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  • Oly Jr. abrirá o show de 2CELLOS nesta quinta, 1º/10, no Araújo Vianna

    Músico gaúcho que incorpora elementos do blues, do folk e do rock em suas composições subirá ao palco antes da dupla croata
    O músico porto-alegrense Oly Jr. abrirá o show da dupla croata 2CELLOS nesta quinta-feira no Auditório Araújo Vianna. O artista começou sua carreira musical em 1998 tocando blues e depois passou a incorporar elementos do rock, do folk americano/gaúcho e da milonga pampeana. Fazendo desses elementos musicais referências diretas no seu trabalho autoral, ele já contabiliza nove discos lançados, sendo oito de forma independente, e é ganhador de três troféus do Prêmio Açorianos de Música 2009/2010, nas categorias Melhor Disco, Melhor Compositor e Melhor Intérprete na categoria Blues/Jazz.
    Com realização da Opus Promoções e da Poladian Produções, o 2CELLOS, integrado por Luka Sulic e Stjepan Hauser, fará show em Porto Alegre amanhã às 21h. Ainda há ingressos há venda. Confira o serviço completo abaixo. O estilo de tocar do grupo, que tem na linha de frente dois violoncelos – instrumentos normalmente associados à música erudita – quebrou as fronteiras entre diferentes gêneros da música clássica e do cinema para o pop e rock. 2CELLOS não têm limites quando se trata de se apresentar ao vivo e impressionam igualmente quando tocam Bach e Vivaldi ou AC/DC e Iron Maiden. A paixão e o requinte são equivalentes, sempre.

    Foto ARTEMOST
    2CELLOS é integrado por Luka Sulic e Stjepan Hauser/Foto ARTEMOST

    O ano de 2015 está sendo emocionante para a dupla. Em 27 de janeiro, eles lançaram seu novo álbum, Celloverse, que conseguiu excelente desempenho na parada de sucessos americana. Celloverse é divulgado por uma turnê mundial. Além disso, o vídeo para sua releitura de Thunderstruck, do AC/DC, ultrapassou os 33 milhões de visualizações no YouTube até agora.
    O 2CELLOS ganhou fama a partir de 2011, quando a versão do hit de Michael Jackson Smooth Criminal tomou o mundo como uma tempestade. O vídeo no YouTube se tornou um enorme hit viral (mais de 25 milhões de visualizações).Tamanha repercussão gerou um contrato com a gravadora Sony Music Masterworks. Desde então, lançaram três álbuns de sucesso: 2CELLOS (2011), In2ition (2013) e o recente Celloverse (2015).
    Além de muitas turnês solo esgotadas pelos Estados Unidos, Japão e Europa, o duo se juntou a Elton John em turnê mundial, tocando com ele e abrindo os shows do autor de Your Song em estádios enormes. Eles também tocaram no Madison Square Garden (Nova York), Olympia (Paris), Jubileu de Diamante da Rainha (Londres) e no Emmy Awards (EUA), e participaram de shows dos Red Hot Chili Peppers, Queens of the Stone Age, George Michael, e Lang Lang.
    SERVIÇO
    2CELLOS
    Dia 1º de outubro
    Quinta, às 21h
    Local: Auditório Araújo Vianna (Avenida Osvaldo Aranha, 685 – Bom Fim – Porto Alegre
    www.oiaraujovianna.com.br
    INGRESSOS
    Plateia AA, AB, A01, A02, A03 e A04 (GOLD) – R$300,00
    Plateia Baixa Central – R$280,00
    Plateia Baixa Lateral – R$225,00
    Plateia Alta Central – R$200,00
    Plateia Alta Lateral – R$170,00
    – 35% de desconto para clientes Oi. Válido na compra de um ingresso, apenas para titular da conta, mediante apresentação da última fatura paga de qualquer um dos serviços – Oi Fixo, Oi Tv, Oi Conta Total, Oi Velox, Oi Velox 3G ou Oi Móvel, e documento com foto, adquirido somente na bilheteria do Teatro do Bourbon Country;
    – 25% de desconto para sócios do Clube do Assinante RBS – limitado a 200 ingressos;
    – 10% de desconto para sócios do Clube do Assinante RBS nos demais ingressos;
    – 5% de desconto para titulares dos cartões Zaffari Card e Bourbon Card.
    * Crianças até 24 meses que fiquem sentadas no colo dos pais não pagam
    **Descontos não cumulativos a demais promoções e/ ou descontos;
    *** Pontos de vendas sujeito à taxa de conveniência;
    ** Política de venda de ingressos com desconto: as compras poderão ser realizadas nos canais de vendas oficiais físicos, mediante apresentação de documentos que comprovem a condição de beneficiário. Nas compras realizadas pelo site e/ou call center, a comprovação deverá ser feita no ato da retirada do ingresso na bilheteria e no acesso ao auditório.
    CANAIS DE VENDAS OFICIAIS (sujeito à taxa de conveniência):
    Site: www.ingressorapido.com.br
    Call Center: 4003-1212 (de segunda a sábado, das 9h às 21h, e domingos, das 12h às 18h)
    Agência Brocker Turismo: Av. das Hortênsias, 1845 – Gramado (de segunda a sábado, das 9h às 18h30min, e feriados das 10h às 15h)
    Rua Coberta, Câmpus II, Universidade Feevale: em Novo Hamburgo
    (de segunda a sexta, das 13h às 21h, e sábado, das 9h às 14h). Mais informações pelo telefone 3271-1208
    Bourbon Shopping Novo Hamburgo: Av. Nações Unidas, 2001 – 2º Piso / Centro de Novo Hamburgo (de segunda a sábado, das 13h às 21h).
    CANAIS DE VENDAS OFICIAIS (sem taxa de conveniência):
    Bilheteria do Teatro do Bourbon Country: Av. Túlio de Rose, nº 80 / 2º andar (de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo e feriado, das 14h às 20h)
    No local: somente na data da apresentação, a partir das 14h.

