Antecipando-se ao acordo setorial nacional da logística reversa de lâmpadas fluorescentes, Porto Alegre inicia dia 29 deste mês projeto inédito no país. A cidade terá experiência piloto da Coleta Itinerante de Lâmpadas Fluorescentes por meio de parceira entre o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), a Agas, a Recilux e a Apliquim Brasil Recicle, incentivada pelo Centro de Apoio Operacional do Consumidor (Caocon) do Ministério Público do Rio Grande do Sul. A assinatura do Termo de Cooperação ocorre na terça-feira, 25, às 15h45, no Centro de Eventos da Fiergs (avenida Assis Brasil, 8787).
Até o fim deste ano, ocorrerão 12 edições do projeto, já com datas definidas pelo grupo. Quem quiser participar pode levar até cinco lâmpadas fluorescentes por pessoa a um dos locais de coleta, nos horários estipulados. O recolhimento e a destinação adequada ao resíduo serão divididos entre as empresas Reciluz e Apliquim Brasil. A cada edição, uma das empresas fará o encaminhamento das fluorescentes.
O diretor-geral do DMLU destaca que o projeto piloto terá duração de 90 dias. Após este período, os resultados da iniciativa serão avaliados e o grupo definirá se o projeto terá continuidade. “Estamos mais uma vez buscando alternativas sustentáveis para o descarte correto de resíduos por meio de parcerias sem ônus para o município. Depois da Coleta Itinerante de Eletrônicos, do Poa Sem Bituca e da Troca Solidária de Livros, estamos mais uma vez sendo pioneiros no país ao implantar a Coleta Itinerante de Lâmpadas Fluorescentes”, destacou.
A iniciativa integra a campanha ReciclaPOA. Para saber mais, clique aqui.
Confira o cronograma da Coleta Itinerante de Lâmpadas Fluorescentes:
– 29/08, das 9h às 17h
Local: Grêmio Náutico União – GNU – Sede Alto Petrópolis
Endereço: Rua Armando Pereira Câmara S/N
Empresa: Apliquim Brasil Recicle Materiais Recicláveis Ltda.
– 05/09, das 9h às 17h
Local: Usina do Gasômetro – Avenida Presidente João Goulart, 551 – Bairro Centro
Empresa: Apliquim Brasil Recicle Materiais Recicláveis Ltda.
– 12/09, das 9h às 17h
Local: estacionamento do Beira Rio
Empresa: Recilux– Reciclagem de Lâmpadas Ltda.
– 19/09
Local: Praça Jardim Europa- Avenida Túlio de Rose, S/N – Bairro Passo d’Areia
Empresa: Apliquim Brasil Recicle Materiais Recicláveis Ltda.
– 26/09
Local: Praça Tristeza – Avenida Otto Niemeyer, esquina com a Wenceslau Escobar – Bairro Tristeza
Empresa: Recilux– Reciclagem de Lâmpadas Ltda.
– 03/10
Local: Arena do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense
Empresa: Apliquim Brasil Recicle Materiais Recicláveis Ltda.
– 10/10
Empresa: Recilux– Reciclagem de Lâmpadas Ltda.
– 17/10
Empresa: Apliquim Brasil Recicle Materiais Recicláveis Ltda.
– 24/10
Empresa: Recilux– Reciclagem de Lâmpadas Ltda.
– 31/10
Empresa: Apliquim Brasil Recicle Materiais Recicláveis Ltda
– 07/11
Empresa: Recilux– Reciclagem de Lâmpadas Ltda.
– 14/11
Empresa: Recilux– Reciclagem de Lâmpadas Ltda.
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Porto Alegre inicia projeto de coleta de lâmpadas fluorescentes
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Zelotes: Suspeitos de favorecer RBS irão depor na CPI do CARF
Felipe Uhr
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), no Senado Federal, que apura irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) irá ouvir na próxima semana mais quatro envolvidos no esquema de favorecimento a grandes empresas.
