Fabiane Peres*
O Projeto de Lei nº 6698/2013, de autoria do senador Paulo Bauer (PSDB/SC), em tramitação na Câmara Federal, dispõe sobre alterações na Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil, acerca da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) e também da criação da Sociedade Limitada Unipessoal (SLU).
Foi aprovado em 29 de abril deste ano pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), porém houve um recurso para análise pelo Plenário e desde final de maio não há movimentação. Só depois será enviado ao Senado.
O PL reescreve o artigo 980-A do Código Civil, trazendo inúmeras mudanças na EIRELI, que visam desburocratizar a constituição da mesma e tornar o seu acesso mais amplo.
As alterações propostas representam grande avanço no cenário empresarial, pois auxiliará na formalização de empresários, profissionalização de negócios familiares e ainda a possibilidade de planejamentos tributários para pessoas físicas e jurídicas.
Logo no Caput do artigo 980-A há mudanças relevantes aos interessados em empreender através da EIRELI como estrutura societária, ao definir que “A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa natural titular da totalidade do capital social”. Assim, as pessoas jurídicas ficam impossibilitadas de serem titulares de empresas individuais de responsabilidade limitada, pois a palavra “natural” torna-a taxativa. Vale lembrar que mesmo o atual texto não sendo claro, pois apenas cita que “será constituída por uma única pessoa”, as Juntas Comerciais, com sua peculiar austeridade, não permitem o registro.
Ainda sobre o caput do artigo 980-A, é excluído todo o trecho que determinava o capital social mínimo devidamente integralizado e com valor mínimo de 100 vezes o maior salário-mínimo vigente no País. A obrigatoriedade de um capital mínimo, e totalmente integralizado no ato da constituição, é um grande entrave para os empreendedores que não possuem bens (dinheiro, máquinas, equipamentos, imóveis entre outros) para integralizar na empresa e que também são proibidos de subscrever o capital para integralizar com o próprio resultado que a empresa gerará.
Quando da criação da EIRELI, a obrigatoriedade de capital mínimo integralizado em nada minimizou as constituições de sociedades limitadas, onde não há exigência de capital mínimo, e que em muitas vezes se usa um sócio sem interesse social apenas para manter a pluralidade necessária no quadro societário.
O projeto ainda traz a permissão de uma pessoa natural constituir mais de uma empresa nessa modalidade, podendo assim ser titular de várias EIRELI’s.
Outra novidade que o projeto apresenta é a criação de uma sociedade limitada unipessoal, a chamada SLU, que irá oferecer a todas as pessoas, naturais ou jurídicas, a possibilidade de constituir uma empresa com apenas um “sócio”, devido à introdução da Seção IX no Capítulo IV do Código Civil. Há ainda a possibilidade da SLU ser uma sociedade empresária ou simples, servindo tanto para atividade empresarial ou profissional. A SLU tem o mesmo regramento de uma sociedade limitada, exceto naquilo que se refere à pluralidade social, podendo inclusive a transformação de uma sociedade limitada em SLU, e vice-versa.
A necessidade de transparência nos negócios jurídicos praticados pelo sócio e sociedade é quesito importante para a SLU, pois evita que a mesma seja usada para negócios ilícitos e prejudiciais ao fisco ou credores, uma vez que o projeto de lei determina que todos esses atos sejam expressos e levados ao arquivamento nos órgãos competentes, Juntas Comerciais ou Registros Civis de Pessoas Jurídicas.
A SLU vem para incentivar a iniciativa empreendedora, vetor em nossa economia, aproveitando para que não haja pessoas contraindo sociedades sem o real intuito de tê-las, o que evita os popularmente chamados “laranjas”, e ainda para que pessoas jurídicas possam organizar-se de forma mais flexível para desempenharem suas atividades em grupos econômicos.
* Contadora e consultora da Affectum Auditoria e Consultoria Empresarial. Pós-graduanda em Gestão de Operações Societárias e Planejamento Tributário pelo Ineje.
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Mudanças no Código Civil trazem ânimo aos futuros empreendedores
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Aos 25 anos, coleta seletiva será ampliada na Capital
Acontece amanhã, a partir das 10h no Largo Glênio Peres o lançamento da ampliação da coleta seletiva dentro da Campanha ReciclaPOA. Além de expor as ações e melhorias do serviço já realizado evento também celebra os 25 anos do serviço realizado na Capital
Será montado um estande, ao lado do Chalé da Praça XV, das 9h30 às 16h30, com atividades de sensibilização e orientação ambiental para a população. A ideia é incentivar a melhor separação de resíduos na casa das pessoas. Atualmente, segundo o DMLU apenas 3% do lixo da cidade é reciclado o que representa 100 toneladas diárias.
Alunos da rede pública também participam de atividades
Também na terça Cerca de 60 alunos do ensino público farão as visitas guiadas pelo Serviço de Assessoria Socioambiental (Sasa) ao túnel de sensibilização, que fica na sede do DMLU (av. Azenha, 631). Na oportunidade, os alunos também irão conhecer a mais nova escultura do Sasa, feita com resíduos recicláveis. A escolha do nome da escultura, uma elefanta, será feita por meio de votação. -
A Revolução Eólica (52) – RS atinge 1,3 mil MW, capaz de abastecer o Acre
Cleber Dioni Tentardini
Com a entrada em operação neste mês de julho dos 17,9 megawatts (MW) do Parque Eólico Chuí 9, o Rio Grande do Sul chega a 1.321,6MW de capacidade instalada de energia eólica. Isso representa 20% da produção nacional, que hoje é de 6,6GW, conforme dados da Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica.