  • RBS não comenta substituição do presidente

    A RBS preferiu manter silêncio sobre a noticia publicada ontem com exclusividade pelo jornal JÁ, sobre a substituição do atual presidente da empresa, Eduardo Sirotski Melzer, o Duda.
    A matéria, assinada pelo repórter Luiz Claudio Cunha, informa que a saída de Melzer já está decidida, mas que o substituto ainda não foi escolhido. O JÁ entrou em contato com a assessoria de imprensa da empresa, por telefone e via correio eletrônico, mas não obteve retorno.
    Segundo o site Coletiva, que também abordou o assunto, a assessoria do grupo disse que a direção não se manifesta sobre “boatos absurdos que circulam no mercado”.
    Em nota publicada ontem, com o título “Grupo RBS prepara mudanças radicais na estrutura“, o Coletiva informa que “há dias o mercado identificava sinais que iam na contramão da rotina”.
    “No evento ZH Em Pauta, anunciado com ênfase como importante iniciativa do jornal Zero Hora, Nelson Sirotsky, presidente do Conselho de Administração, estava presente; Duda Melzer, presidente executivo, não. Na entrega do Troféu Guri, durante a Expointer, uma das mais destacadas promoções do grupo de comunicação, o anfitrião e orador foi Nelson; Duda não compareceu”.
    Por enquanto, segundo a noticia, está confirmada a mudança radical na TVCom, que muda até de nome.
    Confira a repercussão da matéria do JÁ em alguns sites e blogs pelo país:

    Felipe Vieira
    Felipe Vieira

    GGN
    GGN

    Brasil 247
    Brasil 247

    Conversa Afiada
    Conversa Afiada

    Carta Maior
    Carta Maior

    Sul 21
    Sul 21

    Revista Amanhã
    Revista Amanhã

    Políbio Braga
    Políbio Braga

     

