No seu batismo nas urnas em 1982, o PT elegeu os primeiros vereadores, entre eles Luiza Erundina, imigrante nordestina que seis anos depois seria eleita prefeita de São Paulo, num dos maiores feitos do partido: derrotou Paulo Maluf, cobra criada da ditadura militar, e João Leiva, raposa do PMDB.
Na realidade, a assistente social Luiza Erundina foi a segunda prefeita petista de uma capital. Em 1986, surpreendentemente, o PT de Fortaleza conquistou a prefeitura com Fontenelle venceu em Fortaleza: primeira prefeita de uma capital
Maria Luiza Fontenelle, que derrotou dois bodes velhos da política (Paes de Andrade e Lucio Alcântara). Formada em serviço social e professora de sociologia na Federal do Ceará, ela quase não conseguiu governar – os funcionários municipais fizeram greves de longa duração, criando problemas em todas as áreas da administração. Seu sucessor foi Ciro Gomes. Mais tarde expulsa do PT, Maria Luiza elegeu-se deputada federal pelo PSB e acabou na extrema esquerda, filiada ao PSTU, que prega o voto nulo.
Desde as primeiras vitórias eleitorais, o partido brigou consigo mesmo quase tanto quanto brigou com os adversários. Em nenhum lugar as gestões petistas foram pacíficas. Ou tiveram de enfrentar adversários aguerridos ou desencadearam brigas entre companheiros de partido. Em 1994 o PT perdeu pela segunda vez a eleição para presidente, mas elegeu dois governadores: o professor Christovam Buarque no Distrito Federal e o médico Vitor Buaiz no Espírito Santo. Os dois foram acuados por militantes e pressionados pela cúpula nacional do partido, formada então por Lula, Zé Dirceu e José Genoíno. Ameaçado de expulsão por manter um acordo de convivência republicana com o governo tucano de FHC, Buaiz desligou-se do partido e não disputou a reeleição nem indicou candidato à sua sucessão. Christovam Buarque bandeou-se para o PDT.
No final do século XX, com o país imerso na revolução tecnológica resultante da fusão da informática com a infraestrutura de telecomunicações, o eleitorado começava a virar para a oposição. Na eleição de 1998, Lula perdeu mais uma vez para FHC, mas o PT elegeu os governadores José Orcírio (Zeca) no MS e Olívio Dutra no RS. Olívio Dutra
O Plano Real dava à população uma sensação de segurança desconhecida desde a inflação galopante iniciada nos anos 1960. A estabilidade monetária foi o maior legado dos tucanos, que não souberam transformar suas obras em votos. Para chegar lá, porém, Lula teve de pagar pedágio ao sistema.
Em 22 de junho de 2002 o chefe do PT lançou a Carta ao Povo Brasileiro, quatro páginas com críticas ao governo federal e promessas de reformas, crescimento econômico, geração de empregos e distribuição de renda. Um dos parágrafos-chave da carta dizia que Lula presidente “honraria os contratos”, expressão trazida em Nova York por José Dirceu, após reunião fechada com banqueiros e outras figuras do Império.
Lula e o vice José de Alencar tomam posse para o primeiro mandato no Planalto, em 2003
A história do PT tem portanto um divisor de águas – a Carta ao Povo Brasileiro, um documento político-eleitoral dirigido não apenas aos cidadãos brasileiros, mas a figuras do mundo internacional da diplomacia e das finanças. Só bem mais tarde se compreenderia que o compromisso de “honrar os contratos” significava a manutenção da política econômica do governo FHC.
Mesmo dentro da moldura neoliberal, o governo Lula fez apostas significativas e promoveu mudanças. Não se pode negar que as metas da Carta foram perseguidas, mas os resultados ficaram aquém das promessas. Ainda assim foi graças ao governo Lula que o país saiu do mapa da miséria da ONU. Nunca antes neste país fora feito tal esforço de justiça social. Bolsa Família. Luz para todos. Escolas técnicas. Universidades. Prouni. Benesses que se estenderam pelos dois mandatos de Lula e foram ampliadas no primeiro governo de Dilma Rousseff, que levou adiante, aos trancos e barrancos, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criticado como “uma lista de boas intenções” pela ex-ministra Marina Silva durante a campanha presidencial de 2010. Na realidade, o PAC (lançado em 2007) foi uma tentativa de realizar uma série de projetos de infraestrutura para os quais faltaram recursos públicos e, também, investimentos privados. A falha não foi só do governo Dilma; faltou protagonismo na iniciativa privada, que perdeu tempo pedindo mais e mais facilidades.
