do Parque Moinhos de Vento tem sua origem no século 18, quando Antonio Martins Barbosa, vindo de Minas Gerais, estabeleceu-se com seu moinho de vento, nas imediações da atual confluência da Av. Independência com a  Ramiro Barcelos. A área conhecida, antigamente, como “baixada” abrigou o Jockey Club e o primeiro estádio do Grêmio.
    Em 10 de setembro de 1962, o prefeito Loureiro da Silva assinou o decreto de desapropriação. Em 09 de novembro de 1972, o Parque de 115 mil m2 foi inaugurado, com o nome de Parque Moinhos de Vento. O Parque está dividido em dois setores um caracterizado pela predominância de equipamentos esportivos; e o segundo, mais utilizado para caminhadas, caracterizando-se pelas funções de recreação e lazer contemplativo.
    Hoje, o Parque Moinhos de Vento oferece opções de lazer como jogging, patinação, quadras de futebol, tênis, vôlei e aparelhos de ginástica. Para o público infantil estão à disposição equipamentos de recreação artesanais feitos de toras de eucalipto.

  • Fundação prepara catálogo com obra completa de Iberê

    Guilherme Kolling

    Depois de cinco anos de pesquisa, a Fundação Iberê Camargo prepara o lançamento do primeiro catálogo com a obra do artista gaúcho que dá nome à instituição. O livro trará a compilação das gravuras e deve estar pronto em março de 2006, numa parceria com a Cosac Naify, considerada a melhor editora em artes visuais do país. Estão previstas outras duas publicações, uma dedicada aos desenhos e outra aos óleos (pinturas).

    Os três módulos formam o conjunto do acervo de Iberê. É o chamado catologue rasonée, um catálogo pensado, que organiza a lista das obras com um determinado enfoque, apresentando a imagem de cada uma com um texto refletindo aspectos do trabalho. “Nas gravuras, optei pelo critério da especificidade técnica”, diz Mônica Zielinsky, contratada pela Fundação para comandar o trabalho.

    A primeira fase está sendo concluída. Foram localizadas 350 gravuras, mas o livro terá 330. “Em algumas fiquei com dúvida sobre autoria, pode ser trabalho de um aluno, por isso deixamos fora”, explica Mônica, que também é professora do Instituto de Artes da UFRGS.

    Além das peças em poder da Fundação, 4.200 ao todo, foram mapeadas obras de coleções públicas no Brasil e no exterior, o que inclui desde o Margs até a Fundação Biblioteca Nacional e instituições da França e dos Estados Unidos. Falta ainda localizar as peças em poder de particulares.
    A listagem das gravuras foi facilitada, já que Iberê guardava um exemplar de cada. Deixou para a viúva e presidente de honra da Fundação, Maria Coussirat Camargo. “De algumas, ela só tinha provas intermediárias, mas conseguimos os originais de quase todas gravuras”, comemora Mônica.

    A próxima etapa será mais trabalhosa. É a catalogação das pinturas, cerca de 1.300, segundo estimativas da Fundação, que possui 217. Finalmente, será feito o trabalho com os desenhos. A instituição dedicada a Iberê Camargo possui quatro mil, mas não se tem idéia do total – há centenas, talvez milhares, espalhados pelo Brasil e exterior. São inúmeras coleções, o que inclui não só museus, mas também acervo de particulares. “Por isso o catálogo é muito importante, abre as fontes primárias ao público, estudiosos e ao próprio mercado, garantindo a autenticidade, isto é, sabe-se que essas são obras legítimas do Iberê Camargo”, define a pesquisadora. No Brasil, apenas o trabalho de Cândido Portinari tem um catalogue rasonée.

    Mônica Zielinsky comemora conclusão da primeira etapa do catálogo

    O mapeamento da obra de Iberê Camargo faz parte dos objetivos da Fundação, que pretende conservar, estudar e divulgar o trabalho do artista gaúcho. “O catálogo é uma difusão qualitativa e pensada”, classifica Monica. Também terá repercussão no valor de mercado da obra. A publicação será distribuída para museus, instituições de arte do mundo. A tiragem inicial será de 1 mil exemplares. Depois serão impressos mais 2 mil. “Com isso, o status da obra do Iberê Camargo cresce e solidifica”, acredita a professora da UFRGS.

    Ao longo da pesquisa, que ela considera sua melhor experiência de vida, foram encontradas diversas novidades no acervo documental e artístico do pintor. Exemplo, uma homenagem a Manuel Bandeira, da qual não se sabia, e dedicatórias deixadas para Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector. “São descobertas incríveis, as cartas dele, a relação dele no meio”, empolga-se Mônica Zielinsky. O trabalho começou praticamente do zero, pelas pouquíssimas experiências desse tipo no país. Mesmo assim, a catalogação da obra de Iberê já é vista como referência, já que recebe contribuições de técnicos do país e exterior que já trabalharam em outros catalogue rasonée. A tarefa de catalogar a obra de Iberê é extensa, deve seguir por alguns anos. “O material que existe em coleções privadas é uma coisa interminável, acho que esse mapeamento só vai terminar daqui a uma década, é um projeto de longo prazo”, acredita o vice-presidente da Fundação, Justo Werlang.