Entre eles, estão o ex-presidente do CARF, Edson Pereira Rodrigues, e o ex- conselheiro, José Ricardo da Silva, que conforme processo do Ministério Público Federal seriam os principais intermediários para favorecer o Grupo Rede Brasil Sul de Comunicações (RBS). Os outros dois são Jorge Vitor Rodrigues, ex-conselheiro do CARF, e Alexandre Paes dos Santos, sócio da empresa Davos.
A Operação Zelotes aponta que o ex-presidente Edson Rodrigues era um dos consultores nos processos e nos esquemas de facilitações da empresas. Zé Ricardo é advogado, sócio da SGR Consultoria Empresarial e do escritório de advocacia JR Advogados, e teria sido contratado da própria RBS.
A ação de Zé Ricardo como consultor /advogado era essencial para livrar empresas de autuações multimilionárias, segundo a Operação Zelotes. O Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigam a filial da Rede Globo em um esquema que envolveria mais de R$ 600 milhões.
A convocação do presidente da empresa, Eduardo Sirotsky Melzer, já foi apreciada no dia 23 de julho pelos membros da comissão, mas ainda não está definido quando ele será chamado a depor. -
Quarenta por cento das brasileiras entre 50 e 69 anos não fazem mamografia
Flávia Villela *
Cerca de 60% das mulheres brasileiras entre 50 e 69 anos de idade fizeram mamografia em 2013. Esse e outros dados sobre a saúde da mulher estão na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada hoje (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa foi feita em parceria com o Ministério da Saúde para ampliar o conhecimento sobre as características de saúde das brasileiras, que são maioria na população (51,9%) e as principais usuárias dos serviços de saúde.
Os dados são relativos a mamografias feitas até dois anos antes da pesquisa e revelam que a realização do exame – para detectar câncer de mama – foi mais frequente entre mulheres brancas (66,2%) do que pretas (54,2%) e pardas (52,9%) e mais frequente entre aquelas com ensino superior completo (80,9%), do que entre mulheres sem instrução ou com ensino fundamental completo (50,9%).
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Ruffo de Freitas Junior, o acesso ao exame melhorou muito no país nos últimos anos, mas ainda está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é 70% das mulheres nessa faixa etária fazerem a mamografia periodicamente.
“Além disso, a qualidade do exame é fundamental. Com o Programa Nacional de Mamografia funcionando na maioria das cidades, tenho certeza que nossos índices de mortalidade vão cair nos próximos anos”, disse Freitas Junior, ao destacar a importância do acesso ao tratamento adequado do câncer de mama em todo o território nacional. “Acredito que com tudo isso em um futuro próximo estaremos ao lado de países como Estados Unidos e Inglaterra, mostrando redução da mortalidade por câncer de mama, que ainda é alta no Brasil”, disse.
O Norte foi a região com menor percentual de mulheres que fizeram o exame (38,7%), seguido pelo Nordeste (47,9%), Centro-Oeste (55,6%), Sul (64,5%) e Sudeste (67,9%). Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o terceiro mais frequente em mulheres no Brasil e responde por 22% dos casos novos a cada ano.
Papanicolau
A pesquisa do IBGE entrevistou as mulheres também sobre o exame papanicolau, que detecta o câncer de colo do útero. Quase 80% das brasileiras entre 25 e 64 anos fizeram o exame nos três anos anteriores à pesquisa. Os maiores percentuais estão nas regiões Sul (83%), Sudeste (81,1%) e Centro-Oeste (80,9%), que apresentaram percentuais acima da média nacional. No Norte, a taxa foi 75,5% e no Nordeste, 75,1%. Dentre o grupo que nunca fez o exame, 45,6% declararam não achar necessário, 20,7% nunca haviam sido orientadas para fazer o papanicolau e 9,7% declararam ter vergonha de fazê-lo.
Aborto e gravidez
Quase 70% das brasileiras entre 18 e 49 anos ficaram grávidas alguma vez na vida e a idade média da primeira gravidez é 21anos. Os dados mostram que quanto menor o grau de instrução, mais precoce foi a primeira gravidez. Nas regiões Norte e Nordeste, mais de 72% das mulheres na faixa etária avaliada já haviam engravidado, enquanto na Região Sudeste esse indicador era 66,1%.
