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  • Lojistas reclamam de administradores de shoppings

    Paulo Edurado Brito apresentou reivindicações (Ramón Fernandes)

    Guilherme Kolling

    A disputa entre lojistas e administradores de shopping centers chegou à Câmara Municipal. Uma audiência pública no plenarinho debateu, na tarde desta terça-feira 27 de setembro, a relação entre as duas classes.
    O presidente da Associação Gaúcha dos Lojistas de Shopping Centers (Aglos), Paulo Eduardo Brito, falou que a falta de legislação específica prejudica pequenos e médios comerciantes diante das exigências impostas pelos empreendedores.
    Ele se refere a cobrança de 13 aluguéis por ano (às vezes 14), o alto valor dos condomínios e a obrigatoriedade do pagamento do fundo promocional, que corresponde a 20% do aluguel mínimo. Essa verba é utilizada na divulgação dos shoppings.
    Outra queixa de Brito, que também é dirigente do Sindilojas é a falta de prestação de contas tanto do dinheiro arrecadado com condomínio quanto o do fundo promocional. “Precisamos de uma lei para o tema, mas o projeto está engavetado na Câmara Federal há três anos”, lamenta.
    Fábio Irigoite, presidente da Associação Gaúcha de Administradores de Shopping Centers (Agasce) e responsável pelo Lindóia Shopping, concorda com a necessidade de uma legislação específica. Ele também respondeu as queixas, explicando que o 14º aluguel é exceção, válido em alguns contratos antigos.
    Quando trata da prestação de contas, o empresário faz uma comparação com um edifício residencial, em que os inquilinos não participam das reuniões. “Claro, não é a mesma coisa. Aí é que entra a lei, para regulamentar esse assunto. Mas já há empreendimentos que apresentam os valores investidos, espontaneamente”, observou.
    Irigoite se dispôs a receber reclamações de possíveis exageros cometidos por algum shopping, mas salienta que a cobrança do 13º é legal e está institucionalizada. A Comissão de Defesa do Consumidor e Direitos Humanos, que promoveu o evento, já acertou uma nova reunião sobre o assunto, em data ainda a ser definida. As duas associações, Agos e Agasce, se comprometeram a trazer dados sobre litígios envolvendo contratos nos 20 shoppings de Porto Alegre.
    Sindicatos apontam queixas
    O Sindilojas compareceu em peso à reunião. Pelo menos quatro diretores participaram do debate, um deles, o responsável pela diretoria de shoppings, setor recém criado pelo sindicato para atender o segmento.
    Roberto Jaeger, diretor institucional, afirmou que vai estimular a conciliação entre lojistas e administradores, através do setor jurídico da entidade. Mas ressaltou que excessos precisam ser averiguados. Um exemplo foi trazido pelo diretor Paulo Alves da Silva, que apresentou dois casos de lojistas que ainda pagam 14 aluguéis.
    Lideranças da Força Sindical e do Sindicato dos Comerciários também estavam presentes. Estes reclamaram da falta de condições de trabalho para os trabalhadores: poucos banheiros, inexistência de vestiários, refeitórios e transporte coletivo insuficiente nos horários de saída. “Já encaminhamos diversos ofícios a EPTC sem resposta”, disse um dos representantes.

  • Centro Popular pode ficar para 2006

    Camelódromo aéreo vai ficar em cima do terminal de ônibus da Praça Ruy Barbosa. (Fotos: Helen Lopes)