Uma das maiores vitórias colhidas pelos governos petistas deu-se no campo agrícola. Tanto adeptos como adversários reconhecem que o boom da produção rural nos últimos 20 anos foi fruto de investimentos públicos e privados. As exportações de commodities passaram a sustentar o superávit na balança comercial. Com o deslanche do Agronegócio, o Brasil acumulou reservas cambiais de mais de 300 bilhões de dólares, formando uma trincheira contra movimentos especulativos externos e internos. Além de pagar o FMI, o governo Lula emprestou-lhe dinheiro, mas não foi capaz de livrar-se do jugo dos credores da dívida pública.
As reformas foram parciais e até contraditórias. A ajuda aos miseráveis, via Bolsa Família, foi compensada pelo respaldo ao sistema bancário, que passou a apresentar lucros nunca antes alcançados. O governo deu força à agricultura familiar, mas puxou o freio da reforma agrária. O apoio irrestrito à agricultura empresarial levou o PT a legalizar praticamente sem debates a soja transgênica, adotada maciçamente por agricultores que a trouxeram inicialmente, de contrabando, da Argentina.
Delineou-se assim o PT conciliador/resiliente: em nome da governabilidade, o partido abraçou o pragmatismo político, deixando em segundo plano a ética pregada enquanto foi oposição. A prioridade passou a ser a manutenção no poder a qualquer custo. O que se dizia então era que o virtuose Lula segurava o violino com a mão esquerda, mas o tocava com a direita. Os filiados mais antigos como o economista Chico de Oliveira e o filósofo José Gianetti da esquerda uspiana começaram a debandar. E assim foram se afastando lideranças regionais magoadas por críticas mais ou menos injustas e rasteiras mais ou menos explícitas. O missionário Frei Betto, que nem filiado era, deixou de colaborar com o governo Lula e escreveu A Mosca Azul (Rocco, 2006), um livro contundente sobre os desvios do PT. Algo semelhante aconteceria mais tarde com o deputado Fernando Gabeira.
A cada petista histórico que se afastava do partido, porém, associavam-se (inclusive pela internet, num lance ousado do comandante José Dirceu) centenas de petistas de ocasião. De olho em algum cargo comissionado, aderiam não mais os petistas de coração, mas os partidários do crachá de CC (cargo comissionado). Quando se viu, os governos petistas estavam praticando não apenas o pragmatismo político, mas o fisiologismo, o clientelismo e o toma lá-dá cá que fazem parte da rotina dos partidos políticos brasileiros. E assim se chegou ao chamado Mensalão (2005), um escândalo envolvendo a compra de apoio parlamentar a projetos do governo. O grande erro da cúpula petista foi acreditar que a impunidade estava garantida pela antiguidade da prática do suborno na política.
Quem pôs o dedo na ferida pela primeira vez foi o deputado federal Roberto Jefferson, do PTB do Rio, descontente com sua fatia na pizza servida por ordem do maître Zé Dirceu. Denunciado em 2005, o Mensalão manchou a biografia do PT, que já carregava nas costas o cadáver do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002. Até hoje o caso não foi esclarecido. A versão oficial da polícia é que Daniel foi vítima de um sequestro comum. Uma versão alternativa sustentada por familiares de Daniel diz que foi crime político associado a um esquema de propinas envolvendo empresas de transporte coletivo de Santo André. No entanto, mesmo com o PT sangrando, a presidenta Dilma reelegeu-se em 2014 graças à votação maciça do eleitorado do Nordeste. Foi a gota d’água.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“O polo de referência das esquerdas, em torno do qual precisam se unir, é somente um: os direitos dos pobres.”
Frei Betto em A MOSCA AZUL (317 páginas, Rocco, 2006)
A coligação que busca eleger o vice-prefeito Sebastião Melo (PMDB) à Prefeitura de Porto Alegre já reúne 13 partidos. Nesta segunda-feira, o DEM e o PROS anunciaram apoio à candidatura. E a aliança deve crescer nos próximos dias, com a possibilidade de PDT e PP se somarem à coligação. A Rede é outro partido que está sendo procurado pelos aliados de Melo. O PR também balança.