  • Patrono da 61ª Feira do Livro de Porto Alegre será revelado na quinta, 1º/10

    A Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) vai anunciar na quinta-feira, 1º/10, o patrono da 61ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre em um café da manhã no restaurante Moeda, do Santander Cultural, para a imprensa e convidados, a partir das 8h30.
    Para a edição deste ano, os indicados para patrono são Cíntia Moscovich, Dilan Camargo, Maria Carpi, Santiago e Valesca de Assis. A escolha ocorre por meio de votação entre empresas associadas à Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), patronos de feiras anteriores, ex-presidentes da entidade e representantes da comunidade cultural.
    A Feira do Livro de Porto Alegre será realizada entre os dias 30 de outubro e 15 de novembro.
    Patronáveis
    Cíntia Moscovich – Nasceu em Porto Alegre em 1958. É escritora, jornalista, mestre em Teoria Literária e foi diretora do Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul. Seu livro de estreia,O Reino das Cebolas (1996), foi indicado ao prêmio Jabuti. Em 2013, ganhou o primeiro lugar no Prêmio Literário Portugal Telecom, na categoria contos/crônica, e venceu o Prêmio Clarice Lispector, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional. Em 1995, ganhou o Concurso de Contos Guimarães Rosa, da Rádio France Internationale, de Paris. Entre suas obras, estão os volumes de contos Essa Coisa Brilhante que é a Chuva (2012), Anotações Durante o Incêndio e Arquitetura do Arco-Íris, e romances como Duas Iguais e Por Que Sou Gorda, Mamãe?. Em 2009, uma de suas histórias curtas foi incluída na nova edição da antologia Os Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi para a editora Objetiva.
    Maria Carpi – Nascida em Guaporé, em 1939, mora em Porto Alegre desde os 15 anos. Começou a publicar seus poemas aos 50 anos. Em 2014, lançou seu 13º livro: O Perdão Imperdoável. Professora, advogada e defensora pública, já publicou, entre outros, Nos Gerais da Dor (1990), Desiderium Desideravi (1991), Vidência e Acaso (1992) e A Migalha e a Fome (2000). Também organizou as antologias pessoais Pequena Antologia (1992) e Caderno das Águas. Seu livro A Chama Azul venceu o Açorianos 2012 na categoria Poesia. Tem obras traduzidas para o francês e o italiano.
    Dilan Camargo – Poeta, escritor e compositor nascido em Itaqui. Estreou na literatura com a coletânea poética Em Mãos, em 1976, e, de lá para cá, publicou vários outros livros de poemas e infantis, como Diário sem Data de uma Gata, O Embrulho do Getúlio e BrincRIar – este último vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura em 2008. Em 2012, lançou a antologia de contos para o público juvenil O Man e o Brother e, em 2014, publicou três livros de poesia infantil: Um Caramelo Amarelo Camarada, Álbum da Fe-Li-Cidade II e Rimas pra Cima. É coautor de sucessos da música nativista, como Pampa Pietá e Tropas de Maio.
    Valesca de Assis – Natural de Santa Cruz do Sul, Valesca cursou a Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É professora de História especializada em Ciências da Educação. Em 2010, lançou sua primeira obra infanto juvenil, Um Dia de Gato. Tem participado de várias antologias e publicou um e-book, Tábua dos Destinos, pela Tertúlia e-books, de Portugal. Estreou como escritora em 1990, com A Valsa da Medusa, obra que recebeu Voto de Congratulações da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Também publicou os livros. A Colheita dos Dias, O Livro das Generosidades – Receitas Compartilhadas, Harmonia das Esferas, que obteve o prêmio Revelação de Autor, da Associação Paulista de Críticos de Artes, em 2002 e o Prêmio Especial do Júri, da União Brasileira de Escritores além de ter sido finalista do Prêmio Açorianos. Pelo livro Todos os Meses, recebeu o Prêmio AGES/Livro do Ano/2003, na categoria, e por Diciodiário, da coleção Grilos, o Prêmio O SUL-Nacional e os Livros/2005;
    Santiago – Neltair Rebés Abreu nasceu em Santiago do Boqueirão, no Estado do Rio Grande do Sul, em 14 de setembro de 1950. Iniciou-se na arte da caricatura, retratando humoristicamente os professores dos tempos de escola. Publicou pela primeira vez no suplemento humorístico O Quadrão, do jornal Folha da Manhã. Começou a trabalhar profissionalmente na Folha da Tarde, onde fez por nove anos a charge editorial do jornal, até o seu fechamento. Colaborou, ainda, com Correio do Povo, Coojornal, Pasquim e O Estado de S. Paulo. É autor de 16 livros e vencedor de vários prêmios nacionais e internacionais. Criador do Macanudo Taurino Fagunde, personagem baseado no gaúcho típico do pampa, Santiago dedica grande parte de seu tempo à produção de desenhos feitos para mostras, concursos e publicações internacionais. Integra grupo de cartunistas distribuído no mundo inteiro pela agência “Cartoonists & Writers Syndicate” de Nova Iorque. Em 1994, a revista Witty World, voltada para profissionais do desenho humorístico, incluiu Santiago na lista dos 13 melhores do mundo no gênero “Gag Cartoon” (cartum de uma única cena), após uma pesquisa realizada entre os leitores-cartunistas.

  • Conselheiro do Plano Diretor questiona audiência sobre Cais Mauá

    Naira Hofmeister
    O conselheiro do Plano Diretor pela região de planejamento central de Porto Alegre (RP1), Alan Furlan, encaminhou ofício à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) criticando a audiência pública para apresentação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo relatório (Rima) do projeto de revitalização do Cais Mauá.
    Em sua carta, o conselheiro demonstra preocupação com a apresentação exclusivamente de pontos positivos sobre o projeto. “Isso irrita a população”, defende.
    Segundo Alan, na audiência pública “o empreendedor não apresentou os impactos do projeto, sejam eles técnicos, econômicos ou sociais”. “Estamos chegando à conclusão de que um projeto do porte proposto não possui impactos”, questiona, para logo emendar: “Acho ingênuo”.

