Categoria: X.Categorias velhas

  • Zona Rural de Porto Alegre volta três vezes menor e sem proibição de agrotóxicos

    Ontem a tarde foi aprovado o projeto que restabelece a zona rural à cidade de Porto Alegre. Desde 1999 o município não possuía áreas com essa finalidade, o que atrapalhava muitos os agricultores da produção primária e criadores de chiqueiros, pocilgas e aquários agora terá 8,28 % de território rural, no extremo sul da Capital.
    O projeto foi aprovado pelos 29 vereadores presentes e teve um estudo técnico elaborado pela Smurb.  Compreenderá parte da Macrozona 08, na Área de Ocupação Rarefeita (AOR), onde se concentram áreas de preservação e produção primária. Dessa forma, algumas unidades e subunidades da Macrozona 08 do PDDUA passarão a ser denominadas Subunidades e Unidades de Estruturação Rural, mantendo o mesmo Regime Urbanístico previsto para a Zona de Uso denominada Área de Produção Primária.
    Com a volta da Zona Rural o setor terá franqueado a Política Nacional de Crédito Rural além de ser possível viabilizar os licenciamentos ambientais pelos órgãos governamentais, linhas de crédito para as diversas atividades de produção primária, uma vez que os interessados ficaram impedidos de se habilitar legalmente por falta da previsão legal da Zona Rural no Plano Diretor atual.
    Porto Alegre possui hoje uma das maiores áreas rurais entre as capitais do País caracterizada pela diversificação da produção primária.
    Transgênicos e agrotóxicos não serão excluídos da zona Rural
    Um dos debates durante o pleito foi a votação de duas emendas em relação a transgênicos e agrotóxicos. Uma proibia a produção de alimentos transgênicos e a outra exclusão de agrotóxicos em até 5 anos. Ambas foram rejeitadas. O autor da emenda, o vereador Engenheiro Comassetto (PT) lamentou a decisão. “Nós estamos caminhando para esse caminho, a cidade perdeu uma grande chance de notoriedade e pioneirismo” alertou o vereador lembrando que Porto Alegre poderia ser a primeira cidade com essa iniciativa. Segundo ele as emendas surgiram de uma demanda de grupos ambientais como a Agapan e agricultores orgânicos. Além disso informou que a EMATER já vem desenvolvendo um grupo que vem trabalhando com a produção de alimentos sem o uso de agrotóxicos. Na questão dos transgênicos Comassetto informou que a prefeitura vai à Dinamarca, país que proibiu a produção de alimentos transgênicos, para saber como funciona.
    O parlamentar também não descarta que essas demandas voltem a pleno em forma de projeto de lei complementar. “Precisamos dialogar com quem quer que isso seja votado favorável e costurar alianças para que isso seja aprovado no momento certo” avaliou.

  • Vereadores querem novo edital do Bike Poa

    Matheus Chaparini 
    Sem a presença de representantes da Prefeitura, da EPTC e da empresa Serttel, atual concessionária do Bike Poa, o serviço de aluguel de bicicletas compartilhadas, pouco avançou a reunião hoje à tarde na Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh), da Câmara Municipal de Porto Alegre, para tratar sobre o novo edital.
    O contrato vigente vence no dia 22 de setembro e pode haver interrupção do serviço. O resultado do pregão eletrônico deve ser divulgado no dia 21, mas vereadores e representantes de entidades de ciclistas reclamam da dificuldade em acessar informações a respeito. Alguns presentes acreditavam que o edital sequer havia sido publicado. Ele está disponível na página do pregão eletrônico do Banrisul.
    A reunião da Cedecondh foi solicitada pelo vereador Marcelo Sgarbossa (PT). A comissão vai encaminhar um ofício à Prefeitura pedindo a prorrogação do contrato atual e a suspensão do edital, para que se elabore um novo, que leve em conta as sugestões feitas nesta reunião e em uma anterior, realizada em junho do ano passado.
    Em razão das ausências, o vereador Sgarbossa chegou a cogitar o cancelamento da reunião, que começou com mais de meia hora de atraso. A EPTC informou que não enviou nenhum representante pois o edital já está pronto e não pode sofrer alterações. A empresa pública informou ainda que, se a vencedora não for a Serttel, atual permissionária, vai tentar a prorrogação do atual contrato para que não haja interrupção do serviço.
    Pelo texto do novo edital, o número de estações será ampliado de 40 para 50. É estipulado também um mínimo de 406 bicicletas em operação. Atualmente, o serviço conta com um total de 400 bicicletas, mas esse número inclui as que estão paradas para manutenção. A empresa vencedora poderá comercializar espaços publicitários para até três patrocinadores. Os valores para o passe diário e mensal segue o mesmo, R$ 5,00 e R$ 10,00, respectivamente. O edital cria ainda as modalidades de passe semestral por R$ 50,00 e anual por R$ 90,00. As viagens com mais de uma hora de duração serão taxadas à parte, R$ 3,00 para os primeiros 30 minutos excedentes e, a partir daí, R$ 5,00 a cada meia hora.
    Aumento da quantidade de estações e de bicicletas, expansão do serviço para além da área central da cidade e a redução do custo para o usuário são algumas das sugestões. “Também pedimos que sejam divulgados os valores arrecadados com publicidade, para poder embasar a redução dos custos para o usuário”, disse Pablo Weiss, da Associação dos Ciclistas de Porto Alegre.