Os partidos que já compõe a coligação são: PMDB, PSB, PSD, PPS, PRB, DEM, PROS, PHS, PEN, PRTB, PSDC, PTN e PMN.
A candidata Luciana Genro, do PSOL, que liderou a primeira pesquisa, divulgada na semana passada, também busca apoio da Rede. Uma coligação com a Rede garantiria mais tempo de TV e a presença de Luciana nos debates de rádio e televisão. Pela lei eleitoral, a coligação precisa ter ao todo no mínimo nove deputados federais para ter presença garantida nos debates.
Se o PDT não conseguir fechar apoio em torno da candidatura de Vieira da Cunha, o partido deve apoiar Sebastião Melo. O prefeito José Fortunati se reuniu nesta terça-feira com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi. Vieira já anunciou que não se candidatará a vice.
O Partido Progressista deve indicar o vice da chapa do PMDB, condição imposta pelo partido para se somar ao bloco. O apoio do partido é disputado por pelo menos outros três candidatos: Maurício Dziedricki (PTB), Vieira da Cunha (PDT) e Nelson Marchezan (PSDB).
Nesta terça-feira, o PC do B confirmou apoio à candidatura de Raul Pont (PT). Vai indicar Silvana Conti para a vaga de vice. Silvana é diretora do Simpa (Sindicato dos Municipários) e milita por políticas públicas para as mulheres.
Sem solução para as demandas dos movimentos sociais por moradia popular, o prefeito José Fortunati decidiu recorrer da decisão que negou a liminar de reintegração de posse da sede do Departamento Municipal de Habitação.
No recurso, a Procuradoria alega que a ocupação traz prejuízos ao trabalho. E anexa uma moção de repúdio assinada por coordenadores e conselheiros do Orçamento Participativo, pois entendem que o OP tem sido um instrumento para solicitação de políticas de habitação para a cidade. Novamente, a Prefeitura reitera que só pretende dialogar após a saída dos ocupantes da sede.
Segundo dados oficiais, 52 mil famílias estão cadastradas em programas de habitação no município de Porto Alegre, das quais 3.330 receberam casas. A previsão é entregar mais 2.100 residências até o final deste ano. Segundo a Prefeitura, o Demhab também já tem aprovados recursos para a construção de mais 1.300 moradias, apesar da suspensão dos repasses do programa Minha Casa Minha Vida.
À tarde, os manifestantes leram uma carta aberta à Prefeitura, durante entrevista coletiva. “Chegamos ao 11o dia de ocupação e o governo ainda não ouviu nossas reivindicações”, lamentaram. “Se como candidato a prefeito o [Sebastião] Melo não quer dialogar, imaginem se for eleito”, alertou Pepe Martini, do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).
Como apenas o saguão do prédio está ocupado, o trabalho dos servidores continuou normalmente, pois o acesso deles ao prédio nunca sofreu qualquer restrição, “o que pode ser comprovado pelo ponto eletrônico”, mas o governo decidiu suspender o atendimento externo. Em solidariedade ao movimento, os funcionários do Demhab decidiram paralisar suas atividades.
Agora, os próprios integrantes do OcupaDemhab recebem quase 200 pessoas por dia, a maioria reclamando de atraso no pagamento do aluguel social. Para eles, é uma política assistencialista, que não traz solução ao problema habitacional.
“Há anos o Ministério Público tenta abrir a caixa preta do Demhab, para saber quanto é e para onde vai o dinheiro do Fundo de Moradia”, registrou Nana Sanches, do MLB (Movimento de Luta dos Bairros, Vilas e Favelas), um dos três movimentos que promovem a ocupação.
Uma senhora de cabelos brancos, que não chegou a se identificar, largou o trabalho de crochê por um instante para dizer que há 289 vilas irregulares há 25 anos, e só sai dali quando tiver uma solução encaminhada.
O ex-senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi preso na manhã desta segunda-feira, 25, pela Polícia Militar, quando participava de protesto contra uma operação de reintegração de posse na cidade de São Paulo. Ele foi levado para a delegacia de polícia. As informações foram divulgadas no Facebook do próprio senador.