    A promessa da Prefeitura de retirar os ambulantes das ruas centrais de Porto Alegre antes do final do ano está cada vez mais difícil de ser cumprida. Primeiro o prefeito José Fogaça (PPS) deve apresentar o projeto de lei que cria o Centro Popular de Compras – ou Camelódromo Aéreo, como vem sendo chamado – um prédio que será construído em cima do terminal de ônibus da Praça Ruy Barbosa, próximo da Hipo Fábrica. Esse local vai ter banheiros, praça de alimentação e segurança interna, para receber clientes e proporcionar alternativa de trabalho aos camelôs.
    Antes de envir o projeto à Câmara de Vereadores, o processo de diálogo com as partes interessadas continua. Depois de aprovado, a Prefeitura terá cerca de 45 dias para realizar uma licitação para obter os investidores. Neste momento surge um novo problema. A necessidade da aprovação de outro projeto que cria no município a parceria público-privada, que sequer entrou na pauta de votação da Câmara de Vereadores.  Por isso, alguns vereadores acreditam que só no próximo ano será possível aprová-la.
    Para agilizar o processo, a Prefeitura propôs deslocar os  ambulantes para três prédios já construídos no centro da Capital. Os camelôs argumentaram que a divisão em muitos andares sem elevadores decretaria a falência daqueles que ficassem localizados nos andares mais altos, já que a maioria vende o mesmo tipo de mercadoria. Foi então que surgiu a idéia do Centro Popular de Compras, aproveitando a circulação da população nos terminais de ônibus.
    Apesar de ter sido bem recebida entre a maioria dos ambulantes, o
    projeto tem enfrentado resistências. O que eles querem mesmo é ficar na Praça 15 e adjacências. Alguns vereadores são contra a  proposta do Centro Popular porque envolve um investimento muito grande de recursos, deixando ociosos outros locais que poderiam ser utilizados para esse fim. Cecchim contesta: “os investimentos serão de empresários interessados”. O empresário vai bancar a construção do prédio e depois lucra com o aluguel das lojas.
    Sobre as construções já existentes, ele concorda que haveria uma segregação daqueles localizados nos andares superiores. “A idéia não é construir um gueto, mas sim um local adequado para eles exercerem suas atividades.”  Existe, ainda, uma parte dos camelôs com dificuldades específicas. Os ambulantes cegos tiveram uma audiência na tarde dessa segunda-feira (26) junto a vereadores para expor suas reivindicações. Eles não querem sair da esquina da Marechal Floriano com a José Montaury, porque ocupam o lugar há mais de 40 anos.
    O secretário Cecchim afirma que já recebeu os ambulantes cegos mais de cinco vezes em seu gabinete e garantiu que eles terão tratamento especial dentro do projeto de Centros Populares de Compras. “Eles terão todos os recursos de acessibilidade garantidos e podemos ainda pensar em uma área exclusiva”. Cecchim acha complicado criar um privilégio: “Se houver essa opção para eles, outros pedirão as mesmas vantagens.”
    O secretário demonstra confiança no projeto. “Muitos  são contra por desconhecimento.  Teremos lojas âncoras como farmácias e bancos populares oferecendo microcrédito, treinamento de gestão do Sebrae, praça de alimentação e segurança garantida. Isso vai agregar valor ao empreendimento”, diz, entusiasmado.
    O valor de aluguel de cada lojinha ficará em torno de 300 reais, menos do que estão acostumados a gastar atualmente com depósito, segurança e, por vezes, aluguel da banca. “O público que compra por impulso, que eles poderiam perder por não estarem mais no caminho das pessoas, não vai fazer diferença, pois terão outros atrativos como segurança, livre circulação e higiene”, acredita Cecchim.
    Outra vantagem, conforme o secretário, é a possibilidade de legalizar a situação dos comerciantes informais: “Ter um endereço comercial vai facilitar na obtenção de crédito para compra de mercadoria”. Mas a situação não será obrigatória, só sairá da informalidade quem quiser.

  • Camelôs cegos fazem apelo na Câmara

    Padilha entregou cópia de projeto para ambulantes cegos ao vereador Elói Guimarães (Foto: Elson Sempé)

    Guilherme Kolling

    A prefeitura quer entregar em outubro o projeto de lei dos centros populares de compras para varrer os camelôs das ruas do Centro. Angustiados com a mudança iminente, um grupo de ambulantes cegos fez um apelo na tribuna da Câmara Municipal, na tarde desta segunda-feira 26 de setembro.
    Com o respaldo da Associação dos Cegos do Rio Grande do Sul (Acergs) e da Associação de Cegos Louis Braille, eles pediram para permanecer na esquina da rua Marechal Floriano com José Montaury, ponto em que afirmam estar há 40 anos.
    O grupo inclui hoje 44 vendedores de bijuterias, todos trabalhando com auxiliar. Mais de 20 ocuparam as galerias do plenário. Eles garantem que não atrapalham o trânsito, nem pedestres e vitrines de lojas do local. Também argumentam que a maioria responde pelo sustento da família.
    Alcides de Souza Padilha é um dos que trabalha há mais tempo vendendo bolsas, pastas e mochilas. Ele apresentou aos vereadores um projeto para colocação das 44 barracas em uma estrutura metálica, coberta por lona. E entregou uma cópia ao presidente da Câmara, Elói Guimarães (PTB). Pretende fazer o mesmo com o prefeito José Fogaça.
    A idéia do trabalho, feito por um arquiteto, é criar uma unidade entre os camelôs, colocando-os em 11 grupos de 4 bancas, além de oferecer ao público um balcão de informações e uma linha telefônica para atender pedidos. “Nós vamos pagar tudo do nosso bolso, através de financiamento da Porto Sol”, projeta Cassiano Machado Santos, 62 anos, 38 na profissão.
    Outra liderança do grupo é Francisco de Assis Navas, 67, que vende bijuterias desde 1964. Ele diz que as negociações com a Secretaria da Indústria e Comércio (Smic) estão lentas. “A Smic está nos levando em banho-maria. Estamos tentando uma audiência com o Fogaça há meses”, conta.
    Navas explica que o camelódromo vertical não é viável, pelo menos para os deficientes visuais. “Cego subindo escada é um horror. E também não concordamos que joguem os vendedores ambulantes nesses prédios antiquados, sem elevador. Quem vai subir escada até o 4º andar para comprar alguma coisa?”, questiona.
    Para ele, os edifícios deveriam ter no máximo dois andares. A posição também é defendida pelo ex-secretário da Smic, hoje vereador Adeli Sell (PT). “Está provado em vários lugares que com até dois pisos funciona. Vou insistir que o Fogaça não volte atrás na idéia dos shoppings populares, que pare com essa história de camelódromo aéreo. Tem muito prédio devoluto no Centro que pode ser ocupado”, propõe.
    Os ambulantes cegos também criticam a idéia da plataforma aérea para 1,2 mil camelôs, já que não acreditam num movimento de 500 mil pessoas por dia no local, público necessário para dar vazão aos produtos desse número de vendedores.
    Representantes das bancadas da Câmara se manifestaram a favor do grupo que ocupou a tribuna, defendendo uma solução para o assunto. Mas Adeli, que não se pronunciou por ter chegado atrasado, está em cima do muro, diz que a questão dos camelôs cegos deve ser analisada, para encontrar um local adequado para o grupo.
    “Tem ainda o problema de legislação, já que eles podem passar o espaço para filhos. E existem cegos e cegos. Essa história de auxiliar não vale para todos, alguns terceirizam a banca. É preciso fiscalizar”.