  • Servidores impedem entrada de deputados na Assembleia e votação de projetos é cancelada

    Servidores públicos estaduais concentraram-se desde as 7h da manhã desta terça-feira em frente as duas entradas principais da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul para impedir que os deputados votassem os projetos que integram o pacote de ajuste fiscal do governo de José Ivo Sartori, principalmente os três projetos protocolados em regime de urgência: a criação do regime de previdência complementar, que limita as aposentadorias dos servidores ao teto do INSS, e a extinção das fundações estaduais de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps) e do Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul (Fundergs).
    Princípios de tumulto foram registrados no meio da manhã e início da tarde quando os parlamentares se movimentavam em frente à Assembleia. Sem acesso ao Parlamento, o presidente e deputado Edson Brum (PMDB) transferiu a reunião de líderes que deliberaria sobre as votações para o Memorial da Assembleia, que contou com a participação de representantes dos servidores. Na saída chegou a ser cercado pelos manifestantes e decidiu suspender a votação dos projetos por falta de segurança. As portas do Legislativo continuavam bloqueadas.

    IMG-20150915-WA0006
    Entrada do Parlamento bloqueada ….

    IMG-20150915-WA0009
    …. e deputados cercados pelos servidores

    Na Duque de Caxias, deputados dos partidos de oposição ao governo discutiam os próximos passos. O deputado Altemir Tortelli (PT) comentou que não acredita em uma retirada dos projetos, que é principal reivindicação dos servidores, nem mesmo do regime de urgência.
    Deputados foram impedidos de entrar no Legislativo
    Deputados foram impedidos de entrar no Legislativo

    A presidente do CPERS, Helenir Schurer, disse que o movimento foi vitorioso hoje, mas que a vigília permanecesse. “Continuaremos aqui na frente do Piratini atentos e caso os deputados pensem em votar o pacote de medidas amanhã,  os servidores voltarão para a entrada Assembleia.
    IMG-20150915-WA0004
    DSCN2730
    No meio da tarde um dos acessos continuava fechado / Fotos Matheus Chaparini

    DSCN2727 DSCN2723
     

  • Artistas contemporâneos abrem exposição no IAB a partir desta quarta

    Mostra de artes visuais ocorre de 16/09 a 16/10, no Centro Histórico de Porto Alegre. A entrada é franca
    O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS) abre na próxima quarta-feira (16/09), às 19h30min, cinco exposições de artes visuais selecionadas em edital. A mostra integra o segundo ciclo de artes visuais da galeria Espaço IAB em 2015. A visitação permanece até o dia 16 de outubro de 2015, das 14h às 20h, de segunda à sexta-feira, na Rua General Canabarro nº 363, no Centro Histórico de Porto Alegre. A entrada é franca.
    Na Sala Negra, o público poderá conferir a mostra “Aldeia dos Anjos”, do artista visual Xadalu. Através de um resgate cultural em que o passado se funde com o presente, o artista traz para o debate um tema de grande relevância para a sociedade: a demarcação de terras indígenas. A exposição conta com 13 obras concebidas em diversas técnicas, que incluem pequenos fragmentos de acontecimentos da história, de outros tempos até o momento atual que vivem as comunidades indígenas do Brasil contemporâneo.