    Artista ganhará museu no segundo semestre de 2006

    Autobiografia do artista

    Em 1985, Iberê Camargo escreveu um esboço autobiográfico, na verdade, respostas a questões do crítico e amigo Flávio Aquino para um livro que acabou não saindo. O artista nasceu em 18 de novembro de 1914, em Restinga Seca (RS). Seus pais eram ferroviários. “Comecei a desenhar com quatro anos de idade. Sentado no chão passava horas a fio a rabiscar”.

    Em 1927, Iberê foi para a Escola de Artes e Ofícios, em Santa Maria, onde iniciou seu aprendizado de pintura. Em 1936, foi para Porto Alegre, onde trabalhou como desenhista na Secretaria de Obras Públicas e freqüentou o curso técnico de Arquitetura do Instituto de Belas Artes. Casou-se em 1939. Depois, conseguiu uma bolsa do Governo para estudar no Rio de Janeiro. Logo foi à casa de Portinari. “Apesar das recomendações dele, ingressei na Escola de Belas Artes”. Mas o gaúcho logo encerrou sua atividade lá, por um incidente com o professor. Tornou-se aluno de Guignard.

    Em 1947, Iberê partiu para Europa, onde ficou até novembro de 1950. Foi aluno de De Chirico em Roma e Lhote em Paris. “Em 1958, uma hérnia de disco provocada pela suspensão de um quadro no cavalete, obrigou-me a trabalhar quase que exclusivamente no ateliê. Seja por esta razão ou por motivos inconscientes, meus quadros começaram pouco a pouco a mergulhar na sombra. Surgem, então, os carretéis. Através de suas estruturas, cheguei ao que se chama, no dicionário da pintura, arte abstrata”.

    Depois de um longo período no Rio, o artista voltou para o Sul. “Devo confessar que, quando corro nas manhãs de sol no Parque da Redenção, noto que a minha sombra não acompanha meu ‘tranco’, ela corre muito devagar. A verdadeira pintura não é uma narrativa de fatos, mas o próprio fato”. “Realizei inúmeras exposições no Brasil e no exterior e participei de vários salões e bienais. Não destaco este ou aquele evento. Todos têm o mesmo peso, isto é, pouco”.

    Iberê Camargo morreu de câncer, em 31 de julho de 1994, aos 80 anos, em Porto Alegre. Deixou mais de sete mil obras. Grande parte ficou com a esposa, Maria Coussirat Camargo, e hoje integra o acervo da Fundação Iberê Camargo, cujo site (http://www.uol.iberecamargo.uol.com.br) apresenta a íntegra do texto autobiográfico.

  • Inaugurado Cachorródromo no Parque Farroupilha

    Tina comemora o espaço rolando no gramado (Fotos Naira Hofmeister)

    Naira Hofmeister

    Uma antiga briga entre freqüentadores e direção da Redenção começa a ser resolvida. Cães soltos no parque importunavam quem não gosta dos animais, assustavam crianças e idosos e causavam dor de cabeça aos proprietários. Na tentativa de manter livre e solta sua companheira Tina, a advogada Maria Elizabeth Vasconcelos diz já ter se incomodado muito: “Comprei a briga, fui na administração do parque, na SMAM, tomei multa e agora tenho um protocolo de defesa da Tina registrado na Prefeitura”.

    Depois de tanta luta, a vira-lata Tina, o basset Donald e o labrador Ozzy comemoram a vitória correndo entre as arvores de um espaço reservado só para eles, dentro do Parque da Redenção.  A área delimitada tem cerca de 2.000 m² onde os cãezinhos podem ficar à vontade para brincar livres de guias, correntes e coleiras.

    Donald e Ozzy ja eram amigos há meses, mas só agora poderão brincar com tranqüilidade

    Por enquanto, tocos de madeira fixados no chão serão o único diferencial em relação ao resto do parque, mas o administrador Clóvis Breda, garante que o espaço será aperfeiçoado: “Até o momento, não investimos quase nada para que depois possamos modificá-lo”. E já inicia o trabalho de consulta popular, perguntando aos três donos dos cachorros o que eles acham que poderia ser acrescentado. Bancos, torneira para dar de beber aos cães e até uma cerca viva foram algumas das sugestões. “Vamos também manter a grama mais baixinha e aparar um pouco as árvores para que eles disponham de mais espaço”, explica Breda.
    O Cachorródromo, como já vêm sendo chamado pelos freqüentadores fica ao lado do Araújo Vianna, próximo à Avenida Osvaldo Aranha. Além dos rabinhos balançando daqueles que mais se beneficiaram da medida, os donos de cães prometem uma grande festa para marcar a inauguração: “Vou fazer um bolo e encher balões”, comemora uma das proprietárias.