  • Decisão de Petrobras não está tomada

    Elmar Bones, de Brasília
    O deputado Tarcisio Zimmermann (PT-RS) afirmou ontem ao JÁ, em Brasília, que a decisão da Petrobrás em relação a Braskem “ainda não esta tomada”. Acionado pelo Sindipolo, o deputado, que integra a Comissão de Trabalho da Câmara, manteve nas últimas semanas intensos contatos na Petrobras e no Governo em busca de informações e esta convencido de que “ a Petrobras não tem convicção de seus passos nessa negociação”.
    A relutância da direção da estatal em se manifestar sobre o assunto reflete essa indecisão, segundo Zimmermann. “Eu não apostaria que esse negocio sai agora. Mesmo que a Petrobras de prosseguimento as negociações apontando os ativos que pretende permutar não significa que esse será o caminho que ela tomara na petroquímica”.
    Segundo o deputado, a estatal estuda outras hipóteses e a troca na presidência da Petroquisa está relacionada a essa necessidade de melhor definição do caminho a tomar. O presidente anterior Kuniyaki Terabe, era uma indicação política, sem familiaridade com o setor, por isso foi trocado pela engenheira Maria da Graça Foster, técnica de carreira da Petrobrás. “A impressão que fiquei depois de todos esses contatos é que ainda há na Petrobras muitas dúvidas sobre o perfil dos investimentos que a companhia pretende fazer na petroquímica. A associação minoritária em diversos investimentos dilui riscos mas também dilui poder de decisão, deixando a subordinada aos interesses e humores dos parceiros privados”.
    O deputado não acredita que as negociações entre Petrobrás e Braskem possam resultar em favorecimento a uma empresa privada. Aspas Acho que a Petrobrás age dentro da lógica dos negócios e é com base nesta lógica que ainda há duvidas na cúpula da companhia de que esse seja o melhor caminho.
    Ele também minimiza a questão do emprego, pois acha que ela poderia ser contornada por um compromisso da Braskem com a manutenção dos postos de trabalho ou o encaminhamento dos funcionários que fossem dispensados. “A coisa mais estranha nesse processo todo é o silêncio do governo do Estado. Tenho certeza de que se fosse um grupo gaúcho tentando obter o controle do pólo de Camacari o governo baiano estaria reagindo”. Para ele a atitude do governador Rigotto no caso é de contemplação, que não é compatível com a relevância do pólo petroquímico para a economia regional.
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  • Farra do Teatro emocionou centenas de pessoas