O acompanhamento médico da gestante e do bebê, o pré-natal, foi feito em 97,3% das brasileiras grávidas em 2013 e 97,7% fizeram pelo menos uma ultrassonografia ao longo da gestação. Quase 65% fizeram exame de sangue para sífilis e 88,8% para HIV. Cerca de 45% das mulheres fizeram parto normal. O percentual mais elevado foi verificado na Região Norte (59,8%) e entre mulheres sem instrução ou com ensino fundamental incompleto (65,3%). Das mulheres que fizeram cesariana, 53,5% marcaram com antecedência a data do parto ainda no período pré-natal. A pesquisa avaliou os partos feitos entre janeiro de 2012 e julho de 2013.
Pouco mais de 2% das mulheres na faixa etária avaliada relataram ter provocado um aborto. Desse grupo, aproximadamente 61% relataram que faziam uso de métodos contraceptivos. O aborto provocado foi mais frequente entre as mulheres com menor grau de instrução (2,8%) e mulheres pretas (3,5%). No recorte regional, a Região Sul registrou o menor percentual (1%) de aborto provocado e a Região Nordeste (3%), o maior.
De acordo com o estudo, cerca de 15% das entrevistadas disseram ter sofrido aborto espontâneo em 2013. O percentual maior (21,1%) foi verificado entre as mulheres sem instrução ou com ensino fundamental completo. Entre as mulheres com superior completo, 11,7% sofreram aborto espontâneo.
Obesidade
A pesquisa constatou também que o aumento da obesidade no país afetou principalmente as mulheres: uma em cada quatro brasileiras (24,4%) com mais de 18 anos é obesa. A média nacional é 20,8% e entre os homens o índice cai para 16,8%.
Em dez anos, a obesidade entre as mulheres com mais de 20 anos passou de 14% em 2003 – segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares –, para 25,2% em 2013, aumento de 11,2 pontos percentuais. Já entre os homens, o crescimento foi menor: 8,2 pontos percentuais (de 9,3% para 17,5%).
O acúmulo de gordura abdominal também é mais frequente no sexo feminino, atingindo 52,1% das mulheres e 21,8% dos homens. O oposto ocorre em relação a hipertensão arterial, que é mais comum entre os homens (25,3%) do que entre as mulheres (19,5%), atingindo 22,3% da população.
A dona de casa carioca Maria Clara Souza, 30 anos, engordou dez quilos nos últimos três anos e está fazendo acompanhamento médico para emagrecer. “Depois que meu filho nasceu, parei de fazer exercício e descuidei da dieta”, disse. “A verdade é que sai mais barato e prático comer porcaria industrial do que fazer uma comidinha saudável”, acrescenta.
* Agência Brasil -
Brasil e Alemanha inauguram torre de pesquisa na Amazônia
Estrutura é a maior da América Latina. O Observatório de Torre Alta da Amazônia, de 325 metros, permitirá, por exemplo, monitorar efeitos das mudanças climáticas na floresta.
Será inaugurado, neste sábado (22), o Observatório de Torre Alta da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês), estrutura de 325 metros que ampliará o campo de pesquisa e o entendimento da interação entre a biosfera e a atmosfera. A torre foi instalada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, entre os municípios de São Sebastião do Uatamã (AM) e Itapiranga (AM), a cerca de 150 quilômetros, em linha reta, de Manaus (AM). O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo; o governador do Amazonas, José Melo; e representantes da embaixada da Alemanha no Brasil participam da cerimônia.
Estimada em R$ 26 milhões, a Torre Alta da Amazônia é resultado de parceria científica entre Brasil e Alemanha, implementada por meio do Instituto Nacional da Amazônia (Inpa/MCTI), da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e dos institutos alemães Max Planck de Química e de Biogeoquímica. Do valor total, R$13 milhões foram aportados pelo governo brasileiro, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI), e R$ 13 milhões pelo governo alemão. Além disso, a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) empregou R$ 2 milhões para restaurar a estrada do rio Uatumã até o sítio do projeto.