Ontem, na convenção do partido que definiu a candidatura de Fernando Haddad à reeleição, o nome de Suplicy saiu como um dos candidatos a vereador pelo partido.
A reintegração de posse foi num terreno por cerca de 350 famílias há três anos na Cidade Educandário, perto da Rodovia Raposo Tavares, zona oeste da capital paulista. Houve troca de tiros após revolta dos moradores, depois que uma criança foi atingida com bomba de gás lacrimogêneo.
O ex-senador e candidato a vereador Eduardo Suplicy (PT-SP) acompanhava a ação e tentou impedir a reintegração deitando-se no chão, no quer foi acompanhado pelos que estavam em volta. Fle foi retirado à força por policiais, detido e levado ao 75º DP, do Jardim Arpoador. Foi liberado à tarde.
Vem aí o Partido Novo. Ele existe desde 15 de setembro de 2015 e acaba de fazer sua primeira convenção partidária em Porto Alegre. Para sua estreia numa eleição, vai registrar 16 candidatos a vereador.
O deputado estadual Marcel van Hattem, do PP, e o presidente estadual do PSL, Fábio Ostermann, estiveram entre os simpatizantes que compareceram ao evento, na tarde de sábado, 23, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa.
Os candidatos são quase todos empresários, administradores ou publicitários. A expectativa do presidente do diretório municipal, Carlos Bonamigo, é ganhar pelo menos 60 mil votos e eleger três vereadores. “É um momento histórico”, emenda o dirigente estadual do Novo, Carlos Molinari.
Em abril o partido convidou o empresário Eduardo Bier Corrêa, o Dado Bier, 50 anos, para concorrer à Prefeitura de Porto Alegre nas próximas eleições. Ele é filiado, mas declinou, alegando compromissos profissionais.
O Novo anuncia que quer se diferenciar dos demais partidos com regras como o estatuto contra o carreirismo político: é vedada mais de uma reeleição para um mesmo cargo, e a sustentação financeira deve vir de contribuições de pessoas físicas: cobra mensalidade dos filiados e não utiliza o Fundo Partidário, por exemplo.
A agremiação foi fundada por 181 pessoas no início de 2011, em sua maioria profissionais liberais, engenheiros, administradores, economistas, advogados e médicos. No pleito deste ano, concorre apenas em capitais.
Meses antes, voluntários colhiam assinaturas nos parques de Porto Alegre. Um deles explicou ao JÁ que, para ele, “todos os partidos são de esquerda, porque prometem as mesmas coisas”. Eles seguem os princípios do liberalismo e acreditam que o empreenderorismo é o caminho prioritário. Entendem que o Estado deve cuidar explisivamente de segurança, saúde e educação básica. O resto, o mercado resolveria. “Mais trabalho e menos impostos” é um dos seus lemas.
O presidente nacional da legenda é João Dionísio Amoêdo, executivo com passagens pela presidência do Citibank e do Itaú BBA.
Matheus Chaparini
Neste domingo, o PSOL confirmou o nome de Luciana Genro como pré-candidata à Prefeitura de Porto Alegre. O nome do vice da chapa ainda está em aberto. O partido negocia com a Rede, que, em caso de coligação, vai apresentar o vice. Se não houver acordo, o PSOL vai lançar também o vice. O nome do partido defendido por Luciana é o do deputado estadual Pedro Ruas.
O evento de lançamento da pré-candidatura lotou completamente o Auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa na tarde do domingo.
O público respondeu à confirmação da pré-candidatura cantando “olê olê olê olá, Luciana!”, embalados pela bateria do Juntos, grupo ligado à juventude do partido. Evento lotou completamente o Auditório Dante Barone, da AL / Fernanda Piccolo
A convenção do PSOL tem um formato atípico, em duas partes, como explicou o presidente municipal da sigla e pré-candidato a vereador Roberto Robaina.
Teve início neste domingo, com a confirmação do nome de Luciana, aprovada por aclamação durante o evento, e terá seu segundo e conclusivo ato no dia 5 de agosto, quando serão anunciados o candidato a vice-prefeito e os candidatos a vereador.