    Xadalu
    “Aldeia dos Anjos”, de Xadalu

    Na Sala Anexa, Alex Pernau, apresenta a desconstrução e reconstrução do corpo na mostra “Anomalia”. O projeto explora os limites da taxonomia em busca de um hibridismo lúdico e impossível. O ponto de partida é a destruição e reconstrução da figura humana. As formas anômalas exibidas nas obras são resultados das possibilidades criativas do corpo, projetadas e modeladas digitalmente com o intuito de integrar tecidos biológicos que, de outra forma, seriam incompatíveis. Sob o ponto de vista técnico, Anomalia é um projeto diretamente ligado à tecnologia. As obras exibidas na exposição foram criadas através da computação gráfica, utilizando os mesmos softwares e processos que são utilizados na indústria criativa.
    Alex Pernau
    “Anomalia”, de Alex Pernau

    A Sala do Arco irá abrigar a mostra “Sombras” da artista visual Fraga. As figuras que transitam no limite entre a vigília e o sensorial, e os sentidos da consciência, transmitem o medo e estranhamento, como protagonistas de um teatro de claro e escuro. Essa exposição retrata graficamente os habitantes dessa fronteira. O digital emula o orgânico, gerando traços e espaços totalmente “desenhados” dentro da máquina.  Também foram utilizados recortes do cinema fantástico (“O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman, à frente), tramas das gravuras de Rembrandt, o imaginário mítico de Marcelo Grassmann e os contrastes branco/preto de Goeldi.
     
    Na Circulação, Amandita Medeiros apresenta a mostra “Fotografismo”. A exposição individual reúne diversas imagens manipuladas de galhos secos de árvores, obtidas contra a luz, detalhando apenas a silhueta, a sombra, tornando-se desenhos com linhas gráficas. Fotografismo faz parte de uma série de trabalhos que a artista vem desenvolvendo continuamente desde o período que cursou Bacharelado em Artes Visuais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFGRS.
    Amandita Medeiros
    “Fotografismo”, de Amandita Medeiros

    Nas áreas externas do Solar do IAB RS, o artista visual Fábio Ribas apresenta suas esculturas que integram a mostra “Descartados”. As obras foram criadas a partir do imaginário atual do artista, desenvolvidas mediante somatórios não lineares desconstruídos e reconstruídos com materiais descartados pela sociedade contemporânea, que revivem ao serem recolhidos das ruas. Chaleiras, porongos, liquidificadores, taquaras, caixas e luminárias ganham vida pela forma. Mais do que o objeto por si só, ampliam sua força e expressividade ao se unirem em um conjunto visual complexo, como que se harmonizando no encontro da diversidade.
    AGENDA
    O que: Exposições de Artes Visuais no IAB RS
    Abertura: Dia 16 de setembro, quarta-feira, às 19h30min.
    Visitação: Até dia 16 de outubro de 2015, das 14h às 20h, de segunda à sexta-feira
    Onde: Ponto de Cultura Solar do IAB RS (Rua General Canabarro nº 363, no Centro Histórico de Porto Alegre).
    Quanto: Entrada franca
    Informações: (51) 3212.2552 / http://galeriaespacoiab.blogspot.com.br