    Mais de 500 pessoas acompanharam o espetáculo Farra do Teatro que ocorreu durante a tarde do ensolarado domingo (25) de encerramento do 12º Porto Alegre em Cena, no estacionamento da Usina do Gasômetro.
    No espaço cênico, 80 atores realizaram, ao ar livre, quatro horas de uma verdadeira maratona: quando não estavam encenando, estavam correndo. Vestido de branco, o grupo apresentou o resultado do trabalho de cinco dias de ensaios, ocorridos na última semana do Festival. A peça foi composta de uma seqüência de 30 músicas específicas para cada momento. Cada música tinha uma cena pré-determinada, mas os atores não conheciam a seqüência em que elas iam sendo tocadas. Paralelamente, foram estabelecidas três formas de corrida que provocavam tipos variados de estado de espírito nos integrantes.
    As ações eram na maioria conjuntas e significavam uma série de manifestações: uma cena que lembra os 40 anos da tragédia ocasionada pela bomba atômica nas cidades de Hiroshima e Nagasaki é uma delas. Outros assuntos como prostituição infantil, a omissão da sociedade frente ao estupro, a violência opressora contra os marginalizados e casos de abuso de poder por parte da polícia foram vivenciados pelos atores. Essas cenas coletivas foram as mais tocantes, gerando uma catarse nos atores, que por mais de uma vez, caíram no chão aos prantos.
    Outras formas de sensibilização foram utilizadas, como beijar na boca durante uma música inteira, tentar abraçar o outro e não ser correspondido, deliciar-se com o Giro Sufi (uma técnica antiga de meditação, onde a pessoa gira com a palma da mão direita para cima e a palma da mão esquerda para baixo se tornando um vértice de energia) e entrar em um fila para receber água, sabendo que nem todos seriam servidos. Neste último caso, o desespero dos participantes cresceu no momento em que um deles resolveu “roubar” o galão de água, impedindo que outros pudessem matar a sede. Foi perseguido por parte do grupo, em um improviso demonstrativo de que o espetáculo era movido por emoções verdadeiras.
    A racionalização da água no planeta também foi destaque, quando os atores procuraram alguém para “batizar” (dando ênfase no valor deste bem comum que passou a ser comercializado).
    Por diversas vezes, o público se emocionou e aplaudiu em cena aberta, como no ponto auge do espetáculo, que representou o apedrejamento de uma mulher argeliana, ocorrido recentemente, sob acusação de adultério. A atriz que representou a personagem teve suas roupas arrancadas, antes de ser apedrejada nua. Em seguida, os demais atores da peça despiram-se, em solidariedade, completando a cena.
    As ações individuais também emocionaram. Além de contar uma história pessoal de sua infância a alguém da platéia, os atores interagiram com o público, cantando músicas como Eu Sei que Vou Te Amar (Vinícius de Moraes) e Solidão (Alceu Valença ), olhando nos olhos de uma pessoa. A cada hora de espetáculo, a exaustão dos participantes aumentava, causando uma explosão de sentimentos e emoções.
    Conforme o diretor Roberto Oliveira, que ministrou a oficina junto com as atrizes Sandra Possani e Maria Falkembach (ambos do Depósito de Teatro) o fundamental neste espetáculo era que os atores não estivessem interpretando, mas sim, vivenciando e sentindo as emoções que surgiram durante as ações. Neste ponto, a corrida foi muito importante: com o cansaço, caíram as máscaras dos participantes, permitindo-lhes uma verdadeira meditação e exercício de entrega.
    No final, o elenco arrancou aplausos calorosos da platéia, que entrou no espaço cênico para dançar um xique-xique de Tom Zé. Encerrado o evento, os atores trocaram abraços entre si. Estavam com o corpo leve e a alma lavada.