    Alan é conselheiro do Plano Diretor/Foto Cesar Cardia
    Alan entregou queixas à Smam/Foto Cesar Cardia

    Ele ressalta, por exemplo, a falta de um estudo sobre o impacto que as construções na beira do Guaíba – três torres de até 100 metros de altura e um shopping center que cobrirá toda a extensão da área desde o Gasômetro até o armazém A6, inclusive onde hoje está o A7, que será demolido. “O material apresentado nem sequer apresenta um mapeamento dos ventos com medições no local e no Centro Histórico”, condena.
    Alan menciona ainda a falta de estudos geológicos para avaliar eventuais riscos da implantação do empreendimento. “Quais os reflexos que as fundações e a própria construção de torres de 20 andares terão sobre os prédios históricos?”, prossegue.
    Outros pontos abordados pelo conselheiro da RP1 em sua carta são as vagas de estacionamento público que serão suprimidas para desafogar o tráfego na avenida Mauá e o replantio de árvores que vem sendo cortadas na região desde a duplicação da avenida João Goulart, além da mudança no projeto originalmente proposto, que previa o rebaixamento da via no trecho defronte ao Gasômetro – ideia que foi abandonada recentemente.
    Defesa do comércio de bairro
    Uma das análises mais longas que Alan Furlan faz no documento entregue à Smam diz respeito à concorrência que um shopping center vai provocar ao comércio de rua do Centro Histórico. O consórcio Cais Mauá garante que não haverá impacto negativo na economia da região, o que o conselheiro vê com desconfiança.
    “Qual o estudo técnico apresentado para garantir que o empreendimento absorverá apenas demandas não atendidas ao invés de subtrair demanda do comércio já existente”?
    Alan lembra que não são conhecidos o “mix” de negócios propostos, ou seja, a natureza das lojas que vão se instalar no shopping e armazéns. “Restaurantes no Centro já existem, qual será a diferença”?
    Audiências do Pontal foram mais esclarecedoras
    Alan questiona ainda a falta de esclarecimentos sobre o projeto. “Por que os questionamentos técnicos não foram respondidos de forma clara e objetiva?”, indaga.
    Mencionando as audiências públicas do Pontal do Estaleiro, ocorridas em abril, como um parâmetro positivo de comparação, ele condenou as evasivas dadas pela equipe do consórcio Cais Mauá do Brasil. Em sua opinião, os técnicos responsáveis pelo projeto do Pontal conseguiram esclarecer minimamente as dúvidas da plateia, ao passo que no encontro sobre o Cais Mauá o empreendedor alegava que a resposta estava “nas páginas tais e tais”, o que ele considera insuficiente.
    Ainda comparando as reuniões sobre ambos projetos, Alan sublinhou que, à exemplo do que ocorreu com o Pontal, a RP1 havia solicitado a realização de uma audiência pública no Centro Histórico da cidade, que receberá o empreendimento, mas neste caso a sugestão não foi aceita pela Smam. “Continuaremos cobrando até entender a razão”, avisa.
    Dificuldades de acesso ao debate público
    O conselheiro relata também problemas de organização do evento. Por exemplo, seguranças estariam restringindo o acesso ao ginásio onde o debate foi realizado. “Como conselheiro da RP1 fui barrado quatro vezes”, revela.
    Uma vez dentro do espaço, Alan reparou que um cordão de isolamento separava a área das autoridades – mais próxima à mesa onde seriam apresentados os estudos – do restante público. “Ora, o objetivo não era de esclarecer sobre o projeto? Então porque o acesso a quem deveria estar sendo esclarecido estava restrito?”, indaga.
    A ausência de rampas de acesso para cadeirantes e outros equipamentos que garantissem a acessibilidade de deficiente também mereceu críticas – que foram encaminhadas por moradores da região que representa no Conselho. “Até mesmo quem estivesse em dúvida sobre o projeto passaria a ser contra, pela forma truculenta de tratamento, pela restrição de acesso praticada”, resume.
     