  • Imagens do Rio Grande Antigo tem lançamento dia 17 no Parque da Harmonia

    O jornalista Bruno Martins Farias lança no dia 17 deste mês, no Parque Harmonia, em Porto Alegre, durante a Semana Farroupilha, o livro “Imagens do meu Rio Grande do Sul Antigo e seus Vizinhos”, volume 2.
    Seguindo a mesma linha do volume 1, o autor traz uma coletânea de mais de 700 ilustrações. Porém ao contrário do 1 – dedicado principalmente à vida e à lida no campo – o volume 2 é focado mais nas construções, nos monumentos e nos prédios e lugares históricos e turísticos do nosso estado e região. E nas belezas naturais de diversas cidades do Rio Grande do Sul e dos vizinhos, Uruguai, Argentina, Paraná e Santa Catarina, que também ajudaram a influenciar a nossa cultura.
    Também são mostradas no livro algumas das guerras que mais marcaram a memória do povo gaúcho. Assim como algumas das principais fortificações da região, que em alguns casos só podem ser vistas em imagens antigas. Sem falar nos detalhes dessas imagens, onde podem ser observados os costumes, vestimentas, meios de transporte, utensílios, entre outros aspectos.
    Até o dia 20 de setembro, Bruno estará nos seguintes locais: na quinta-feira 17/09 às 20h apresentação dos livros antecedendo a palestra do Piquete Sinal, Marca e Tarca; na sexta-feira 18/09 a partir das 17h no acampamento do Piquete Missioneiro. No sábado 19/09 durante todo o dia no acampamento do Piquete Sinal Marca e Tarca (ao lado do Piquete Pitoco). E no domingo 20/09 o autor estará circulando nos arredores do desfile e entre os diferentes piquetes do Parque Harmonia. O livro também estará à venda durante todo o evento no estande da Livraria Calle Corrientes.
    MAIS IMAGENS, CONTEÚDO E CORES  
    Assim como no primeiro volume, este traz muitas fotos recentes de lugares históricos interessantes e bonitos da nossa região. São aproximadamente 100 cidades, lugares e fatos relacionados à história do Rio Grande do Sul e também do Uruguai, da Argentina, do Paraguai, do Paraná e de Santa Catarina. E, é claro, alguns dos principais personagens ligados a eles, representados em fotos, pinturas, desenhos e monumentos. A publicação conta com centenas de pinturas, fotos, plantas, litografias e desenhos de diversos autores de variadas épocas, entre os anos 1536 e 2015. E principalmente fotos recentes, sendo que aproximadamente 80% das páginas do VOLUME 2 são coloridas
    São locais das capitais Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Montevidéu e Buenos Aires, e também de diversos municípios do Interior. A maior parte das fotos recentes é do próprio autor, tiradas em suas viagens pelo Rio Grande do Sul e arredores. E também de diversos colaboradores, como Valery Pugatsch, Roque Oliveira, Wilson Rosa da Fonseca, Ubirajara Buddin Cruz, Eliana Lúcio, Teresa Lenzi e tantos outros que emprestaram suas visões de diferentes lugares do estado e região para compor este rico acervo de imagens.

  • Entidades questionam projetos de revitalização na orla do Guaíba

    Matheus Chaparini
    De quem é a orla do Guaíba? Com esta pergunta foi aberto ontem à noite o evento que reuniu diversos grupos e entidades para discutir dois projetos de revitalização da orla do Guaíba: o Cais Mauá e o Pontal do Estaleiro. O debate “Orla do Guaíba: do Cais ao Pontal” foi promovido pela Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), no auditório da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Fabico).
    Os grupos e entidades são contra os projetos previstos e reclamaram da falta de consulta popular na elaboração. “Está se construindo uma cidade excludente, a plutocracia está fazendo a pauta,” afirmou João Volino, do movimento Cais Mauá de Todos.
    “Todos queremos a revitalização? É óbvio, ninguém quer ele fechado e inacessível como está hoje. Mas a questão é: revitalizar pra quê? Pra quem?” O movimento é contra a construção de um shopping center na área do Cais e defende que os armazéns sejam destinados a bibliotecas, museus e ao chamado sistema S.
    O presidente do IAB, Tiago Holzmann, criticou o que chamou de desmonte do planejamento, promovido em associação entre especulação imobiliária e agentes do poder público, visando o processo eleitoral. “O ciclo de planejamento urbano municipal no Brasil dura quatro anos, às vezes dois. Por isso não prospera.” Holzmann afirmou que “quase ninguém conhece os projetos” e que tem tentado acesso ao material, mas a empresa responsável pelas obras, a Cais Mauá do Brasil S/A não fornece informações.
    O presidente da Agapan, Leonardo Melgarejo, afirmou que os dois projetos vem sendo tratados de forma separada, como se não tivessem ligação. “É preciso enxergar o conjunto destas obras. Essa é uma área muito importante para o futuro da cidade e vem sendo vista com gula, com cobiça por interesses de investimentos.”
    A integração entre os diversos movimentos que lutam pelo espaço urbano foi defendida em várias manifestações.
    Questões jurídicas foram levantadas
    O jurista Caio Lustosa vem acompanhando nos últimos anos o projeto da área do Pontal. Ele defende que a área sequer poderia ter sido leiloada. “As margens de rio são bens públicos de uso comum. Não pertencem ao estado, nem ao município, pertencem à população.” Para Lustosa, houve omissão do Governo do Estado, que teria aberto mão da preferência em adquirir o terreno, arrematado por R$ 7,2 milhões pela SVB Participações em 2005.
    O coletivo Cidade Mais Humana entrou com uma ação judicial de iniciativa popular questionando o projeto de revitalização do Cais. Para o coletivo, foram infringidos decretos federais que regulam o uso do porto. Além disso, o grupo defende que o contrato não tem mais validade. “A relação contratual foi descumprida em tudo. Todos os prazos estão extintos pelo contrato”, afirmou Paulo Guarnieri, integrante do coletivo.
    Audiência pública na próxima sexta
    Na próxima sexta-feira, dia 18, acontece audiência pública para a apresentação do EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental). A audiência será às 19h, na sede do Grêmio Náutico União, na rua Quintino Bocaiúva, 500.