A Torre ATTO permitirá a análise de mudanças e modelos climáticos na floresta amazônica, além de monitorar os componentes da atmosfera relevantes às mudanças climáticas. Serão estudadas, por exemplo, as trocas de massa e energia que ocorrem entre o solo, a copa das árvores e o ar acima delas. O Observatório é o primeiro desse tipo na América do Sul e o único no mundo voltado para essa finalidade. A estrutura de investigação científica vai gerar conhecimento inédito sobre o papel do ecossistema amazônico no contexto das mudanças climáticas globais.
Segundo o coordenador do projeto ATTO pelo Inpa, Antonio Manzi, será possível aprimorar os modelos que fazem previsão de tempo e clima. “Nós projetamos o Observatório como um laboratório de referência mundial para as interações entre as florestas tropicais e a atmosfera. Os resultados obtidos fornecerão um grande avanço na representação das florestas tropicais em modelos de sistemas meteorológicos e da Terra para gerar previsões de tempo e cenários muito mais precisos sobre o clima”, explica.
A localização da torre na floresta tropical brasileira garantirá, segundo o diretor do Departamento de Biogeoquímica do Instituto Max Planck de Química, Meinrat Andreae, dados mais confiáveis. “O fato de estar distante das cidades e, portanto, das influências humanas, garante a coleta de dados relativamente não adulterados”, explica Andreae. “Além disso, a Torre Alta permitirá aos cientistas, a partir de agora, realizar suas medições nas camadas mais altas da atmosfera e mais contínua do que anteriormente, de modo que são de se esperar declarações mais confiáveis sobre o desenvolvimento da nossa atmosfera.”

Objetivo científico
O projeto tem o objetivo de monitorar e estudar o clima da Região Amazônica, por cerca de 20 a 30 anos, a partir da coleta de dados sobre os processos de troca e transporte de gases entre a floresta e a atmosfera. O observatório deve medir com precisão fluxos de água, dióxido de carbono (CO²) e calor, a fim de analisar o impacto do ciclo de absorção e liberação de substâncias.
O coordenador do projeto pelo Inpa diz que a ATTO permitirá o estudo do balanço de carbono. “Com as pesquisas que serão realizadas, aumentaremos os nossos conhecimentos sobre o esse ciclo de carbono tropical, o que é muito importante mundialmente”, observou Manzi.
Os 325 metros da ATTO possibilitam o monitoramento de uma extensão de espaço atmosférico jamais alcançada antes, cerca de mil quilômetros quadrados (km²), preenchendo lacunas de monitoramento e coleta de dados feitas por satélites e outros instrumentos. A expectativa é que o projeto atraia alto investimento científico de diversos países.
Do topo da torre de medição, pesquisadores também podem rastrear alterações em grandes áreas de floresta tropical causadas por massas de ar que as atravessam. Ao analisar essas interações, eles querem chegar a novas conclusões sobre a importância da floresta tropical para a química e a física da atmosfera.
O objetivo específico dos cientistas é, em primeiro lugar, compreender melhor as fontes de produção e de consumo de gases de efeito estufa, como o CO², metano e óxido nitroso. “Buscamos entender adequadamente o papel que a floresta desempenha na formação de partículas de aerossol e, portanto, a formação de nuvens. Uma série de segredos está esperando para ser descoberta usando nossa nova torre de medição”, avalia Jürgen Kesselmeier, coordenador do projeto pela Sociedade Max Planck.
O diretor do Inpa, Luiz Renato França, aponta as vantagens da cooperação internacional. “Nosso conhecimento sobre a Região Amazônica e a Terra não será o mesmo quando este empreendimento magnífico e impressionante estiver em pleno funcionamento”, avaliou. “Esta fascinante cooperação científica é uma clara ilustração de como uma tarefa gigantesca, que beneficia todo o planeta e a humanidade, pode ser desenvolvida quando dois grandes países, localizados em diferentes e distantes continentes, trabalham juntos em harmonia.”