  • Em Cena termina com mais de 12 mil ingressos vendidos

    Adriana Lampert
    A montagem italiana mPalermu, da diretora revelação da europa Emma Dante encerrou o 12º Porto Alegre em Cena no Theatro São Pedro, neste domingo (25), às 21h. Após o final da peça, o secretário Municipal de Cultura Sérgius Gonzaga participou da solenidade de encerramento do festival (22h15min), ao lado do organizador do evento, Luciano Alabarse e do prefeito José Fogaça, no salão do São Pedro.
    A prefeitura investiu no Em Cena cerca de R$ 2 milhões, sendo que pouco menos de um milhão e meio foi captado por cotas entre as empresas Sonae, Petrobras e Caixa / RS, beneficiadas pelas leis de incentivo à cultura estadual e federal. O restante dos custos será pago pela Secretaria Municipal de Cultura e pela arrecadação de ingressos (R$ 120 mil até sábado – 24 – à tarde).
    O valor do ingresso para assistir aos espetáculos deste ano, teve um reajuste de 100%. “O primeiro nos últimos 10 anos”, lembra Luciano Alabarse (foto). Ele ressalta que este reajuste foi calculado para que os ingressos em geral custassem R$ 10,00 uma vez que o valor único de R$ 20 tinha desconto para estudantes, idosos, artistas e funcionários de lojas e sindicatos credenciados pelo festival. “A política de descontos foi ampla. Tanto, que de cada 100 ingressos, 97 foram vendidos com descontos”.
    Segundo a organização do 12º Porto Alegre em Cena, ao todo foram vendidos pouco mais de 12 mil ingressos. A última semana foi a de maior procura pelo público. Este resultado foi visto como uma vitória, conforme Alabarse. “A cidade compreendeu que é normal pagar ingressos para ir ao teatro. Orgulho-me de ter trazido Norma Aleandro, Peter Brook e atrizes como Júlia Lemertz a preços acessíveis”.
    Apesar das críticas de algumas pessoas da classe, o organizador também tem apoiadores: o próprio antecessor, Ramiro Silveira concorda: “Eu entendo o Luciano nesta decisão, porque esta foi a alternativa para não baixar a qualidade do festival. Uma das características do Em Cena é dar acesso a espetáculos de qualidade para o maior número de pessoas. E várias peças, pelo nível da montagem e qualidade dos atores, fora do festival teriam o preço do ingresso mais caro.”
    A atriz Arlete Cunha que está trabalhando na produção de palco de espetáculos de rua concorda: “O festival precisa se pagar e, como a captação de recursos é difícil e a Prefeitura não tem verba suficiente, o ingresso acaba ficando mais caro.”
    Outro fato que gerou polêmica foi o fim da fila dos “sem ingressos” ou “A fila dos sem”. Alabarse argumenta que a entrada de pessoas sem pagar não ajuda a fomentar platéia, ao contrário do que pregam. “Não é possível que pensem que o teatro é feito para ser dado de graça para o público. Se eu acostumo o público a ir de graça no Em Cena, quem é que vai querer pagar para assistir as peças que ficam em cartaz durante o resto do ano?”, questiona. “A profissão de artista precisa ser valorizada. Cacilda Becker estava certa quando disse certa vez: ´Não me peçam para dar a única coisa que eu tenho para vender´”. O ator e diretor Kike Barbosa concorda: “Quem compraria ingressos, se todos soubessem da existência da fila dos “sem”? Além do mais, é injusto para quem comprou.

  • Estréia de O Círculo Sagrado terá entrada franca

    Xamanismo celta e textos poéticos musicais, adequados ao teatro-ritual, são os principais elementos do espetáculo O Círculo Sagrado, novo trabalho do grupo Nômade, que estréia nesta sexta-feira (23), no Centro de Eventos do DC Shopping. A peça resgata a cultura sacerdotal céltica e bretã da antigüidade, dando ênfase à sabedoria da natureza, do xamanismo celta e de seus valores espirituais femininos.
    A temática de O Círculo Sagrado é centrada na ameaça que sofre a cultura celta no momento da invasão romana. Discute o enfrentamento com o cristianismo que, com seu crescimento, passou a reprimir outras manifestações religiosas. “Não é preciso salientar o quanto isso marca profundamente o mundo até hoje, que vive sobre o domínio de uma visão ocidental, patriarcal e opressora da vida, onde as diferenças não são aceitas”, ressalta a diretora Gisela Rodriguez, que também integra o elenco.
    A peça mostra o momento de transição entre o desenvolvimento da cultura bretã druída até a Saga de Avalon. A Sacerdotisa Caillean chega a Avalon trazendo consigo Gawen, filho bastardo da antiga Suma Sacerdotisa com um soldado romano. Na Ilha de Avalon é erguido o círculo sagrado, onde os rituais celtas são executados, protegidos de seus perseguidores.
    Com roteiro de Tiago Agne e Gisela Rodriguez, o texto de O Círculo Sagrado foi inspirado no romance A Senhora de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, e vários outros textos poéticos galícios originais, incluindo os do poeta Yeats e do teólogo John O`Donohue. Textos de Shakespeare, Pat Mills e T.S. Eliot também foram adaptados.
    Além de Gisela, a montagem traz no elenco Ed Lannes, Juliano Straliotto, Liliane Pereira, Marcos Castilhos, Mauro Bruzza, Moira Stein e Paulo Zé Barcellos. Dá continuidade à trilogia que o grupo Nômade iniciou em 2002, com a encenação do espetáculo Celtas.
    O grupo valoriza a encenação simbólica e a intensidade de emoções do ator, que dança, participa da trilha sonora ao vivo junto aos músicos, e interpreta personagens místicos. Seus trabalhos têm como especificidade a pesquisa no teatro-ritual com bases em Artaud, Eugênio Barba e Grotowsky. Em geral, as encenações propostas pelo grupo Nômade utilizam o espaço de maneira pouco convencional, para que possam desenvolver determinados aspectos cênicos – como o uso de água, fogo, tintas, além de uma proximidade maior com o público.
    O Círculo Sagrado
    Direção de Gisela Rodriguez
    Onde: Centro de Eventos do DC Shopping (Frederico Mentz, 1606)
    Quando: Sextas e sábados, 21h; domingos, 20h. De 23 de setembro a 6 de novembro.
    Ingressos: R$ 10,00 / estudantes e classe artística: desconto de 50% – vendas antecipadas na loja Sirius (República, 304) e no restaurante Vitrine Gaúcha (DC Shopping).
    Entrada franca no primeiro final de semana.