  • Para Ajuris, "sonegação é uma forma de corrupção, sim"

    Felipe Uhr
    O juiz Mauro Caum Gonçalves, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), afirmou na audiência pública realizada hoje na Assembleia Legislativa que a Operação Zelotes revela uma relação promíscua do empresariado com alguns setores da administração pública.
    “Estranhamente a maioria dessa grande mídia está silenciosa. É compreensível. Uma das seis grandes famílias que dominam a mídia no Brasil, que é aqui do Rio Grande do Sul, é alvo dessa investigação. E os deputados, os senhores que têm imunidade parlamentar, podem denunciar esses crimes. A sonegação é crime, é uma forma de corrupção, sim”, afirmou.
    O presidente do Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais, o TARF, aqui no Rio Grande do Sul, Renato José Calsing, falou sobre o funcionamento do órgão, que atua de forma similar a do Carf a nível de tributos estaduais.
    Ele defendeu a participação da sociedade e da representação da Assembleia Legislativa se acharem que o funcionamento do Carf não está adequado. Também comparou o tamanho do TARF em relação da união. “Nós julgamos em 2014 R$ 3 bilhões, enquanto o Carf está julgando mais de 500 bilhões”
    Ao final da audiência, o deputado Paulo Pimenta (PT), relator da sub-comissão que acompanha a CPI do Carf, disse que a CPI do CARF tem até um caráter quase que pedagógico, pois explica a complexidade de um órgão que tem um estoque pra julgar de 585 bilhões de reais” declarou.