As peças vieram por estrada e por rio até a Reserva do Uatumã
Desafio da engenharia
A empresa responsável pela construção da torre é a San Soluções Empresariais, do Paraná, que venceu a licitação. O representante da empresa, Sérgio Alves do Nascimento, relata os desafios tecnológicos logísticos de uma obra dessa magnitude na Região Amazônica. “Em média, as estruturas que fazemos estão entre 50 metros e 150 metros. Para entregar uma estrutura de 325 metros no meio da floresta amazônica tivemos que vencer uma logística impressionante. Foi preciso trazer as peças da torre por estrada e por rio até a Reserva do Uatumã”.
A estrutura, que pesa 142 toneladas, é formada por um conjunto de 15 mil peças. Elas foram transportadas de Curitiba à Reserva do Uatumã por seis carretas que percorreram 4,5 mil quilômetros até Humaitá (AM), onde foram embarcadas em uma balsa que percorreu os rios Amazonas e Uatumã. Vinte e seis quilômetros de cordoalhas de aço fixam a estrutura a blocos de concreto instalados no solo da floresta.
Para chegar ao topo da Torre ATTO é preciso subir 1,5 mil degraus ou utilizar um dos seis elevadores de contra peso. A tecnologia empregada é 100% nacional.
Construção da parceria
A Alemanha é uma das principais parceiras do Brasil em ações de capacitação tecnológica e inovação. No setor de meio ambiente, a parceria entre os dois países já existe há 30 anos, por meio do Experimento de Grande Escala de Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), projeto do qual a Torre ATTO faz parte. Ambos os países têm tradição em estudos ambientais. Na Alemanha, a indústria de tecnologia do meio ambiente é um setor importante da economia e os alemães são líderes no estudo da química da atmosfera. Já o Brasil tem competência no campo da física de nuvens e transporte de matérias na camada limite – área situada na baixa troposfera (camada da atmosfera em que vivemos e respiramos) e que, portanto, sofre diretamente a influência da superfície. Na Amazônia, a camada limite pode atingir até 1,6 mil metros .
O LBA já possui outras torres na Amazônia, com alturas entre 50 metros e 80 metros, que são capazes de monitorar fenômenos de interação entre floresta e atmosfera num raio de 10 km. Em 2007, pesquisadores alemães propuseram a construção da torre alta depois de visitar a Torre K34, de 52 metros de altura, localizada na reserva biológica Cuieiras, ao norte de Manaus.
A cooperação para construção foi inicialmente acordada em 2009 por meio de um memorando de entendimento entre o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil com o Ministério de Educação e Pesquisa (BMBF) da Alemanha, que nomearam o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e o Instituto Max Planck de Química (MPIC), respectivamente, como instituições coordenadoras do projeto. -
"Projeto que extingue FZB não será retirado", diz secretário
O chefe da Casa Civil, Marcio Biolchi, garantiu na tarde desta quinta-feira que o projeto de extinção da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul não vai ser retirado da Assembleia Legislativa. A declaração foi feita logo após apresentação do governador José Ivo Sartori, da fase 4 do Ajuste Fiscal Gaúcho.
“Estamos abertos ao diálogo, ele vai ser revisado e pode sofrer alterações, mas não vai ser retirado do regime de urgência”, afirmou Biolchi.
No final da manhã, pela primeira vez desde que foi proposta a extinção da FZB, o governo do Estado recebeu uma comissão de apoio à entidade, logo depois de encerrada a audiência pública que lotou às galerias do Auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa.
O grupo formado por 20 pessoas entre representes da entidade ambiental, deputados, professores de universidades públicas e privadas, e pesquisadores da Embrapa, Fepagro e Emater, entregou ao secretário adjunto da Casa Civil, José Kliemann, e à secretária adjunta do Meio Ambiente, Maria Patrícia Mollmann, um documento em que pedem a imediata retirada do PL 300/15 e uma reunião com o governador José Ivo Sartori.