  • Exclusivo: RBS busca substituto para Duda Melzer

    Luiz Cláudio Cunha
    Ainda não é oficial, mas será: caiu o presidente do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, o Duda.
    O afastamento do principal executivo do maior grupo de mídia do sul do país deverá ser formalizado em outubro. Uma empresa de head-hunters de São Paulo já está procurando um profissional que assuma o comando do conglomerado sulista e de forte repercussão na mídia nacional, já que a RBS é a maior afiliada da Rede Globo no Brasil.
    O grupo possui 18 emissoras de tevê que cobrem 789 municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além de sete rádios e seis jornais, liderados por Zero Hora, o diário mais influente da região e o sexto jornal de maior circulação no Brasil.
    Eduardo Sirotsky, neto do fundador da RBS, Maurício Sirotsky (1925-1986), assumiu o comando do grupo em 2012, recebendo o bastão de comando do tio, Nelson Sirotsky, da segunda geração da família mais poderosa da mídia da região Sul.
    O que parecia promessa virou decepção. O jovem Duda, então com 40 anos, se defrontou com uma crise de conjuntura que mesclou redução de faturamento, aumento de custos, fuga de leitores e a crise existencial da internet que atingiu o fígado, o bolso e o modo de operação dos jornais impressos, núcleo central que sempre deu prestígio e influência às famílias tradicionais da grande mídia brasileira.
    A crise que afetou Zero Hora e outros grandes jornais erodiu o prestígio dos Sirotsky – e o comandante em exercício na terceira geração, Duda, acabou pagando o pato. Para tentar estancar a sangria, ele acertou em 2013 a contratação de um consultor respeitado em São Paulo e temido pelo apelido que o define: Cláudio Galeazzi, um especialista em hemorragias empresariais que, à custa de seu rigor impiedoso e cirúrgico, conquistou no mercado a merecida fama de Galeazzi Mãos de Tesoura.
    Sua aparição no grupo, sobrevoando o emprego de seus 6.500 funcionários, foi revelada aqui no JÁ numa reportagem em setembro de 2014 sob o título de “A tesoura que assombra a RBS”. A lâmina de Galeazzi cortou fundo na empresa, fundo demais. O fio agudo do consultor acabou sangrando até as relações entre criador e criatura, os dois Sirotsky que se revezaram no poder, Nelson e Eduardo.
    Gente de confiança de Nelson foi tesourada, sem piedade, pelo plano de arrocho imposto por Eduardo. Dois homens da tropa de elite de Nelson — o vice-presidente de jornais, rádio e digital, Eduardo Smith, e o diretor de jornalismo, Marcelo Rech — foram excluídos do círculo de decisão da RBS, provocando uma cisão irreparável nas relações entre tio e sobrinho. Eduardo afastou Rech da área crítica da direção editorial, contrariando frontalmente a visão de Nelson, que via o jornalista como uma referência de ponderação nas decisões sempre delicadas da redação.
    Apostas erradas
    O sobrinho, um inexperiente administrador de empresas com rápida passagem na juventude por uma inexpressiva franquia de pirulitos e balas, acabou sendo uma aposta errada do tio. Eduardo não mostrou o talento e o apego jornalístico que Nelson herdou do pai, Maurício, um homem que trazia a comunicação nas veias do veterano profissional de rádio.
    A sangria desatada dos últimos tempos mostrou ao clã Sirotsky que o próprio Galeazzi e sua impiedosa tesoura também foram apostas equivocadas. Nelson e membros da família acham, agora, que a dose foi exagerada, e o desgaste na imagem vencedora da RBS tornou-se insuportável. Os laços profissionais com Galeazzi estão cortados, ele já cumpriu sua missão de serial killer com louvor, e ninguém mais quer lembrar de sua sangrenta passagem por lá. Para conveniência geral, a conta da contratação de Galeazzi ficou nos ombros largos do jovem Duda Sirotsky.
    Diante do tamanho da crise que afeta os negócios da comunicação, agravada pelas dificuldades mais amplas da economia brasileira, a família Sirotsky percebeu agora que Eduardo não tem o perfil para cavalgar o tsunami da conjuntura e não tem o pulso necessário para impor um novo rumo à RBS.
    Com a frieza de um Galeazzi, Nelson aprovou, na família, a dolorosa decisão de tesourar o sobrinho, afastando-o da cadeira de comando antes que o buraco fique maior. Coincidência ou não, isso fará com que Eduardo Sirotsky Melzer compareça à CPI do CARF, no Senado Federal, na condição de ex-dirigente da RBS. Ainda não há data marcada para seu depoimento, mas ele já foi convocado para depor em nome da RBS, uma das principais empresas brasileiras flagradas pela Operação Zelotes, da Polícia Federal, que investiga a manipulação de multas e crimes de sonegação no âmbito da Receita Federal.
    Fim da perpetuação
    Eduardo prepara o desembarque da RBS há algum tempo. Nunca formalizou a transferência da mulher, Lica, de São Paulo para Porto Alegre e, há algum tempo, trocou a casa na capital gaúcha por um apartamento, onde mora só. A mudança já foi concluída para a sua mansão no elegante bairro do Morumbi, na capital paulista, onde ele pretende morar definitivamente — dentro ou fora da RBS.
    A ousada decisão da RBS de requisitar os serviços de uma empresa head-hunter para definir o sucessor de Eduardo mostra que a família desistiu do privilégio hereditário de manter um Sirotsky no comando da empresa. É um exemplo inesperado de profissionalismo, que afeta o dogma da ‘perpetuação’ que o clã Sirotsky cultivou com obstinação até agora. Mas, revela também o reconhecimento de que não encontraram, nas veias familiares, o talento empresarial necessário para manter a RBS no rumo de sucesso que tinha com os dois primeiros Sirotsky, Maurício e Nelson.
    No grande evento de Porto Alegre da transmissão de mando na RBS, em 2012, as fotos mostram um sorridente Nelson Sirotsky cumprimentando o eufórico Eduardo Sirotsky Melzer. Sem perceber que o microfone continuava aberto, o tio deu um forte abraço no sobrinho e fez uma clara recomendação, que repetiu duas vezes, numa inconfidência que ecoou pelo salão:
    — Não se acadele, Duda, não se acadele!
    O verbo acadelar, no restrito linguajar gauchesco, significa desmotivar-se, perder a coragem, apequenar-se, quase uma desonra para o rígido código de ética do gaúcho tradicional. Nelson Sirotsky, sem querer, definiu nesse descuido, num momento de festa, o que acontece agora no momento de tragédia pessoal do sobrinho.