  • Operação Zelotes: duas máfias operavam no CARF

    Elmar Bones
    Cerca de 300 pessoas lotaram o pequeno espaço do plenarinho da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul para ouvir os esclarecimentos sobre as fraudes que estão sob investigação do Ministério Público Federal e Polícia Federal na Operação Zelotes, deflagrada em março deste ano.
    O primeiro a falar foi o deputado federal Paulo Pimenta (PT), vice-presidente da CPI da Câmara Federal sobre as fraudes cometidas no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e que resultaram na Zelotes.
    Pimenta arrancou risadas do público ao detalhar o funcionamento do CARF, órgão que tem mais de um século e cuja existência era desconhecida dos brasileiros até as denúncias daquela Operação.
    “Eu mesmo não tinha a menor ideia de como funcionava esse conselho, que decide sobre bilhões de reais em processos de sonegação fiscal”, disse Pimenta.
    As primeiras risadas surgiram quando ele explicou que os julgamentos do Conselho são terminativos (não há mais recurso possível) quando a União perde, mas quando ela ganha o contribuinte (empresa privada) ainda pode recorrer. E para isso havia uma verdadeira rede de consultores e advogados para resolver o assunto. “Havia duas máfias operando nesses processos”, disse o deputado.
    Os processos em julgamento no CARF envolvem R$ 565 bilhões. O órgão tem 216 conselheiros para esse trabalho: 108 auditores da Receita Federal, geralmente em fim de carreira e que disputam acirradamente esse cargo, que não tem qualquer remuneração (risos da platéia). Outros 108 são “representantes da sociedade”.
    Segundo o deputado, os 74 processos nos quais foram encontrados indícios de fraude  somam mais de R$ 21 bilhões (mais da metade do déficit previsto no orçamento federal em 2016). Há também casos de processos que prescreveram sem julgamento e até desaparecimento de processos. “Uma Vara em Brasilia é conhecida como cemitério”, disse Pimenta.
    Ele lembrou que, quando foi desencadeada a Zelotes, o MPF pediu a prisão preventiva de 26 pessoas e nove auditores. A Justiça negou os pedidos, assim como negou várias diligências da Polícia Federal. Também foi negada a quebra de sigilo na Operação Zelotes. “Tudo aquilo que o Judiciário diz a respeito da Operação Lava Jato, da necessidade de transparência, divulgação por interesse público, na Zelotes é o contrário”, disse Pimenta.
    Uma nova fase, segundo ele,  começou há duas semanas, quando uma nova juíza assumiu o processo. As investigações feitas no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasilia e Santo Ângelo já são resultado dessa nova orientação. Pimenta disse ter informações seguras de que ainda em setembro serão denunciadas as primeiras seis empresas envolvidas em fraude, e cujos processos somam R$ 5,7 bilhões.

  • Projeto da Cidade da Bicicleta recebe doações até amanhã

    O prazo para as contribuições ao projeto de financiamento coletivo da Cidade da Bicicleta vai até amanhã, dia 15. O objetivo é arrecadar 36 mil reais para a construção da primeira fase da nova sede, que ficará debaixo do viaduto dos Açorianos. O valor inclui a compra de um contêiner, onde funcionará a oficina comunitária.
    Em troca das doações, são oferecidas recompensas. O valor mínimo é de R$ 15 e dá direito ao agradecimento nos créditos de um curta-metragem sobre a construção do espaço. A maior modalidade, com doações de 5 mil reais, é para empresas e dá direito a uma Consultoria Empresa Amiga da Bicicleta.
    A área de 674,5m² foi cedida pela prefeitura por tempo indeterminado, através do decreto 18.682 de 10 de junho de 2014. A antiga sede ficava em um casarão da rua Marcílio Dias e funcionou até junho de 2013.
    Link: http://www.catarse.me/cidadedabici