  • Moradores de rua buscam refúgio na Redenção

    Luis Carlos, 35 anos, 22 na rua, questiona: “Ir para onde?” (Foto: Tânia Meinerz)

    Guilherme Kolling
    Acossados, os moradores de rua do Bom Fim e arredores buscam a Redenção como último refúgio. O administrador do parque fala em 30 pessoas, mas é evidente que são muito mais. E o grupo cresce na medida em que são afastados das ruas por grades, seguranças ou autoridades. Casos recentes: o Hospital de Pronto Socorro colocou telas nos vãos que eram utilizados como dormitório; o banco Itaú, na Ramiro Barcelos, construiu um canteiro embaixo da marquise; e na rua Augusto Pestana com Venâncio Aires, a Brigada está despachando o grupo. “Recebemos queixas diárias e viremos até que eles encontrem outro lugar para ficar”, disse o policial.
    Por isso, aos 70 anos, o Parque Farroupilha atrai gente como Luís Carlos Favero, 35 anos, 22 na rua. “Não tem como sair daqui. Ir para onde?” questiona o passo-fundense, que veio para Capital aos 12. Hoje ele é conhecido e recebe ajuda do pessoal do Ramiro Souto – em troca, dá uma força na manutenção: capina, limpa, recolhe areira. “É difícil conseguir emprego, pedem referência e um ano de prática”, explica. Ele garante o sustento catando lixo seco. Vende o material num galpão na Voluntários da Pátria, o que lhe rende um salário mínimo por mês. Só se queixa da prefeitura, uma concorrente “que quer tirar nosso trabalho”.
    Segundo Luís, 200 moradores de rua circulam pela Redenção, mas os fixos são poucos. Há núcleos no Araújo Viana, nas canchas de bocha e no Monumento do Expedicionário. A maioria consome cachaça ou loló. À noite tem tráfico de drogas e prositituição dentro do parque. Luís não fica lá, diz que é perigoso. Ele e a companheira Vânia preferem a entrada de um banco na Venâncio Aires. Ele já tentou as casas de convivência do Município, mas não gostou. “É uma disputa, não tem ficha para todo mundo”, justifica. O colega Vladimir concorda que “aquilo é muito bagunçado”.
    Na Redenção, tem ainda o problema dos gatunos de plantão. Tânia e Vladimir, que se conheceram na marquise do Araújo Vianna, perderam, num momento de distração, todos os pertences. “A gente não está livre de ser assaltado”. Mesmo asim, elegem o Farroupilha, já que nos albergues, “o perigo anda disfarçado”. “Já me roubaram uma panela de dentro da sacola quando eu tomava banho”, relata Tânia.

    Tânia e Vladimir acham o parque mais seguro do que a rua (Foto: Naira Hofmeister)

    Outro que se aventura a pernoitar na Redenção é Fabiano, 31. Ele fica porque um dos 20 companheiros sempre está vigiando enquanto os outros dormem. “É mais seguro e mais calmo do que a rua. Se for pro meio da cidade roubam a gente”. Mas as dificuldades estão aumentando, com o corte da água das torneiras da Redenção e a proibição de estender roupas nas cercas.
    “Agora lavamos ‘no lago’ e deixamos secar atrás dos banheiros, onde ninguém vê”, diz Fabiano. Sobre um possível cercamento do parque, ele é pragmático. “Se fecharem, teremos que ir pra baixo do prédio de alguém. Será que vão gostar?”.
    * Colaborou Naira Hofmeister