Através de uma estimativa, pode-se dizer que essa capacidade pode gerar 375 gigawatts hora(GWh) e abastecer em média 2 milhões de residências mensalmente. Segundo o Balanço Energético Nacional – BEN 2014, publicado pela EPE, a geração estimada seria capaz de abastecer o consumo residencial de eletricidade do Acre, que consumiu 373 GWh em 2013.
No RS, estão produzindo energia 51 parques distribuídos em nove municípios da região metropolitana de Porto Alegre, Llitoral Norte e Sul e Fronteira-Oeste. Além desses, já estão contratados e em construção mais 41 parques eólicos no Estado, que somam 764,3 MW para entrar em operação até 2017.
O novo parque em Chuí com dez aerogeradores de 80 metros ocupa uma área de 112 hectares no Chuí, Litoral Sul, fronteira com a cidade uruguaia de Chuy. Recebeu a licença de operação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) no final de junho e parecer de acesso do Operador Nacional do Sistema – ONS e aguarda sinal positivo da Agência Naconal de Energia Elétrica (Aneel) e demais órgãos responsáveis para começar a operar. Conforme a LO, a empresa deverá manter monitoramento de aves, morcegos, mamíferos terrestres, anfíbios, répteis e peixes anuais e sinalizar as estradas para controle de atropelamento de animais.
Megausina de Campos Neutrais

Linha de transmissão em Santa Vitória do Palmar / Foto de Cauê Mendonça
Os novos aerogeradores fazem parte de um conjunto de seis usinas do Parque Eólico Chuí, que terá 144 MW de potência instalada. O investimento é da Eletrosul /Eletrobras (49%) em parceria com o Fundo de Investimentos em Participações (FIP) Rio Bravo, que detém 51% do negócio.
Somado aos outros dois parques que estão sendo construídos naquela região litorânea – os parques eólicos Geribatu, com 258 MW, e Hermenegildo, com 181 MW de capacidade, ambos em Santa Vitória do Palmar – formam o Complexo Eólico de Campos Neutrais, que pretende ser o maior da América Latina. Os 583 megawatts (MW) de capacidade instalada é suficiente para atender ao consumo de 3,3 milhões de habitantes.
Os investimentos em Campos Neutrais chegam a R$ 3,5 bilhões, levando em conta os parques e as obras do sistema de transmissão, que leva a energia do extremo Sul ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A Eletrosul em parceria com a Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE-GT), construíram perto de 490 quilômetros de linhas de transmissão (525 kV), três novas subestações e ampliando uma unidade existente. -
Livro sobre 150 anos do registro de imóveis conta história de Porto Alegre
FELIPE UHRO próximo dia 5 de julho marca o sesquicentenário do Registro de Imóveis 1ª Zona da cidade de Porto Alegre. Para comemorar a data será lançado o livro “Do manuscrito ao registro eletrônico: 150 anos do Registro de Imóveis de Porto Alegre”.O material, reunido pela organizadora e editora da obra, a arquiteta Juliana Erpen, consiste em fotos de prédios antigos com os respectivos registros de imóveis e breve histórico dos mesmos. Contempla também a evolução jurídica do registro da propriedade, desde o Brasil Colônia.Há ainda coisas inéditas e inusitadas, reveladas durante os poucos mais de 4 meses de pesquisa.“Encontramos coisas muito legais, inclusive a partir de fotos antigas. O professor Günter Weimer reconstituiu a fachada da Casa do Borges de Medeiros, que também foi a primeira sede do Registro de Imóveis” explica a arquiteta.Há textos jurídicos, assinados por conceituados juristas, explicando o sistema registral brasileiro, o qual garante a segurança jurídica para o adquirente de um imóvel.O material contou com a participação de 3 historiadores e conhecedores da história e do desenvolvimento da cidade de Porto Alegre: além de Günter Weimer, integraram o grupo Miguel Frederico do Espírito Santo e Sérgio da Costa Franco.O último escreveu o prefácio e colaborou com a identificação de fotos antigas e também com um capítulo onde descreveu a evolução urbana de Porto Alegre. “Citei as modificações da plantas da cidade e suas alterações geográficas ao longo da história”, comenta o historiador.Outro episódio contado por Sérgio da Costa Franco é como a cidade se desenvolveu. “A população teve crescimento acentuado a partir da criação do transporte coletivo, primeiro feito por animais, depois pelos bondes, a partir de 1873”, ressalta o historiador.Participou também o arquiteto Claudio Calovi, que descreve o aterro do Cais Mauá e os prédios do entorno da Praça da Alfândega.Escravidão registradaOutra história incrível e descoberta na pesquisa é a documentação de escravos. “Nós pesquisamos e descobrimos que escravos foram registrados. Eles eram considerados bem-móveis pertencentes aos donos dos imóveis”, explica Juliana.A organizadora se aprofundou nesse assunto e no livro conta a história de 3 escravos, entre eles o Escravo Salvador, com então apenas 9 anos. “Foi uma infeliz realidade, mas que deve ser contada”, ressalta.O livro será lançado no próximo dia 4 de julho, às 18 horas no Palácio da Justiça, na Praça da Matriz, 55, no Centro Histórico de Porto Alegre.