  • Operação Zelotes será detalhada hoje na Assembleia Legislativa

    A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, através da Frente Parlamentar em Defesa do Serviço Público, promove nesta segunda-feira (14), a partir das 14 horas, no Plenarinho, audiência publica sobre a Operação Zelotes, da Polícia Federal.
    A deputada Stela Farias (PT), que coordena a frente parlamentar, disse que qualquer suspeita de sonegação de impostos tem de merecer atenção de parlamentares. E que a audiência no Rio Grande do Sul se justifica na medida em que quatro grandes empresas gaúchas estão sendo citadas.
    “Temos todo interesse em esclarecer as denúncias. São os impostos que garantem a prestação de serviços públicos por parte do Estado, em todas as suas esferas. O prejuízo aos cofres públicos, apurado até agora em todos os processos investigados, chega a R$ 19 bilhões – o que corresponde ao dobro do valor envolvido, por exemplo, na Operação Lava Jato. Das 70 empresas investigadas, pelo menos quatro são gaúchas e a PF já começou a realizar diligências em municípios gaúchos. Portanto, é nossa obrigação tornar público os detalhes dessa investigação”, declarou a parlamentar.
    À Rádio Guaíba, de Porto Alegre, o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Frederico Paiva, que está à frente das investigações da Zelotes, informou que seis empresas devem ser denunciadas ainda neste mês de setembro por crime de sonegação de impostos e corrupção investigado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Nessa primeira leva, conforme o procurador, já deve constar uma empresa gaúcha. Entre os grupos gaúchos investigados na operação estão Gerdau, RBS, Mundial-Eberle e Marcopolo.
    Paiva disse à rádio que estão sendo analisados 74 julgamentos do conselho realizados entre 2005 e 2013, nos quais, R$ 19,6 bilhões teriam deixado de ser recolhidos aos cofres públicos. Segundo o procurador, dos 70 processos sob suspeita, em pelo menos 20 o MPF conseguirá comprovar de maneira sólida que houveram atos ilícitos. Este volume representa cerca de R$ 6 bilhões. O colegiado tem R$ 516 bilhões em processos para julgamento.
    O jornal Folha de S. Paulo divulgou a lista das empresas investigadas pela PF e alguns dos valores devidos:
    Banco Santander – R$ 3,34 bilhões
    Banco Santander 2 – R$ 3,34 bilhões
    Bradesco – R$ 2,75 bilhões
    Ford – R$ 1,78 bilhões
    Gerdau – R$ 1,22 bilhões
    Boston Negócios – R$ 841,26 milhões
    Safra – R$ 767,56 milhões
    Huawei – R$ 733,18 milhões
    RBS – R$ 671,52 milhões
    Camargo Correa – R$ 668,77 milhões
    MMC-Mitsubishi – R$ 505,33 milhões
    Carlos Alberto Mansur – R$ 436,84 milhões
    Copesul – R$ 405,69 milhões
    Liderprime – R$ 280,43 milhões
    Avipal/Granoleo – R$ 272,28 milhões
    Marcopolo – R$ 261,19 milhões
    Banco Brascan – R$ 220,8 milhões
    Pandurata – R$ 162,71 milhões
    Coimex/MMC – R$ 131,45 milhões
    Via Dragados – R$ 126,53 milhões
    Cimento Penha – R$ 109,16 milhões
    Newton Cardoso – R$ 106,93 milhões
    Bank Boston banco múltiplo – R$ 106,51 milhões
    Café Irmãos Júlio – R$ 67,99 milhões
    Copersucar – R$ 62,1 milhões
    Petrobras – R$ 53,21 milhões
    JG Rodrigues – R$ 49,41 milhões
    Evora – R$ 48,46 milhões
    Boston Comercial e Participações – R$ 43,61 milhões
    Boston Admin. e Empreendimentos – R$ 37,46 milhões
    Firist – R$ 31,11 milhões
    Vicinvest – R$ 22,41 milhões
    James Marcos de Oliveira – R$ 16,58 milhões
    Mário Augusto Frering – R$ 13,55 milhões
    Embraer – R$ 12,07 milhões
    Dispet – R$ 10,94 milhões
    Partido Progressista – R$ 10,74 milhões
    Viação Vale do Ribeira – R$ 10,63 milhões
    Nardini Agroindustrial – R$ 9,64 milhões
    Eldorado – R$ 9,36 milhões
    Carmona – R$ 9,13 milhões
    CF Prestadora de Serviços – R$ 9,09 milhões
    Via Concessões – R$ 3,72 milhões
    Leão e Leão – R$ 3,69 milhões
    Copersucar 2 – R$ 2,63 milhões
    Construtora Celi – R$ 2,35 milhões
    Nicea Canário da Silva – R$ 1,89 milhão
    Mundial – Zivi Cutelaria – Hércules – Eberle – Não Disponível
    Banco UBS Pactual SA N/D
    Bradesco Saúde N/D
    BRF N/D
    BRF Eleva N/D
    Caenge N/D
    Cerces N/D
    Cervejaria Petrópolis N/D
    CMT Engenharia N/D
    Dama Participações N/D
    Dascan N/D
    Frigo  N/D
    Hidroservice N/D
    Holdenn N/D
    Irmãos Júlio N/D
    Kanebo Silk N/D
    Light N/D
    Mineração Rio Novo N/D
    Nacional Gás butano N/D
    Nova Empreendimentos N/D
    Ometo N/D
    Refrescos Bandeirantes N/D
    Sudestefarma/Comprofar N/D
    TIM N/D
    Tov N/D
    Urubupungá N/D
    WEG N/D
    Total – R$ 19,77 bilhões