  • Guanabara: abuso do ambiente e de dinheiro público

    Francis França, do Rio de Janeiro
    Os alunos do Colégio Pedro II fizeram seu primeiro passeio pela Baía de Guanabara na quinta-feira, dia 15/09, para a tradicional aula de história que é dada todo ano para as 3as séries. As 60 crianças embarcaram na maior algazarra no Rebocador Laurindo Pitta, construído em 1910, único remanescente da força naval brasileira que participou da Primeira Guerra Mundial.
    O turismo histórico continua fazendo sucesso, mas a Baía de Guanabara apresentada à turminha não é mais aquela que recebeu seus avós. Antes da saída, o primeiro sintoma: no Submarino Riachuelo, aposentado no cais da Marinha, a marca do limo grosso, a densidade verde da água não deixa ver nem um palmo abaixo da superfície.
    Para aproveitar o passeio, é preciso olhar a Baía de Guanabara como quem admira uma pintura impressionista. De perto, o protagonista é o lixo. Plásticos, garrafas, madeiras, listras de espuma espessa cortando o mar até onde a vista alcança. E tudo isso na parte limpinha da baía, onde passa a excursão. Também é preciso não dar importância à água borrifada no rosto pelo balanço do rebocador nas ondas.
    O passeio histórico no Laurindo Pitta é novidade até para a professora Yara Barreira de Morais, 61 anos, 43 de magistério. Ela não conhecia o veterano da Primeira Guerra, mas a baía ela conhece desde pequena, quando usava as barcas como meio de transporte para ir a Niterói.
    “Era uma beleza, não tinha essa imundície que é hoje”, lembra, acrescentando que agora a Baía de Guanabara está melhor, perto do que era há cinco anos.
    Mas a baía já não vai bem há muito tempo. De acordo com o geólogo Elmo da Silva Amador, autor do livro Baía de Guanabara e Ecossistemas Periféricos: Homem e Natureza (1997), a capacidade de regeneração natural da baía esgotou quando o Rio de Janeiro atingiu 500 mil habitantes. Antes disso, no século 19, as praias eram recomendadas para banhos terapêuticos, para a cura de enfermidades phyísicas e nervosas, segundo os jornais da época.
    Só que a população cresceu. Atualmente, os sete municípios ao redor da baía têm cerca de 10,7 milhões de habitantes, que geram 12 mil toneladas de lixo por dia. A baía recebe, a cada 24 horas, mais de 1,7 milhão de toneladas de esgoto e 1.500 toneladas de lixo.
    E a tendência é que a quantidade de lixo cresça permanentemente. De acordo com o Estudo para Controle e Recuperação das Condições Ambientais, realizado pela equipe da Agência Japonesa de Cooperação Internacional entre maio e julho de 2002, o número de habitantes nessas cidades saltará para 12,2 milhões em 2020, data em que o próprio governo do estado admite como possível para que o carioca possa desfrutar das despoluídas praias de Ramos, Icaraí, Ilha do Governador, Paquetá, entre outras.
    O lixo e o esgoto colaboram para que 15,7% de toda a água sejam transformados em lama. O valor da área assoreada, segundo Amador, equivale a 50 vezes o Aterro do Flamengo. Já em 1997 o geólogo apontava a perda de um terço da baía nos próximos cem anos.
    “A baía perde até cinco centímetros de profundidade por ano em alguns pontos, enquanto o natural seriam 18 centímetros por século”.
    Guanabara já perdeu muito mais do que profundidade. Comparando com o passado, o ecossistema está irreconhecível. Originalmente, tinha 132 km2 de restingas. Sobraram 28 km2. Era filtrado por 235 km2 de brejos e pântanos. Restaram 75 km2. Abrigava 101 ilhas. Ficaram 65. Aninhava 118 praias. Perdeu 46 para os aterros. Ao todo, ela perdeu 29,1% de sua superfície.
    Projeto de despoluição vira piada de mau gosto
    Quando passa pela linha vermelha, entre a favela da maré e a baía, Ivone Tolomini fecha as janelas do carro. O cheiro de podre que vem da água é insuportável. Ivone lembra que a sobrinha trabalhava para uma empresa japonesa responsável pela despoluição da Baía de Guanabara. Um dia, eles simplesmente recolheram os equipamentos, os móveis e fecharam as portas.
    “Minha sobrinha foi pra rua sem receber um tostão de direitos trabalhistas, nada”, conta Ivone.
    A sobrinha de Ivone perdeu o emprego em uma das cinco vezes que o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDGB) foi interrompido desde que começou a ser executado, em 1994. As obras foram suspensas por falta de pagamento. Os japoneses construíram as Estações de Tratamento de Esgoto e queriam a contrapartida do governo, com construção dos troncos coletores de esgoto. Para a despoluição, o Estado entra com 65% do investimento e o banco com os 35% restantes.
    No orçamento original de 1994, os recursos disponíveis eram de US$ 793 milhões, dos quais US$ 350 milhões financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), US$ 237 milhões pela agência japonesa Japan Bank for International Cooperation (JBIC) e US$ 206 milhões provenientes do governo estadual. O projeto está orçado hoje em US$ 1,04 bilhão (R$ 2,83 bilhões), dinheiro suficiente para construir seis Linhas Amarelas.
    Até agora, o programa já tragou cerca de US$ 855 milhões (R$ 2,3 bilhões), mas, dez anos depois de iniciadas as obras, o estado trata apenas 25% de todo o esgoto jogado na baía. Ao longo dos últimos quatro governos, foram construídas ou ampliadas oito estações que, juntas, têm capacidade para tratar 11.869 litros de esgoto/segundo, mas tratam apenas 4.762 litros, o que representa cerca de 25% do total. Ou seja, 75% são lançados in natura.
    Fazendo as contas, o estado consumiu 82% dos recursos, levou mais do que o dobro do tempo previsto para a primeira fase e não alcançou sequer a metade da meta. A conclusão da primeira fase do programa está prevista para 25 de dezembro de 2006, às vésperas do aniversário de 12 anos. Por enquanto, a segunda fase ainda é um sonho.
    A Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) em 2003 para investigar denúncias de desvios de recursos nas obras do programa de despoluição e constatou que mais de 70% dos contratos sofreram acréscimos, o que teria causado um prejuízo de quase US$ 300 milhões (cerca de R$ 810 milhões) aos cofres públicos.
    A comissão foi apurar porque, em oito anos, 76% dos recursos do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara foram gastos sem que quase nada saísse do papel. O deputado Alessandro Calazans, que abriu o inquérito, denuncia que muitas obras do projeto foram integralmente quitadas com as empreiteiras sem terem sido executadas, que quilômetros de tubulações foram postos no mapa, mas não debaixo da terra, e que compras de R$ 98 milhões, para equipar a estação de tratamento da Alegria, na gestão Anthony Garotinho, foram fechadas sem licitação.
    A justificativa do PDBG para os atrasos foi o obstáculo estrutural da sociedade, em outras palavras, a favelização. Há cerca de 900 favelas na margem oeste, onde fica o município do Rio de Janeiro e seus subúrbios da Baixada Fluminense. Entretanto, a favelização estava prevista no estudo básico do programa, um calhamaço de 500 folhas em que o governo japonês gastou dois anos e US$ 3 milhões para apadrinhar o projeto. Nele, os técnicos avisavam, em 1994, que a principal causa da poluição da água são as atividades humanas diárias e a produção industrial.
    Segundo o relatório da CPI, houve abuso da ordem econômica por parte dos responsáveis pelo PDBG, ao atrasar os serviços. O projeto deveria estar pronto em 1998.
    Com tantas expectativas frustradas, o que resta à baía são mesmo o turismo e a História. Os alunos do Colégio Pedro II, que a conheceram a bordo do Rebocador Laurindo Pitta na semana passada, aprenderam que, em tupi, guana significa mar, e bara, seio. Para os índios, a Baía de Guanabara era um seio de mar. Aprenderam sobre a história dos fortes ao redor da baía e sobre o belo castelinho da Ilha Fiscal, conhecida hoje pelo evento que a marcou O Último Baile do Império, realizado alguns dias antes da Proclamação da República. As professoras disseram que, vendo na prática, as crianças aprendem muito mais fácil.
    Mas entre as explicações durante a viagem ninguém falou que, em 1502, ao chegar à baía, o navegador Pero Lopez de Souza decretou que toda água encontrada ali era excelente. As professoras preferiram se calar sobre o que não é possível demonstrar na prática.