O secretário Kliemann disse que esperava se reunir com o titular da pasta Márcio Biolchi e o governador para repassar as solicitações. Maria Patrícia lembrou que a secretária Ana Pellini estava viajando e que o projeto era uma tentativa de reestruturar a Fundação Zoobotânica. “Vamos continuar discutindo a melhor forma de reorganizá-la, modernizar a instituição que foi fundada na década de 70”, reiterou a secretária adjunta.
O professor Ludwig Buckup, 85 anos, 60 dedicados à Universidade, pesquisador conhecido internacionalmente, falou em nome da comissão e cobrou uma conversa com o governador, dizendo não acreditar que Sartori estivesse totalmente a par do texto do projeto.
“Não acredito que ele conheça profundamente as atividades da Fundação, muito menos que ele permita que se feche e simplesmente mande para suas casas profissionais tão qualificados como estes”, afirmou.
Mais cedo, no Legislativo, Buckup foi aplaudido em pé quando olhou para uma câmera de tevê e dirigindo-se a Sartori brincou que seu ex-aluno deve ter matado as aulas de Ecologia.

Audiência pública sobre a Fundação / Foto Juarez Junior / Agência ALRS
Cerca de 800 pessoas compareceram à audiência pública, organizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, presidida pelo deputado Adolfo Brito (PP). Lá estiveram parlamentares, servidores da FZB, inclusive seu atual presidente, Juliano Fakredin, analistas da Fepam e outros órgãos estaduais e federais, o promotor de Justiça José Mendes Júnior, o comandante do Batalhão Ambiental da BM, major Rodrigo Santos, e representantes de dezenas de ONGs ambientais. Todos demostram apoio à Fundação Zoobotânica e preocupação com a proposta do governo.
Alguns servidores da FZB se revezaram no microfone para apresentar dados do Jardim Botânico, do Museu de Ciências Naturais e do Zoológico.
O biólogo Marco Azeredo apresentou uma série de atividades e serviços prestados pela FZB. E mostrou o orçamento da entidade, que representa 0,045% do orçamento do Estado. E advertiu para a especulação imobiliária nas áreas da Fundação, como o Zoológico em Sapucaia e a Reserva Florestal Padre Balduíno Rambo, que juntos somam 780 hectares, entre São Leopoldo e Sapucaia do Sul.

Comissão recebeu abaixo-assinados / Fotos Juarez Junior/Agência ALRS
Ao final da audiência, foi entregue aos membros da comissão um calhamaço com dois abaixo-assinados contendo 39 mil assinaturas e correspondências com demonstrações de apoio à FZB de 800 instituições, sendo 18 de outros países. E a estudante Clara Aguzzoli, que emocionou a todos ao afirmar que sabia muito bem a importância do meio ambiente para a sociedade.
O Jornal JÁ tentou durante toda tarde contato por telefone com a secretária Ana Pellini, através de sua assessoria, que não atendeu às ligações.


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Prefeitura anula projeto com restrições a artistas de rua
O vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, pediu que seja desconsiderado o texto da minuta de decreto municipal que restringia a atividades dos artistas de rua. Melo afirmou que o texto era apenas um ponto de partida e garantiu que “não teremos uma saída arbitrária. Queremos encontrar um consenso.” Ele espera fechar um acordo dentro de 30 dias.
A minuta, enviada pelo seu gabinete aos vereadores, foi discutida na última terça-feira em reunião na Câmara de Vereadores com a presença de diversos artistas e entidades representativas. A repercussão entre a classe artística foi grande, e o decreto foi considerado um retrocesso. Na reunião foi pedida a criação de um Grupo de Trabalho para discutir o tema.
O decreto regulamenta a lei 11.586, de 5 de março de 2014. O texto original obrigava os artistas a pedirem autorização prévia para suas atividades, impedia que comercializassem seus materiais e proibia o uso de instrumentos percussivos e amplificadores no Centro Histórico e em praças e parques da capital.
A vice-coordenadora geral da Associação dos Músicos da Cidade Baixa (AssoMCB), Patricia Mello, disse que a prefeitura estava “agindo de forma arbitrária retrocedendo direitos conquistados e garantidos na nossa lei maior.” A entidade lançou uma nota de repúdio na terça-feira.