  • CPI do Carf ouve dois no dia 1º e decide acareação entre investigados na Operação Zelotes

    A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura denúncias de irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) deve ouvir na quinta-feira (1º) Meigan Sack Rodrigues, ex-conselheira da entidade, e Alexandre Paes dos Santos, sócio da empresa Davos Energia Ltda.
    Ambos são citados na Operação Zelotes, que investiga denúncia de que empresas, escritórios de advocacia e de contabilidade, servidores públicos e conselheiros do Carf criaram esquema de manipulação de julgamentos, para redução de multas de sonegadores de impostos.
    O Carf é um órgão do Ministério da Fazenda junto ao qual os contribuintes podem contestar administrativamente multas aplicadas pela Receita Federal. Ex-conselheira do órgão, Meigan Rodrigues havia sido convocada para reunião anterior da CPI, mas apresentou atestado médico e não compareceu. Ela é filha de Edson Pereira Rodrigues, ex-presidente do Carf, e sócia do pai em um escritório de advocacia.
    O lobista Alexandre dos Santos é suspeito de criar empresa de fachada para participar do esquema. Os requerimentos para a tomada dos depoimentos foram apresentados pelo senador José Pimentel (PT-CE).
    A CPI do Carf é presidida pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) e tem como relatora a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Criada em maio, teve seu prazo de investigação prorrogado até janeiro de 2016.
    Deliberativa
    Após a oitiva, a comissão deve votar requerimento de Ataídes Oliveira para realização de acareação entre Hugo Rodrigues Borges e Gegliane Maria Bessa Pinto.
    Em depoimento no último dia 3, Hugo Borges afirmou aos senadores que a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, após deixarem as pastas, frequentaram o escritório das empresas J. R. Silva e SGR Consultoria Empresarial, apontadas como peças principais do esquema de manipulação de julgamentos do Carf.
    Ex-funcionária da J. R. Silva, Gegliane é considerada uma testemunha-chave da investigação. Ela foi ouvida em audiência secreta no dia 30 de junho e, segundo revelou Vanessa Grazziotin na ocasião, prestou informações relevantes ao trabalho da CPI

  • Empresa do MCTI desenvolve chip a serviço de atacadistas de frutas e hortaliças

    O chip CTC13001 (identificação automática) é um “código de barras eletrônico” atende a padrões internacionais de comunicação sem fio.
    O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), através do Centro de Excelência em Tecnologia Avançada (Ceitec S.A.), desenvolveu microchips que, em sintonia com a emergente “internet das coisas”, permite aperfeiçoar o gerenciamento da cadeia logística de frutas e hortaliças.
    Visando garantir a qualidade dos produtos, reduzir o desperdício de alimentos e diminuir as perdas que ocorrem pós-colheita, especialmente durante o transporte e o armazenamento dos produtos nas centrais de abastecimento do País, a tecnologia da Ceitec S.A. opera em três linhas: identificação automática, lacre eletrônico e registrador de temperatura.
    São chips de ampla aplicação, incluindo o setor de frutas e hortaliças. O chip CTC13001 (identificação automática) é um “código de barras eletrônico” que atende a padrões internacionais de comunicação sem fio e permite a identificação automática de embalagens a quem estiver afixado, sejam caixas, paletes e outras formas de armazenamento.
    Esse chip permite a identificação e viabiliza o rastreamento e controle (local e tempo de armazenagem) de itens a partir de antenas de radiofrequência, construídas para esse fim, e controles informatizados. Centenas de itens podem ser identificados e contados em um palete, sem que ele seja desmontado. Com isso, economiza-se tempo e a manipulação dos produtos é minimizada. A identificação pode levar em conta data de produção, embalagem, região de colheita e outros fatores.
    O segundo chip, CTC13001T (lacre eletrônico), apresenta todas as funcionalidades do CTC13001 e, adicionalmente, acusa o rompimento da embalagem a que está afixado. Permite, assim, o tratamento diferenciado de itens de maior valor agregado e/ou mais sensíveis. Garante que a embalagem ou pallet entregue pelo transportador contenha exatamente aquilo que foi embarcado para transporte.
    Já o CTC12100 (registrador de temperatura) possibilita o gerenciamento da “cadeia do frio”, ou seja, as operações logísticas que devem ocorrer em baixa temperatura. Registra o histórico da temperatura do item e o disponibiliza na tela do smartphone. Desvios de temperatura durante o transporte ou armazenamento – que não produzem um efeito imediato, mas reduzem substancialmente o tempo de vida do produto em prateleira – podem ser prontamente identificados, convertendo-se em oportunidades de melhoria.
    Por meio da Ceitec S.A., o MCTI aporta a alta tecnologia dos microchips para aplicações que podem impactar diretamente a vida do produtor e do cidadão, trazendo mais rentabilidade, qualidade e ganho ambiental nesse relevante mercado de frutas e hortaliças.
    Ceitec S.A.
    Uma empresa pública federal vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), criada em 2008, a Ceitec S.A. atua no segmento de semicondutores e tem como missão posicionar o Brasil como um player global em microeletrônica, contribuindo para o desenvolvimento nacional.