Em seu discurso, Luciana defendeu que o momento político atual é uma “oportunidade gigantesca” para o surgimento de uma nova esquerda no Brasil. “Este é o desafio por trás destas eleições”, afirmou.
Em certo momento de seu discurso, quando comentava das possibilidades de alianças com outros partidos políticos, Luciana Genro citou a colunista do jornal Zero Hora, Rosane de Oliveira. “Recentemente, a Rosane disse que todos os candidatos disputam o PP, mas nós não. Nós não queremos o PP e não aceitamos corruptos.” Pré-candidata quer governar através da mobilização popular
Após um discurso de mais de 40 minutos, Luciana Genro deu entrevista aos jornalistas. Questionada sobre as alianças com outros partidos em um eventual segundo turno, afirmou que o partido não busca aliança com partidos envolvidos na Lava-Jato, o que reduz as possibilidades de coligação.
Sobre a baixa representatividade do partido na Câmara Municipal, onde ocupa apenas duas cadeiras, a pré-candidata afirmou que pretende governar através do diálogo e da mobilização do apoio popular. “À medida em que os projetos surgirem da vontade popular, os vereadores vão se sentir parte destes projetos e aprová-los, mesmo que eles não sejam da base do governo.” Coligação com a Rede não é consenso
A busca de apoio da Rede não é consenso entre os apoiadores da pré-candidatura. Na entrada da Assembleia Legislativa, militantes do PSTU distribuiam um panfleto contra a coligação e defendendo a possibilidade de uma frente de esquerda. O texto do manifesto afirmava que o partido “repete o erro do PT, cujas coligações com partidos burgueses o levaram a trair interesses dos trabalhadores.”
Também circulava pela entrada do Palácio Farroupilha um “manifesto por uma frente de esquerda e socialista em Porto Alegre”. O documento, assinado por membros do partido e outros grupos de esquerda, criticava a alianças “com partidos burgueses como a Rede e fisiológicos como o PPL.”
O vice-prefeito e candidato à Prefeitura de Porto Alegre, Sebastião Melo, defendeu a unificação da fiscalização sobre os contratos das empresas terceirizadas que prestam serviço ao Município. “Se passar a régua nos contratos da Prefeitura, dá pra cortar 30%. Um exemplo disso é o DEP”, afirmou. Melo participou na manhã desta quinta-feira do evento ‘Fala, candidato’, promovido pela Associação Comercial de Porto Alegre.
Recentemente, uma reportagem do jornal Zero Hora desvendou um esquema de desvio de dinheiro no Departamento de Esgotos Pluviais. A Prefeitura pagava por serviços que não eram executados ou que eram mal feitos e superfaturados.
“São centenas de contratos de terceirização, o caso do DEP é só um caso. Nós vamos fazer uma auditoria permanente destes contratos, através da unificação da fiscalização, porque hoje tem um fiscal que fiscaliza cada área isoladamente. Precisamos habilitar os fiscais”, afirmou Melo, que defendeu também um estudo sobre a máquina da Prefeitura, que considera demasiada. “Perdemos a mão do planejamento urbano” Próximas edições do evento já têm confirmada Luciana Genro, no dia 27 de julho e Vieira da Cunha em 11 de agosto / Divulgação ACPA
O vice-prefeito reconheceu a deficiência da atual gestão em lidar com as questões urbanísticas da capital. “Nós perdemos a mão do planejamento urbano da cidade e estamos trabalhando reativamente. Está faltando planejamento.”
Em relação à mobilidade urbana, o candidato defendeu a integração do transporte coletivo, municipal e intermunicipal, além de ampliação das ciclovias. “Quando os carros ganham das pessoas, isto indica uma falência da cidade. E o Brasil vem cometendo este erro desde Juscelino Kubitschek.”
Em relação às obras incompletas da cidade, Melo afirmou que ainda este ano, pelo menos quatro das chamadas “obras da Copa” serão entregues: as trincheiras da Anita Garibaldi e da avenida Ceará, a Cristóvão Colombo e a Severo Dullius. Segundo turno deve ter “um do lado de lá e um do lado de cá”
Em conversa com jornalistas, Sebastião Melo comentou ainda o cenário eleitoral. Para ele, esta é uma eleição de dois turnos. “Estou trabalhando para chegar ao segundo turno”, afirmou. Em relação ao resultado da pesquisa do Instituto Methodus divulgada esta semana pelo jornal Correio do Povo, na qual aparece em terceiro lugar, Melo disse acreditar que seja um resultado preliminar e que o eleitor vá se preocupar de fato com as eleições nos últimos 20 dias, em função do conturbado momento político do país.