  • Cresce o número de excluídos nas calçadas

    Em poucos minutos a calçada estava vazia (Fotos Naira Hofmeister)

    Não eram nem sete da manhã dessa quarta (21) quando uma viatura da Brigada Militar encostou na esquina da Rua Augusto Pestana com a Venâncio Aires. Os dois policiais desceram e, aos gritos,  acordaram os moradores de rua que dormem embaixo daquela marquise. “Vamos lá! Vamos sair fora”, diziam eles.
    Rapidamente os cinco homens que dormiam por ali, recolheram seus pertences e foram embora sob a supervisão do outro PM, que, da esquina, acompanhava com o olhar até onde a turma ia.
    Apesar da veemência com que cumpriram a ordem, ele revela: “Todos têm direito de ir e vir, né? Não é crime nenhum eles estarem aqui. Vai fazer o quê, eles não têm dinheiro nem casa. A gente só vai acordá-los mais cedo”.
    Um dos policias contou que a Brigada recebe diariamente ligações solicitando a retirada dos moradores. “Hoje viemos antes que reclamem”, argumentou. E já avisa: daqui para frente, dia sim, dia não, repetirão a ação “Para ver se eles acham um lugar onde incomodem menos”. O policial se refere aos bares do local, que temem ter queda no movimento por conta da presença dos moradores de rua.
    A versão oficial é um pouco diferente
    No entanto, o comandante do 9º Batalhão de Polícia, reponsável pelos cuidados da área central de Porto Alegre, Major Rodrigues, afirma que a ação não se caracteriza como policial: “A SMAM e a Prefeitura têm solicitado apoio da Brigada na retirada dessas pessoas das ruas”. Segundo o Major, a polícia so é acionada quando há resistência em deixar o local. A razão da SMAM seria o acúmulo de sujeira que normalmente ocorre em locais escolhidos por essas pessoas para passar a noite. “A frequência do serviço será determinda pela prefeitura”, conclui.