  • Bento Gonçalves sedia Congresso Internacional de Educação à Distância

    O 21º Congresso Internacional de Educação a Distância (CIAED) será realizado entre os dias 25 a 29 de outubro, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. O evento é uma promoção da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) e terá como tema-central “Se eu fosse Ministro da Educação, eu faria o seguinte a propósito da EAD…”. As inscrições estão abertas até o dia 14 de outubro ou na abertura do evento.
    Durante cinco dias, o congresso receberá educadores, especialistas, pesquisadores e dirigentes de organizações educacionais para discutir assuntos diretamente relacionados à educação a distância no Brasil e a inovação dessa modalidade de ensino.
    Conforme a diretora da ABED, Rita Maria Lino Tarcia, o evento terá uma série de debates importantes, com apresentações em sessões plenárias de especialistas internacionais, mesas- redondas, apresentações de trabalhos científicos, workshops e minicursos com foco na discussão dos aspectos relacionados à educação aberta, flexível e a distância no Brasil: “Os esforços da ABED, como sociedade científica para encorajar o estudo das teorias e a prática de pesquisa, na busca da excelência em educação a distância, a ética nas relações entre instituições, entre docentes e discentes, resultou na eleição da ABED pela comunidade de EaD como o fórum principal para a discussão e apresentação de pesquisas relacionadas à área”.
    Rita Tarcia ainda destaca a presença de expositores com produtos e serviços de empresas e instituições líderes no setor de EaD,  lançamentos de livros, apresentações de trabalhos científicos e a oportunidade de network. “O 21º CIAED já é um evento tradicional para os profissionais da Educação a Distância, que a cada ano procura construir um novo capítulo para ampliar as possibilidades educacionais no Brasil”, afirmou.

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    Congresso receberá educadores, pesquisadores e dirigentes de organizações educacionais

    SERVIÇO
    21º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância
    Data: 25 a 29 de outubro
    Cidade: Bento Gonçalves/Rio Grande do Sul
    Mais informações: abed@abed.org.br ou por telefone: (11) 3275­3561
    www.abed.org.br
    SOBRE A ABED
    A ABED foi criada em 1995 por educadores com interesse neste modelo de ensino a distância, além da aplicação de novas tecnologias no aprendizado. Dentre seus objetivos desta sociedade científica sem fins lucrativos está estimular a criatividade e a inovação na EaD. Com esta finalidade, organiza congressos, seminários e reuniões científicas para a sistematização e difusão do saber em EAD.
    A ABED é membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC e filiada a instituições internacionais entre as quais o InternationalCouncil For Open andDistanceEducation– ICDE e o Open Education Consortium – OEC.

  • Documentos do DOPS gaúcho estão no Comando Militar do Sul

    Geraldo Hasse
    Depois da sacada do jornalista Flavio Tavares sobre os simulacros de democracia vividos pelos brasileiros em diversos momentos da História, o que mais impactou o público presente ao evento de lançamento das três revistas JÁ sobre a ditadura de 1964/85, no auditório da ARI, sábado, 26 de outubro, foram as revelações do advogado Jair Krischke sobre o destino dado ao fichário do DOPS gaúcho.
    “Alguns dos presentes devem se lembrar que em 1982, no governo Amaral de Souza, os arquivos do DOPS foram queimados publicamente”, disse Krischke, completando: “Mas antes disso todos os documentos foram microfilmados…” Sim!
    E onde foram parar os microfilmes?
    “Estão no quinto andar do QG do Comando Militar do Sul”, afirmou o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos. Estão supostamente bem guardados mas não podem ser consultados por ninguém. “Por lógica e lei, deveriam estar no Arquivo Público do Estado”, afirma Krischke, salientando que em 1995 o general  Zenildo de Lucena, ministro do Exército no primeiro governo FHC (1995-98), opinou que os arquivos dos Dops estaduais deveriam ser devolvidos… Como a opinião não virou ordem nem lei, ficou por isso mesmo. Na documentação do DOPS gaúcho existe até material sobre a repressão durante o Estado Novo (1937/45), nome oficial da ditadura varguista.
    O Exército como guardião de documentos sobre a repressão política que, em grande parte, ele mesmo comandou, é mais um paradoxo a confirmar a simulação denunciada por Flavio Tavares e atribui dimensões de tragédia à luta dos militantes dos direitos humanos para fechar o caixão da ditadura, que permanece aberto após “o resultado pífio”, segundo Krischke, dos levantamentos realizados pela Comissão Nacional da Verdade durante o primeiro governo da presidenta Dilma. “A Comissão foi um traque”, disse Krischke
    Quando o editor do JÁ, Elmar Bones, lembrou que a ditadura expurgou milhares de estudantes, professores e pesquisadores, provocando um buraco nas universidades, Krischke contou um episódio relacionado com sua militância pelo resgate de documentos pertinentes à violação das liberdades fundamentais. “Consta que na UFRGS não há documentos sobre os famosos IPMs (inquéritos policiais militares) do início do governo militar pós-64”, contou ele, “mas recentemente fui avisado de que haviam sido doados à nossa universidade milhares de livros e papeis pertencentes a um velho professor falecido”.
    Vasculhando esse material, Krischke encontrou cópias de atas de cassação de professores, o que por si só confirma duas coisas: 1) as cassações não eram simples atos administrativos das Forças Armadas – tramitavam dentro da universidade e contavam no mínimo com o apoio de gente de peso nas universidades; 2) sempre é possível recuperar documentos que comprovam o mau caráter da ditadura 64/85, que “não foi apenas militar”. Em nome da OAB, Krischke microfilmou as atas.