A pesquisa traz em primeiro lugar a candidata do PSOL, Luciana Genro, seguida de Raul Pont, do PT, com Melo em terceiro lugar. Mas o vice-prefeito não acredita em um embate entre PT e PSOL. “Teremos um segundo turno com alguém do lado de lá, o Raul ou a Luciana, e alguém do lado de cá.”
Melo afirmou que as negociações com outros partidos estão em aberto até a convenção do PMDB, no dia 4 de agosto. “Estamos abertos a negociação com todos os partidos que não tenham candidato”, afirmou Melo, descartando negociações com PTB e PDT, partidos que integram a base do governo municipal nas últimas gestões, mas que já anunciaram pré-candidatos próprios para o pleito de outubro.
Geraldo Hasse
A posse de Odacir Klein para um mandato rotativo de 18 meses na presidência do BRDE na tarde de terça, 19, foi uma inequívoca demonstração de força do PMDB gaúcho. Faltaram lugares no auditório do 14º andar da sede na Rua Uruguai 154 no centro de Porto Alegre. “Estou vendo secretários de Estado de pé nos corredores”, disse Klein ao final de seu discurso de posse. Ele recebeu o cargo de Neuto do Conto, representante político de Santa Catarina. Dentro de 18 meses, a Presidência passará ao paranaense Orlando Pessutti. Klein assina o termo de posse. Foto: Karine Viana/Palácio Piratini
Emocionado ao assumir um dos cargos mais importantes de sua carreira – vereador aos 21 anos, foi prefeito de Getulio Vargas, deputado, secretário de Estado, ministro, presidente do Banrisul e de órgãos de classe como a Fecotrigo e a Abramilho –, Klein se declarou “grato, muito grato” ao governador Ivo Sartori por confiar-lhe a cadeira gaúcha na direção do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul; agradeceu também aos ex-governadores Pedro Simon e Germano Rigotto, por ajudá-lo em momentos difíceis de sua vida.
Os dois chefes do PMDB gaúcho estavam na primeira fila do auditório, lotado por uma rara coleção de figuras ilustres da vida política e empresarial do Estado. O prefeito José Fortunati, sem partido, estava à vontade na mesa principal. Também estiveram presentes emissários do Rio e de Brasilia. O diretor Ricardo de Souza Ramos trouxe “o abraço da presidenta Maria Silvia Bastos Soares ao maior parceiro de fomento do BNDES”.
Fabio Medina, representando a Advocacia Geral da União, falou em nome do presidente interino Michel Temer. Em seu discurso lido, ao elogiar o enfoque do BRDE, ele apresentou uma pérola do vernáculo: “Não é despiciendo lembrar que as pequenas e médias empresas representam 27% do PIB e 52% dos empregos no Brasil”.
Restou uma única dúvida: se tamanha afluência foi provocada pelo prestígio político do velho “modebra” Odacir Klein ou pela força do BRDE, que emprestou R$ 2,6 bilhões em seu último exercício fiscal. O BRDE foi fundado em junho de 1961 pelos governadores Leonel Brizola, Celso Ramos e Nei Braga.
Declarado inviável na onda da privatização dos anos 1990, foi salvo da liquidação por um acordo entre os três estados e a União. Com a capitalização dos lucros, tem um capital de quase R$ 1 bilhão. Com três agências nas capitais do Sul, possui cerca de 500 funcionários voltados preferencialmente para o fomento de pequenas e médias empresas, cooperativas e prefeituras municipais.
Depois de oito discursos que se estenderam por mais de uma hora, o governador teve o bom senso de poupar os ouvidos da plateia de redundâncias sobre a excelência do sistema financeiro do Estado – o tripé formado pelo Banrisul, o Badesul e o BRDE. Pegando um mote dado por Neuto do Conto, que nasceu em Encantado e foi embora para Chapecó há 60 anos, Sartori declarou finda a diáspora gaúcha. “Milhares de gaúchos como Neuto foram embora do Rio Grande do Sul levando capitais, tecnologia e mão-de-obra para ajudar a desenvolver outras regiões do Brasil. Nós nos orgulhamos disso, mas chegou a hora de reconhecer que essa diáspora teve um preço. O Rio Grande precisa da união dos gaúchos para voltar a crescer.”