  • “O virus da simulação contamina a política"

    Elmar Bones
    A prática da simulação introduzida pelo regime militar (era uma ditadura que simulava que era democracia) é o vírus que contamina até hoje o organismo político do país, segundo Flávio Tavares. “Até hoje vivemos isso, todos simulam que defendem o interesse público, mas cada um só defende seu próprio interesse”, disse o jornalista no lançamento da revista JÁ sobre as consequências da ditadura.***
    Posso dizer que vivi um dia histórico  no sábado passado, 26, na Associação Riograndense de Imprensa,  quando lançamos o nosso “kit antiditadura” – as três edições da revista especiais da JÁ sobre os idos de 1964.
    Tive a honra de ter a meu lado na mesa dois dos maiores lutadores pela democracia no Brasil – o jornalista Flávio Tavares e o presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, Jair Krischke.
    “Aqui mais que a liberdade de imprensa, defendemos a liberdade de pensamento e expressão”, disse o presidente Batista Filho, ao registrar que o evento fazia parte dos 80 anos da ARI.
    Na plateia, alguns de meus mestres como Valter Galvani, João Borges de Souza, Carlos Bastos, Carlos Alberto Kolecsa, Antonio Goulart e Ercy Thorma. Kenny Braga a relembrar nossa prisão na Rua da Praia…Lutadores impenitentes como José Wilson da Silva, Alfredo Daudt… Jovens colegas, estudantes.
    O que mais me impressionou: mais de duas horas de conversa e ninguém arredou pé. Não fosse o compromisso com o programa de rádio da ARI, a discussão teria ido pela tarde adentro.
    Leve-se em conta que era sábado e faltou o Carlos Araújo, nosso terceiro convidado. Em convalescença, até a manhã de sábado ele manteve a expectativa de participar, mas não foi possível. Fica para outra ocasião a discussão que ele propõe sobre a luta armada contra a ditadura. “A luta armada foi um erro”, diz ele na entrevista exclusiva à revista.
    Flavio Tavares trouxe a ideia que norteou os debates: a prática de simulação introduzida pelo regime militar (era uma ditadura que simulava que era democracia) é o vírus que contamina até hoje o organismo político do país. “Até hoje vivemos isso, todos simulam que defendem o interesse público, mas cada um só defende seu próprio interesse”.
    Krischke lembrou um caso exemplar da prática da simulação: o documentos da polícia política do Rio Grande do Sul. O então governador, Amaral de Souza, anunciou publicamente em 1982 que eles foram queimados. Na verdade, foram queimados os registros em papel, todos previamente micro-filmados e mantidos em sigilo até hoje. “Estão no QG do Comando Militar do Sul”, assegura Jair.
    O despreparo do eleitorado, que na semana seguinte não lembra em quem votou, foi trazido ao debate pelo jornalista Kenny Braga, como uma a fonte das mazelas da política nacional. Quais as causas disso? Entre elas, um sistema de comunicação que se conformou na ditadura, para sair dela fortalecido e contaminado pelo vício da omissão da informação e da manipulação do noticiário.
    “Pelé também disse que o povo não sabia votar”, lembrou Flávio Tavares. “Mas era noutro contexto. Foi em 1972, ali ele estava verbalizando o discurso da ditadura: o povo não tem condições de escolher os governantes, justificando as eleições indiretas. Agora é diferente: estamos supostamente numa democracia:o povo é que deve escolher, mas ele não tem informações, ele é manipulado”.
    Uma dura crítica à imprensa se seguiu: “A imprensa  que temos também é uma herança da ditadura”.