A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) emitiu licença autorizando a empresa Nidera Sementes a construir um terminal portuário em Canoas, à beira do Rio do Sinos, para recebimento, armazenamento e expedição de grãos.
“O empreendimento é de grande importância, pois irá retirar das rodovias centenas de caminhões que hoje transportam grãos para o porto de Rio Grande, otimizando a utilização das hidrovias no Estado”, argumenta a secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e presidente da Fepam, Ana Pellini.
O terminal terá capacidade para armazenar de 90 mil toneladas de grãos. Terá cais de atracação, sistemas de recebimento, pesagem, amostragem, transporte e armazenamento de grãos, além de prédio administrativo.
Vai operar na estrada da Prainha, com acesso pela rodovia do Parque. Terá uma área construída de mais de 56 mil metros quadrados e ocupará uma área total superior a 140 mil metros quadrados. Prevê contratar 62 funcionários.
O empreendedor deverá submeter à aprovação do Departamento de Biodiversidade da Sema, projeto de Reposição Florestal Obrigatória em que se comprometerá com o plantio de 764 mudas de espécies nativas da região.
Outras contrapartidas ao município de Canoas incluem obras de revitalização da Prainha, como a pavimentação do acesso ao local e estruturação da rede de esgoto.
A Nidera é uma empresa de origem holandesa quase centenária. Em 1930, uma parte da família mudou-se para Argentina e inaugurou a Nidera S.A., em Buenos Aires. Em 1950, passou a fazer negócios com o Brasil e na década de 60 a empresa estabeleceu um escritório em São Paulo.
Em 1980, a Nidera adquiriu as operações da baiana Brasil Óleo de Mamona (BOM). Em 2005, a partir da compra das operações de sementes de uma multinacional alemã do setor agroindustrial, surgiu a Nidera Sementes, para investir em pesquisa genética para o mercado do país.
Três anos mais tarde, o aquecimento das exportações brasileiras de grãos levou a Nidera a criar a Nidera Brasil Grain and Oil (BG&O). Segundo a empresa, é a trading que mais cresce no país.
Em 2010, a empresa criou uma nova unidade de negócios focada em Nutrientes e Proteção de Cultivos, a Nidera NPC. “Da semente ao grão, a Nidera está presente em toda a cadeia do agronegócio”, anuncia a empresa.
Hoje, tem no Brasil uma dúzia de unidades de pesquisa e de beneficiamento de soja e milho, além de lavouras (duas ficam no norte gaúcho).
A autorização para o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) na contratação de empréstimo consignado pode complicar ainda mais a situação dos consumidores, principalmente os que já estão endividados, na avaliação da Proteste Associação de Consumidores. A lei que autoriza o trabalhador do setor privado a usar o FGTS como garantia de empréstimo consignado, publicada sexta-feira (15), é considerada um retrocesso pela entidade.
Para a coordenadora institucional da Proteste, incentivar o endividamento para acelerar a economia não é a saída. “É uma armadilha, pois o FGTS é uma das únicas reservas financeiras dos trabalhadores para situações como desemprego”, diz.
De acordo com a Lei nº 13.313, ao contratar o empréstimo o consignado, o trabalhador pode optar como garantia 10% do saldo do FGTS ou até 100% do valor da multa rescisória, no caso de dispensa sem justa causa. As taxas de juros médias do crédito consignado estão entre 25% e 30% ao ano no setor público e para os aposentados. No setor privado, as taxas estão em torno de 41%.
A Proteste alerta que crédito não pode ser considerado como renda, principalmente em um cenário de crise econômica com alto grau de incerteza, juros altos, desemprego em alta e renda em queda. “Dívidas têm de ser pagas e comprometem o orçamento mensal, afetando o poder de compra individual ou familiar. E sobe o risco de inadimplência, que já atinge 59 milhões de brasileiros”, informa a entidade. Sabrina Caride/Denise Griesinger, da Agência Brasil